Sexta-feira, 31 de Maio de 2019

Mating Ritual - Hot Content

Menos de um ano do lançamento de Light Myself On Fire, o projeto Mating Ritual do músico californiano Ryan Marshall Lawhon e do seu irmão Taylor Marshall, que planeia nos próximos cinco anos lançar o mesmo número de alinhamentos de canções, está de regresso aos discos com um trabalho intitulado Hot Content, o terceiro registo de originais da dupla e que viu a luz do dia à boleia da editora Smooth Jaws, pertença do próprio Ryan.

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Hot Content começou por ser uma hashtag dos irmãos utilizada para identificarem publicações que eles consideram verdadeiras idiotices retiradas de publicações e revistas de renomes, com especial ênfase na Forbes, pensadas, segundo os próprios, para uma espécie de elite que ambos claramente desprezam. A partir daí a ideia foi-se desenvolvendo e esse manancial de artigos supostamente de referência, mas que não passam, no fundo, de banalidades escritas por pseudo intelectuais, acabaram por influenciar o conteúdo de onze canções que dentro de um espetro bem delimitado, o rock oitocentista, procuram abraçar os diversos subgéneros de um espetro sonoro que está sempre muito presente no nosso imaginário e que é, nos dias de hoje, fonte de inspiração para imensos projetos, com origem, especialmente, do outro lado do atlântico.

Logo a abrir o registo deliciamo-nos com U.N.I., uma composição assente numa guitarra efusiante e num baixo imponente, cordas que se aliam a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, uma míriade instrumental que aconchega o timbre sintético vocal de Ryan, numa toada que tem tanto de sexy como de robótico e que nos clarifica que estão a abrir-se as portas para um alinhamento que poderia muito bem ter sido congeminado algures no início da década de oitenta e no período aúreo do disco sound

A partir daí, na imponência e na vibração eloquente de Panic Attack, no balanço sintetizado proporcionado pelas teclas e pelos efeitos que palpitam por Falling Back, no clima retro de October Loveuma canção com um refrão avassalador e onde se percebe o gosto de Ryan por dar primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica e no climático swing das guitarras que conduzem a balada Stupid Romantic Things, temos alguns dos momentos maiores de um registo que é fruto de uma produção cuidada e que nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra, no seu todo, uma vontade corajosa de querer evitar ao máximo que a limpidez e a capacidade de airplay radiofónico dos temas possam castrar a extraordinária capacidade criativa que a dupla demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para o universo sonoro já referido.

Num alinhamento em que abundam os flashes de efeitos vários, mas onde é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas e melodias orelhudas que tanto nos levam para ambientes mais climáticos, mas com uma pinta de epicidade, como para aquela pop efusiante, expansiva, radiofónica e luminosa, Hot Content impressiona pelo seu cariz sonoro abrangente e múltiplo e pelo modo como funde o inato talento musical dos Mating Ritual com a nostalgia que está sempre subjacente a um período musical que permite, como este registo prova, abordagens versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Espero que aprecies a sugestão.

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01. A Beginning (Descent)
02. U.N.I.
03. Panic Attack
04. Falling Back
05. Future Now
06. Boys Don’t Have To Be Boys
07. The Name Of Love
08. October Lover
09. Good God Regina It’s A Bomb
10. Stupid Romantic Things
11. Game


autor stipe07 às 16:13
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Quinta-feira, 30 de Maio de 2019

Andrew Bird – My Finest Work Yet

Já viu a luz do dia My Finest Work Yet, o décimo segundo álbum da carreira de Andrew Bird, um dos maiores cantautores da atualidade e com um vasto catálogo de canções que são pedaços de música intemporais. A elas Bird junta mais dez, abrigadas pela primeira vez pela Loma Vista Recordings, canções que, curiosamente, mostram pela primeira vez uma faceta crítica deste músico norte-americano natural de Chicago relativamente a alguns dos tópicos mais importantes da nossa contemporaneidade, nomeadamente as mudanças climáticas e o choque ideológico global entre o capitalismo de direita, o socialismo e o ambientalismo.

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Líder na última década do século passado dos míticos Bowl Of Fire e apelidado de mestre do assobio, o multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird tem consolidado a sua carreira a solo com uma notável frequência de lançamentos discográficos, fazendo-o sempre com elevada bitola qualitativa e conseguindo dar uma cariz identitário genuíno a cada um dos lançamentos, não se limitando, registo após registo, por repetir a mesma fórmula até à exaustão. Ele vai oferecendo-nos sempre novas nuances, detalhes e formas de compôr que entroncam numa base comum, a típica folk norte americana, proposta através de diferentes registos e papéis, mas sempre com a mesma eficácia e brilhantismo, uma das marcas identitárias da sua arte.

My Finest Work Yet, um disco gravado ao vivo no Barefoot Studios, em Los Angeles e produzido por Paul Butler, não foge à regra, com canções como Olympians, uma luminosa alegoria intensa e festiva, a setentista Fallorun e a charmosa Proxy War a escorrerem  à sombra de um clima claramente pop, gizado por cordas dedilhadas sempre na medida certa, sem grandes exageros, como é habitual na mestria interpretativa de Andrew. Depois há outras do calibre de Bloodless, um anguloso piscar de olhos ao jazz ou a mais incontida e paisagisticameente vasta Don The Struggle, a oferecerem-nos, dentro da espinha dorsal sonora do autor, outras interseções de maior risco e variedade, mas claramente bem sucedidas, relativamente ao universo sonoro acima referido, um espetro sonoro que tem como grande virtude a possibilidade de se acomodar facilmente aos mais variados géneros que a ela se queiram associar. E Bird mostra neste disco o quanto é exímio neste exercício climático de agregação, fazendo-o imbuído de sofisticação e com enorme bom gosto.

My Finest Work Yet é mais um instante precioso na discografia de um músico notável, um trabalho que mostra a sua beleza não só nos diversos momentos de intersecção entre vozes, sopros, teclas e cordas, mas principalmente no modo como exala um suspiro íntimo e pessoal sobre aspetos sociais que afligem o autor, repleto de optimismo e esperança relativamente a dia melhores. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - My Finest Work Yet

01. Sisyphus
02. Bloodless
03. Olympians
04. Cracking Codes
05. Fallorun
06. Archipelago
07. Proxy War
08. Manifest
09. Don The Struggle
10. Bellevue Bridge Club


autor stipe07 às 16:12
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Quarta-feira, 29 de Maio de 2019

Foals – Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1

Quase quatro anos depois de What Went Down, os Foals de Yannis Philippakis prepararam dose dupla para dois mil e dezanove começando com o lançamento há algumas semanas de Everything Not Saved Will Be Lost Part 1, que terá como sucessor Everything Not Saved Will Be Lost Part 2, lá mais para o outono, dois trabalhos com a chancela do consórcio Transgressive / Warner Bros. Quinto registo da carreira do projeto britânico e com artwork do artista equatoriano Vicente Muñoz, que pretende simbolizar muito do conteúdo lírico do álbum através de um cruzamento criativo entre a natureza e uma construção humana e produzido pela própria banda e por Brett Shaw, Everything Not Saved Will Be Lost Part 1 é o primeiro registo do projeto sem a presença do baixista Walter Gervers que o ano passado abandonou amigavelmente os Foals.

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Disco muito focado no modo como o homem tem pressionado o ambiente e a natureza colocando o futuro do nosso planeta em risco, mas também olhando para assuntos importantes da realidade britânica como o brexit, a imigração e o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, Everything Not Saved Will Be Lost Part 1 mostra, logo em Exits, uma canção com direito a um vídeo realizado por Albert Moya, que se os dois últimos registos dos FoalsHoly Fire (2013) e What Went Down (2015), mostraram um lado intrincado do grupo e um rumo sonoro que buscou territórios eminentemente negros, sombrios e encorpados, houve agora uma tentativa declarada de recuperar o som inicial do grupo, nomeadamente as guitarras experimentais que sustentaram com enorme sucesso Antidotes o registo de estreia da banda. Com uma atmosfera pop oitocentista bastante vincada e plena de groove, este segundo tema do alinhamento do trabalho, cheio de efeitos borbulhantes e coloridos nas cordas, sabe a uma espécie de bálsamo retemperador, um travo ampliado pelo habitual tribalismo percussivo dos Foals, que adoram convidar-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento.

A partir daí, o disco reforça essa toada e progride numa ânsia de saciar a vontade constante de inovação, transformação e desenvolvimento do referencial sonoro que carateriza a banda, mesmo que isso implique, no caso, uma reinvenção de algum do seu arquétipo fundamental. O frenesim empolgante de White Onions e o modo como em Degrees a bateria se entrelaça com o sintetizador para juntos irem deixando abertas ao longo da melodia para a guitarra se ir intrometendo e adornando o clima retro do tema, são dois bons reforços do ambiente deixado por Exits. Aliás, um dos grandes atributos de Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1 é mesmo o modo como Edwin Congreave, o teclista do grupo, se serve dos sintetizadores para criar texturas algo enigmáticas e densas, mas geralmente etéreas, com o objetivo claro de contrastarem com as guitarras de Philippakis e Jimmy Smith, ampliando, assim, por incrível que pareça, o protagonismo das mesmas e a ruiqeza estilística de um alinhamento que em temas como a claustrofóbica Syrups ou a mais impulsiva e eloquente On The Luna, também nos convida a fazermos rewind na nossa memória até ao período inicial da carreira do grupo de Oxford.

Registo pensado ao milímetro, carregado de nuances, quebras, detalhes, instantes de euforia, mas também de contemplação, Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1 consolida a verdadeira essência de um projeto que, por muitas voltas que procure dar ao seu catálogo, tem no seu adn as guitarras como elemento aglutinador e identitário primário, assim como o tal tribalismo percussivo, mas que também utiliza alguma sintetização para fugir ao óbvio de forma madura e cativante, sem nunca deixar de tentar estabelecer, com sentimentalismo penetrante e profundo, uma conexão assertiva entre as pistas de dança do passado e do presente. Espero que aprecies a sugestão...

Foals - Everything Not Saved Will Be Lost, Part 1

01. Moonlight
02. Exits
03. White Onions
04. In Degrees
05. Syrups
06. On The Luna
07. Cafe D’Athens
08. Surf Pt.1
09. Sunday
10. I’m Done With The World (And It’s Done With Me)


autor stipe07 às 16:26
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Terça-feira, 28 de Maio de 2019

Von Spar - Under Pressure

Já chegou aos escaparates Under Pressure, o quinto álbum do projeto Von Spar de Sebastian Blume, Jan Philipp Janzen, Christopher Marquez e Phillip Tielsch, sem contar com a homenagem aos Can, captada ao vivo com Stephen Malkmus em dois mil e treze. As oito composições do álbum foram gravadas no Dumbo Studio dos próprios Von Spar em Colónia, com convidados de Toronto, Tóquio, Nova York, Londres e Nashville, contribuições notáveis de nomes como Chris A. Cummings,  Eiko Ishibashi, a professora de punk e reggae Vivien Goldman (The Flying Lizards) ou Lætitia Sadier (Stereolab).

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Passaram-se 15 anos desde o disco de estreia Die uneingeschränkte Freiheit der privaten Initiative e cinco anos desde o álbum Streetlife, mas o arquétipo temático e lírico dos Von Spar, feito de irreverência pop e de uma irrequietude única no que concerne à opção pela desobediência aos formalismos típicos de uma banda alinhada com o mainstream, mantém-se intocável. E tal acontece apesar da faceta algo camaleónica da discografia dos Von Spar, com os diferentes registos do catálogo do grupo a provarem uma metamorfose contínua no som da banda, abrindo frechas ao post punk, ao krautrock e à pop art oitocentista.

Com a chancela da Tapete Records, Under Pressure é uma homenagem declarada ao clássico de David Bowie já com quase quatro décadas e onde o recentemente desaparecido guru da pop já lamentava, juntamente com Freddie Mercury, o rumo descontrolado que este mundo em que vivemos parece ir (It's the terror of knowing what this world is about). Portanto é um trabalho que pretende mostrar que os Von Spar também refletem sobre a nossa contempraneidade, sendo especialmente críticos no que diz respeito à frequente postura intimidatória da classe dirigente, a aguda concorrência social e a necessidade de vivermos numa permanente luta pela sobrevivência, numa era de capitalismo desenfreado e vigilante relativamente aos seus cidadãos. Esta sensação de urgência e de constante frenesim social, acaba por estar plasmada nestas canções logo na dupla entrada A Dream (Pt 1)A Dream (Pt 2), canções em que a banda, juntamente com Cummings e Ishibashi, idealizam uma sequência de sonhos que exploram onde poderiam chegar se as algemas da carne fossem arrematadas. Pouco depois, Vivien Goldman pega o fio à meada, reforça o conceito e liberta-se dos fantasmas do passado em Boyfriends (Dead Or Alive), enquanto Lætitia Sadier em Extend The Song, um hino krautrock notável, defende que poderia tocar e tocar para sempre, impulsionada pela energia motora de uma composição algo ácida e particularmente psicotrópica: (if someone would ask me, Could I go on?).

Apesar do cariz temático bem balizado e que faz os Von Spar divagarem dentro de um universo sonoro bastante específico, a verdade é que neste Under Pressure fazem-no através de diferentes ângulos e espetros, flutuando livremente à boleia de uma atitude claramente experimental e enganadoramente despreocupada, expressa numa vontade óbvia de transformar cada composição numa espécie de retrato fiel de um modo de pensar lascivamente crítico, mas sem deixarem de criar espaço para a reflexão e auto-interrogação por parte do ouvinte. E essa é uma das grandes virtudes de um disco onde não falta refinamento rítmico, saltos quânticos harmónicos, arpejos de sintetizadores giratórios, guitarras para trás sem nenhum sinal de retrogradação mas, principalmente, um modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:41
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2019

Keane – Retroactive EP1

Com uma vasta e bem sucedida carrera de cerca de duas décadas, os britânicos Keane de Tom Chaplin, sempre gostaram de revisitar e dar novas roupagens a alguns dos seus temas mais emblemáticos, sendo a safra mais recente desse exercício de reinterpretação Retroactive EP 1, um tomo de quatro canções, obrigatório para quem é assumido seguidor deste projeto incontornável da história musical contemporânea.

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Para quem conhece os Keane e já amou e se desiludiu ao som da voz ternurenta de Tom Chaplin, Retroactive EP 1 é um aconchegante compêndio sonoro, perfeito para tocar nestes finais de tarde ensolarados, enquanto fazemos rewind à fita magnética que guarda algumas das melhores memórias vividas ao som de quatro clássicos únicos e intemporais desta banda britânica. São canções por natureza otimistas, compostas por uma banda que soube sempre fintar as críticas relacionadas com uma face supostamente demasiado radiofónica, melosa e sentimental e que foram criadas num estágio superior de sapiência que, à altura, se colocou à boleia de arranjos tensos, dramáticos e melódicos e dos quais nos apropriámos individual e coletivamente, através de discos tão essenciais para a hitória da pop deste século como Hopes and Fears (2004), Under The iron Sea (2006) ou Perfect Symmetry (2008).

Prestes a lançar novo álbum este ano, quatro das composições  marcantes desse período aúreo dos Keanee podem agora ser degustadas com igual emotividade e prazer, através de uma faceta mais acústica, contemplativa e etérea, mas igualmente melancólica, nostálgica e marcante. Espero que aprecies a sugestão...

Keane - Retroactive EP1

01. Somewhere Only We Know (Sprint Music Series)
02. Bedshaped (Acoustic / Live At The Roundhouse / 2013)
03. Spiralling (Demo)
04. Silenced By The Night (Live / Sea Fog Acoustic Session)

 


autor stipe07 às 16:53
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Domingo, 26 de Maio de 2019

Two Door Cinema Club – Dirty Air

Two Door Cinema Club - Dirty Air

Após os temas Satellite e Talk, já é conhecido o terceiro single de False Alarm, o quarto e novo registo de originais que os irlandeses Two Door Cinema Club se preparam para lançar no final de junho próximo à boleia da Pias Recordings.

Sucessor do excelente Gameshow, editado há cerca de dois anos e produzido por Jacknife Lee, que já tinha colocado as mãos nesse antecessor, False Alarm também já é notícia pela curiosa capa da autoria da fotógrafa Aleksandra Kingo, que retratou o grupo cercado por emissores de ruído variados, numa aparente situação de pânico. A ideia é retratar a sensação de ansiedade coletiva que carateriza, nos dias de hoje, um mundo em que se sucedem desastres naturais, catástrofes provocadas pelo próprio homem e um sem número de perigos que vão florescendo um pouco por toda a parte.

Quanto a Dirty Air, este novo single de False Alarm, uma canção que de acordo com Alex Trimble, o vocalista, é sobre o fim do mundo e o modo como se pode fazer desse evento uma grande festa, oscila entre o indie rock mais efusivo e efervescente, audível no fuzz das guitarras e aquela pop exeprimental new wave com um travo retro exalado por inebriantes teclas sintetizadas. Confere...


autor stipe07 às 21:21
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Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

Gaz Coombes – Salamander

Gaz Coombes - Salamander

Quem esteve atento à luta fraticida pelo domínio da brit pop durante a década de noventa, recorda-se imediatamente da dupla Blur vs Oasis e depois acrescenta-lhe os Suede e os Pulp, os The Charlatans e talvez os Spiritualized e os Supergrass, este, sem dúvida, o grupo britânico mais negligenciado nessa altura. Gaz Coombes, antigo líder desta banda britânica, estreou-se numa carreira a solo em 2012 e em boa hora o fez com o fabuloso Here Come The Bombs. Uns dois anos depois desse início prometedor, Coombes regressou mais uma vez à boleia da Hot Fruit Recordings, com Matador, um disco produzido pelo próprio autor e gravado no seu estúdio caseiro em Oxford. No início do verão passado foi a vez de nos revelar o terceiro disco, um trabalho intitulado World's Strongest Man, com onze canções idealizadas por uma das personalidades mais criativas da indie britânica e inspiradas no concurso anual World's Strongest Man, um enorme sucesso televisivo em Inglaterra, um talkshow passado numa qualquer ilha das Caraíbas e que escolhe, após várias provas, aquele que é supostamente o homem mais forte do mundo.

Agora cerca de um ano depois de World's Strongest Man, Gaz está de regresso com novidades, um single intitulado Salamander, mas que ainda não traz a reboque o anúncio, pelo menos oficial, da edição de um novo longa duração do artista britânico. Canção vibrante, rugosa e visceral, conduzida por um efeito de guitarra metálico rebarbante e por uma bateria imponente e bastante ritmada e depois cortada a direito por um insolente piano, Salamander oferece-nos uma relação pouco vista em Coombes entre eletrónica, punk rock e climas mais progressivos, sem descurar um intenso sentido melódico e a tipica epicidade das melhores propostas da indie experimental que habitualmente é incubada em terras de Sua Majestade. Confere...


autor stipe07 às 17:30
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2019

Sweet Baboo – The Vending Machine

Em novembro de dois mil e dezassete a empresa galesa de charcuteria Charcutier Ltd de Illtud e Liesel e a Amazing Tapes from Canton lançaram um curioso projeto intitulado The Vending Machine Project e convidaram Sweet Baboo aka Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, também no País de Gales, a fazer parte do mesmo com um álbum conceptual. Esclareço que o projeto The Vending Machine Project consiste na criação de máquinas de venda automática de produtos locais galeses, com destaque para os fumados e os enchidos, numa das lojas mais famosas de Cardiff, a Castle Emporium, situada em Womanby Street, uma das ruas mais movimentadas dessa cidade. A ideia é a promoção de produtos locais e regionais produzidos em quintas ecológicas e torná-los acessíveis de modo fácil e rápido a todos os interessados, adquirindo-os assim diretamente ao produtor, constituindo-se essa máquina como uma alternativa aos produtos de cariz mais industrializado e produzidos em grande escala, geralmente vendidos nas grandes superfícies comerciais. Além dos enchidos e fumados, queijo, manteiga e mel são outras iguarias que a máquina tem sempre pronta para venda diariamente.

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Sweet Baboo, cujo avô curiosamente era talhante, entra então no projeto a convite de Illtud e Liesel, os patrões da Charcutier Ltd, com o intuíto de criar uma banda-sonora do mesmo, que seja audível na máquina, a troco de uma ou duas salsichas de vez em quando. Assim a máquina The Vending Machine acaba também por funcionar como uma espécie de jukebox gigante, à boleia de um disco com esse nome, editado pela Bubblewrap Records e assente em nove composições possíveis de serem adquiridas também na máquina.

Com artwork da autoria de Rich Chitty, The Vending Machine volta a mostrar um Sweet Baboo irrepreensivel no modo multicolorido como conjuga diversas influências, que vão da folk à synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado, como se percebe, com notável impacto, no festivo single Lost Out On The Floor.

Esta conjugação de géneros acaba por dar alguma pompa e imponência a The Vending Machine e um curioso toque retro, ainda mais quando alguns arranjos algo kitsch resolvem aparecer, quase sempre sem aviso prévio. Por exemplo, em The Acorn Drop há uma linha de guitarra repetitiva e hipnótica, que parece transformar-se numa espécie de alarme repetitivo, que tanto causa repulsa como, em simultâneo, uma estranha atração, ampliada pelo modo como no refrão se distorce. Essa sensação repete-se no registo vocal adoptado em Pannage / Panic. Já em TV Theme o clima baladeiro criado pela secção rítmica e pelo orgão é claramente setentista e fervorosamente encadeante. Depois, em instantes mais calmos, a sensualidade pop do saxofone que abrilhanta Early Riser, o travo algo psicadélico das teclas sintetizadas que conduzem The Shipping Forecast e o travo jazzístico fumarengo dos sopros e do paino de Barnyard Rhumba, são detalhes que aprimoram e enchem de primor um disco que é, claramente, uma verdadeira festa, certamente organizada com muito amor e que merece ser elogiada pela sinceridade e pelo charme cativante com que se atreve a desafiar todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão...

Sweet Baboo - The Vending Machine

01. Positive Record
02. Lost Out On The Floor
03. The Acorn Drop
04. Early Riser
05. The Shipping Forecast
06. Barnyard Rhumba
07. TV Theme
08. Pannage / Panic
09. Down The Afon Gwendraeth


autor stipe07 às 18:37
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Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

André Carvalho - The Garden of Earthly Delights

Já chegou aos escaparates The Garden of Earthly Delightso terceiro registo de originais do contrabaixista e compositor André Carvalho, um músico natural de Lisboa, mas a viver do outro lado do atlântico, na big apple, há quase meia década. Com artwork da autoria de Margarida Girão e inspirado no espantoso e intrincado universo do artista Hieronymus Bosch, em particular da pintura que dá nome ao disco, patente no Museu do Prado em Madrid, The Garden of Earthly Delights sucede a Hajime e Memória de Amiba, dois registos que mostraram uma mescla muito pessoal e original entre jazz contemporâneo e alguns dos arquétipos fundamentais da música portuguesa de cariz mais erudito e tradicional.

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Misturado pelo pianista, engenheiro e produtor Pete Rende, e masterizado pelo multi-instrumentista Nate Wood, com as participações especiais de nomes tão proeminentes como Jeremy Powell, um saxofonista americano e um dos mais influentes músicos no panorama de Nova Iorque, Eitan Gofman, um jovem saxofonista Israelista que tocou com Randy Brecker, Gerald Clayton, Eddie Gomez, David Liebman entre muitos outros, Oskar Stenmark, trompetista sueco que tocou com nomes como Maria Schneider Orchestra, David Byrne, Arturo O’Farrill e a Bohusland Big Band, o português André Matos, guitarrista que tocou com Sara Serpa, Billy Mintz, Pete Rende, Jacob Sacks e Thomas Morgan e Rodrigo Recabarren, baterista chileno com uma vasta experiência e cujo currículo inclui participações com Camila Meza, Kenny Barron, Kenny Werner, Melissa Aldana e Gilad Hekselman, The Garden of Earthly Delights oferece-nos, nas suas onze composições, uma recompensadora viagem em forma de suite musical, uma jornada contemplativa com vários momentos de tensão, mas também de calma. São composições que entre a suavidade e a brutalidade, a simplicidade e a complexidade, a harmonia e o conflito, fluiem com ímpar indulgência e subtil sagacidade, ao mesmo tempo que nos dão uma visão muito própria do referido quadro, um tríptico pintado pelo pintor holandês entre finais do século XV e início do séxulo XVI e em que a parte mais fechada representa a criação do mundo, mas que quando aberto, nos oferece um panorama incrível de interpretações que, entre as noções de paraíso, as tentações, uma visão do inferno repleto de almas pecadoras a caminho de um moinho, o voyeurismo e a pura e dura sexualidade, possibilitam por parte do nosso olhar as mais variadas interpretações.

Assim também é a música de André Carvalho, telas sonoras passíveis de apropriação por parte do ouvinte, que movidas através de complexas texturas melódicas entrelaçadas em sopros e cordas, sempre com uma certa aúrea de mistério e com uma enorme personalidade, plasmam todo o charme do melhor jazz contemporâneo. The Garden of Earthly Delights é, pois, um magnífico caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. Depois poderemos com elas exorcizar demónios, mas também aconchegar alegrias e realizações, esteja o ouvinte predisposto a saborear convenientemente o universo criado por este excelente intérprete de um estilo sonoro nem sempre devidamente apreciado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:54
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Terça-feira, 21 de Maio de 2019

The National – I Am Easy To Find

Já chegou aos escaparates I Am Easy To Findo novo registo de originais dos norte-americanos The National, um álbum que viu a luz do dia a dezassete de maio, através da 4AD. Oitavo disco da carreira do grupo, I Am Easy To Find sucede a Sleep Well Beast, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no final do verão de dois mil e dezassete e tem um alinhamento de dezasseis canções que colocam os The National num pedestal de refinamento e classicismo algo exuberante e cada vez mais distante dos primeiros trabalhos do grupo nova-iorquino, que eram eminentemente crus, enérgicos e imediatos, quando comparados com estas últimas propostas mais contemporâneas.

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Antes de olhar a fundo no conteúdo de I Am Easy To Find, é importante esclarecer que uma das grandes curiosidades do disco é ser um trabalho colaborativo e conceptual. Resulta de uma parceria da banda com o realizador Mike Mills, sendo um dos componentes de 20th Century Womeno mais recente filme do cineasta, que também dirigiu uma curta-metragem com o nome do álbum. Mike Mills acabou por realizar também alguns videos de singles entretanto divulgados do disco, produções independentes do filme, com destaque para a interpretação de dança, protagonizada pela israelita Sharon Eyal em Hairpin Turns e que, de acordo com Mills, acaba por funcionar neste video como uma espécie de alter ego da personagem interpretada pela atriz sueca Alicia Vikander no filme.

Nome maior do panorama alternativo norte-americano das últimas duas décadas, sempre com elevada consistência e sem necessidade de grandes inflexões sonoras, o grupo liderado por Matt Berninger chega ao oitavo disco a oferecer à sua vasta legião de fãs o alinhamento mais longo, ambicioso e intrincado de um dos percursos mais dinâmicos e ricos da história do rock alternativo contemporâneo. E fá-lo cada vez mais centrado na figura do vocalista que, rodeado de quatro dos melhores músicos da atualidade, vai expressando, álbum após álbum, todas as suas agruras e frustrações, mas também sonhos, alegrias e realizações pessoais. Ele é o tipo de cantor e poeta capaz de oferecer com tremenda nitidez os seus maiores medos e inseguranças e fá-lo tornando-se na própria estrela que interpreta o estilo particulamente cinematográfico de uma escrita sempre tocante, intensa e realista. É, portanto, impossível indissociar os poemas musicados pelos The National do próprio trajeto pessoal de Berninger, sendo quase possível redigir uma espécie de biografia do homem tendo por base a análise e interpretação do catálogo sonoro deste quinteto.

Uma das nuances mais interessantes de I Am Easy To Find e que reforçam este exercício de exposição pública por parte de Berninger, foi a opção por se fazer acompanhar por um interessantíssimo conjunto de vozes femininas que ajudam a ampliar toda a aúrea de sentimentalismo, sensibilidade e até de uma certa pureza e requinte, sensações que exalam facilmente do âmago deste disco. Na nobreza melancólica de Oblivions, composição sobre a beleza do casamento e com a voz de Pauline de Lassus, esposa de Bryce Dessner, na condução, no modo como em Hey Rosey, um tema sobre a exposição das vulnerabilidades individuais sempre subjacentes a uma relação profunda e bem sucedida, Mina Tindle acaba mesmo por assumir o protagonismo vocal numa lindíssima canção que também tem nos créditos líricos Carin Besser, esposa de Berninger, na religiosidade mítica que o coletivo Brooklyn Youth Chorus nos proporciona em Her Father In The Pool e com maior cosmicidade no tema Dust Swirls in Strange Light, no modo delicado como na luxuriante e efusiva rugosidade de Where Is Her Head, um dos melhores temas que os The National compuseram esta década, Eve Owens canta um excerto do livro que o pai lê à protagonista do filme adjacente ao álbum e, principalmente, na presença de Gail Ann Dorsey, baixista e segunda voz durante longo período da carreira do malogrado David Bowie em You Had Your Soul With You, fica plasmada uma evidência inegável; Estas vozes femininas assumem a primazia interpretativa e delegam, em muitos casos, Matt Berninger para um papel de coadjuvante, algo difícil de se imaginar numa banda que sempre foi sonoramente tão íntima e dependente da sua voz principal.

No que concerne à componente instrumental do disco, como de certo modo já referi acima, os The National continuam, ao oitavo disco, a enriquecer o seu impressionante catálogo com novas nuances instrumentais, cada vez mais firmadas nas teclas do piano e dos sintetizadores e em diversos dos atuais entalhes entre eletrónica e rock alternativo, opções que procuram incutir luminosidade e cor ao que aparentemente já foi muito mais sombra e rugosidade. Assim, acaba por ser comum escutar em simultâneo, como é o caso de Light Years, instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros, como You Had Your Soul With You, que acabam por resvalar para uma teia sonora que se diversifica e se expande, à medida que a composição evolui. Depois há ainda canções, como Roman Holiday, que prezam pelo minimalismo da combinação de poucos instrumentos, mas que, no fundo, tornam-se num refúgio bucólico e denso que impressiona pelo forte cariz sensorial. Finalmente, há ainda outras que soam mais ricas e trabalhadas, como Quiet Lighttalvez um dos temas do disco que exala com superior precisão o cada vez maior ecletismo estilístico do grupo.

Os The National sempre foram bem aceites e acarinhados por cá devido ao modo como, nos primeiros discos, se tornavam automaticamente nossos amigos e confidentes, não só pela forma como abordavam a tristeza, dando-nos pistas concretas no modo de lidar com ela e apontando caminhos de redenção, nem que fosse através da simples lembrança de que amanhã há sempre um novo dia e que a esperança nunca pode esmorecer. Agora, a sensação que fica é que o efeito pretendido é um pouco o contrário, ou seja, existe uma pretensão mais ou menos clara por parte de Berninger de querer que sejamos nós a sacar as suas confidências e sente-se que ele suspira por uma retribuição da nossa parte relativamente a essa entrega e exposição ímpares. No travo psicadélico invulgar de So Far So Fast, na sobriedade do piano e da batida sintética que conduz Hairpin Turns, uma ode às memórias que deixamos para os outros depois de partirmos deste mundo, na exaltação à beleza do mundo infantil feita em Rylan, um tema com raízes nas sessões de gravação de High Violet (2010), na suprema luminosidade de Light Years, uma canção sobre esperança, luta e vitória, composta num piano sueco numa casa que a família de Berninger alugou na Dinamarca, para onde se mudaram há alguns anos, durante uma temporada, depois da sogra de Berninger ter sido diagnosticada com cancro e, principalmente, em Not In Kansas, uma canção que contém referências aos R.E.M., aos The Strokes, a um fornecedor de erva antigo do músico e ao seu ódio de estimação pela extrema-direita e incubada também na Dinamarca a partir de um instrumental intitulado Everything to Everyone, do projeto Everyone Moves Away, Berninger é particularmente explícito neste exercício comunicacional confessional que procura estabelecer com a intimidade de cada um de nós, dentro de um disco pensado com um propósito bem definido, mas que pode muito bem também ser apropriado pelos fãs da banda para ser lido e interpretado do modo que melhor lhe convier. Esta possibilidade que a música dos The National sempre nos ofertou é, sem dúvida, uma das suas  imagens de marca e um dos legados únicos que a banda deixa para a história do indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

The National - I Am Easy To Find

01. You Had Your Soul With You
02. Quiet Light
03. Roman Holiday
04. Oblivions
05. The Pull Of You
06. Hey Rosey
07. I Am Easy To Find
08. Her Father In the Pool
09. Where Is Her Head
10. Not In Kansas
11. So Far So Fast
12. Dust Swirls In Strange Light
13. Hairpin Turns
14. Rylan
15. Underwater
16. Light Years


autor stipe07 às 15:35
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

The Black Keys – Go

The Black Keys - Go

Cinco anos depois de Turn Blue, a dupla The Black Keys de Dan Auerbach e Patrick Carney estará de regresso em dois mil e dezanove com um novo disco, o nono da carreira do projeto, um registo do qual já se conhecem algumas composições.

Let´s Rock é o título desse próximo álbum de estúdio da dupla de rock americana, irá ver a luz do dia a vinte e oito de junho próximo pela Easy Eye Sound em parceira com a Nonesuch Records e Go é a canção mais recente divulgada do seu alinhamento, uma divertida composição, com groove intenso e pleno de soul, conduzida por uma guitarra mais perto do que nunca do punk rock de garagem.

Depois da intensa digressão de promoção a Turn Blue, Dan e Patrick entraram num período relacional entre ambos bastante complicado que acabou por provocar uma pausa no projeto. Bryan Schlam, o realizador do vídeo de Go, satiriza no filme essa situação entretanto resolvida, abordando o elefante na sala e colocando a dupla a fazer terapia, num retiro espiritual numa comuna, um lugar de paz e de união e com a banda a odiar cada segundo que lá passa. Foi um vídeo certamente desafiador, mas bem conseguido porque oferece-nos uma narrativa cinematográfica e engraçada ao mesmo tempo. Confere...


autor stipe07 às 16:05
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Domingo, 19 de Maio de 2019

Interpol - Fine Mess EP

Quase um ano após o lançamento de Marauder, os Interpol entraram em grande estilo no verão de dois mil e dezanove com Fine Mess, um EP que a banda acaba de lançar à boleia, obviamente, da Matador Records e que contém cinco canções gravadas por Dave Fridmann nos estúdios nova iorquinos do próprio, os Tarbox Studios, durante a sessões de Maraudero tal disco que os Interpol editaram no verão passado.

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É impossível indissociar o conteúdo de Fine Mess do alinhamento de Marauder,  até porque o EP mantém o trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que tem sido replicado por Banks, Kessler e Fogarino com elevado quilate. Seja como for, parece-me não ter havido apenas um exercício de junção de composições que ficaram de fora desse registo, mas antes algo mais aturado e refletido. De facto, Fine Mess tem uma identidade muito própria e será redutor e injusto considerar este EP como uma espécie de apêndice de Marauder. Escuta-se o tema homónimo e somos confrontados com o Banks incisivo de sempre, não só na voz mas também no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário dos Interpol, um timbre metálico que lançou o grupo para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. É, pois, uma canção que contém uma ímpar virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição dos Interpol, inclui, neste caso, referências à década de oitenta e à inquietude das relações.

As nuances rítmicas de No Big Deal e a energia intuitiva de Real Life acabam por ser duas balizas identitárias deste alinhamento e de marcação da tal ruptura com Marauder, com a toada invulgarmente pop de The Weekend a ser a cereja no topo do bolo de um EP que atesta, uma vez mais, a superior experiência por parte do grupo nova iorquino e tem a mais valia de oferecer ao fã um extra inesperado e, ainda por cima, com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - A Fine Mess

01. Fine Mess
02. No Big Deal
03. Real Life
04. The Weekend
05. Thrones


autor stipe07 às 18:19
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019

Mikal Cronin – Undertow / Breathe

Foi através da iniciativa  de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES que viu a luz do dia recentemente o novo lançamento discográfico de Mikal Cronin, um músico norte-americano natural de Laguna Beach, Na Califórnia. Trata-se de uma edição em vinil de sete polegadas de dois temas, Undertow e Breathe e que quebram um hiato de quase meia década desta referência ímpar do indie rock do outro lado do atlântico, que já tem no seu historial os registos Mikal Cronin (2011), MCII (2013) e MCIII (2015), além de colaborações importantes com outros músicos, como Ty Segall ou Kim Gordon.

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Canção feita com arranjos sujos e guitarras desenfreadas e que nos faz viajar no tempo à boleia de uma feliz simbiose entre garage rock pós punk, Undertow fala-nos do modo como muitas vezes nos deixamos influenciar demasiado pelos outros e do erro que todos cometemos quando nos deixamos ir na corrente da maioria. Já Breathe, composição mais melancólica e experimental, assente numa acusticidade psicadélica intensa e que deve muito a um sintetizador analógico monofónico MOOG Sub 37, foi incubada numa quente manhã ateniense, após Cronin ter acordado com umas estranhas explosões, no quarto de hotel da capital grega em que se encontrava, durante uma digressão com Ty Segall. É um tema que fala-nos da necessidade que todos sentimos de voltar à superfície e nos reerguermos depois de um período mais sombrio. Confere...

Mikal Cronin - Undertow - Breathe

01. Undertow
02. Breathe

 


autor stipe07 às 16:56
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019

Bear Hands – Fake Tunes

Foi através da Spensive Sounds que viu a luz do dia Fake Tunes, o quarto registo de originais dos Bear Hands, um coletivo norte-americano, oriundo de Brooklyn, Nova Iorque e atualmente formado por Dylan Rau, Val Loper e TJ Orscher. O registo é um mergulho profundo e particularmente imersivo numa multiplicidade de estilos sonoros, misturados e depois torcidos e retorcidos, uma filosofia sonora interpretada com sentido melódico e lúdico e com o firme propósito de fazer o ouvinte divagar por diferentes épocas sonoras, com particular ênfase nos anos oitenta do século passado.

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Coloca-se em modo play Fake Tunes e percebe-se, logo em Blue Lips, o cariz retro de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo das últimas décadas, mas também por alguns tiques caraterísticos do hip hop, do pop punk, do eletropop e do rock clássico, sempre com a herança dos anos oitenta em ponto de mira. E, logo a seguir, toda esta trama estende-se de modo esplendoroso nos efeitos, na distorção e no clima épico de Mr. Radioactive, mas também, numa abordagem mais rugosa e densa, em Friends In High Places, canção que demonstra de modo claro todo  um esforço algo indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido, diga-se, de criar composições cativantes e saudosistas, mas que também estejam em linha com as tendências mais contemporâneas da pop. Em Back Seat Driver (Spirit Guide) a simbiose do registo vocal imponente e emotivo com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, ao qual se juntam excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral, o charme retro vintage do clima neo psicadélico de Reptilians, assim como o reverb vocal e os teclados cósmicos que aprimoram a inebriante e corrosiva Ignoring The Truth, são outras composições que acomodam um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a uma mescla de géneros e estilos, idealizada sem regras ou convenções e de modo particularmente cativante e sedutor.

Os Bear Hands são de difícil catalogação, mas parecem já ter encontrado o rumo certo com este Fake Tunes, uma sátira intensa e até algo paranóica à contemporaneidade em que vivemos e onde névoas permanentes nos assombram quando olhamos para o futuro. Por cá serão novamente merecedores de loas e de exaltação plena se optarem sempre pela miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza este registo. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Blue Lips (Feat. Ursula Rose)
02. Mr. Radioactive
03. Friends In High Places
04. Back Seat Driver (Spirit Guide)
05. Reptilians
06. Ignoring The Truth
07. Clean Up California
08. Exes
09. Pill Hill
10. Blame
11. Confessions (Feat. Ursula Rose)


autor stipe07 às 17:47
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Quarta-feira, 15 de Maio de 2019

The Tallest Man On Earth – I Love You. It’s A Fever Dream.

I Love You. It’s A Fever Dream. é o quinto e novo registo de originais do sueco Kristian Matsson, que assina a sua música como The Tallest Man On Earth, um álbum de difícil gestação e muito querido pelo próprio autor que confessou no verão passado que estava a ser complicado conseguir aprimorar o seu conteúdo devido à digressão de Dark Bird Is Home, o álbum que o músico lançou há quatro anos. Aliás, esta digressão acaba por ser o grande mote de dez canções que reforçam o estatuto de excelência de um autor que tem, com toda a justiça, cada vez maior aceitação e reconhecimento público e que possui o dom raro de transformar histórias particulares e melancolias próprias em música acessível a todos.

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De facto, I Love You. It’s A Fever Dream., sendo, de acordo com o autor, um relato de diferentes banalidades, rotinas e curiosidades que estão sempre subjacentes à vida de um músico, geralmente intercalada entre a estrada e o estúdio, procura ter o atributo maior de responder a algumas das questões filosóficas mais prementes da nossa existência, nomeadamente quais os melhores caminhos que devemos percorrer, nos obstáculos que todos temos de contornar ou ultrapassar durante a vida.

Assim, este disco é, essencialmente, um feliz exercício biográfico, onde The Tallest Man On Earth estabelece uma forte vontade de aproximação, como se cantasse diretamente para nós, de forma verdadeiramente confessional, enquanto tem o duplo objetivo de se abrir e desabafar, mas também aconselhar e inspirar. Por exemplo, em Hotel Bar Matsson relata alguns dos constrangimentos da digressão, nomeadamente a solidão, mas também a beleza de um concerto, que reside na arte comunicar com uma audiência de estranhos, utilizando uma forma de manifestação artística sublime, a criação musical. E fá-lo comparando-se a um leopardo que vive uma epopeia que, quer passe por Brooklyn ou por uma savana africana, tem sempre necessidade de escalar a uma árvore ou a um arranha-céus para ver se encontra alguém familiar e da sua espécie. Pouco depois, em I’m A Stranger Now, Matsson regressa à temática da solidão, ampliando porque confessa cruzar-se e conhecer imensas pessoas mas percebe que são poucas aquelas que realmente marcam e que na sua profissão é sempre escasso o tempo e a dispopnibilidade para cultivar a amizade. Já em Waiting For My Ghost explora a estranha sensação de anonimato que a presença constante na estrada provoca, por serem imensos os dias em que se sente rodeado apenas por estranhos e em There's A Girl ele clama por um novo amor que o faça libertar-se de toda esta realidade sombria, rotineira e pouco recompensadora em que vive.

Em suma, I Love You. It’s A Fever Dream. é um daqueles discos que encanta pelo modo como as melancolias afloram, canção após canção, de uma forma muito honesta e ao mesmo tempo comercial. Quer seja através da country ou da folk, nestas dez canções o cantor apodera-se de sentimentos universais, para criar um clima intenso e uma verdadeira espiral sentimental, que atinge com precisão o lado mais sensível de cada um de nós, sem apelo nem agravo. O modo como Matsson cria neste registo metáforas sobre si próprio é feito com um grau de realismo e de criatividade tal que quase nem nos apercebemos da própria instrumentalidade, que conduz o disco. Mas convém referir que nesta tal instrumentalidade, The Tallest Man On Earth é exemplar no modo como usa as cordas, as teclas e diversos efeitos percussivos para ampliar o toque intimista de um álbum inteligente e particularmente belo. Espero que aprecies a sugestão...

The Tallest Man On Earth - I Love You. It's A Fever Dream.

01. Hotel Bar
02. The Running Styles Of New York
03. There’s A Girl
04. My Dear
05. What I’ve Been Kicking Around
06. I’m A Stranger Now
07. Waiting For My Ghost
08. I’ll Be A Sky
09. All I Can Keep Is Now
10. I Love You. It’s A Fever Dream.


autor stipe07 às 15:44
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Terça-feira, 14 de Maio de 2019

Idlewild - Interview Music

Os britânicos Idlewild, formados atualmente por Roddy Woomble, Rod Jones, Colin Newton, Allan Stewart e Gareth Russell, estão de regresso aos registos discográficos com Interview Music, um disco produzido por Dave Eringa, que trabalhou nos álbuns anteriores da banda, 100 Broken Windows e The Remote Part e que viu a luz do dia a cinco de abril, sucedendo ao aclamado registo Everything Ever Written, lançado há já quatro anos.

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Oitavo disco da carreira de uma banda com uma história já longa e feita de períodos aúreos e outros menos resplandescentes, que perigaram o futuro do projeto e fizeram Roddy, o líder, pensar em dar primazia a um projeto a solo, Interview Music abre em grande estilo com o portentoso single Dream Variations, uma canção assente num rock incisivo e agreste, duas imagens de marca dos Idlewild e que plasma, desde logo, a evidência de que mantêm-se intactos os atributos maiores desta mítica banda. Depois do clima mais dançante e que pisca um olho à eletrónica angulosa de There's A Place For Everything, somos confrontados com outro momento alto do disco, o single Same Things Twice, uma canção que atesta o regresso dos Idlewild a territórios mais experimentais e que exalando muita da energia adolescente de bandas como os Superchunk ou os Sonic Youth e experiências dissonantes ao estilo Pavement, nomeadamente na guitarra, acaba por, no seu todo, abarcar heranças diretas do pós punk, onde não faltam também vias sonoras abertas para o pop rock, a new wave e o grunge, tudo acomodado por aquele jeito meio desajeitado e aparentemente pouco sóbrio de cantar, típico de Roddy. Ele mistura bem a sua voz, mesmo que às vezes soe algo agressiva, com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza o que pode ser abafado pela distorção, já que o red line das guitarras é atributo essencial do cardápio sonoro dos Idlewild.

Até ao ocaso do registo, o travo punk de Same Things Twice, amaciado pelo clima mais arejado de I Almost Didn’t Notice e o exercício supremo de criatividade em que assenta Mount Analogue, uma composição em que guitarras e sopros conjuram entre si de modo particularmente simbiótico, são outros exemplos concretos da superior capacidade dos Idlewild de nos proporcionar o acesso à memória daquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primórdios do rock alternativo, mas também de envolver a nossa mente com uma elevada toada emotiva e delicada, mesmo que a sonoridade pareça, a espaços, algo sombria e rugosa. Espero que aprecies a sugestão...

Idlewild - Interview Music

01. Dream Variations
02. There’s a Place For Everything
03. Interview Music
04. All These Words
05. You Wear It Secondhand
06. Same Things Twice
07. I Almost Didn’t Notice
08. Miracles
09. Mount Analogue
10. Forever New
11. Bad Logic
12. Familiar To Ignore
13. Lake Martinez

 


autor stipe07 às 16:07
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019

Cayucas – Real Life

Depois de passarem os últimos dois anos a escrever canções, os Cayucas dos gémeos Zach e Ben Yudin, estão de regresso aos discos com Real Life, o terceiro trabalho desta banda sedeada em Santa Mónica, na Califórnia e que sucede ao aclamado registo Dancing At The Blue Lagoon editado no ocaso do verão de dois mil e quinze. Recordo que na altura esse álbum era aguardado com enorme expetativa porque sucedia a Bigfoot (2012), um disco que, logo na estreia da dupla, colocou os dois irmãos nas bocas da crítica mais especializada e grangeou uma legião vasta de fãs que tem tudo para aumentar tendo em conta o conteúdo luminoso e feliz de Real Life.

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Produzido por Dennis Herring (Elvis Costello, Modest Mouse, Camper Van Beethoven), Real Life é um verdadeiro festim pop, meia hora de canções que se esfumam com uma altivez ímpar, enquanto nos proporcionam um retrato feliz de uma Califórnia cheia de sol, praias e pessoas que vivem algo alienadas do mundo real, por mergulharem constantemente nas ondas salgadas de um pacífico que estabelece pontes com uma costa oeste cheia de oportunidades e todo aquele conforto que o capitalismo pode oferecer, com Hollywood a ser, de certo modo, o expoente máximo deste modo de viver tão exuberante e frenético.

Escutamos Jessica WJ ou Girl e imaginamos facilmente Sunset Boulevard e atrizes a desfilar passeio abaixo com vestidos insinuantes e os braços repletos de sacos de papel carregados de trapinhos de alta costura,mas também é fácil sermos levados até ao passado, sentados num manto de nostalgia retro, ao som de Melrose Place ou para uma sunset party, com direito à fogueira da praxe, à boleia do banjo e das palmas de Tears.

A receita para todo este clima envolvente e único? Simples, mas eficaz! Melodias que ganham vida conduzidas por guitarras carregadas de timbres metálicos e que mesclam algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo com aquela pop vibrante e que deve muita da sua essência a sintetizadores plenos de efeitos com elevada cosmicidade. What It Feels Like é, talvez, o malhor exemplo desta opção estilística dos Cayucas, mas que também não descura uma vertente acústica, audivel nas cordas e nos elementos percurssivos de Alligator.

Escutar Real Life é, pois, uma experiência divertida e nostálgica sobre um mundo diferente do nosso, visto pelos olhos de uma dupla que afirma inspirar-se muito nas memórias do seu passado e daqueles que se foram cruzando nas suas vidas, nomeadamente amigos e colegas da escola e do meio onde cresceram. Aliás, a já citada canção Jessica WJ é sobre uma amiga dos dois irmãos que era popular porque tocava baixo na escola secundária que frequentaram e Winter of 98 fala de tardes passadas a jogar bilhar em bares e salas de jogos de Santa Mónica, no final do século passado. Portanto, estando na fase mais madura e profícua de uma carreira que é olhada com intesidade e devoção na costa oeste dos Estados Unidos da América, os Cayucas certamente procuraram neste Real Life criar canções que contassem histórias reais e comuns a qualquer mortal, tramas com que o ouvinte se identificasse espontaneamente e que fluissem naturalmente, transmitindo, ao mesmo tempo, aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos. Missão cumprida! Espero que aprecies a sugestão...

Cayucas - Real Life

01. Jessica WJ
02. Real Life
03. Girl
04. Melrose Place
05. Tears
06. Naked Shower Scene
07. Winter Of ’98
08. What It Feels Like
09. Alligator


autor stipe07 às 16:07
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Domingo, 12 de Maio de 2019

Ride – Future Love

Ride - Future Love

Produzido por Erol Alkan e misturado por Alan Moulder e Caesar Edmunds, This Is Not A Safe Place é o nome do novo registo de originais dos britânicos Ride de Andy Bell, que, recordo, depois de um hiato de mais de duas décadas, reuniram-se e lançaram um novo disco há três anos, intitulado Weather Diaries. Esse trabalho vê agora sucessor, depois do EP Tomorrow Shore, editado o ano passado e que continha 4 temas que sobraram das gravações de Weather Diaries.

Verdadeiras lendas do shoegaze contemporâneo, os Ride contrariam um pouco o comportamento habitual de algumas lendas do rock que se reúnem depois de uma longa ausência, editam um disco e acabam por desaparecer novamente na penumbra. De facto, existe aqui uma busca de continuidade, materializada em This Is Not A Safe Place, registo que sairá lá para o verão. Future Love é o primeiro single já retirado desse álbum, uma grandiosa canção assente numa aditiva melodia com leves pitadas de surf pop e garage rock, embrulhadas com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que terá o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa a habitual ousadia experimental dos Ride. Confere...


autor stipe07 às 17:37
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Sábado, 11 de Maio de 2019

Night Moves – Strands Align

Night Moves - Strands Align

Será a vinte e oito de junho próximo que chegará aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como será certamente possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

Para já podemos deliciar-nos com Strands Align, o primeiro avanço já revelado de Can You Really Find Me, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental. Confere...


autor stipe07 às 13:29
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019

Starflyer 59 – Young In My Head

Os míticos Starflyer 59 de Jason Martin, ao qual se juntam, atualmente o baixista Steven Dail (Project 86, Inner Means, Crash Rickshaw, Bloodshed), o teclista TW Walsh (TW Walsh, Pedro the Lion, Lo-Tom, The Soft Drugs) e o baterista Charlie, filho de Jason, estão de regresso aos discos com Young In My Head, um compêndio de dez canções que sucedem a Slow, um registo lançado há cerca de três anos. Young In My Head viu a luz do dia através da Tooth & Nail Records, a editora de sempre desta banda oriunda de Riverside, na Califórnia.

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Com já quase três décadas de existência, os Starflyer 59 começaram por apostar em abordagens ao shoegaze, logo no registo homónimo de estreia lançado em mil novecentos e noventa e quatro, uma opção que se manteve nos sucessores Gold Americana. Depois, com The Fashion FocusEverybody Makes Mistakes, e Leave Here a Stranger, os Starflyer 59 entraram num período de transição e começaram a migrar para um som mais limpido e acessivel e próximo dos arquétipos fundamentais do típico indie rock alternativo norte-americano, sendo considerados, na atualidade, como um dos projetos mais profícuos do cenário alternativo do outrolado do atlântico.  Já agora, aos discos que o grupo já lançou, juntam-se nove EPs, quatro edições ao vivo, três compilações e um sem número de edições de singles em vinil, além da participação do grupo em outros projetos paralelos, sendo os mais célebres os Pony Express, Bon Voyage, Dance House Children, The Brothers Martin, White Lighter, Neon Horse e os Lo-Tom.

Young In My Head é, então, o décimo quinto registo de originais do catálogo do grupo, um alinhamento de dez canções que coloca os Starflyer 59 a replicar uma sonoridade com um travo muito nativo e profundamente americano, com as guitarras e os sintetizadores a mostrarem-nos alguns dos maiores méritos daquele rock oitocentista que ainda hoje está bem impresso na memória de muitos. Basta escutar o ritmo frenético do tema homónimo e o modo como a guitarra encaixa e os teclados planam acima da melodia, para recuarmos facilmente até esse período aúreo da história musical contemporânea. Depois, o clima mais blues da guitarra que conduz a subtileza melódica de Cry, a curiosa e inesperada beleza que emana da mais negra e depressiva Remind Me e o rock agreste e poeirento que conduz Crash, atestam a força, o vigor e a vitalidade de um disco bem definido em termos de sonoridade e exemplar na forma como a recria, através de canções que nos oferecem algum do melhor rock que se escuta por aí, às vezes tão rugoso e quente como o asfalto que pisamos todos os dias. Espero que aprecies a sugestão...

Starflyer 59 - Young In My Head

01. Hey, Are You Listening?
02. Young In My Head
03. Not That I Want To
04. Cry
05. Remind Me
06. Smoke
07. Wicked Trick
08. Junk
09. Cain
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