Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2019

Albert Hammond Jr. – Fast Times

Albert Hammond Jr. - Fast Times

Cerca de oito meses após o excelente Francis Trouble, álbum que foi cuidadosamente dissecado por esta redação e de uma participação especial no blockbuster da Netflix Stranger ThingsAlbert Hammond Jr., músico norte americano e uma das faces mais visíveis dos The Strokes, acaba de divulgar um novo tema intitulado Fast Times e de confirmar estar a trabalhar em estúdio com Natalie Umbruglia, não tendo sido revelados mais detalhes sobre essa inusitada colaboração, nomeadamente o conteúdo e os objetivos da mesma.

Composição banhada por um indie rock luminoso e radiante, assente naquele efeito metálico que é a imagem de marca dos The Strokes e por um trabalho percurssivo exemplar, Fast Times é mais uma homenagem exemplar ao cenário punk nova iorquino dos últimos vinte anos e prova o direito que Hammond tem de alimentar esta semelhança estilística entre o seu trabalho a solo e o grupo que ajudou a erigir, desde que continue a fazê-lo com a elevada bitola qualitativa que demonstra nesta sua nova composição. Confere...


autor stipe07 às 12:46
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2019

TOY – Happy In The Hollow

Desde dois mil e dez os TOY têm vindo a ganhar uma reputação de banda íntegra, virtuosa e tremendamente criativa, com Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold (desde dois mil e quinze) a oferecerem a uma base já sólida de seguidores um leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, sempre aliadas a um aturado trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio. Happy in The Holow, registo produzido pela própria banda, é o último grande passo da carreira dos TOY, um trabalho que marca uma nova visão sonora ainda mais distintiva e original, agora à boleia da etiqueta Tough Love, a nova editora do projeto.

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Para quem conhece a discografia dos TOY a fundo, como é o caso desta redação que ainda hoje venera o homónimo de estreia e considera-o um registo essencial da década, Happy In The Hollow é o disco da banda mais incisivo na demonstração de um alargado de sonoridades, referidas acima, sempre aliadas a um trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio, cada vez mais aprimoradas. O andamento incisivo de Sequence One, acompanhado por uma constante vibração na guitarra e o sample fantasmagórico que paira sobre o swing do baixo do lento krautrock lisérgico de Mistake A Stranger, abrem todo esse leque de uma ponta à outra, logo no início do alinhamento e comprovam esta espécie de refresh do som típico dos TOY, que se torna, clarmamente, mais sofisticado, límpido, radiofónico e abrangente.

Dado esse mote, a partir daí assiste-se, portanto, a uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que costuma caraterizar o ambiente sónico deste quinteto, que em Energy é colocado a nú através de um contagiante frenesim elétrico, conduzido por um feroz riff de guitarra proporcionado por Dominic e um superior desempenho na bateria, a cargo de Charlie, num tema em que Max Dougall escreve sobre alguns rituais noturnos e que nos sete minutos de Willo nos levam numa inebriante viagem psicadélica ambiental, assente na astúcia acústica de Maxim e no orgão inspirado e elegante de Max. Pelo meio, o post rock psicadélico e soturno de Last Warmth Of The Day e o travo eletro particularmente dançante e indisfarçadamente lascivo de Jolt Awake, dão-nos aquela sensação de profundidade e imersão num universo muito próprio e inédito, que os devotos do quinteto sabem melhor que ninguém como caraterizar e que frequentemente exala aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por instrumentais épicos e marcantes, uma das principais caraterísticas arquitectónicas da maior parte das composições de Happy In The Hollow.

Disco que não nos deixa aterrar de imediato e que após a audição tem instantes que ficam a ressoar no âmago de quem o escutou com critério e devoção, Happy In The Hollow eleva-nos ainda mais alto e ao encontro do típico universo flutuante e inebriante em que assentam os TOY. Ouvi-lo levanta o queixo e empina o nariz, e prova, mais uma vez e com outro brilho, que os TOY tricotam as agulhas certas num rumo discográfico enleante, que tem trilhado percursos sonoros interessantes, mas sempre pintados por uma psicadelia que escorre, principalmente, nas guitarras, cimentando o cliché que diz que gostar de TOY continua a ser, mais do que nunca, também uma questão de bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Happy In The Hollow

01. Sequence One
02. Mistake A Stranger
03. Energy
04. Last Warmth Of The Day
05. The Willo
06. Jolt Awake
07. Mechanism
08. Strangulation Day
09. You Make Me Forget Myself
10. Charlie’s House
11. Move Through The Dark


autor stipe07 às 15:16
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019

Luke Sital-Singh – Lover

Luke Sital-Singh - Lover

Depois da edição de Time Is A Riddle, o seu último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público o ano transato com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps fieis ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na sua génese, transborda, inclusive nas suas letras sempre profundas, intimistas e bastante reflexivas.

Agora, em dois mil e dezanove, parece ser tempo do britânico Luke, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, juntar um novo disco ao seu catálogo, um alinhamento intitulado A Golden State, que aterrará nos escaparates no início de abril próximo e que focar-se-á nessa viagem transatlântica que o autor e compositor efetuou e que mudou dramaticamente a sua vida.

Canção sobre o lado negro do amor que todos os casais vivenciam e o melhor caminho para uma reconciliação quando as coisas ficam menos harmoniosas e mais tensas, Lover é um dos temas já revelados de A Golden State, uma canção que transporta no charme das teclas do piano e na sua suavidade melancólica aquele intenso travo à herança mais pura da soul americana, uma composição profundamente emotiva e sofisticada e com o habitual cunho pessoal muito identitário de Luke Sital-Singh, que sobre Lover referiu recentemente: It’s a song about marital fights, relationship woes, and the ebb and flow of that, essentially, (...). One of the most frequent spats I have with my wife (illustrator Hannah Cousins) is about driving. She drives, I don’t. The new album is sort of about moving to America, and before we decided on the move we went on a road trip down the Californian coast (documented in Cousins' new book Coast). It was a beautiful journey, but there was quite a lot of bickering. So ‘Lover’ is about a difficult drive, and just trying to keep it together, basically. Confere Lover...


autor stipe07 às 12:41
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2019

Copeland - Blushing

Os norte-americanos Copeland de Aaron Marsh (voz, guitarra, baixo, piano), Bryan Laurenson (guitarra) e Stephen Laurenson (guitarra) já andam por cá, algo despercebidos, é certo, mas tremendamente criativos, desde o início do novo milénio. Têm cinco discos em carteira, sendo o último IXORA, um registo editado em novembro de dois mil e catorze e que já tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado Blushing, que viu a luz do dia há poucos dias, à boleia da tooth & nail records.

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Gravado nos dois últimos dois anos no The Vanguard Room, o estúdio de Aaron Marsh, em Lakeland, Florida, terra natal da banda e misturado em Nova Iorque por  Michael Brauer, Blushing assenta, liricamente, na habitual escrita algo intrincada e levemente lúgubre, que carateriza o cardápio lírico dos Copeland, envolvida por um arquétipo sonoro que, piscando também o olho à eletrónica, consegue ser, com superior subtileza, sereno e majestoso.

Logo que foi revelado Pope, o primeiro single de Blushing, percebeu-se que este seria mais um álbum emotivo e capaz de mexer com o âmago de quem se predispusesse a destrinçar o seu conteúdo, que vai sempre muito além, no caso dos Copeland, da simples vertente musical. E de facto, a atmosfera cativante do registo, que facilmente nos faz levitar e dançar e sonhar em simultâneo, sendo transversal a todo o alinhamento, faz de Blushing uma espécie de disco conceptual, idealizado para funcionar como um potente soporífero e onde o clássico, o ambiental e o contemporâneo se misturam para dar vida a um receituário único no panorama alternativo atual.

O sintetizador e a batida hipnótica que o sustentam em Lay Here e que depois são envolvidos por detalhes borbulhantes, o piano digital e a bateria inituitiva que conduzem a radioheadiana As Above, So Alone, o indistinto charme de Night Figures, a guitarra abrasiva de Colorless ou a nave espacial que se despenha entre os efeitos inebriantes e a distorção vocal de On Your Worst Day, são telas sonoras de elevado cariz impressionista, dentro daquilo que pode ser descrito como uma eletrónica feita de um ímpar bucolismo que nos força a enfrentar o nosso lado mais melancólico, etéreo e introspetivo, enquanto os Copeland parecem querer colocar a nú algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:32
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2019

Teenage Fanclub – Everything Is Falling Apart

Teenage Fanclub - Everything Is Falling Apart

Quase dois anos e meio depois de excelente Here, os escoceses Teenage Fanclub estão de regresso com Everything Is Falling Apart, uma nova canção que pretende marcar o início de uma digressão norte-americana. Serão vinte concertos no outro lado do atlântico que não contarão, pela primeira vez na história da banda, com Gerard Love, vocalista e membro fundador do grupo, que o abandonou no verão passado.

Tema que mistura nostalgia e contemporaneidade, com afeto e melancolia, através de uma guitarra com aquela dose equilibrada de eletrificação que permite o experimentalismo, sem colocar em causa o cariz fortemente radiofónico que sempre caracterizou os Teenage Fanclub, Everything Is Falling Apart foi gravado há alguns meses na Alemanha, na cidade de Hamburgo, nos estúdios Clouds Hill. Esta canção deverá, espera-se, fazer parte de um novo registo dos Teenage Fanclub, agora formados pelos fundadores Raymond McGinley (voz e guitarra) e Norman Blake (guitarra), acompanhados por Francis Macdonald (bateria) , David McGowan (baixo), e Euros Childs (teclados). Confere...


autor stipe07 às 12:34
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

Tomara - Favourite Ghost (vídeo)

Chegou aos escaparates há já algum tempo Favourite Ghost, o disco de estreia do projeto Tomara da autoria de Filipe Monteiro, um músico que começou por estudar Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes e que trabalhou em vídeos e na parte visual de concertos de nomes como os já extintos Da Weasel, mas também com Paulo Furtado, David Fonseca, Rita Redshoes, António Zambujo e Márcia. São oito canções plenas daquela nostalgia que provoca encantamento e torpor, temas que enquanto suavemente entram pelos nossos ouvidos, inapelavelmente nos arrebatam e conquistam e em definitivo.

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O tema homónimo deste álbum, uma canção onde o minimalismo suave delicioso das cordas e a cândura do registo vocal transbordam uma majestosa e luminosa melancolia, acaba de ter direito a um vídeo dirigido pelo próprio Filipe e que marca o início de uma nova digressão que levará este seu disco de estreia a diversas salas do país. Às datas já agendadas, que incluem São Miguel (Açores), Leiria, Torres Vedras e Oeiras, junta-se agora o convite da Casa da Música para integrar Tomara na sua programação. Este concerto, que acontecerá a dezoito de Abril, marca não só a estreia da banda na cidade do Porto em formato completo, como será também a primeira vez que o espectáculo integrará uma importante e cuidada componente cinematográfica realizada pelo próprio Filipe C. Monteiro.

"Esta é uma tour para tentar levar o meu primeiro disco a mais gente. Temos concertos confirmados em várias salas do país. Eu destaco o Porto porque é uma cidade que me diz muito e onde já toquei inúmeras vezes com outros projectos, mas nunca com a formação completa de Tomara. O convite da direcção artística da Casa da Música para integrar Tomara na sua programação enche-me de orgulho, por ser uma das salas que mais dignifica a música e os músicos em todos os géneros, que é transversal em termos de estilo musical e isso é, já por si, um apoio enorme à Arte e à Cultura".

Ainda antes de subir ao palco da Casa da Música, durante o mês de Março, Filipe C. Monteiro juntar-se-á a Tiago Bettencourt e a Surma numa residência artística nas Caldas da Rainha, no âmbito do Festival Impulso, onde criarão juntos temas inéditos que serão apresentados ao público em finais de Maio no decorrer desse evento. Confere o videoclip de Favourite Ghost.

 


autor stipe07 às 17:24
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019

Cass McCombs – Tip Of The Sphere

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está de regresso aos discos com Tip Of The Sphere, o novo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Refiro-me a um alinhamento de onze canções, que viram a luz a oito de fevereiro último e sucedem ao excelente Mangy Love (2016), sendo o segundo álbum do músico abrigado pela ANTI- Records.

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No antecessor Mangy Love foi-nos novamente oferecido o ambiente algo ambivalente a que McCombs nos tem habituado na sua já extensa discografia, feito de sonho e amargura, dois campos lexicais que parecem não se cruzar em nenhum instante nas nossas vidas, mas que na escrita deste músico californiano se entrelaçam insistentemente. Neste Tip Of The Sphere, McCombs manteve essa permissa estilística e continua focado em aproximar-se de modo acessível dos seus ouvintes, algo bem plasmado na visceralidade das guitarras, no furor do baixo e na voz sussurrante de Sleeping Volcanoes e no imenso oceano nostálgico que se espraia perante nós em Estrella e, de um modo mais animado, na psicadélica The Great Pixley Train Robbery, canções abrigadas por alguns dos elementos essenciais daquela folk tipicamente americana que nos transporta para o tradicional jogo de sons e versos que caracterizam este género musical tão específico. E McCombs, ao invés de ser purista oferece de braços abertos esta sua visão contemporânea da folk ao indie rock e à própria eletrónica, não só como se percebe nos temas citados, mas também em Absentee, composição carregada de amargura, mas também de uma interessante dose de bom humor e ironia, à boleia de uma sonoridade simplista, guiada ao piano, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações e um oceano de melancolia ilimitada. Depois, temas como a intimista Real Life, que segue esta linha autoral bem definida com rigidez, mostrando-nos um romântico inveterado, especialista em musicar lamentos e amores que não deram certo e o andamento rugoso e contemplativo da fumarenta Sidewalk Bop After Suicide, deixam-nos convencidos da excelência de um disco que mantém, em todo o alinhamento, uma fluidez agradável e inegavelmente marcante.

Tip Of The Sphere é, em suma, uma formidável sequência de composições onde tudo aquilo que atrai e influencia Cass McCombs é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, num artista que longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais, procura, disco após disco, reforçar o seu historial sonoro com um brilho raro que entronca, basicamente, na simplicidade com que se aventura na sua própria imaginação e numa indisfarcável devoção aos autores clássicos da América que o viu nascer e onde cabem, numa ténue fronteira, todos os sonhos, mas também diferentes angústias. Espero que aprecies a sugestão...

Cass McCombs - Tip Of The Sphere

01. I Followed The River South To What
02. The Great Pixley Train Robbery
03. Estrella
04. Absentee
05. Real Life
06. Sleeping Volcanoes
07. Sidewalk Bop After Suicide
08. Prayer For Another Day
09. American Canyon Sutra
10. Tying Up Loose Ends
11. Rounder

 


autor stipe07 às 21:36
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2019

Crystal Fighters – Wild Ones

Crystal Fighters - Wild Ones

O coletivo de músicos ingleses e espanhóis Crystal Fighters, que se divide entre Londres e Navarra e é atualmente formado por Sebastian Pringle, Gilbert Vierich e Graham Dickson, trio ao qual se juntam em digressão Eleanor Fletcher, Louise Bagan e Daniel Bingham, estreou-se há quase uma década com o excelente registo Star Of Love e vai regressar este ano aos discos. Essa nova adição ao catálogo dos Crystal Fighters chama-se Gaya & Friends, verá a luz do dia a um de março através da Warner Bros. e sucede a Everything Is My Family  (2016) e ao EP Hypnotic Sun, lançado no passado mês de novembro e que continha as composições Another Level, que faz parte da banda sonora do Fifa 19, Going Harder (feat. Bomba Estereo) e All My Love.

Do alinhamento de Gaya & Friends já foi retirado o single Wild Ones, uma canção que dentro de um registo muito peculiar que cruza pop com eletrónica, contém uma vincada contemporaneidade. Quer a percurssão, quer as cordas e os teclados exalam uma enorme energia, bastante dançável e muito agradável de ouvir, com um resultado final que aguça a curiosidade relativamente ao restante conteúdo de Gaya & Friends. Confere...


autor stipe07 às 13:45
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

Wye Oak – Evergreen

Wye Oak - Evergreen

Foi na primavera do ano passado e à boleia da Merge Records que viu a luz do dia The Louder I Call, The Faster It Runs, o sexto registo de originais da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy, os Wye Oak solidificaram nesse registo uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

Agora, quase um ano depois desse registo, a dupla acaba de divulgar um novo tema intitulado Evergreen, à boleia da iniciativa Adult Swin Singles, uma composição que contém as novas caraterísticas marcantes da dupla, uma salutar confusão sonora muito experimental e apelativa que originou uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, por um lado e eminentemente sintética, por outro, mas sem descurar uma faceta emocional, que é perservada não só pela voz de Jenn, mas também pelos diversos arranjos que vão flutuando pela melodia. Confere...


autor stipe07 às 12:39
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019

White Lies - Five

Pouco mais de dois anos após Friends, os ingleses White Lies de Charles Cave, Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown, que entretanto passaram a fazer parte da Pias Recordings, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Five, o quinto registo da banda, como o nome indica, e que serve também para marcar os dez anos de carreira do grupo. Five foi gravado em Inglaterra e nos Estados Unidos da América, mais concretamente em Los Angeles, onde os White Lies estiveram em estúdio com Ed Buller, produtor de To Lose My Life e Big TV, os dois antecessores deste Five. Também participaram nas sessões de gravação o engenheiro de som James Brown (que já trabalhou com Arctic Monkeys e Foo Fighters) e o renomado produtor Flood, que também tocou sintetizadores e teclados em algumas canções. Quanto à mistura de Five, ficou a cargo do carismático e reputado Alan Moulder, que já tinha trabalhado com os White Lies nos dois primeiros capítulos da discografia do grupo.

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Maduro, conciso e arrojado, Five contém nove canções e o disco continua a firmar o grupo num lugar de destaque no universo sonoro ocupado pelo revivalismo do post punk e do indie rock. O alinhamento aposta claramente num elevado equilibrio entre os sintetizadores e teclados com timbres variados e o pulsar das guitarras, sempre em busca de uma toada que não olhe apenas para o óbvio comercial mais radiofónico, mas também para uma acolhedora face mais sombria e nostálgica. De facto, a pop épica e eminentemente oitocentista de Tokyo, canção que consegue um notável equilíbrio entre os sintetizadores e a típica orgânica das guitarras, o violão que sustenta Finish Line e a fluidez quase hipnótica dos sete minutos de Time To Give, acabam por servir perfeitamente para um exercício de súmula do cardápio sonoro que os White Lies ofereceram aos fãs até hoje, o que faz de Five um registo de revisão de uma receita que tem assentado em melodias simples mas aditivas, enriquecidas com vozes vigorosas e cantadas com o habitual registo grave mas luminoso, que dá vida a letras geralmente melancólicas e que muitas vezes se socorrem da mesma métrica nas diferentes músicas, muitas escritas por Charles, o baixista.

Em Five os White Lies imprimem o seu cunho identitário com superior maturidade enquanto dão ao mundo mais um tomo de canções amplamente influenciadas por uma sonoridade já transversal a várias décadas, enquanto personificam uma busca pelo equilíbrio sonoro entre o nostálgico e inovador, sempre com o grau de refinamento e de dramatismo e teatralidade que faz já parte do adn do trio.  Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:49
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

Foreign Air – Wake Me Up

Foreign Air - Wake Me Up

Jesse Clasen e Jacob Michael são os Foreign Air, uma dupla sedeada em Brooklyn, Nova Iorque e que tem chamado a atenção da crítica desde dois mil e quinze, ano em que lançaram o single Free Animal, que encabeçou o EP For The Light, editado em setembro do ano seguinte. Essa canção, que foi banda sonora de vários anúncios comerciais, spots televisivos e até trailers cinematográficos, deu uma inesperada visibilidade aos Foreign Air que acabaram por ser convidados para tocar em vários festivais norte-americanos e para abrir concertos de bandas como os Phantogram, BORNS ou Bishop Briggs.

Agora, no início de 2019, os Foreign Air voltam a chamar a si alguns holofotes à boleia de Wake Me Up, o primeiro avanço para o disco que a banda vai editar já no próximo dia quinze de março. Canção composta com a ajuda de Jason Suwito dos Sir Sly, Wake Me Up oferece ao ouvinte um rock progressivo de elevado calibre devido a uma secção rítmica vibrante, efeitos planantes e um intenso refrão onde monumentalidade, euforia e epicidade se conjugam instrumental e vocalmente sem qualquer tipo de reservas. Confere...

 


autor stipe07 às 13:09
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2019

Toro y Moi - Outer Peace

Já viu a luz do dia, através da Carpark Records, Outer Peace, o sexto e novo registo de originais de Toro Y Moy, o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em dois mil e nove e ao longo da qual tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras. Este seu disco é um registo muito íntimo e reflexivo já que é centrado no modo como o autor refletiu sobre o seu modus operandi ao longo de uma década, um processo que o próprio afirma ter sido duro e solitário e que obrigou a uma constante auto reflexão sobre aquilo que é a existência e a evolução pessoal humana, em suma, um exercício mental fatigante e que exige paz e tranquilidade em redor (outer peace).

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A carreira de Toro Y Moi tem sido sempre em crescendo e se há algo de que este autor não pode ser acusado é de ter demonstrado, álbum após álbum, constância e monotonia nas suas propostas sonoras. Assim, sempre em busca de uma salutar instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This (2010), o disco de estreia, compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse registo tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado, ao lado de trabalhos como Life of Leisure dos Washed Out e Psychic Chasms de Neon Indian. Depois desse pontapé de saída auspicioso, surgiu Underneath The Pine (2011) e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos, com a ajuda de vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A seguir, a psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return (2013), com What For? (2015), o quarto tomo da sua carreira, a piscar o olho ao hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, fruto da sua relação musical profícua, à altura, com Tyler The Creator e Frank Ocean. O quinto capítulo desta saga sonora, Boo Boo, (2017), além de aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins, olhou com particular ênfase para territórios um pouco mais ambientais e um pouco cósmicos, algo que não deixa de suceder em Outer Peace, nomeadamente nos reverbs e na batida hipnótica de 50-50, composição que conta com a participação especial de Instupdendo e na feliz simbiose entre hip hop e ambientes eminentemente etéreos em Miss Me, tema com outro convidado, neste caso a cantora ABRA. Mas, como seria de esperar e tendo em conta a carreira de Chaz, Outer Peace é essencialmente um alinhamento de ruptura relativamente ao antecessor. Temas do calibre de Ordinary Pleasure, uma espécie de orgia encapotada entre eletrónica e funk, o charme sedutor e intrigante das teclas e da guitarra de Laws Of The Universe, ou a estética sintética de forte travo vintage de Freelance, são tentativas bem sucedidas de acrescentar ao catálogo do autor novas nuances que alarguem o seu espetro sónico, cada vez mais focado nas pistas de dança e em ambientes onde o digital se sobrepõe claramente ao orgânico.

Em suma, Outer Peace convive pacificamente com a filosofia sonora que tem dado vida à carreira de quem se dedica a um espetro sonoro bastante específico, mas sempre com criatividade e com vontade de explorar o mais possível as múltiplas possibilidades que a chillwave permite, principalmente desde que os avanços tecnológicos mais recentes têm sido aproveitados para dar uma nova vitalidade a um subgénero importantíssimo da eletreónica. Toro Y Moi é cada vez mais capaz de nos levar com ele rumo às profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, enquanto estabelece uma multiplicidade de novos caminhos e testa sonoridades e experimentações sem recear ser apontado de ser uma espécie de terrorista sonoro. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:47
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019

Y La Bamba – Mujeres

O projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Mujeres, o quinto disco deste grupo sedeado em Portland e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre do projeto. Sucessor de Ojos Del Sol (2016), Mujeres foi gravado por Luz Elena Mendoza e Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, contando com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica.

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Luz Elena é a alma deste projeto Y La Bamba e Mujeres é uma viagem espiritual criada por esta cantora e compositora transcendente, que pretende retratar ao longo das catorze canções do alinhamento do registo o modo como a mulher é vista nos dias de hoje. Fá-lo convidando o ouvinte a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

Assim, o disco conta histórias simples e comuns sobre uma mexicana que se movimenta e tenta ser feliz numa América cada vez mais protecionista e conservadora, pelo menos no que concerne às opções políticas da liderança atual do país. O modo como a autora se refere aos verões da sua infância a escutar música tradicional mexicana e mariachis às escondias da família de imigrantes de fortes raízes católicas que a criou, enquanto tentava provar aos rapazes que era capaz de alinhar nas mesmas brincadeiras que eles, é apenas um dos muitos retratos que Luz nos convida a contemplar neste Mujeres.

Mujeres é, pois, também um olhar crítico, feito de modo bastante mpressionista, umas vezes cínico, outras optimista, já que as suas canções não receiam causar desconforto, através de uma narrativa que vai muito buscar aquela espiritualidade ancestral contida em crenças antigas que os povos latinos muito estimam preservar e que muitas vezes provoca alguma repulsa em quem as testemunha através de um olhar eminentemente empírico.

Em suma, Mujeres é um retrato musical vivo de tudo aquilo que Luz guarda dentro de si, uma materialização das suas emoções, que é feita, sonoramente, através de alguns dos traços identitários da música tradicional mexicana, cruzados com aspetos essenciais da folk do lado da fronteira onde ela reside. O maior exemplo deste receituário é Boca Llena, um dos grandes destaque do disco, uma canção cheia de groove e que conjuga o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz. Depois, na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de emoividade de My Death, uma canção doce, picante e caliente, na acusticidade minimal etérea de Real Talk, no festim pop da batida sintética e do efeito metálico de Cuatro Crazy, ou na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Lightning Storms, os Y La Bamba alargam quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo.

Intrigante exemplo sonoro de mescla de diversas culturas, num pacote seguro e familiar, Mujeres permite a Luz deixar mais uma vez vincada a sua naturalidade, personalidade e as influências americanas, mas sempre com um toque da personalidade mexicana. Nestas suas novas canções ela contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isenta de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si própria. De facto, esta vontade de conjugar o melhor da sonoridade de realidades tão díspares não é inédita, mas a forma inspirada como o demonstram, fazem dosY La Bamba uma referência atual, não só na pop, como na world music atual. Espero que aprecies a sugestão...

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01. My Death
02. Real Talk
03. Cuatro Crazy
04. Conocidos
05. Lightning Storms
06. Dieciséis
07. Boca Llena
08. Perder
09. Mujeres
10. Una Letra
11. Santa Sal
12. Bruja De Brujas
13. Follow Your Feet
14. De Lejos


autor stipe07 às 13:21
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2019

Maps – Just Reflecting

Já tem sucessor, Vicissitude, o disco que o projeto britânico Maps de James Chapman, nome grande do catálogo da Mute Records, editou em dois mil e catorze. O novo e quarto álbum a solo deste artista de Northampton intitula-se  Colours. Reflect. Time. Loss. e o primeiro single que este compositor e produtor escolheu para marcar a data de lançamento do trabalho chama-se Just Reflecting, a quinta composição do seu alinhamento, um tema que impressiona pela sua beleza utópica, feita de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçaram uma melodia particularmente hipnótica. Em suma, um feliz exercício de fusão de diversos cânones da eletrónica, feito com um charme e uma elegância inegáveis, uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual.

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Colours. Reflect. Time. Loss. demorou três anos a ser incubado e gravado e muitos dos arranjos orquestrais das canções foram, de acordo com James, inspirados na ruralidade de Northampton. É um registo que reflete, portanto, muitos eventos da vida pessoal do autor, que fez questão de ser também peça fundamental no processo de produção de um trabalho que contou com as participações especiais do grupo clássico de ensemble belga The Echo Collective (famoso por ter interpretado, no início do ano passado, na íntegra, Amnesiac, o clássico da discografia dos Radiohead, lançado em dois mil e um) e com percussionistas e vocalistas de diversas latitudes (I wanted to push everything to the limit with this record and explore new territory for Maps, (...) The orchestral instrumentation and addition of other musicians and singers played a huge part in finding the purer and more human emotion I was searching for. I learnt the violin as I was growing up, so I’m glad it finally came in useful!). Confere o single Just Reflecting e o alinhamento de Colours. Reflect. Time. Loss....

1. Surveil
2. Both Sides
3. Howl Around
4. Wildfire
5. Just Reflecting
6. She Sang To Me
7. Sophia
8. The Plans We Made
9. New Star
10. You Exist In Everything


autor stipe07 às 13:42
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019

Tricycles - All The Mornings

João Taborda, Afonso Almeida, Edgar Gomes e Sérgio Dias são os Trycicles, uma espécie de super grupo que se vai estrear nos registos discográficos a vinte e nove de março próximo com um homónimo, gravado e produzido por Nelson Carvalho e editado pela Lux Records.

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Descritos no press release de lançamento de All The Mornings, o primeiro single extraído de Tricycles, como um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, os Tricycles começaram a ganhar vida quando o Sérgio (bateria) e o Edgar (baixo) se juntaram ao Afonso (guitarra, voz) e ao João (guitarra, teclas, voz), para dar corpo a uma coisa vagamente improvável, mas que resulta claramente e que em estúdio funciona porque lá brincam como putos irrequietos no parque infantil e ao vivo também já que nos concertos a ideia é que a energia da lua no alcatrão quente suba pelos pedais até ao volante e exploda de modo a que o público e a banda comunguem raivas e melodias.

Confere All The Morningsum jogo de reflexos e um irónico lamento contra o tic tac do relógio, duas ideias que nos são induzidas através de uma composição vibrante, de pêlo na venta, mas também com um travo melódico particularmente aditivo e fica a contar, lá para o início da primavera, com um disco de estreia com calmas músicas prontas a explodir, lentamente, a mil à hora, com suavidade e rugidos de guitarras zangadas e pianos falsamente corteses, de rudes baixos a conversar com educadas baterias.

 


autor stipe07 às 13:20
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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2019

The Lemonheads – Varshons II

Dez anos depois de Varshons, a compilação de covers que continha composições da autoria de Gram Parsons, Wire, GG Allin, Leonard Cohen e Christina Aguilera, entre outros, os norte-americanos Lemonheads de Evan Dando estão de regresso às covers com o segundo capítulo dessa saga. Varshons II inclui versões de clássicos do calibre de Take It Easy dos Eagles, Straight To You de Nick Cave & The Bad Seeds, Speed of the Sound of Loneliness de John Prine, Abandoned de  Lucinda Williams e Can't Forget dos Yo La Tengo, o tema escolhido para single de apresentação deste registo de treze canções, que também inclui revisitações de originais dos Jayhawks, Florida Georgia Line, NRBQ, Paul Westerberg, The Eyes e Bevis Frond, entre outros.

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Esta banda de Boston tem uma carreira de mais de trinta anos firmada em oito discos que nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante. E a responsabilidade desta tela impressiva que inclui registos do calibre de Hate Your Friends (1987), Lovely (1990) ou Come On Feel The Lemonheads (1993), só para citar alguns dos exemplos mais emblemáticos da discografia dos Lemonheads, é a versatilidade instrumental de Dando, líder incontestável do projeto desde o início, à vontade seja no baixo, na guitarra ou na bateria e a capacidade que sempre teve de se rodear de intérpretes sonoros igulamente exímios, nomeadamente a baixista Juliana Hatfield e o baterista australiano David Ryan, dupla com quem gravou It's A Shame About  Ray (1992), outro álbum fundamental do cardápio do projeto. Ben Deily, com quem teve graves problemas de relacionamento por questões de ego que estiveram perto de ser esgrimidas na justiça, foi outro nome importante para a afirmação dos Lemonheads como banda fundamental da universo indie norte-americano da última década do século passado.

Esta saga intitulada Varshons, que vê agora o segundo capítulo, dez anos depois do primeiro, como já referi, acaba por ser uma opção natural por parte de um músico que sente necessidade de homenagear algumas das suas principais referências, fazendo-o, neste Varshons II, através de um modus operandi baseado na sua companheira mais fiel, a guitarra, que serve de base melódica às composições, acompanhada por um baixo exemplar no modo como se alia a ela para marcar as várias nuances rítmicas de temas que se espraiam pelos nossos ouvidos algo preguiçosamente. Assim, da vibe soalheira e etérea de Can't Forget, que depois também pisca o olho ao reggae, imagine-se, em Unfamiliar, passando por aquele rock genuínuo e tipicamene americano que todos reconhecemos e que é audível em Settled Down Like Rain, Things e Abandoned, até ao festim garage de Old Man Blank e com travo punk em TAQN e à folk intimista de Speed Of The Sound Of Loneliness e mais efusiva de Now And Then, assim como ao swing de Magnet e à crua acusticidade de Round Here, os Lemonheads homenageiam mas também provam a relevância que os originais ainda têm enquanto saciam o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. Varshons II é, portanto, um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostram como é bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Can’t Forget
02. Settled Down Like Rain
03. Old Man Blank
04. Things
05. Speed Of The Sound Of Loneliness
06. Abandoned
07. Now And Then
08. Magnet
09. Round Here
10. TAQN
11. Unfamiliar
12. Straight To You
13. Take It Easy


autor stipe07 às 17:21
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2019

LCD Soundsystem – Electric Lady Sessions

Quase ano e meio depois do excelente álbum American Dream, a primeira etapa do segundo fôlego da carreira dos LCD Soundsystem, o projeto nova- iorquino liderado por James Murphy volta à carga com o seu terceiro álbum ao vivo, um registo intitulado Electric Lady Sessions, que viu a luz do dia recentemente através da DFA Records, etiqueta de Murphy em parceira com a Columbia Records. Electric Lady Sessions foi, como o nome indica, gravado nos estúdios com esse nome, situados em Manhattan e que já foram de Jimmy Hendrix, durante a digressão de promoção a American Dream.

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Depois de London Sessions (2010) e The Long Goodbye (2014), Electric Lady Sessions é o terceiro registo dos LCD Soundsystem ao vivo e nele são captados os mais recentes arranjos que a banda induziu nos seus originais, grande parte deles pertencentes ao alinhamento de American Dream, de modo a criar nos seus concertos um ambiente enérgico, festivo e dançante, mas também que proporcione momentos de algum pendor mais reflexivo, nomeadamente acerca do modo como Murphy vê a América que atualmente tanto o inquieta. De certa forma é como se Murphy pegasse numa espécie de versão 2D de algumas das canções mais emblemáticas do catálogo LCD e lhes desse uma faceta tridimensional e mais encorpada, em suma, com outra substância, espaço e textura.

No travo oitocentista impressivo e tremendamente nostálgico, quer do baixo quer das teclas de Seconds, no modo como carregou o fuzz das sintetizações em American Dream, no clima saturado e rugoso da efusiva e lasciva Tonite, nas camadas sonoras sintéticas que são acrescentadas ao arquétipo de Home e que ampliam a emotividade da canção e na liberdade que é dada ao baixo de Tyler Pope para recriar em I Used To um clima ainda mais ritmado e visceral do que o original, fica patente esta ideia de amplificação do festim, numa banda sempre disposta a levar o garage rock numa direção eminentemente dançável e psicadélica. Já agora, Tyler volta a mostrar toda a sua versatilidade e superior capacidade interpretativa aos comandos do baixo na versão de I Want Your Love, um original com quarenta anos da autoria dos norte-americanos Chic de Nile Rodgers e Bernard Edwards e que também impressiona pela participação vocal da teclista Nancy Whang. Outra cover audível neste Electric Lady Sessions é uma reinterpretação de (we don’t need this) fascist groove thang, um original de mil novecentos e oitenta e um dos britânicos Heaven 17, de Martyn Ware, Ian Craig Marsh e Glenn Gregory e escolhida por Murphy para fazer parte da digressão de American Dream com o intuíto de reforçar a sua opinião relativamente ao atual presidente do seu país, numa espécie de gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. 

O âmago de Electric Lady Sessions acaba por estar no espetacular baixo (Tyler novamente) e no pendor exaltante dos sintetizadores e da batida crescente de Call The Police, nuances que acabam por fazer desta canção uma espécie de tema aglutinador perfeito de todo este receituário live, um tema onde é possível descobrir razões para dançar de olhos fechados e a sorrir enquanto se pensa na vida e naquilo que mais nos consome e inquieta.

Disco que exige várias audições para ser devidamente compreendido, até porque vive muito deste apelo constante, mas nem sempre explícito, à festa, Electric Lady Sessions acaba por ser o documento ao vivo mais essencial no catálogo do LCD Soundsystem. Ao longo das suas doze composições, a gravação consegue dar uma ideia clara do que é estar presente num concerto do grupo e resgatar os momentos marcantes do disco que marcou o regresso da banda ao ativo, mas também lembrar os ouvintes da imponência e vitalidade dos sucessos anteriores. Para quem acompanha a carreira desta banda nova iorquina há qwuase duas décadas, escutar Electric Lady Sessions ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar e que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados LCD Soundsystem como entidade e como entertainers de serviço. Espero que aprecies a sugestão...

LCD Soundsystem - Electric Lady Sessions

01. Seconds
02. American Dream
03. You Wanted A Hit
04. Get Innocuous
05. Call The Police
06. I Used To
07. Tonite
08. Home
09. I Want Your Love
10. Emotional Haircut
11. Oh Baby
12. (We Don’t Need This) Fascist Groove Thang


autor stipe07 às 17:33
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2019

Cosmic Mass - I've Become The Sun

É no primeiro dia do próximo mês de março que chega aos escaparates Vice Blooms, o disco de estreia do projeto nacional Cosmic Mass, um quarteto sedeado em Aveiro e formado por André Guimas, Miguel Menano, Pedro Teixeira e António Ventura, que se serve de um garage rock de primeira água, com um elevado pendor psicadélico, para criar canções ariscas, intrigantes e ousadas, que vão diretas ao âmago e ao assunto, sem falsos adereços ou enfeites desnecessários.

Resultado de imagem para Cosmic Mass I've Become The Sun

I´ve Become The Sun, o single já retirado de Vice Blooms, é uma porta de entrada perfeita para a filosofia sonora destes Cosmic Mass, que neste tema se servem de uma guitarra hipnótica, esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, para incubar um rock de punhos cerrados, mas também de proporções incrivelmente épicas, que nos proporciona um verdadeiro orgasmo sonoro volumoso, soporífero e emocionalmente desconcertante.

O vídeo deste single dos Cosmic Mass foi gravado pelo próprio grupo e nele os quatro tentam levar o mais à letra e à imagem possível o conteúdo de I've Become The Sun. Confere I've Become The Sun e as próximas datas de concertos desta banda absolutamente frenética...

28 de Fevereiro, Aveiro, Mercado Negro

1 de Março, Lisboa, Sabotage

2 de Março, Porto, Barracuda

22 de Fevereiro, Esmoriz, Uncle Joe’s Bar

23 de Março, Guimarães, Oub’lá

29 de Março, Estarreja, Kola Moka

4 de Abril, Aveiro, GRETUA

10 de Maio, Évora, She

11 de Maio, Figueira da Foz, DRAC

13 de Julho, Ponte de Lima, Ecos do Lima

Bandcamp : https://cosmicmass.bandcamp.com/album/vice-blooms

Facebook: www.facebook.com/CosmicMass/

Instagram: www.instagram.com/cosmicmass/    


autor stipe07 às 09:36
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2019

Flak - Verão

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final do passado mês de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

Resultado de imagem para Flak Verão

O mais recente single divulgado de Cidade Fantástica é Verão, uma música que conta com a participação especial vocal de Mariana Norton e que em si é um delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos, em suma, uma soul contemplativa que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre Verão o autor refere no seu press release de lançamento:

O Verão é uma canção sobre o mundo fantástico em que vivemos. Não há nenhum que se assemelhe no sistema solar. Temos montanhas mares cores pássaros que cantam nas árvores, um céu estrelado. Provavelmente não existirá nenhum igual no Universo a não ser que existam Universos paralelos. A realidade não existe. A realidade é aquilo que nós queremos ver. Nós é que fazemos a nossa realidade. Quem reflectir um pouco sobre a beleza das coisas e a nossa pequenez, há de lhe sobrar menos tempo e vontade de odiar o vizinho ou aqueles que não são como ele.

No próximo dia 23 de Fevereiro, Flak actuará, com a sua banda, no Teatro de Vila Real, no âmbito do Festival Boreal, com várias datas na primavera e no verão a serem divulgadas em breve. Confere...

https://www.facebook.com/flakoficial/

https://www.instagram.com/surreal_flak/

https://www.youtube.com/channel/UCgcj_xLwGtOj5l0PuVoFnjg 


autor stipe07 às 10:17
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2019

Cage The Elephant – Ready To Let Go

Cage The Elephant - Ready To Let Go

Já tem sucessor Tell Me I'm Pretty, o álbum que os norte americanos Cage The Elephant, de Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo) e Lincoln Parish (guitarra), lançaram no final de dois mil e quinze e que na altura nos conduziu por uma verdadeira road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica que contou com um complemento de versões acústicas dois anos depois, intitulado Unpeeled. Social Cues é o nome do quinto e novo registo discográfico desta banda oriunda de Bowling Green, no Kentucky, vai ver a luz a dezanove de abril próximo, foi produzido por John Hill e Ready To Let Go é o primeiro single divulgado de um alinhamento de treze temas que conta com a participação especial de Beck na canção Night Running.

A composição deste novo álbum dos Cage The Elephant é bastante inspirada no final de uma relação amorosa de Matt Schultz, que criou nas letras que escreveu para alguns dos temas personagens que recriam eventos e pensamentos da sua história pessoal mais recente. Ready To Let Go insere-se nesse rol de temas autobiográficos e sonoramente balança entre a típica rugosidade do rock feito sem adereços desnecessários, mas que impressiona pela forma como as cordas são manuseadas e produzidas e a calorosa e acústica pop, misturada com um salutar experimentalismo psicadélico. O single tem também já direito a um vídeo que foi pensado pelo próprio Matt, dominado pelo vermelho, preto e branco e onde se pode observar uma espécie de ritual bizarro, onde não faltam lágrimas de sangue, fatos exótics, danças peculiares. Confere...


autor stipe07 às 10:37
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