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The Sidekicks – Happiness Hours

Terça-feira, 08.01.19

Liderados por Steve Ciolek, ao qual se juntam atualmente o baterista Matt Climer, o guitarrista Toby Reif e o baixista Ryan Starinsky e oriundos de Cleveland, no Ohio, os norte-americanos The Sidekicks lançaram em plena primavera do ano passado Happiness Hours, o quinto registo de originais de uma banda com já mais de uma década de carreira e que começou por balizar o seu som pelo punk rock, esplanado em So Long, Soggy Dog (2007) e Weight of Air (2009), os dois primeiros discos do grupo. No entanto, a partir de Awkward Breeds (2012), os The Sidekicks começaram a transitar para sonoridades mais consentâneas com a pop, a grande referência estilística de Runners in the Nerved World, (2015), o antecessor deste Happiness Hours, produzido por John Agnello (Sonic Youth, Dinosaur, Jr, Kurt Vile) e lançado à boleia da Epitaph Records.

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Os doze temas de Happiness Hours mstram-nos uma banda bem ciente das referências sonoras em que atualmente se sente mais confortável, num alinhamento coeso, luminoso, otimista e positivo e sem aparente sinal de desgaste. Cada uma destas canções tem a sua própria narrativa e o seu cosmos temático e muitas são singles em potência, já que este é também um registo com um elevado cariz radiofónico. Se o tema homónimo é, claramente, o grande eixo orientador do disco no qual entroncam todas as outras canções, já que este é um disco feito para horas felizes, Other People's Pets ou Medium In The Middle são outros exemplos claros da exuberância instrumental e poética ímpar e do frenesim melódico bastante impressivo de um trabalho cheio de interseções felizes entre guitarras e percurssão, em suma, um disco efusivo e grandioso, para ser contemplado com deleite e atenta dedicação.

Apesar da herança que carregam, relacionada com um arranque de carreira em que a aposta recaiu em sonoridades mais nebulosas e cinzentas, os The Sidekicks estão a conseguir demonstrar nesta nova fase da carreira que, sem haver necessidade de haver juizos qualitativos de valor relativamente ao conteúdo discográfico da banda, é sempre possível infletir e que além do noise das guitarras, as teclas de um piano, instrumentos de sopro vários e elementos percurssivos diversificados podem também ser veículos privilegiados de interpretação musical que agrade aos fãs de um indie rock robusto, criativo e transmissor de boas sensações. Espero que aprecies a sugestão...

The Sidekicks - Happiness Hours

01. Other People’s Pets
02. Mix For Rainy Day
03. Twin’s Twist
04. Win Affection
05. A Short Dance
06. Don’t Feel Like Dancing
07. Weed Tent
08. Summer And The Magic Trick
09. Serpent In A Sun Drought
10. Elegy For Tim
11. Medium In The Middle
12. Happiness Hours

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publicado por stipe07 às 14:23

Balthazar – I’m Never Gonna Let You Down Again

Segunda-feira, 07.01.19

Quase meia década após o aclamado Thin Walls, os belgas Balthazar estão de regresso no início deste ano aos lançamentos discográficos com Fever, um disco que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de janeiro através da etiqueta Play It Again Sam e que foi idealizado por Jinte Deprez e Maarten Devoldere, as duas grandes mentes criativas do projeto.

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Após o lançamento e a promoção de Thin Walls, os dois grandes mentores dos Balthazar exploraram outros territórios e latitudes sonoras, algo que acabou por influenciar o conteúdo de Fever. Enquanto Devoldere andou pela antiga república soviética do Quirguistão a gravar temas de jazz abrigado pelo alterego Warhaus, Deprez ficou por Ghent a aprofundar a sua paixão antiga pelo R&B mais clássico, tendo gravado um disco a solo, assinando nele J. Bernardt. Quando ambos se voltaram a reunir para preparar a nova etapa dos Balthazar levaram consigo essas novas nuances que acabam, certamente, por estar impressas de modo mais ou menos explícito em I’m Never Gonna Let You Down Again, o primeiro single revelado de Fever.

Composição charmosa e com uma soul muito própria, assente numa linha de baixo plena de groove e adornada por deliciosos falsetes e diversos arranjos de elevado apuro melódico e onde as teclas são protagonistas, I’m Never Gonna Let You Down Again é uma clara manifestação dos tais novos interesses e da busca de uma maior pureza sentimental, sem olhar propriamente para aquilo que o ouvinte à partida espera de um grupo capaz de agradar às massas, sendo, também por isso, uma harmoniosa porta de entrada para um álbum que deverá certamente marcar a reentrée discográfica. Confere...

Balthazar - I’m Never Gonna Let You Down Again

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publicado por stipe07 às 12:03

Baxter Dury, Étienne De Crécy And Delilah Holliday – B.E.D.

Sexta-feira, 04.01.19

B.E.D. são nada mais nada menos do que as iniciais dos autores de um dos discos mais curiosos do cenário alternativo eminentemente pop do final do ano de dois mil e dezoito. Nesse B.E.D., o produtor francês Étienne de Crécy deu as mãos a Baxter Dury e a Delilah Holliday para incubar um conciso registo de nove composições que nascidas do génio interpretativo de três músicos que não coincidem, individualmente, no espetro sonoro que baliza a carreira de cada um, mas que juntos conseguiram criar um alinhamento coeso, dinâmico e com uma fronteira bem delimitada.

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B.E.D. é um álbum de canções com um espírito moderno, envolvidas por um manto sonoro de charme sedutor e apelativo que agrega alguns dos detalhes fundamentais da eletrónica francesa contemporânea, que nomes como os Air ou os Daft Punk, contemporâneos de Étienne, têm sabido preservar e potenciar exemplarmente, com a melhor herança do pós punk britânico, que é aqui defendida com unhas e dentes, no baixo de Tais Toi e de White Coats, por exemplo, por Baxter Dury, filho do mítico Ian Dury, um dos nomes ímpares da cultura pop britânica da segunda metade do século passado.

As tais diferenças estilísticas que marcam cada um dos intervenientes neste registo acabam por sobressair no modo como a voz, o sintetizador e a orgânica das cordas e de alguns elementos percurssivos conjuram entre si para arquiteturar canções em que quase não se nota a predominância de um destes três elementos. Os três temas já referidos e que serviram para exemplificar a importância do baixo na costura do ritmo são bons exemplos desta simbiose feliz, mas a toada mais groove de Only My Honest Matters ou, num registo mais clássico e chill, na contemplativa But I Think, cantada por Delilah, é igualmente possível apreciar este jogo de cintura constante, com tremenda fluidez e incomparável bom gosto.

Exemplarmente produzido e passível de ser apreciado de um só travo, tal é a sua homogeneidade, fluidez e modernidade, que um certo travo vintage não coloca em causa, B.E.D. terá o objetivo primordial de fazer o ouvinte dançar mas também o colocar a refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea, inclusive alguns de cariz eminentemente político. Espero que aprecies a sugestão...

Baxter Dury, Étienne De Crécy And Delilah Holliday - B.E.D

01. Tais Toi
02. Walk Away
03. How Do You Make Me Feel
04. Fly Away
05. White Coats
06. Only My Honesty Matters
07. Centipedes
08. But I Think
09. Eurostars

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publicado por stipe07 às 17:54

Jeff Tweedy – WARM

Quinta-feira, 03.01.19

O norte-americano Jeff Tweedy, líder do míticos Wilco, é, claramente, um dos músicos mais profícuos e criativos do cenário musical alternativo atual. Já nesta década, ao comando da sua banda, idealizou e incubou The Whole Love (2011), Star Wars (2015) e Schmilco (2016) e entretanto aproveitou para escrever uma auto-biografia intitulada Let's Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc., onde disserta sobre aspetos da sua personalidade e do seu trajeto nos Wilco. À boleia desse exaustivo exercício escrito de introspeção, acabou por criar WARM, a sua mais recente etapa discográfica a solo, onze canções que viram a luz do dia já algumas semanas com a chancela da insuspeita dBpm Records e que sucedem a Together at Last (2017), um registo de versões de alguns dos temas mais emblemáticos da sua já extensa carreira.

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Logo no balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso piscar de olhos ao garage rock de Bombs Above, uma composição em que Tweedy dialoga com um paciente amigo de uma clínica de reabilitação de alcoolismo, fica plasmada esta predisposição do autor para utilizar WARM autobiograficamente, fazendo-o como um exercício sonoro de exorcização de alguns dos seus demónios, angústias, eventos traumáticos e conflitos interiores. Esta predisposição para uma certa depressão mantém-se ao longo do alinhamento do WARM mas, ao contrário do expetável, tendo em conta a filosofia lírica destas canções, sonoramente abundam no registo os instantes de luminosidade que têm aquele travo melancólico positivo e sorridente.

Na crueza da acusticidade de Having Been Is No Way to Be, uma composição sobre o modo como este músico de Chicago vê a morte, mas também em Far From Away, música em que percussão e as cordas procuram insistentemente e de modo delicioso o ritmo certo e que se debruça sobre a inconstância das relações e, principalmente, em I Know What It’s Like, um impressivo e jubilante tratado folk sobre o medo da solidão e o sufoco que isso pode provocar, apreciamos esta apenas aparente dicotomia entre os sentimentos e as confissões que sustentam as letras e o modo criativo e refinado como, no modo como as musica, Tweedy alia esse seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo. Mesmo nos efeitos indutores da guitarra cheia de fuzz de Some Birds e no clima marcadamente progressivo e rugoso de Red Brick, instantes que mostram uma faceta sonora folk mais experimental e intrincada que os temas acima referidos, não deixa de estar patente sempre esta sensação de oposição entre poema e melodia, que oferece, no global, a WARM, uma atmosfera bucólica e encantatória, mas intrigante, sendo um álbum que à primeira audição poderá parecer algo uniforme e homogéneo, mas que, devidamente desconstruído, é diversificado, sem perder coerência, versatilidade e unidade.

Exercício permanente de refinamento poético e musical, WARM  brinca de modo sério com as emoções de um músico e compositor que aceitou desafiar o seu lado mais sombrio e os seus maiores fantasmas, num convite que endereçou à sua própria consciência, para que esta analisasse o estado atual do seu lado mais carnal e o desarmasse totalmente, através de canções que parecem tornar inerte o lado mais humano do peito de Tweedy, mas que nunca deixam de exalar um resultado sempre devidamente realista e racional. Se a temática deste alinhamento expôe angústias, o mesmo também avisa quer o autor quer os ouvintes que não se pode deixar de vivenciar sentimentos e emoções reais e, de preferência, deve-se fazê-lo com a crueza e a profundidade simultaneamente vigorosas e profundas que tais permissas merecem. Espero que aprecies a sugestão...

Jeff Tweedy - WARM

01. Bombs Above
02. Some Birds
03. Don’t Forget
04. How Hard It Is For A Desert To Die
05. Let’s Go Rain
06. From Far Away
07. I Know What It’s Like
08. Having Been Is No Way To Be
09. The Red Brick
10. Warm (When The Sun Has Died)
11. How Will I Find You?

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publicado por stipe07 às 14:25

Indoor Voices – Gaslight Ephemera

Quarta-feira, 02.01.19

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de três anos com um outro EP, intitulado Auratic, que vê finalmente sucessor, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, todas escritas por Relph, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the Face, Always the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My.

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Disponivel no bandcamp do projeto, Gaslight Ephemera flui algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo e uma bateria que seguem a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível na imponência de Breathe, Barely e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de I'm Sorry, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Punch Me In The Face é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conferem, através do sintetizador, leves pitadas de punk ou o garage, aquilo que é, no fundo, uma simbiose entre shoegaze e post rock, amplificada com superior requinte no clima pop de A Little Slow e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Gaslight Ephemera têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always The Same, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Gaslight Ephemera exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Gaslight Ephemera

01. Gaslight Ephemera
02. Breathe, Barely
03. I’m Sorry
04. Punch Me In The Face
05. A Little Slow
06. You’re My
07. Always The Same

08. I Dunno, Kid

09. Shit World

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publicado por stipe07 às 16:59

Os melhores discos de 2018 (10-01)

Terça-feira, 01.01.19

10 - Interpol - Marauder

Estas novas canções dos Interpol servem como resposta eloquente por parte da banda a todos aqueles que já duvidavam das capacidades do grupo em se focar novamente no som que melhor os identifica e na temática lírica que exemplarmente sempre abordaram, relacionada com o lado mais complicado das relações, a frustração, o tal absurdo e uma faceta algo provocatória que nunca enjeitaram demonstrar.

Interpol - Marauder

01. If You Really Love Nothing
02. The Rover
03. Complications
04. Flight Of Fancy
05. Stay In Touch
06. Interlude 1
07. Mountain Child
08. Nysmaw
09. Surveillance
10. Number 10
11. Party’s Over
12. Interlude 2
13. It Probably Matters

 

9 - The Dodos - Certainty Waves

Registo fértil num casamento feliz entre as cordas, os teclados e a percussão, elementos que conjuram entre si na exploração de um som amplo, épico e alongado, através do abraço constante entre dois músicos que criam melhor que ninguém atmosferas sonoras verdadeiramente nostálgicas, sedutoras e hipnotizantes, Certainty Waves está coberto, do início ao fim, por um manto de epicidade bastante vincado. As canções sucedem-se em catadupa e, uma após outra, somos bombardeados por luxuriantes paisagens sonoras, impregnadas de notáveis arranjos, que afastam cada vez mais a dupla da toada folk que marcou os seus primeiros trabalhos, em deterimento de uma filosofia interpretativa que dá cada vez maior importância ao sintético e à tecnologia.

The Dodos - Certainty Waves

01. Forum
02. IF
03. Coughing
04. Center Of
05. SW3
06. Excess
07. Ono Fashion
08. Sort Of
09. Dial Tone

 

8 - Papercuts - Parallel Universe Blues

O universo sonoro dos Papercuts é um território de experimentações sonoras que dá bastante ênfase às cordas, mas que não descura a importância que o sintético tem na construção de melodias tremendamente adocicadas e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual.

Papercuts - Parallel Universe Blues

01. Mattress On The Floor
02. Laughing Man
03. How To Quit Smoking
04. Sing To Me Candy
05. Clean Living
06. Kathleen Says
07. Walk Backwards
08. All Along St. Mary’s
09. Waking Up

 

7 - Parquet Courts - Wide Awake!

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Wide Awake! possa suscitar, este tomo raivoso de canções que mostram os dentes sem receio, possibilita-nos apreciar unsParquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, instalados no seu trabalho mais divertido, mas também ousado, uma sucessão incrível de canções que são passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos.

 

6 - Shame - Songs Of Praise

Songs Of Praise é o reflexo contundente, seco e profuso de um rock de guitarras que emergiu para dias de infinita glória de um canto escuro dos subúrbios de uma problemática Londres e da sua zona sul em parte decadente, um rock que mostra sem medo as suas garras, um rock feito intuitivamente e que não quer dar concessões ao mainstream. Os seus autores são cinco jovens britânicos de gema, rudes e efervescentes, que parecem já ter o seu modus operandi presente e, devido a esta extraordinária estreia, brilhante, madura e refrescante, um futuro devidamente consolidado na primeira linha do indie rock alternativo.

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5 - Massage - Oh Boy

Catapultado pela sua ligeireza subtil, pelo seu cariz intimista, pelo seu clima lisérgico, pelo piscar de olhos a ambientes mais roqueiros ou pelo bom gosto de diversos acordes, Oh Boy é, em suma, um embrulho sonoro com um têmpero lo fi muito próprio, um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que se escuta de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostram como é bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde.

Massage - Oh Boy

01. Lydia
02. Oh Boy
03. Gee
04. Kevin’s Coming Over
05. Couldn’t Care Less
06. Under
07. Breaking Up
08. Crying Out Loud
09. Cleaners
10. Liar
11. I’m Trying
12. At Your Door

 

4 - Father John Misty - God's Favourite Costumer

Num disco preenchido então com canções bonitas e sentidas, repletas de orquestrações opulentas e com um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo, chega a ser inquietante o modo impressivo e realista como Joshua Tillman se senta ao piano ou coloca a viola no regaço e toca e canta emotivamente sobre as agruras, anseios, inquietações inerentes à condição humana, mas também as motivações e os desejos de quem usa o coração como veículo privilegiado de condução, orientação e definição de algumas das metas imprescindíveis na sua existência.

Father John Misty - God's Favorite Customer

01. Hangout At The Gallows
02. Mr. Tillman
03. Just Dumb Enough To Try
04. Date Night
05. Please Don’t Die
06. The Palace
07. Disappointing Diamonds Are The Rarest Of Them All
08. God’s Favourite Customer
09. The Songwriter
10. We’re Only People (And There’s Not Much Anyone Can Do About That)

 

3 - Yo La Tengo - There's A Riot Going On

Um dos maiores atributos deste There's A Riot Going On acaba por ser a sensação de conexão entre as suas canções, mesmo havendo alguns segundos de quase absoluto silêncio entre elas. Acaba por ser uma espécie de narrativa, mas sem clímax, com uma dinâmica bem definida e onde é habitual, entre outras nuances, as cordas de uma guitarra se entrelaçarem com efeitos sintetizados borbulhantes e com uma bateria com uma cadência às vezes nada usual. Há uma evidente luminosidade e um apurado sentido épico no resultado final, que nem os momentos mais introspetivos colocam em causa e se a audição for sentida acabamos, sem grande esforço, por nos sentirmos absorvidos pelo cunho simultaneamente cândido e profundo que os Yo La Tengo quiseram dar a um registo que é para ser ouvido e contemplado naqueles instantes de pausa e de sossego que todos nós precisamos amiúde de usufruir.

Yo La Tengo - There's A Riot Going On

01. You Are Here
02. Shades Of Blue
03. She May, She Might
04. For You Too
05. Ashes
06. Polynesia #1
07. Dream Dream Away
08. Shortwave
09. Above the Sound
10. Let’s Do It Wrong
11. What Chance Have I Got
12. Esportes Casual
13. Forever
14. Out Of The Pool
15. Here You Are

 

2 - The Good, The Bad And The Queen – Merrie Land

É nas asas de uma espécie de folk rock baseado em cordas exuberantes e com um brilho muito inédito e sui generis, amiúde adornadas por detalhes percursivos curiosos, dos quais sobressaiem diversos tipos de metais, um baixo discreto mas essencial no sustento do edifício melódico da maioria dos temas e um piano algo descontraído mas que aparece sempre no momento certo para conferir uma elevada dose de charme, que brilham canções que nos fazem emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Ao longo do registo consegue sentir-se aquela névoa húmida tipicamente britânica e visualizar multidões em chapéu de coco a beber um chá ou um gin e a ter conversas humoradas com o típico sotaque que todos conhecemos, enquanto ao fundo, chaminés de tijolo fumarentas e barcos a vapor fazem respirar a alma de um povo sedento de normalidade, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um, em detrimento daquilo que é descrito como o bem e a vontade comuns.

The Good, The Bad And The Queen - Merrie Land

01. Introduction
02. Merrie Land
03. Gun To The Head
04. Nineteen Seventeen
05. The Great Fire
06. Lady Boston
07. Drifters And Trawlers
08. The Truce Of Twilight
09. Ribbons
10. The Last Man To Leave
11. The Poison Tree

 

1 - Spiritualized - And Nothing Hurt

Jason Pierce é um eterno insatisfeito e esse é um dos maiores elogios que se pode fazer a um artista que se serve desse eterno incómodo relativamente à sua obra, neste caso musical, para, disco após disco, tentar sempre superar-se e apresentar algo de inédito e que surpreenda os fãs. E no caso específico dos Spiritualized, uma daquelas bandas nada consensuais e, por isso, com seguidores que são, na sua esmagadora maioria, bastante devotos, como é o meu caso, ainda mais exigente se torna para o íntimo deste cantor, poeta e compositor britânico conseguir que esta sua filosofia de vida tenha efeitos práticos e seja bem sucedida. Assim, para Jason Pierce, não deverão haver dúvidas que And Nothing Hurt é a sua obra-prima, o melhor trabalho do catálogo dos Spiritualized. No seu edifício melódico e instrumental ele coloca todas as fichas em cima da mesa relativamente aquele que é o adn conceptual dos Spiritualized, exímios criadores de canções que assentam em guitarras que escorrem  pelas melodias com o notável travo lisérgico, exemplarmente preenchidas por arranjos de cordas, orquestrações, efeitos e vozes, uma receita onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de cada canção tivesse um motivo para ser audível dessa forma. Este modo de criar acaba por ser transversal neste alinhamento particularmente homogéneo, que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, um álbum criado para ser a banda sonora indicada para instantes da nossa existência em que somos desafiados e superar obstáculos que à partida, por falta de coragem, fé e alento, poderiam ser insuperáveis, mas que durante a audição do registo sabem a meros precalçõs ou areias na engrenagem de fácil superação. Esta capacidade que a música dos Spiritualized tem de fazer-nos sorrir sem razão aparente, de nos conseguir pôr a correr mais depressa, a pensar com mais clarividência e a sentir e a amar com maior arrojo, emoção e intensidade, está, portanto, exemplarmente plasmada neste And Nothing Hurt, um disco onde gospel, rock, country, pop e psicadelia se juntaram para fazer a vontade a Pierce.

Spiritualized - And Nothing Hurt

01. A Perfect Miracle
02. I’m Your Man
03. Here It Comes (The Road) Let’s Go
04. Let’s Dance
05. On The Sunshine
06. Damaged
07. The Morning After
08. The Prize
09. Sail On Through

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