Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2019

Steve Mason - About The Light 

O escocês Steve Mason esteve recentemente ocupado com a reedição em vinil do catálogo dos seus Beta Band, mas está novamente focado na sua carreira a solo, à boleia de About The Light, o quarto registo de originais do seu cardápio. Gravado em vários estúdios de Londres e Brighton, com a ajuda do mítico Stephen Street, que trabalhou com os Blur e os The Smiths, About The Light viu a luz do dia a dezoito de janeiro último e sucede aos aclamados trabalhos Boys Outside (2010), Monkey Minds In The Devil’s Time (2013) e o antecessor Meet The Humans (2016).

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Steve Mason parece estar destinado a tornar-se numa figura de culto do cenário indie britânico. Tal como muitos parceiros de luta muitas vezes catalogados de egocêntricos, foi-lhe diagnosticado em tempos um síndrome de distúrbio mental, que tem tentado contrariar desde o surpreendente registo Boys Outside, de dois mil e dez. Nesse álbum Mason fez uma espécie de mea culpa acerca da necessidade que foi sentido, ao longo da sua vida, de vestir uma determinada capa perante o grande público e nele, além de debruçar-se, com particular clarividência, sobre essa questão em concreto, também o faz, imagine-se, sobre a realidade política dessa época, no fundo uma estratégia igual a tantas outras, mas eficaz, de aproximação ao público e de quebrar barreiras. O passo seguinte deste exercício de exorcização e de busca de uma normalidade quotidiana deu-se há dois anos, durante o processo de gravação de Meet the Humans. Durante a escrita desse álbum Mason deixou de vez o seu refúgio escocês em Fife, numa zona florestal e mudou-se para a urbanidade de Brighton, em Inglaterra, onde encontrou parceira e enfrentou, inesperadamente, a dura mas feliz batalha da paternidade.

A nova realidade pessoal, mais feliz, estável e adulta de Mason, acaba por se refletir no conteúdo de About The Light, o seu Brighton Album, como o músico também gosta de o intitular, um disco que sonoramente coloca as fichas na melhor herança da britpop noventista e que mostra um som eminentemente experimental, como é suposto tendo em conta o adn deste músico, mas claramente mais acessível que o universo sonoro algo intrincado e frequentemente sofisticado dos Beta Band.  De facto, temas como o single Walking Away From Love, canção com uma sonoridade bastante efusiva e radiofónica, cimentada num rock melodicamente aditivo e assente em cordas exuberantes e a acusticidade charmosa das cordas e dos metais de America Is Your Boyfriend, dão este cunho muito british ao conteúdo de About The Light. Mas depois,a toada melódica de Rocket, canção sobre o tal problema mental do músico, mas que mostra um Mason confiante sobre o seu eu e a toada blues do piano que conduz o tema homónimo, oferecem-nos um artista sem medo do óbvio, ou seja, além de serem canções que plasmam a filosofia interpretativa de um músico que mostra a sua maturidade sem tentar inventar de novo a roda, são o espelho fiel de alguém que dá um passo seguro em frente na sua já longa e respeitável carreira porque renova, potencia e embeleza o seu modus operandi, canalizando o momento positivo pessoal que vive para a felicidade que sente em compôr de modo simples e direto, mas também, bonito, confidente e gentil. Espero que aprecies a sugestão...

Steve Mason - About The Light

01. America Is Your Boyfriend
02. Rocket
03. No Clue
04. About The Light
05. Fox On The Rooftop
06. Stars Around My Heart
07. Spanish Brigade
08. Don’t Know Where
09. Walking Away From Love
10. The End


autor stipe07 às 13:21
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2019

Pavo Pavo – Mystery Hour

Na sequência do enorme sucesso do registo de estreia Young Narrator In The Breakers, considerado por esta redação como um dos melhores álbuns de dois mil e dezasseis, os Pavo Pavo de Eliza Bagg e Oliver Hil, aos quais se juntam Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer, estão de regresso com um novo disco intitulado Mystery Hour, o segundo capítulo discográfico de um projeto exímio a criar aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, mas só no que concerne à componente sonora, porque a poesia de Mystery Hour tem uma inspiração real e concreta, focando-se, de modo bastante cinematográfico, emotivo e realista, no final da relação amorosa de seis anos entre os dois grandes protagonistas da banda e o modo como conseguiram manter uma ligação entre ambos que lhes permitiu continuar a fazer música juntos, apesar desta ruptura que, como se sabe, frequentemente deixa sequelas profundas entre os protagonistas, quer individualmente quer no modo como (não) passam a comunicar e a conviver entre si.

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Mystery Hour é um disco sobre separações, mas também sobre reajustes e sobre a alquimia do amor, um sentimento tão forte que muitas vezes consegue sobreviver misteriosamente e manter laços entre intervenientes, mesmo quando ambos optam livremente por deixar de manifestar fisicamente os seus sentimentos entre si. Escuta-se o disco e torna-se óbvio que Eliza e Oliver ainda se amam, mas de um modo diferente daquele que é o amor entre duas pessoas que se sentem sexualmente atraídas e que convivem intimamente e com frequência. Eliza e Oliver ainda se amam porque mantêm os Pavo Pavo mais vivos e pujantes do que nunca e porque se não existisse um sentimento tão forte como o amor entre eles, nunca ganhariam vida canções do calibre da efusiante Mon Cheri, ou da insinuante Close To Your Ego, curiosamente o tema do disco que se debruça sobre a impossibilidade da reconciliação.

Ao longo do disco, o próprio modo como Oliver utiliza uma clara indulgência orgânica para dar vida a guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e o modo como essa filosofia instrumental do músico se cruza com a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta, é uma prova clara da proximidade e da química entre estes dois autores, que criaram nestas onze canções a banda sonora de um verdadeiro melodrama romântico. Logo a abrir o alinhamento de Mystery Hour, o clima celestial do tema homónimo do disco, simultaneamente épico e comovente, apimentado por um efeito de guitarra planante capaz de derrubar o coração mais empedernido, principalmente quando acontece uma explosão sónica, feita de exuberância e cor, idealizada por Oliver quando Eliza deixou o apartamento que era de ambos, é a melhor prova da continuação desta cumplicidade, assim como no ocaso, no dueto Goldenrod, que se debruça sobre a dor da perca. Estes dois temas, estrategicamente colocados no alinhamento do registo, são os pontos de partida e de chegada de um círculo onde apesar de haver duas visões e dois ângulos de análise forçosamente diferentes acerca do evento central de Mystery Hour, é impressionante perceber a química e a força de uma amizade que se manteve inquebrável. Pelo meio, além dos temas já descritos, a nuvem de plumas que sustenta o piano que marca 100 Years, o jogo lascivo que se estabelece entre teclas e sopros em The Other Half e, principalmente, em Statue Is A Man Inside, a guitarra que debita um efeito planante pleno de charme e  que deambula por uma harmonia particularmente cativante, proporcionada por um sintetizador com uma luminosidade intensa e sedutora, são outros momentos felizes de um processo de criação musical que tenta sempre, com sucesso, estilizar canções em cujo regaço amor e lisergia caminhem lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam autênticas miragens hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico.

Com um ideário definido e um objetivo genuíno de entrega mútua e de exorcização e, além do tal divórcio, com declaradas inspirações como o universo de Ingmar Bergman, da coreógrafa Pina Bausch, do pintor David Hockney e do artista de multimédia Alex da Corte, Mystery Hour está repleto de nuances variadas e harmonias magistrais, que fazem do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os orgãos e membros de um ser que se dividiu em dois mas que continua a ser um só, na sua individualidade, e que através destas músicas, se não tem esse efeito nos autores, pelo menos no ouvinte é bem capaz de  fazer estremecer o nosso lado mais libidinoso, ao som destas onze composiçõs servidas em bandeja de ouro e que devem figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Mystery Hour

01. Mystery Hour
02. Mon Cheri
03. Easy
04. 100 Years
05. Check The Weather
06. Close To Your Ego
07. The Other Half
08. Around, Pt. 1
09. Around, Pt. 2
10. Statue Is A Man Inside
11. Goldenrod


autor stipe07 às 13:16
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2019

Dan Mangan – Losing My Religion

Dan Mangan - Losing My Religion

Depois de ter lançado o ano passado o excelente More or Less, o seu último registo de originais, o canadiano Dan Mangam acaba de disponibilizar uma cover do clássico Losing My Religion, um original dos norte-americanos R.E.M. Esta revisitação do original da banda de Michael Stipe também pode ser escutada no trailer da série da  CBC/AMC TV Unspeakable, de cujos créditos Dan Mangan faz parte.

De acordo com o músico de Vancouver, Losing My Religion, um enorme e inesperado éxito da banda de Athens, na Georgia, incluído no alinhamento de Out Of Time (1991), faz parte do seu imaginário infantil e foi sempre uma canção à qual Dan quis dar um cunho pessoal. Acabou por fazê-lo explorando-a através de um ângulo mais etéreo e homenagendo dessa forma o original, sem o querer replicar (When I was a kid, R.E.M. was a staple in my household. I remember air guitaring to this song with my brother and sister. It was such a massive hit but also so unlikely a candidate to be so. The chorus isn't really a chorus. It's long. It's repetitive. It's like a hypnotic cyclical trance of words that stick with you even if you have no idea what they're about. I really wanted to try and approach it from a new angle. There's no point in attempting to sing like Michael Stipe — there is only one Michael Stipe. So I tried my best to let it live in a new light while paying homage to the original.).

O canadiano acabou por dar asas a essa vontade antiga de reinterpretar Losing My Religion de um modo bastante curioso, sem descurar a veia acústica e a folk que escorre do seu cardápio sonoro habitual, mas conjugadas com uma faceta pop assente em arranjos e orquestrações de cariz classicista que deram à versão uma imponência e um nível de refinamento superiores. Confere...


autor stipe07 às 10:42
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2019

Lambchop – Everything For You

Lambchop - Everything For You

Depois de FLOTUS, o disco que os Lambchop editaram em dois mil e dezasseis, Kurt Wagner, o grande mentor deste projeto norte-americano sedeado em Nashville e ao qual se juntam atualmente o baixista Matt Swanson e o pianista Tony Crow, fez uma cover para o clássico When You Were Mine de Prince e realizou um mini-documentário em Colónia, onde juntamente com seis músicos alemães reinterpretou temas de FLOTUS.

Quase no ocaso de dois mil e dezoito, os Lambchop começaram a revelar detalhes de This (is what I wanted to tell you), um trabalho que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março próximo à boleia da City Slang, em parceria com a Merge Records e que, além do trio, também conta nos créditos com Matt McCaughan, reconhecido pelo seu excelente trabalho percurssivo em projetos como os Hiss Golden Messenger e Bon Iver.

Depois de os Lambchop terem revelado a amostra The December-ish You, canção com uma tonalidade particularmente íntima e a exalar uma desarmante sensibilidade, agora chegou a vez de ficarmos a conhecer Everything For You, o terceiro tema do alinhamento de This (is what I wanted to tell you), uma composição que segue a linha melódica e estilística que tem marcado os últimos registos dos Lambchop, cada vez mais enredados em paisagens onde jazz e eletrónica se misturam com superior elegância.

This (is what I wanted to tell you) é, tecnicamente, o décimo terceiro registo dos Lambchop desde o álbum de estreia em mil novecentos e noventa e quatro, mas está a ser anunciado por Wagner, pelos vistos por uma questão de superstição, como o décimo quarto da carreira do grupo (Like all the other tallest buildings in the world, Lambchop skips No. 13), This (is what I wanted to tell you). Confere Everything For You, canção descrita por Wagner desta forma - a collection of imperfections on the road to a better day - e o espetacular vídeo realizado para o tema da autoria de Jonny Sanders....


autor stipe07 às 13:36
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Sábado, 26 de Janeiro de 2019

Sharon Van Etten - Remind Me Tomorrow

Quase meia década depois do excelente e melancólico Are We There, e com o nascimento de uma filha pelo meio e a participação nas séries The OA e Twin Peaks como atriz, Sharon Van Etten está de regresso aos discos com um trabalho intitulado Remind Me Tomorrow. Este disco com dez temas é o quinto alinhamento da carreira da autora e compositora norte americana, natural do Tennessee e foi lançado à boleia da Jagjaguwar, tendo sido produzido pela própria e pelo reputado John Congleton.

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Sempre resistente, inventiva e apaixonada, em Remind Me Tomorrow Sharon Van Etten volta a surpreender-nos com a sua voz inconfundível e a sua capacidade única de conseguir fazer-nos crer na nossa capacidade de perseguirmos os nossos sonhos mais verdadeiros, neste caso através de um disco repleto de energia e emotividade e onde a autora encara novamente o ouvinte como uma espécie de amigo e confindente. Fá-lo de modo genuíno e até, em alguns temas, desarmante, ou seja, de modo a não deixar quem a escuta indiferente à sua mensagem e aos seus apelos, quase sempre relacionados com a temática daquele amor que não resultou e do modo como a autora se sente frequentemente infeliz ou desiludida com o mundo que a rodeia.

De facto, Remind Me Tomorrow soa a mais um capítulo desta sua saga pessoal, o quinto álbum da carreira de uma cantora e compositora que com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo e também na eletrónica, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós.

Ao longo destas dez canções, Sharon construiu belíssimas melodias pop que se entrelaçaram com as letras e com a sua voz marcante com enorme mestria, num disco que palpita uma notória sensação instintiva, como se ela tivesse deixado fluir livremente tudo aquilo que sente e já descrevi e assim potenciado a possibilidade de nos emocionarmos genuinamente com estas canções. Temas como Seventeen, sobre a sempre difícil transição da juventude para a vida adulta numa cidade como Nova Iorque, I Told You Everything, uma canção que descreve uma amargurada conversa de balcão, ou Stay, dedicado à filha, são excelentes exemplos deste exercício algo dramático de partilha, assim como a ode ao romantismo feita em No One’s Easy To Love e os factos descritos em Comeback Kid,  uma canção que instrumentalmente impressiona pela inserção de uma vertente sintética algo inédita na carreira da Etten, que se repete impressivamente em Jupiter 4, e que relata memórias da sua infância despertadas durante uma visita a casa dos pais.

Em suma, Remind Me Tomorrow marca uma nova etapa na carreira discográfica de Sharon Van Etten, principalmente no modo como olha com maior gula para o sintético e aprimora o uso dessa vertente estilística na sua habitual folk tipicamente americana e sulista. Tematicamente, a poetisa mantém o tom intimista e comunicativo, mas fá-lo com uma ainda maior profundidade, fruto certamente das mudanças vividas na sua vida na última meia década e que a tornaram ainda mais sapiente, instruída e rica no modo como disserta e reflete sobre a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

Sharon Van Etten - Remind Me Tomorrow

01. I Told You Everything
02. No One’s Easy To Love
03. Memorial Day
04. Comeback Kid
05. Jupiter 4
06. Seventeen
07. Malibu
08. You Shadow
09. Hands
10. Stay


autor stipe07 às 10:37
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2019

Vampire Weekend – Harmony Hall vs 2021

Mais de meia década depois do excelente Modern Vampires of the City, disco lançado em dois mil e treze, os Vampire Weekend de Ezra Koenig, Rostam Batmanglij, Chris Baio, Chris Tomson, Greta Salpeter, estão finalmente de regresso aos lançamentos discográficos com Father Of The Bride, o quarto disco da carreira do grupo de Nova Iorque, ainda sem data de lançamento definida mas certamente neste ano de dois mil e dezanove.

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De acordo com Ezra Koenig, Father Of The Bride será um disco duplo com dezoito composições e um terço do alinhamento deste lançamento será divulgado ao grande público no primeiro semestre deste ano, tendo esse processo já dado o pontapé de saída com Harmony Hall e 2021, os dois primeiros temas disponibilizados do novo álbum dos Vampire Weekend.

Das duas canções, o grande destaque vai, claramente, para Harmony Hall, uma lindíssima composição conduzida por um inspirado piano pleno de charme e de contemporaneidade, acompanhado por cordas radiantes, num exercício de simbiose que de forma experimental e criativa sustenta uma melodia pop com um certo cariz épico e melancólico e que nas suas nuances rítmicas se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um exercício de composição assertivo e particularmente radiante. Já 2021 é uma pequena peça sonora intimista, sustentada num curioso sintetizador minimalista e numa guitarra com um efeito metálico muito peculiar. Confere...

Vampire Weekend - Harmony Hall - 2021

01. Harmony Hall
02. 2021


autor stipe07 às 10:39
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2019

Beck – Tarantula

Beck - Tarantula

Quando nos últimos dias foram conhecidas as nomeações para edição deste ano dos Óscares, o filme Roma, escrito e dirigido por Alfonso Cuarón, que também o produziu, co-editou e cinematografou e protagonizado por Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Marco Graf, Daniela Demesa, Enoc Leaño e Daniel Valtierra, tornou-se, desde logo, num nome de peso no quadro final de nomeados, com as suas dez nomeações, entre elas as de Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original e Melhor Atriz, que o colocam na pole position para ser o grande vencedor da edição deste ano dos prémios de cinema de Hollywood. Curiosamente, ou talvez não, Roma não foi nomeado para a estatueta da melhor banda sonoroa original, exatamente porque as canções que escutamos durante o filme não são originais criados propositadamente para o drama.

Seja como for, ultimamente alguns artistas têm criado e revisitado temas inspirados no argumento de Roma, com When I Was Older, de Billie Eilish, a ser um desses casos. E, no seguimento destas recriações sonoras, a Sony prepara-se para  lançar um álbum intitulado Music Inspired By The Film Roma, uma compilação que além de conter essa composição de Eilish, também conta com contributos de, entre outros, Patti Smith, El-P, Wilder Zoby, Laura Marling, DJ Shadow, Ibeyi, UNKLE e Beck que, para este alinhamento, recriou um clássico de synth pop de mil novecentos e oitenta e três, intitulado Tarantula, da autoria dos Colourbox.

O original com trinta e seis anos é um tratado de reggae new wave com uma toada eminentemente contemplativa, onde sobressai o baixo de Jason Falkner. Na cover de Beck, onde se escutam nos coros as vozes de Leslie Feist e Alex Lilly, foi mantida a essência do original, sem o artista deixar de lhe dar o seu cunho pessoal, num resultado final que ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop atual, e onde é indisfarçavel a busca de uma melodia agradável e marcante e rica em detalhes e texturas muito presentes na herança do músico natural de Los Angeles. Confere...


autor stipe07 às 12:33
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2019

Strand Of Oaks – Weird Ways

Strand Of Oaks - Weird Ways

Foi há cerca de dois anos que Tim Showalter editou Hard Love, o quinto registo de originais em que assinou Strand Of Oaks. Hard Love sucedeu ao aclamado disco Heal, que o colocou, em dois mil e catorze, nas luzes da ribalta e foi, de acordo com o autor, um trabalho gravado numa época tumultuosa e sobre enorme pressão, devido ao peso do sucesso de Heal e ao escurtínio que sabia que iria ser feito relativamente ao sucessor desse tão bem sucedido trabalho. A boa aceitação por parte da crítica e dos fãs de Hard Love, acabou por constituir um bálsamo retemperador para Showalter que gsnhou elan para colocar nos escaparates, o ano passado, um alinhamento de demos melhorados que sobraram das gravações de Hard Love, intitulado Harder Love, um alinhamento alternativo que encerrou um capítulo importante da vida discográfica do autor e o deixou de mente limpa e consciência tranquila para o próximo passo.

Agora, um ano depois, Strand Of Oaks anuncia o seu sexto e novo disco, um registo intitulado Eraserland, que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março à boleia da Dead Oceans. Será um trabalho curioso porque conta com a participação especial dos My Morning Jacket como banda de suporte de Showalter, além do guitarrista Jason Isbell e da voz de Emma Ruth Rundle num dos temas.

Weird Ways é o primeiro single divulgado de Eraserland, uma composição já com direito a um vídeo realizado por David Boone e onde se sente uma genuína entrega por parte do autor. É uma canção plena de intimismo e nostalgia, que começa banhada por um manto etéreo de acusticidade, mas que depois, envolvida por uma vibe pop oitocentista indisfarçável, fica repleta de orquestrações opulentas e, apesar do ruido e da distorção da guitarra, contém, no seu todo, um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo. Confere o vídeo de Weird Ways e a tracklist de Eraserland...

Weird Ways
Hyperspace Blues
Keys

Visions
Final Fires
Moon Landing
Ruby
Wild And Willing
Eraserland
Forever Chords


autor stipe07 às 13:28
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019

Foals – Exits

Foals - Exits

Quase quatro anos depois de What Went Down, os Foals anunciam dose dupla para dois mil e dezanove com o lançamento de Everything Not Saved Will Be Lost Part 1, já a oito de março e Everything Not Saved Will Be Lost Part 2, lá mais para o outono. Exits é o single já retirado do primeiro capítulo desta saga discográfica da banda de Oxford em dois mil e dezanove, uma canção com direito a um vídeo realizado por Albert Moya.

Os dois últimos registos dos Foals, Holy Fire (2013) e What Went Down (2015), mostraram um lado intrincado do grupo e um rumo sonoro que buscou territórios mais negros, sombrios e encorpados do que os registos iniciais da banda, mas Exits indica, claramente, que as guitarras experimentais de Antidotes parecem ter sido recuperadas durante o processo de gravação de Everything Not Saved Will Be Lost Part 1. Com uma atmosfera pop oitocentista bastante vincada e plena de groove, este tema, cheio de efeitos borbulhantes e coloridos nas cordas, sabe a uma espécie de bálsamo retemperador, um travo ampliado pelo habitual tribalismo percussivo dos Foals, que adoram convidar-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento. Confere...


autor stipe07 às 15:55
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019

Wild Nothing – Blue Wings

Wild Nothing - Blue Wings

Depois de Gemini (2010), Nocturnal (2012) e Life Of Pause (2016), Jack Tantum, um músico, artista e compositor norte americano, oriundo da Virgínia, que assina a sua música como Wild Nothing, lançou o ano passado Indigo, o seu quarto registo de originais, mais um alinhamento de canções cheio de exuberância, cor e texturas e possibilidades ilimitadas que distingue-se das demais do género, porque proporciona-nos um manancial de interpretações físicas, psíquicas e sensoriais incomum. Eram, em suma, onze canções abrigadas numa indie pop que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos e agregados sonoros alegres e cheios de luz, que vêm agora um novo acrescento com o tema Blue Wings, disponibilizado pelo autor estes dias com a ajuda de Ben Talmi e que tendo sido arquitetado durante o período de gravação dos temas de Indigo, acabou por não constar do seu alinhamento.

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Assente numa melodia que se cola aos nossos ouvidos sem qualquer pudor, Blue Wings aposta todas as fichas naquela indie pop eminentemente clássica, como se percebe não só na sua riqueza instrumental, mas também nos efeitos robustos da guitarra, na pujança do sintetizador e na sobriedade da percussão, variáveis imprescidindíveis na adição à composição de uma indisfarçavel grandeza e epicidade.

Tematicamente, Blue Wings reforça a permissa de que Tantum é um verdadeiro prodígio na criação de canções que, estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, como sucede nesta canção sobre o modo como o outro, que nos ama, nos pode ajudar a percebermos melhor aquele lado mais oculto e inseguro que todos temos e que não sendo devidamente destrinçado pode levar a instantes de dúvida e desassossego. Confere Blue Wings e Indigo...


autor stipe07 às 14:45
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Domingo, 20 de Janeiro de 2019

The Drums – Body Chemistry

The Drums - Body Chemistry

Os norte-americanos The Drums lançaram há dois anos Abysmal Thoughts , o último registo deste projeto que se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. O ano passado este músico nova iorquino voltou a dar sinais de vida com o tema Meet Me In Mexico e agora, no início de dois mil e dezanove, anuncia finalmente um novo álbum. O próximo longa duração dos The Drums chama-se Brutalism, e vê a luz do dia na próxima primavera, à boleia da ANTI.

Body Chemistry é o primeiro single divulgado de Brutalism, uma canção muito pessoal em que Pierce aborda o modo como lidou com um diagnóstico recente de depressão (Maybe I’m depressed, Maybe I know too much about the world, about myself) e que sonoramente assenta numa curiosa simbiose entre o indie surf rock e a eletrónica chillwave, audível num curioso e bem sucedido jogo de interseções melódicas entre baixo e sintetizadores. Confere Body Chemistry e o alinhamento de Brutalism...

Pretty Cloud
Body Chemistry
626 Bedford Avenue
Brutalism
Loner
I Wanna Go Back
Kiss It Away
My Jasp
Blip Of Joy


autor stipe07 às 15:33
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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

Galo Cant’Às Duas - Cabo da Boa Esperança

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já colocaram nos escaparates o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que marca, claramente, um rumo mais abrangente, ousado e criativo para a dupla, algo que se percebe de imediato e com clareza no cortejo alegórico de distorções e diferentes nuances rítmicas que abastecem a jam session A Dança do Tempo, o tema de abertura do registo.

Cabo da Boa Esperança não mais levanta o pé do acelerador impressivo. O clima caleidoscópico que trespassa o sintetizador melódico de Coro a Cara, o indisfarçavel travo punk inicial de Guia do Fazer que depois se amansa para territórios mais etéreos, para voltar a carregar num ruído progressivo, ou o salutar experimentalismo psicadélico que brota do single Sobre Um Tanto Medo, uma canção sobre a ténue fronteira entre a ânsia de descobrir, ao medo de ser descoberto e que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão, deixam-nos de olhos e ouvidos em bico e à bica. E o festim prolonga-se nménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre bateria, guitarra e sintetizador em Foto Grama e na espiral rugosa feita de flashes de samples, de alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, de uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e loops percussivos inquietos em Mudo, mais duas composições feitas para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor.

Ao longo das oito canções de Cabo da Boa Esperança, mais do que ser-nos dada a possibilidade de descobrirmos o rumo certo da nossa jornada pessoal ou a fórmula infalível que nos vai levar para o lado certo da razão, é-nos facultada uma sequência muito física de sensações, através de um delicioso caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que os autores designaram para cada uma, individualmente. E os Galo Cant’Às Duas fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que polvilham os trinta e cinco minutos de Cabo da Boa Esperança com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo chamado rock progressivo, indie rock, popfolk, eletrónica e psicadelia. Espero que aprecies a sugestão…


autor stipe07 às 11:33
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019

Deerhunter – Why Hasn’t Everything Already Disappeared?

Após quase década e meia de excelentes registos discográficos que têm vindo a consolidar uma das carreiras mais bem sucedidas e profícuas do indie rock experimental contemporâneo, os Deerhunter de Bradford Cox, Lockett Pundt, Moses Archuleta e Josh McKay, já têm finalmente o pronto seu tão aguardado oitavo registo de originais, um fabuloso álbum intitulado Why Hasn’t Everything Disappeared?, gravado em Marfa, no Texas, mítica localidade norte-americana que serviu de cenário a Giant (1956), o último filme protagonizado por James Dean. Este registo sucede a Fading Frontier (2015), vê a luz do dia à boleia da 4AD Records e foi produzido pela cantora e compositora galesa Cate Le Bon, com a ajuda da própria banda e dos produtores e engenheiros de som Ben H. Allen III e Ben Etter, que já tinham trabalhado com o grupo em discos anteriores.

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Mestres de um estilo sonoro bastante sui generis e que mistura alguns dos arquétipos fundamentais do indie rock, sempre com uma componente pop e que possa entroncar numa acessibilidade melódica que nem sempre está na linha da frente das bandas que se movimentam neste espetro sonoro mais underground, os Deerhunter oferecem-nos em Why Hasn't Everything Already Disappeared? mais um conjunto de experimentações sónicas que, não renegando, em alguns instantes, aquela toada lo fi, crua e pujante, feita também de quebras e mudanças de ritmos e momentos de pura distorção, também tentam, dentro de um salutar experimentalismo, adocicar os nossos ouvidos com melodias que misturem acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto, sempre com enorme eficácia.

Disco com dez canções com uma identidade muito própria, Why Hasn't Everything Already Disappeared? mostra logo os dentes na luminosidade do cravo que introduz os acordes de Death In Midsummer e no modo como o mesmo é dedilhado e flui de modo a receber de braços abertos a bateria e as guitarras. Nesta canção esbarramos com uma típica sonoridade rock setentista, um funk psicadélico particularmente alegre e bastante dançável, pensado por um Cox que curiosamente diz detestar a música psicadélica, com as distorções e os ruídos de fundo constantes, que já são uma imagem de marca dos Deerhunter, testada desde o versátil Microcastle (2008), a conduzirem o tema para um ambiente claramente festivo. Depois, No One's Sleeping, uma composição inspirada pela trágica morte de Jo Cox, uma política britânica assassinada em dois mil e dezasseis por Thomas Mair, um indivíduo com um histórico de doenças mentais, vai recebendo cordas, teclas e efeitos de sopros de um modo aparentemente anárquico, mas tremendamente calculado, uma fórmula que resulta, no seu todo, numa composição que, mais do que agregar diversos fragmentos, afirma-se como uma alegoria pop de indisfarçável leveza e beleza sonora.

A partir desse mote inicial,  Why Hasn't Everything Already Disappeared? prossegue a sua senda encantatória, frequentemente com uma toada até algo progressiva. Além da base instrumental típica dos Deerhunter, temos composições em que o sintetizador é o elemento chave, como é o caso do instrumental Greenpoint Gothic e da experimental Détournement, outras em que é o piano, de mãos dadas com uma guitarra que às vezes parece planar, quem assume as rédeas, nomeadamente na nostalgia de What Happens To People e outras em que o colorido do cravo, um dos instrumentos predilectos de Cox, é, claramente, a grande força motriz, como é o caso de Element, uma ode dos Deerhunter ao meio ambiente e à natureza.

Até ao ocaso de Why Hasn't Everything Already Disappeared?, no clima buliçoso e descomprometido de Futurism, na mágica melancolia que trespassa o xilofone que sustenta Tarnung, no requinte do funk alegre e divertido que conduz Plains e, a encerrar as hostilidades, no devaneio algo caótico que, em Nocturne, dá vida a um minimalismo sintético que depois se transforma num tratado pop, somos convidados a deliciar-nos com um álbum onde a personalidade de cada uma das canções demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, já que imensos e variados são os detalhes precisos que as adornam.

Os Deerhunter vivem, de facto, no pico da sua capacidade criativa e mostram-se ao oitavo disco mais arrojados do que nunca, mostrando neste Why Hasn't Everything Already Disappeared? que conseguem navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. Este projeto de Atlanta, na Georgia, prova-nos que a imprevisibilidade continua a ser, felizmente, algo valioso e ímpar no mundo artístico e Bradford Cox, uma das personagens mais excêntricas no mundo da música contemporânea, continua a jogar com essa evidência a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos, de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado aquele que é já, na minha opinião, um dos álbuns essenciais de dois mil e dezanove. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhunter - Why Hasn't Everything Already Disappeared

01. Death In Midsummer
02. No One’s Sleeping
03. Greenpoint Gothic
04. Element
05. What Happens To People?
06. Détournement
07. Futurism
08. Tarnung
09. Plains
10. Nocturne


autor stipe07 às 08:26
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019

Daniel Land – The Dream Of The Red Sails

Há sempre algo de especial e único na música do britânico Daniel Land,  que anda por cá há mais de duas décadas a oferecer-nos belíssimas composições, não só em nome próprio, mas também através da banda Daniel Land & The Modern Painters e do seu alter ego riverrun, além de colaborar assiduamente com os míticos Engineers. De facto, do seu registo vocal angelical à permanente sensação de vulnerabilidade comovente que exala das suas canções, são vários os atributos que sustentam os discos deste autor e que encarnam alguma da melhor indie pop contemporânea.

Resultado de imagem para Daniel Land The Dream Of The Red Sails

Cada canção de Daniel Land parece querer dar vida a sonhos lúcidos e a visões etéreas e cada acorde que nos oferece tem sempre uma luminosidade melancólica particularmente incomum. É como se cada tema fosse pensado para ser contemplado por causa da sua beleza e cor, assim como é um dia típico de primavera, depois de um inverno cinzento, frio e monocromático.

Escrito durante o ano de dois mil e dezasseis durante o início dos tufões brexit e Trump, The Dream of the Red Sails, o novo álbum de Daniel Land, não foge a estas permissas e pretende ser um porto de abrigo optimista para todos aqueles que se sentem algo perdidos com um mundo cada vez mais engolido pelo racismo e pela ignorância e pelo desrespeito, temáticas muito presentes na escrita do registo. Logo no instrumental Capistrano Beach, sentimos uma suave e encantadora brisa de luz, que se amplia, mas sem nunca ofuscar, no reverb metálico estridente e envolvente de Summer Song. Depois, no clima nostálgico que transparece das cordas de Long Before the Weather, na soul de Still Closed e no modo quase mágico como a guitarra e a bateria conjuram entre si em Under a Red Sky, assim como na delicada acusticidade de Self-Portrait in Autumn Colours, ficamos defintivamente impressionados com um alinhamento acessível e bastante melódico, pensado com uma filosofica sonora que acaba por entroncar em alguns dos principais detalhes da angulosa pop oitocentita que bandas como os Talk Talk ajudaram a cimentar há cerca de três décadas, mas onde também não falta uma assertiva contemporaneidade, em especial na guitarra, num resultado final particularmente luminoso e apelativo. Espero que aprecies a sugestão...

Daniel Land - The Dream Of The Red Sails

01. Capistrano Beach
02. Summer Song
03. Long Before The Weather
04. Still Closed
05. Under A Red Sky
06. Self-Portrait In Autumn Colours
07. Starless
08. Alone With America
09. Fleur Du Mâle
10. Skindivers
11. Cobalt Blue


autor stipe07 às 10:33
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019

The Killers – Land Of The Free

The Killers - Land Of The Free

Claro manifesto anti-Trump, produzido nos estúdios do grupo por Jacknife Lee e já com direito a um impressivo video realizado por Spike Lee, Land Of The Free é o novo single dos norte-americanos The Killers, o primeiro sinal sonoro do grupo de Las Vegas desde o registo Wonderful Wonderful, de dois mil e dezassete.

Com a letra de Brandon Flowers a versar, de modo particularmente crítico, sobre o controverso muro que Trump quer construir na fronteira sul com o México, mas também sobre alguns momentos recentes particularmente trágicos da atualidade norte-americana, nomeadamente os tiroteios de Orlando, Las Vegas e Parkland, as mortes de Eric Garner e Trayvon Martin e o massacre de Sandy Hook, Land Of The Free abre com um belíssimo piano, acompanhado pela voz de Flowers e por um coro gospel, num registo particularmente comovente, como seria de esperar e que melodicamente depois se desenvolve de modo a remeter-nos, por exemplo, para a melhor herança do The Boss, uma influência incontornável na carreira dos The Killers. Confere...


autor stipe07 às 10:29
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2019

Missio – Rad Drugz

Missio - Rad Drugz

Os electro rockers norte americanos Missio vão regressar aos discos este ano, via RCA Records e em dose dupla com The Darker The Weather the Better The Man. The Darker The Weather (Part 1), chega aos escaparates a vinte e nove de março e The Better The Man (Part II) lá mais para o verão.

Os artistas rock estão nos dias de hoje debaixo dos holofotes e, para muitos, ser membro de uma banda é sinónimo, muitas vezes, de ser alguém que sofe de uma adição a drogas e a sexo e de ser alguém irresponsável, imaturo e rebelde. Por outro lado, a sensação que muitas vezes existe é que é cada vez menor a separação entre aquilo que é o conteúdo musical em si e a personalidade do artista, uma ideia claramente errada porque a autobiografia sonora é, na minha opinião, cada vez menos uma realidade. Por isso, geralmente nunca esperamos que os nossos gurus do rock sejam modelos de virtude, mesmo quando conseguem evitar enveredar pela espiral de decadência que a fama muitas vezes potencia.

A crítica a estas ideias pré-concebidas e erradas e uma novela russa cheia de personagens disfuncionais são as ideias centrais de Rad Drugz!, o primeiro single divulgado deste novo registo dos Missio, uma dupla oriunda de Austin, no Texas, uma empolgante composição rica de linhas de baixo encorpadas, um riff de guitarra pulsante e uma batida sintetizada, idealizada com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Confere...


autor stipe07 às 14:06
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Domingo, 13 de Janeiro de 2019

I Was A King – Bubble

I Was A King - Bubble

Será no início de primavera, no próximo mês de março, que irá ver a luz do dia Slow Century, o novo registo de originais dos noruegueses I Was A King, um coletivo formado por Frode Strømstad, Anne Lise Frøkedal, Ole Reidar Gudmestad e Arne K Mathisen e oriundo de Egersund, nos arredores de Oslo.

Liderados por Frode Stromstad e Anne Lise Frokedal e a compôr belíssimas canções pop há já mais de uma decada, os I Was A King já têm cinco discos em carteira e uma enorme reputação não són no circuito local, mas também no panorama indie nórdico e britânico, inclusive. Bubble é o novo single divulgado de Slow Century, um tema cuja subtil mistura entre sintetizações inebriantes e uma abordagem clássica, mas sempre eficaz às guitarras, num resultado final particularmente efusivo e luminoso. Confere...


autor stipe07 às 21:28
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2019

Catfish And The Bottlemen – Longshot

Catfish And The Bottlemen - Longshot

Três anos após o excelente The Ride, que na altura sucedeu a The Balcony, o disco de estreia, os Catfish And The Bottlemen de Van McCann, Johnny Bond (guitarras), Robert ‘Bob’ Hall (bateria) e Benji Blakeway (baixo), estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos e Longshot é o primeiro single divulgado daquele que será o terceiro álbum deste quarteto galês.

Em Longshot, os Catfish And The Bottlemen provam, mais uma vez, a sua superior capacidade interpretativa, no momento de criar um indie rock que seja épico, instrumentalmente rico e tematicamente emotivo, sensações ampliadas, desta vez, pelo belíssimo vídeo da canção. Realizado por Jim Canty e filmado a preto e branco no sempre bucólico, húmido e enevoado ambiente rural britânico, mostra-nos McCann da perspetiva de uma ave, chegando ao local em grande estilo para se juntar depois à banda que já toca a canção. Confere...


autor stipe07 às 13:49
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019

White Lies – Tokyo

White Lies - Tokyo

Pouco mais de dois anos após Friends, os ingleses White Lies de Charles Cave, Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown, que entretanto passaram a fazer parte da [PIAS] Recordings, preparam-se para colocar nos escaparates, já em fevereiro, mais um registo de originais. É um álbum que servirá também para marcar os dez anos de carreira do grupo.

Five terá nove canções e irá continuar a firmar o grupo num lugar de destaque no universo sonoro ocupado pelo revivalismo do post punk e do indie rock, se tivermos em conta não só as composições já divulgadas do seu alinhamento, mas também a pop épica e eminentemente oitocentista de Tokyo, a última canção do disco a ser conhecida, já com direito a um excelente vídeo realizado por David Pablos e que consegue um notável equilíbrio entre os sintetizadores e a típica orgânica das guitarras.

Five foi gravado em Inglaterra e nos Estados Unidos da América, mais concretamente em Los Angeles, onde os White Lies estiveram em estúdio com Ed Buller, produtor de To Lose My Life e Big TV, os dois antecessores deste Five. Também participaram nas sessões de gravação o engenheiro de som James Brown (que já trabalhou com Arctic Monkeys e Foo Fighters) e o renomado produtor Flood, que também tocou sintetizadores e teclados em algumas canções. Quanto à mistura de Five, ficou a cargo do carismático e reputado Alan Moulder, que já tinha trabalhado com os White Lies nos dois primeiros capítulos da discografia do grupo. Confere...


autor stipe07 às 21:21
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019

Quiet Company – Aloha

Quiet Company - Aloha

Oriundos de Austin, no Texas, os Quiet Company, estrearam-se no já longínquo ano de dois mil e seis com o registo Shine Honesty e são atualmente formados por Taylor Muse, o cantor, escritor e grande mentor da banda, o guitarrista Tommy Blank, o baixista Trevor Dowdy, o baterista Jeff Stringer e o multi-instrumentista Bill Gryta.

Já neste mês de janeiro os Quiet Company vão editar On corners & Shapes, o terceiro de uma série de eps que têm dado a conhecer aos seus fãs desde o longa duração Your Husband, the Ghost, de dois mil e dezassete e, em jeito de antecipação, acabam de revelar Aloha, um lindíssimo tema que impressiona pelo modo seu grau de intimismo, mas também de epicidade, com o piano e alguns efeitos de cordas a assumirem as rédeas melódicas e a sustentarem diversas mudanças de ritmo. Confere...


autor stipe07 às 16:48
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