Sexta-feira, 30 de Novembro de 2018

Ultimate Painting – Up!

Dois anos depois do excelente Dusk, já se conhece o conteúdo de Up!, o quarto disco da carreira dos Ultimate Painting, uma dupla inglesa formada por Jack Cooper e James Hoare, habituais colaboradores dos Mazes e de Veronica Falls e que, curiosamente, no início deste ano, portanto alguns meses antes do lançamento deste registo, tinham anunciado a separação devido a divergências criativas irreconciliáveis. Na altura, a dupla chegou a solicitar à Bella Union, o novo selo da banda depois dos três alinhamentos anteriores terem sido abrigados pela Trouble In Mind Records, para que este disco, que já estava pronto, não fosse lançado, mas a verdade é que, felizmente, Up! viu a luz do dia para gaúdio de todos aqueles que, tal como eu, vibram com esta banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, para lhes dar um certo toque psicadélico, coberto por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, tudo rematado com uma inconfundível pitada de charme.

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Os Ultimate Painting são exímios na criação de melodias que transmitem sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja e, nesse particular, distinguem-se pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor, envolvidas com um certo toque psicadélico.

Portanto, em Up!, as solarengas e levitantes cordas de Needles In My Eyes, o ternurento efeito metálico do single Not Gonna Burn Myself Anymore, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, o tom confessional de I Am Your Gun, o piano melancólico de Someone's Out To Get You ou a luminosidade melódica que chega a inebriar em Foul & Fair e a ofuscar no cerrar de punhos a que sabe Take Shelterpermitem-nos, com uma certa clareza, refletir sobre tão nobre sentimento e tudo aquilo que de bom tem para nos oferecer, enquanto percebemos os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e esculpindo as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Em Up! vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um bom gosto ainda maior pela peça em si que este disco representa. Neste disco, os Ultimate Paiting encerram em grande forma e de um modo extraordinariamente jovial, uma curta mas profícua carreira que seduziu-me pela forma genuína e simples como nela retrataram sonoramente e com superior clarividência eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, mas onde o amor é a grande força motriz no modo como nos encadeamos uns nos outros. Espero que aprecies a sugestão...

Ultimate Painting - Up!

01. Needles In My Eyes
02. Not Gonna Burn Myself Anymore
03. I Am Your Gun
04. Foul And Fair
05. Someone’s Out To Get You
06. Take Shelter
07. My Procedure
08. Lying In Charles Street
09. Darkness In His Eyes
10. Snake Pass


autor stipe07 às 12:57
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2018

Galo Cant’Às Duas - Sobre Um Tanto Medo

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já anunciaram o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que verá a luz do dia em janeiro e do qual já se conhece o single de apresentação, um tema intitulado Sobre Um Tanto Medo, uma canção que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão e que serviu-se de um salutar experimentalismo psicadélico para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor. 

De acordo com o press release de lançamento do single, para o respectivo vídeo, interessou a ideia de filmar o lugar onde realizaram a capa do disco. Naturalmente sem acompanhar a cadência da música quiseram provocar a dúvida da sua real existência. De um não-lugar, de um universo que é nosso ou criado por nós. Sentiram assim a necessidade de imortalizar/revitalizar aquele lugar que o vídeo vai mostrando e dando vida.

No dia vinte e oito de Dezembro acontecerá uma festa de pré lançamento que se intitula Cantar de Galo. No Carmo’81, em Viseu, os Galo Cant’Às Duas convidam também o percussionista João Pais Filipe, que recentemente lançou o seu disco a solo, para abrir o que será uma noite de celebração cheia de pessoas bonitas que fizeram também parte deste processo de criação. Confere o single de apresentação de Cabo da Boa Esperança...

 


autor stipe07 às 18:36
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018

Preoccupations – Pontiac 87

Preoccupations - Pontiac 87

Õs canadianos Matt Flegel e Mike Wallace são dois músicos já habituados a recomeços no que concerne a projetos musicais. Depois de terem feito parte dos extintos Women, um projeto que terminou a carreira há alguns anos mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo, incubaram os extraordinários Viet Cong, um coletivo que fez furor há três anos com um disco homónimo que foi considerado por esta redação como o melhor do ano, em 2015. Este nome tão sugestivo da banda acabou por não sobreviver à crítica, muita dela oriunda do importante mercado discográfico e, por isso, a dupla viu-se na necessidade de se reinventar de novo, surgindo agora sobre a capa dos Preoccupations, um coletivo onde à dupla se juntam os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, que já os acompanhavam nos Viet Cong. New Material foi o registo discográfico que deu o pontapé de saída a esta nova vida do projeto no início da última primavera, dez canções alicerçadas num post punk labiríntico de elevado calibre e abençoado pela chancela da insuspeita Jagjaguwar, uma das principais editoras independentes norte-americanas.

Agora, pouco mais de meio ano depois de New Material, os Preoccupations preparam-se para ir para a estrada na América do Norte com os Protomartyr, uma banda de pós-punk norte americana formada há já uma década em Detroit e que conta com Joe Casey nas vozes, Greg Ahee na guitarra, Alex Leonard na bateria e Scott Davidson no baixo. Para comemorar este avanço em conjunto para os palcos, os dois grupos resolveram editar uma cover de ambos, disponível digitalmente e num single em vinil de sete polegadas, este último via Domino Records e com o título Telemetry At Howe Bridge. Assim, se os Protomartyr gravaram uma cover de Forbidden, um tema dos Preoccupations disponível no lado b desta edição, no lado a está Pontiac 87, um original dos Protomartyr que os Preoccupations revisitaram através de um rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia e a voz amplificada e distorcida, conjugada com guitarras carregadas de distorção, a conferir à canção uma toada psicadélica extraordinária. Confere...


autor stipe07 às 08:45
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Zero 7 - Mono

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Os britânicos Zero 7 de Henry Binns e Sam Hardaker, um dos projetos fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, já não davam sinais de vida há algum tempo, nomeadamente desde dois mil e quinze quando colaboraram com José González no tema Last Light. Agora, três anos depois dessa composição, eles estão de volta com novidades, um novo single intitulado Mono, que resulta de uma parceria profícua com o cantor Hidden.

Mono tem como grandes atributos, além da performance vocal irreprensível de Hidden, um arquétipo sonoro de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Confere...

Zero 7 - Mono

01. Mono (Feat. Hidden)
02. Mono (Feat. Hidden) (Thool Remix)
03. Mono (Thool Remix Instrumental)


autor stipe07 às 08:26
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2018

Ten Fé - No Night Lasts Forever

Ten Fé - No Night Lasts Forever

Os londrinos Ten Fé vão lançar a oito de março do próximo ano, à boleia do consórcio Some Kinda Love/PIAS, Future Tense, Present Tense, o novo registo do grupo e que sucede ao aclamado disco de estreia, Hit The Light, lançado o ano passado. Future Tense, Present Tense foi produzido por Luke Smith (Foals, Depeche Mode) e misturado por Craig Silvey (Arcade Fire, Florence & The Machine) e do seu alinhamento já se conheciam os singles Won’t Happen Not Tonight, sendo o mais recente um tema intitulado No Night Lasts Forever e que, à semelhança dos temas anteriores, aborda noções temporais, nomeadamente o tempo que demora para chegar a algo, o tempo que nunca voltará e o tempo que ainda está para vir.

Com uma sonoridade assente numa onda sintética particularmente expansiva e luminosa, No Night Lasts Forever é um tratado pop inspirado e rico que, juntamente com as outras canções já conhecidas, faz antecipar um excelente sempre difícil segundo disco deste projeto. Já agora, acerca desta composição a banda referiu recentemente: there was a debate when we were writing the song as to whether that’s an optimistic or a pessimistic statement. But we decided we liked the ambiguity – that it didn’t have to be one or the other. Confere...


autor stipe07 às 13:10
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2018

The Smashing Pumpkins – Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.

Billy Corgan acaba de dar mais um passo fundamental para que os seus The Smashing Pumpkins, uma banda fundamental do rock alternativo das últimas três décadas, consigam regressar aos bons e velhos tempos, com a edição recente de Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., um compêndio de oito canções gravadas com a ajuda de Rick Rubin e que viu a luz do dia há alguns dias via Napalm Records.

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Já não é a primeira vez que Billy Corgan tenta fazer com que os The Smashing Pumpkins regressem às luzes da ribalta, depois da espetacular sucessão discográfica que o projeto criou no início da década de noventa do século passado. Oceania, disco lançado há mais ou menos seis anos pela EMI, e Monuments To An Elegy, dois anos depois, tinham sido as últimas tentativas concretas dessa ressurreição de uma saga que se tinha tornado algo penosa depois de Adore (1998), Machina (2000) e Teargarden by Kaleidyscope (2007), disco inspirado no universo das cartas do tarot e com quarenta e quatro canções e, principalmente, depois da saída da banda de Jimmy Chamberlin e James Iha, elementos fulcrais na extraordinária sonoridade que compôs Siamese Dream e Mellon Collie and the Infinite Sadness, dois discos que são para mim uma referência incontornável da música que ouvi apaixonadamente há pouco mais de vinte anos. Desta vez, parece-me haver uma maior possibilidade de sucesso porque, além de contar com o guitarrista Jeff Schroeder, colaborador de longa data de Corgan, finalmente conseguiu fazer regressar a casa Iha e Chamberlin e assim, voltar a colocar no cardápio do projeto canções com aquele timbre de guitarra metálico único sustentado por uma densidade encorpada que todos nós conhecemos e que, neste Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., as amostras Silvery Sometimes (Ghosts) e Solara exemplarmente replicam.

Os pouco mais de trinta minutos deste registo que, pelo título, terá certamente, em breve, um egundo capítulo, são, portanto, uma mistura entre os melhores detalhes do rock alternativo da década de noventa, com algumas das atuais tendências, com os violinos e o piano de Knights Of Malta acamados por um baixo vibrante, a serem, logo a abrir o alinhamento, um exemplo claro deste novo fôlego de quem pretende não renegar as suas origens e mostrar-se competente na abordagem a uma contemporaneidade que exige mestria para encaixar devidamente no seu ADN sonoro.

O disco contém letras interessantes e apelativas, com o apelo sentido de Travels a ser a mais curiosa de um disco onde a temática do amor mais inocente e puro opôe-se às ideias de raiva e angústia que dominaram a escrita de Corgan durante muito tempo e que sempre encaixaram como uma luva na sua voz, novamente espontânea e ingénua. O registo num quase falsete que Corgan canta neste tema e que eu apreciei particularmente, é complementado, de modo assertivo, com a simplicidade do riff que remata o refrão e em Alienation, o modo como, a espaços, em vez de cantar quase declama, e aquela raiva incontida que nos é tão cara e que ele volta a exalar no emo punk de Marchin’ On, são mais duas demonstrações superiores da maturidade e do grau de integridade que Corgan consegue mostrar relativamente ao seu registo vocal único e ainda inconfundível.

Impecavelmente produzido,  Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun. é um disco curto, mas ousado no modo como procura fazer com que os The Smashing Pumpkins se tornem novamente relevantes, sendo louvável o modo como Corgan procurou reunir novamente os seus parceiros mais queridos e com eles oferecer-nos novas amostras que complementam superiormente todas as vidas que já viveu na banda que lidera, com um resultado coeso e que se escuta com particular interesse. Espero que aprecies a sugestão...

The Smashing Pumpkins - Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 - LP No Past. No Future. No Sun.

01. Knights Of Malta
02. Silvery Sometimes (Ghosts)
03. Travels
04. Solara
05. Alienation
06. Marchin’ On
07. With Sympathy
08. Seek And You Shall Destroy


autor stipe07 às 17:56
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

LUMP - LUMP

Foi no início do último verão que viu a luz do dia, à boleia da Dead Oceans, LUMP, o disco homónimo de estreia do projeto com o mesmo nome que junta os britânicos Laura Marling e Mike Lindsay, membro dos Tunng, uma inusitada mas bem sucedida colaboração que começou a ganhar vida há cerca de dois anos quando os dois músicos se conheceram. LUMP materializa-a em sete canções que se fundamentam numa necessidade de ambos de refletirem sobre a sociedade de consumo, através de composições misturadas com uma ímpar contemporaneidade e com inegável bom gosto, cimentadas numa fusão feliz entre pop, eletrónica e folk.

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Lump is a product, assim termina este disco que tem como principal força motriz as reflexões de Laura sobre a desmesurada importância que as marcas, os produtos e a aparência têm na realização pessoal de muitas pessoas. Palavra escolhida pela filha de seis anos de Marling para batizar quer o disco, quer a figura criada para o mesmo que ilustra o artwork, quer o próprio projeto, LUMP tem essa carga conotativa, servindo como uma espécie de sinónimo ou de palavra chave para aquilo que é o pensamento crítico da dupla relativamente à obsessão pelo consumo, um vocábulo que aqui é personificadono tal peluche e musicado numa combinação de estilos entre a habitual interpretação vocal angelical de Marling e o modus operandi sonoro de Lindsay, um compositor que está sempre pronto para criar melodias doces e cativantes, mesmo que sejam adornadas, muitas vezes, com arranjos e samples à primeira vista tendencialmente agrestes e ruidosos. Acaba por ser uma parceria que, à primeira audição, pode parecer antagónica, mas que acaba por soar a um charme e a uma elegância inegáveis, principalmente no modo como, em vários temas, alguns detalhes percussivos algo abrasivos e um vasto oceando de sintetizações, a maioria de cariz falsamente minmalista, se entrelaçam com o registo vocal doce e aconchegante de Marling.

Desse modo, na intrigante combinação de cordas com teclas e na tremenda languidez vocal em Hand Hold Hero (Money didn’t buy you nothing at all, Accept a ball for your chain), no clima algo claustrofóbico, mas também empático de Shake Your Shelter (born a crab, naked and sad), uma canção que reflete de modo impressivo aquela sensação de isolamento e de vazio que muitos sentem num mundo tão amplo e tão vasto como é o nosso, exatamente por causa de algumas opções comportamentais (I know the feeling of losing the ceiling on a beach full of empty shells)  e na pop charmosa e espirituosa de Curse of the Contemporary, a composição melodicamente mais feliz e acessível do disco, LUMP vai-se convertendo nos nossos ouvidos num portento de sensibilidade e optimismo, um álbum a transbordar uma espécie de amor que é oferecido por quem cria a quem escuta e que parece ser só passível de ser sentido na nossa imaginação, mas que é real porque nos liberta definitivamente de algumas das amarras que ainda filtram o modo como a nossa consciência vê o mundo, dia após dia. De facto, o maior ensinamento que LUMP nos permite usufruir é que no seio de um processo de criação sonora algo complexo e que não renegou o uso de várias influências e onde o experimentalismo livre de constrangimentos se assumiu como uma filosofia condutora marcante,  é uma verdade insofismável que por mais que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, estejam amarrados à ditadura da tecnologia, estas canções podem ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer pessoal quer até coletiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:33
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

The Good, The Bad And The Queen – Merrie Land

Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God, The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegou aos escaparates há alguns dias. É um estrondoso trabalho discográfico, produzido por Tony Visconti e que poderá muito bem vir a figurar em várias listas dos melhores álbuns de dois mil e dezoito.

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O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn é, obviamente, a personagem central deste projeto que junta quatro músicos de insuspeita qualidade e com provas dadas no panorama indie britânico há várias décadas. Assim, falar da filosofia que Damon Albarn pretende como artista para este projeto The Good, The Bad And The Queen, que esperou quase uma dúzia de anos para ter um novo registo depois da espetacular estreia, e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou a solo, é algo impossível, já que em todos eles há um ponto em comum bem vincado, o modo como o homem Damon Albarn vê a contemporaneidade e em especial a Inglaterra e como, na pele do artista Damon Albarn, transporta as suas ideias e essa sua visão crítica bastante clínica, lúcida e clarividente para as canções que compôe e que, independentemente do género e estilo que abarcam (e os seus vários projetos permitem-lhe uma abrangência e um ecletismo ímpares), têm sempre um marco de excelência, de brilho e de bom gosto.

Assim, se o homónimo The Good, The Bad & The Queen narrava, de certo modo, uma jornada imaginária por algumas ruas mais obscuras de uma Londres cosmopolita mas ainda com fortes marcas ancestrais e com tradições que remontam à revolução industrial, Merrie Land deve imenso a algumas viagens que Albarn fez pelo norte de Inglaterra, nomeadamente pela zona costeira de Blackpool, de certo modo descritas quer no tema homónimo quer em Lady Boston, oferecendo-nos, assim, uma visão mais abrangente sobre o reino de sua majestade, com as suas onze canções a ganharem vida através de poemas comuns sobre o quotidiano ordinário de um típico bife, na busca de explicarem aquilo que é hoje o ser inglês, com a realidade civilizacional, social, económica e cultural do mesmo muito marcada pela crise financeira de início desta década em Inglaterra, as consequentes medidas de austeridade que potenciaram o brexit e, mais recentemente, a comemoração dos cem anos do fim da primeira grande guerra e as memórias familiares que este evento despoletou em muitas famílias inglesas que têm aproveitado o momento para homenagearem e recodarem alguns dos seus heróis esquecidos e as suas façanhas.

É pois, nas asas de uma espécie de folk rock baseado em cordas exuberantes e com um brilho muito inédito e sui generis, amiúde adornadas por detalhes percursivos curiosos, dos quais sobressaiem diversos tipos de metais, um baixo discreto mas essencial no sustento do edifício melódico da maioria dos temas e um piano algo descontraído mas que aparece sempre no momento certo para conferir uma elevada dose de charme, que brilham canções como a descontraída e animada Gun To The Head ou a intrincada homónima. Esta última, por exemplo, é uma lindíssima peça sonora que nos coloca no meio de um teclado cósmico, de leves batidas e de uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Mas também nos detalhes doces da contemplativa Ribbons, no clima mais soturno de Nineteen Seventeen ou na sedutora Drifters & Trawlers se consegue sentir aquela névoa húmida tipicamente britânica e visualizar multidões em chapéu de coco a beber um chá ou um gin e a ter conversas humoradas com o típico sotaque que todos conhecemos, enquanto ao fundo, chaminés de tijolo fumarentas e barcos a vapor fazem respirar a alma de um povo sedento de normalidade, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um, em detrimento daquilo que é descrito como o bem e a vontade comuns. Espero que aprecies a sugestão... 

The Good, The Bad And The Queen - Merrie Land

01. Introduction
02. Merrie Land
03. Gun To The Head
04. Nineteen Seventeen
05. The Great Fire
06. Lady Boston
07. Drifters And Trawlers
08. The Truce Of Twilight
09. Ribbons
10. The Last Man To Leave
11. The Poison Tree


autor stipe07 às 21:05
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Domingo, 18 de Novembro de 2018

The Vaccines – All My Friends Are Falling In Love

The Vaccines - All My Friends Are Falling In Love

Produzido por Ross Orton, Combat Sports foi o registo discográfico que os britânicos The Vaccines de Justin Young, Freddie Cowan, Pete Robertson, Árni Árnason, editaram na passada primavera, o quarto registo de originais da carreira deste projeto que se estreou em 2011 com o aclamado  What Did You Expect from The Vaccines? e que desde então tem pautado o seu percurso discográfico pela consolidação de uma estética sonora que, numa esfera indie rock, nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes dopunk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Agora, cerca de meio ano depois de colocarem nos escaparates esse alinhamento, os The Vaccines acabam de divulgar um novo single intitulado All My Friends Are Falling In Love, uma exuberante canção assente em cordas inspiradas e com uma luminosidade radiofónica ímpar, pouco mais de três minutos e meio de uma pop animada, dançavel e positiva, que antecipam uma nova digressão do grupo pelas ilhas britânicas. Confere...


autor stipe07 às 15:18
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Sábado, 17 de Novembro de 2018

Cat Power – Wanderer

Seis anos depois do excelente Sun, já viu a luz do dia Wanderer, o  décimo álbum de estúdio da norte-americana Cat Power, uma cantora e compositora também conhecida como Chan Marshall, nascida em Atlanta, na Georgia e que foi cedo viver para Nova Iorque onde conheceu  Steve Shelley (baterista dos Sonic Youth) e Tim Foljahn (guitarrista dos Two Dollar Guitar) que a encorajaram a gravar Dear Sir (1995) e Myra Lee (1996), os seus primeiros registos de originais e que, desde logo, chamaram a atenção de Matador Records, sendo este Wanderer o primeiro alinhamento que ela publica noutra etiqueta, neste caso a também insuspeita Matador Records.

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Uma das personalidades mais carismáticas e íntegras do indie rock atual, Cat Power oferece-nos em Wanderer mais um disco cheio de emoção e repleto de testemunhos de uma vivência pessoal que é, no fundo, comum a tantas mulheres da sua idade. E é curioso perceber que esta artista não é propriamente púdica no modo como se expôe aos seus admiradores e lhes conta eventos através das suas canções, quase como se estivesse a fazê-lo num balcão de um bar a uma das suas amigas numa noite de diversão. Aliás, escuta-se o dueto dela com Lana Del Rey em Woman e parece que estamos a testemunhar algo parecido com essa descrição. E depois, quando em Robin Hood ela disserta sobre as dificuldades da vida de quem tenta sobreviver com menos posses, ou quando em Me Voy ela fala diretamente connosco quase em jeito de despedida, percebemos esta proximidade que ela faz questão de ter com o ouvinte, esta busca clara de uma conexão que, como seria de esperar, faz que Wanderer tenha um clima geral bastante introspetivo, cheio de momentos de rara beleza e a exalarem a um forte travo a vulnerabilidade.

Produzido também com a ajuda da autora e com todos os instrumentos a serem tocados pela mesma, Wanderer deambula entre a folk, o blues e o melhor cancioneiro norte-americano, sabendo, por isso, sonoramente, a toda a carreira de Cat Power, já que foram estas as bitolas pelas quais ela se foi guiando nestas duas décadas, mesmo quando em Sun, o antecessor, ela explorou territórios mais eletrónicos e sintéticos, ou quando, neste mesmo Wanderer, nos oferece uma versão de Stay, um tema que Mikky Ekko produziu para o Unapologetic (2012), de Rihanna. Assim, cheio de pianos e guitarras inspiradas é, em suma, um registo de celebração de uma autenticidade rara nos dias de hoje, um disco que sabe a oferenda, mas também a versatilidade e empenho, por parte de uma das artistas mais marcantes, maduras e criativas do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Cat Power - Wanderer

01. Wanderer
02. In Your Face
03. You Get
04. Woman (Feat. Lana Del Rey)
05. Horizon
06. Stay
07. Black
08. Robbin Hood
09. Nothing Really Matters
10. Me Voy
11. Wanderer/Exit


autor stipe07 às 15:00
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018

Sea Pinks – Rockpool Blue

Belfast, na República da Irlanda, é o poiso dos Sea Pinks, de Neil Brogan e Davey Agnew, que estão de regresso aos discos com Rockpool Blues, oito canções fundidas por uma pop particularmente luminosa e incisiva, apimentada por um saboroso pendor lo fi e que viram a luz do dia há algumas semanas à boleia da CF Records. Gravado em Belfast, com o engenheiro de som Ben McAuley, em quatro dias, apos um período de composição que durou praticamente meio ano, entre outubro do ano passado abril deste ano, Rockpool Blues é já o sétimo álbum da carreira dos Sea Pinks, o primeiro sem a presença do baixista Steven Henry e sucede à dose dupla que foi Watercourse (2017) e Soft Days (2016), dois trabalhos que colocaram definitivamente este trio no trilho certo, firmemente posicionado naquela ténue fronteira que separa o chamado post punk daquela indie pop particularmente colorida e sorridente.

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Neste Rockpool Blue os Sea Pinks renovam com elevada dose de frescura e luminosidade o seu já rico cardápio, em vinte e oito minutos que se espraiem em composições assentes em guitarras estratosféricas e coloridas, que sustentam melodias intensas e cativantes, misturadas eficazmente com acessibilidade, diversidade e intrincado bom gosto. São canções que se debruçam sobre as pressões inerentes à vida adulta e ao choque que muitos de nós sentimos ao avançarmos na idade e, interiormente, muitas vezes, não acompanharmos, em termos de maturidade e aceitação de responsabilidades, a inevitabilidade cronológica a que ninguém consegue escapar.

Do impressionismo efusiante de Watermelon Sugar (Alcohol), à pop efervescente de Bioluminescence, passando pelo post punk que exala da guitarra do tema homónimo, pelo piscar de olhos ao melhor rock alternativo americano dos anos oitenta em Dumb Angel, ou pela exploração de territórios mais intrincados e acústicos no dedilhar sedutor das cordas em Versions Of You, este é um disco que se escuta devidamente se estiver bem presente a noção de que foi pensado à sombra de um universo muito específico que percorre vias menos óbvias, mas que mesmo dentro da temática algo angustiante sobre a qual se debruça, não deixou de buscar um intenso sentido melódico e uma cândura geral muito própria e aconchegante, capaz de soar sempre com enorme prazer nos nossos ouvidos, independentemente do nosso momento e do nosso estado de espírito.

Disco com felizes ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, Rockpool Blue entra pelos nossos ouvidos com propósitos firmes e sacode-nos com composições contemplativas que nos permitem refletir e, ao mesmo tempo, obter um completo alheamento de tudo aquilo que nos preocupa ou pode afetar. Espero que aprecies a sugestão...

Sea Pinks - Rockpool Blue

01. Watermelon Sugar (Alcohol)
02. Rockpool Blue
03. Bioluminescence
04. Dumb Angel
05. Grown Up Kids
06. A Man In My Condition
07. Versions of You
08. The Apple


autor stipe07 às 17:40
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

Graveyard Club – Witchcraft

Graveyard Club - Witchcraft

Oriundos de Minneapolis e já com a reputação de serem uma das melhores bandas ao vivo da atualidade nessa cidade, os Graveyard Club são Matthew Schufman (voz e sintetizadores), Michael Wojtalewicz (guitarra), Cory Jacobs (bateria) e Amanda Zimmerman (baixo, voz), um coletivo que se juntou para fazer música há cerca de meia década, inspirado por interesses comuns tão díspares como um fascínio comum pela pop oitocentista, pelo cardápio sonoro de Ryan Gosling, que também fez história na mítica banda Dead Man's Bones e pelas narrativas do aclamado autor de ficção científica Ray Bradbury. Estrearam-se no início de dois mil e catorze com o EP Sleepwalk, ao qual se seguiram o álbum de estreia Nightingale, em setembro desse ano e o sucessor Cellar Door, em agosto de dois mil e dezasseis e o ano passado deram mais um sinal de vida com o single Ouija.

Agora, pouco mais de um ano depois desse tema, os Graveyard Club estão de regresso com o anúncio de um álbum intitulado Goodnight Paradise, que verá a luz do dia muito em breve. Dele já se conhece o single Witchcraft, uma imponente canção que nos transporta para um universo algo sonhador e íntimo, mesmo sendo inexistente e que sonoramente abriga-se em cordas inspiradas, replicadas com um desempenho  orgânico ímpar mas também em sintetizadores de forte travo oitocentista, uma receita que resulta num tratado sonoro que tem tanto de nostálgico como de imponente e vanguardista. Confere...


autor stipe07 às 16:39
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2018

Anna Calvi - Hunter

Já viu a luz do dia, à boleia da Domino Records, Hunter, o terceiro registo de originais da britânica Anna Calvi, sucessor do já longínquo One Breath, editado em dois mil e treze e que sucedeu ao aclamado registo de estreia, lançado dois anos antes, no início desta década. Num momento crucial da carreira, já que a autora, cantora e compositora tem chamado a si os holofotes da crítica devido ao seu registo vocal único e a um modus operandi sempre de difícil catalogação no que concerne ao modo como manuseia a guitarra, simultaneamente rugosa e gentil, percebe-se que Calvi ponderou com todo o detalhe o conteúdo de Hunter, não só porque não queria defraudar as elevadas expetativas que sobre si têm recaído, mas também, e principalmente, porque queria doar novas nuances, inclusive temáticas (a identidade de género é um tema muito presente em Hunter) ao seu já rico e heterógeneo cardápio sonoro.

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Tendo PJ Harvey e Kate Bush como referências ímpares, Anna Calvi, mostra-se intrincada, subtil e sinuosa no modo como constroi melodias e a elas agrega arranjos e poemas, ao longo dos pouco mais de quarenta minutos que dura Hunter, um registo muito orgânico e profundo e com uma elevada dose de dramatismo, caraterísticas muito presentes logo no clima envolvente de As A Man e no modo incisivo e confessional como se refere à identidade de géneros no tema homónimo, em particular no refrão (Don’t Beat the Girl out of My Boy). Depois, na selvática e tremendamente sensual Indies or Paradise, por excelência o tema do registo que melhor mostra os enormes predicados vocais de Calvi, na majestosidade teatral de Swimming Pool, na agressividade sentida de Chain, no travo rock vintage da algo macabra Wish, na subtileza de Alpha e, na sequência, na melancolia de Away, somos tragados para o âmago de um registo que sabe a um catárquico exercício de individualidade. Tem esse cariz marcante porque vem do fundo da mente de uma mulher bem resolvida com a vida e com o modo como lida com a sua sexualidade e o prazer, mas Hunter pode ser interpretado de um modo ainda mais vasto e coletivo, já que também tem muito presente e subtilmente uma crítica e um desalinhameto relativamente às correntes mais conservadoras que têm plasmado à sua maneira a temática do feminismo, do sexismo e da igualdade de géneros, temas tão em voga na nossa contemporaneidade.

Hunter é, sem dúvida, o disco mais experimental, arriscado e dramático da carreira de Anna Calvi e, tendo em conta essas permissas e a sua elevada bitola qualitativa, é um notório marco de excelência sonora que nos é oferecido em bandeja de ouro por uma mulher adulta, mas também a tapar os buracos que o sucesso cada vez maior foi abrindo na sua alma numa década pessoal conturbada, fazendo-o com o máximo grau de autenticidade e com um vigor, confiança e clarividência, relativamente a si e ao mundo que a rodeia, que chega, às vezes, a ser inquietante. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:21
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

Cloud Nothings – Last Building Burning

Depois da parceria com os Wavves de Nathan Williams no disco a meias No Life For Me (2015), os Cloud Nothings de Dylan Baldi, ofereceram-nos o ano passado Life Without Sound, nove canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock. Foi um registo produzido por John Goodmanson, gravado em El Paso, no Texas e que já tem finalmente sucessor. O novo álbum dos Cloud Nothings, o quinto da carreira do grupo, contém oito canções, chama-se Last Building Burning e viu a luz do dia a dezanove de outubro à boleia da mesma etiqueta que lançou o antecessor, a já mencionada Carpark Records.

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Mais enérgicos e agressivos, no bom sentido, do que nunca, em Last Building Burning os Cloud Nothings aproximam-se sem rodeios e receios daquele rock que, algures entre o grunge e o emo, volta a colocar o grupo num rumo sonoro mais direto e espontâneo, em detrimento de um certo calculismo e polimento que marcou o antecessor Life Without Sound. De facto, logo na emergente On An Edge ou na frenética Leave Him Now, os Cloud Nothings mostram-se altivos, confiantes e entusiasticos no modo como se movimentam naquela que é, claramente, a sua zona de conforto, uma sonoridade que se orienta por guitarras plenas de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com o garage rock, numa espécie de embalagem caseira e íntima, que acaba por, no seu todo, exalar uma negra ferocidade e uma agressividade punk que se estende ao próprio registo vocal de Baldi, pleno de energia, como se percebe n clima progressivo de The Echo Of The World, um dos singles já retirados do registo.

Há em Last Building Burning uma espécie de caos controlado e que acaba por fazer sentido também para quem tem estado mais atento aos últimos concertos dos Cloud Nothings, porque a sonoridade do disco acaba por entroncar no clima que tem caraterizado os mesmos, muitas vezes algo errático e nada convencional. Com firmeza, bom gosto, pujança e altivez, o grupo de Dylan Baldi dá, em dois mil e dezoito, mais um passo nobre e bem sucedido no histórico de uma banda que, sem deixar de ser rugosa, intensa e visceral, procurou recentemente um brilho mais acessivel e imediato, mas que realmente só mostra plenamente todos os seus predicados quando aposta numa abordagem ao noise através de um enraivecido negrume punk, que aqui é elástico, orelhudo, anguloso e até radiofónico. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Nothings - The Echo Of The World

01. On An Edge
02. Leave Him Now
03. In Shame
04. Offer An End
05. The Echo Of The World
06. Dissolution
07. So Right So Clean
08. Another Way Of Life


autor stipe07 às 18:26
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Domingo, 11 de Novembro de 2018

Fleet Foxes – First Collection: 2006-2009

Para comemorar em grande estilo os dez anos do clássico Fleet Foxes, o disco de estreia dos Fleet Foxes, a banda e a etiqueta Sub Pop resolveram editar um registo em formato físico e digital, que inclui a reedição desse trabalho, além dos EPs Sun Giant EP e The Fleet Foxes EP, assim como alguns lados b de singles editados desses alinhamentos e outras raridades, num total de trinta composições que narram sonoramente os três primeiros anos de vida deste projeto norte americano atualmente formado por Robin Pecknold, Skyler Skjelset, Casey Wescott, Christian Wargo e Morgan Henderson e que lançou no verão do ano passado o excelente álbum Crack-Up.

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First Collection: 2006-2009 é, portanto, uma excelente oportunidade para, quer os fâs mais antigos quer os mais recentes, perceberem como começou a ganhar asas um grupo que sempre soube como construir uma soberba imagem de paz e tranquilidade dentro de nós. De facto, em canções como White Winter Hymnal ou Tiger Mountain Peasant Song ficou, logo nessa estreia homónima, exemplarmente plasmada a típica monumentalidade espiritual deste projeto, com tambores, sopros e cordas a revezarem-se entre si numa complexa teia relacional que muitas vezes nos fez e ainda faz suster a respiração, tal é a imensidão com que nos submerge.

Tendo bem presente que os Fleet Foxes são fiéis depositários da identidade mais genuína de uma América que sempre viu na folk um veículo privilegiado de transmissão de todo o seu referencial identitário, escutar as primeiras composições deste projeto é vaguear, obrigatoriamente, pelos meandros de uma realidade civilizacional natural e humana alicerçada numa enorme massa migrante que atravessou o atlântico nos séculos XVIII e XIX, mas também nas raízes deixadas por diferentes tribos que coabitaram com a natureza durante centenas de anos sem qualquer intromissão estrangeira. Assim, mesmo que alguns detalhes eletrónicos e uma vasta miríade instrumental suportadas pelas mais recentes inovações tecnológicas aplicadas à produção musical sejam manuseadas na concepção dos seus discos, estes Fleet Foxes fizeram sempre questão que as suas canções soassem o mais orgânicas e nativas possível, com a mira bastante apontada ao experimentalismo folk que, na verdade, já tinha começado a impressionar e a espevitar tantos nomes hoje consagrados na década de setenta do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Fleet Foxes - First Collection 2006-2009

01. Sun It Rises
02. White Winter Hymnal
03. Ragged Wood
04. Tiger Mountain Peasant Song
05. Quiet Houses
06. He Doesn’t Know Why
07. Heard Them Stirring
08. Your Protector
09. Meadowlarks
10. Blue Ridge Mountains
11. Oliver James
12. Sun Giant
13. Drops In The River
14. English House
15. Mykonos
16. Innocent Son
17. She Got Dressed
18. In The Hot Hot Rays
19. Anyone Who’s Anyone
20. Textbook Love
21. So Long To The Headstrong
22. Icicle Tusk
23. False Knight On The Road
24. Silver Dagger
25. White Lace Regretfully
26. Isles
27. Ragged Wood (Transition Basement Sketch)
28. He Doesn’t Know Why (Basement Demo)
29. English House (Basement Demo)
30. Hot Air (Basement Sketch)


autor stipe07 às 21:05
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2018

Luke Sital-Singh – The Last Day

Luke Sital-Singh - The Last Day

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Ficaram lançados os dados para a criação de novas canções, mostradas ao público já este ano com a edição de Just A Song Before I Go e Weight Of Love, dois eps fieis ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na sua génese, transborda, inclusive nas suas letras sempre profundas, intimistas e bastante reflexivas.

Agora, quase no ocaso de 2018, Luke Sital-Singh acaba de revelar um novo single intitulado The Last Day, uma canção sobre despedidas e pesares pela partida de algo ou alguém e sobre o dia seguinte, que nunca deixa de vir, uma composição que transporta no charme das cordas e na sua suavidade melancólica aquele intenso travo à herança mais pura da folk americana. Sobre ela, Luke referiu recentemente: I had no intention of writing another song about death”, (...) I guess that’s just the happy fun-time guy that I am. I like how a song about the end is coming out first. Putting everything in perspective again as a new phase begins. Confere...


autor stipe07 às 11:06
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Flak - Cidade Fantástica

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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Nas dez canções de Cidade Fantástica, Flak oferece-nos uma pop com uma singularidade bastante vincada, adornada por uma cosmicidade sonora que conjugada com um abstracismo lírico incomum, estabelece um paralelismo entre uma espécie de obsessão do autor por tudo aquilo que é elétrico, nomeadamente o modo como uma guitarra sempre perto de um salutar experimentalismo pode ser conjugada com sintetizações variadas e o quanto essa simbiose feliz tem de glorioso e de frenético.

O caldeirão instrumental, amiúde progressivo, mas também etéreo, e sempre de leque alargado que tinge Morcego é, desde logo, uma porta de entrada radiante para a filosofia interpretativa que satisfaz Flak. Depois, na luminosidade das cordas de Planeta Azul, no delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos que define Manto Branco e na soul contemplativa de Ao Sol da Manhã, tema que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável, fica carimbada, de modo ainda mais impressivo, a sensação de que, ao escutarmos Cidade Fantástica, estamos invariavelmente a embarcar numa viagem rumo a terreno incerto, cheios de esperanças de ascensão e minados por uma pueril obsessão pelo presente e pelo futuro, que nos é aqui apresentada através de um lado muito pessoal, circunstancial, mas também universal e mitológico, porque a urbanidade que inspira Flak é, no fundo, aquela que vivenciamos todos nesta contemporaneidade que nos consume a nós e ao planeta azul que nos serve de morada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:24
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018

Viagra Boys - Street Worms

Sebastian Murphy, Benjamin Vallé, Tor Sjödén, Henrik Höckert e Martin Ehrencrona são os Viagra Boys, um coletivo sueco oriundo de Estocolmo e que acaba de surpreender os mais incautos com Street Worms, nove canções assentes num indie rock encorpado, volumoso e efusivo, que mistura baixo e guitarras com batidas sintetizadas e aproxima o projeto não só de uma sonoridade eminentemente punk, mas também daquele garage rock cru, sujo e vibrante que fez escola há duas e três décadas atrás nos dois lados do Atlântico.

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Street Worms é um banquete de melodias repletas de momentos de glória e celebração, onde letras e voz, se cruzam com uma vasta miríade instrumental para dissertar com particular acidez e ironia sobre um conservadorismo que vai tomando cada vez mais conta da nossa urbanidade ocidental mais elitista, que não tem sabido muito bem como reagir ao saudável crescimento da importância das minorias e do medo que esse movimento, que tem também cada vez mais força na internet, acaba por provocar nas esferas dominantes pouco dispostas a repartir o pão que têm absorvido apenas e só para si, há já várias décadas. E os Viagra Boys parecem dispostos a levar o seu garage rock nessa direção eminentemente intervencionista, fazendo-o com assinalável mestria dançavel e psicadélica, quer no sintético groove negro de Down In The Basement, mas também no aditivo refrão da irónica masculinidade de Sports, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som do quinteto no pós punk de Just Like You e ainda no modo inédito como o saxofone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta Slow Learner, canção que espraia-se nos nossos ouvidos e nos faz vibrar de alto a baixo com particular languidez.

Street Worms é um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora que a que habitual se escuta por baixo da bola de espelhos, vinda de uma Suécia que é país modelo no acolhimento de refugiados, mas também um território fértil em convulsões e pátria de uma das extremas direitas mais ativas e violentas da Europa. A música dos Viagra Boys, uma banda que do nome à performance algo descontraída e espontânea parece não querer ser levada demasiado a sério, mas que tem o firme controle sobre aquilo que defende e pretende instigar no ouvinte, tem esse elan teatral trágico comediante, esse sabor a crítica e a chamada de alerta para um fenómeno de resistência e repulsa aos movimentos migratórios que tem vindo a ganhar repercurssões particularmente alarmantes nos países nórdicos e que pouco tem de parodiante ou que seja passível de ser objeto de ligeiro sarcasmo. The same worms that eat me/Will someday eat you, too, assim termina no sinistro negrume de Worms, um disco que quer, no fundo, mostrar-nos que, mais tarde ou mais cedo, acabamos por ser todos iguais. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:17
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2018

Naevus – Curses

Foi à boleia da GH-Records que viu a luz do dia Curses, o oitavo e mais recente registo de originais dos Naevus, um coletivo londrino formado atualmente por Lloyd James, Ben McLees, Hunter Barr e Sam Astley. Formados há já duas décadas por Lloyd e Joanne Owen, que já não faz parte do projeto, os Naevus eram frequentemente categorizados como mestres do neo-folk, tendo entretanto virado agulhas para territórios mais experimentais e lisérgicos, sendo sistematicamente comparados com nomes tão influentes como os Swans e Wire, expoentes máximos de um dos subgéneros mais subestimados do indie rock de cariz mais experimental.

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É na exuberância das cordas, majestosas no single Odour, e num forte travo melancólico que subsiste a sonoridade destes Naevus, mestres em replicar um som com um travo de religiosidade vincado, que consegue ser contundente e vibrante, mas também contido e convidativo, quer ao recolhimento, quer à introspeção. Os arranjos que flutuam em redor de melodias geralmente conduzidas pela guitarra e pela viola, têm, geralmente, aquele travo místico e tipicamente celta, como se percebe logo em The Wall In The Sun, umas das canções mais marcantes deste Curses, um registo que quebra um hiato de seis anos do grupo, sucedendo ao excelente The Division of Labour que, em dois mil e doze, juntou mais um enorme punhado de seguidores há já enorme legião de ouvintes que seguem este grupo com particular devoção.

De facto, Curses é o disco mais introspetivo e pessoal dos Naevus, que têm em Lloyd James a grande força motriz, que leva-nos numa alucinante viagem pela sua mente, um autor que consegue ser particularmente impressivo a debruçar-se sobre algumas das questões essenciais que toda e qualquer individualidade tem forçosamente de enfrentar num mundo cada vez mais competitivo e sempre em constante mutação. A acidez da guitarra de Abacus, o modo sinistro como disserta aobre algumas das suas agruras no claustrofóbico tema homónimo ou a a história de terror que narra em Dead Man Circling são outros notáveis exemplos do elevado cariz pessoal de um disco complexo, não só pela atmosfera muito própria que replica, mas também pelo modo como estes Naevus conseguem servir em bandeja de ouro um mundo sonoro onde pessoas estranhas e com vidas depressivas encontram alegria e utilidade na vida ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...

Naevus - Curses

01. The Wall In The Sun
02. Dead Man Circling
03. Abacus
04. Heart Fell Foul
05. Aria/Acqua
06. Curses
07. The Pit
08. Odour
09. Surface


autor stipe07 às 21:46
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2018

Grand Sun - The Plastic People of The Universe EP

Foi através da Aunt Sally Records que viu a luz do dia The Plastic People of The Universe, o novo EP dos Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital e que aposta num exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições. Deste EP constam cinco canções que são autênticos passeios por um mesmo jardim contemplativo, onde, na sua concepção e gravação, nos Blacksheep Studios por Guilherme Gonçalves e pelo Bruno Plattier, nada mais interessou para os Grand Sun senão observar e cantar o que os rodeava.

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Num alinhamento impecavelmente produzido, agradável e bastante comunicativo, este quarteto proporciona-nos uma rápida mas intensa orgia de lisergia à custa de guitarras inspiradas, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante. É uma filosofia interpretativa que criou de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo que, nos emerge num mundo fantástico e que potencia uma sensação estranha mas feliz de familiariedade com o seu conteúdo.

Da majestosidade luminosa de Go Home, à história de amor entre dois jovens perdidos num jardim em Flowers, passando pelo pueril exercício de auto descoberta descrito em Clown, este EP é impressivo, realista e capaz de nos colocar a interagir com o seu conteúdo, quase sem darmos por isso. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:43
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