Quarta-feira, 31 de Outubro de 2018

The Pains of Being Pure at Heart - Free Fallin' (Tom Petty Cover)

Mestres do indie pop e oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os The Pains Of Being Pure At Heart estão de regresso para participar na iniciativa Sounds Delicious do portal Turntable Kitchen, um site criado por um casal que nasceu num apartamento de São Francisco e agora sedeado em Seattle e que mistura comida e música. O objetivo desta iniciativa é que uma banda faça uma versão integral de um álbum completo de outro grupo que admire e os The Pains Of Being Pure At Heart escolheram Full Moon Fever, o disco de estreia do projeto a solo de Tom Petty, lançado em mil novecentos e oitenta e nove e que contém, entre outros notáveis temas, clássicos como I Won’t Back Down ou Free Fallin'.

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Ora, a nova roupagem que o projeto liderado por Kip Berman deu a Free Fallin', é exatamente a mais recente amostra divulgada do registo e, através de uma abordagem um pouco mais elétrica e lisérgica que sabe a uma doce exaltação daquela dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia, os The Pains Of Being Pure At Heart mantiveram intacta a aúrea nostálgica e romântica de um tema ímpar da contemporaneidade norte-americana do final do século passado. Confere...


autor stipe07 às 13:37
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2018

Old Jerusalem - Chapels

Foi a doze de outubro que chegou às lojas Chapels, o sétimo registo de originais de Old Jerusalem, o lindíssimo projeto assinado por Francisco Silva e que caminha a passos largos para as duas décadas de carreira. Old Jerusalem é, de facto, uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e com um brilho raro e inédito no panorama nacional, um projeto que nos tem habituado a canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

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Com dez temas imediatos e sem adornos, assentes em interpretações gravadas à primeira e que acabam por estar intimamente associadas ao processo da sua escrita, também algo intuitivo, e deixando a nu os alinhavos de arranjos e as primeiras sugestões de caminhos melódicos e harmónicos, Chapels tem em cada canção um veículo privilegiado para o ouvinte tomar contacto de modo realisticamente impressivo, com o ímpeto criativo do Francisco e a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. E fá-lo através de um dos melhores veículos que conheço para a transmissão de sentimentos, emoções e ideias... a música.

Chapels é, portanto, um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Old Jerusalem. Escuta-se a simplicidade melódica e o imediatismo de Black pool of water and sky, assim como a sua crueza e simplicidade acústica, evocando a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula no registo vocal de The Meek, aquela nostalgia que provoca encantamento e torpor e que exala de Oleander, a simultaneamente intrigante e sedutora Ancient Sand, Ancient Sea ou a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte de Lighthouse e acedemos, sem vontade de olhar para trás, a um universo único, enquanto experimentamos a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que este maravilhoso alinhamento transmite. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:08
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2018

John Grant – Love Is Magic

Quase três anos depois do excelente Grey Tickles, Black Pressure, o canadiano John Grant regressou aos discos com Love Is Magic, o quarto registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico e geralmente com uma forte componente autobiográfica. Este Love Is Magic não foge à regra, num alinhamento de dez canções que nos apresenta, uma vez mais, uma personagem muitas vezes ambígua, mas sempre determinada nas suas crenças e convicções acerca de um mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito.

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Cada vez mais requintado no modo como se serve de um vascato cardápio de sintetizações e efeitos no momento de compor, um John Grant mais otimista, convencido, confiante e festivo, criou uma nova coleção de inspiradas e lindíssimas composições, conduzidas por notáveis arranjos orquestrais, apresentados logo em Metamorphosis, uma composição tremendamente cinematográfica e plena de variações rítmicas e melódicas e que também impressiona pelo modo como a voz é sistematicamente modificada. Depois, o dramatismo incontornável do tema homónimo, o clima algo tumultuoso de Tempest, a toada retro de Preppy Boy, a pop luminosa de He's Got His Mother Hips  e o vigor algo punk de Diet Gum, são temas que nos inserem num clima de festa e celebração, num mundo muito rosa mas onde podem entrar todos aqueles que têm uma mente aberta e uma predisposição natural para não julgarem nem colocarem entraves ou preconceitos, mas antes deixarem-se levar por uma onda sonora inspirada rumo à diversão pura e genuína.

Love Is Magic oferece-nos, em suma, um John Grant cada vez mais lânguido e libidinoso e virado para a tecnologia, em dez composições que reforçam a sua mestria compositória, o seu ecletismo cada vez mais abrangente e, principalmente, o modo eficaz como usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências intensas que vão assolando a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Love Is Magic

01. Metamorphosis
02. Love Is Magic
03. Tempest
04. Preppy Boy
05. Smug Cunt
06. He’s Got His Mother’s Hips
07. Diet Gum
08. Is He Strange
09. The Common Snipe
10. Touch And Go


autor stipe07 às 20:52
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Domingo, 28 de Outubro de 2018

Thom Yorke - Suspiria

Líder dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências, Thom Yorke está de regresso à atividade musical com a sua participação na banda sonora de Suspiria. Originalmente lançado em 1977, Suspiria, um dos grandes clássicos do cinema de terror, dirigido por Dario Argento, acaba de ser revisto pelas lentes do cineasta italiano Luca Guadagnino e Thom Yorke criou vinte e cinco originais para a banda-sonora, com a colaboração de Sam Petts-Davies, Noah Yorke, Pasha Mansurov e de elementos da Orquestra Contemporânea de Londres, que já participaram em A Moon Shaped Pool.

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Entre outros atributos, exige-se a uma banda sonora de elevado calibre qualitativo que permita, através da audição prévia à visualização do filme, que o ouvinte consiga antecipar de modo minimamente plausível a trama do enredo que depois poderá vir a conferir no grande ecrã. E esse é um dos grandes atributos de Suspiria, ou seja, escuta-se as vinte e cinco composições desta banda sonora e, tendo em conta a emotividade, a intensidade e o grau de impressionismo de muitas das canções, parece quase intuitivo o adivinhar da história de uma jovem norte-americana que chega a uma escola de dança alemã para estudar ballet, mas, na verdade, entra num antro de bruxas. De facto, nunca a música de Thom Yorke soou tão horrífica e escutar Suspiria faz-nos estarmos perante uma experiência não só auditiva, mas também tremendamente visual.

No pulsar analógico das batidas de Volk, no travo trip-hop de Has Ended, nas teclas soturnas de The Hooks e de Olga's Destruction e na intensidade crescente de Suspirium, tema central do registo e uma composição de intensidade crescente, onde um piano se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, fica recriado não só o típico ambiente soturno com que este autor tem pautado o seu projeto a solo há já mais de uma década, mas também a densidade e a névoa sombria de um filme que tem no elenco nomes como Tilda Swinton, Dakota Johnson e Chloë Grace Moretz, bem como Jessica Harper, a protagonista principal do filme original. Espero que aprecies a sugestão...

Suspiria

01 A Storm That Took Everything
02 The Hooks
03 Suspirium
04 Belongings Thrown In A River
05 Has Ended
06 Klemperer Walks
07 Open Again
08 Sabbath Incantation
09 The Inevitable Pull
10 Olga’s Destruction
11 The Conjuring Of Anke
12 A Light Green
13 Unmade
14 The Jumps
15 Volk
16 The Universe Is Indifferent
17 The Balance Of Things
18 A Soft Hand Across Your Face
19 Suspirium Finale
20 A Choir Of One
21 Synthesizer Speaks
22 The Room Of Compartments
23 An Audition
24 Voiceless Terror
25 The Epilogue


autor stipe07 às 18:56
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Sábado, 27 de Outubro de 2018

Beach House - Alien

Beach House - Alien

Um dos grandes destaques de 7, o álbum que a dupla Beach House lançou na passada primavera, é Lose Your Smile, tema já editado em formato single de edição limitada e que tem como lado b Alien, canção que clarifica a vontade que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, teve, em 7, de fornecer maior luminosidade às canções. E Alien demonstra-o através de um rock expansivo e a piscar o olho aquele shoegaze que tradicionalmente assenta na orgânica típica das guitarras ritmadas e intensas, cruzadas com efeitos sintetizados com elevado teor sintético e que parecem querer personificar uma estranha escuridão interestelar. Confere...


autor stipe07 às 16:55
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2018

The Dodos – Certainty Waves

Os The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Individ (2015). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Certainty Waves, foi produzido pelo próprio Meric Long e viu a luz do dia através da Polyvinyl Records. Nos últimos três anos, os The Dodos apenas deram dois sinais de vida; a participação com o tema Mirror Fake na compilação Philia: Artists Rise Against Islamophobia e quando revelaram uma cover de Never Meant, um original dos American Football, inserida na compilação que marcou o vigésimo aniversário da Polyvinyl. Individ foi um dos discos mais escutados na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante estes últimos três anos e impressionou, seduziu e conquistou, nas suas repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições, razão pela qual este sucessor está a ser aguardado por cá com enorme expetativa.

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Registo fértil num casamento feliz entre as cordas, os teclados e a percussão, elementos que conjuram entre si na exploração de um som amplo, épico e alongado, através do abraço constante entre dois músicos que criam melhor que ninguém atmosferas sonoras verdadeiramente nostálgicas, sedutoras e hipnotizantes, Certainty Waves está coberto, do início ao fim, por um manto de epicidade bastante vincado. As canções sucedem-se em catadupa e, uma após outra, somos bombardeados por luxuriantes paisagens sonoras, impregnadas de notáveis arranjos, que afastam cada vez mais a dupla da toada folk que marcou os seus primeiros trabalhos, em deterimento de uma filosofia interpretativa que dá cada vez maior importância ao sintético e à tecnologia. Apenas Center Of, por sinal um dos melhores momentos do registo, entronca na herança mais genuína dos The Dodos, onde as cordas eram líderes incontestáveis no processo de criação musical, com as guitarras e a percurssão de 3WW a aproximarem-se também, mas de forma menos objetiva, desses aúreos tempos do grupo. Curiosamente, Forum, o primeiro tema divulgado de Certainty Waves, assentando num deambulante efeito strokiano de uma guitarra e no reverb da mesma, mas, principalmente, no cariz épico de uma melodia que não dispensa teclas efusivas, uma bateria incessante e trompetes nos arranjos, terá sido uma escolha acertada para revelar as novas diretrizes do projeto, demonstradas com notável lucidez também na pop oitocentista que exala de Sort Of.

Disco pleno de personalidade, com uma produção cuidada e muito aguardado por cá, como já referi, Certainty Waves tem alma e caráter, força e uma positividade contagiante. Os The Dodos dão neste alinhamento um passo evolutivo importante na carreira, a carecer de aprimoração em próximos lançamentos, sem deixarem de se manter fieis aos seus instintos mais primários, que exigem a constante quebra de estruturas e padrões e a fuga a categorizações que balizem em excesso o adn do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

The Dodos - Certainty Waves

01. Forum
02. IF
03. Coughing
04. Center Of
05. SW3
06. Excess
07. Ono Fashion
08. Sort Of
09. Dial Tone


autor stipe07 às 17:20
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2018

Papercuts - Parallel Universe Blues

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts estão de regresso às luzes da ribalta com Parallel Universe Blues, dez canções que viram a luz do dia a dezanove de outubro, à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

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Sexto disco do cardápio dos Papercuts e primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues contém um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Esta é, de facto, uma nuance fundamental deste novo registo do projeto que, tematicamente, reflete a mudança recente de Jason Quever de São Francisco para Los Angeles.

O manto de epicidade que cobre a monumentalidade de Laughing Man e, em Sing To Me Candy, o hipnótico riff de guitarra distorcido e o modo como se faz acompanhar por alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, são boas portas de entrada para a compreensão clara deste universo sonoro dos Papercuts, um território de experimentações sonoras que dá bastante ênfase às cordas, mas que não descura a importância que o sintético tem na construção de melodias tremendamente adocicadas e com um travo lisérgico algo incomum no panorama alternativo atual. Escuta-se também o single How To Quit Smoking, o ritmo frenético de Walk Backwards e, num registo mais contemplativo, a melancolia que exala do dedilhar das cordas de All Along St. Mary's e percebe-se esta clara duplicidade e o modo como a mesma está impregnada de diversos detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade refrescante e inédita a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Parallel Universe Blues

01. Mattress On The Floor
02. Laughing Man
03. How To Quit Smoking
04. Sing To Me Candy
05. Clean Living
06. Kathleen Says
07. Walk Backwards
08. All Along St. Mary’s
09. Waking Up


autor stipe07 às 21:13
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018

Scott Orr – Worried Mind

Pouco mais de dois anos depois do excelente registo Everything, o canadiano Scott Orr está de regresso aos lançamentos discográficos com Worried Mind, nove canções que viram a luz dia à boleia da Other Songs, uma etiqueta canadiana indie independente de Hamilton no Ontário, terra natal deste extraordinário músico e compositor.

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O modo virtuoso como Orr consegue expôr-se e colocar-nos na primeira fila do exemplar exercício de catarse que é Worried Mind, fica logo plasmado em Sunburned canção agridoce que abre com cândura, inspiração e apurada veia criativa um disco que explora a fundo as diversas possibilidades sonoras das cordas, acústicas e delicadamente eletrificadas, fazendo-o com uma tonalidade única e uma capacidade incomum, possível porque este músico é exímio no seu manuseamento e no modo como dele se serve para transmitir sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas.

Sempre com a folk na mira, como referi anteriormente, mas com um inconfundível travo pop a incubar da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente, Orr é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, com a àspera Fall Apart ou a delicada Halfway, mas também desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em A Memory e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional The Sound. Mesmo quando Scott Orr comete o pecado da gula e se liga um pouco mais à luminosidade em Seasons, fá-lo com um açúcar muito próprio e um pulsar percurssivo particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante de Worride Mind, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional No Phone.

Worried Mind é alma e emoção e como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos ecos vigorosos do falsete do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Scott Orr - Worried Mind

01. Sunburned
02. A Memory
03. Fall Apart
04. Halfway
05. The Sound
06. Seasons
07. Ok
08. No Phone
09. Sometime


autor stipe07 às 19:59
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2018

The Good, The Bad & The Queen - Merrie Land

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Doze anos depois do excelente disco de estreia homónimo, os The God The Bad And The Queen de Damon Albarn, Paul Simonon, Simon Tong, Fela Kuti e Tony Allen estão de regresso com Merrie Land, um registo que chegará aos escaparates a dezasseis de novembro próximo e das quais já se conhece o tema homónimo dos onze que farão parte do seu alinhamento.

Merrie Land é uma lindíssima peça sonora cheia de charme, uma canção que nos faz submergir no meio de um teclado cósmico, leves batidas e uma guitarra que nos faz emergir da solidão, com a voz calma e humana de Albarn a mostrar-nos, uma vez mais, que por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Confere..


autor stipe07 às 21:53
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

Palas - Dente de Leão EP

Já viu a luz do dia Dente de Leão, o registo em formato EP com seis maravilhosos temas que estreia nas lides discográficas o projeto a solo de Filipe Palas, conhecido pela sua performance em projetos como os Smix Smox Smux e os Máquina del Amor. Para esta sua nova aventura, Palas conta com a ajuda de Tiago Calçada na guitarra, João Costeira na bateria, Filipe Fernandes no baixo e Luis Marques no clarinete, um coletivo que promete muita energia e diversão nos concertos ao vivo.

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Mais uma lufada de ar fresco revigorante e motivador no panorama discográfico indie nacional, Palas oferece-nos logo na estreia um alinhamento que nos permite contactar com uma variedade imensa de sons, que tanto podem ser retirados da normal atividade do quotidiano, como serem fornecidos por instrumentos de cordas, metais, sopros e sintetizações, além de um notável trabalho percursivo. É um amplo panorama de descobertas sonoras, que pode agregar num mesmo tema uma guitarra agreste tremendamente aditiva com o som de um jorro de água, como sucede em Pau ou permitir-nos sentir Prazer ao som da soul dessa mesma guitarra, sempre em crescendo, exemplarmente acompanhada pela gentileza complacente da bateria, numa dança que fica a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. Esperança é outra enorme canção deste registo, uma composição que impressiona pela subtileza das cordas e pelo modo como as mesmas vão, progressivamente, e mais uma vez, fazendo o tema crescer e ganhar amplitude, garra e rugosidade, uma canção que destrincei por cá há alguns dias e que, como na altura referi e citei, nos fala de dois mundos diferentes: quando crescemos e tudo o que nos rodeia é seguro e belo, e quando nos deparamos com as dificuldades da vida, as diferenças de valores, educação e personalidades, o jogo da vida sem um árbitro.

Dente de Leão oferece-nos, em suma, um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que Palas polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, indie rock, punk, pop, folk, e eletrónica, num contínuo e inquieto frenesim onde é dada total liberdade aos diferentes intervenientes sonoros para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor. Dente de Leão é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão…

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Intro

Pau

Prazer

Esperança

Inglês

Saltar à Corda


autor stipe07 às 21:46
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Domingo, 21 de Outubro de 2018

Cults – Motels

Os nova iorquinos Cults de Brian Oblivion e Madeline Follin foram a última banda a participar na iniciativa Sounds Delicious do portal Turntable Kitchen, um site criado por um casal que nasceu num apartamento de São Francisco e agora sedeado em Seattle e que mistura comida e música series. O objetivo desta iniciativa é que uma banda faça uma versão integral de um álbum completo de outro grupo que admire e os Cults escolheram Motels, o registo de estreia de uma banda com o mesmo nome, editado em mil novecentos e setenta e nove.

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Em tempos um casal, mas já separados conjugalmente mas não musicalmente, os Cults reproduziram em Motels, com notável mestria, o ambiente fortemente melancólico e algo instável que carateriza o seu adn e transpuseram-no para um disco que tendo quase quatro décadas de história, poderia ter sido lançado recentemente, tal é a vastidão de projetos que continuam a inspirar-se naquela pop setentista bastante marcada pelas sintetizações etéreas e por efeitos ecoantes de elevado travo lisérgico. Assim, Motels é um registo melodicamente bastante marcado pelas guitarras, exímias em Atomic Cafe, mas Total Control é um notável exemplo do modo como foi feito este exercício não só de recriação mas também de reconstrução de um alinhamento que à época impressionou a crítica pela sua delicadeza e intensidade, marcas bastante vincadas e que os Cults souberam preservar. 

Tenso, planante e intrigante do início ao fim, com uma proposta estética assente num clima abstrato e meditativo e com um impacto verdadeiramente colossal e marcante, Motels impregna-nos com um ambiente contemplativo fortemente consistente, que encarna um notório marco de libertação e de experimentação que homenageia e aprimora o espírito do original, sugando-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes Cults nos podem proporcionar. Espero que aprecies a sugestão... 

Cults - Motels

01. Anticipating
02. Kix
03. Total Control
04. Love Don’t Help
05. Closets And Bullets
06. Atomic Cafe
07. Celia
08. Porn Reggae
09. Counting
10. Dressing Up


autor stipe07 às 21:26
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

The KVB – Only Now Forever

Foi no passado dia doze de outubro à boleia da Invada Records que chegou aos escaparates Only Now Forever, o sexto registo de originais da carreira dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Liderados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, o núcleo duro do projeto, os The KVB gravaram este Only Now Forever em Berlim, no apartamento que a banda tem nessa cidade alemã, depois de um ano de dois mil e dezasseis particularmente intenso e repleto de concertos.

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Only Now Forever é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e conduzidas por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta a voluptuosa epicidade de Above Us, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de On My Skin e a melodia enleante de Only Now Forever, o tema homónimo do disco, três dos vários momentos altos deste agregado, Only Now Forever está recheado de canções onde os sintetizadores se posicionam numa posição cimeira, mas onde a primazia melódica foi entregue às guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vibrante que nos recorda a importância que este instrumento ainda tem no punk rock mais sombrio que influencia tanto e tão bem esta banda. E há que realçar que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal.

Only Now Forever é mais uma cabal demonstração do modo exemplar como os The KVB são capazes de se insinuar nos nossos ouvidos com uma toada geral de elevado travo orgânico e fazem-no de modo inédito, porque são poucos os projetos contemporâneos que conseguem aliar desta forma a monumentalidade das cordas eletrificadas e da percurssão, com uma abundância de arranjos delicados, quer sintéticos, quer feitos com metais minimalistas. De facto, enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB já balizaram com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Only Now Forever

01. Above Us
02. On My Skin
03. Only Now Forever
04. Afterglow
05. Violet Noon
06. Into Life
07. Live In Fiction
08. Tides
09. No Shelter
10. Cerulean


autor stipe07 às 21:42
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

Time For T - Maria

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o mais registo de originais dos Time for T de Tiago Saga, que continua a retirar dividendos do seu conteúdo. A mais recente atualização é a divulgação do vídeo do single Maria, juntamente com o anúncio de novas datas de concertos de promoção do álbum, que poderão encontrar no final deste artigo.

Composição inspirada pela temática da infidelidade (Oh Maria, it's all in your head. Give me one more chance even though I'll need ten), Maria, uma canção conduzida por um boémio efeito de uma guitarra e por uma bateria abastecida por uma vasto arsenal de nuances rítmicas, já teve uma primeira versão no trajeto inicial da banda, aprimorada, entretanto, para constar do alinhamento de Hoping Something Anything. A canção tem já também um vídeo realizado por Rafael Farias entre Lagos e Lisboa e que representa a ideia de solidão e afastamento das pessoas que mais amamos por más decisões.

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Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como ao próprio jazz, indo também até ao blues experimental e até aquele rock mais impulsivo e cru. É um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, encabeçado, como referi acima, por Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues. Confere Maria e as datas dos próximos concertos dos Time For T...

19 Outubro / Friday Happiness / Tojeiro

20 Outubro / Atabai / Barao S. Joao

02 Novembro / Madalena / Faro

03 Novembro / Centro Cultural / Barao S. Joao

24 Novembro / Teatro Lethes / Faro

07 Dezembro / Teatro do Bairro / Lisboa


autor stipe07 às 15:51
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2018

Django Django – Winter’s Beach EP

Foi no início deste ano que os Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon desvendaram Marble Skies, o último registo de originais desta banda escocesa natural de Edimburgo. O trabalho continha dez canções feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual. Agora, nove meses depois, os Django Django regressaram aos lançamentos discográficos, mas no formato EP, com um registo intitulado Winter’s Beach, seis originais que viram a luz do dia a doze de outubro à boleia da Because Music.

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Repleto de sintetizadores com uma proeminente toada vintage e fortemente inspirado na eletrónica do século passado, Winter's Beach começou a ganhar forma durante as sessões de gravação de Marble Skies, revisitando, inclusive, algum material de arquivo dos Django Django, nomeadamente em Blue Hazy Highs, o esqueleto de Waveforms, um dos grandes sucessos de Django Django, o disco homónimo de estreia da banda, lançado em dois mil e doze, como certamente se recordam.

O EP abre com o excitante tema homónimo, que tem por base material que Dave compôs em tempos para o artista, escultor e cinematógrafo George Henry Longly. A partir daí, também merece destaque Sand Dunes, canção inspirada na temática dos refugiados e que começou por ser um instante acústico ao qual foram adicionados elementos percurssivos a cargo de Anna Prior dos Metronomy, assim como Flash Forward, onde se pode escutar além de um sample de um cão, uma melodia e diversos arranjos sintéticos que devem muito à herança da música de dança de final do século passado. Depois, merece também dedicada audição o single Swimming At Night, uma contagiante canção escrita por Mclean em casa dos pais, na Escócia, assente em batidas debitadas por um velhinho sintetizador Roland, uma composição feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, onde sobressai o piano, as palmas e um refrão que convida inconscientemente ao sorriso e à diversão.

Em suma, Winter's Beach cumpre cabalmente a função lúdica dos Django Django de reforçarem o seu acervo com uma visão mais alternativa e até intimista de uma cartilha sonora que é feita há mais de meia década com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art popart rock ou ainda beat pop, um cardápio de um projeto que merece claramente sentar-se à mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Espero que aprecies a sugestão...

Django Django - Winter's Beach

01. Winter’s Beach
02. Sand Dunes
03. Swimming At Night
04. Flash Forward
05. Ghost Rider
06. Blue Hazy Highs


autor stipe07 às 14:21
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

Kurt Vile – Bottle It In

Apesar da curiosa colaboração o ano passado com Courtney Barnett que resultou no excelente registo Lotta Sea Lice, a verdade é que depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de dois mil e onze e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile não deu mais sinais de vida depois de b’lieve i’m goin down…, álbum que viu a luz do dia a vinte e cinco de setembro de dois mil e quinze por intermédio da Matador Records e o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica. Finalmente, três anos depois desse excelente disco, Kurt Vile volta a lançar um novo alinhamento intitulado Bottle It In, o sétimo da carreira, treze temas gravados em várias cidades norte-americanas e finalizados com o produtor Shawn Everett nos estúdios Beer Hole em Los Angeles, contando com a participação especial de nomes tão notáveis como Kim Gordon, Cass McCombs, Stella Mozgawa e Mary Lattimore.

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Disco que abre com Loading Zones, uma composição repleta de ironia que se debruça sobre a experiência pessoal de Kurt Vile relativamente às estratégias que costuma usar para estacionar sem pagar em Filadélfia, a sua terra natal, Bottle It In é um registo que, no seu todo, sonoramente, obedece à tal herança do rock mais genuíno, com canções conduzidas por cordas elétricas e acústicas inspiradas, a criarem um disco com um resultado final bastante fluído e intenso. Quanto à vertente temática, conhecer a fundo Bottle It In é entrar em contacto com as profundezas da mente de Vile, já que este é um disco bastante reflexivo e onde o autor revela muito de si.

É inevitável escutar-se canções como Yeah Bones ou Cold Was The Wind e não se concluir que, mesmo que Vile não o deseje, Bottle It In está cheio de poemas com uma elevada componente biográfica, que nos permitem entender melhor o âmago do autor, com a curiosidade de o fazermos através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical. Se Kurt Vile despe-se logo em Loading Zones do modo humorístico que já descrevi e se em One Trick Ponies ele parece gozar com alguns dos seus demónios pessoais, em Bassackwards, por exemplo, o tom é bastante mais sério, à boleia de um tratado folk rock psicadélico divagante, que nos apresenta um Vile algo confuso, resignado e até distante, como se deambulasse em busca de algo inexistente (The sun went down, and I couldn’t find another one… for a while).

O grande trunfo de Bottle It In é mesmo esta dicotomia estilística sonora e o modo como ela entronca numa mesma filosofia, a da auto-descoberta. As canções sucedem-se sem pressa e muitas vezes sem se perceber se o autor está mais precoupado em comunicar com o ouvinte ou em efetuar um monólogo algo divagante e nem sempre lúcido e consistente. Independentemente de toda esta trama, parece-me conseunsual que esta sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos e elétricos será bem capaz de oferecer ao autor um lugar de destaque no que concerne aos álbuns mais influentes, inspirados e acolhedores deste ano.

De facto, Bottle It In parece ser, por cá, a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que se aproximam, mas também já serve para contemplarmos como serenidade o ocaso de um verão algo frenético e que para muitos não ficará gravado pelos melhores motivos. Mesmo sendo um registo que oferece ao ouvinte diferentes perspetivas sobre a realidade sociológica e psicológica que abriga o autor, é também um álbum sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas comuns a todos nós. Espero que aprecies a sugestão...

Kurt Vile - Bottle It In

01. Loading Zones
02. Hysteria
03. Yeah Bones
04. Bassackwards
05. One Trick Ponies
06. Rollin With The Flow
07. Check Baby
08. Bottle It In
09. Mutinies
10. Come Again
11. Cold Was The Wind
12. Skinny Mini
13. (Bottle Back)


autor stipe07 às 17:20
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Domingo, 14 de Outubro de 2018

Palas - Esperança

Já viu a luz do dia Dente de Leão, o registo com seis maravilhosos temas que estreia nas lides discográficas o projeto a solo de Filipe Palas, conhecido pela sua performance em projetos como os Smix Smox Smux e os Máquina del Amor. Para esta sua nova aventura, Palas conta com a ajuda de Tiago Calçada na guitarra, João Costeira na bateria, Filipe Fernandes no baixo e Luis Marques no clarinete, um coletivo que promete muita energia e diversão nos concertos ao vivo.

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Dente de Leão está ainda a ser destrincado pela nossa redação e será alvo de análise minuciosa muito em breve. Para já, e em jeito de aperitivo, sugiro a audição de Esperança, o segundo single retirado do registo, depois de Saltar à Corda. Esperança é uma canção que impressiona pela subtileza da guitarra e pelo modo como a mesma vai, progressivamente, fazendo o tema crescer e ganhar amplitude, garra e rugosidade, uma composição que nos fala de dois mundos diferentes: quando crescemos e tudo o que nos rodeia é seguro e belo, e quando nos deparamos com as dificuldades da vida, as diferenças de valores, educação e personalidades, o jogo da vida sem um árbitro.

Esperança também já tem direito a um vídeo primaveril que acaba numa casa abandonada bastante degradada, a antítese entre as duas particularidades da vida, realizado, editado, filmado e produzido por Bruno Martins,  e tendo como atores Beatriz Vareta e Fernanda Maria. Confere...


autor stipe07 às 22:06
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Sábado, 13 de Outubro de 2018

Flak - Manto Branco

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia no final deste mês e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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O primeiro single divulgado de Cidade Fantástica foi a canção Ao Sol da Manhã, tema com direito a um video centrado em ilustrações de Francisco Cortez Pinto, fotografadas e editadas pelo próprio Flak. Agora chegou a vez de ganhar vida Manto Branco, o segundo single do disco, uma música que em si é um delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos, em suma, uma soul contemplativa que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre esta composição Manto Branco, o autor refere no seu press release de lançamento:

Manto Branco. Não sei de onde me veio a frase. Manto Branco universo. Across the Universe. Olhar de Falcão. As palavras foram surgindo em simultâneo com a melodia. A segunda estrofe foi escrita mais tarde a partir do nome de uma antiga banda psicadélica brasileira, Perfume Azul do Sol. O vídeo do Vasco Mendes sugere-nos que algo vai acontecer. Por certo nada de bom. Talvez uma premonição. Um sinal dos tempos."

Cidade Fantástica será apresentado ao vivo no Teatro Ibérico, em Lisboa, a oito e nove de Novembro. Confere Manto Branco...


autor stipe07 às 21:37
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2018

Huggs - Did I Cut These Too Short? EP

Duarte Queiroz (voz, guitarra) e Jantónio Nunes da Silva (bateria) são o núcleo duro dos Huggs, dois amigos que se conheceram por acaso na faculdade e que começaram a compôr juntos, inspirados pela energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e pelas baladas românticas típicas dos anos cinquenta e sessenta. A eles junta-se, ao vivo, Guilherme Correia que, depois de assistir a um ensaio, não só se encarregou do baixo como ajudou a produzir e a completar as primeiras canções da banda.

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Os Huggs acabam de estrear-se nos lançamentos com Did I Cut These Too Short?, um EP gravado por Gonçalo Formiga (dos Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha e produzido pelo próprio em conjunto com a banda. Em seis canções que duram pouco mais de dezanove minutos os Huggs oferecem-nos um verdadeiro tratado de rock acessível e bastante melódico, uma filosofia sonora que acaba por entroncar em alguns dos principais detalhes daquele anguloso punk rock nova iorquino que bandas como os The Strokes ou os Yeah Yeah Yeahs ajudaram a cimentar no início deste século, mas onde também não falta uma curiosa pitada garage novecentista, em especial na guitarra, essencial para conceder às composições dos Huggs um charme vintage particularmente luminoso e apelativo.

Canções do calibre de Take My Hand, composição que mistura calorosamente uma áurea romântica com uma tonalidade punk bem vincada, a abrasiva Losing que se debruça sobre as dores de crescimento, a mais nostálgica Find Out e a impressiva Cocaine, composição sobre um psicopata apaixonado e inspirada no icónico músico punk norte-americano Jay Reatard, famoso como artista a solo e como membro de projetos como os Terror Visions, The Reatards e Lost Sounds, falecido aos vinte e nove anos, em dois mil e dez, carimbam de modo indelével a elevada bitola qualitativa de um registo abrigado pela etiqueta portuense Cão da Garagem e que faz dos Huggs uma das mais promissoras bandas portuguesas de garage rock da actualidade. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:01
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2018

Thom Yorke – Suspirium

Líder dos Radiohead, verdadeiros Fab Five do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto na linha da frente das suas maiores influências, Thom Yorke está de regresso à atividade musical com a sua participação na banda sonora de Suspiria. Originalmente lançado em 1977, Suspiria, um dos grandes clássicos do cinema de terror, dirigido por Dario Argento, acaba de ser revisto pelas lentes do cineasta italiano Luca Guadagnino e Thom Yorke criou vinte e cinco originais para a banda-sonora, com a colaboração de Sam Petts-Davies, Noah Yorke, Pasha Mansurov e de elementos da Orquestra Contemporânea de Londres, que já participaram em A Moon Shaped Pool.

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Suspirium é o primeiro tema divulgado dessa banda-sonora, uma composição de intensidade crescente, onde um piano se deixa rodear graciosamente pelo típico registo vocal em falsete de Yorke, fazendo-o de modo particularmente sensível e com um toque de lustro de forte pendor introspetivo, recriando, de certo modo, o típico ambiente soturno que este autor tão bem recria no seu projeto a solo há já mais de uma década. Confere Suspirium e o alinhamento de Suspiria, que estará nos escaparates a partir do próximo dia vinte e seis, via XL...

Suspiria

01 A Storm That Took Everything
02 The Hooks
03 Suspirium
04 Belongings Thrown In A River
05 Has Ended
06 Klemperer Walks
07 Open Again
08 Sabbath Incantation
09 The Inevitable Pull
10 Olga’s Destruction
11 The Conjuring Of Anke
12 A Light Green
13 Unmade
14 The Jumps
15 Volk
16 The Universe Is Indifferent
17 The Balance Of Things
18 A Soft Hand Across Your Face
19 Suspirium Finale
20 A Choir Of One
21 Synthesizer Speaks
22 The Room Of Compartments
23 An Audition
24 Voiceless Terror
25 The Epilogue


autor stipe07 às 21:00
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2018

Low – Double Negative

Três anos depois do extraordinário Ones And Sixes, os Low de Alan Sparhawk, Mimi Parker e Steve Garrington voltam a impressionar-nos com a sua pop emotiva e sedutora à boleia de Double Negative, o décimo segundo e mais recente disco deste grupo norte americano oriundo de Duluth, onze canções abrigadas pela Sub Pop Records e que constituem outro marco significativo na carreira de um projeto ímpar do indie rock e da dream pop atuais.

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Por norma, escutar um disco dos Low nem sempre é um exercício à primeira audição reconfortante e aprazível, já que estamos na presença de um grupo que prima pela construção de um som negro e potenciador no modo como suscita a vinda à tona de alguns dos receios, dores e angústias que todos nós guardamos, de forma mais ou menos disfarçada, no nosso âmago. No entanto, há algo de viciante nesta espécie de terapia, um magnetismo óbvio, porque acabamos por perceber que já que foram desencadeadas determinadas memórias menos aprazíveis ao som dos Low, podemos aproveitar o momento para exorcizar alguns desses demónios, porque a música deles também tem esse lado em que luz e positivismo encontram forma de se mostrar, mesmo que o façam de uma forma algo inesperada. E a receita para que tal suceda está mais ou menos bem definida; É uma fórmula sonora que esconde no seu seio uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de uma fidelidade quase canónica à lentidão melódica, ao charme da guitarra e à capacidade que o uso assertivo de agudos e falsetes na voz têm de colocar em causa todos esses cânones e normas que também definem, quer queiramos quer não, alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade.

Mantendo-se em Double Negative toda esta filosofia de edificação sonora, os Low acabaram, no entanto, por subverter um pouco a componente prática da mesma porque, preservando estes ideais, optaram, desta vez, por um modus operandi que privilegiou o caos, o rugoso, a distorção e o ruído em detrimento da limpidez sonora e da habitual minúcia melódica, presentes nos últimos registos dos Low, nomeadamente o já referido Ones And Sixes e o muito recomendável C'mon de dois mil e onze. Nas guitarras plenas de reverb e no efeito vocal ecoante de Quorum e de Dancing and Blood e nas asas do eco e do ruído hertziano que fazem levitar Poor Sucker, assim como na cadência subtil das camadas instrumentais que suportam a melódica Dancing and Firetestemunhamos toda esta reconfiguração estilística, um caos que é apenas aparente e que serve na perfeição para fazer passar sensações como isolamento e angústia, transversais, como já referi, à carreira discográfica deste projeto.

Double Negative contém, pois, e como seria de esperar, um alinhamento que personifica sonoramente um desfile intenso de emoções. É um disco que jorra sentimentos por todos os seus acordes, podendo-se mesmo falar em poros, porque, de acordo com a descrição do primeiro parágrafo, esta é uma música que, mesmo apresentado-se com uma tonalidade mais experimental e imprevisível, transmite, com o habitual impressionismo dos Low, determinadas sensações físicas tácteis, nem sempre passíveis de apurado controle pelo nosso lado mais racional. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Quorum
02. Dancing And Blood
03. Fly
04. Tempest
05. Always Up
06. Always Trying To Work It Out
07. The Son, The Sun
08. Dancing And Fire
09. Poor Sucker
10. Rome (Always In The Dark)
11. Disarray


autor stipe07 às 17:15
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