Domingo, 30 de Setembro de 2018

Cave Story - Punk Academics

Os Cave Story de Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga têm novas histórias para contar, através de um registo de originais que é também um panfleto de estudos, intitulado Punk Academics e que viu a luz do dia à boleia da Lovers & Lollypops. É um alinhamento que disserta sobre a Punk Rock Academy mencionada no disco de 1997 A Society of People Named Elihu, do projeto Atom & His Package e que nos mostra alguns dos melhores atributos sonoros dos Cave Story, descritos dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre.

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Sucessor do excelente West, o disco de estreia dos Cave Story editado há quase dois anos, Punk Academics solidifica e tipifica com ainda maior clareza a filosofia interpretativa deste projeto das Caldas da Rainha sempre aberto e pronto para novas sonoridades, mas que confessa sentir-se mais confortável a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora, o baixo, a guitarra e a bateria.

Punk Academics começa a escorrer pelos nossos ouvidos e logo no timbre metálico e na distorção rugosa de Available Markets somos apimentados por um manto de fundo, algo lo fi empoeirado, que vai cobrir o registo até ao seu ocaso. O grande alicerce deste edifício conceptual que ficou tão bem plasmado nesse tema inicial é uma guitarra vintage, sempre disponível para adaptar-se, tema após tema, aos diversos pressupostos que sustentam quer o indie rock lo fi, quer o de cariz mais psicotrópico. Se em composições como Modern Face ou Some More Bodies ela parece recuar quase meio século até à génese dos The Rolling Stones e à irremediável crueza dos The Kinks, depois, ao ser exemplarmente acompanhada por uma secção rítmica vigorosa e assertiva, impressiona pelo modo como se entrelaça com o baixo em Offered Forms Of Escape, canção com um travo indisfarçável e que encontra raízes no cenário punk setentista britânico, à semelhança do single Special Dinners e da frenética composição Real Racing. Já Nickel Sports e Motioned são instantes em que esse mesmo punk, olha com especial gula para o nova iorquino, que foi dominado já na alvorada deste século por nomes de relevo como os The Strokes. Para terminar em grande, o tema homónimo do disco remata com tremendo bom gosto e entusiasmo o mapa sonoro de Punk Academics através de uma faustosa ode aquele experimentalismo psicadélico setentista, algures entre os Sparks e os The Television, percebendo-se aí a elevada abrangência de uma banda cada vez mais vanguardista devido ao modo como consegue assimilar todas estas heranças e criar um mapa sonoro que nos conquista e seduz, e que acaba por ser tremendamente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

13 Outubro – Arco 8 – São Miguel, Ponta Delgada
20 de Outubro – Club Vila Real – Vila Real
10 de Novembro – Carmo 81 – Viseu
24 de Novembro – Salão Brazil – Coimbra 
8 de Dezembro – Stereogun – Leiria


autor stipe07 às 09:16
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2018

Caged Animals – Escape Artist

Foi a dez de agosto que viu a luz do dia Escape Artist, o mais recente registo de originais dos nova iorquinos Caged Animals, uma banda oriunda do bairro de Brooklyn e liderada por Vincent Cacchione. Recordo que os Caged Animals emergiram das cinzas dos Soft Black, banda que Vincent partilhava com Zachary Cole Smith, dos DIIV, juntamente com a sua irmã Talya e Magali Charron e Patrick Curry. Atualmente Cacchione conta com a companhia de Magali, que também é sua esposa, na liderança dos Caged Animals.

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Escape Artist é um registo com uma história bastante curiosa. Na última digressão da banda pelo país natal, há um par e anos, a carrinha foi roubada e e no seu interior estava a única cópia de um disco terminado. Poucos dias depois Vincent soube que a mulher estava grávida, mesmo a pouco tempo de fazer trinta anos, uma idade sempre marcante. Esta sequência de eventos deixou o músico bastante pensativo e algo desorientado, mas com a ajuda preciosa de Magali colocou novamente mãos à obra e, inspirado por toda esta sequência inusitada de eventos, que inclui já um segundo filho, começou a incubar um registo que junta um intricado conjunto de gostos eclécticos retro e futuristas e que vão do experimentalismo lo-fi às insinuações folk new-wave, passando pelo rock e a soporífera chillwave, uma eletrónica cintilante que é rematada com uma voz que única e que parece, a qualquer momento, poder vir a explodir a emocionalmente

Começamos a escutar os detalhes percurssivos sintéticos inebriantes de These Dark Times e percebemos logo que esta canção leva-nos para o interior de um trabalho cujo conteúdo sonoro e lírico pretende funcionar como uma espécie de estímulo para que acreditemos sempre nos nossos desejos e na existência de algo superior a nós mesmos, mesmo que as adversidades pareçam querer dominar o nosso presente e enevoar o futuro. Depois no groove rugoso pleno de soul de Get It Through My Heart, no clima algo místico do saxofone de Wild Dances, na jazzística The Man Who Walked Alone, no piano demolidor que conduz o single Ghost Riding ou na pureza da folk de Lost In The Sand, somos definitivamente seduzidos por um disco arrebatador na sua simplicidade intimista e espiritual, uma sequência sonora perfeita para funcionar como estímulo para que acreditemos sempre nos nossos desejos e na nossa capacidade de viver numa contínua ilusão, uma qualidade intrínseca a todo o ser humano.

 Escape Artist estende-nos a mão para nos levar numa viagem de texturas felpudas e sintetizadores futuristas que embalam palavras esperançosas embrulhadas com tiques sonoros peculiares que misturam de tudo um pouco com uma exuberância caleidoscópica. Curiosamente, tendo em conta a trama acima descrita, é um registo que parece servir para nos fazer refletir sobre as agruras da maioridade através de uma retórica sonora que não deixa de se imbuir de uma ingenuidade e uma melacolia que só pode ser degustada por quem quer conhecer um mundo onde só cabem os adultos que nunca puseram de parte o seu lado mais infantil. Espero que aprecies a sugestão...

Caged Animals - Escape Artist

01. These Dark Times
02. Get It Through My Heart
03. Wildflowers
04. Night Dances
05. Making Magic
06. The Man Who Walked Alone
07. Solid Steel
08. Escape Artist
09. Ghost Riding
10. Chris Metallic
11. The Oak And The Shrub
12. Lost In The Sand
13. Shadows


autor stipe07 às 21:09
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

Simon Love - Sincerely, S. Love x

Três anos depois de se estreado nos discos com o muito apetecível registo pop It Seemed Like A Good Idea At The Time, o britânico Simon Love regressou no início deste mês de setembro aos lançamentos discográficos com Sincerely, S. Love X, dez canções abrigadas à sombra da Tapete Records e que além da superior bitola qualitativa da sua escrita, dão-nos a certeza de formarem uma sequência eloquente e grandiosa, proporcionada por um artista com uma linguagem sonora que até já foi influenciada por sonoridades mais cruas, mas que hoje subsiste, de modo bastante particular, à sombra de uma pop encharcada com melancolia e romance.

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Quase sempre conduzidos por um efusivo piano, adornado por cordas e sopros, nomeadamente trompetes e com muitos outros dos melhores ingredientes da mais genuina herança da brit popSincerely, S. Love x apresenta dez excelentes temas gravado nos últimos dois anos em Londres. É um disco que reflete, parece-me, um estado de espírito de quem vive numa espécie de crise de meia idade. Digo-o porque  na ironia de canções do calibre de The Ballad of Simon Love (I’ll never own a house) ou God Bless The Dick Who Let You Go, tema sobre as típicas agruras de uma vida a dois que não é, como todos sabemos, feita só de bons momentos, Simon expressa um modo de pensar habitual numa mente que tem de lidar diariamente com medos e dilemas, mas que, nem por isso, deixa de ser uma pessoa optimista e crente em relação ao seu universo pessoal. Aliás, de acordo com o press release do lançamento, o próprio Simon confessa toda esta trama sem qualquer tipo de complexo: Please, buy the álbum, my son eats like a horse and he need new shoes. Sincerely, Simon Love. Façam-no, porque certamente não se arrependerão, já que neste alinhamento todos os sons que se escutam, orgânicos ou sintéticos, posicionam-se, claramente, com um propósito bem definido e não é preciso ser um expert para se perceber essa filosofica interpretativa, bastando o charme das canções para nos elucidar, intuitivamente, acerca dessa permissa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:49
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

TOY – The Willo vs Energy

Desde dois mil e dez os TOY têm vindo a ganhar uma reputação de banda íntegra, virtuosa e tremendamente criativa, com Tom Dougall, Maxim Barron, Dominic O'Dair, Charlie Salvidge e Max Oscarnold (desde dois mil e quinze) a oferecerem a uma base já sólida de seguidores um leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, sempre aliadas a um aturado trabalho de exploração experimental de técnicas de gravação feitas em estúdio.

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O próximo grande passo da carreira dos TOY será a edição de um novo álbum, já no início do próximo ano, um registo que irá marcar uma nova visão sonora ainda mais distintiva e original, agora à boleia da etiqueta Tough Love, a nova editora do projeto. Para quem conhece a discografia dos grupos, percebe esta progressão depois de ouvir The Willo e Energy, as duas novas canções acabadas de editar pelos TOY, em formato digital e em formato físico, este através de um vinil de doze polegadas, numa edição limitada a quinhentas cópias, duzentas delas em vinil transparente.

The Willo e Energy impressionam ainda mais porque são dois temas díspares e, por isso, uma prova cabal do elevado grau de ecletismo e de abrangência desta banda londrina. Na primeira conferimos sete minutos que nos levam numa inebriante viagem psicadélica ambiental, assente na astúcia acústica de Maxim e no orgão inspirado e elegante de Max. Já Energy é um contagiante frenesim elétrico, conduzido por um feroz riff de guitarra proporcionado por Dominic e um superior desempenho na bateria, a cargo de Charlie, num tema em que Max Dougall escreve sobre alguns rituais noturnos. Confere...

TOY - The Willo-Energy

01. The Willo
02. Energy


autor stipe07 às 18:01
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

Sleep Party People – Lingering Pt. II

Pouco mais de um ano após Lingering, o registo de originais que o projeto Sleep Party People do dinamarquês Brian Batz nos ofereceu no verão passado à boleia da Joyful Noise Recordings e que contava com as participações especiais de Peter Silberman dos The Antlers e Beth Hirsch na suavidade tocante de We Are There Together, cantora que emprestou a sua voz a alguns dos temas mais emblemáticos de Moon Safari, a obra-prima dos franceses Air, já está nos ecaparates Lingering Pt. II, disco que, de acordo com Batz, encerra um círculo artístico temático especifico em que o autor quis abordar, em dois momentos, a temática do intimismo.

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Alinhamento de continuidade relativamente ao antecessor, Lingering Pt. II oferece-nos nove canções que se mantêm na senda de uma dream pop de forte cariz eletrónico, amiúde rugosa e imponente, instrumentalmente arriscada e onde não falta imensa diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. É uma filosofia de composição incubada por um músico que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia. Esta odisseia de dois capítulos intitulada Lingering acaba por ser o momento mais alto e afirmativo desta caminhada filosófica e estilística e nesta segunda parte, canções do calibre da sumptuosa e vibrante de The Fallen Barriers, da delicada Outcast Gatherings ou da interestelar Moving Cluster, são momentos maiores de um registo eminentemente experimental, que sobrevivendo também à custa de alguns dos detalhes fundamentais do indie rock atual, tem na eletrónica contemporânea e no cruzamento que esta efetua com campos tão díspares como o r&b ou paisagens mais eruditas e clássicas, a sua grande força motriz.

Lingering Pt. II mostra um Batz cada vez mais maduro e assertivo e apostado em servir de exemplo, acerca do modo como se pode ir saindo, pouco a pouco, daquele casulo instrospetivo e daquela timidez que enclausura muitos de nós, fazendo-o à custa de um ambiente sonoro que, numa espécie de dicotomia entre um lado mais orgânico e outro mais sintético, expressa com luminosidade, frescura e cor a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este projeto dinamarquês entra hoje em estúdio para compôr e criar um arquétipo sonoro que não tem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Lingering Pt. II

01. 4th Drawer Down
02. The Mind Still Travels
03. The Fallen Barriers Parade
04. Moving Cluster
05. Renhoh 93
06. Outcast Gatherings
07. Push The Walls Aside
08. Towering Trees
09. Echoing Childhood


autor stipe07 às 18:07
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Sábado, 22 de Setembro de 2018

White Lies – Time To Give

White Lies - Time To Give

Pouco mais de dois anos após Friends, os ingleses White Lies de Charles Cave, Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown, que entretanto passaram a fazer parte da [PIAS] Recordings, preparam-se para colocar nos escaparates, lá para fevereiro do próximo ano, mais um registo de originais. É um álbum que servirá também para marcar os dez anos de carreira do grupo. Será um alinhamento de nove canções intitulado Five, que irá continuar a firmar o grupo num lugar de destaque no universo sonoro ocupado pelo revivalismo do post punk e do indie rock, se tivermos em conta o rock épico e esplendoroso de Time to Giveo primeiro single divulgado do disco.

Five foi gravado em Inglaterra e nos Estados Unidos da América, mais concretamente em Los Angeles, onde os White Lies estiveram em estúdio com Ed Buller, produtor de To Lose My Life e Big TV, os dois antecessores deste Five. Também participaram nas sessões de gravação o engenheiro de som James Brown (que já trabalhou com Arctic Monkeys e Foo Fighters) e o renomado produtor Flood, que também tocou sintetizadores e teclados em algumas canções. Quanto à mistura de Five, ficou a cargo do carismático e reputado Alan Moulder, que já tinha trabalhado com os White Lies nos dois primeiros capítulos da discografia do grupo. Confere...


autor stipe07 às 16:41
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

Juliana Hatfield - Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John

Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John é o mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora americana Juliana Hatfield. Esta artista nasceu em julho de mil novecentos e sessenta e sete, em Wiscasset, no Maine, extremo nordeste dos Estados Unidos. Entretanto, mudou-se para uma cidade costeira de Massachusetts e aí começou a sentir uma forte atração pela música, nomeadamente pela cantora Olivia Newton-John. Acabou por se apaixonar pelo filme Grease, que viu várias vezes no cinema, descobriu os The Replacements já no liceu e, movida por estas duas fortes inspirações, foi estudar música para o Berklee College of Music em Boston, com o intuíto de montar uma banda, o que aconteceu quando se juntou a John Strohm e Freda Love e juntos fundaram os Blake Babies, em plenos anos oitenta. Agora, pouco mais de trinta anos depois desse curioso início de carreira, Juliana Hatfield homenageia a sua maior heroína musical com Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John, um disco com a chancela da American Laundromat Records e onde a artista nos oferece novas versões de alguns dos melhores clássicos da carreira de Olivia Newton-John, com a ajuda de Pete Caldes na bateria e Ed Valauska no baixo.

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Já com treze discos no seu cardápio, quer a solo quer gravados com outras bandas, Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John era o disco que faltava na carreira de Juliana Hatfield, para que ela se sentisse verdadeiramente realizada com a sua caminhada. Neste registo que também é de beneficiência (parte do valor do mesmo reverte para a fundação Olivia Newton-John Cancer Wellness & Research Centre) e que conta com a aprovação do companheiro de Olivia Newton-John, ainda vivo, encontramos verdadeiras obras-primas, assentes num folk rock que faz justiça e enobrece os originais, alguns deles com décadas de vida e que materializaram, na altura, um exemplar percurso discográfico de uma cantora que quebrou algumas barreiras nos anos setenta e oitenta do século passado.

Juliana soube encontrar um notável balanço entre aquilo que são os arranjos originais das canções de Olivia e o seu cunho pessoal artístico, não deixando de haver instantes em que é ténue a fronteira que separa o original da versão. A autora foi feliz a reinterpretar as canções, parecendo muitas vezes que a sua postura foi como estar num bar a cantar as canções que gosta para uma reduzida plateia. Exemplo flagrante disso é Xanadu, composição onde apenas se nota a ausência das segundas vozes relativamente ao original, mas outros momentos altos deste tributo são Physical e Dancin’ Round and Round, um dos momentos altos de Totally Hot, disco que Olivia lançou em mil nocvecentos e setenta e oito e um dos mais importantes da sua carreira. O tema homónimo deste registo também foi revisto por Juliana.

Tributo sincero e bem conseguido de uma artista relativamente a outra, Juliana Hatfield Sings Olivia Newton-John arrebata o ouvinte pela simplicidade melódica e pelo imediatismo e fidelidade de canções, que assumem, notoriamente, a visão sentida de uma fã em relação ao faustoso legado de uma compositra marcante na história da pop, da folk e da country norte-americana do século passado. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 14:15
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

Papercuts – Sing To Me Candy

Papercuts - Sing To Me Candy

Quatro anos depois do excelente Life Among The Savages, os Papercuts estão de regresso às luzes da ribalta com uma digressão juntamente com os Beach House, que servirá para promover Parallel Universe Blues, dez canções que irão ver a luz do dia a dezanove de outubro, à boleia da Slumberland Records, a nova etiqueta deste projeto encabeçado por Jason Robert Quever e David Enos e oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América.

Sexto disco do cardápio dos Papercuts e primeiro na Slumberland, Parallel Universe Blues terá certamente um alinhamento com canções assentes no cruzamento feliz entre melodia e voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts, uma nuance que deverá continuar a estar muito presente, se tivermos em conta Sing To Me Candy, o mais recente single apresentado do álbum. A canção impressiona pelo hipnótico riff de guitarra distorcido e pelo modo como se faz acompanhar por alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um tema cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea. Confere...


autor stipe07 às 13:20
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

Ezra Furman - Transangelic Exodus

Foi à boleia da Bella Union que viu a luz do dia Transangelic Exodus, o quarto registo de originais de Ezra Furman, um cantor e compositor norte-americano natural de Chicago e que aos trinta e dois anos assina o seu disco mais maduro e consistente. De facto, Transangelic Exodus é um trabalho tremendamente expositivo e que resulta de uma entrega total de um músico a uma causa que é, sem tirar nem pôr, o querer mostrar ao mundo a sua identidade vincada, assumir-se perante nós como um ser humano que tem as suas fragilidades e os seus demónios, mas que também tem um lado muito corajoso e interventivo. Para levar a bom porto este seu objetivo, Furman personifica-se num anjo que ganhou asas e que está a aprender a viver com estes novos apêndices enquanto cura algumas das suas feridas mais profundas.

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Transangelic Exodus expôe as virtudes de Furman como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, verdadeiros tratados de indie pop, mas que também piscam o olho aquele rock psicadélico com uma aúrea oitocentista muito vincada. Ao fazê-lo, Furman sai definitivamente do armário, deixa de se esconder e através de uma pafernália diversificada de sons explosivos, mudanças rítmicas e estilisticas e de acertos melódicos, proporciona-nos mais um emotivo e exigente encontro com o seu âmago e com toda a intrincada teia relacional que estabelece com um mundo nem sempre disposto a aceitar abertamente a diferença e a busca de caminhos menos habituais para o encontro da felicidade plena. Em Psalm 151, um dos melhores momentos do registo, Furman escreve mesmo no feminino e assume de frente a sua indisponibilidade para manter-se por perto de quem não o entende ou não o aceita tal como é (But I’ve seen the broken halo, That she never wears, Hanging by the stairs, Angel, I’ll be your guardian if you’ll be mine(...) We’ll stay in Kansas city till the wound heals, The government went bad, we got a raw deal, A transangelic exodus on four wheels.

Sonoramente, Transangelic Exodus é um disco bastante dominado por uma voz que se faz acompanhar, geralmente, por sintetizadores, que amiúde dão as mãos a diferentes elementos percussivos, mas principalmente às cordas, o elemento sonoro predilecto deste compositor. Além da guitarra e da viola e do baixo, sublime em Compulsive Liar, tema em que Furman confessa ter, em tempos, mentido sobre o modo como lidava com a questão da identidade de géneros (And I can trace the habit, To when I was eleven, And I thought boys were pretty, And I couldn’t tell no one), violoncelos e violinos surgem nos nossos ouvidos, errantes, nomeadamente na subversão religiosa de God Lifts Up The Lowly, um tema que homenageia o divino e, de modo mais fulgurante, no profundo e intenso muro de lamentações a que sabe o rock clássico e algo paranóico de No Place e na alegria contagiante de Love You So Bad.

Registo cheio de composições profundamente autobiográficas, que ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam connosco com elevada empatia, Transangelic Exodus espanta pelo seu realismo e provoca no ouvinte aquela lágrima fácil, tal é a profundidade com que o autor desta magnífica obra discográfica relata histórias e eventos que suscitam tudo menos a indiferença. É, claramente, um retrato sincero de sentimentos e, mais do que isso, um alinhamento de canções que podem bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procura forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída, ou necessita urgentemente de assumir uma outra identidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:09
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2018

Django Django – Swimming At Night

Django Django - Swimming At Night

Foi no início deste ano que os Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon desvendaram Marble Skies, o último registo de originais desta banda escocesa natural de Edimburgo. O registo continha dez canções feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

Agora, nove meses depois, os Django Django estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos, mas no formato EP, com um registo intitulado Winter’s Beach, que terá seis originais e que irá ver a luz do dia a doze de outubro à boleia da Because Music. Swimming At Night é o primeiro tema divulgado do EP, uma contagiante canção feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, onde sobressai o piano, as palmas e um refrão que convida inconscientemente ao sorriso e à diversão. Dirigido por Gemma Yin Taylor, o vídeo de Swimming At Night é também uma curiosa e colorida sucessão de imagens que vale bem a pena observar e que cola na perfeição com a sonoridade do tema. Confere...


autor stipe07 às 14:11
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Domingo, 16 de Setembro de 2018

Dear Telephone - Automatic

Inspirados pela curta metragem de Peter Greenway intitulada Dear Phone, realizada em 1976, os Dear Telephone vêem de Barcelos e formaram-se há pouco mais de meia década, tendo na sua formação gente que nos tem sempre mostrado, em todos os projectos em que se envolvem, uma inegável qualidade enquanto músicos e que provam que na música se pode fazer sempre algo de inovador e diferente daquilo que o mainstream habitualmente nos oferece. Falo de Graciela Coelho, André Simão, Pedro Oliveira e Ricardo Cibrão, os membros deste grupo obrigatório no panorama sonoro contemporâneo indie nacional.

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Em março de 2011 os Dear Telephone estrearam-se com o EP Birth Of A Robot, um conjunto de canções com uma abordagem sonora algo crua, intimista e minimalista e que foi muito bem recebido pela crítica e apresentado ao vivo em algumas das mais importantes salas de espetáculos do país. Mas também chegaram ecos desse EP ao estrangeiro, com os Dear Telephone a fornecerem um tema para a banda sonora do filme brasileiro Contramão de Fabio Menezes e a representarem Portugal em agosto desse ano no evento Music Alliance Pact. Dois anos depois, em 2013, estrearam-se no formato longa-duração com Taxi Ballad, um disco onde mergulharam sem concessões no assumido fascínio pelo quotidiano e suas contradições, no discurso directo e desconcertante das personagens que as vozes encarnam e numa instrumentação dura e sem artifícios. Entretanto, quase no ocaso de 2017, o grupo minhoto editou Cut, o sempre difícil segundo disco, um compêndio com nove canções alicerçadas em diferentes linguagens e esferas de influência sonora, um disco que experimentou a pop e piscou o olho ao rock, sempre com mestria e com os ingredientes certos, tendo sido agora retirado dele um novo síngle intitulado Automatic, canção que assenta no compasso firme da bateria e que impressiona pelo modo como essa habilidade percurssiva é acompanhada pela guitarra e por um efeito sintetizado inebriante.

Também já com direito a video de promoção, realizado por Miguel C. Tavares e Luis Moreira e protagonizado por Bruna Passos Costa, num álbum em que os Dear Telephone aprofundam a influência do cinema na sua música e líricaAutomatic é sobre lugares e arquitecturas, e nela a personagem do vídeo, busca solitariamente e em passo arriscado e decidido, o caminho de ser o que lhe apetecer. Confere...


autor stipe07 às 20:13
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Sábado, 15 de Setembro de 2018

Smashing Pumpkins – Silvery Sometimes (Ghosts)

Smashing Pumpkins - Silvery Sometimes (Ghosts)

Billy Corgan continua a tentar que os seus The Smashing Pumpkins, uma banda fundamental do rock alternativo das últimas três décadas, consigam regressar aos bons e velhos tempos. Desta vez, parece-me haver uma maior possibilidade de sucesso porque, além de contar com o guitarrista Jeff Schroeder, colaborador de longa data de Corgan, finalmente conseguiu fazer regressar a casa James Iha e Jimmy Chamberlin, elementos fundamentais no conteúdo dos discos mais emblemáticos da banda, lançados na primeira metade da década de noventa.

Após meses de ensaio, o trio tem vindo a apresentar as suas primeiras amostras em dezoito anos, sendo a mais recente um tema intitulado Silvery Sometimes (Ghosts), canção que deverá fazer parte de Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun., um álbum gravado com a ajuda de Rick Rubin e que verá a luz do dia a dezasseis de novembro via Napalm. A canção encaixa de modo assertivo na melhor herança dos The Smashing Pumpkins e mostra que a química afinal pode ainda existir. Confere...


autor stipe07 às 10:59
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018

Idles - Joy As An Act Of Resistance

Já viu a luz do dia, através da Partisan Records, Joy As An Act Of Resistance, o tão aguardado sucessor de Brutalism, o extraordinário registo de estreia, editado em março do ano passado, dos Idles, considerados por muita crítica como a melhor banda punk inglesa da atualidade. Incubados em Bristol no início desta década e atualmente formados por Joe Talbot, Adam Devonshire, Mark Bowen, Lee Kiernan e Jon Beavis, os Idles são já um caso sério de popularidade e não só nas Ilhas Britânicas, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e de uma postura anti-sistema, muito plasmada nas canções deste novo álbum que abraçam temas como a imigração, o brexit, a vulnerabilidade das minorias, o sexismo e os nacionalismos. Aliás, Danny Nedelko, o primeiro single extraído de Joy As An Act Of Resistance, é uma homenagem a um amigo da banda, um imigrante de nacionalidade ucraniana, que é também o protagonista do vídeo do tema.

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Produzido por Space e misturado por Adam Greenspan & Nick Launay (Arcade Fire, Yeah Yeah Yeahs, Kate Bush), Joy As An Act of Resistance é um disco sonoramente enérgico e liricamente consistente, como se exige a registos que se debruçem sobre a contemporaneidade e que queiram abrir discussão com consistência e suscitar polémica. Logo em Colossus, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom grave da voz, percebemos esta duplicidade estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Idles têm a dizer, quase sempre com ironia e sarcasmo em questões tão sensíveis como a homofobia (Samaritans), o Brexit (Great), a extrema direita (I'm Scum) ou a imigração (Danny Nedelko), as temáticas principais do registo.

 A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde as guitarras de Mark Bowen e Lee Kiernan, o baixo de Adam Devonshire e a bateria de Jon Beavis conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de sons, ruídos, samples e arranjos calculado e onde sobressai, pela diferença, o intimismo da canção June, uma composição onde Talbot, o vocalista e princial letrista dos Idles, canta sobre uma filha sua que não chegou a nascer. É curioso constatar que esta exposição pessoal do músico, apesar de versar sobre uma temática diferente das questões sociais, acaba por entroncar na filosofia do registo, porque fá-lo com a mesma sinceridade e abertura com que aborda as outas questões que o disco atinge. O já referido tema Samaritans e Television são outras duas canções que, de algum modo, debruçando-se sobre questões mais sociais, também focam-se no individualismo e no sofrimento pessoal, uma abertura pessoal ao exterior que deve ser realçada e que demonstra também o já elevado nível de segurança e maturidade deste projeto.

Disco que impressiona pelo grau de proximidade que estabelece entre grupo e ouvintes (a última palavra que se ouve no disco é Unity), uma faceta dos Idles que tem sequência nos concertos que têm dado de promoção ao registo, Joy As An Act Of Resistance é uma portentosa explosão de imediatismo e de assertividade apaixonada por parte dos Idles relativamente às agruras que sentem na sociedade em que vivem, uma demonstração clara de que a música também pode ser um veículo privilegiado não só de contestação mas também de provocação no ouvinte, para que este também reflita sobre aquilo que ouve e se sinta motivado a passar à ação. O mundo em que vivemos hoje e o marasmo geral bem precisam de bandas como os Idles para que a agitação pacífica mas profunda aconteça e este álbum é uma excelente banda sonora para servir de ignição. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 15:40
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2018

Teleman – Family Of Aliens

Nascidos das cinzas dos Pete & The Pirates, um quinteto de Reading que editou dois excelentes discos no final da década passada, os britânicos Teleman são o vocalista Tommy Sanders, o seu irmão Johnny (teclados), o baixista Peter Cattermoul e o baterista Hiro Amamiya. Depois de Breakfast (2014) o fantástico disco de estreia desta banda que é já um dos grandes destaques do catálogo da insuspeita Moshi Moshi Records e do segundo registo intitulado Brilliant Sanity (2016), o quarteto está de regresso com Family Of Aliens, onze excelentes canções, gravadas com método e enorme profissionalismo, segundo rezam as crónicas e produzidas mais uma vez por Dan Carey.

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Em fórmula que ganha não se mexe e quem conhece a fundo a discografias dos Teleman e já ouviu com atenção Family Of Aliens, percebe que a fórmula que rege o adn identitário deste quarteto britânico mantém-se intocável. Na verdade, do piscar de olhos ao chamado discosound em Song for A Seagull à imponência do tema homónimo, passando pela cândura algo boémia do piano de Between The Rain, os Teleman fazem, no terceiro disco do seu cardápio, mais uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou neste álbum mais um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

O baixo de Cactus, o primeiro single divulgado do disco e o modo como se alia a um sintetizador condutor das base melódica e, simultaneamente, responsável por flashes cósmicos inebriantes merecem, por si só, a audição deste álbum, numa composição que pisca o olho com languidez ao melhor cardápio de projetos como os Hot Chip. Mas há em Family Of Aliens outras notáveis canções, além das já descritas, que mostram um notável recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e animada de paisagens instrumentais e líricas. Delas destaco também a delicadeza de Always Dreamingo charme único de Submarine Life, uma curiosa ode daftpunkiana, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível de Twisted Heart, composição que intercala uma excelente interpretação vocal de Tommy Sanders com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, nomeadamente a bateria e a guitarra.

Ao terceiro registo, os Teleman oferecem-nos mais uma fresca coleção de canções pop que caem muito bem no ocaso de um verão que pecou por tardio mas que teima em manter-se altivo, um pouco à imagem deste projeto que apresenta aqui alguns dos melhores instantes do seu historial sonoro . Espero que aprecies a sugestão...

Teleman - Family Of Aliens

01. Family Of Aliens
02. Cactus
03. Song For A Seagull
04. Between The Rain
05. Always Dreaming
06. Submarine Life
07. Twisted Heart
08. Somebody’s Island
09. Sea Of Wine
10. Fun Destruction
11. Starlight


autor stipe07 às 16:14
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2018

Massage – Oh Boy

Sedeados em Los Angeles, na Califórnia e liderados por Alex Naidus, membro dos Pains Of Being Pure At Heart, os Massage foram crescendo e ganhando vida na internet. Alex começou a tocar e a escrever algumas canções paralelamente à sua atividade nos Pains Of Being Pure At Heart com o designer e baixista Michael Felix, amigo de infância de Alex e à dupla juntaram-se, entretanto, o jornalista Andrew Romano, David Rager e Gabi Ferrer, responsável pelas teclas e pela composição melódica. Estrearam-se há dois anos com o EP Lydia e lançaram o primeiro longa duração, à boleia da Tear Jerk Records, no último verão, um disco intitulado Oh Boy, gravado com a ajuda de Jason Quever dos Papercuts.

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Quase meio século após o seu aparecimento, a sonoridade tipicamente indie e universitária continua a soar mais fresca que nunca, especialmente quando bandas como os Massage surgem no radar e, logo na estreia, causam furor devido a discos do calibre deste Oh Boy, doze canções que se esfumam em pouco mais de meia hora, mas que não deixam indiferente o ouvinte devido a um alinhamento que nos leva facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante. E a responsabilidade desta tela impressiva é uma guitarra com um timbre metálico muito caraterístico que serve de base melódica às canções, acompanhada por um baixo exemplar no modo como se alia à guitarra para marcar as várias nuances rítmicas de temas geralmente acelerados, mas sem serem frenéticos, não deixando de se espraiar pelos nossos ouvidos algo preguiçosamente, mesmo que estejamos a falar de composições curtas, como já referi, e com um ritmo algo intenso.

Catapultado pela ligeireza subtil de Lydia, pelo cariz intimista do single homónimo, pelo clima lisérgico de Couldn't Care Less, pelo piscar de olhos a ambientes mais roqueiros em Under, ou pelo bom gosto dos acordes de Crying Out Loud, Oh Boy é, em suma, um embrulho sonoro com um têmpero lo fi muito próprio, um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que se escuta de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles discos que esconde a sua complexidade na simplicidade e estas boas canções mostram como é bonito quando o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

Massage - Oh Boy

01. Lydia
02. Oh Boy
03. Gee
04. Kevin’s Coming Over
05. Couldn’t Care Less
06. Under
07. Breaking Up
08. Crying Out Loud
09. Cleaners
10. Liar
11. I’m Trying
12. At Your Door


autor stipe07 às 16:14
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2018

Shame - Songs Of Praise

É com genuína mágoa que confesso ter sido já tardiamente que descobri Songs Of Praise, o disco de estreia dos britânicos Shame, um quinteto formado por Eddie Green, Charlie Forbes, Josh Finerty, Sean Coyle-Smith e Charlie Steen, oriundo dos arredores de Londres, abrigado pela chancela da Dead Oceans e que em dez canções oferece-nos um punk rock de primeira água, com um espetro identitário abrangente que, dos The Fall aos Stone Roses, passando pelos Buzzcocks, Ride, os Blur, os Primal Scream, os Joy Division e os mais contemporâneos Parquet Courts ou Interpol, encontra as suas origens no rock psicadélico setentista e no punk da década seguinte e que não renegando algumas caraterísticas essenciais do rock alternativo noventista, também não enjeita abraçar a herança nova iorquina que tentou salvar o rock no início deste século.

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Songs Of Praise foi um dos discos mais comentados pela crítica britânica no início deste ano e a publicação New Musical Express chegou mesmo a dar nota máxima (cem valores) ao seu conteúdo quando publicou a crítica do álbum, um valor incomum e que expressa, de certo modo, a ânsia que existe nesse mercado pela descoberta e posterior garantia de sobrevivência de projetos sonoros que fujam ao apelo radiofónico e que consigam também oferecer ao rock novos fôlegos e heróis. E de facto, para os amantes do género, Songs Of Praise é um disco que merece audição cuidada e que irá, certamente, tornar-se objeto de culto e de devoção durante algum tempo.

Realmente Songs Of Praise está repleto de instantes que impressionam e deliciam. No clima intuitivo e ao mesmo tempo imponente de Dust On Trial, no modo como a bateria e as guitarras se entrelaçam com o baixo em Concrete, no punk direto de Donk, na energia intiuitiva de Lampoon, na riqueza instrumental de Tasteless, canção que cita o lendário Bigby de Trainspotting ou na simplicidade melódica assustadoramente feliz de Friction, talvez os dois temas que melhor homenageiam a britpop no disco e, principalmente, no clima contemplativo e denso de Angie, uma canção que fala de um amor não correspondido que um adolescente sente por alguém que está prestes a suicidar-se, aborve-se até ao tutano uma obra repleta de méritos e de acertadas conexões criativas entre diferentes espetros de um mesmo universo sonoro, que abraça o lado mais negro do amor e as suas habituais agonias, mas também as dores e os medos de quem procura sobreviver nesta típica urbanidade ocidental cada vez mais decadente de valores e referências, a viver o brexit e social e politicamente cada vez mais crispada e bipolarizada.

Songs Of Praise é o reflexo contundente, seco e profuso de um rock de guitarras que emergiu para dias de infinita glória de um canto escuro dos subúrbios de uma problemática Londres e da sua zona sul em parte decadente, um rock que mostra sem medo as suas garras, um rock feito intuitivamente e que não quer dar concessões ao mainstream. Os seus autores são cinco jovens britânicos de gema, rudes e efervescentes, que parecem já ter o seu modus operandi presente e, devido a esta extraordinária estreia, brilhante, madura e refrescante, um futuro devidamente consolidado na primeira linha do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 14:54
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Domingo, 9 de Setembro de 2018

Menace Beach – Black Rainbow Sound

Pouco mais de ano e meio após o excelente Lemon Memory, a dupla Menace Beach de Ryan Needlham e Liza Violet está de regresso aos lançamentos discográficos com Black Rainbow Sound, um compêndio de dez canções que, sendo o terceiro da carreira deste projeto oriundo de Leeds, na Inglaterra, tem tudo para lançar definitivamente o grupo para uma projeção superior que o antecessor e Ratworld, o álbum de estreia, editado no início de dois mil e quinze, têm vindo a prometer e a projetar desde que viram a luz do dia.

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Apesar das origens, os Menace Beach continuam com os ouvidos muito colocados no outro lado do atlântico, continuando a apostar numa sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, mas desta vez também olham com especial atenção para a Europa, com a herança do punk de Manchester e da eletrónica alemã e a própria contemporaneidade de nomes como os Bauhaus, TOY, The Horrors, Spacemen 3 e outros a saltarem ao pensamento do ouvinte mais atento à medida que se escuta este Black Rainbow Sound. E isso sucede porque, desta vez, os Menace Beach oferecem um alinhamento com uma menor crueza lo fi que os registos anteriores, em favor de um som mais elaborado, negro e intrincado, com Black Rainbow Sound, o tema homónimo e que conta com a participação especial de Brix Smith, a mostrar esse lado inédito no grupo, assente numa mistura do sintético com as guitarras, com um nível de psicadelia incomum tendo em conta o historial anterior da banda.

Esta caraterística nova dos Menace Bech, plasmada logo nesse primeiro tema de Black Rainbow Sound e, por sinal o homónimo, serve para o grupo afirmar essa espécie de virar de página, que funciona, neste caso concreto, como um avanço em frente rumo a novos territórios, fruto não só da ânsia de experimentar nvas receitas mas também de provar o amadurecimento e o grau de confiança cada vez maior de uma dupla que percebe que já conseguiu grangear uma bade de fâs sólida e devota e que quer agora alargar o seu espetro sonoro e chegar a outros ouvintes. Os teclados Cósmicos de Satellite e o clima progressivo, negro e rugoso de Crawl In Love, além de abrirem portas para o habitual mundo paralelo feito de guitarras distorcidas governado pela nostalgia do grunge e do punk rock a que os Menace Beach nos habituaram, já não está impregnado por aquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções que era apanágio da dupla, plasmando agora um clima mais adulto, ponderado e, acima de tudo, mais elaborado e amplo.

À medida que Black Rainbow avança notamos, em suma, que as canções dos Menace Beach estão menos simples e diretas e, por isso, mais desafiantes. Se em 8000 Molecules as vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras e pelos efeitos das teclas e se em Hypnotiser Keeps The Ball Rolling há uma demanda por territórios mis viscerais e crus, já em Tongue alguns dos principais ingredientes típicos do grunge e do punk rock direto e preciso também estão presentes, nomeadamente no baixo, mas é mais intrincada e feliz a mistura destes elementos com travos de shoegaze, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o habitual grunge, mas que, honrando a herança desse subgénero do rock alternativo, também não é apenas delírio e pura experimentação sónica, até porque, logo a seguir, em Mutator, os Menace Beach até colocam a própria eletrónica setentista em elevado ponto de mira e em Holy Crow o rock psicadélico típico dessa mesma década.

Caldeirão sonoro contundente e mais elaborado que os dois discos anteriores dos projeto, Black Rainbow Sound coloca os Menace Beach na senda de um clima mais pop, com as guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso, a serem também agora acompanhadas, em termos de protagonismo, por uma vertente sintética, uma nuance nova que dá à banda novos horizontes, sendo o resultado final uma espécie de eletropop rock, neste caso baseado num leque alargado de sonoridades que incluem o punk, o psicadelismo, o krautrock ou o post rock, tudo aliado a um trabalho de exploração experimental pleno de bom gosto, criatividade e consistência. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Black Rainbow Sound

01. Black Rainbow Sound (Featt. Brix Smith)
02. Satellite
03. Crawl In Love
04. Tongue
05. Mutator
06. 8000 Molecules
07. Hypnotiser Keeps The Ball Rolling
08. Holy Crow
09. Watermelon
10. (Like) Rainbow Juice (Feat. Brix Smith)


autor stipe07 às 16:16
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Sábado, 8 de Setembro de 2018

Milo Greene – Young At Heart

Milo Greene - Young At Heart

Os norte-americanos Milo Greene de Robbie Arnett, Graham Fink r Marlana Sheetz são um dos projetos mais interessantes da indie atual, exímios intérpretes daquela pop retro cheia de charme e com uma filosofia vintage sempre muito vincada, não só na sonoridade mas também na componente visual do projeto. Estrearam-se nos discos em dois mil e doze com um homónimo que chamou logo a atenção da crítica e três anos depois, no sempre difícil segundo disco, um registo intitulado Control, confirmaram todas as credenciais do registo inicial e conseguiram alargar ainda mais a base de fãs do trio.

Agora, três anos depois de Control, o trio de Los Angeles, na Califórnia, está de regresso com Adult Contemporary, doze canções produzidas por Bill Reynolds (Band Of Horses, Lissie), com a chancela da Nettwerk Records e que serão alvo de revisão cuidada neste espaço dentro de dias. Para já, e como aperitivo, sugiro Young At Heart, o single de apresentação do registo, um exuberante tema conduzido por um baixo pulsante e sintetizadores planantes que originaram uma composição que sabe a uma espécie de punk pop com uma elevada toada dançante e com fortes raízes no imaginário oitocentista. O próprio vídeo da canção, dirigido por Nicolas Harvard, é uma combinação feliz entre a postura vocal particularmente atraente de Marlana Sheetz e filmagens de arquivo de alguns icones de uma época que foi sonoramente bastante marcante, particularmente para a minha geração, neste caso Sting e Bruce Springsteen. Confere...


autor stipe07 às 18:11
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2018

Spiritualized - And Nothing Hurt

Chegou hoje mesmo aos escaparates e à boleia da Fat Possum And Nothing Hurt, disco que quebra um hiato de seis anos dos britânicos Spiritualized e que sucede ao muito aclamado Sweet Heart Sweet Light, um dos álbuns que mais rodou na nossa redação em 2012. And Nothing Hurt é o oitavo disco da carreira dos Spiritualized e foi gravado na íntegra por Jason Pierce, a.k.a. J. Spaceman, líder do grupo, numa pequena divisão da sua casa, contendo nove canções que, num processo contínuo de tentativa vs erro, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do adn do projeto.

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Jason Pierce é um eterno insatisfeito e esse é um dos maiores elogios que se pode fazer a um artista que se serve desse eterno incómodo relativamente à sua obra, neste caso musical, para, disco após disco, tentar sempre superar-se e apresentar algo de inédito e que surpreenda os fãs. E no caso específico dos Spiritualized, uma daquelas bandas nada concensuais e, por isso, com seguidores que são, na sua esmagadora maioria, bastante devotos, como é o meu caso, ainda mais exigente se torna para o íntimo deste cantor, poeta e compositor britânico conseguir que esta sua filosofia de vida tenha efeitos práticos e seja bem sucedida. Assim, para Jason Pierce, não deverão haver dúvidas, neste dia em que o disco é finalmente colocado à venda, que And Nothing Hurt é a sua obra-prima, o melhor trabalho do catálogo dos Spiritualized, apesar de conter obras-primas do calibre de Songs In A&E (2008) ou ladies and gentlemen we are floating in space (1997), só para citar dois registos que são verdadeiros icônes sonoros da história da música das últimas duas décadas.

Logo em I'm Your Man, o segundo tema do disco, Jason Pierce expôe este seu modus operandi com ímpar clarividência e, além da o fazer através da letra da canção (I could be faithful, honest and true … dependable all down the line. But if you want wasted, loaded, permanently folded … I’m your man.), também no edifício melódico e instrumental da mesma, coloca todas as fichas em cima da mesa relativamente aquele que é o adn conceptual dos Spiritualized, exímios criadores de canções que assentam em guitarras que escorrem  pelas melodias com o notável travo lisérgico, exemplarmente preenchidas por arranjos de cordas, orquestrações, efeitos e vozes, uma receita onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de cada canção tivesse um motivo para ser audível dessa forma.

Este modo de criar acaba por ser transversal num alinhamento particularmente homogéneo, que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, peças montadas e agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurarem as mais básicas tentações pop e onde tudo soa, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. De facto, se nos sopros de I'm Your Man há um calafrio na espinha que não nos deixa duvidar acerca das boas intenções de Pierce, se nas teclas sintetizadas, na bateria frenética e na guitarra agreste de On The Sunshine é possível obtermos uma portentosa tomada de consciência acerca dos nossos maiores atributos e se na delicadeza crescente e progressiva de Let's Dance escuta-se um convite explícito ao optimismo, é na soul da guitarra e no riff do refrão do single Here It Comes (The Road) Let’s Go, que se cerra os punhos (Take the road down to the stream, Be sure to keep your licence clean.) e que se deixa para trás todas as dúvidas acerca da capacidade que este álbum poderá ter para ser uma banda sonora indicada para instantes da nossa existência em que somos desafiados e superar obstáculos que à partida, por falta de coragem, fé e alento, poderiam ser insuperáveis, mas que durante a audição do registo sabem a meros precalçõs ou areias na engrenagem de fácil superação.

Esta capacidade que a música dos Spiritualized tem de fazer-nos sorrir sem razão aparente, de nos conseguir pôr a correr mais depressa, a pensar com mais clarividência e a sentir e a amar com maior arrojo, emoção e intensidade, está, mais uma vez, exemplarmente plasmada neste And Nothing Hurt, um disco onde gospel, rock, country, pop e psicadelia se juntaram mais uma vez para fazer a vontade a Pierce e, pelo menos por alguns meses, deixá-lo descansado, satisfeito e realizado com esta grandiosa e lindíssima obra, que tem tudo e mais alguma coisa para surgir no topo de algumas listas dos melhores registos do ano, lá para dezembro. Espero que aprecies a sugestão...

Spiritualized - And Nothing Hurt

01. A Perfect Miracle
02. I’m Your Man
03. Here It Comes (The Road) Let’s Go
04. Let’s Dance
05. On The Sunshine
06. Damaged
07. The Morning After
08. The Prize
09. Sail On Through

 


autor stipe07 às 16:01
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018

El Ten Eleven - Banker's Hill

Kristian Dunn e Tim Fogarty são a dupla que dá vida ao projeto El Ten Eleven, uma banda com origem em Los Angeles e um nome fundamental do chamado post rock. É uma dupla que desde dois mil e dois vem direcionando o seu processo de criação sonora dentro de uma psicadelia rock ampla, progressiva e elaborada, através de um som firme e definido e onde a bateria e a guitarra assumem uma função de controle simbiótico, nunca se sobrepondo demasiado um instrumento ao outro, com Banker's Hill, o mais recente disco do grupo, a encarnar toda esta trama com elevada bitola qualitativa, através de um espírito ecoante e esvoaçante, transversal às nove canções do seu alinhamento e que, sendo devidamente degustado, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

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Começa-se a escutar com a merecida devoção Banker's Hill e percebe-se, no imediato, o superior grau de cumplicidade dos dois músicos que esculpem, com denodo, composições que são verdadeiras telas sonoras que exigem demorada contemplação para serem devidamente saboreadas e entendidas, tendo em conta o espetro sonoro que baliza alguns dos cânones fundamentais da história do rock contemporâneo que guiam o percurso musical destes El Ten Eleven.

Assim, logo no ambiente etéreo e imersivo criado pelos riffs planantes da guitarra de Three And A Half High And Rising ficamos esclarecidos acerca da constante omnipresença daquele experimentalismo rock que ditou a sua lei nos grandiosos anos setenta e da salutar psicadelia instrumental e melódica que tem vindo a definir alguns dos nomes fundamentais desse género e que hoje está a ser replicado com enorme sucesso, principalmente do lado de lá do atlântico. Depois, o baixo vincado, a bateria elaborada e a distorção agreste de Phenomenal Problems, assim como a majestosidade das guitarras que conduzem We Don't Have A Sail But We Have A Rudder e a direção delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em You Are Enough e o acabamento límpido e minimalista, mas fortemente sentimental e profundo de Gyroscopic Precession, além de arrancarem o máximo daquilo que as guitarras conseguem enfatizar ao nível dos efeitos e das distorções hipnóticas, acabam também por ser, cada tema à sua maneira, um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzado com um subtil minimalismo eletrónico, provam o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que parece estar sempre em ritmo ascendente e que acaba por ter o seu momento maior, na minha opinião, no tema homónimo, pouco mais de seis minutos de altos e baixos, mudanças ritmicas e melódicas com um travo sempre nostálgico e até, em alguns instantes, algo inquietante, que parece querer retratar fielmente nada mais do que o simples ocaso.

Disco assertivo e onde os El Ten Eleven utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente, Banker's Hill é marcado pela proximidade entre as canções que faz-se de uma instrumentação focada em estruturas técnicas particularmente elaboradas, que ampliam claramente os horizontes e os limites que vão sendo traçados por uma dupla que criou neste alinhamento mais uma fornada de instrumentais que têm tudo para tornarem-se em verdadeiros clássicos do chamado rock experimental. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:08
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