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Interpol - Marauder

Segunda-feira, 27.08.18

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já ofereceram aos escaparates Marauder, o novo disco desta banda nova iorquina liderada por Paul Banks. Marauder viu a luz do dia através da Matador Records e estão já agendadas algumas datas de uma extensa digressão para promover um registo que mantém este trio naquele formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e que têm replicado com elevado quilate. Esta trajetória leva já seis registos e ainda não é em Marauder que os Interpol largam aquele porto seguro onde Banks, Fogarino e Kessler atracaram um dia e que Dave Fridmann (Weezer, MGMT, The Flaming Lips, Tame Impala, Spoon), o produtor deste trabalho, parece ter sabiamente destrinçado, já que também não é ele que coloca em causa a herança identitária do trio, ao longo das treze canções do registo.

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Não é necessário escutar demasiados acordes de If You Really Love Nothing, o tema de abertura de Marauder, para se perceber essa evidência, à medida que iniciamos uma viagem alicerçada num Banks incisivo como sempre, nomeadamente no modo como toca aquela guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário da banda, aquele timbre metálico que lançou os Interpol para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. Depois, mesmo que falte ao baixo aquele incisivo groove punk que os Interpol nunca mais mostraram desde que Carlos D abandonou a banda, Sam Fogarino cola, na bateria, todos os elementos acima referidos, com uma coerência exemplar. A receita repete-se em The Rover, mas de modo mais ritmado, um tema intenso e visceral, melodicamente bastante sedutor, um psicotrópico mental verdadeiramente eficaz e aditivo que, não sendo uma cover do clássico dos Led Zepellin com o mesmo nome, como à partida muitos poderão pensar, não deixa de conter aquela virilidade elétrica misturada com uma espécie de absurdo lírico que, sendo uma imagem de marca da escrita e composição de Paul Banks, também caraterizava muitos instantes sonoros da carreira do grupo de Jimmy Page e Robert Plant.

Este prometedor arranque de Marauder não é defraudado nas canções seguintes, caso o ouvinte tenha ficado entusiasmado com o mesmo. O modo como a guitarra se insinua em Complications, à espera que as distorções cheguem e se aconcheguem, fora de tempo, aos tambores da bateria e o cerrar de punhos que somos convidados a fazer em Flight Of Fancy, um dos momentos maiores de Marauder, pelo modo como homenageia aquele rock sombrio e nostálgico mas que nos preenche a alma porque nos faz vibrar e pular sem que haja amanhã e o piscar de olhos quase abusador que os Interpol fazem a territórios mais psicadélicos e progressivos no groove de Stay In Touch, além de nos permitirem renovar aquele prazer, tantas vezes difícil de descrever, que eles sempre provocaram no nosso íntimo, são canções que servem como resposta eloquente por parte da banda a todos aqueles que já duvidavam das capacidades do grupo em se focar novamente no som que melhor os identifica e na temática lírica que exemplarmente sempre abordaram, relacionada com o lado mais complicado das relações, a frustração, o tal absurdo e uma faceta algo provocatória que nunca enjeitaram demonstrar.

Até ao ocaso de Marauder, na inquietude crescente de Mountain Child, uma canção que, em espiral, mantém-nos empolgados do início ao fim, no post punk de Nysman, na insinuante melancolia que transborda de Surveillance, no frenesim de Number 10 e na sensualidade algo enigmática de Party's Over, o tal timbre da guitarra tão caraterístico dos Interpol mantém-se convincente, imperial e não deixa que o trio caia na armadilha de se deixar enredar por novas tendências mais intrincadas pelas quais tantos colegas se enlearam com o objetivo de mostrarem novos caminhos e uma superior heterogeneidade, mas acabaram por se perder. Essa opção coerente é, a meu ver, bem sucedida porque mostra uma superior experiência por parte do grupo nova iorquino e tem a mais valia de oferecer ao fã exatamente aquilo que ele espera de um disco dos Interpol e, ainda por cima, com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - Marauder

01. If You Really Love Nothing
02. The Rover
03. Complications
04. Flight Of Fancy
05. Stay In Touch
06. Interlude 1
07. Mountain Child
08. Nysmaw
09. Surveillance
10. Number 10
11. Party’s Over
12. Interlude 2
13. It Probably Matters

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publicado por stipe07 às 22:04






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