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Ty Segall & White Fence - Joy

Quinta-feira, 02.08.18

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Mas este músico também gosta de alinhar em parcerias e nelas consegue potenciar a sua capacidade para nos embrenhar num universo sonoro labiríntico que nunca deixando de lado a estética lo fi que Ty tanto aprecia, também consegue entranhar alguns dos pilares fundamentais da sonoridade de quem a ele se alia na hora de compôr. Tim Presley, a mente que assina o projeto White Fence, foi um dos que se deixou enredar pela teia lançada por Ty, já em dois mil e doze com o excelente álbum Hair, o que nem admira até porque estamos na presença de dois artistas que têm na sua discografia muito pontos em comum, desde logo a apetência por aquele rock mais cru, que tanto abraça a folk como pisca o olho aquela psicadelia setentista que ainda hoje é muito marcante. Joy é o nome da segunda etapa desta parceria, quinze canções assentes num salutar experimentalismo sem fronteitas ou concessões a um género bem delimitado, cheias de guitarras sujas e riifs enérgicos, mas também sóbrios dedilhares de uma viola e constantes variações ritmícas com Please Don't Leave This Town a ser um bom tema para se perceber toda a essência deste disco.

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Alegria e diversão, cor e arrojo, são adjetivos felizes na hora de caraterizar o conteúdo de Joy e de imaginar o seu processo de gravação. São pouco mais de trinta minutos de pura exaltação indie, assentes numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem da década seguinte, um alinhamento que merece audição dedicada não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em diversos temas, como assim como pelas já habituais linhas de baixo a que Ty já nos habituou, absolutamente incríveis.

Assim, no inedetismo do luminoso instante surf psicadélico presente em Good Boy e no modo como a dupla cruza uma toada algo pop, com o fuzz típico do garage rock, fazendo com que este tema deixe de lado os habituais limites do rock caseiro e se converta num momento de pura exaltação e no hard rock setentista, de mãos dadas com rock de garagem e no blues de Other Way e na toada hippie, vintage e acústico psicadélica de My Friend, assentam os momentos maiores de trinta minutos sonoros propostos por dois artistas que parecem querer buscar um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa, mas que, quanto a mim, nada mais têm a provar para terem direito a uma posição de relevo nesse antro de perdição.

Com um nível superior de cumplicidade, em Joy os dois músicos que assinam o registo até deixam um pouco de lado um habitual nível de anarquia e desiquilibrio que frequentemente firmam na execução dos seus registos e, sem sofrerem de desgaste ou possíveis redundâncias, executam um ensaio de assimilação de heranças, com um sentido melódico irrepreensível, que exala um sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentarem de modo tremendamente atual tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 10:17






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