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Gruff Rhys - Babelsberg

Terça-feira, 17.07.18

Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em dezoito de julho de mil novecentos e setenta, faz amanhã quarenta e oito anos, é um músico do País de Gales conhecido pela sua presença nos Super Furry Animals, banda que obteve relativo sucesso na década de noventa. Paralelo ao eficiente trabalho com os Super Furry Animals, Gruff Rhys também tem uma bem sucedida carreira a solo onde testa novas fórmulas, um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicadelia da banda de onde é originário.

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A aventura a solo deste músico começou em 2005 com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreve como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destacou também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em dois mil e onze, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois, em dois mil e catorze, o galês regressou com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys era o ator principal e embarcava numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século dezoito. Agora, em dois mil e dezoito, Babelsberg é o novo registo de originais do artista, dez canções que ampliam até um superior nível qualitativo a sua visão incomum daqueles que serão hoje os grandes eixos orientadores de uma pop que se quer cada vez mais alicerçada num salutar experimentalismo e onde não existam limites para a simbiose entre diferentes estilos musicais.

Com a participação especial da BBC National Orchestra Of Wales, preponderante em muitos dos arranjos dos temas, ao longo do alinhamento de Babelsberg somos confrontados com uma sequência bastante criativa de canções que, do rock sessentista à pop mais psicadélica da década seguinte, passando pela eletrónica oitocentista, oferecem-nos uma viagem no tempo algo atípica porque nunca deixa de haver um travo de contemporaneidade em toda esta amálgama.

Tomando como ponto de partida o habitual olhar crítico e clínico do autor perante o mundo atual, uma atitude bem expressa no título que alude à conhecida Torre de Babel do Antigo Testamento, um dos conceitos mais utilizados no momento de colocar na mesa cenários apocalípticos, Babelsberg está repleto de momentos bastante inspirados e que  comprovam que através da fusão de diferentes plataformas sonoras é possível criar uma experiência multi-sensorial que conte a incrível história de um mundo que tem a consciência de estar à beira do precipício mas que insiste no absurdo de não fazer marcha atrás. Assim, na pop classicista de Frontier Man, uma ode à herança de Cohen, passando pelo esplendor dos arranjos que abastecem Limited Edition Heart, pelo modo encantador como Rhys se entrelaça com a voz da cantora Lily Cole em Selfies In The Sunset, ou pela nostalgia de Same Old Song, percebe-se, com naturalidade, todo um clima de superior requinte e o modo como o músico mantém-se inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico e harmonioso.

Babelsberg é, sem dúvida, o disco mais ambicioso da carreira de Gruff Rhys, um trabalho coeso, dinâmico e conceptual e mais um marco na trajetória do músico. No seu âmago o disco transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys, um luxuoso naipe de canções que quase nos fazem desejar que o apocalipse realmente aconteça, caso seja esta a sua banda sonora. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 23:07






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