Terça-feira, 31 de Julho de 2018

Interpol - Number 10

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Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já têm praticamente pronto Marauder, o novo disco desta banda nova iorquina liderada por Paul Banks. Marauder irá ver a luz do dia no final de agosto, através da Matador Records e estão já agendadas algumas datas de uma extensa digressão para promover o registo. Além disso, também já foram divulgados alguns singles de lançamento, tendo sido o mais recente Number 10.

Se The Rover mostrava que os Interpol iriam continuar a trilhar o percurso sonoro iniciado em El Pintor, um alinhamento em que os norte-americanos mostraram ter percebido que a sua imensa legião de fãs não se importa que se mantenham no território sonoro onde se sentem mais confortáveis, Number 10 acentua essa sensação de rejuvenescimento do som do grupo, num tema conduzido por uma guitarra agreste, agudizada pelo efeito identitário da banda, aquele timbre metálico que os lançou para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. Confere Number 10 e a tracklist de Marauder.

If You Really Love Nothing

The Rover

Complications

Flight of Fancy

Stay in Touch

Interlude 1

Mountain Child

NYSMAW

Surveillance

Number 10

Party’s Over

Interlude 2

It Probably Matters


autor stipe07 às 08:38
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2018

Andrew Belle – Fade Into You

Andrew Belle - Fade Into You

Nascido em Chicago, no Illinois, Andrew Belle lançou o ano passado Dive Deep, um disco com canções escritas e compostas por um dos intérpretes mais importantes da indie pop atual no lado de lá do atlântico, um artista que conhece, com minúcia e destreza, como replicar um ambiente sonoro multicolorido e espetral, sendo claramente influenciado pela paisagem multicultural de Los Angeles, cidade onde Andrew vive atualmente. Agora, quase um ano depois do lançamento desse excelente registo, Andrew Belle acaba de revelar uma versão do clássico Fade Into You dos Mazzy Star.

Com um clima eminentemente etéreo e fortemente climático, a cover preserva a filosofia de um tema que fala sobre a necessidade que todos aqueles que vivem uma relação têm de se conectar do modo o mais empático possível com o outro, numa letra carregada de nostalgia e melancolia e à qual Belle, sem colocar em causa a estrutura meldódica do original, adicionou detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem bastante impressiva por um mundo muito peculiar e intimista. Confere...


autor stipe07 às 12:16
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Sábado, 28 de Julho de 2018

Metric – Dressed To Suppress

Metric - Dressed To Suppress

Para satisfação de muitos, os canadianos Metric estão de volta e cheios de pujança! Este grupo liderado pelo carismático casal Emily Haines e James Shaw, dupla que em tempos se revezou na produção e construção de algum do cardápio dos Broken Social Scene, tinha revelado recentemente o tema Dark Saturday, o primeiro sinal de vida do projeto após o aclamado álbum Pagans In Vegas, de dois mil e quinze. Agora, alguns dias depois, chegou a vez de escutarmos Dressed To Suppress, pouco mais de cinco minutos assentes numa proposta instrumental que leva os Metric para a sua habitual zona de conforto que é delimitada por diferentes focos da música pop, do indie e por vezes da eletrónica, com as guitarras sujas e os sintetizadores a definirem, cada vez mais, a marca registada do grupo.

Juntamente com o single foi também revelado o vídeo, um filme a preto e branco gravado com um iPhone X por Justin Broadbent e que mostra Haines e os seus companheiros da banda a tocarem o tema com os respetivos instrumentos. O novo disco dos Metric, o sexto do cardápio, chega a vinte e um de setembro, as duas composições acima referidas deverão fazer parte do seu alinhamento e a digressão de promoção desse trabalho terá os The Smashing Pumpkins como companheiros de estrada. Confere...


autor stipe07 às 12:10
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2018

Muse – Something Human

Muse - Something Human

Depois do excelente Drones, editado em dois mil e quinze, os britânicos Muse de Matthew Bellamy, Dominic Howard e Rich Costey estão de regresso aos discos com o oitavo trabalho da banda, que irá ver a luz do dia em novembro.

Something Human é o primeiro single retirado desse álbum, ainda sem nome, uma canção que olha incisivamente para aquela pop oitocentista, assente numa mescla de ficção e surrealismo, ampliada pelos peculiares falsetes de Bellamy. O vídeo de Something Human foi realizado por Lance Drake, habitual colaborador visual da banda e inspira-se no universo do filme Teen Wolf, realizado por Rob Daniel em mil novecentos e oitenta e cinco e que era protagonizado por Michal J. Fox. Confere...


autor stipe07 às 11:50
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2018

The 1975 – Love It If We Made It

The 1975 - Love It If We Made It

Depois do sucesso de The 1975, o disco homónimo de estreia dos The 1975 de Matt Healy, um trabalho editado em 2013 e da edição, cerca de três anos depois, do muito recomendável I Like It When You Sleep For You Are So Beautiful Yet So Unaware of It, dezassete canções que viram a luz de fevereiro à boleia da Polydor Records, este grupo britânico prepara-se para regressar aos discos brvemente e em dose dupla. A Brief Inquiry Into Online Relationships, será o primeiro álbum a ver a luz do dia, o primeiro dos dois que o grupo tem na forja, um registo que será editado já no próximo mês de outubro.

Love It If We Made It é um dos singles recentemente divulgados desse novo registo dos The 1975, um polémico tema que se debruça sobre o racismo e a discriminação social e que o faz com alusões a Trump, Kanie West e ao falecido rapper nova iorquino Lil Peep, que morreu o ano passado com apenas vinte e um anos. Sororamente a canção abastece-se de algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica, não faltando um saboroso piscar de olhos ao melhor R&B norte americano e à eletrónica mais futurista. Confere...


autor stipe07 às 02:44
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2018

POND - Burnt Out Star

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Pouco mais de um ano depois do excelente The Weather (2015), o sétimo disco do grupo, os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, que se estrearam em dois mil e nove com Psychedelic Mango, voltaram ao estúdio cheios de pujança e estão de regresso aos discos muito em breve com um alinhamento que, apesar de ainda não ter nome nem data de lançamento divulgados, está já prometido para os próximos meses, certamente à boleia da Marathon Artists.

Burnt Out Star é o primeiro tema divulgado pelo projeto após The Weather, e deverá fazer parte do alinhamento desse próximo registo dos POND. O tema marca o regresso da banda a territórios mais ambientais, cósmicos e lisérgicos, oito minutos que vão progredindo e aumentando de intensidade e que do dream pop, ao shoegaze e passando pelo chamado space rock, nos deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e onde se percebe ter havido liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que pudesse influenciar o processo criativo do tema. Confere...


autor stipe07 às 11:35
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Terça-feira, 24 de Julho de 2018

Cigarette After Sex – Crush

Para comemorar o primeiro anivesário da edição do excelente disco homónimo de estreia, os norte americanos Cigarettes After Sex, uma das novas coqueluches da indie pop de cariz mais ambiental, acabam de divulgar um novo single que foi incubado durante as sessões de gravação desse registo que colocou este projeto oriundo de El Paso, no Texas e liderado por Greg Gonzalez, ao qual se juntam Jacob Tomsky, Phillip Tubbs e Randy Miller, em múltiplas listas dos melhores lançamentos discográficos de dois mil e dezassete.

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Crush é o título desse novo single dos Cigarettes After Sex, uma canção que segue a bitola fortemente romântica e particularmente confessional de um grupo que abriga a sua filosofia estilística numa sonoridade simples e nebulosa, mas bastante melódica e etérea. Crush arrasta-se com complacência e sem pressas, espraiando-se no tempo certo, alicerçada numa melodia envolta por cordas de forte pendor acústico e orgânico e muitas vezes com uma subtil vibração metálica particularmente charmosa, mas também em redor de um sintetizador assertivo e com efeitos recheados de eco, nuances que fazem sobressair a aura melancólica e mágica de uma canção que também deve muito do seu cariz impressivo à voz doce e algo andrógena de Greg. Confere...

Cigarettes After Sex - Crush

01. Crush
02. Sesame Syrup


autor stipe07 às 08:23
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018

Huggs - Cocaine

Duarte Queiroz (voz, guitarra) e Jantónio Nunes da Silva (bateria) são o núcleo duro dos Huggs, dois amigos que se conheceram por acaso na faculdade e que começaram a compôr juntos, inspirados pela energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e pelas baladas românticas típicas dos anos cinquenta e sessenta. A eles junta-se, ao vivo, Guilherme Correia, dos Ditch Days, que, depois de assistir a um ensaio, não só se encarregou do baixo como ajudou a produzir e a completar as primeiras canções da banda.

Foto de Huggs.

Os Huggs vão estrear-se nos lançamentos a vinte e um de setembro próximo com Did I Cut These Too Short?, um EP que é uma edição Cão da Garagem e que faz dos Huggs uma das mais promissoras bandas portuguesas de garage rock e indie da actualidade. Gravado por Gonçalo Formiga (dos Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha e produzido pelo próprio em conjunto com a banda, desse registo ficámos a conhecer em plena primavera Take My Hand, canção também já com direito a um video realizado por Manuel Casanova, que trabalhou ao longo da carreira com bandas como os Comeback Kid, Japandroids ou os Hills Have Eyes. Agora, tres meses depois, chegou a vez de conferirmos Cocaine, mais um tema assente num rock acessível e bastante melódico, mais mais frenético e impulsivo que o tema anterior, uma filosofia sonora que contém, no geral, um charme vintage particularmente luminoso e apelativo. O vídeo de Cocaine também tem a assinatura de Miguel Casanova e mostra a banda a tocar o tema ao vivo. Confere este segundo single dos Huggs e as próximas datas ao vivo do projeto...

13 de Agosto: Festas do Barreiro, Barreiro

30 de Agosto: Indie Music Fest, Baltar

01 de Setembro: Gliding Barnacles, Figueira da Foz


autor stipe07 às 15:33
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Blueberries For Chemical - Live Agrival 2018

Com arraiais assentes em Penafiel e formados por Tiago Mota, Marcos Moreira, Filipe Mendes e Miguel Lopes, os Blueberries For Chemical andam por cá desde 2013 e já contam com algumas promissoras atuações ao vivo em carteira, que lhes conferem atualmente uma já sólida reputação no cenário musical alternativo local.

Como é natural, os Blueberries For Chemical pretendem dar-se a conhecer a um número cada vez maior de ouvintes e essas mesmas atuações ao vivo são, claramente, a melhor forma de atingir esse desiderato. Assim, é exatamente daqui a um mês, dia vinte e três de agosto, pelas vinte e duas horas, que os Blueberries For Chemical se apresentam ao vivo na próxima edição da Agrival, em Penafiel, para um concerto que se adivinha imperdível, até porque a banda vai jogar em casa. Do alinhamento desse espetáculo fará certamente parte So Come And Go Let's Go!, uma canção que explora territórios sonoros que olham o sol radioso de frente e enfrentam-no com uma percussão vigorosa e compassada, o baixo e a guitarra sempre no limite do vermelho e com uma intensa vertente experimental, uma composição onde um rock com um espetro que pode ir do punk a territórios mais progressivos é dedilhado e eletrificado com particular mestria. Fica a sugestão...

 


autor stipe07 às 14:23
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2018

Florence And The Machine – High As Hope

Dois anos depois do seu último registo de originais, Florence Welsh está de regresso às canções com o seu projeto Florence and The Machine à boleia de High As Hope, o seu novo registo de originais, o quarto da carreira. Lançado através da Virgin Records e produzido pela própria Florence Welch, ao lado de Emile Haynie, High As Hope sucede a How Big, How Blue, How Beautiful (2015) e apresenta uma sonoridade mais minimalista e despojada que esse antecessor, explorando temas como mágoas, a família, relações amorosas falhadas e a descoberta de conforto na solidão.

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Com um excelente desempenho vocal e lírico por parte da autora, audível logo em June, canção poderosa que pretende mostrar que amar é resistir, mas que o amor é visado como algo desafiante e quase sempre sinónimo de dor (In those heavy days in June, When love became an act of defiance), High As Hope é um disco particularmente intimista e pessoal. Essa filosofia temática não é virgem na carreira de Welsh, se considerarmos que, por exemplo, o antecessor acima referido chegou a ser descrito pela autora como o disco mais pessoal da sua carreira. A questão aqui é que neste High As Hope, a autora eleva esta pessoalidade a um nível superior de exuberância e de impressionismo, ou seja, fala sobre si própria com uma linguagem menos metafórica e muito mais literal.

Canções como The End Of Love, que aborda o suicídio da avó materna de Welsh, mas também Sky Full Of Song ou Hunger, debruçando-se sobre lutas e dores que a autora teve de enfrentar, fazem-no de um ponto de vista particularmente despojado e com o extra de haver sempre um sentimento de esperança e optimismo em mente. O disco esteve para se chamar The End Of Love, mas como a autora foi sempre vendo esse lado positivo, acabou por deixar essa expressão para apenas uma canção e optar pelo título definitivo e assim tornar mais explícita toda a trama esplanada num alinhamento de canções que têm a pop eletrónica, de cariz eminentemente percurssivo, como grande suporte sonoro, num som um pouco escuro, com menor diversidade instrumental do que o haibtual, mas não deixando de conter uma tonalidade épica e constituida por diferentes texturas, quase sempre feitas com recurso a inspiradas sintetizações, da autoria de Isabella Summers, parceira de Florence no projeto.

High As Hope oferece-nos, em suma, uma Florence Welsh feita mulher adulta e a entrar na casa dos trinta anos, a procurar tapar os buracos que foi abrindo na sua alma numa década pessoal conturbada e a tentar enviar para bem longe aquele vazio esquisito que nos consome de dentro para fora, fazendo-o com o máximo grau de autenticidade e com uma serenidade que chega, às vezes, a ser inquietante tendo em conta a temática do registo. Espero que aprecies a sugestão...

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01. June
02. Hunger
03. South London Forever
04. Big God
05. Sky Full Of Song
06. Grace
07. Patricia
08. 100 Years
09. The End Of Love
10. No Choir


autor stipe07 às 13:26
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018

Morrissey – This Is Morrissey

Steven Patrick Morrissey mais conhecido por Morrissey, nasceu em Davyhulme a vinte e dois de maio de mil novecentos e cinquenta e nove e juntamente com o guitarrista Johnny Marr formaram o núcelo duro dos The Smiths, uma banda essencial e prioritária no momento de contar a história da pop e do indie rock oitocentista. Com o ocaso dos The Smiths em mil novecentos e oitenta e sete, Morrissey dedica-se a uma bem sucedida carreira a solo que acaba de ser revista com a edição de This Is Morrissey, uma viagem a discos ímpares, logo a começar por Viva Hate. Nessa sua estreia, um trabalho lançado em março de mil novecentos e oitenta e oito, seis meses após a separação dos Smiths, Morrissey contou com as participações especiais de Stephen Street, produtor de álbuns dos The Smiths e do guitarrista Vini Reilly, dos Durutti Column e as músicas Suedehead e Everyday is like Sunday, presentes neste This Is Morrissey, eram dois dos momentos altos desse registo.

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Depois de alguns singles como The Last of the Famous International Playboy, Interesting Drug e November Spawned a monster, chega, em mil novecentos e noventa e um, com a ajuda de Mark E. Nevin, dos Fairground Attraction, Kill Uncle e depois começa uma parceria duradoura com os guitarristas Alain Whyte e Boz Boorer, que incubou os registos Your Arsenal (1992), produzido pelo ex-guitarrista de David Bowie, Mick Ronson e Vauxhall and I em (1994). Em mil novecentos e noventa e cinco vê a luz do dia Southpaw Grammar e dois anos depois o excelente Maladjusted. Segue-se um hiato de pouco mais de meia década e em dois mil e quatro, já abrigado pela Sanctuary Records, lança You Are the Quarry, um disco produzido por Jerry Finn e com grande sucesso junto da crítica e do grande público. Sucedem-se Ringleader of the Tormentors (2006) e Years of Refusal, três anos depois, com o músico a fazer uma longa pausa na carreira.

Este hiato de quase uma década é interrompido o ano passado com o álbum Low In High School, surgindo, ao mesmo tempo e no cinema, um filme sobre a sua infância e juventude. Agora, meio anos depois, é lançado este This Is Morrissey, uma colectânea que junta clássicos de estúdio, temas ao vivo e uma mistura alternativa do grande sucesso Suedehead, um registo que serve, acima de tudo, para nos recordar que, por muito que os anos passem, há na discografia de Morrissey uma espécie de luz que nunca se apaga e que a marca da intemporalidade é uma das principais virtudes das criações sonoras de uma personalidade ímpar do panorama cultural britânico. This Is Morrissey é um conjunto de canções sem mácula, muitas delas conhecemos de cor e cantámo-las em coro ou a sós, mais ou menos ébrios, na matiné de uma discoteca ou à volta da fogueira, ou afundados no sofá a lamentar mais uma desilusão amorosa de difícil digestão. Espero que aprecies a sugestão...

Morrissey - This Is Morrissey

01. The Last Of The Famous International Playboys (2010 Remastered Version)
02. Ouija Board, Ouija Board (2010 Remastered Version)
03. Speedway (2014 Remastered Version)
04. Have-A-Go Merchant
05. Satellite Of Love (Live)
06. Suedehead (Mael Mix)
07. Lucky Lisp (2010 Remastered Version)
08. Whatever Happens I Love You
09. You’re The One For Me Fatty (Live)
10. Jack The Ripper
11. The Harsh Truth Of The Camera Eye (2013 Remastered Version)
12. Everyday Is Like Sunday (2010 Remastered Version)


autor stipe07 às 15:32
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2018

Snail Mail - Lush

Lindsey Jordan é a mente por detrás dos Snail Mail, um projeto de indie pop vintage que acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com Lush, dez canções abrigadas pela Matador Records e que nos oferecem uma viagem no tempo bastante impressiva até aquele rock de cariz eminentemente lo fi, que agitou multidões e fez escola no final do século passado. Para gravar Lush, Lindsey pegou na sua voz e na guitarra, mas também contou com a preciosa contribuição de Ray Brown na bateria e Alex Bass no baixo.

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Emocionalmente inteligente, com uma evidente força interior, já que a sinceridade parece ser uma das maiores virtudes de Lindsey, musicalmente clarividente e, curiosamente, cheio de pistas acerca de quais poderão ser as próximas coordenadas sonoras de quem se dedicar à exploração do espetro sonoro já descrito, Lush é um registo com uma linguagem muito própria, eminentemente urbana e que espalha as agruras de uma jovem de dezoito anos que, com uma fender numa mão e um microfone na outra, parece ser a única pessoa sensata e racional no mundo que a rodeia. E Lindsey transcende-se no modo como relata toda a confusão e desapontamento que testemunha, fazendo-o com uma vibração tal que, muitas vezes parece que toda esta sinceridade expôe uma vulnerabilidade infinita, quando a realidade é oposta, já que estamos na presença de alguém que, nos seus precoces dezoito anos, sabe perfeitamente que rumos quer seguir. Essa firme impressão é captada inconscientemente pelo ouvinte por causa do modo como a voz e a guitarra estão sempre na linha da frente da maioria das canções, um detalhe com a assinatura do experiente produtor Jake Aron.

A tocar guitarra desde os cinco anos de idade, tendo-se estreado com o EP Habit em dois mil e dezasseis e com fortes pretensões a tornar-se numa figura suprema da próxima geração que vai dar cartas no indie rock, Jordan demonstra, neste seu registo de estreia, ser uma artista eclética e abrangente, com um gosto bastante refinado e detentora das coordenadas certas para entrar no âmago de quem quiser encontrar na sua música esperança para novos recomeços. O intimismo nada subtil de Anytime, a melancolia subtil de Stick, as guitarras abrasivas de Full Time, o pendor épico da melodia que conduz Speaking Terms e o modo como o timbre metálico da guitarra a trespassa, ou o cariz pulsante e agreste das distorções que abastecem as diversas variações ritmícas que fazem reluzir o single Heat Wave, são momentos maiores de um álbum que não procura esconder as suas ideias e desabafos por trás de um caudal subversivo de guitarras distorcidas, mas antes usá-las de modo a que todos esses sentimentos genuínos e típicos de uma adolescente que quer utilizar a música para exorcizar algumas agruras, contenham o grau de dramaticidade que um registo do género, profundamente poético e catártico, naturalmente exige. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:45
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Terça-feira, 17 de Julho de 2018

Gruff Rhys - Babelsberg

Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em dezoito de julho de mil novecentos e setenta, faz amanhã quarenta e oito anos, é um músico do País de Gales conhecido pela sua presença nos Super Furry Animals, banda que obteve relativo sucesso na década de noventa. Paralelo ao eficiente trabalho com os Super Furry Animals, Gruff Rhys também tem uma bem sucedida carreira a solo onde testa novas fórmulas, um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicadelia da banda de onde é originário.

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A aventura a solo deste músico começou em 2005 com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreve como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destacou também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em dois mil e onze, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois, em dois mil e catorze, o galês regressou com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys era o ator principal e embarcava numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século dezoito. Agora, em dois mil e dezoito, Babelsberg é o novo registo de originais do artista, dez canções que ampliam até um superior nível qualitativo a sua visão incomum daqueles que serão hoje os grandes eixos orientadores de uma pop que se quer cada vez mais alicerçada num salutar experimentalismo e onde não existam limites para a simbiose entre diferentes estilos musicais.

Com a participação especial da BBC National Orchestra Of Wales, preponderante em muitos dos arranjos dos temas, ao longo do alinhamento de Babelsberg somos confrontados com uma sequência bastante criativa de canções que, do rock sessentista à pop mais psicadélica da década seguinte, passando pela eletrónica oitocentista, oferecem-nos uma viagem no tempo algo atípica porque nunca deixa de haver um travo de contemporaneidade em toda esta amálgama.

Tomando como ponto de partida o habitual olhar crítico e clínico do autor perante o mundo atual, uma atitude bem expressa no título que alude à conhecida Torre de Babel do Antigo Testamento, um dos conceitos mais utilizados no momento de colocar na mesa cenários apocalípticos, Babelsberg está repleto de momentos bastante inspirados e que  comprovam que através da fusão de diferentes plataformas sonoras é possível criar uma experiência multi-sensorial que conte a incrível história de um mundo que tem a consciência de estar à beira do precipício mas que insiste no absurdo de não fazer marcha atrás. Assim, na pop classicista de Frontier Man, uma ode à herança de Cohen, passando pelo esplendor dos arranjos que abastecem Limited Edition Heart, pelo modo encantador como Rhys se entrelaça com a voz da cantora Lily Cole em Selfies In The Sunset, ou pela nostalgia de Same Old Song, percebe-se, com naturalidade, todo um clima de superior requinte e o modo como o músico mantém-se inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico e harmonioso.

Babelsberg é, sem dúvida, o disco mais ambicioso da carreira de Gruff Rhys, um trabalho coeso, dinâmico e conceptual e mais um marco na trajetória do músico. No seu âmago o disco transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys, um luxuoso naipe de canções que quase nos fazem desejar que o apocalipse realmente aconteça, caso seja esta a sua banda sonora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:07
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

Vacationer – Mindset

Filadélfia, nos Estados Unidos da América, é o poiso natural dos Vacationer de Ken Vasoli, um dos projetos de dream pop mais interessantes do outro lado do atlântico e de regresso aos lançamentos discográficos com Mindset, doze canções que viram a luz do dia a vinte e sete de junho último, à boleia da Downtown Records. Mindset sucede a Relief, um álbum editado em dois mil e catorze e o seu título baseia-se naquelas memórias e recordações que vamos guardando na nossa mente e às quais recorremos em instantes mais difíceis para nos devolverem as boas sensações e vibrações positivas que nos ajudam a levantar o ânimo.

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Vacationer é um projeto que parece não encontrar fronteiras apenas dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais num processo de justaposição de vários elementos sonoros. E isso sucede porque ao terceiro disco temos a possibilidade de contemplar delicadas melodias, trespassadas por ritmos cristalinos que parecem ter sido retirados de uma vasta miríade de texturas que nos rodeiam, tal é a sua índole orgânica e expressiva e a capacidade que têm de oferecer ao nosso cérebro as tais sensações felizes, a permissa fundamental que guiou Ken quando criou estas canções.

Apesar desta componente otimista e até algo eufórica de Mindset, o disco não teve um arranque fácil. Vasoli contou com as colaborações essenciais  de Matthew Young e Grant Wheeler, os restantes rostos dos Vacationer, durante o processo de gravação, mas o cerne dos temas foi criado solitariamente, durante meses a fios, um período temporal em que Ken se isolou e, acompanhado por discos dos Beach Boys, Barry White e Curtis Mayfield, arrancou do seu âmago o esqueleto essencial do alinhamento.

A pop sessentista e a eletrónica da década seguinte acabam, assim, por ser influências prementes na sonoridade de Vacationer. Os sintetizadores e as cordas reluzentes de Entrance, a extrema sensibilidade dos arranjos de Magnetism, o clima sereno de Strawberry Blonde, um tema inspirado em Waldo, o cão de Vasoli e o têmpero psicadelico de Being Here, sublimam com mestria esse processo de fazer música, composições que destaquem a emoção e que transportem bonitos sentimentos, num disco mutante, que cria um universo quase impenetrável em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. A própria voz de Vasoli é usada como camada sonora e um elemento essencial na adição de um humanismo eminentemente melancólico a várias canções, um detalhe que confere ao álbum, no seu todo, um tom fortemente denso e que potencia a oscilação necessária para transparecer do seu cerne uma elevada veia sentimental.

Em suma, Mindset serve como uma revolução extremista. Equilibra a nossa mente com sons que recriam as sensações típicas de um sono calmo e com instantes onde reina a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível naquela cavidade do nosso ser às vezes desabitada e sempre irrevogavelmente desconhecida, que é o nosso cérebro. Espero que aprecies a sugestão...

Vacationer - Mindset

01. Entrance
02. Magnetism
03. Euphoria
04. Being Here
05. Strawberry Blonde
06. Late Bloomer
07. Turning
08. Hallucinations
09. Romance
10. Blue Dreaming
11. Green
12. Companionship


autor stipe07 às 14:06
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2018

William Duke - Quatro

Foi a vinte e sete de junho último que viu a luz do dia Quatro, o segundo registo de originais de William Duke, um músico e escritor natural de São Francisco, na Califórnia e que se movimenta dentro daquele típico indie rock norte-americano mais genuíno, que foi criando raízes no último meio século e que deve grande parte da sua identidade ao modo como incorpora alguns detalhes do jazz, do blues e da folk típica não só da costa oeste, geralmente de cariz algo lisérgico, mas também aquela folk mais sulista, que tem no banjo o instrumento de eleição. O resultado final é um álbum com uma filosofia sonora descontraída e bastante aditiva, comandada invariavelmente pelas cordas e enriquecida por letras com um elevado sentido de humor e descontração, onde abundam descrições muito expressivas acerca da contemporaneidade americana, onde a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude têm plano de destaque.

Foto de William Duke Presents.

Neste Quatro embarcamos numa viagem sonora inspirada e inspiradora, uma jornada que em pouco mais de meia hora nos permite pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este artista norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança local deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas. Assim, do extraordinário jogo de cordas que abastece Hotels And Meetings ao tremendo travo surf pop de Cue Up The Memories, passando pelo clima jovial e luminoso do single Caroline And The Silver Screen e pelo perfil nostálgico de Thank You, descobrimos ao longo do registo uma sonoridade simples, mas plena de expressividade e vida e que vai ampliando a nossa boa impressão acerca do autor, enquanto ele expôe todos os seus atributos para compôr telas sonoras com uma tonalidade algo cinza, mas plenas de sentimentos e emoções. A mais contemplativa e charmosa de As Good As It Gets é um bom exemplo deste nível apurado de abrangência, uma canção que acaba por enriquecer o elevado grau de ecletismo de um alinhamento que, recordando com particular nitidez alguns dos nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo, acaba por ser também uma banda sonora perfeita para um verão que se quer descontraído e vivido com alegria e boa disposição.

Quatro é, em suma, um desfilar exuberante de sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas, a navegarem numa espécie de meio termo entre a pop, o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

William Duke - Quatro

01. Caroline And The Silver Screen
02. Junk#2
03. Hotels And Meetings
04. Hotels End
05. Cue Up The Memories
06. As Good As It Gets
07. Complications#1
08. Thank You


autor stipe07 às 10:21
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2018

Patrick Watson – Melody Noir

Patrick Watson - Melody Noir

O canadiano Patrick Watson está de regresso aos discos com Melody Noir, um registo de originais que vai ver a luz do dia muito em breve e do qual acaba de ser revelado o single homónimo, assim como o vídeo, realizado pelo próprio músico e pela conterrânea Brigitte Poupart e produzido por Olivier Sirois.

Esta canção Melody Noir é inspirada num músico venezuelano chamado Simon Diaz e nela Patrick Watson plasma todos os seus predicados quer como dono de uma voz única e multifacetada, da qual sobressai o seu inconfundível falsete, quer como arquiteto de uma sonoridade com raízes na folk, mas que busca uma salutar contemporaneidade ao inserir também alguns detalhes da pop e da eletrónica mais contemplativa.

Importa ainda referir que Patrick Watson está de regresso a Portugal no final do ano para promover este seu novo álbum, mais concretamente de dois a quatro de Dezembro, com Lisboa, Coimbra, Guimarães e Porto a receberem, respectivamente, um dos artistas internacionais mais acarinhados pelo publico português e que deverá fazer-se acompanhar por Joe Grass, na guitarra, Robbie Kuster, na bateria e percurssão e por Mishka Stein, no baixo. Confere...


autor stipe07 às 10:11
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Terça-feira, 10 de Julho de 2018

Linda Martini - É só uma canção vs Quase se fez uma casa

Os Linda Martini de André Henriques (Voz e Guitarra), Cláudia Guerreiro (Baixo e Voz), Hélio Morais (Bateria e Voz) e Pedro Geraldes (Guitarra e Voz), continuam a retirar dividendos do excelente homónimo que editaram recentemente e que os catapultou, definitivamente e com toda a justiça, para o pódio dos melhores projetos de indie rock alternativo nacionais da atualidade.

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Sucessor do aclamado Sirumba, editado em dois mil e dezasseis, Linda Martini foi gravado na Catalunha entre Outubro e Novembro de 2017, com produção da própria banda e Santi Garcia e com todos os detalhes pensados até ao mais ínfimo pormenor. Por exemplo, o retrato a óleo da capa é a rapariga italiana a quem a banda pediu emprestado o nome no início do século, quando o projeto surgiu e o seu conteúdo sonoro não pretende ser uma mera continuidade da sonoridade habitual, mas antes uma fuga da zona de conforto, com um equilíbrio cada vez maior de elementos como o ritmo, a melancolia e o intimismo, relativamente não só ao antecessor, mas também a todo o cardápio do projeto, que conta já com seis tomos.

Em suma, os Linda Martini de hoje podem ser Rock e Fado, Fugazi e Variações, Fela Kuti e Afrobeat, Tim Maia e Funk, sem nunca soarem a outra coisa que não eles e são poucas as bandas que, remexendo e criando desconforto à primeira audição, conseguem depois, da harmonia ao caos, do balanço lânguido às cavalgadas épicas, soarem harmoniosos e profundamente cativantes.

Para espalhar ainda mais a sua doutrina, os Linda Martini acabam de retirar de Linda Martini dois singles e em simultâneo, os temas É só uma canção e Quase se fez uma casa. De acordo com o press release do lançamento, neste duplo videoclip, o grupo abre com É só uma canção, composição que nos fala sobre o peso da maldita folha em branco. São eles a contornar o que já fizeram, a contrariar rotinas para descobrirem outro ângulo e em Quase se fez uma casa, o segundo filme, amachucam o rascunho para que nada fique de pé. Peritos em adocicar a tragédia, a amargar-nos a felicidade, entram num jogo de tensão e libertação; um workshop de gestão de raiva do qual todos saíram ilesos e um pouco mais leves. Confere...


autor stipe07 às 09:40
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2018

Dusted – Blackout Summer

Como membro fundador do projeto de eletrónica progressiva Holy Fuck, o canadiano Brian Borcherdt passou grande parte da sua carreira artística a compôr música de dança e ativo em sucessivas digressões desse projeto, sempre acompanhadas por milhares de seguidores da banda, conhecida por dar concertos capazes de levar o público quase à exaustão. Mas por trás dessa cortina, Brian foi compondo canções cuja sonoridade está sonora e dramaticamente a milhas dos Holy Fuck e um dia, num breve interregno da agenda frenética do grupo, Brian resolveu que também deveria dar vida a esses temas. Para isso incubou o projeto Dusted, contou com a ajuda de Leon Taheny e abrigado pela Hand Drawn Dracula, estreou-se em 2012 com o registo Total Dust. Agora, seis anos depois, viu finalmente a luz do dia o sucessor, um registo intitulado Blackout Summer, com nove canções criadas a partir de uma guitarra e da voz do autor, um encantador minimalismo que tem levado o grupo a abrir concertos de bandas como os Great Lake Swimmers, Perfume Genius ou A Place To Bury Strangers. Entretanto, aos Dusted juntaram-se Anna Edwards, na guitarra, Loel Campbell na bateria e ocasionalmente Anna Ruddick no baixo.

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Se a música dos Holy Fuck é perfeita para servir de banda sonora de uma noite de festa e diversão, Blackout Summer é aquele disco que queremos por a tocar na manhã seguinte. À medida que conferimos o seu alinhamento cruza-se com os nossos ouvidos uma cortina de sons de forte cariz etéreo e contemplativo e onde bom gosto e sobriedade são caraterísticas muito presentes, logo em Seasons, canção onde Brian mostra todos os seus predicados quer como cantor, quer como criador de melodias com uma luminosidade ímpar. Depois, na ode à pop inebriante do single Backwoods Ritual e no forte travo folk de All I Am, somos brindados com aquilo que mais precisamos numa manhã de ressaca, um acervo de canções impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze que, numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave, possibilita instantes de relaxamento, mas também pode adequar-se a momentos de sedução e que exigem uma banda sonora que conjugue charme com uma elevada bitola qualitativa, porque é comum essas noites não terminarem sem uma companhia muitas vezes inesperada.

Os Dusted servem-se, então, de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. Às vezes pressente-se que Brian não sabe muito bem se queria que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinha a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Dusted, um projeto que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Dusted - Blackout Summer

01. Seasons
02. Backwoods Ritual
03. All I Am
04. Cut Corners
05. Dead Eyes
08. Will Not Disappear
07. No Prison
08. Five Hundred And Four
09. Outline Of A Wolf


autor stipe07 às 14:19
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

Luke Sital-Singh - Just A Song Before I Go EP

Depois da edição o ano passado de Time Is A Riddle, o seu último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição.

Alguns meses depois, Luke editou Weight Of Love, um EP com quatro canções e que foi divulgado por cá, mas não seria justo deixar de fora desta abordagem recente da nossa redação a Luke Sital-Singh, o EP Just A Song Before I Go, um registo também com quatro temas e que é fortemente influenciado pela passagem do músico pelos Estados Unidos durante essa viagem. Este EP viu a luz do dia no primeiro mês deste ano, através da Dine Alone Records, a morada atual do músico britânico, à semelhança de Weight Of Love e de Time Is A Riddle.

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Luke é exímio a criar canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas, mas também por teclas inspiradas, uma receita que cria melodias deliciosas e repletas de um charme inconfundível que deve muito a alguns dos melhores detalhes não só da folk, mas também da pop contemporânea. A luminosidade do tema homónimo que abre o EP é um bom exemplo disso e a melancolia que está agregada à acusticidade de Thirteen, um clássico original de 1972 dos Big Star, que foi na mala de Luke na tal viagem e já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith, sendo fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo, acentua a inocência que a própria canção, na sua génese, transborda, nomeadamente da sua letra. Depois, o intimismo subjacente à versão de Harvest Moon, um clássico de Neil Young aqui conduzido por um piano insinuante e pelo inconfundível falsete do artista e, finalmente, o intenso travo à herança mais pura da folk americana em Late For The Sky, reforçam a suavidade melancólica de um EP que é uma ode do autor a alguns dos seus heróis, muitos deles verdadeiros pilares da história musical do outro lado do atlântico, ao mesmo tempo que plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, sempre com um cunho pessoal muito identitário, mesmo quando revisita composições que não são da sua autoria. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:36
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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

Tape Deck Mountain – Echo Chamber Blues

Travis Trevisan, Andy Gregg e Sully Kincaid são os Tape Deck Mountain, um trio norte americano que se divide entre Nashville, no Tenessee e São diego na Califórnia e que acaba de regressar aos discos com Echo Chamber Blues, nove canções misturadas por Andy Gregg, o baterista do grupo e assentes num indie rock de forte travo progressivo e de elevada bitola qualitativa.

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Os Tape Deck Mountain já andam nestas andanças há uma década, mas Echo Chamber Blues é apenas o terceiro disco da carreira do grupo. Estrearam-se em dois mil e nove com Ghost, quatro anos depois aprimoraram a fórmula da estreia com o excelente Sway e agora, cinco anos depois, neste Echo Chamber Blues, limam arestas e proporcionam ao ouvinte um caldeirão sonoro assente num shoegaze que, entre ambientes mais contemplativos e outros mais arrojados, não vive só do baixo e da guitarra (abastecida por onze pedais diferentes só neste disco), mas também da bateria, a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como o amor e alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea.

Acaba por ser através duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime, que temas como a imponente I Will Break You, a intrincada Morse Code, ou o sublime instrumental Bueu, nos permitem contemplar belíssimas improvisações melódicas, cheias de detalhes e sem grande excesso, num disco rematado por um belíssimo acabamento açucarado, fruto do excelente trabalho de produção do baterista da banda e pleno de potencial para criar em nós paisagens melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Deck Mountain - Echo Chamber Blues

01. Is
02. Loopers Of Bushwick
03. Morse Code
04. Elephant
05. Bueu
06. I Will Break U
07. IQU
08. Halo
09. Locations


autor stipe07 às 21:44
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