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Mating Ritual – Light Myself On Fire

Sexta-feira, 15.06.18

Mating Ritual é o projeto a solo do músico californiano Ryan Marshall Lawhon, que tem a sua própria editora, a Smooth Jaws, através da qual acaba de editar Light Myself On Fire, o seu segundo registo de originais, álbum que sucede ao aclamado registo de estreia, intitulado How You Gonna Stop It?, lançado à cerca de um ano, também através da sua etiqueta.

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Mating Ritual é um artista de várias facetas, já que dentro de um espetro bem delimitado, o rock oitocentista, procura abraçar os diversos subgéneros de um espetro sonoro que está sempre muito presente no nosso imaginário e que é, nos dias de hoje, fonte de inspiração para imensos projetos, com origem, especialmente, do outro lado do atlântico. Logo a abrir o alinhamento de Light Myself On Fire, a excelente melodia do teclado e o swing das guitarras do tema homónimo e, depois, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve U + Me Will Never Die, uma canção com um refrão avassalador, percebe-se que Ryan dá primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica, que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada que, nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra uma atitude corajosa de querer evitar ao máximo que a limpidez e a capacidade de airplay radiofónico dos temas possam castrar a extraordinária capacidade criativa que o músico demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para o universo sonoro já referido. Depois, a percurssão trememendamente intuitiva e ritmada de Heaven's Lonely e, ainda nesse tema, as guitarras efusiantes e diversificadas em termos de efeitos e o baixo imponente aliado a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, além do timbre sintético na voz que dá a Ryan uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, clarificam-nos, ao terceiro tema que este Light Myself On Fire é a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound.

Assim, é verdade que ao longo do alinhamento do registo abundam os flashes de efeitos vários, mas é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas e melodias orelhudas que tanto nos levam, no caso de Stop Making Sense, para ambientes mais climáticos, mas com uma pinta de epicidade, como para aquela pop efusiante, expansiva, radiofónica e luminosa, exemplarmente retratada em Low Light, um verdadeiro e imenso hino indie rockA viagem interestelar continua em Spliting In Two e depois nas variações rítmicas de Monster e na encantadora tonalidade reflexiva de Lust + Commitment, o autor confere um ambiente ainda mais negro e místico ao disco, ampliando, assim, o seu cariz sonoro abrangente e múltiplo.

Em suma, ao segundo disco Mating Ritual continua a dar vida à fusão única que alimenta entre o talento musical que possui e a nostalgia que sente relativamente a um período musical que o terá marcado profundamente, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Espero que aprecies a sugestão...

Mating Ritual - Light Myself On Fire

01. Light Myself On Fire
02. U + Me Will Never Die
03. Heaven’s Lonely
04. Stop Making Sense
05. Low Light
06. Splitting In Two
07. Monster
08. Lust + Commitment
09. I Know So Much Less Than I Thought I Did

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publicado por stipe07 às 10:37

Death Cab For Cutie – Gold Rush

Quinta-feira, 14.06.18

Death Cab For Cutie - Gold Rush

Cerca de três anos depois de Kintsugi os Death Cab For Cutie já têm finalmente um sucessor para esse excelente disco que atestou, à época e mais uma vez, que eles são mestres em escrever sobre sentimentos e emoções, plasmadas, no caso desse registo, em letras profundas e intensas, que debruçavam-se sobre as relações humanas, num álbum possível de ser fonte de identificação para qualquer um de nós.

Thank You For Today, o nono álbum da carreria desta banda norte americana de indie rock oriunda de Washington e formada por Ben Gibbard, Nick Harmer e Jason McGerr, deverá manter o trio nesse rumo filosófico, com Gold Rush, o primeiro single divulgado do seu alinhamento, a testar novamente a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil e a renovar com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que saberá mais uma vez como agradar aos fãs. Confere...

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publicado por stipe07 às 10:36

Wooden Shjips – V.

Quarta-feira, 13.06.18

Editado recentemente pela Thrill JockeyV. é o novo disco dos Wooden Shjips, uma banda natural de São Franscisco, na costa oeste dos Estados Unidos, que toca um rock de garagem influenciado pela psicadelia dos anos sessenta e o krautrock da década seguinte. V. sucede ao aclamado Back To Land, disco dos Wooden Shjips editado em 2013 e marca o regresso aos lançamentos discográficos de Ripley Johnson com os Wooden Shjips, um guru do rock psicadélico que também é cabeça de cartaz dos extraordinários Moon Duo, banda que partilha com Sanae Yamada. Quanto aos Wooden Shjips, neste grupo Ripley Johnson tem a companhia de Omar Ahsanuddin, Dusty Jermier e Nash Whalen.

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A sugestiva capa de V., representando de modo expressivo o título do registo e o ambiente colorido de uma espécie de utopia tropical, personifica, de modo feliz, o conteúdo de um registo que é uma verdadeira trip de rock psicadélico, algo que os Wooden Shjips fazem com mestria. Assim, e como convém a um projeto que aposta numa espécie de hipnose instrumental, escutam-se em V. guitarras, baterias e sintetizadores em catadupa, um arsenal instrumental que nos leva numa viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Já agora, confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso dos Wooden Shjips a fórmula selecionada é muito simples e aquilo que sobressai acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução de dois verdadeiros mestres do improviso psicadélico, uma estratégia que melodicamente, cria atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea crua e visceral e, como já foi referido, eminentemente sessentista.

Aliás, os Wooden Shjips são uma banda perfeita para nos recordar aquele som de protesto e incendiário que teve o seu auge na ressaca de Woodstock e que contém muitos dos pilares fundamentais que são ainda, meio século depois, a nossa contemporaneidade cultural. No fuzz constante da guitarra de Eclipse e no teclado que amiúde plana sobre a melodia de In The Fall percebe-se, com nitidez, como ainda é possível, várias décadas depois, este som ainda ser recriado com elevado grau de inedetismo e de acessibilidade, apesar de muitos projetos insistirem em servir-se dessa herança para criar instantes sonoros muitas vezes amorfos e  despidos não só de qualidade mas, principalmente, de um conceito que os justifique. Depois, nas cordas vibrantes e luminosas de Already Gone, para mim o momento maior deste caldo que é V. e no cósmico clima entorpecedor de Staring At The Sun e no travo hindu de Golden Flower, sentimos facilmente uma outra mais valia dos Wooden Shjips, a sua subtil capacidade para nos fazer deambular entre diferentes mundos, inclusive da própria da world music, uns com mais groove e outros mais relaxantes, sempre com o tal experimentalismo na linha da frente e sem se perderem em exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão... 

Wooden Shjips - V.

01. Eclipse
02. In The Fall
03. Red Line
04. Already Gone
05. Staring At The Sun
06. Golden Flower
07. Ride On

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publicado por stipe07 às 11:40

Blossoms - Cool Like You

Terça-feira, 12.06.18

Já viu a luz do dia Cool Like You, o segundo álbum do quinteto Blossoms, um registo que sucede ao disco homónimo de estreia editado no verão de 2016, um trabalho que à época causou forte impacto na crítica generalizada, muito por culpa de canções como Charlemagne, Honey Sweet ou Getaway. Este Cool Like You foi produzido por James Skelly e reforça o percurso ascendente de um projeto que está a tornar-se um caso sério de popularidade em terras de Sua Majestade, muito por causa de uma perspicaz simbiose entre guitarras certeiras e teclados incisivos, mescla que resulta numa synthpop muito aditiva e orelhuda.

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Os Blossoms são oriundos de Stockport, nos arredores de Manchester e, provavelmente, a proximidade a essa cidade mítica do indie punk rock fez com que adoptassem alguns dos detalhes mais significativos da sonoridade típica da geografia que os delimita fisicamente, mas também com o intúito de dar a esse arquétipo sonoro uma aurea refrescante e contemporânea. Assim, I Can't Stand It, o primeiro single que foi divulgado deste Cool Like You e uma opção nada inocente, capta os Blossoms no ponto que definiu o clima sonoro do disco anterior, ampliando-o com o groove intuitivo da batida, um baixo subtil mas convincente e vários efeitos sintetizados de uma canção que nos emerge, sem apelo nem agravo, no clima enérgico da pop novecentista mais luminosa e efervescente.

Com esse single a aumentar enormemente as expetativas dos ouvintes realtivamente ao disco, a verdade é que o restante conteúdo não defrauda, com o amor e o modo como nos relaiconamos com o outro a serem o ponto de partida para um alinhamento com um som ainda mais encorpado, dançante e rico que o do álbum anterior. Stranger Still é outra canção que comprova este input de maturidade, numa junção subtil de psicadelia com alguns dos aspetos fundamentais da pop de final do século passado, assim como Love Talk, uma canção mais intimista e que acaba por mostrar um outro lado deste espetro sonoro, menos direto e mais intrincado e apontar novas nuances ao futuro discográfico dos Blossoms.

Disco coeso e com vários singles em potência, Cool Like You é um promissor rasgo de melodias acessíveis e letras carregadas de encanto, num alinhamento como uma qualidade instrumental que ultrapassa o comum, oferecendo-nos uns Blossoms moderadamente enérgicos, mais amadurecidos e com uma assinalável vitalidade. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:00

Interpol - The Rover

Segunda-feira, 11.06.18

Interpol - The Rover

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já têm praticamente pronto Marauder, o novo disco desta banda nova iorquina liderada por Paul Banks. Marauder irá ver a luz do dia no final de agosto, através da Matador Records e estão já agendadas algumas datas de uma extensa digressão para promover o registo. Além disso, também já foi divulgado um single de lançamento intitulado The Rover.

Pela amostra, este tema The Rover, parece-me que os Interpol vão continuar a trilhar o percurso sonoro iniciado em El Pintor, alinhamento em que os norte-americanos mostraram ter finalmente percebido que a sua imensa legião de fãs não se importa que se mantenham no território sonoro onde se sentem mais confortáveis, aquele que os lançou para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. Confere The Rover e a tracklist de Marauder.

If You Really Love Nothing

The Rover

Complications

Flight of Fancy

Stay in Touch

Interlude 1

Mountain Child

NYSMAW

Surveillance

Number 10

Party’s Over

Interlude 2

It Probably Matters

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publicado por stipe07 às 13:12

The Smashing Pumpkins – Solara

Sexta-feira, 08.06.18

The Smashing Pumpkins - Solara

Billy Corgan continua a tentar que os seus The Smashing Pumpkins, uma banda fundamental do rock alternativo das últimas três décadas, consigam regressar aos bons e velhos tempos. Desta vez, parece-me haver uma maior possibilidade de sucesso porque finalmente conseguiu fazer regressar a casa James Iha e Jimmy Chamberlin, elementos fundamentais no conteúdo dos discos mais emblemáticos da banda, lançados na primeira metade da década de noventa.

Após meses de ensaio, o trio apresenta então a sua primeira amostra em dezoito anos, um tema intitulado Solara, que deverá fazer parte de um de uma série de EPs que os The Smashing Pumpkins projetam lançar neste novo arranque. A canção encaixa de modo assertivo na melhor herança do grupo e mostra que a química afinal pode ainda existir. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:12

We Are Scientists - Megaplex

Quinta-feira, 07.06.18

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual. Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists viu a luz do dia a vinte e sete de abril através da Grönland Records e foi produzido por Max Hart.

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Escuta-se os últimos discos dos We Are Scientists e a sensação que muitas vezes fica é que estamos na presença de uma daquelas bandas que não quer ser levada muito a sério. Não indo mais longe, basta pensar no antecessor deste Megaplex, o disco Helter Seltzer, título que resultou de um trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter, para ficar expressa a habitual boa disposição de uma banda que, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

Sendo assim, uma das primeiras impresões que fica após a audição deste portento sonoro chamado Megaplex é que a habitual banda sonora destes We Are Scientists firmada no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos e carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que aqui, em canções como Notes In A Bottle ou a rugosa Your Heart Has Changed se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto, não foi colocado inteiramente de parte, mas houve, desta vez uma clara preocupação em olhar para uma faceta mais synthpop e até retro, como demonstram, desde logo, os sintetizadores e a toada épica de forte cariz oitocentista de One In One Out. Para que esta opção resultasse de modo tão eficaz houve certamente uma elevada dose de responsabilidade do produtor Max Hart, que orientou um trabalho de produção e mistura que não descurou quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabaram por adornar e dar mais brilho e cor à maioria das composições. Lá mais para o meio do disco, em No Wait At Five Leaves, esta abordagem mais sintética ganha ainda um maior fulgor ao encostar-se a alguns tiques do punk nova iorquino de início deste século, com os Interpol a serem, quanto a mim, uma influência declarada não só neste tema mas em outros momentos de Megaplex.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem, reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de composições que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo e que perceberão certamente o grau de inedetismo deste Megaplex. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:15

Gaz Coombes – World’s Strongest Man

Quarta-feira, 06.06.18

Quem esteve atento à luta fraticida pelo domínio da brit pop durante a década de noventa, recorda-se imediatamente da dupla Blur vs Oasis e depois acrescenta-lhe os Suede e os Pulp, os The Charlatans e talvez os Spiritualized e os Supergrass, este, sem dúvida, o grupo britânico mais negligenciado nessa altura. Gaz Coombes, antigo líder desta banda britânica, estreou-se numa carreira a solo em 2012 e em boa hora o fez com o fabuloso Here Come The Bombs. Pouco mais de dois anos depois desse início prometedor, Coombes regressou mais uma vez à boleia da Hot Fruit Recordings, com Matador, um disco produzido pelo próprio autor e gravado no seu estúdio caseiro em Oxford. Agora foi a vez de nos revelar World's Strongest Man, mais onze canções idealizadas por uma das personalidades mais criativas da indie britânica e que se inspirou, neste seu terceiro registo, no concurso anual World's Strongest Man, um enorme sucesso televisivo em Inglaterra, um talkshow passado numa qualquer ilha das Caraíbas e que escolhe, após várias provas, aquele que é supostamente o homem mais forte do mundo.

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De facto, World's Strongest Man é a reflexão individual de Coombes acerca do que é ser o homem mais forte do mundo em 2018. Não sendo a primeira vez que o autor se foca nas noções de masculinidade (Matador tinha várias referências a esse assunto), a verdade é que desta vez ele fá-lo com maior profundidade, tendo também sido determinante para essa influência, além do programa televisivo referido, a leitura dedicada que Gaz fez de The Descent Of Man, um romance do aclamado escritor Grayson Perry e que se debruça sobre o dia-a-dia de um homem que tem como profissão escrever canções, além de uma vida familiar bastante preenchida, onde se incluem três filhos. Um super homem, portanto.

Assim, a mensagem que Gaz Coombes nos quer fazer passar com este World's Strongest Man é que o homem mais poderoso do mundo não é aquele que é fisicamente mais forte e musculado, mas sim aquele homem que tem uma vida preenchida e consegue, dentro dos habituais arquétipos de masculinidade que a contemporaneidade institui, dar conta do recado e atender a todas as solicitaçõe diárias, pessoais e profissionais, de modo profícuo e recompensador. Portanto, este também é um disco que fala de fraquezas, vulnerabilidades e dores emocionais, ou seja, de escolhas difíceis e que um homem forte é aquele que estando sujeito a elas todos os dias, consegue ter o discernimento para optar por aquilo que mais o preenche, ao mesmo tempo que faz feliz quem o rodeia e com ele interage. Wounded Egos, uma das canções mais reveladoras do disco, fala exatamente das consequências de uma vivência oposta a esta, do individualismo e do egoísmo, enquanto o tema homónimo ensina-nos que nunca devemos recear a partilha das nossas fragilidades e receios com quem nos pode orientar e acrescentar algo de positivo, nem que seja, como refere The Oaks, com as árvores que plantámos um dia no jardim lá de casa, porque até elas, se estivermos atentos, comunicam connosco.

Sonoramente, World's Strongest Man é um disco cheio de influências. Gaz Coombes confessou, numa entrevista recente de promoção do álbum, que Frank Ocean foi uma grande influência, nomeadamente na sua prestação vocal, mas nota-se a influência de outras bandas e artistas num alnhamento sonicamente rico e heterogéneo. Se a guitarra de Deep Pockets exala Black Rebel Motorcycle Club por todos os poros, o sintetizador e a batida de Shit (I’ve Done It Again) recordam Daft Punk, com o reverb das cordas e o suspiro minimal do teclado de Walk The Walk a levarem-nos diretamente ao cerne do cardápio de Beck e o já referido tema homónimo a apresentar muitas nuances habituais nos conterrâneos Radiohead, numa canção que mostra uma relação pouco vista entre eletrónica e rock progressivo, sem descurar um intenso sentido melódico. Seja como for, tudo isto não é sinal de plágio ou de falta de inspiração, mas antes uma forma nobre de aceitar influências que acrescentam, claramente, mais valias ao adn sonoro de Coombes que, a solo, liberto das amarras conceptuais que o formato banda muitas vezes impôe, tem a possibilidade de deixar fluir livremente o seu apurado sentido estético, com um interessante grau de criatividade e de inedetismo, até.

World's Strongest Man é, em suma, um disco idealizado por um artista homem que parece viver uma fase da sua existência em que repara atentamente na problemática e nas discussões sobre a igualdade de género que abundam na sociedade ocidental, fazendo-o não como alguém que apresenta uma solução para essas questões, mas com a preocupação principal de servir-se destas canções para provar a si próprio que fazer música é algo que o faz muito feliz e que toca os outros e que por isso. merece ser incluido na lista dos melhores do seu género. Espero que aprecies a sugestão...

Gaz Coombes - World's Strongest Man

01. World’s Strongest Man
02. Deep Pockets
03. Walk The Walk
04. Shit (I’ve Done It Again)
05. Slow Motion Life
06. Wounded Egos
07. Oxygen Mask
08. In Waves
09. The Oaks
10. Vanishing Act
11. Weird Dreams

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publicado por stipe07 às 20:39

Father John Misty - God's Favourite Costumer

Terça-feira, 05.06.18

Depois do excelente Pure Comedy, lançado na primavera do ano passado e que teve posição de destaque na lista dos melhores álbuns desse ano para esta redação, além de ter valido um Grammy para o autor, os fãs nacionais de Father John Misty têm mais motivos para se regozijar em 2018, já que este músico norte-americano acaba de editar um novo álbum intitulado God's Favourite Customer, cujo conteúdo nos oferece um Josh Tillman ainda mais absorvido nos seus dilemas, vulnerabilidades e inquietações pessoais, enquanto ensaia uma abordagem tremendamente empática e próxima com o ouvinte, sem se deslumbrar e perder a sua capacidade superior de criar canções assentes num luminoso e harmonioso enlace entre cordas e teclas, que dão vida a temas carregados de ironia e de certo modo provocadores. Bom exemplo disso é o single Mr Tillman, canção cuja letra, flutuando sobre um memorável piano, nos coloca na perspetiva de um empregado de hotel que questiona o comportamento algo excêntrico do próprio Misty durante uma estadia de dois meses num hotel nova iorquino, onde lidou com o uso abusivo de substâncias psicotrópicas e as dificuldades do seu matrimónio, entre outras questões pessoais.

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God's Favourite Customer é, claramente, um constante diálogo de Josh consigo próprio, uma forma de exorcizar tudo aquilo que o consome e de conseguir obter uma saída airosa para o labirinto em que a sua vida se parece ter tornado. Ao perguntar a uma entidade divina, em Hangout At The Gallows, o quê e o porquê das coisas, num tema que faz o autor regressar aquela folk mais agreste em que se tornou mestre superior, ao dissertar sobre a dificuldade que tem em avançar em frente nos momentos de maior dor em Just Dumb Enough To Try, ao demonstrar em The Palace o medo que sente de sair do quarto de hotel referido em Mr Tillman, ao colocar-se na pele da esposa em Please Don’t Die, tentanto adivinhar o que ela sente por ver o marido em sofrimento quase permanente e ao encerrar os quase trinta e nove minutos do disco com uma canção em que, como o seu título indica, é a imperfeição da nossa inevitabilidade humana que muitas vezes nos leva ao sofrimento, mas que isso não deverá ser mais forte do que a nossa propensão natural para a busca da felicidade e do sentido da vida, fica plasmado este cenário auto reflexivo, mas que pelo modo como é musicado acaba também por ser, por incrivel que pareça, um tónico que nos deixa acreditar que pode ser possível confiar que o nosso modus operandi para a obtenção dos melhores caminhos e atalhos principais e secundários para a suprema felicidade ou, como ponto de partida, para a redenção pessoal. E Father John Misty leva a cabo esta demanda com um elevado sentido críptico e desafiante, já que não é óbvia, em alguns instantes, a descodificação célere e intuitiva das suas reais intenções.

Num disco preenchido então com canções bonitas e sentidas, repletas de orquestrações opulentas e com um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo, chega a ser inquietante o modo impressivo e realista como Joshua Tillman se senta ao piano ou coloca a viola no regaço e toca e canta emotivamente sobre as agruras, anseios, inquietações inerentes à condição humana, mas também as motivações e os desejos de quem usa o coração como veículo privilegiado de condução, orientação e definição de algumas das metas imprescindíveis na sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

Father John Misty - God's Favorite Customer

01. Hangout At The Gallows
02. Mr. Tillman
03. Just Dumb Enough To Try
04. Date Night
05. Please Don’t Die
06. The Palace
07. Disappointing Diamonds Are The Rarest Of Them All
08. God’s Favourite Customer
09. The Songwriter
10. We’re Only People (And There’s Not Much Anyone Can Do About That)

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publicado por stipe07 às 16:15

Wye Oak – The Louder I Call, The Faster It Runs

Segunda-feira, 04.06.18

Foi a seis de abril e à boleia da Merge Records que viu a luz do dia The Louder I Call, The Faster It Runs, o novo registo de originais da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Este é o sexto disco da carreira destes norte-americanos até há pouco tempo denominados mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy e que solidifcam neste registo uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

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Logo na miríade de sons e batidas sintetizadas de The Instrument percebe-se que há o objetivo claro de presentear o ouvinte com uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, por um lado e eminentemente sintética, por outro, mas sem descurar uma faceta emocional, que é perservada não só pela voz de Jenn, mas também pelos diversos arranjos que vão flutuando pela melodia. E essa dupla faceta é algo que a coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos do tema homónimo, solidifica, uma canção que evolui e cresce, segundo após segundo, enquanto nos emerge num ambiente carregado de batidas e ritmos, mas suavizado por uma encantadora prestação vocal. 

A partir daí, à medida que o disco avança e se percebe o alargado leque de influências que ditou o seu conteúdo, ficam claras as transições sonoras em que os Wye Oak apostam e nota-se, dentro do objetivo acima referido, a experimentação de diferentes estilos, cabendo, no alinhamento, ecos bem audíveis de dream pop, quer na guitarra de Lifer, quer no piano de It Was Not Natural, mas também de synthpop, irrepreensível em Symmetrydance punk oitocentista em Over and Over e aquela eletrónica mais ambiental e progressiva, bem exemplificada, por exemplo, em Say Hello. Esta sucessão de heterogeneidade que acaba por se justificar no próprio título do registo, mostrando uma alternância entre momentos de cor e outros sombrios e instantes instrumentalmente algo minimais e outros mais intrincados, pessimismo e otimismo, razão e crença, entronca sempre numa ânsia de dissertar acerca de alguns dilemas existenciais comuns a todos nós, incertezas e medos, ciência e filosofia, mas também triunfos e clarezas, com a maior simplicidade e honestidade possíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Wye Oak - The Louder I Call, The Faster It Runs

01. (Tuning)
02. The Instrument
03. The Louder I Call, The Faster It Runs
04. Lifer
05. It Was Not Natural
06. Symmetry
07. My Signal
08. Say Hello
09. Over And Over
10. You Of All People
11. Join
12. I Know It’s Real

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publicado por stipe07 às 17:17







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