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Gaz Coombes – World’s Strongest Man

Quarta-feira, 06.06.18

Quem esteve atento à luta fraticida pelo domínio da brit pop durante a década de noventa, recorda-se imediatamente da dupla Blur vs Oasis e depois acrescenta-lhe os Suede e os Pulp, os The Charlatans e talvez os Spiritualized e os Supergrass, este, sem dúvida, o grupo britânico mais negligenciado nessa altura. Gaz Coombes, antigo líder desta banda britânica, estreou-se numa carreira a solo em 2012 e em boa hora o fez com o fabuloso Here Come The Bombs. Pouco mais de dois anos depois desse início prometedor, Coombes regressou mais uma vez à boleia da Hot Fruit Recordings, com Matador, um disco produzido pelo próprio autor e gravado no seu estúdio caseiro em Oxford. Agora foi a vez de nos revelar World's Strongest Man, mais onze canções idealizadas por uma das personalidades mais criativas da indie britânica e que se inspirou, neste seu terceiro registo, no concurso anual World's Strongest Man, um enorme sucesso televisivo em Inglaterra, um talkshow passado numa qualquer ilha das Caraíbas e que escolhe, após várias provas, aquele que é supostamente o homem mais forte do mundo.

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De facto, World's Strongest Man é a reflexão individual de Coombes acerca do que é ser o homem mais forte do mundo em 2018. Não sendo a primeira vez que o autor se foca nas noções de masculinidade (Matador tinha várias referências a esse assunto), a verdade é que desta vez ele fá-lo com maior profundidade, tendo também sido determinante para essa influência, além do programa televisivo referido, a leitura dedicada que Gaz fez de The Descent Of Man, um romance do aclamado escritor Grayson Perry e que se debruça sobre o dia-a-dia de um homem que tem como profissão escrever canções, além de uma vida familiar bastante preenchida, onde se incluem três filhos. Um super homem, portanto.

Assim, a mensagem que Gaz Coombes nos quer fazer passar com este World's Strongest Man é que o homem mais poderoso do mundo não é aquele que é fisicamente mais forte e musculado, mas sim aquele homem que tem uma vida preenchida e consegue, dentro dos habituais arquétipos de masculinidade que a contemporaneidade institui, dar conta do recado e atender a todas as solicitaçõe diárias, pessoais e profissionais, de modo profícuo e recompensador. Portanto, este também é um disco que fala de fraquezas, vulnerabilidades e dores emocionais, ou seja, de escolhas difíceis e que um homem forte é aquele que estando sujeito a elas todos os dias, consegue ter o discernimento para optar por aquilo que mais o preenche, ao mesmo tempo que faz feliz quem o rodeia e com ele interage. Wounded Egos, uma das canções mais reveladoras do disco, fala exatamente das consequências de uma vivência oposta a esta, do individualismo e do egoísmo, enquanto o tema homónimo ensina-nos que nunca devemos recear a partilha das nossas fragilidades e receios com quem nos pode orientar e acrescentar algo de positivo, nem que seja, como refere The Oaks, com as árvores que plantámos um dia no jardim lá de casa, porque até elas, se estivermos atentos, comunicam connosco.

Sonoramente, World's Strongest Man é um disco cheio de influências. Gaz Coombes confessou, numa entrevista recente de promoção do álbum, que Frank Ocean foi uma grande influência, nomeadamente na sua prestação vocal, mas nota-se a influência de outras bandas e artistas num alnhamento sonicamente rico e heterogéneo. Se a guitarra de Deep Pockets exala Black Rebel Motorcycle Club por todos os poros, o sintetizador e a batida de Shit (I’ve Done It Again) recordam Daft Punk, com o reverb das cordas e o suspiro minimal do teclado de Walk The Walk a levarem-nos diretamente ao cerne do cardápio de Beck e o já referido tema homónimo a apresentar muitas nuances habituais nos conterrâneos Radiohead, numa canção que mostra uma relação pouco vista entre eletrónica e rock progressivo, sem descurar um intenso sentido melódico. Seja como for, tudo isto não é sinal de plágio ou de falta de inspiração, mas antes uma forma nobre de aceitar influências que acrescentam, claramente, mais valias ao adn sonoro de Coombes que, a solo, liberto das amarras conceptuais que o formato banda muitas vezes impôe, tem a possibilidade de deixar fluir livremente o seu apurado sentido estético, com um interessante grau de criatividade e de inedetismo, até.

World's Strongest Man é, em suma, um disco idealizado por um artista homem que parece viver uma fase da sua existência em que repara atentamente na problemática e nas discussões sobre a igualdade de género que abundam na sociedade ocidental, fazendo-o não como alguém que apresenta uma solução para essas questões, mas com a preocupação principal de servir-se destas canções para provar a si próprio que fazer música é algo que o faz muito feliz e que toca os outros e que por isso. merece ser incluido na lista dos melhores do seu género. Espero que aprecies a sugestão...

Gaz Coombes - World's Strongest Man

01. World’s Strongest Man
02. Deep Pockets
03. Walk The Walk
04. Shit (I’ve Done It Again)
05. Slow Motion Life
06. Wounded Egos
07. Oxygen Mask
08. In Waves
09. The Oaks
10. Vanishing Act
11. Weird Dreams

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publicado por stipe07 às 20:39






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