Sábado, 31 de Março de 2018

daguida - Passageiro

Yuran, João Pedro e António Serginho são os daguida, um trio oriundo de Santa Maria de Lamas e já com dezoito anos de história. Depois de todo este tempo, apresentam-se finalmente ao grande público, com a sua primeira publicação oficial nas redes digitais, um tema intitulado Passageiro e o respetivo vídeo de promoção, realizado pela produtora Dawn Pictures. O passo seguinte será a edição deste single em vinil e depois virá o álbum de estreia, lá para 2019, estando prevista a abertura de uma campanha de crowdfunding para financiar a sua gravação.

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Edição de autor com o apoio da Revolução d’Alegria Associação, produzido por Mário Barreiros e gravado em Amarante, no Estúdio Fridão Natura Recording, Passageiro é um tema com fortes raízes na nossa música tradicional. Luminoso e exuberante nas cordas e escorreito na melodia, Passageiro alerta, de acordo com os daguidapara o valor daquilo que não tem preço, estando o tema liricamente coberto por uma aurea satírica, irónica e alegre, aspetos muito presentes nos concertos do trio e que representam a vontade de quebrar barreiras e preconceitos. Entre a beleza e o degredo abordam sem medo o quanto nos pesa este enredo. Do troiano ao grego, do velho ao novo, tudo é sempre novo.

Hoje mesmo, a partir da meia-noite, no Bar Galeria de Paris, no Porto, os daguida apresentam ao vivo esta canção e muitos dos temas que vão registar no seu primeiro álbum. Confere...

Manifesto daguida

 Algures entre Ovar e Contumil

daguida nasceu no inverno de 2000

Vestem seus pijamas, abanam suas canas

A terra é Santa Maria de Lamas

 

Passaram 18 anos

Há que limpar os canos

Será a primeira vez

Já muito perdemos os três

 

E vamos embora gente

daguida vai prá frente

Podes sempre dar algum

Podes ouvir sem dar nenhum

 

Muito sinceramente

Que fique bem assente

daguida anda por cá

Até que a bolha rebente


autor stipe07 às 15:21
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Sexta-feira, 30 de Março de 2018

EELS – Bone Dry

EELS - Bone Dry

Depois de uma espera de quatro anos, os Eels de E (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo estão de regresso om um novo álbum gravado na sua maioria em Pasadena, na Califórnia. O novo trabalho do grupo norte-americano chama-se The Deconstruction, será o décimo segundo da carreira deste projeto liderado pelo carismático Mark Everett e tem lançamento previsto a seis de Abril através da E Works/Pias Ibero América em Portugal.

The Deconstruction irá suceder ao já longínquo The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett e foi produzido por Everett e por Mickey Petralia, um nome que já trabalha com os Eels desde o fabuloso Electro-Schock Blues (1998), o melhor disco da banda, prestes a comemorar vinte anos de existência. Bone Dry, o mais recente single divulgado de The Deconstruction, tem uma sonoridade assente num rock rugoso e progressivo, aquele rock mais direto e visceral, com uma toada algo negra e depressiva, onde as cordas distorcidas dominam. Os Eels estarão por cá, nos Nos Alive, no dia treze de julho. Confere...


autor stipe07 às 15:15
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Quinta-feira, 29 de Março de 2018

Preoccupations - New Material

Matt Flegel e Mike Wallace são dois músicos já habituados a recomeços no que concerne a projetos musicais. Depois de terem feito parte dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo, incubaram os extraordinários Viet Cong, um coletivo que fez furor há três anos com um disco homónimo que foi considerado por esta redação como o melhor do ano, em 2015. Este nome tão sugestivo da banda acabou por não sobreviver à crítica, muita dela oriunda do importante mercado discográfico local e, por isso, a dupla viu-se na necessidade de se reinventar de novo, surgindo agora sobre a capa dos Preoccupations, um coletivo onde à dupla se juntam os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, que já os acompanhavam nos Viet Cong. New Material é o registo discográfico que dá o pontapé de saída a esta nova vida do projeto, dez canções alicerçadas num post punk labiríntico de elevado calibre e abençoado pela chancela da insuspeita Jagjaguwar, uma das principais editoras independentes norte-americanas.

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Disco cheio de canções que assentam quase sempre numa guitarra com um rugoso efeito metálico particularmente aditivo e um baixo imponente, acompanhados por uma bateria falsamente rápida, como é o caso de Espionage, o tema que abre o disco, New Material remete-nos, no imediato, para aquele rock que impressiona pela rebeldia com forte travo nostálgico e por aquela sensação de espiral progressiva de sensações, que tantas vezes ferem porque atingem o âmago. A psicadelia oitocentista que dá as mãos ao punk é outra nuance importante deste alinhamento com uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurar, em simultâneo, texturas melódicas e expansivas, mas também aquele pendor lo fi com uma forte veia experimentalista. É uma matriz sonora percetivel na distorção das guitarras, no vigor do baixo de Matt Flengel e, principalmente, na bateria de Wallace, muitas vezes algo esquizofrénica e fortemente combativa. Aliás, este instrumento é frequentemente chamado para a linha da frente na arquitetura sonora de New Material, ficando com as luzes da ribalta e um elevado protagonismo na percussão tribal de Decompose e no modo como as suas variações rítmicas introduzem o efeito da guitarra em Solace. Já que falamos em efeitos da guitarra, um dos grandes tiques identitários que trespassa toda a discografia destes músicos é, claramente, a sensibilidade do efeito metálico abrasivo da guitarra que corta fino e rebarba eque é audível em Decompose, um som que se ouvia frequentemente em Viet Cong, geralmente em contraste com a pujança do baixo. O resultado era uma elevada amplitude épica, presente em melodias que nos levavam rumo ao rock alternativo de final do século passado, mas que agora ganha contornos um pouco mais futuristas. E isso sucede porque nos Preoccupations Floegel e Wallace colocam os sintetizadores também em posição de elevado destaque, sendo Disarray uma boa canção para se perceber esta alteração estilística que combina post punk com shoegaze, uma fórmula pessoal e muito deles e onde o ruído não funciona com um entrave à expansão das canções, mas como mais um veículo privilegiado para lhes dar um relevo muito próprio que, sem esse mesmo ruído, os temas certamente não teriam. Aliás, na já referida Solace e em Compliance os solos e riffs da guitarra de Scott e Daniel, exibem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, com os teclados a tornarem-se numa mais valia no modo como adornam este garage rock, ruidoso e monumental e o harmonizam, tornando-o agradável aos nossos ouvidos, ou seja, fazem da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo.

A viagem lisérgica que o quarteto nos oferece nas reverberações ultra sónicas de New Material, fazem deste compêndio um agregado instrumental clássico, despido de exageros desnecessários e amiúde apoteótico. É uma demonstração clara do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, à medida que constroem os diferentes puzzles que dão substância às canções. No final, tudo resulta de forma coesa e o ruído abrasivo proporcionado por esta catarse onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética, fascina e seduz. Espero que aprecies a sugestão...

 Preoccupations - Espionage

01. Espionage
02. Decompose
03. Disarray
04. Manipulation
05. Antidote
06. Solace
07. Doubt
08. Compliance


autor stipe07 às 17:31
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Quarta-feira, 28 de Março de 2018

Suuns – Felt

Dois anos depois do excelente Hold/Still, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian que fez furor à época, o projeto Suuns, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá, está de regresso aos lançamentos discográficos com Felt e à boleia da mesma etiqueta. Os Suuns apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em 2010 com Zeroes QC, três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, tendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa e Hold/Still, manteve a bitola elevada, servindo este Felt para confirmar definitivamente que estamos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

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Uma das principais evidências deste quarteto canadiano, transversal a toda a sua discografia e cada vez mais apurada, é a escrita e composição de canções com um forte cariz impressivo e realístico. Simultaneamente músicos e filósofos e tendo na sua génese o jazz experimental muito presente, os Suuns refletem sobre a contemporaneidade que os inquieta e nos absorve e assim criam alinhamentos sedutoramente intrigantes, bem no centro de um noise rock apimentado por uma implícita dose de punk dance que quando abraça a eletrónica mais ambiental nos aproxima também de uma sonoridade algo amena e introspetiva, aspetos aparentemente distintos mas que nos mostram a abrangência destes Suuns e o modo quase impercetível como mesclam orgânico e sintético com propósitos bem definidos.

Simultaneamente existencial e sinistro e arrebatadoramente humano, Felt é, talvez, o disco mais cândido e direto do grupo, com a base de todas as canções a recair ora no baixo ora na guitarra, à qual depois são adicionados detalhes e batidas sintetizadas, tornando o que parece ser inicialmente apenas ruído, distorção e ritmos desordenados, como é o caso de Look No Further, em algo mais brando, com um resultado final com um resultado mais atmosférico do que à primeira vista se poderia antecipar. Mais adiante, a pafernália de ruídos sintéticos que abastecem Daydream até parece colocar em causa esta receita, mas a verdade é que o modo como as cordas espreitam no meio do caos, não é notoriamente obra do mero acaso. Esta é uma impressão que se repete noutros temas, uma definição estrutural e quase metódica deste Felt retratada vigorosamente em Watch You, Watch Me, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra, agregada a um sintetizador artilhado de diversos efeitos cósmicos e a um registo vocal robotizado, oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um disco colossal, mas também tremendamente reflexivo. E logo depois, em contraste, o pendor hipnótico e intenso do baixo do tratado punk que é Baseline, para mim o melhor tema do disco, o modo como palmas e sopros adornam os loopings de Peace And Love, a luminosidade imprevista que a bateria irradia em Make It Real e a efervescente espiral de distorções abrasivas que trespassam essa bateria, agora tremendamente orgânica, em After The Fall, assim como a intensa e algo caótica viagem dos samples que gravitam em redor do piano em Control, reforçam tal impressão com racionalidade objetiva, sobre um conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, uma proposta ora banhada por um doce toque de psicadelia narcótica a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. 

Produzido por John Congleton, Felt é música futurista para alimentar uma alquimia que quer descobrir o balanço perfeito entre idealismo e conflito e que aos poucos, para o conseguir, acaba por revelar uma variedade de texturas e transformações que configuram uma espécie de psicadelia suja, justificada não só na pafernália de sons sintetizados que o registo contém, mas, principalmente, como já referi, pelo modo como é banhado ora por guitarras suaves, ora por loopings de distorção, uma união com uma certa tonalidade minimalista mas que costura todas as canções do álbum, sem excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada. Assim, assertivos e capazes de romper limites, os Suuns oferecem-nos, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero, disponível para quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Suuns - Felt

01. Look No Further
02. X-Alt
03. Watch You, Watch Me
04. Baseline
05. After The Fall
06. Control
07. Make It Real
08. Daydream
09. Peace and Love
10. Moonbeams
11. Materials


autor stipe07 às 21:03
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Terça-feira, 27 de Março de 2018

TIPO - Novas Ocupações

Quando em 2015 Salvador Menezes, consagrado membro fundador dos You Can't Win, Charlie Brown, decidiu tirar uns dias de descanso, nunca imaginaria que iria nesse breve interregno incubar um dos mais curiosos projetos a solo do panorama musical nacional atual. Servindo-se de um casio com mais de três décadas do tio, de uma guitarra com três cordas dos anos noventa da irmã, da bateria do irmão e do seu baixo, computador e voz, criou quatro temas, nascendo assim TIPO. Agora, dois anos depois, com um novo emprego, a viver numa outra casa, com três discos dos You Can't Win, Charlie Brown em carteira e já com a paternidade a fazer parte da sua existência, TIPO tem já temas suficientes para se aventurar no formato longa-duração, um registo intitulado Novas Ocupações que viu a luz do dia a dezasseis de março, por intermédio da Pataca Discos.

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Co-produzido por Afonso Cabral, Luís Nunes e Salvador Menezes e contando também com alguns convidados, nomeadamente Tomás Sousa na bateria, Novas Ocupações é uma solarenga mas também intrincada demanda pela mente de um dos mais proficuos músicos da pop nacional atual. Ao longo das dez canções do registo conferimos um sentido conjunto de quadros sonoros pintados com belíssimos arranjos de cordas, mas também sintetizadores capazes de fazer espevitar o espírito mais empedernido e imponentes doses eletrificadas de fuzz e distorção, que se saúdam amplamente, tudo adornado por uma secção vocal contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto e proximidade.

Ouvir o disco é dançar num suave balanço entre o orgânico e o sintético, uma fatalidade que impressiona logo no falso minimalismo caústico de Acção-Reacção e que ganha depois uma dimensão ainda mais efusiva na luminosidade de certo modo enternecedora de Confesso, um contagiante e épico tratado sonoro mas também lírico que, a seu modo, acaba por expressar pura e metaforicamente alguns dos traços fundamentais da fragilidade humana. Depois, se a soul sensual e profundamente orgânica de Desfecho, uma composição arrebatadora no modo como nos impele a avançar e a arriscar, mal dá tempo para recuperar o fôlego, canções como a solarenga e festiva Fim do Dia, a rockeira e sumptuosa Jugoslávia e, num registo mais melancólico e introspetivo, a cadência lancinante de Género Desconhecido, os teclados inebriantes de Autocomiseração de um Desempregado e o divagante realismo de Querela de Vizinhas escancaram-nos um mundo inédito, cujos códigos e fechaduras só Salvador conhece, mas que anseia por partilhar com todos nós.

Álbum feito sem pressas e sem pressões e devidamente ponderado e debruçando-se amiúde na nova realidade familiar do autor, a parentalidade, um tema recorrente e sempre presente, com particular mestria no sample do coração da filha do autor que se escuta em Novos Oficios, curiosamente uma canção sobre a maternalidade, Novas Ocupações socorre-se continuamente de imagens evocativas, que depois TIPO sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e em variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico que nos esclarece que este é um tempo repleto de bandas e artistas a ditar cada vez mais novas tendências no indie rock, é que é refrescante encontrar por cá alguém que o faz de forma diferente e de modo profundo, intenso e poderosamente bem escrito. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:51
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Sexta-feira, 23 de Março de 2018

Kodaline – Follow Your Fire

Kodaline - Follow Your Fire

É já no verão que chega aos escaparates o terceiro disco dos irlandeses Kodaline, um grupo natural de Dublin, formado por Stephen Garrigan, Mark Prendergast, Vinny May Jr e Jason Boland. Follow Your Fire é o mais recente single divulgado desse alinhamento, uma poderosa canção que entronca na filosofia sonora deste grupo cuja sonoridade assenta na busca de melodias que originem belas canções de forte cariz impressivo. A toada geral dos Kodaline soa, por vezes, demasiadamente melodramática mas este é um dos melhores grupos da atualidade a proporcionar-nos aquele ambiente sonoro épico e melancólico que tanto agrada aos fãs do indie rock mais sentimental. Confere..


autor stipe07 às 17:27
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Quinta-feira, 22 de Março de 2018

Beautify Junkyards - The Invisible World of Beautify Junkyards

Foi a nove de março último, à boleia da inglesa Ghost Box , que viu a luz do dia The Invisible World of Beautify Junkyards, a nova coleção de canções dos Beautify Junkyards. É o terceiro disco deste coletivo formado por João Branco Kyron (sintetizadores e voz), Rita Vian (voz), João Pedro Moreira (viola, sintetizadores), Helena Espvall (violoncelo e viola), Sergue (baixo) e António Watts (bateria e percussões) e que assume de uma vez por todas querer estar na linha da frente do panorama sonoro nacional, através de uma inédita mas convincente folk cósmica, particularmente lisérgica e esplendorosa.

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Primeira aposta internacinal da Ghost Box, The Invisible World of Beautify Junkyards foi misturado por Artur David (Orelha Negra, Mão Morta e Cool Hipnoise), masterizado por Jon Brooks e tem um título feliz já que logo no forte cariz impressivo da melodia que nos hipnotiza em Ghost Dance percebe-se a declarada intenção do projeto em transportar o ouvinte para um universo paralelo ao nosso. Fazem-no mergulhados num mundo controlado por cordas inebriantes e sintetizadores plenos de exotismo, uma eletrónica eminentemente ambiental misturada com folk, que cria melodias que quer claramente levar-nos a passear pelo mundo dos sonhos. Depois, as letras parecem que dançam nos nossos ouvidos e, para culminar a eficaz receita, a voz da Rita, amiúde acompanhada pelo João, cresce, tema após tema, num misto de euforia, subtileza e entrega, bastanto escutá-la em Sybil's Dream para se ficar plenamente convencido da sua superior capacidade interpretativa.

Resultado de várias sessões de improviso particularmente inspiradas, The Invisible World of Beautify Junkyards é, conforme refere o press release do lançamento, um registo mais atmosférico e emocional que os anteriores e a verdade é que está cheio de momentos que configuram um passeio por um universo feito de exaltações melancólicas, que são nada mais nada menos do que um retrato sombrio do estranho quotidiano que sustenta a vida adulta. O clima matinal e agridoce de Prism, a exuberância pueril de Golden Apples Of The Sun e o impressionismo dos detalhes e efeitos de Manha Tropical e, na sequência, do single Aquarius, uma canção assente num extraordinário diálogo percurssivo entre a pafernália instrumental que a sustenta, acordam-nos lentamente daquele estágio letárgico em que entrámos no início do registo, já que são canções menos festivas e que de certo modo nos ajudam à compreensão da nossa maturidade e da depressão que a mesma pode em nós criar, rompendo com essa antiga lógica inicial de que este mundo paralelo dos Beautify Junkyards é apenas festivo e exaltante. Por mais encantadoras que sejam as melodias abordadas pela obra, está latente em alguns instantes uma dor profunda que parece em determinados instantes afogar-nos. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, tudo parece servir como assunto, conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade em que vivemos.

Com artwork da autoria do designer Julian House, que já elaborou capas de discos dos Oasis, Broadcast e Primal Scream, The Invisible World of Beautify Junkyards merece audição atenta, mais que não seja para destrincar no âmago da sua enorme beleza as pequenas contradições intencionais que encerra, um misto de maturidade e infantilidade, como se a mente deste coletivo se perdesse no tal mundo que ele mesmo criou. Essa saudável loucura acaba por ser o fio condutor de um alinhamento que merece ser tratado como um referencial que flutua constantemente entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto, entrelaçadas com as melodias ascendentes e alegres do disco e as contrárias a essas, uma simbiose que faz dele uma obra prima e que nos deixa com um enorme sorriso nos lábios quando somos confrontados com toda esta beleza melódica. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:19
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Quarta-feira, 21 de Março de 2018

The Fratellis – In Your Own Sweet Time

Lançado pela londrina Cooking Vinyl a dezasseis de março último, In Your Own Sweet Time é o novo registo discográfico dos The Fratellis, o quinto registo de originais desta banda de indie rock escocesa que se estreou há já doze anos com o excelente Costello Music. Muitas das canções deste novo compêndio surgiram durante a digressão comemorativa dos dez anos desse primeiro trabalho, que depois foram buriladas no outro lado do atlântico, na costa oeste dos Estados Unidos da América, na cidade dos anjos, nos estúdios The Hobby Shop Recording Studios. Acaba por ser mais um passo consistente na carreira do trio Fratelli (Jon, Barry e Mince) rumo ao merecido estrelato de um dos grupos essencias do post punk rock revivalista dos últimos anos.

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Os The Fratellis são um daqueles casos curiosos e bem vindos de uma banda que sem complicar demasiado no momento de compôr, consegue mostrar com uma mestria invulgar que é possível criar canções melodicamente ricas e diversificadas, quer ao nível dos arranjos, quer dos ritmos e das conexões instrumentais, sem colocar em causa a capacidade que têm de nos divertir e animar, nem que seja durante o breve período de tempo em que as escutamos. A guitarra, o baixo e a bateria suportam esta demanda, com canções do calibre da caústica Stand Up Tragedy e do animado single Starcrossed Losers a mostrarem toda a luminosidade e a feliz exploração dos diversos subgéneros que podem entroncar no indie rock e que os The Fratellis sabem como chamar para a linha da frente no momento de explanarem toda a astúcia e a química que sustenta o trio.

Liricamente, toda aquela impulsividade algo agreste mas tremendamente genuína que tem levado os The Fratellis a escrever ao longo da carreira sobre temas tão incómodos como a adição às drogas, o sexo e os amores nem sempre correspondidos e bem resolvidos mantém-se, mas nota-se neste novo registo uma ainda maior espontaneidade no modo como tudo é esplanado e descrito, o que sugere uma maior certeza relativamente às convicções morais dos intérpretes, algo que curiosamente acaba por se refletir na performance musical. Assim, este é o álbum do grupo em que talvez haja um maior arrojo, geralmente bem sucedido, em explorar territórios inéditos, que chegam a abarcar a própria world music, srgindo o ponto alto desta experimentação em Advaita Shuffle, composição com raízes no hinduísmo, algo que se percebe quer na letra quer na sua sonoridade.

In Your Own Sweet Time é um daqueles discos que enriquecem fortemente o cardápio de um grupo cuja popularidade, como a de muitas outras bandas de indie rock, é inversamente proporcional ao afeto que desperta em muitos fâs, seguidores e melómanos musicais. Os The Fratellis foram e são reverenciados por muitos e pertencem, por direito, a uma história e a um cânone, mas os ecos das suas canções não se ouvem como os de outros projetos contemporâneos, ou de certos nomes da new wave ou do punk. Oxalá que este novo registo do trio faça com que se afirmem, de uma vez por todas junto do mainstream, já que há aqui canções capazes de arrebitar qualquer memória mais difusa, criadas por uma banda que tem elevado, com poucos meios, o rock e a pop à condição de arte. Quem não concordar, tem de ouvir melhor. Espero que aprecies a sugestão...

The Fratellis - In Your Own Sweet Time

01. Stand Up Tragedy
02. Starcrossed Losers
03. Sugartown
04. Told You So
05. The Next Time We Wed
06. I’ve Been Blind
07. Laughing Gas
08. Advaita Shuffle
09. I Guess… I Suppose…
10. Indestructible
11. I Am That


autor stipe07 às 19:06
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Terça-feira, 20 de Março de 2018

We Are Scientists – Your Light Has Changed

We Are Scientists - Your Light Has Changed

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists verá a luz do dia a vinte e sete de abril e depois de ser ficado a conhecer One In, One Out, o primeiro single retirado desse alinhamento, agora chegou a vez de conferir Your Light Has Changed, mais uma canção que se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor à composição. Confere...


autor stipe07 às 17:42
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Segunda-feira, 19 de Março de 2018

The Decemberists – I’ll Be Your Girl

Três anos depois do excelente What A Terrible World, os The Decemberists de Colin Meloy estão de regresso com I'll Be Your Girl, o oitavo disco de uma bem sucedida carreira de quase duas décadas de uma das bandas essenciais para o relato da história do indie rock de travo eminentemente folk do percurso musical norte-americano mais recente. Lançado à boleia da Capitol Records, I'll Be Your Girl contém onze canções que mais uma vez concentram toda a destreza musical deste grupo oriundo de Portland, que é igualmente exímio a criar composições grandiosas e crescentes, mas também instantes sonoros intimistas e melancólicos, com a grande novidade desta vez a ser um efusivo piscar de olhos à pop de cariz mais sintético e retro que fez escola na década de oitenta do século passado, uma nuance nova no grupo e que faz com que tenha a possibilidade de agradar a um espetro ainda mais alargado de ouvintes.

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É a mais genuína herança sonora da América profunda que continua a preencher o código genético dos The Decemberists, até agora abastecidos essencialmente por cordas, que foram servindo como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções. Assim, ao longo da sua distinta carreira, este coletivo mergulhou fundo na psicadelia folk, mas mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, deixaram-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorreram o adn de praticamente toda a discografia anterior a este I'll Be Your Girl. Agora, ao oitavo disco, sem descurarem a habitual aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia que o ambiente acústico de Cutting Stone e Starwatcher, o piano de Rusalka, Rusalka / The Wild Rushes, uma tensa e dramática narrativa baseada numa antiga parábola eslava, a luminosidade do dedilhar de Once In My Life ou a pronúncia grave e rugosa das notas e dos arranjos de Your Ghost denunciam de forma declarada, os The Decemberists colocam esse travo a ruralidade no plano secundário e oferecem uma paleta de sons inédita mais urbana e contemporânea ao projeto, com um espectro mais virado para a electrónica e para o synthpop, estilos que seduziram e captaram a alma do grupo. Canções como o single Severed, um oásis de sintetizadores cheios de batidas e efeitos cósmicos, com aquele travo punk new wave tão peculiar e o baixo e o efeito robotizado da voz e da guitarra de We All Die Young são exímias no modo como nos mostram o quanto foi feliz esta opção dos The Decemberists em sairem da sua habitual zona de conforto e divagarem por territórios a que estavam menos habituados. Para isso foram fatores decisivos dois fatores; a entrada do coletivo num novo estúdio e, principalmente, a companhia de um produtor diferente, com Tucker Martine, colaborador de longa data dos The Decemberists, a dar o lugar a John Congleton, uma referência da indie norte americana e camaleónico no modo como consegue navegar e tocar todos os extremos desse universo sonoro, muitas vezes na mesma composição. O facto de estas novas matrizes passarem para a linha da frente do processo criativo que norteou este álbum, foi uma opção bastante ponderada, algo que o vocalista Colin Meloy confirmou recentemente (When you’ve been a band for 17 years, inevitably there are habits you fall into. So our ambition this time was really just to get out of our comfort zone. That’s what prompted working with a different producer and using a different studio. We wanted to free ourselves from old patterns and give ourselves permission to try something different).

Há em I'll Be Your Girl uma capacidade subtil dos The Decemberists de incorporar um sentimento universal e quase filosófico de crença em algo novo, diferente e, por isso, substancialmente melhor. O grupo continua a manter a habitual postura quase religiosa que os carateriza, mas torna-se mais eclético, abrangente e por isso mais intenso e sedutor, com muitas das canções a refletirem sobre fé e crenças, mas também sobre o amor, o bucólico e o nostálgico. Espero que aprecies a sugestão...

The Decemberists - I'll Be Your Girl

01. Once In My Life
02. Cutting Stone
03. Severed
04. Starwatcher
05. Tripping Along
06. Your Ghost
07. Everything Is Awful
08. Sucker’s Prayer
09. We All Die Young
10. Rusalka, Rusalka / The Wild Rushes
11. I’ll Be Your Girl


autor stipe07 às 21:19
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Sábado, 17 de Março de 2018

Pearl Jam – Can’t Deny Me

Pearl Jam - Can't Deny Me

Primeiro original em cinco ano, Can't Deny Me é a mais recente novidade dos Pearl Jam de Eddie Vedder, um single de protesto, já que se assume como um claro manifesto anti-Trump, ao mesmo tempo que serve de tributo aos sobreviventes da tragédia ocorrida no liceu de Parkland, na Flórida, há algumas semanas.

Canção cheia de energia, Can't Deny Me mostra as guitarras e a bateria dos Pearl Jam de regresso aos gloriosos ano noventa, à boleia de alguns dos melhores detalhes do grunge e do rock alternativo desse período. Confere...


autor stipe07 às 16:58
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Quinta-feira, 15 de Março de 2018

Booby Trap reeditam Brutal Intervention

Os aveirenses Booby Trap de Pedro Junqueiro, Pedro Azevedo, Carlos Ferreira e o novo baterista Hugo Lemos, preparam-se para reeditar Brutal Intervention, a demo tape que lançaram no início da carreira e que deu o pontapé de saída de um percurso ímpar no panorama do crossover thrash nacional, um género musical que surgiu nos anos oitenta e que se define pela mistura entre o hardcore punk e o trash metal. Recordo que enquanto o trash metal nasceu quando parte da cena metal incorporou influências vindas do hardcore punk, o crossover thrash nasceu pelo caminho inverso, quando as bandas hardcore punk passaram a metalizar a sua música.

Foto de Booby Trap.

Nessa reedição de Brutal Intervention, remasterizada e editada fisicamente em formato vinil com o selo da Firecum Records e que serve para comemorar os vinte e cinco anos de carreira dos Booby Trap, além do alinhamento original constarão quatro temas extras, entre os quais, uma cover de War Inside My Head, um dos momentos altos da discografia dos Suicidal Tendencies.

Confere, via bandcamp, Brutal Intervention, um álbum que impressiona pelas guitarras bem elaboradas, uma bateria impecável no modo como transmite alma e robustez e a voz inconfundível de Pedro Junqueiro a mostrar-se irreprensível no modo com replica os inconfundíveis traços deste género sonoro, sem deixar de se mostrar afinada e particularmente melodiosa.


autor stipe07 às 17:20
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Quarta-feira, 14 de Março de 2018

Pete Astor - One For The Ghost

Há algumas semanas chegou aos escaparates One For The Ghost, o novo registo de originais do britânico Pete Astor, músico já veterano nestas andanças, tendo ao longo da sua carreria dado a cara por bandas tão proeminentes como os The Loft ou os The Weather Prophets. Aposta recente da Tapete Records,  Pete Astor oferece-nos neste One For The Ghost dez canções que encarnam uma excelente opção para quem aprecia aquela sonoridade pop folk algo cósmica e luminosa e ligeiramente lo fi.

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Em pouco mais de meia hora One For The Ghost enche os nossos ouvidos com a simplicidade óbvia de belíssimas melodias conduzidas por cordas, ora acústicas ora eletrificadas, cujo dedilhar, seja qual for a opção selecionada, é sempre inspirado. Excelente guitarrista, Pete Astor mostra neste registo toda a sua destreza com a viola e a guitarra e a capacidade inata que possui para criar música conseguindo abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Logo no início do registo percebe-se esse alargado leque já que, se Walker contem aquela soul assente num ritmo muito contemplativo e melodicamente muito sensível, Water Tower aposta num registo mais folk e a distorção da guitarra e o baixo encorpado de Golden Boy proporcionam ao tema o toque perfeito de modernidade que oferece ao autor a tal abrangência, neste caso até territórios mais próximos do rock psicadélico.

Daí em diante, todo este indie appeal genuíno vai-se repetindo em canções tão bem conseguidas como Injury Time, a animada e solarenga Only Child e a mais reservada Tango Uniform, num resultado final subtil e onde da luminosidade das guitarras aos sons percurssivos que suportam alguns arranjos, tudo serve para chegar às várias preferências mais etéreas que o destaque dado às cordas no processo de composição geralmente consegue e assim dar vida a um trabalho que algures entre os Wilco e Lou Reed, contém uma urbanidade e um charme minimalista que cativa e só surpreende os mais distraídos.  Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:35
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Terça-feira, 13 de Março de 2018

TIPO - Confesso

Quando em 2015 Salvador Menezes, consagrado membro fundador dos You Can't Win, Charlie Brown, decidiu tirar uns dias de descanso, nunca imaginaria que iria nesse breve interregno incubar um dos mais curiosos projetos a solo do panorama musical nacional atual. Servindo-se de um casio com mais de três décadas do tio, de uma guitarra com três cordas dos anos noventa da irmã, da bateria do irmão e do seu baixo, computador e voz, criou quatro temas, nascendo assim TIPO.

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Agora, dois anos depois, com um novo emprego, a viver numa outra casa, com três discos dos You Can't Win, Charlie Brown em carteira e já com a paternidade a fazer parte da sua existência, TIPO tem já temas suficientes para se aventurar no formato longa-duração, um registo intitulado Novas Ocupações que irá ver a luz do dia daqui a poucos dias, a dezasseis de março, por intermédio da Pataca Discos. Co-produzido por Afonso Cabral, Luís Nunes e Salvador Menezes e contando também com alguns convidados, nomeadamente Tomás Sousa na bateria, dele já foram retirados vários singles, sendo o mais recente Confesso. Na apresentação à impresa deste tema TIPO ironiza, com um dos temas da ordem do dia, o  plágio, confessando que nomes como Gainsbourg, Cohen, Bowie e McCartney foram quatro referências importantes que Salvador Menezes teve em conta no momento de se inspirar e compôr esta canção. Confere...


autor stipe07 às 17:36
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt é o título do novo álbum Moby, um disco lançado no início deste mês à boleia da Mute e que tem como tema central o nosso mundo e o modo como o homem o tem maltratado. Este registo sucede ao muito recomendável These Systems Are Failing lançado  o ano passado e mostra que este músico e produtor nova iorquino, com nove álbuns só nos últimos dez anos, vive uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio.

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Com um arranque de carreira memorável à boleia de Play, ainda o melhor disco da sua discografia, é sempre com elevada dose de ansiedade que os seguidores de Moby se preparam para escutar um novo alinhamento do artista, sempre à espera de algo que supere ou pelo menos iguale a elevada bitola qualitativa desse disco de estreia, prestes a fazer vinte anos de vida. Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt ainda não é o tal álbum que destrona Play do pódio do melhor registo do cardápio de Moby, mas é, talvez, aquele que mais se aproxima do seu grau de excelência.

Disco com uma tremenda sensibilidade e cheio de melodias bastante aditivas, Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt transporta consigo um ideário, quer sonoro, quer lírico e poético muito vincado e descrito logo no início desta análise e a verdade é que ao longo das suas doze canções e de alguns dos vídeos já produzidos de promoção aos singles, o autor consegue tocar o ouvinte e deixá-lo a refletir sobre esta contemporaneidade tão conturbada e perigosa que testemunhamos, quer para a nossa espécie quer para o futuro sustentado do planeta em que vivemos.

Assim, e debruçando-me em alguns daqueles que são, na minha opinião, os melhores instantes do registo, se The Tired And The Hurt é um infatigável corpo eletrónico que revela as suas diferentes camadas sonoras enquanto o sagrado e o profano se entrelaçam sem pudor e se Mere Anarchy sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros, já Like A Motherless Child, canção que conta com a participação especial vocal de Raquel Rodriguez, é um verdadeiro assombro orquestral intenso e belo e The Waste Of Suns revela-se uma daquelas canções que constroem um universo quase obscuro em torno de si e que se vão transformando à medida que avançam, surpreendendo em cada nota, timbre ou inflexão ritmíca e melódica.

Daqui em diante ainda há tempo para sentir em The Sorrow Tree um toque de lustro dos anos oitenta, através de um sintetizador que apenas permanece o tempo suficiente para nos preparar para uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante, algo que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em The Middle Is Gone, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quandonas asas de um piano se desviam um pouco do rumo sonoro geral do trabalho. Nesse tema, os efeitos robóticos carregados de poeira da voz de Moby e aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como um subtil efeito de guitarra colocam-nos na rota certa de um álbum que do tecno minimal ao space rock, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

01. Mere Anarchy
02. The Waste Of Suns
03. Like A Motherless Child
04. The Last Of Goodbyes
05. The Ceremony Of Innocence
05. The Tired And The Hurt
07. Welcome To Hard Times
08. The Sorrow Tree
09. Falling Rain And Light
10. The Middle Is Gone
11. This Wild Darkness
12. A Dark Cloud Is Coming


autor stipe07 às 21:43
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Domingo, 11 de Março de 2018

Dinosaur Jr. – Hold Unknown

Dinosaur Jr. - Hold Unknown

2016 ficou invariavelmente na história por marcar o regresso dos míticos Dinosaur Jr. de J Mascis, Lou Barlow e Murph aos discos. Recordo que o trio gravou três álbuns nos anos oitenta e surpreenderam-nos a todos quando se reuniram novamente já neste século, há quase década e meia, tendo editado desde então Beyond (2007), Farm (2009), I Bet On Sky (2012) e Give A Glimpse Of What Yer Not nesse ano. Agora, quase dois anos depois desse excelente disco, o trio volta a dar sinais de vida e divulga Hold Unknown, a sua contribuição para a série Adult Swim’s Singles.

O busílis instrumental de Hold Unknown concentra-se, naturalmente, em guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que atestam o habitual excelente humor e positivismo destes três músicos. Confere...


autor stipe07 às 16:51
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Sábado, 10 de Março de 2018

Gengahr – Where Wildness Grows

Depois da promissora estreia com o excelente A Dream Outside, os britânicos Gengahr de Felix, Danny, John e Hugh estão de regresso com mais um delicioso alinhamento de canções impregnadas com aquela indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias para um projeto que tem o poder de nos descolar da realidade, oferecendo-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que tem a curiosidade de facilitar aquela sensação estranha mas que todos já vivenciámos de resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância.

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Uma pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo é a pedra de toque da filosofia estilística destes Gengahr que também têm como importante trunfo a forma como o falsete da voz de Felix se entrelaçava com as melodias, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, numa parada de cor, festa e alegria, onde todos os músicos certamente comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem o modo como incubam um agregado de sons no formato canção. E esse é, em suma, o travo geral de Where Wildness Grows, um titulo feliz e apropriado para um disco que escreve sobre tudo aquilo que pode povoar o nosso imaginário e que até podendo ser criaturas horripilantes e desprezíveis, retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto.

Assim, quer no sintetizador e na batida sintética de Before Sunrise, mas também na guitarra efusiva de Mallory, na folk luminosa das cordas de I'll Be Waiting e nas asas doce feito que baloiça em redor da épica melodia que sustenta Is This How You Love nunca nos abandona aquela perceção de estarmos a escutar uma clara ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante e até ao ocaso do registo essa sensação raramente esmorece, mesmo quando no tema homónimo somos conforntados com um retrato sonoro mais rugoso e depressivo.

À boleia de guitarras plenas de reverb, falsetes sedutores e uma percussão animada e luminosa, canções frenéticas ou outras mais contemplativas e ainda outras com abordagens certeiras a um clima pop mais comercial, Where Wildness Grows demonstra uma formatação já adulta nestes Gengahr, assertivos no modo como reinventam, reformulam ou simplesmente replicam o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que se inserem e que fazem da simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, o seu cavalo de batalha. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - Where Wildness Grows

01. Before Sunrise
02. Mallory
03. Is This How You Love
04. I’ll Be Waiting
05. Where Wildness Grows
06. Blind Truth
07. Carrion
08. Burning Air
09. Left In Space
10. Pull Over (Now)
11. Rising Tides
12. Whole Again


autor stipe07 às 15:38
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Sexta-feira, 9 de Março de 2018

Beach House – Dive

Beach House - Dive

Quase três anos depois da dose dupla que foi Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars, o quarto e o quinto discos da dupla Beach House, lançados em 2015, parece que este projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally tem novo disco em carteira. É um trabalho intitulado 7 e foi misturado por Alan Moulder, tendo sido gravado no estúdio da banda em Baltimore e também nos estúdios Carriage House em Stamford e nos estúdios Palmetto Studio em Los Angeles.

7 verá a luz do dia a onze de maio próximo e do seu alinhamento, que já é conhecido, farão parte Lemon Glow, canção que divulgámos há algumas semanas e Dive, o mais recente single divulgado do registo. Esta canção volta a mostrar aquela toada simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Importa ainda referir que a dupla está de regresso a Portugal este ano. Dia 25 de Setembro atuam no Coliseu de Lisboa antes de seguirem até ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no dia seguinte. Confere...


autor stipe07 às 20:54
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Quarta-feira, 7 de Março de 2018

Yo La Tengo - There's A Riot Going On

Nem sempre devidamente divulgados e apreciados, os norte americanos Yo La Tengo são um dos projetos mais influentes do indie rock contemporâneo. Nasceram em 1984 pelas mãos do casal Ira Kaplan e Georgia Hubley (voz e bateria) e Dave Schramm (entretanto retirado) e James McNew e conquistaram-me definitivamente há pouco mais de meia década com o excelente Fade, uma rodela lançada à boleia da Matador Records. Esse disco já tem finalmente sucessor, um registo intitulado There's A Riot Going On que nos mostra uns Yo La Tengo numa nova fase da carreira, abrigados por espiral contemplativa e particularmente intimista que mostra o projeto a aproveitar a sua maturidade para a dialogar com as tendências mais atuais do indie rock, nomeadamente quando pisca o olho à eletrónica, principalmente a de cariz mais ambiental.

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Se Fade era um álbum sensível e orgânico, com canções cheias de personalidade, feitas de melodias amigáveis e algo psicadélicas, assentes quase sempre em guitarras distorcidas e interligadas numa sequência que fluia naturalmente, ao décimo quarto álbum, em pouco mais de três décadas de carreira, os Yo La Tengo calcorreiam territórios mais experimentais, apesar de nunca se perder aquele cunho lo fi muito identitário que os distingue. Assim, There's A Riot Going On é um disco menos virado para a radiofonia; Mesmo contendo as habituais canções com uma sonoridade simultaneamente enérgica e memorável, como é o caso do efusivo single Shades Of Blue  ou do clima exótico de Polynesia #1, além da homenagem à melhor tropicalia caliente em Esportes Casual, o seu alinhamento está sobretudo repleto de temas que se abrigam à sombra de territórios sonoros mais delicados e instrumentais, como sucede logo em You Are Here, uma composição com um início introspetivo, mas que depois seduz definitivamente pela mistura de detalhes e arranjos que nos provocam enquanto criam uma melancolia inebriante, épica e grandiosa. A partir daí segue-se um alinhamento assente num formato mais íntimo, amiúde quase silencioso, onde frequentemente se canta baixo e onde existe, a epaços, uma falsa sensação de escassez instrumental. Seja como for, há também instantes de muita beleza, com temas como For You Too ou Ashes, por exemplo, a conterem deliciosos detalhes sonoros, mais percetíveis se a audição for feita com recurso a headphones.

Um dos maiores atributos deste There's A Riot Going On acaba por ser a sensação de conexão entre as suas canções, mesmo havendo alguns segundos de quase absoluto silêncio entre elas. Acaba por ser uma espécie de narrativa, mas sem clímax, com uma dinâmica bem definida e onde é habitual, entre outras nuances, as cordas de uma guitarra se entrelaçarem com efeitos sintetizados borbulhantes e com uma bateria com uma cadência às vezes nada usual. Há uma evidente luminosidade e um apurado sentido épico no resultado final, que nem os momentos mais introspetivos colocam em causa e se a audição for sentida acabamos, sem grande esforço, por nos sentirmos absorvidos pelo cunho simultaneamente cândido e profundo que os Yo La Tengo quiseram dar a um registo que é para ser ouvido e contemplado naqueles instantes de pausa e de sossego que todos nós precisamos amiúde de usufruir. Espero que aprecies a sugestão...

Yo La Tengo - There's A Riot Going On

01. You Are Here
02. Shades Of Blue
03. She May, She Might
04. For You Too
05. Ashes
06. Polynesia #1
07. Dream Dream Away
08. Shortwave
09. Above the Sound
10. Let’s Do It Wrong
11. What Chance Have I Got
12. Esportes Casual
13. Forever
14. Out Of The Pool
15. Here You Are


autor stipe07 às 21:10
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Terça-feira, 6 de Março de 2018

The Kills – List Of Demands (Reparations) vs Steppin' Razor

The Kills - List Of Demands (Reparations)

Ainda sem sucessor anunciado para o aclamado Ash & Ice de 2016, os britânicos The Kills de Jamie Hince e Alison Mosshart acabam de revelar duas novas canções contidas num single de sete polegadas de edição limitada. Os temas são duas versões, a primeira List of Demands (Reparations), um original de Saul Williams e segunda uma revisitiação do clássico Steppin’ Razor, de Peter Tosh.

A potente primeira versão, assente no fuzz de umas cordas eletrificadas e na emotividade e pujança vocal de Alison, inspira-se no sentido de urgência que a dupla sente em relação a alguns problemas do mundo atual, uma canção que não foi fácil de abordar, conforme confessa Mosshart, apesar da satisfação da dupla relativamente ao resultado final: It was one of those songs you’re almost scared to cover, because it carries so much respect. It wasn’t a straight up love song or a drug song. It was defined, serious, and perfect already. With certain songs, you feel like an intruder trying to sing them, but this one felt like my own. Já a segunda é uma curiosa e inesperada revisitação a uma tema do universo reggae, com um resultado final verdadeiramente enleante e que mantém intocável o charme inconfundível de uma dupla única e sem paralelo no universo alternativo atual. Confere os dois temas e o video de List Of Demands (Reparations) dirigido por Ben Strebel...


autor stipe07 às 19:38
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