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The Wombats - Beautiful People Will Ruin Your Life

Terça-feira, 13.02.18

Os ingleses The Wombats estão de regresso aos discos depois do excelente Glitterbug de 2015, um disco que se notabilizou por oferecer canções cheias de guitarras aceleradas, inflamadas com letras divertidas, sempre com um audível elevado foco na componente mais new wave do indie rock. O novo álbum desta banda de Liverpool formada por Matthew Murphy, Daniel Haggis e Tord Øverland-Knudsen chama-se Beautiful People Will Ruin Your Life e viu a luz do dia a nove de fevereiro último, confirmando tais expetativas e com elevada bitola qualitativa.

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Liricamente deliciosamente inspirado na relação de Murphy com a sua esposa e sonoramente mais distante daquele rock que pisca o olho à eletrónica através do sintetizador, um instrumento desta vez menos audível, Beautiful People Will Ruin Your Life é um registo com uma forte aurea classicista, dentro daquilo que o rock tem de mais genuíno. Assim, abundam ao longo das onze canções do alinhamento solos de guitarra preenchidos com riffs inspirados e frequentemente escuta-se o baixo e a bateria a conduzirem o ritmo e muitas vezes a melodia de alguns temas, fazendo-o de modo particularmente audacioso e vincado em Out Of My Mind, com a vertente mais sintética neste e noutros temas a servir apenas para florear ou adicionar pequenas nuances ao grosso do arquétipo das canções. Exemplos disso são o refrão de Lemon to a Knife Fight, uma canção sobre aquilo que de mais conturbado pode ter uma relação a dois e que sem renegar a luminosidade das cordas, aprofunda uma relação da banda cada vez mais próxima do trio com a pop mais radiofónica, ou no início inspirado de Lethal Combination, uma das composiçoes mais divertidas e luminosas do disco. Depois, nas oscilações de intensidade que o piano, mas também as cordas e a percurssão  mostram em I Only Wear Black, na rugosidade das guitarras de Ice Cream ou na energia contagiante de White Eyes, desfila um álbum surpreendentemente assertivo, bem estruturado e instrumentalmente sonante, repleto de poemas que retratam com acerto situações e sentimentos que podem ser adotados e adaptados ao quotidiano de qualquer um de nós.

Na segunda década deste século os The Wombats cresceram e nesse processo de mutação natural continuam a amadurecer e a sair com limpeza daquele estado algo ébrio que mostraram no início da carreira rumo a um novo acordar mais sério e sóbrio que os faz ver a vida de um modo mais decidido e realista, não tendo vindo a dar-se nada mal com essa mudança. Espero que aprecies a sugestão...

The Wombats - Beautiful People Will Ruin Your Life

01. Cheetah Tongue
02. Lemon To A Knife Fight
03. Turn
04. Black Flamingo
05. White Eyes
06. Lethal Combination
07. Out Of My Head
08. I Only Wear Black
09. Ice Cream
10. Dip You In Honey
11. I Don’t Know Why I Like You But I Do

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publicado por stipe07 às 21:06

Franz Ferdinand - Always Ascending

Sábado, 10.02.18

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, o quinto registo de estúdio do projeto e bastante centrado em algumas questões que estão na ordem do dia nas ilhas britânicas, nomeadamente o Brexit.

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Primeiro disco com as presenças do teclista Julian Corrie e do guitarrista Dino Bardot na equipa, que substittui o guitarrista Nick McCarthy, um dos fundadores do grupo, que abandonou recentemente o navio, Always Ascending é para ser degustado de um só travo, tal é a energia e o vigor que  os seus quase quarenta minutos contêm, no seu todo. É um daqueles discos pensados para refletir sobre uma contemporaneidade que está sempre presente na mente criativa dos músicos e compositores como fonte privilegiada de inspiração, mas também idealizado para divertir, animar e dançar.

As guitarras continuam a ser a base melódica de grande parte das canções e aquele modo muito próprio e identitário que esta banda tem de entrelaçar riffs e distorções com efeitos sintetizados particularmente efusivos soa aqui de um modo ainda mais intuitivo e direto do que nos alinhamentos antecessores mais recentes, onde os Franz Ferdinand procuraram calcorrear territórios sonoros que englobassem algumas caraterísticas da pop. Mas esse não é, decididamente, o território onde Alex Kapranos se sente mais confortável; Como principal referência no processo de construção dos temas e como escritor das suas letras, ele prefere ser eminentemente incisivo e claro quer na mensagem quer no modo como a transmite sonoramente, fruto de um experimentalismo que se saúda e onde a fórmula para o sucesso reside exatamente naquela simplicidade que faz este projeto estar na linha da frente dentro do género musical que replica e continuar a ser uma referência obrigatória para quem quer perceber como param as modas no rock alternativo.

Escuta-se o piano que conduz, logo a abrir o disco, a introdução do tema homónimo e o modo como pouco depois, ainda nessa canção, se juntam a bateria e as guitarras a um efeito sintetizado que é uma verdadeira espiral rugosa e dançante e percebemos que a festa vai mesmo começar e que até ao seu final não haverá grande espaço nem tempo para interregnos desnecessários, apesar do pendor mais intimista de Academy Award. Pouco depois, o modo como crescem guitarras e bateria na satírica Lazy Boy potencia ainda mais todo este pendor exaltante, um verdadeiro frenesim de dance post punk rock que encontra continuidade segura no groove cósmico das teclas de Paper Cages, no punk vigoroso do baixo que abastece Lois Lane e na toada new wave de Glimpse Of Love, só para citar alguns dos momentos mais inspirados e inebriantes de Always Ascending.

Não há necessidade nenhuma de perdermos o nosso tempo a procurar encontrar uma justificação plausível para os segredos e técnicas que Kapranos utiliza para fazer algo que é, simultaneamente acessível e elaborado, até porque, se pousarmos um pouco a cerveja e o garfo e nos debruçarmos na arquitectura das canções dos Franz Ferdinand, apercebemo-nos que é tudo fruto de muito trabalho e dedicação e que as coisas nãoo serão assim tão simples como à primeira vista aparentam. Quem se der a esse trabalho ao mesmo tempo que abana a anca ao som do disco, irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que mais se diverte. Confere...

Franz Ferdinand - Always Ascending

01. Always Ascending
02. Lazy Boy
03. Paper Cages
04. Finally
05. The Academy Award
06. Lois Lane
07. Huck And Jim
08. Glimpse Of Love
09. Feel The Love Go
10. Slow Don’t Kill Me Slow

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publicado por stipe07 às 15:21

Helado Negro – Island Universe Story Four

Quinta-feira, 08.02.18

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos radicado nos Estados Unidos e que também encabeça o projeto Ombre. Depois de no início de 2013 ter lançado Invisible LifeHelado Negro dedicou-se à publicação de uma série de compêndios denominados Island Universe Story, trabalhos que dão vida a uma série de publicações discográficas com esse formato e que contêm momentos mais experimentais do músico, ajudado por alguns convidados especiais. A primeira parte desta série foi publicada em 2012 e chama-se Island Universe Story One, o tomo Island Universe Story Two chegou no final do verão do ano seguinte, Island Universe Story Three em maio de dois mil e catorze e agora, três anos e meio depois, chegou a vez de Island Universe Story Four, disponível para audição no bandcamp do autor.

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Roberto Carlos gosta de afirmar que estas Island Universe Stories não são compilações de lados b ou temas que vão ficando de fora dos seus discos, mas antes cancões com muito valor, que merecem o seu próprio espaço e destaque, apesar de serem quase todas instrumentais que resultam normalmente de descontraídas jam sessions. Mas a sua voz também surge algumas vezes, com destaque e, como acontece quase sempre neste tipo de álbuns, o alinhamento acaba por incluir verdadeiras pérolas sonoras. Delas, o meu maior destaque é Come Be Me. São canções que resultam de momentos em que o músico toca sem sentir o peso da vertente comercial, o que faz com que possa mais genuinamente compôr a música que realmente gosta e com os arranjos que mais aprecia. O trabalho em estúdio de um músico não é apenas o resultado final do que se escuta em disco; Muitas vezes esse alinhamento é uma ínfima parte daquilo que ele produziu. E a propósito disso Roberto Carlos afirma: This is more of what I do. I’m really making music every day.

Island Universe Story Four tem, à semelhança dos outros três capítulos, uma sonoridade essencialmente etérea e introspetiva, com Guardar Our Are a ser, dentro dessa filosofia, uma pérola sonora que se espraia nos nossos ouvidos com íntimo deleite. Mas o groove latino e luminoso da já referida Come Be Me e o electrofuzz caliente de Glow You dão ao registo um ar festivo e mais expansivo. Esta exploração muito subtil de dois mundos sonoros aparentemente opostos é algo muito habitual na sonoridade deste músico.

Ao longo desta sequência de Island Universe Stories Lange contou com a participação de outros músicos e o autor considera muito importantes estes e outros contributos que tem recebido e admite que isso ajudou-o imenso a progredir musicalmente. Diz Lange sobre estes contributos: They are wildly free, and some of them are very structured and have a large amount of direction. It’s widely variable in terms of what freedoms are given and what control is taken. (...) I like the idea of process, and then what happens on the other side, too. Both are important to me.

É esta interação experimental frutuosa entre um musico equatoriano e alguns amigos que carateriza esta coleção, mais um capítulo da história musical de uma espécie de fantasma latino-americano que compila música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que transitam entre dois mundos que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Island Universe Story Four

01. Come Be Me
02. ECHO 2
03. Source One
04. Mist Universe
05. Glow You
06. QWERTY
07. For A Time
08. Who Knows
09. Guardar Our Are
10. Makes Up Meditation
11. For Details

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publicado por stipe07 às 15:30

MGMT – Little Dark Age

Quarta-feira, 07.02.18

Pouco mais de quatro anos depois de um homónimo, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, está de regresso aos discos com Little Dark Age, o quarto trabalho destes já veteranos do indie rock psicadélico, que desde o espetacular disco de estreia Oracular Spectacular nos habituaram a uma espécie de rock psicadélico algures entre os Pink Floyd das décadas de sessenta e setenta e uns mais contemporâneos Flaming Lips, mas também com os olhos e ouvidos postos em projetos mais atuais e até, de algum modo, concorrentes.

Do ambiente sonoro algo cinzento e eminentemente sintético de Little Dark Age, a canção homónima do trabalho, inspirada no choque causado pela eleição de Trump, até aos sons poderosos que esculpem When You Die e a toada luminosa, cheia de sons etéreos e efeitos lisérgicos adornados por sintetizadores flutuantes de Hand It Over, em Little Dark Age escutamos mais um álbum que mostra com elevado nível de criatividade e engenho o cardápio instrumental e o rigor estilístico bastante diversificado deste projeto. De facto, os MGMT continuam a chegar ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar músca, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas, deliciosamente replicadas no retro groove oitocentista que carateriza Me and Michael, uma das melhores canções de Little Dark Age.

Gravado nos estúdios Tarbox Road Studios em Cassadaga, Nova Iorque e produzido pelos próprios MGMT e por Patrick Wimberly e Dave Fridmann, um colaborador de longa data da dupla, Little Dark Age eleva o grupo a um patamar superior de sapiência e rigor interpretativo através de uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, sempre carregadas de ácidos consumidos por uma dupla que sabe melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

MGMT - Little Dark Age

01. She Works Out Too Much
02. Little Dark Age
03. When You Die
04. Me and Michael
05. TSLAMP
06. James
07. Days That Got Away
08. One Thing Left To Try
09. When You’re Small
10. Hand It Over

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publicado por stipe07 às 18:32

We Are Scientists – One In, One Out

Terça-feira, 06.02.18

We Are Scientists - One In, One Out

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists verá a luz do dia a vinte e sete de abril e dele já se conhece One In, One Out, o primeiro single retirado desse alinhamento e que se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor à composição. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:29

Calexico – The Thread That Keeps Us

Segunda-feira, 05.02.18

Os estados do Arizona e da California foram em 2017 devastados por grandes incêndios, que resultaram, em parte, do fenómeno das alterações climáticas negado por Trump e os Calexico de Joey Burns e John Convertino, oriundos do primeiro estado e que foram buscar o seu nome a uma pequena cidade mesmo na fronteira mais a sul do seu país natal, resolveram gravar no segundo The Thread That Keep Us Apart, o nono disco da carreira do grupo que tem o foco não só em algumas das questões ambientais que mais inquietam a sociedade norte americana, mas que também se debruça no fenómeno da imigração oriunda do México e de outros países latino-americanos e na dificuldade que estes estrangeiros ainda sentem em se integrarem numa América cada vez menos tolerante a quem vem de fora. Basta conferir os ritmos latinos de Flores y Tamales, uma canção cantada em espanhol por Jairo Zavala, um dos multi-instrumentistas do grupo, ou a toada reggae de Under the Wheels, para ficar explícita de modo particularmente criativo e inspirado esta temática.

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A política fronteiriça da administração Trump e os desastres ecológicos são, como vimos, temas centrais de um alinhamento de quinze canções aos quais se juntam outros sete na versão deluxe do disco. E essa constatação é, desde logo, uma evidência clara de que os Calexico continuam a servir-se da música para exporem pontos de vista bem vincados e sustentados sobre o mundo que os rodeia e aquilo que os inquieta. Fazem-no criando personagens nos seus temas de modo a humanizar e a pessoalizar dramas e questões políticas que afetam diretamente a vida das pesoas, mas que muitas vezes não têm rosto conhecido e que são explanados com uma impessoalidade frequentemente perturbante. Quando em Voices In The Field se escuta Running through fields of flowers and smoke, Leaving behind all that we’ve built ou em Bridge to Nowhere versos do calibre de My focus was blurred as the world became consumed está dada essa alma ímpar e física às canções e clarificado o modo incisivo como os Calexico pretendem dramatizar mas também alertar e consicencializar os ouvintes, à boleia de trompetes e guitarras efusiantes, mas também da acusticidade singela e sedutora que homenageia, a meu ver, tudo aquilo que de mais puro e virgem tem uma América nativa que tem, na sua génese, muito pouco de caucasiano.

Explicitamente alicerçado naquela indie de final do século passado que nomes como os Wilco ou os Lambchop ajudaram a solidificar e imortalizaram, mas também transparecendo uma mítica espiritualidade que hoje encontrará semelhante paralelo no ideário sonoro de uns Fleet Foxes, The Thread That Keep Us é, em suma, um símbolo de alerta e de resistência contra tudo aquilo que coloca em causa o melhor da América, mas também um símbolo de esperança num amanhã mais sereno, humano e justo. Espero que aprecies a sugestão...

Calexico - The Thread That Keeps Us

01. End Of The World With You
02. Voices In The Field
03. Bridge To Nowhere
04. Spinball
05. Under The Wheels
06. The Town And Miss Lorraine
07. Flores Y Tamales
08. Another Space
09. Unconditional Waltz
10. Girl In The Forest
11. Eyes Wide Awake
12. Dead In The Water
13. Shortboard
14. Thrown To The Wild
15. Music Box
16. Longboard
17. Luna Roja
18. Curse Of The Ride
19. Lost Inside
20. Inside The Energy Field
21. End Of The Night
22. Dream On Mount Tam

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publicado por stipe07 às 17:09

Moby - Mere Anarchy

Sábado, 03.02.18

Moby - Mere Anarchy

Everything Was Beautiful, and Nothing Hurt é o título do álbum que Moby se prepara para lançar em 2018 à boleia da Mute e que parece ter como tema central o nosso mundo e o modo como o homem o tem maltratado. Já tinha passado por este espaço, no passado mês de dezembro, Like A Motherless Child, o primeiro single divulgado do registo. Agora, algumas semanas depois, já é conhecida a segunda canção do alinhamento. Intitula-se Mere Anarchy e sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros.

Este tema já tem direito a um apocalítico video, realizado por Rob Gordon Bralver, que expora através de imagens a preto de vários locais do nosso planeta, a devastação que o assola até a um ponto de não retorno. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:48

They Might Be Giants – I Like Fun

Sexta-feira, 02.02.18

Já aclamados com dois Grammys e detentores de três décadas e meia de uma exemplar carreira, os They Might Be Giants de John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller, estão de regresso aos discos com I Like Fun, o vigésimo álbum desta banda de rock alternativo de Massachusetts. Produzido e misturado por Patrick Dillett (St. Vincent, David Byrne, Mary J. Blige, The National, Donald Fagen) nos estúdios Reservoir, é um disco que tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda, com I Like Fun a conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

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Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. I Like Fun é mais uma prova concreta da excentricidade deste grupo, da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo.

I Like Fun é um exercício poético de muitos contrastes, uma viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa de I Left My Body ou a lamechice de Push Back The Hands e Lake Monsters, além do rock vintage sessentista de This Microphone e o rock de cariz mais alternativo audível nas guitarras que conduzem By The Time You Get This, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em All Time What e na inebriante e corrosiva An Insult To The Fact Checkers, mas também daquela blues sulista que o piano de Mrs. Bluebeard replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais experimental e eminentemente progressivo em When The Light Comes On.

Assim, do frenesim rock à psicadelia, passando pelo rock mais progressivo, não faltam neste alinhamento piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. De facto, os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do universo temático da banda e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - I Like Fun

01. Let’s Get This Over With
02. I Left My Body
03. All Time What
04. By The Time You Get This
05. An Insult To The Fact Checkers
06. Mrs. Bluebeard
07. I Like Fun
08. Push Back The Hands
09. This Microphone
10. The Bright Side
11. When The Light Comes On
12. Lake Monsters
13. Mccafferty’s Bib
14. The Greatest
15. Last Wave

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publicado por stipe07 às 18:15

Frank Turner - 1933

Quinta-feira, 01.02.18

Frank Turner - 1933

Será a quatro de maio próximo que Frank Turner irá fazer chegar aos escaparates Be More Kind, o oitavo registo de originais de uma carreira já longa deste artista extremamente talentoso, não só a compôr melodias mas também a escrever. Este disco vê a luz do dia depois de Turner ter estado em estúdio durante o ano que recentemente findou com Austin Jenkins e Joshua Block, antigos membros dos White Denim e também com Charlie Hugall (Florence And The Machine, Halsey), que assume as rédeas da produção de Be More Kind.

1933 é o primeiro tema divulgado de Be More Kind, um tratado sonoro fortemente influenciado pelo típico punk rock do outro lado do atlântico, um cerrar de punhos que curiosamente Turner rejeita, do seguinte modo, em declarações recentes: 1933 filled me with a mixture of incredulity and anger. (...) The idea that it have anything to do with punk rock makes me extremely angry. Seja como for, as principais caraterísticas desse arquétipo sonoro estão bem presentes numa canção bastante enérgica, que faz adivinhar mais um disco vibrante e bem conseguido por parte deste músico britânico. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:49


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