Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018

Jaguwar - Ringthing

Uma das novas coqueluches da Tapete Records são os Jaguwar, projeto que nasceu em Berlim, na Alemanha, um trio formado inicialmente por Oyémi e Lemmy em 2012 aos quais se juntou Chris dois anos depois. Editaram dois Eps através da americana Prospect Records e tocaram ao vivo numa série de países como Inglaterra, Dinamarca, França, Sérvia, Alemanha, entre outros, partilhando o palco com nomes tão importantes como os We Were Promised Jetpacks, Japandroids e The Megaphonic Thrift, entre outros.

A estreia na Tapete Records foi a doze de janeiro de último com Ringthing, o longa duração de estreia do grupo. São dez canções que nasceram depois de o trio, armado com um impressionante leque de aparelhos de efeitos, guitarras, baixos e amplificadores e apoiado por um prodigioso abastecimento de café e cigarros, ter-se instalado nos estúdios Tritone Studio em Hof, na Baviera. Um dos grandes destaques do álbum é Crystal, canção que se insere naquele universo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze. O tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. Na verdade, além desse destaque, canções como a ritmada Lunatic, que sobrevive à custa de um efeito agudo metálico ou, em oposição, a mais climática e contemplativa Gone, expôem de modo esclarecido, como o som destes Jaguwar é assumidamente indie e plana entre a experimentação e o psicadelismo.

Ao longo deste, disco liderado pelas guitarras, ouve-se canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, com variações, ruídos e efeitos variados. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie e o post rock. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:32
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

Jack White – Corporation

Jack White - Corporation

Continuam a ser divulgados novos temas do alinhamento de Boarding House Reach, o novo registo de originais de Jack White, sucessor do já longínquo Lazaretto. Assim, depois de Connected By Love Respect Commander, Corporation é a nova canção conhecida desse novo trabalho do músico, compositor e guitarrista natural de Nashville.

Em Corporation o autor mergulha a fundo em territórios mais densos e experimentais, através de uma guitarra com a sua habitual assinatura plena de groove, à qual se juntam elementos percussivos caraterísticos do universo hip-hop e outros detalhes como congas ou elementos vocais sintetizados, num resultado final extremamente apelativo e bem conseguido.

Boarding House Reach chega às lojas a vinte e três de março via Third Man Records/Columbia e conta nos seus créditos com nomes como o percussionista Louis Cato, o baixista Charlotte Kemp Muhl, Neal Evans, John Scofield, Bobby Allende, Ann e Regina McCrary do trio gospel McCrary Sisters. Confere...


autor stipe07 às 13:30
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018

James Blake – If The Car Beside You Moves Ahead

James Blake - If The Car Beside You Moves Ahead

Depois de no Natal ter oferecido aos seus fãs uma lindíssima versão de Vincent, um clássico da autoria do cantor norte-americano Don McLean, originalmente gravada há quarenta e seis anos anos como homenagem ao pintor Vincent Van Gogh, James Blake está de regresso com um novo tema. A novidade deste músico londrino chama-se If The Car Beside You Moves Ahead, foi produzida pelo próprio e misturada por Nathan Boddy já tem direito a um excelente vídeo da autoria de Alexander Brown.

If The Car Beside You Moves Ahead marca o regresso de Blake a territórios sonoros mais experimentais, dentro do espírito da fase inicial da sua carreira, nomeadamente o seu disco homónimo de estreia, em cujo alinhamento este tema encaixaria claramente. A sua voz volta aquele registo fragmentado e sintético que o notabilizou e o manto sonoro algo enigmático e nebuloso que cobre a percurssão minmal e a linha sintetizada que conduzem a melodia da canção inserem-se nesse espírito, com o resultado final a ser original, vanguardista e hipnótico. Não há ainda confirmação se esta composição fará parte do alinhamento de um sucessor do anterior The Colour In Anything, lançado há quase dois anos. Confere... 

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autor stipe07 às 16:42
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2018

Django Django - Marble Skies

Os Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon acabam de desvender todo o conteúdo de Marble Skies, o novo registo de originais desta banda escocesa natural de Edimburgo e que contém, como seria de esperar, dez canções feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

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Com as participações especias de Rebecca Taylor (Slow Club) e de Anna Prior (Metronomy), Marble Skies expõe com ainda maior ênfase as referências do house mais ácido noventista, numa espécie de continuidade relativamente a Born Under Saturn, mas ainda mais festiva. Esta confirmação de uma estética sonora bem definida é  uma coerência que de certo modo se saúda, principalmente no seio de quem, como eu, considerou há pouco mais de meia década este quarteto inglês como uma verdadeira lufada de ar fresco no universo sonoro regido pela pop de cariz mais eletrónico.

Mas não é só de pop eletrónica que vive Marble Skies. O disco é, na verdade, uma verdaderia amálgama e o caldeirão mantém-se bastante ativo como se percebe logo no início do alinhamento. Se o frenético e cósmico tema homónimo e a alegoria percurssiva e tribal de Tic Tac Toe e de In Your Beat obedecem à nuance sonora comum e intrinseca ao grupo, o spaghetti rock de Champagne e o elevado acerto melódico do piano de Sandials embrenham-nos em ambientes menos agitados e mais intrincados, numa mistura perfeita de géneros que serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento e que vicia o ouvinte, convidando-a a repetidas audições.

Ao terceiro disco os Django Django apostam todas as fichas na sua notável capacidade para nos colocar a dançar, mesmo que haja uma relutância em relação ao constante apelo, nem que seja para um quase implícito abanar de ancas e aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art popart rock ou ainda beat pop, acompanhada por guitarras que parecem ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Nele a banda cumpre cabalmente a função lúdica de apelo ao lado mais físico do ouvinte, mesmo num tempo em que parece existir uma clara obsessão em encontrar paralelismos e pontos de encontro no universo sonoro alternativo, entre a eletrónica mais progressiva e a comercial, para que um projeto mereça sentar-se  mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Espero que aprecies a sugestão...

Django Django - Marble Skies

01. Marble Skies
02. Surface To Air (Feat. Self Esteem)
03. Champagne
04. Tic Tac Toe
05. Further
06. Sundials
07. Beam Me Up
08. In Your Beat
09. Real Gone
10. Fountains


autor stipe07 às 18:02
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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2018

Preoccupations – Espionage

Preoccupations - Espionage

Os canadianos Preoccupations de Matt Floegel acabam de anunciar o sucessor do seu disco homónimo de estreia editado em 2016 e que causou forte impacto na crítica, garantindo para o projeto uma base assídua de fãs que aguardam com enorme expetativa um novo registo de originais do grupo.

Esse desejo será atendido já a vinte e três de março com New Material, o segundo compêndio dos Preoccupations, uma coleção de oito canções das quais já se conhece Espionage, o tema que abre o alinhamento do registo. É uma inebriante canção assente numa guitarra com um rugoso efeito metálico particularmente aditivo e um baixo imponente, acompanhados por uma bateria falsamente rápida, detalhes que nos remete para aquele rock que impressiona pela rebeldia com forte travo nostálgico e por aquela sensação de espiral progressiva de sensações, que tantas vezes ferem porque atingem o âmago. Confere...


autor stipe07 às 18:12
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018

Glen Hansard – Between Two Shores

O irlandês Glen Hansard é um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá, devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde fazia parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar, mas também por causa de Rhythm And Repose álbum de estreia que este ícone da folk contemporânea lançou em 2012. Agora, no início de 2018 Hansard está de regresso aos lançamentos discográficos com Between Two Shores, dez canções abrigadas pela reputada -ANTI e que começaram a ser incubadas pelo músico logo após a conclusão da gravação de Rhythm And Repose, no estúdio dos Wilco em Chicago. Hansard andava na altura em digressão a promover o seu disco de estreia mas tinha algum material em mãos que queria gravar, canções que acabaram por ser os alicerces deste Between Two Shores, sucessor de Didn’t He Ramble, disco lançado em 2015 mas que não contém nenhuma das composições que foram gravadas em Chicago dois anos antes.

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Produzido pelo próprio autor com a ajuda de David Odlum, Between Two Shores oferece-nos um Glen Hansard mais expansivo e extorvertido do que nunca, sem deixar de se debruçar sobre a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras, aspetos que permanecem bem presentes na sua escrita. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country, também tem a companhia da guitarra elétrica e logo no rock frenético de Roll On Slow e, pouco depois, de Wheels On Fire, ela recebe o apoio de outros instrumentos, nomedamente sopros na primeira e o orgão na segunda, uma nuance que se vai repetir noutros temas do trabalho, nomeadamente Why Woman, o tema seguinte. Esta segunda canção do alinhamento, faz o contraponto através de um blues mais introspetivo, estando com estas três composições dado o pontapé de saída para um disco animado e com momentos festivos, mas também intimista, um registo onde se ouve um emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.

Sentimental como sempre e mais romântico do que nunca, Glen Hansard expõe em Between Two Shores o seu coração explosivo, mostrando-nos as suas diferentes caras e estados de espírito, ajudado por canções que misturam melodias avassaladoras, como é o caso da intimista e terna Wreckless Heart ou da mais explosiva Movin' On, com momentos mais intrincados e particularmente sentidos e melancólicos. São canções que merecem audição dedicada e comprovam a mestria de quem usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar situações menos felizes que possam ter assolado a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

Glen Hansard - Between Two Shores

01. Roll On Slow
02. Why Woman
03. Wheels On Fire
04. Wreckless Heart
05. Movin’ On
06. Setting Forth
07. Lucky Man
08. One Of Us Must Lose
09. Your Heart’s Not In It
10. Time Will Be the Healer


autor stipe07 às 18:35
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

Moon Duo – Jukebox Babe / No Fun

Os norte americanos Moon Duo, de Ripley Johnson e Sanae Yamada, são já uma banda incontornável do indie rock psicadélico atual. Detentores de um trajeto discográfico imaculado e com vários pontos altos, tiveram um ano de 2017 bastante profícuo com o lançamento de Occult Architecture Vol. 1 e Vol. 2, dois álbuns que nos levaram de novo rumo à pop psicadélica setentista, através dos solos e riffs da guitarra de Ripley a exibirem muitas vezes linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, mas também de sintetizadores inspirados e com efeitos cósmicos plenos de groove. No início de 2018 estão de volta, desta vez com o lançamento de um duplo single, à boleia da Sacred Bones o refúgio perfeito que encontraram há já algum tempo para explorar todo o hipnotismo lisérgico que carimba o seu adn.

Moon Duo

As canções presentes nesta nova edição dos Moon Duo são Jukebox Babe e No Fun, versões de originais de dois projetos fundamentais para a dupla e que marcam bastante as suas influências. A primeira, Jukebox Babe, é um original de Alan Vega, líder dos míticos Suicide e a segunda, No Fun, um original dos The Stooges de 1969. Ripley e Sanae resolveram revisitar Jukebox Babe por ser um tema que Larry, o engenheiro de som do grupo de Portland, cantarolava bastantes vezes durante a gravação dos últimos discos dos Moon Duo e a ideia de fazer uma versão de No Fun surgiu na sequência de um pedido da BBC6 para a dupla gravar uma música da autoria de Iggy Pop, por ocasião do seu septagésimo aniversário. O resultado final são dois temas que caminham em direções sonoras diametralmente opostas. Se Jukebox Babe é um espetacular tratado de punk acid rock eletrónico rugoso e aditivo, uma espécie de catarse psicadélica, assente numa batida inspirada que nos faz dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, No Fun sabe a uma espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip pelo deserto, com o sol quente na cabeça, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Confere...

Moon Duo - Jukebox Babe - No Fun

01. Jukebox Babe

02. No Fun


autor stipe07 às 17:42
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018

Fugly - Millenial Shit

Pedro Feio, ou Jimmy, começou o projecto Fugly em 2015 quando se fartou de estar sempre atrás da mesa de mistura e começou a querer subir de vez em quando ao palco. Chamou Rafael Silver e, mais tarde, Nuno Loureiro para juntos formarem este grupo oriundo do Porto, que se estreou ainda esse ano com Morning After, um EP que já tem finalmente sucessor. O primeiro longa duração dos Fugly chama-se Millenial Shit, viu a luz do dia por intermédio da editora O Cão da Garagem e assume-se como uma espécie de disco conceptual que conta a história dos millennials, a Geração Y, os jovens nascidos entre os anos oitenta e noventa, época que culminou na maior taxa de nascimentos per capita. São a voz do emprego precário, dos estágios intermináveis, da abstenção política, dos direitos dos animais, do vegetarianismo, da erradicação dos estigmas populares, da preguiça, do aborrecimento, da legalização da marijuana, dos smartphones, da falta de emoção e capacidades sociais, da depressão antecipada, do controlo hormonal e do capitalismo forçado.

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Melhor do que ser eu a descrever o conteúdo de Millenial Shit é mesmo conferir também o que a banda tem a dizer acerca do seu conteúdo, através do press release do lançamento. Assim, tendo em conta a temática acima citada, Millenial Shit gira à volta do romance jovem, das noites loucas e espalhafatosas em que tudo de mau e bom acontece. O arrependimento causado por um dia seguinte cheio de perguntas sem resposta e todo o existencialismo associado. O alinhamento arranca a todo o gás com Hit the Wall, canção feita com uma voz exultante, guitarras banhadas por um audacioso reverb e um baixo vincado e pleno de ritmo que dá as mãos à bateria com elevada mestria. Depois, no punk direto e efusivo de Ciao (You’re Dead), na toada expressiva de Millennial Shit, no elevado acerto melódico com que guitarras e bateria se entrelaçam em Take You Home Tonight e na rugosidade rock de Yey, fica plasmado um modo muito próprio de expressar uma filosofia sonora interpretativa que mais do que mostrar uns Fugly presos por amarras ou balizas que enclausurem o arquétipo sonoro pelo qual se regem, clarifica o alargado e geralmente acelerado espetro rítmico que os define, já que quase sempre optam por criar músicas rápidas, com pouco tempo e que em poucos versos,  introduzem a história que pretendem contar. Delirium acaba por funcionar um pouco como contraponto a todo este ideário estilístico dos Fugly, Rooftop, Inside My Head e The Sun, com uma tonalidade um pouco mais diversificada e intrincada, dão esperança à personagem de poder mudar tudo, de começar de novo e perceber a lição que foi aprendida

Em suma, Millenial Shit contém uma rebelde euforia utópica que explora ao máximo a relação sensorial humana, com um som psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar e, contendo belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte da essência destes Fugly, trespassam sempre o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio e místico, onde tudo flui de maneira hermética e algo acizentada, como convém a uma crise de identidade bem sucedida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:24
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Sábado, 20 de Janeiro de 2018

The Radio Dept. – Your True Name

The Radio Dept. - Your True Name

Os suecos The Radio Dept. de Johan Duncanson, Martin Carlberg e Daniel Tjader estão quase a completar vinte anos de carreira e, além de alguns singles, EPs e temas avulsos, têm já dois discos no seu catálogo que viram a luz do dia esta década; Refiro-me aos extraordinários Clinging To A Scheme (2010) e Running Out Of Love (2016), que podem vir a ter sucessor em 2018, tendo em conta um novo tema acabado de divulgar por este trio bastante aclamado e querido no cenário indie e alternativo.

Distribuída pela Just So!, a etiqueta da banda, Your True Name é o título dessa novidade dos The Radio Dept., uma canção que é um verdadeiro tratado de dream pop eletrónica, embelezada por uma deliciosa guitarra sabiamente escolhida para sustentar uma melodia de onde sobressai uma subtil dose de delicadeza e encantamento que seduz e cativa de modo quase instantâneo. Confere...


autor stipe07 às 20:24
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

Strand Of Oaks – Harder Love

No final do inverno passado, dois anos e meio depois do excelente Heal, o projeto Strand Of Oaks do norte americano Timothy Showalter, regressou com Hard Love, nove pulsantes temas produzidos por Nicolas Vernhes (The War on Drugs, Spoon) e que foram mais uma fervorosa demonstração de saudável alienação por parte de um músico que, com quinze anos, no sotão de sua casa, se sentiu ausente do resto do mundo e percebeu que a música seria a sua cura e a composição sonora a alquimia que lhe permitiria exorcizar todos os seus medos, problemas e angústias. As sessões de gravação desse registo não incubaram apenas as nove canções que constaram do alinhamento de Hard Love, por isso agora, quase um ano depois, Timothy resolveu dar-lhes protagonismo com o lançamento de Harder Love, um compêndio de temas que por uma qualquer razão ficaram de fora do alinhamento de Hard Love, ou que são lados b dos singles entretanto publicados desse trabalho.

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E indesmentível escutar algumas destas canções de Harder Love e não lhes conferir o mesmo cunho qualitativo daquelas que foram selecionadas para Hard Love. Logo no tema homónimo deste compêndio, encontramos uma canção repleta de cor e frenesim, um luminoso instante pop abastecido por referências noise, folk e psicadélicas, que depois se vão encontrar noutros temas do alinhamento, nomeadamente no clima envolvente do efeito que embala Passing Out, nos sintetizadores cósmicos audíveis em Chill Tent e na distorção proeminente e rugosa que conduz Dream Brother. Depois, momentos mais intimistas como Cry ou Rain Won't Come, em que as teclas são adornadas por camadas sonoras ricas em detalhes implícitos, nunca ofuscam a natural predisposição deste reverendo barbudo para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema, debruçando-se, geralmente, sobre viagens sem destino, o amor, o desapego às coisas terrenas e a solidão.

Strand Of Oaks é mais um que arrisca, e neste caso com enorme sucesso, a mergulhar fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas fá-lo apoiado num som montado em cima de um imenso cardápio sonoro e musical que, de mãos dadas com uma produção irrepreensível, nos proporciona muito do que de melhor propõe hoje a música independente americana contemporânea. Este seu novo feliz alinhamento de composições acabam não só por dar ainda mais significado e excelência ao conteúdo de Hard Love como expandem os territórios deste artista verdadeiramente singular que replica com mestria um emaranhado de antigas nostalgias e novas tendências, que reproduzem toda a força neo hippie tipicamente rock, mas que também se deixa consumir abertamente tanto pelo experimentalismo punk lisérgico como pela soul. Espero que aprecies a nossa sugestão...

Strand Of Oaks - Harder Love

01. Harder Love
02. Passing Out
03. Cry (Alt Version)
04. On The Hill (Alt Version)
05. Sober
06. Dream Brother
07. Rain Won’t Come
08. Wicked Water
09. Chill Tent
10. On The Hill (Extended) [Bonus Track]
11. Wanna Get Lost (Bonus Track)


autor stipe07 às 19:39
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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

Eels - The Deconstruction

Depois de uma espera de quatro anos, os Eels de E (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo anunciaram recentemente o seu muito esperado novo álbum. Gravado na sua maioria em Pasadena, na Califórnia, este novo álbum do grupo norte-americano chama-se The Deconstruction, será o décimo segundo da carreira deste projeto liderado pelo carismático Mark Everett e tem lançamento previsto a seis de Abril através da E Works/Pias Ibero América em Portugal.

The Deconstruction irá suceder ao já longínquo The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett e foi produzido por Everett e por Mickey Petralia, um nome que já trabalha com os Eels desde o fabuloso Electro-Schock Blues (1998), o melhor disco da banda, prestes a comemorar vinte anos de existência. Curiosamente, The Deconstruction, o tema já conhecido que abre o disco e lhe dá nome, tem uma sonoridade que nos remete para esse período inicial da carreira dos Eels, assente num rock orquestral algo depressivo, onde as cordas dominam, mas onde é também possível escutar arranjos de sopros e percussivos bastante peculiares e distintivos.

Os Eels estarão por cá, nos Nos Alive, no dia treze de julho. Confere a tracklist de The Deconstruction, o single homónimo e o mais recente trailer do álbum...

Eels

The Deconstruction

Bone Dry

The Quandary        

Premonition

Rusty Pipes

The Epiphany

Today Is The Day

Sweet Scorched Earth

Coming Back

Be Hurt

You Are The Shining Light

There I Said It

Archie Goodnight

                           The Unanswerable                          

In Our Cathedral


autor stipe07 às 18:31
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Editors – Magazine

Editors - Magazine

Finalmente In Dream, o aclamado álbum que os Editors de Tom Smith editaram em 2015, parece já ter sucessor. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica oriunda de Birmingham irá ver a luz do dia a nove de março próximo à boleia da Play It Again Sam e chamar-se-à Violence.

Há alguns dias os Editors deram a conhecer juntamente com alguns detalhes deste seu novo trabalho uma canção intitulada Magazine, o primeiro single retirado desse novo alinhamento do quinteto. Já há também um vídeo disponível para este tema, realizado pelo iraniano Rahi Rezvani com quem os Editors tinham já trabalhado em In Dream. Sonoramente, Magazine é conduzida pela típica intensidade emocional da escrita de Tom Smith e pelo carisma do seu tímbre vocal grave único, ao qual se juntam as habituais guitarras angulares, sintetizadores progressivos e um baixo imponente, ou seja, aquelas que são, no fundo, as principais matrizes identitárias deste grupo que nunca tendo conseguido ser consensual no universo sonoro alternativo, apesar de The Back Room, o disco de estreia, ser, quanto a mim, um marco no género pós punk, parece apostada em se assumir definitivamente como um grupo de massas e deixar de vez o universo mainstream para fazer parte da primeira liga do campeonato mundial do indie rock. Confere...


autor stipe07 às 18:54
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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Black Rebel Motorcycle Club – Wrong Creatures

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso, à boleia da Vagrant Records, com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo. Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e oferece-nos uns Black Rebel Motorcycle Club cientes não só do mundo em que vivem e das várias transformações que foram sucedendo nos últimos vinte anos, mas também das alterações estilísticas e de formação que moldaram a sobrevivência e o próprio crescimento de um projeto que se abastece de um espetro sonoro muito específico e com caraterísticas bastante vincadas.

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Ao longo destes mais de quinze anos, os Black Rebel Motorcycle Club talvez não tenham salvado o rock, mas há que ser justo e admitir que se tornaram numa das bandas essenciais deste género musical. Nos primeiros dez anos de existência, mesmo após a estreia e o similar Take Them On, On Your Own, quando infletiram um pouco no rumo e em Howl e quando abraçaram também a country e a folk, não deixaram nunca de perder a sua identidade, que apenas foi um pouco abalada com Baby 81 e The Effects of 333, os dois únicos álbuns dos Black Rebel Motorcycle Club que não me seduzem e que considero terem sido verdadeiros tiros ao lado na valiosa trajetória musical do grupo. Portanto, na primeira década de existência, os Black Rebel Motorcycle Club nem sempre cumpriram a ótima expetativa criada na estreia mas, em 2009, Beat the Devil's Tattoo voltou a colocar o percurso do grupo nos eixos e pessoalmente devolveu-me uma esperança que se confirmou ser justificada em Specter At The Feast, um trabalho muito marcado pela morte do pai de Robert, que também era um grande suporte da banda, e que voltou a colocar o trio num caminho certo, que agora se endireita definitivamente neste Wrong Creatures. De facto, este oitavo registo do grupo contém um alinhamento de canções que se assumem como uma espécie de fecho de um ciclo e um círculo, já que fazem os Black Rebel Motorcycle Club regressar finalmente aquela que é a sua verdadeira essência, um projeto criador de canções assumidamente introspetivas, nebulosas e viscerais, que além de se debruçarem sobre o quotidiano, estilisticamente se preocupam em colocar o puro rock negro e pesado em plano de assumido destaque.

Escuta-se DFF, um típico tema introdutório, com um baixo firme e constante e uma percurssão com uma cadência crescente que vai recebendo um riff subtil e percebe-se desde logo que há algo de falsamente novo na típica atmosfera sonora mais recente do grupo. Logo depois, com a toada lasciva e provocante de Spook e o fuzz rugoso e cerrado de King Of Bones, clarifica-se, definitivamente, o tal regresso auspicioso à linha de partida, um retrocesso feliz que Little Thing Gone Wild, um tema com traços de post punk e blues e que também abraça o noise rock e onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah, reafirma, conferindo também um indispensável travo de diversidade e perspicácia melódica e instrumental ao disco, dentro dos limites bem definidos da filosofia sonora do mesmo. O clima delicado do hino retemperador Echo e, principalmente, a neblina de Haunt ajudam ainda mais a potenciar a heterogeneidade subtil do alinhamento, através de um blues tocado com mestria, um envolvente abraço do rock com a psicadelia etérea, feito com efeitos de guitarra melodicamente irrepreensíveis, sombrios e interessantes, um notável esforço para que haja novamente aquela luz que aqui brilha devido à interação brilhante entre a voz e a delicadeza da guitarra de Peter, mas também do modo como os Robert e Leah se dedicam de corpo e alma nos dois temas a utilizar o melhor da bateria e do baixo nas diferentes nuances sensitivas que ambos proporcionam.

Em Wrong Creatures há um claro entusiasmo no modo como as guitarras são tocadas e uma menor dose de experimentalismo é substituída pelo ruído direto e conciso, sem deixar de haver instantes de arrebatadora sedução que não ficam nada a dever a projetos que procuram tocar emocionalmente quem se predispõe a deixar-se envolver por canções pensadas para tocar no âmago de cada um de nós. É um disco que acaba por refletir um estado psíquico mais positivo de uma banda muito marcada por transformações e dissabores, mas que nunca deixou, ao longo da carreira, de tentar ser coerente no desejo de deixar, disco após disco, novas pistas para a salvação do rock. O resultado final algumas vezes não foi o melhor, mas essa nobre intenção sempre esteve presente na discografia dos Black Rebel Motorcycle Club e ganhou um novo vigor neste disco. Espero que aprecies a sugestão...

Black Rebel Motorcycle Club - Wrong Creatures

01. DFF
02. Spook
03. King Of Bones
04. Haunt
05. Echo
06. Ninth Configuration
07. Question Of Faith
08. Calling Them All Away
09. Little Thing Gone Wild
10. Circus Bazooko
11. Carried From The Start
12. All Rise


autor stipe07 às 18:40
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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Panda Bear – A Day With The Homies EP

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Noah Lennox, aka Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e com residência em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase três anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo de A Day With The Homes, um EP de cinco canções onde encontramos uma sequência de primorosas e ainda atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos.

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Neste A Day With The Homies as canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea. É a materialização de um universo muito próprio e algo peculiar e até colorido, uma impressão obtida logo noinício com a batida animada de Flight a surpreender pelo seu nível de humor e de acessibilidade.

O EP avança e quer no clima kraut algo subversivo de Parth Of The Math ou nos flashes e ruídos que correm impecavelmente atrás de uma percussão orgânica e bem vincada que, em Shepard Tone, nos faz transpor quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, escutamos dois temas com uma filosofia diferente e menos imediata do que a da canção incial e que nos deixam a impressão que Lennox quis, desta vez, trazer à tona sons, efeitos e melodias que estavam guardadas e à espera do momento certo para ganharem vida, porque o autor considerava que antes não se encaixavam no perfil sonoro dos seus alinhamentos, ou porque ainda não tinham sido objeto do trabalho de produção merecido. 

O ocaso do EP chega mais depressa do que gostaríamos com o clima etéreo de Noad To The Folks, canção onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático com um volume crescente e com um piscar de olhos sintético a sonoridades mais negras em Sunset, mais duas canções que justificam o modo como A Day With The Homies pode ser descrito como extraordinário. Naturalmente corajoso, complexo e encantador, além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais, onde exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário sonoro desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, mas repleta de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - A Day With The Homies

01. Flight
02. Part Of The Math
03. Shepard Tone
04. Nod To The Folks
05. Sunset


autor stipe07 às 16:44
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Fugly - Hit A Wall

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Pedro Feio, ou Jimmy, começou o projecto Fugly em 2015 quando se fartou de estar sempre atrás da mesa de mistura e começou a querer subir de vez em quando ao palco. Chamou Rafael Silver e, mais tarde, Nuno Loureiro para juntos formarem este grupo oriundo do Porto, que se estreou ainda esse ano com Morning After, um EP que já tem finalmente sucessor. O primeiro longa duração dos Fugly chama-se Millenial Shit, verá a luz do dia por intermédio da editora O Cão da Garagem e o tema homónimo foi o prmeiro single divulgado do registo, sendo agora a vez de já podermos escutar Hit A Wall, o tema arrebatador e frenético que abre o alinhamento do álbum, feito com uma voz gritante, guitarras a arranhar, baixo galopante e um comboio sem controlo que sai da bateria e já com direito a um excelente vídeo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:26
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018

Jack White – Connected By Love

Jack White - Connected By Love - Respect Commander

Pouco antes do natal Jack White já tinha dado ndicações que poderia ter novidades para muito breve e na verdade parece que ele está de regresso aos discos em 2018. O seu novo trabalho irá chamar-se Boarding House Reach, será o sucessor do já longínquo Lazaretto e Connected By Love e Respect Commander são os dois temas novos divulgados desse disco.

Jack White apresentou os dois temas no programa Zane Lowe’s Beats 1 e colocou-as nas plataformas de audição digital habituais e para venda na Third Man Records, a sua própria editora. Em ambos, nomes como o percussionista Louis Cato, o baixista Charlotte Kemp Muhl, Neal Evans, John Scofield, Bobby Allende, Ann e Regina McCrary do trio gospel, McCrary Sisters fazem parte dos créditos. Confere Connected By Love...


autor stipe07 às 22:03
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2018

Franz Ferdinand – Feel The Love Go

Franz Ferdinand - Feel The Love Go

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, lá para o próximo mês de fevereiro.

Depois de termos escutado o single homónimo desse novo registo de originais dos Franz Ferdinand, em outono, agora chegou a vez de conferir Love To Go, mais um tema desse Always Ascending, uma nova espiral rugosa e dançante em que crescem guitarras e bateria e o pendor exaltante dos sintetizadores, num frenesim de dance post punk rock que irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que se insere. Confere...


autor stipe07 às 17:27
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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

Máquina Del Amor - Disco

É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.

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Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.

Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:58
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2018

MGMT - Hand It Over

MGMT - Hand It Over

Pouco mais de quatro anos depois de um homónimo, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, está prestes a regressar aos discos com Little Dark Age, o quarto trabalho destes já veteranos do indie rock psicadélico, que desde o espetacular disco de estreia Oracular Spectacular nos habituaram a uma espécie de rock psicadélico algures entre os Pink Floyd das décadas de sessenta e setenta e uns mais contemporâneos Flaming Lips, mas também com os olhos e ouvidos postos em projetos mais atuais e até, de algum modo, concorrentes.

Depois do ambiente sonoro algo cinzento e eminentemente sintético de Little Dark Age, a canção homónima do trabalho, divulgada em outubro último e dos sons poderosos que esculpiam When You Die, já é conhecido o terceiro single do disco. É uma canção intitulada Hand It Over e contém uma toada luminosa, cheia de sons etéreos e efeitos lisérgicos adornados por sintetizadores flutuantes e com direito a um video bastante curioso, comparável com uma pintura em movimento e realizado em parceria por Old Man Future e Shively Humperdink. Confere...


autor stipe07 às 17:59
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018

Laura Marling – A Hard Rain’s A-Gonna Fall

Laura Marling -  A Hard Rain's A-Gonna Fall

A britânica Laura Marling editou na passada primavera Semper Femina, um excelente registo de indie folk que além de ter melhorado consideravelmente a sua já inatacável reputação como cantora e compositora, acabou por lhe valer comparações como nomes tão importantes como Joni Mitchell ou Patti Smith.

Agora, alguns meses depois, enquanto não anuncia um novo trabalho, terminou o ano de 2017 a divulgar uma cover de um clássico de Bob Dylan intitulado A Hard Rain’s A Gonna Fall. Na reinterpretação que concebeu do tema, não só fez juz à emotividade latente no original, como ampliou aquela curiosa sensação de otimismo que transparece do poema que dá vida ao tema. Confere...


autor stipe07 às 21:36
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