Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

Jaguwar - Crystal

Uma das novas coqueluches da Tapete Records são os Jaguwar, projeto que nasceu em Berlim, na Alemanha, um trio formado inicialmente por Oyémi e Lemmy em 2012 aos quais se juntou Chris dois anos depois. Editaram dois Eps através da americana Prospect Records e tocaram ao vivo numa série de países como Inglaterra, Dinamarca, França, Sérvia, Alemanha, entre outros, partilhando o palco com nomes tão importantes como os We Were Promised Jetpacks, Japandroids e The Megaphonic Thrift, entre outros.

A estreia na Tapete Records será a doze de janeiro de 2018 com Ringthing, o longa duração de estreia do grupo. São dez canções que nasceram depois de o trio, armado com um impressionante leque de aparelhos de efeitos, guitarras, baixos e amplificadores e apoiado por um prodigioso abastecimento de café e cigarros, ter-se instalado nos estúdios Tritone Studio em Hof, na Baviera. Delas já se conhece Crystal, canção que se insere naquele universo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze. Já com direito a vídeo, o tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. Confere...


autor stipe07 às 17:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Björk – Utopia

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, já tem sucessor. O novo disco da artista islandesa chama-se Utopia, viu a luz do dia a vinte e quatro último, via One Little Indian Records, e constitui uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam, depois do antecessor ter sido um disco intimista e algo depressivo, que se focou muito no termino da relação amorosa da autora com Matthew Barney, um reputado artista plástico americano.

Resultado de imagem para Björk Utopia

De facto, o que não falta em Utopia são ideias e sugestões para um mundo melhor e o venezuelano Arca, produtor deste disco, é um elemento preponderante para o deslumbre que se sente com toda a pafernália de sons, detalhes e efeitos que vão cirandando em redor da voz de uma Björk que parece ter encontrado de novo motivos para olhar com optimismo para o mundo que a rodeia. Se The Gate, o terceiro tema do disco é, de acordo com a própria autora, a canção que melhor retrata as diferenças entre Vulnicura e Utopia, muito por causa do modo como Björk posiciona o seu registo vocal no meio de uma vasta miríade de luxuriantes efeitos e detalhes eminentemente sintéticos e com um poderoso potencial impressivo, logo na luxuriante secção de metais que vai sobressaindo em Arisen My Senses percebe-se que a compositora islandesa sente-se mais sorridente e disponível para a celebração. Logo depois, em Blissing Me, somos confrontados com uma canção cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. É uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondicional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro e que vinca, definitivamente, aquela que será a filosofia sonora do restante alinhamento de Utopia.

Até ao ocaso deste trabalho, quer na extensa e espiritual Body Memory, uma canção que conta com a extraordinária participação especial de seis dezenas de vozes feminimas, quer na complexidade orquestral de temas tão envolventes como Tabula Rasa, uma composição que eriça com contundência o nosso lado mais sensível, ou de Losss, um oásis de cândura e suavidade, assim como de Claimstaker, uma ode ao amor tremendamente retemperadora, somos absorvidos sem apelo nem agravo por um álbum que representa, claramente, uma espécie de renascimento e de virar de página para um universo mais eloquente e transcendental por parte de uma das intérpretes mais inspiradas e influentes do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão....


autor stipe07 às 20:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?

O ideário sonoro dos gloriosos anos noventa está ainda bem presente entre nós após duas décadas desse período aúreo de movimentos musicais incríveis como a britpop que, do lado de cá do atlântico, fez na altura frente ao grunge e ao indie rock norte americano, num período temporal que massificou definitivamente o acesso global à música. E os Oasis foram um dos nomes fundamentais da arte musical em terras de Sua Majestade nessa época, liderados pelos irmãos Gallagher que continuam a fazer questão de alimentar uma relação lendariamente conturbada. E agora fazem-no através das suas carreiras a solo, com ambos a editarem discos em nome próprio no ocaso de 2017. O primeiro foi Liam, o mais novo, com o seu registo de estreia As You Were e agora chega a vez de Noel, juntamente com os seus High Flying Birds, através de um trabalho intitulado Who Built the Moon?, que viu a luz do dia já neste mês de novembro.

Resultado de imagem para Noel Gallagher’s High Flying Birds

Produzido por David Holmes, Who Built The Moon? deve grande parte dos méritos do seu conteúdo ao trabalho deste produtor algo desconhecido do universo índie e que se esforçou ao máximo por conseguir domar, com aparente sucesso, o natural ímpeto de Noel para compôr de acordo com o seu adn e, consequentemente, o adn dos Oasis. E esse é um dos maiores méritos que este álbum tem, o facto de mostrar um Noel a ser impelido para fora da sua zona de conforto criativa, com as distorções, a heterogeneidade instrumental e a vasta miríade de efeitos da vibe psicadélica Fort Knox, o tema inicial do disco, a fintarem quem estava a contar com a habitual receita da banda que esteve no trono da britpop durante cerca de uma década.

 A partir daí, esse distanciamento torna-se ainda mais assertivo ao som de Holy Mountain, o primeiro single divulgado deste Who Built The Moon?, uma canção impetuosa e com uma vasta miríade de influências, que vão da britpop, ao rock mais ácido e experimental setentista, passando pelo rock alternativo da década seguinte e aquela toada pop algo sintética do mesmo período, com um espírito bastante festivo e dançante, mas também à boleia do sedutor experimentalismo de It's A Beautiful World e do instrumental Wednesday, da grandiosa secção de sopros que abastece o ritmo vibrante de Keep On Reaching e do rock sujo e empoeirado presente no tema homónimo.

Who Built The Moon? assenta grande parte da sua filosofia numa ideia de espontaneidade e liberdade, uma estratégia que pressupõe desde logo um aumento do fator risco relativamente à herança sonora do autor. Mas este é, sem dúvida, um risco calculado, um desafio que incubou canções com o indispensável apelo radiofónico e aquele som de estádio que Noel precisa para sustentar com firmeza a promoção ao vivo do registo, mas também composições com uma elevada bitola qualitativa no que concerne à demonstração da capacidade intuitiva do Gallagher mais velho de criar trechos melódicos quer apelativos quer criativos, mesmo que pareçam conceptualmente distantes. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Who Built The Moon

01. Fort Knox
02. Holy Mountain
03. Keep On Reaching
04. It’s A Beautiful World
05. She Taught Me How To Fly
06. Be Careful What You Wish For
07. Black And White Sunshine
08. Interlude
09. If Love Is A Low
10. The Man Who Built The Moon
11. End Credits (Wednesday Part 2)
12. Dead In The Water (Live At RTE 2FM Studios, Dublin)
13. God Help Us All


autor stipe07 às 20:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Viva Brother – II

Depois do prometedor disco de estreia editado em 2011, um trabalho intitulado Famous First Words que colocou desde logo a crítica mais atenta em sentido, os britânicos Viva Brother quebraram finalmente um hiato de meia década, que incluiu uma falsa declaração de separação pelo meio, com II, o segundo registo originais deste projeto oriundo de Slough e formado por Leonard Newell, Frank Colucci, Samuel Jackson e Josh Ward.

Resultado de imagem para viva brother slough band

Com a herança da melhor britpop na mira, mas sem descurarem alguns detalhes que lhes conferem o desejável cariz inédito, nomeadamente um elevado arrojo melódico e um acerto no modo como conjugam cordas com sintetizadores, os Viva Brother acabam neste II por se diferenciar de outros grupos ingleses do género, como os We Are Scientists, The Pigeon Detectives, The Rascals ou British Sea Power, que surpreenderam o mundo com os álbuns de estreia e depois afundaram-se no sempre difícil segundo disco, já que conseguem ampliar a boa impressão que deixaram no primeiro trabalho. De facto, os Viva Brother conseguem dar aqui um novo impulso à carreira, sendo audível que o fazem a tentar encontrar um equilíbrio entre os trunfos que apresentaram há mais de meia década e os novos rumos que tentam dar à sua carreira e que visam ir ao encontro de uma toada mais épica, destemida e grandiosa. Em suma, há aqui um paralelismo com o próprio futuro da música rock indie e alternativa e os desafios que atualmente se colocam a este género, com bandas a optarem por uma toada mais rugosa e direta e outras por uma maior aposta nos arranjos e na heterogeneidade instrumental. Que fazer com as guitarras? Usar acordes essencialmente eletrónicos, ou abusar de solos parecidos com as bandas de hard rock dos anos 70?

É esta a dicotomia que movimenta II, evidente em canções contagiantes como Rose, tema com um refrão que é digno da melhor escola britânica, mas também no esplendor e no groove das cordas de A Little Soul, uma daquelas canções para serem cantadas bem alto e principalmente Bastardo, single já extraído de II e que coloca logo as batidas eletrónicas lado a lado com as guitarras, numa dança que nunca desafina até ao final. E depois há Womankind, aquela canção que acaba por desafiar mais o ouvinte no modo como lhe possibilita apreciar todo o vasto leque de influências e estilos que os Viva Brother pretendem abraçar no disco.

Um dos aspetos que também merece ser referido na análise deste alinhamento é o modo como a instrumentação é organizada, quase sempre, de forma crescente, com os refrões a serem geralmente enérgicos e esplendorosos. Depois, a boa voz de Newell acaba por potenciar no disco a tal aura britpop. Em suma, se o grupo continuar assim e optar por trilhar este percurso de equilíbrio é certo que ainda teremos mais bons discos dos Viva Brother daqui em diante; Amadurecer é necessário e estes britânicos fazem-no com perspicácia. Espero que aprecies a sugestão...

Viva Brother - II

01. Rose
02. A Little Soul
03. Womankind
04. Bastardo
05. I Don’t Wanna Be Loved
06. The Black Pig
07. Silver Silk
08. Bad Blood
09. Alive And Unwell
10. A Day In The Life Of You
11. Brainchild


autor stipe07 às 18:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Fugly - Millenial Shit

Pedro Feio, ou Jimmy, começou o projecto Fugly em 2015 quando se fartou de estar sempre atrás da mesa de mistura e começou a querer subir de vez em quando ao palco. Chamou Rafael Silver e, mais tarde, Nuno Loureiro para juntos formarem este grupo oriundo do Porto, que se estreou ainda esse ano com Morning After, um EP que já tem finalmente sucessor. O primeiro longa duração dos Fugly chama-se Millenial Shit, verá a luz do dia por intermédio da editora O Cão da Garagem e o tema homónimo é o mais recente single divulgado do registo, uma canção também já com direito a um excelente vídeo.

Resultado de imagem para Fugly Millennial Shit

De acordo com o press release de lançamento deste single e de antecipação do álbum, os FUGLY seguem o seu percurso em busca do caos e da excentricidade frenética do noise e do garage, bem como a cura para a ressaca, sendo omillennials a Geração Y, os jovens nascidos entre os anos 80 e os anos 90, época que culminou na maior taxa de nascimentos per capita. São a voz do emprego precário, dos estágios intermináveis, da abstenção política, dos direitos dos animais, do vegetarianismo, da erradicação dos estigmas populares, da preguiça, do aborrecimento, da legalização da marijuana, dos smartphones, da falta de emoção e capacidades sociais, da depressão antecipada, do controlo hormonal e do capitalismo forçado. Confere...


autor stipe07 às 21:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 21 de Novembro de 2017

Man On The Moon faz hoje 25 anos.

Clássico intemporal e, no meu caso, um lema e um manual existencial, Man On The Moon, a canção da minha vida, viu a luz do dia, em formato single, a vinte e um de novembro de mil novecentos e noventa e dois, faz precisamente hoje, dia vinte e um de novembro de dois mil e dezassete, vinte e cinco anos. Composição que dá nome a este blogue e ao respetivo programa de rádio na Paivense FM e para alguns uma espécie de alcunha minha, já que é rápida a associação que fazem entre esta música e a minha pessoa, tem um significado muito próprio para a minha história pessoal, já que foi e ainda é a banda sonora principal dos últimos vinte e cinco anos da minha vida.

Recentemente, à publicação New Musical Express, Bill Berry, o baixista dos R.E.M., explicou de modo muito detalhado toda a história que envolve esta canção, desde o modo como ela nasceu e foi concebida, até ao ideário que pretende transmitir, terminando na descrição sobre o modo como o icónico vídeo dessa canção foi idealizado e concebido.

Resultado de imagem para r.e.m. 1992

Terminada no último dia de gravações de Automatic For The People num estúdio em Seattle, Man On The Moon, uma obra de arte índie, começou por ser uma demo instrumental intitulada C to D Slide, criada numa guitarra pelo baterista Bill Berry, á qual Michael Stipe juntou, mais tarde, uma das suas melhores letras. E fê-lo por exigência dos restantes membros da banda que achavam que aquela melodia tinha uma história muito significativa para contar.

Assim, com conceitos como crença, jogo, dúvida, conspiração e verdade na mente e com Andy Kaufman, um entertainer famoso e controverso na América dos anos setenta que Stipe admira profundamente, a servir de fio condutor de todos eles, Michael colocou-nos a todos a pensar no que seria a nossa vida hoje se Charles Darwin não tivesse tido a coragem de colocar em causa algumas verdades insofismáveis ou se, no pacote das mesmas e de modo mais alegórico, se a aterragem na lua, a passagem de Moisés por um mar vermelho seco ou a morte de Elvis e do próprio Kaufman, realmente sucederam. E ele fez isso com o propósito claro de nos mostrar que mais importante que a aleatoriedade do jogo (Monopoly, twenty-one, checkers, and chess... Let's play Twister, let's play Risk) todas essas teorias ou questões metafísicas que muitas vezes nos turvam a visão e nos tolhem a mente, é aquilo que guardamos dentro de nós e a força que temos para acreditar nas nossas virtudes e, desse modo, nunca desistirmos de atingir os nossos maiores sonhos que define o nosso destino.

If you believe there's nothing up his sleeve, then nothing is cool.


autor stipe07 às 20:26
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Fujiya And Miyagi – Different Blades From The Same Pair Of Scissors

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, meia dúzia de discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram em 2016 deixar um pouco de lado o habitual formato álbum para se dedicarem à edição de dois EPs, mas depressa regressaram à primeira forma com um homónimo editado no início deste ano e que, diga-se de passagem, acaba por ser uma espécie de súmula desses anteriores lançamentos, que mostraram que este quarteto está cada vez mais apostado numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação.

Resultado de imagem para Fujiya And Miyagi

Agora, alguns meses depois de Fujiya And Miyagi a dupla regressa com a edição de um tema intitulado Different Blades From The Same Pair Of Scissors, uma canção cuja versão original viu a luz do dia em 2008 para a iniciativa Nike Running Series e que chega até nós pela Strange Tongues, a própria etiqueta da banda. Com ela, os Fujiya And Miyagi divulgam também a versão integral das seis canções que juntas compôem o tema que dá nome ao lançamento. São, portanto, quarenta e três minutos que acabam por ser uma junção de várias composições, todas elas assentes num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos e que remetem-nos, essencialmente, para a sintetização oitocentista, mas também para a melhor herança da eletrónica alemã.

É obrigatório ouvir a canção Different Blades From The Same Pair Of Scissors no seu todo, até para se perceber a homogeneidade que foi conseguida no agregado que contém. E depois é fulcral escutar as suas diferentes partes, não só para se clarificar o processo de recorte e colagem, mas também a identidade de cada trecho. Assim, se Chichikov e Sick & Tired sobrevivem através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best, uma guitarra impregnada com diversos efeitos planantes e o groove de um teclado enganadoramente minimal, em temas como In ou Tic Tac Toe o baixo e as guitarras não esbatem uma declarada essência vintage, mas também acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais já que se movem, com mestria, pelo meio da elegância do groove e do ritmo dos teclados que nos balançam entre a pista de dança e paisagens mais contemplativas. Depois, Paper Airplanes, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega, oferece-nos uma toada mais rock e orgânica que este projeto nunca descurou apesar da sua raíz eminentemente sintética.

Pensado para nos acompanhar numa corrida ou num treino físico, Different Blades From The Same Pair Of Scissors acaba por ser também uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de trechos bem estruturados, devidamente adocicados com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste projeto, que nos deixa a pensar porque é que nos dias de hoje os Fujiya And Miyagi não são, por exemplo, mais assiduamente banda sonora de ginásios e de outros espaços de exercitação física e desportiva. Espero que aprecies a sugestão...

Fujiya And Miyagi - Different Blades From The Same Pair Of Scissors

01. Different Blades From The Same Pair Of Scissors
02. In
03. Chichikov
04. Paper Airplanes
05. Sick And Tired
06. Tic Tac Toe
07. Out


autor stipe07 às 18:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Tame Impala – Currents B-Sides And Remixes EP

Dois anos depois de Currents, um disco onde os Tame Impala de Kevin Parker continuaram a explorar o universo muito pessoal e privado do grande mentor do projeto, mas de um modo mais pop, dançante e eletrónico que os discos antecessores, eis que voltamos a ter novidades deste projeto australiano, um ep intitulado Currents B-Sides And Remixes. São cinco canções, três inéditos e duas remisturas de dois temas fulcrais de Currents, uma da autoria de Gum para Reality In Motion e outra dos belgas Soulwax para Let It Happen.

A nostalgia e o modo como são apresentados com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, continua a ser uma pedra de toque importante na discografia dos Tame Impala, conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça. E o primeiro inédito deste ep, List Of People (To Try And Forget About) reflete de modo clarividente esse propósito de oferecer ao ouvinte uma visão muito particular do universo que os Tame Impala adoram recriar, sonoramente sustentado em constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se junta um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental vintage única. Depois, em Powerlines, a aposta acaba por recair em texturas mais sintéticas e experimentais, exemplarmente sintonizadas nas sobreposições e mudanças de ritmo do tema, com eletrónica e psicadelia a darem as mãos de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop. Finalmente, Taxis Here pisca um pouco o olho à soul do R&B e à eletrónica mais ambiental e à nostalgia deste genero, num ambiente sonoro que se aconchega nos nossos ouvidos e que se cola à pele com o amparo certo para que se expresse na canção a melíflua melancolia que Parker certamente quis que dela deslizasse. Quanto às remisturas, têm o natural objetivo de aproximar os Tame Impala ainda mais do circuito disco, com a aposta a recair naquele típico groove viajante lisérgico que tão bem recriam, sem que a identidade dos autores das novas versões seja colocada em causa, com destaque para a faixa revista pelos Soulwax e que contém todos os habituais tiques das remisturas feitas pelos belgas.

Acervo que merece toda a atenção por parte dos apreciadores deste género sonoro muito peculiar, Currents B-Sides And Remixes é um excelente complemento ao conteúdo de Currents, um naipe de canções com texturas e fôlegos diferentes e onde aquela sensação de experimentação caseira está presente, ampliando a aura resplandecente e romântica de uns Tame Impala cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - Currents B-Sides And Remixes

01. List Of People (To Try And Forget About)
02. Powerlines
03. Taxi’s Here
04. Reality In Motion (Gum Remix)
05. Let It Happen (Soulwax Remix)


autor stipe07 às 21:33
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Björk – Blissing Me

Björk - Blissing Me

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, prepara-se para ter sucessor já dentro de dias.

O novo disco da artista islandesa chamar-se-à Utopia, irá ver a luz do dia já dia vinte e quatro, via One Little Indian, e será, de acordo com a própria autora, uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam. Supostamente irá conter algumas ideias e sugestões para um mundo melhor, o que deverá ser mesmo uma realidade tendo em conta Blissing Me, o novo single divulgado do disco, cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. Falo de uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondcional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro. Confere...


autor stipe07 às 21:34
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

The Wombats – Lemon To A Knife Fight

The Wombats - Lemon To A Knife Fight

Os ingleses The Wombats estão de regresso aos discos depois do excelente Glitterbug de 2015, um disco que se notabilizou por oferecer canções cheias de guitarras aceleradas, inflamadas com letras divertidas, sempre com um audível elevado foco na componente mais new wave do indie rock. O novo álbum desta banda de Liverpool formada por Matthew Murphy, Daniel Haggis e Tord Øverland-Knudsen chama-se Beautiful People Will Ruin Your Life e vai ver a luz do dia a nove de fevereiro do próximo ano.

Lemon To A Knife Fight é o primeiro tema divulgado desse que será o quarto registo de originais dos The Wombats. É uma canção que sem renegar a luminosidade das cordas, aprofunda uma relação da banda cada vez mais próxima do trio com a pop mais radiofónica. Confere...


autor stipe07 às 20:39
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

Walk The Moon – What If Nothing

Os norte americanos Walk The Moon de Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo cheio de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis e paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas, uma receita que está de regresso de modo ainda mais aprimorado e exuberante em What If Nothing, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati lançou a dez de novembro último.

Resultado de imagem para walk the moon band 2017

Produzido por Mike Crossey e Mike Elizondo, What If Nothing tem o selo da RCA Records e coloca este quarteto norte-americano no trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa, algumas vezes até com diversos tiques do r&b em ponto de mira, como é o caso de Press Restart, mas também a olhar de frente e com notória gula para o rock mais anguloso e expansivo. Assim, não faltam aqui canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores, outras a pedirem um punho firme e cerrado e ainda diversos instantes que convidam à introspeção e, no melhor pano, canções que fazem uma súmula de toda esta amálgama sonora certamente controlada em que os Walk The Moon se movem.

É indubitável a capacidades destes Walk The Moon em olharem para o lado estético daquela pop algo negra e belicosa, feita de batidas algo minimais e sintetizadores impregnados de efeitos repletos de charme, mas eles também são exímios a navegar em águas banhadas por cordas exemplarmente eletrificadas e carregadas de fuzz e distorção. E, na sequência deste modus operandi, não terá sido inocente a escolha dos dois primeiros singles a retirar do álbum. Assim, se em Kamikaze temos um feliz exemplar do primeiro género de canções cuja bitola é, pouco depois, reforçada pelo arsenal sintético que sustenta a exuberância de All Night, já Headphones não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo red line e, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura sua melódica. Depois, canções como a épica e efervescente All I Want ou Tiger Teeth, uma lindíssima balada onde sobressai um piano sintetizado que acompanha com mestria aquele efeito agridoce com que Petricca costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, acabam por nos proporcionar a tal junção estética que tem como grande e constante motor o reviver de marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta e, simultaneamente, o ressuscitar de referências mais clássicas, consentâneas com a própria pop psicadélica, sendo indisfarçável, ao longo das treze canções do registo, a busca constante de melodias agradáveis e marcantes, mas também ricas em detalhes e texturas.

São vários os territórios sonoros onde os Walk The Moon se sentem como peixe na água, estabelecendo definitivamente neste trabalho o vasto leque de influências que sempre moldaram uma carreira livre de constrangimentos ou de obediência direta a uma determinada bitola sonora mais específica, até porque em What If Nothing aquilo que não falta é um som intrincado mas cativante e pleno de texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegra e nos conduz à diversão, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Walk The Moon - What If Nothing

01. Press Restart
02. Headphones
03. One Foot
04. Surrender
05. All I Want
06. All Night
07. Kamikaze
08. Tiger Teeth
09. Sound Of Awakening
10. Feels Good To Be High
11. Can’t Sleep (Wolves)
12. In My Mind
13. Lost In The Wild


autor stipe07 às 20:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 11 de Novembro de 2017

Plastic Flowers – Absent Forever

Juntam-se guitarras impregnadas de efeitos com uma forte toada shoegaze e um ambiente melódico particularmente lisérgico e contemplativo e estão lançados os dados para a chegada às luzes da ribalta de mais um projeto indie dentro do espectro sonoro que nos oferece uma versão algo ruidosa da dream pop mais ambiental e que também revive, em grande parte, épocas gloriosas de um rock alternativo que fez escola na reta final do século passado em Terras de Sua Majestade. Refiro-me a Plastic Flowers, o alter-ego sonoro do grego, sedeado em Londres, George Samaras, um projeto que nasceu na zona de Tessalónica, na Grécia, há pouco mais de meia década. Plastic Flowers vai já no terceiro lançamento discográfico, sendo o mais recente Absent Forever, dez canções que acabam de ver a luz do dia à boleia da The Native Sound.

Resultado de imagem para plastic flowers samaras 2017

Com algumas canções já arquitetadas desde 2013 e gravado em apenas três meses, em diferentes espaços de Londres e num pequeno estúdio da casa de um amigo de Samaras em Hampstead, arredores da capital britânica, Absent Forever é um disco de contrastes. Se contém instantes tremendamente ruidosos e com uma forte complexidade instrumental, também deve muito da sua bitola qualitativa superior a outros intensamente calmos e reflexivos, sendo inteligente o modo como se vão revezando entre si, muitas vezes dentro dos próprios temas, numa demanda sonora onde a ideia de experimentalismo é elevada à forma de arte, neste caso sonora, com charme, bom gosto e uma invulgar sapiência.

Um dos truques que explica o som inédito e bastante identitário deste álbum é o modo como no processo criativo foram capturados alguns dos instrumentos através da antiga e analógica tecnologia da fita magnética. Depois, a participação de um quarteto de cordas também ajudou a ampliar ainda mais o clima rugoso e orgânico de um alinhamento que possui o habitual cariz melancólico em que Plastic Flowers gosta de nos imergir. No single How Can In, o modo como um imparável riff eletrificado se sobrepõe e um trecho de guitarra ternurento que se repete ininterruptamente, plasma esta sensação agridoce que acaba por se estender à meia hora que o disco dura, até porque essa sensação se repete logo a seguir em Seventeen, canção que inicia com uma guitarra fortemente etérea e luminosa que pouco depois é trespassada por uma bateria imponente, com o resultado final a ser uma composição de forte cariz orquestral, com deliciosos acordes e melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, algo que à partida não era fácil de adivinhar assim que o tema começou. Depois, a sobriedade sentimental esplendorosa de Falling Off, o modo quase espiritual como em Half Life somos confrontados com um edifício sonoro com uma epicidade incomum e algo intrigante e a feliz nostalgia oitocentista que exala do post rock que define So Long, uma daquelas canções cujas diversas camadas de sons impelem ao cerrar de punho, são outros exemplos felizes do modo como neste Absent Forever é possível apreciar ruído e rugosidade, sem deixar de estar à tona uma toada eminentemente tranquila e sedutora, mesmo que, durante a audição, o frenesim na percussão e o ruído das guitarras, principalmente nos refrões, sejam nuances que parecem apontar numa outra direção, até algo oposta.

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Absent Forever exala o contínuo processo de transformação de Plastic Flowers que procura mostrar, ao terceiro registo, com a marca do indie shoegaze, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Plastic Flowers - Absent Forever

01. Absent Forever
02. How Can I
03. Seventeen
04. Falling Off
05. Dalliance
06. Half Life
07. So Long
08. Where Are You
09. January 2017
10. NN


autor stipe07 às 22:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano no palco do CCB.

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano são ambos músicos de jazz com formação académica na música clássica. Os dois estarão no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém no próximo dia 15 de Dezembro para encerrar o ciclo CCBeat 2017. O concerto preparado em exclusivo para a ocasião conta com um alinhamento maioritariamente inédito executado por um ensemble de luxo que reúne uma secção rítmica, secção de cordas e naipe de sopros e ainda dois cantores convidados.

Imagem intercalada 1

A abordagem tem como base diversos estilos tais como o jazz, o rock, a música exótica, cinematográfica e erudita, sendo o principal solista Ricardo Toscano no saxofone alto. Nas palavras de Bruno Pernadas, que acumula a direcção musical, na conjunção deste ensemble procura-se aquilo que se assume como identitário de cada instrumento, combinando as diferentes linguagens harmónicas, rítmicas, texturais nos vários momentos que integram o espectáculo.

 De acordo com o músico e compositor, a proposta a apresentar é marcada por uma abordagem dinâmica, forte e ambiciosa que traduz-se num concerto onde a composição e a improvisação ocupam um papel determinante no seu resultado final.

Dois excelentes músicos, o multi-instrumentista e compositor Bruno Pernadas e o saxofonista Ricardo Toscano num encontro singular que transforma esta ocasião em algo surpreendente e certamente memorável.

Bruno Pernadas - composição, guitarra e teclados

Ricardo Toscano - saxofone alto, solista

Afonso Cabral - voz (convidado)

Francisca Cortesão - voz (convidada)

Margarida Campelo - piano, teclados e voz

João Correia - bateria

Nuno Lucas - baixo eléctrico

Diogo Duque - trompete

João Capinha - saxofone

Raimundo Semedo - saxofone

Raquel Merrelho - violoncelo

João de Andrade – violino


autor stipe07 às 21:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 8 de Novembro de 2017

Dear Telephone - Cut

Inspirados pela curta metragem de Peter Greenway intitulada Dear Phone, realizada em 1976, os Dear Telephone vêem de Barcelos e formaram-se há pouco mais de meia década, tendo na sua formação gente que nos tem sempre mostrado, em todos os projectos em que se envolvem, uma inegável qualidade enquanto músicos e que provam que na música se pode fazer sempre algo de inovador e diferente daquilo que o mainstream habitualmente nos oferece. Falo de Graciela Coelho, André Simão, Pedro Oliveira e Ricardo Cibrão, os membros deste grupo obrigatório no panorama sonoro contemporâneo indie nacional. Em março de 2011 os Dear Telephone estrearam-se com o EP Birth Of A Robot, um conjunto de canções com uma abordagem sonora algo crua, intimista e minimalista e que foi muito bem recebido pela crítica e apresentado ao vivo em algumas das mais importantes salas de espetáculos do país. Mas também chegaram ecos desse EP ao estrangeiro, com os Dear Telephone a fornecerem um tema para a banda sonora do filme brasileiro Contramão de Fabio Menezes e a representarem Portugal em agosto desse ano no evento Music Alliance Pact. Dois anos depois, em 2013, estrearam-se no formato longa-duração com Taxi Ballad, um disco onde mergulharam sem concessões no assumido fascínio pelo quotidiano e suas contradições, no discurso directo e desconcertante das personagens que as vozes encarnam e numa instrumentação dura e sem artifícios. Agora, quase no ocaso de 2017, o grupo minhoto está de regresso aos discos com Cut, um compêndio com nove canções alicerçadas em diferentes linguagens e esferas de influência sonora, um disco que experimenta a pop e pisca o olho ao rock, sempre com mestria e com os ingredientes certos.

Resultado de imagem para dear telephone barcelos slit

No simultaneamente envolvente e enigmático clima cinematográfico do efeito da guitarra que sustenta Fur e no modo como em Slit é piscado o olho ao rock, num formato eminentemente blues, com mestria e com os ingredientes certos, dos quais se destacam essa tal guitarra que agora se entranha, de forma sofisticada, inteligente a até corajosa, banda e ouvinte entram logo em comunhão íntima, conduzidos por este dois trunfos jogados para cima da mesa pelos primeiros que obrigam, forçosamente, os segundos, naturalmente mais incautos, a conferir o disco até ao fim e, desse modo, a perceberem rapidamente que essa opção algo instintiva acabou por ser tremendamente recompensada.

O compasso firme da bateria de Automatic e o modo como nesse tema essa habilidade percurssiva é acompanhada pela guitarra e por um efeito sintetizado inebriante, a luminosidade optimista e sorridente que transborda de todos os poros do single homónimo Cut e o pendor mais reflexivo e indutor, mas algo psicadélico, de Nighthawks, são outros três exemplos do modo sublime como este álbum nos proporciona uma mistura criativa de ritmos que ao início pode soar algo estranha, mas que com o tempo descobre um delicioso ponto de equilíbrio, com o prazer da audição deste registo a crescer e a entranhar-se sem exigir grande esforço.

Em Cut há uma aparente mas consciente indecisão estilística entre um lado mais pop e radiofónico e outro mais progressivo e lisérgico, um certo assumir de um risco que, por neste caso ter resultado, acaba por ser a maior mais valia de um álbum que finta alguns dos habituais cânones da pop nacional, sem deixar de apresentar temas com instantes melódicos particularmente soporíferos e aditivos e outros que poderão ter um invejável airplay no próprio inconsciente de cada um de nós, ou seja, este é um exemplo típico daquele tipo de discos que muitas vezes sentimos necessidade de ouvir sem motivo aparente, mas com acerteza que esse ato será objeto do maior usufruto. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

Martin Carr - New Shapes Of Life

Já chegou aos escaparates New Shapes Of Life, o terceiro capítulo da exuberante obra discográfica do escocês Martin Carr e o segundo do artista editado pela Tapete Records. Este é um trabalho que sucede a The Breaks, um registo lançado em 2014 e onde o artista lidou com os sentimentos de separação do mundo que o rodeia mas, por algum motivo que não entende, ficou mais insatisfeito no final do disco do que quando o tinha começado a compôr e desta vez, quis ir mais fundo.

Martin_Carr_17__Credit_Mary_Wycherley_

Misturado por Greg Harver, um amigo de Martin também escocês mas residente na Nova Zelândia e de Clint Murphy, New Shapes Of Life é fortemente influenciado pela herança de David Bowie e tal sucede porque foi a morte desse ícone da cultura contemporânea que acabou por desencravar um período de crise criativa que Carr estava a viver no ano de 2015. O músico tinha-se refugiado no seu estúdio em Glasgow com o propósito de compôr novas canções, os resultados eram infrutíferos, mas a morte de Bowie despoletou em Carr o desejo de se embrenhar em toda a discografia do artista inglês, assim como em filmes e biografias sobre esse artista e tal experiência ensinou ao escocês a importância de se exprimir através dum determinado meio além de o ter feito refletir sobre a sua vida e nos anos que tinha desperdiçado a viver a vida dum artista mas a negligenciar a arte.

A lírica acabou por ser o ponto de partida das canções, ao contrário do habitual modus operandi de Carr e foi gasta bastante energia nessa componente essencial do processo de construção de uma canção, tendo o artista ido ao limite do seu próprio bem-estar mental, já que foi bastante auto-biográfico durante esse processo. Mas terá valido a pena todo o esforço dispendido já que poemas como o que conduz o tema homónimo ou Future Reflections são apenas dois bons exemplos da superior bitola qualitativa da escrita que se pode conferir neste disco. 

Quanto ao conteúdo sonoro, New Shapes Of Life projeta o autor para um universo sonoro bastante mais dinâmico e expansivo do que os trabalhos antecessores, onde melodias florescentes convivem lado a lado, com enorme frequência, com uma percussão imaculada e exuberante. O rock expansivo e dinâmico de Damocles ou a toda mais atmosférica e etérea de The Main Man acabam por condensar todo o espetro sonoro transversal a um alinhamento muito rico e intrincado instrumentalmente, inclusive ao nível da percussão, mas com os sintetizadores atmosféricos, amiúde um piano sedutor e até alguns sopros a fazerem parte do arquétipo sonoro que definitivamente retira Carr da sua zona de conforto sonora através de um verdadeiro concentrado de soluções melódicas e de arranjos programadas, onde tudo flui de maneira inventiva de modo exuberante e sentido.
Além dos temas já referidos, até ao final, canções como a divagante A Mess Of Everything e o rock épico e pulsante de Three Studies of The Mall Black afagam com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a doutrina deste autor, plasmada num folk rock muito ternurento, mesmo que às vezes pareça escondido no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação.

Há discos que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há instantes em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Álbum fortemente hermético porque que se fecha dentro de um campo muito próprio e por isso particularmente genuíno e emocionalmente pesado, New Shapes Of Life é um bom exemplo de como é possivel apresentar um trabalho artisticamente muito criativo, mesmo que assente a sua sonoridade numa amálgama aparentemente improvável que mistura folk, indie pop e indie rock, com post rock e alguns elementos eletrónicos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 4 de Novembro de 2017

Grooms – Exit Index

Quase três anos depois do extraordinário Comb The Feelings Through You Hair, os Grooms de Emily Ambruso, Jim Sykes e o texano Travis Johnson, o grande mentor do projeto, estão de regresso com mais dez canções incluídas em Exit Index, o quinto registo de originais deste coletivo sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que encontra as suas origens nos míticos Muggabears. Esta é uma banda que combina com tremenda lucidez criativa os cânones mais elementares daquele indie rock assente na tríade guitarra, baixo e bateria, à qual adicionam alguns elementos e efeitos sintetizados, com um resultado final que é uma verdadeira parada de cor, festa e alegria, onde existe um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a música que gostam.

Resultado de imagem para grooms brooklyn band 2017

A indie pop e o rock luxuriante, com o ritmo e a cadência certas e uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que abraça um interessante e algo inédito leque de influências, sempre com uma filosofia vintage, é a pedra de toque destas dez canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes Grooms compõem temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, como é o caso do tremendamente inquietante pulsar de The Directory ou o exacerbado romantismo que expira de Turn Your Body, mas também conseguem ser mais imediatos no modo como entretêm o ouvinte com canções que se escutam sem ser necessário estabelecer uma intrincada teoria para as perceber e saborear. Quer a rugosidade progressiva de Magistrate Seeks Romance, quer a sobriedade melancólica que é sustentada pelo magistral baixo que conduz Dietrich possibilitam-nos esta sensação feliz que é conseguirmos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que esculpiram as canções e, em simultâneo, absorvermos, sem truques ou códigos, a mensagem que transmitem.

Um dos principais atributos de Exit Index é o modo como as guitarras se situam melodicamente sempre próximas da postura vocal e depois, quando alguns arranjos sintéticos sobressaiem, como é o caso do efeito agudo que sai do teclado no rock angular e rugoso de Some Fantasy, tal sucede não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Outro bom exemplo desta altivez orquestral é They Can Tell, um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico que nos desarma, sem dúvida um dos pontos altos e imperdiveis de Exit Index, até porque é uma canção que nos agracia com aquela estirpe de cordas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, quer no entusiasmo lírico. Num final em grande estilo, os Grooms oferecem-nos em Thimble uns loopings que introduzem eficazmente uma linha de guitarra inebriantel num memorável instante épico, impregnado de cor e luz, sem dúvida o melhor modo de encerrar um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante.

Com um forte cariz urbano e atual, Exit Index é um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. É um disco que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Todos os temas são arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos Grooms para nos fazerem pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Há neste alinhamento quase uma pueril simplicidade, que plasma uma notável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje, oferecendo-nos, enquanto se vai num abrir e fechar de olhos do nostálgico ao glorioso, uma caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme. Espero que aprecies a sugestão...

Grooms - Exit Index

01. The Directory
02. Horoscopes
03. Turn Your Body
04. Magistrate Seeks Romance
05. End
06. Dietrich
07. Softer Now
08. Some Fantasy
09. They Can Tell
10. Thimble


autor stipe07 às 21:06
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017

Destroyer – Ken

Produzido pelo carismático Josh Wells, baterista dos Destroyer desde 2012 e abrigado pela insuspeita Merge Records, Ken é o novo registo discográfico dos Destroyer de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.

Resultado de imagem para destroyer band 2017

Muito inspirado no clássico The Wild Ones dos Suede, cuja demo se chamava Ken, este é um disco algo intrincado e bastante sedutor no modo como apresenta construções melódicas e instrumentais que ora parecem ríspidas ora profundamente acolhedoras, estabelecendo no seu seio, amiúde, uma espécie de caos inédito que metais, teclas, guitarras, intensos trompetes, batidas e uma postura vocal sui generis ampliam. Logo em Sky's Grey fica bem patente toda esta trama que parece lançar sobre nós, à primeira vista, pensamentos algo depressivos mas que, no fundo, estão imbuídos de uma elevada componente irónica, numa espécie de humor negro que o efeito das guitarras e os sintetizadores imponentes da rugosa In The Morning tão bem personificam.

À medida que o disco avança Bejar parece estar continuamente a soltar alguns dos seus demónios ao mesmo tempo que parece gozar não só do facto de eles terem permanecido algum tempo dentro de si, mas também do destino que preparou para os mesmos. Quer no balanço vintage da pop eletrónica oitocentista que abastece Tinseltown Swimming In Blood ou no imediatismo intuitivo do rock que carrega Cover From The Sun, assim como na luminosidade da toada acústica de Saw You At The Hospital e nos arranjos lindíssimos que sobressaem das cordas e do curioso saxofone de Rome transparece quer essa impressão filosófica quer o clima eminentemente sofisticado e claramente clássico e moderno de um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.

Em Ken Dan Bejar aperfeiçoa o charme inconfundível deste projeto Destroyer e coloca em cima da mesa mais uma vez a sua mestria genética na hora de sobrepor não só diferentes camadas de instrumentos e arranjos, mas também variações rítmicas e, consequentemente, sentimentais, que a sua música ao longo da carreira tem sempre exalado. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Ken

01. Sky’s Grey
02. In The Morning
03. Tinseltown Swimming In Blood
04. Cover From The Sun
05. Saw You At The Hospital
06. A Light Travels Down The Catwalk
07. Rome
08. Sometimes In The World
09. Ivory Coast
10. Stay Lost
11. La Regle Du Jeu


autor stipe07 às 20:21
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 1 de Novembro de 2017

Black Rebel Motorcycle Club – Haunt

Black Rebel Motorcycle Club - Haunt

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanosBlack Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.

Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e irá ver a luz do dia em janeiro próximo. Do seu alinhamento foi divulgado no início de outubro o single Little Thing Gone Wild, um tema onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah e agora chegou a vez de escutarmos Haunt, um tema mais calmo e orgânico, com uma toada algo lisérgica e contemplativa, proporcionada por uma bateria e uma guitarra carregadas de alma, um registo que, à imagem da primeira canção, faz antever um álbum mais cru e direto que o antecessor. Confere...


autor stipe07 às 22:29
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

eu...


more about...

Follow me...

. 52 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Julho 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12

19

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


posts recentes

Tricycles - Hamburger

Villagers – Summer’s Song

Peter Perrett – Humanworl...

Work Drugs – Surface Wave...

Dope Lemon – Smooth Big C...

Bon Iver – Faith

Of Monsters And Men – Wil...

The Soft Cavalry – The So...

Graveyard Club - Goodnigh...

Belle And Sebastian – Sis...

Tape Junk - General Popul...

Night Moves - Can You Rea...

The Drums – Try

Deportees – Re-dreaming E...

The Black Keys – Let’s Ro...

Yann Tiersen – All

Blossoms – Your Girlfrien...

Thom Yorke – ANIMA

The Laurels – Sound Syste...

The Catenary Wires - Til ...

Two Door Cinema Club - Fa...

The Kooks – Got Your Numb...

The High Dials – Primitiv...

Swimming Tapes - Mornings...

Maps – Colours. Reflect. ...

X-Files

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds