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Franz Ferdinand – Always Ascending

Terça-feira, 31.10.17

Franz Ferdinand - Always Ascending

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, lá para fevereiro próximo.

Já é conhecido o single homónimo desse novo registo de originais dos Franz Ferdinand, uma espiral instrumental em que crescem guitarras e bateria e o pendor exaltante dos sintetizadores, num frenesim de dance post punk rock que irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que se insere. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:01

Mano a Mano - Mano a Mano Vol. 2

Segunda-feira, 30.10.17

Os mais atentos ao jazz que se vai fazendo por cá consideram os irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro na atualidade. E são eles que dão a face pelo projeto Mano a Mano, que se estreou em 2014 nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que agora já tem sucessor. Mano a Mano Vol. 2 viu a luz do dia recentemente, onze canções que, de acordo com o press release do lançamento, centram-se num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato.

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Disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e orgânico e com uma forte toada bluesMano a Mano Vol. 2 vive do violão e das guitarras, como referi, mas também conta com o Braguinha/Machete, um instrumento tradicional da Madeira parecido com o cavaquinho, que faz a sua aparição em alguns temas. Como um todo, assenta numa filosofia sonora com uma especificidade muito própria e estreitamente balizada, mas não deixa, por isso, de nos oferecer um alinhamento sinuoso e cativante e que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão e até à dança, imagine-se. Dinah é um bom exemplo desta aparente ambivalência, numa canção que não pode deixar de ser ouvida sem ser acompanhada por um sorridente bater de pés ou um efusivo abanar de ancas, mas que também não deixa de exalar, na onda dos vários dedilhares que se cruzam entre si, a uma ode sobre o mundo moderno, sendo este tema a opção mais certa para percebermos, à partida, o modo como esta dupla é ímpar a materializar os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Depois, através da exploração de várias formas de diversificar os arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros), nomeadamente no tema antecessor, o single Super Mario, mas também no espraiar solarengo de A Cadeira, O Baloiço e a Rosa, no frenesim desafiador de Without a Song, na sumptuosa delicadeza que exala das constantes variações de tom em Vignette e no jazzístico arrojo pop a que sabe Nem tudo é o que parece, ficamos esclarecidos acerca de constante inquietação que lateja do diálogo que estes dois músicos estabelecem entre si, sempre a suplicar por um patamar de serenidade que felizmente nunca surge, porque este não é um disco para cativar sem primeiro espicaçar, até porque, mesmo sem letras, não deixa de ser, no seu todo, um exímio e lúcido contador de histórias que servem a qualquer comum dos mortais, deixemo-nos nós absorver por tudo aquilo que as cordas nos sussurram ao ouvido com indesmentível clareza.

Em suma, Mano a Mano Vol. 2 está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que mesmo este género de música tão específico e sui generis pode ser também um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer individual quer coletiva. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:50

My Sad Captains – Sun Bridge

Quinta-feira, 26.10.17

Os My Sad Captains são uma banda de rock alternativo natural de Londres, cujo nome foi inspirado por um poema do escritor Thom Gunn. Os membros da banda são Ed Wallis, Leon Dufficy, Ben Walker, Steve Blackwell e Henry Thomas e estão de regresso aos discos com Sun Bridge, dez canções abrigadas pela Bella Union e que estão finalmente a catapultar este projeto que já acompanho à meia década, desde o excelente trabalho de estreia, Fight Less, Win More, para o devido destaque.

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Logo a abrir, o instrumental climático fortemente contemplativo intitulado Early Rivers, é uma canção perfeita para nos introduzir neste disco, já que permite-nos relaxar e assim ficarmos devidamente preparados para um conjunto de canções que tanto podem conter uma sonoridade simultaneamente enérgica e memorável, como é o caso do efusivo single Everything At The End Of Everything, ou então que se abrigam à sombra de territórios sonoros mais delicados e experimentais, como sucede, por exemplo, em Destination Memory, uma composição com um início introspetivo mas que depois seduz definitivamente pela mistura de detalhes e arranjos que resultaram numa melancolia inebriante, épica e grandiosa.

Parece óbvio que estes My Sad Captains parecem fortemente influenciados por bandas indie do outro lado do atlântico, como os Yo La Tengo e os Red House Painters, mas é redutor balizá-los tendo apenas em conta as principais caraterísticas desse indie rck norte-americano mais enraizado, já que eles contêm algns traços identitários muito próprios e peculiares, que passam, essencialmente, pelo cruzamento do timbre da guitarra e das restantes cordas com a uma voz bastante melódica, algo que em Don't Listen to Your Heart é bastante audível. Esse efeito repete-se em Curtain Calls de uma forma ainda mais luminosa e adopta uma faceta mais sintética com o belo murmúrio que atravessa New Sun e o modo como nessa canção a guitarra se entrelaça com efeitos sintetizados borbulhantes e uma bateria com uma cadência pouco usual.

Apesar de algumas canções que sustentam o disco terem uma evidente luminosidade e um apurado sentido épico, abundam neste sun Bridge momentos mais introspetivos, mas igualmente belos, com especial destaque para o minimal dedilhar da viola na balada William Campbell e para a extensa Winter Sweet, outro instrumental que nos abraça e que se entranha sem grande esforço, impondo-nos uma melodia única e extremamente agradável, simultaneamente cândida e profunda.

Sun Bridge é um disco que não nos dá tempo para recuperar o fôlego, porque são imensos os momentos que proporcionam prazer, conforto e admiração durante a sua escuta. É um trabalho para ser ouvido e contemplado, um alinhamento onde há momentos animados e luminosos, mas também instantes de pausa, de sossego e melancolia, esta, muitas vezes, quase absurda. Tal sofreguidão deve-se, em suma, à consistência com que, música após música, somos confrontados e confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas. Espero que aprecies a sugestão...

My Sad Captains - Sun Bridge

01. Early Rivers
02. Everything At The End Of Everything
03. Destination Memory
04. Don’t Listen To Your Heart
05. None In A Million
06. William Campbell
07. Curtain Calls
08. New Sun
09. Wintersweet
10. Relive

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publicado por stipe07 às 21:30

St. Vincent - Masseduction

Quarta-feira, 25.10.17

Foi no passado dia treze, através da Loma Vista Recordings, que chegou aos escaparates Masseduction, o quinto e mais arrojado álbum de St.Vincent, o alter ego sonoro de Annie Clark, uma compositora que nasceu em Tulsa, no Oklahoma, há trinta e cinco anos e que depois de começar a sua carreira musical nos míticos The Polyphonic Spree, enveredou por uma bem sucedida carreira a solo que amplia continuamente, disco após disco, as suas virtudes como cantora e criadora de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são muitas vezes autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais da artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam connosco com elevada empatia.

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Com uma década de carreira, Annie Clark já cirandou quer pela pop mais ambiental quer pelo rock mais explosivo e orgânico e este Masseduction acaba, de certo modo, por fazer uma espécie de súmula de todas estas abordagens anteriores. Logo a abrir Masseduction deparamo-nos com esta abrangência porque se Hang On Me nos oferece um instante sonoro particularmente emotivo e climático, já Pills tem uma abordagem mais crua e rugosa, ficando assim audível esta intenção, logo á partida, de agregar tudo aquilo que a autora foi testando nos quatro álbuns anteriores, não faltando inclusivé, um pouco adiante,  um flirt consciente ao melhor r&b no tema Savior., um dos momentos altos do álbum.

Sendo assim, o conhecedor profundo da carreira de St. Vincent perceciona com nitidez que este é um disco de súmula, um alinhamento que fazendo juz ao melhor glam rock setentista ou à herança que uma Madonna nos deixou nas duas últimas décadas do século passado, algo que o tema homónimo tão bem plasma, alicerça os seus cânones sonoros quase sempre numa pop orquestralmente rica e que tendo o sexo, as drogas e a depressão no foco lírico, pretende mostrar-nos os diferentes significados da palavra sedução, as suas diversas vertentes, positivas ou nem tanto e o heterogéneo campo semântico que o vocábulo abarca.

Produzido quase na íntegra por Jack Antonoff e contando com as participações especiais de Cara Delevingne, antiga namorada de Annie e de Kamasi Washington, entre outros, Masseduction é, em suma, o retrato vivo de uma intrincada teia relacional que a autora estabelece com um mundo nem sempre disposto a aceitar abertamente a diferença e a busca de caminhos menos habituais para o encontro da felicidade plena. Ela sempre teve o firme propósito de utilizar a música não apenas como um veículo de manifestação artística, mas, principalmente, como um refúgio explícito para uma narrativa que, sendo feita quase sempre na primeira pessoa, materializa o desejo de alguém que já confessou não conseguir fazer música se ela não falar sobre si próprio e que amiúde admite guardar ainda muitos segredos dentro de si.  E neste trabalho ela fá-lo com tremenda nitidez, expondo-se através de um aparato tecnológico mais ou menos amplo que busca sempre e em primeira instância, respeitar a intimidade mais genuína da autora. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 21:12

Walk The Moon – Headphones

Terça-feira, 24.10.17

Walk The Moon - Headphones

Os norte americanos Walk The Moon Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo impregnado de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis, paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas e que poderão estar de regresso em What If Nothing, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati irá lançar a dez de novembro próximo.

Headphones é o primeiro single já divulgado de What If Nothing, um tema que não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo red line e que, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que o sustenta. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:29

Grandfather's House - Diving

Segunda-feira, 23.10.17

Braga é o poiso natural do projeto Grandfather’s House, banda que surigu há cerca de meia década pelas mãos do guitarrista Tiago Sampaio, ao qual se juntou, entretanto, a irmã Rita Sampaio na voz, dupla que lançou, em 2014, o seu primeiro registo, o EP Skeleton. Entretanto, João Vitor Costeira juntou-se e pegou na bateria e já na forma de trio editaram o ano passado Slow Move, o disco de estreia. Agora, cerca de um ano depois e já com Nuno Gonçalves nas teclas, irá viu a luz do dia Diving, o segundo lançamento do projeto em formato longa duração, um trabalho gravado e produzido na Mobydick Records (Braga) por Budda Guedes e os próprios Grandfather’s House e misturado e masterizado no HAUS (Lisboa) por Makoto Yagyu.

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Nah Nah Nah começa e enquanto não chega a voz enleante e subversiva de Adolfo Luxúria Canibal, os Grandfather's House parecem tocar submergidos num mundo subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco da melodia. Depois, já com o vocalista dos Mão Morta na linha da frente da síncope do tema, guitarras distorcidas e um baixo proeminente dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde se embrenharam e insistem em manter-se em Drunken Tears, desta vez com a guitarra a assumir um cariz mais ambiental, sustentada por várias camadas de sopros sintetizados, uma espiral pop onde não falta um marcante estilo percurssivo.

É este o arranque prometedor de um álbum que nos agarra pelos colarinhos e nos embrenha numa orgânica particularmente minimal, mas profunda e crua, um universo fortemente cinematográfico e imersivo, que instiga e provoca sem pedir licença, com aquela arrogância tipíca de quem sabe o que tem para oferecer e não se faz rogado na hora de colocar em cima da mesa todos os trunfos aos dispôr para ser bem sucedido, neste caso numa demanda sonora que pretende desafiar o lado mais reflexivo e introspetivo do ouvinte, mas também, em determinados momentos, a sua faceta mais libidinosa e misteriosa, eloquente e desafiante na guitarra inquietante que sustenta Sorrow. Alías, impregnado com uma densidade peculiar no modo como hipnotiza e seduz e alicercado naquele falso minimalismo que o compasso de umas palmas, efeitos sintetizados encobertos por uma cosmicidade algo nebulosa e o efeito divagante de uma guitarra proporcionam, You Got Nothing Lose, o primeiro single divulgado deste Diving, é um excelente exemplo desta espécie de duplicidade transversal a todo o alinhamento que, de acordo com o press release do mesmo, vai desde o despertar de memórias que pareciam adormecidas pelo tempo, crescendo uma raiva, quase um estado depressivo, transformando-se na sua aceitação e num estado de paz de espírito.

Diving avança e no piscar de olhos que é feito aquela pop vintage e charmosa, carregada de mistério em She's Looking Good e no som esculpido e complexo, onde é forte a dinâmica entre um enorme manancial de efeitos e samples de sons que parecem ser debitados pela própria natureza em In My Black Book, assim como na grandiosa cândura de Nick's Fault, damos de caras com mais um encadeamento de canções que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.

O ocaso de Diving acontece em grande estilo ao som do frenesim da guitarra e de uma bateria inebriante adornada por diversos efeitos cósmicos, em I Hope I Won't Die Tomorrow, o epílogo de um álbum onde não existiram regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos, um cenário idílico para os amantes de uma pop que olha de frente para a eletrónica e a dispersa em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico, mas também para aqueles apreciadores do rock progressivo mais experimental e por isso tendencialmente mais enérgico e libertário. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:46

Hamilton Leithauser – Heartstruck (Wild Hunger) feat. Angel Olsen

Sábado, 21.10.17

Hamilton Leithauser - Heartstruck (Wild Hunger)

No ano transacto Hamilton Leithauser convidou Rostam Batmanglij para uma participaçao especial no tema I Had a Dream That You Were Mine, uma brilhante parceria que nos ofereceu uma notável viagem a sonoridades de outrora por parte deste vocalista dos The Walkmen que a solo costuma enveredar por sonoridades eminentemente clássicas.

Agora, em pleno outono de 2017, Leithauser oferece-nos uma canção onde conta com outra voz feminina imponente, neste caso a de Angel Olsen, na canção Heartstruck (Wild Hunger). Nesta nova composição do músico, o jogo de vozes selvagem e emotivo que se estabelece entre a dupla e o arsenal instrumental escolhido, do qual se destaca um baixo proeminente e um piano frenético, que dá vida a uma orquestração luxuriante particularmente rica e luminosa, resultam em três minutos e meios de uma pop barroca vintage bastante charmosa e comovente. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:54

Paperhaus – Are These The Questions That We Need To Ask

Sexta-feira, 20.10.17

Oriundos de Washington, os norte americanos Paperhaus são Alex Tebeleff, Matt Dowling, Rick Irby e Danny Bentley, uma banda de indie rock bastante seguida e apreciada no cenário alternativo local. A música que eles nos sugerem é imponente, visionária e empolgante, assentando no típico indie rock atmosférico, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do krautrock e do post punk a conferirem ao projeto uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum. Depois de um excelente homónimo editado na primavera de 2015, eles estão de regresso com Are These The Questions That We Need To Ask, oito canções produzidas pela própria banda e por Peter Larkin e masterizadas por Sarah Register.

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No universo sonoro indie e alternativo abundam, infelizmente, exemplos de bandas que depois de se estrearem com elevada bitola qualitativa devido ao facto de apresentarem uma sonoridade diferente e inédita daquela que o mainstream nos oferece diariamente, acabam por se perder, no álbum seguinte, numa inexplicável redundância. Talvez inebriados pelo sucesso inicial, buscam, no trabalho posterior, um som mais imediato e radiofónico. Mas, felizmente, os Paperhaus não cairam nessa armadilha e em Are These The Questions That We Need To Ask mantêm e aprimoram o espetro sonoro do antecessor, oferecendo-nos um cardápio de oito canções que, logo no primeiro tema do disco, em Told You What To Say, nos mostram um som corrosivo, hipnótico e contundente, um clarividente exemplar da habitual cartilha sonora que este coletivo da costa leste costuma guardar na sua bagagem.

Neste grupo a guitarra é um instrumento de eleição. Ela assume, sem rodeios e desde logo, um amplo plano de destaque no processo de condução melódica, sempre eficazmente acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria entusiasmante e luminosa. Em Go Cozy as mudanças de ritmo com que a mesma guitarra abastece os diferentes efeitos que se escutam no tema e o modo como nos mesmos as quebras e mudanças de ritmo acompanham as variações que ela produz, ampliam a perceção fortemente experimental típica deste grupo, numa canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Paperhaus conseguem ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram. Depois, no clima eminentemente lisérgico e experimental do single Nanana e na rispidez visceral mas apelativa de Walk Through The Woods, assim como nos devaneios cósmicos que abastecem a imponência incisiva  de It's Not There, ficamos esclarecidos acerca desta filosofia compositória, que alicerça um disco que é, no fundo, uma verdadeira espiral de fuzz rock, rugoso, visceral e psicadélico, uma ordenada onda expressiva, que oscila entre o rock sinfónico e o chamado krautrock.

A voz de Tebeleff é também um trunfo declarado dos Paperhaus, devido ao modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína, mas também como acompanha determinados arranjos que, na maioria das vezes, plasmam com precisão as virtudes técnicas do quarteto e o modo como ele consegue abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo, comprimindo-os em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Há nestes Paperhaus uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que também recordem os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabus ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Paperhaus produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask

01. Told You What To Say
02. Go Cozy
03. Nanana
04. Walk Through the Woods
05. It’s Not There
06. Needle Song
07. Serentine
08. Bismillah

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publicado por stipe07 às 18:56

MGMT – Little Dark Age

Quinta-feira, 19.10.17

MGMT - Little Dark Age

Pouco mais de quatro anos depois de um homónimo, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, está prestes a regressar aos discos com Little Dark Age, o quarto trabalho destes já veteranos do indie rock psicadélico, que desde o espetacular disco de estreia Oracular Spectacular nos habituaram a uma espécie de rock psicadélico algures entre os Pink Floyd das décadas de sessenta e setenta e uns mais contemporâneos Flaming Lips, mas também com os olhos e ouvidos postos em projetos mais atuais e até, de algum modo, concorrentes, nomeadamente os Tame Impala ou os Animal Collective.

No entanto, parece que desta vez os MGMT vão apostar num ambiente sonoro mais cinzento e eminentemente sintético, fazendo juz ao conteúdo de Little Dark Age, a canção homónima já divulgada do trabalho e que parece ser a banda sonora perfeita para o Halloween que se aproxima. A mesma tem também já um vídeo dirigido por David MacNutt e Nathaniel Axel. Mais de uma década depois da estreia, os MGMT continuam a chegar ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar músca, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos, para assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas. Confere...

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publicado por stipe07 às 20:50

Noiserv - Dezoito e edição de 00:00:00:00 em vinil.

Quinta-feira, 19.10.17

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Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra,adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's Therehavendo, desde o outono de 2016 mais um compêndio de canções para juntar a esta lista, um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas um registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Para comemorar um ano de existência, um dos destaques de 00:00:00:00, o tema DEZOITO, que encerra o alinhamento do álbum, acaba de ser editado em single. É uma canção que nos convida à introspeção e a meditar nas consequências dos nosos atos. Nas próprias palavras do músico, serve para se assumir que tudo tem um fim querendo tornar-se eterno e que tudo se reconstrói na inevitabilidade de terminar um dia. O videoclipe que acompanha este edição de DEZOITO em formato single teve realização partilhada com André Tentugal e o apoio da Câmara Municipal do Porto.

Ainda nas comemorações de um ano de existência, 00:00:00:00 acaba ctambém de ser editado em vinil. Num disco que já se conhecia transparente, muitas são emoções que nos transmite agora em doze polegadas girando a quarenta e cinco rotações por minuto.

Noiserv revelou ainda as datas de concertos até final do ano: de Leiria a Braga, passando pela Covilhã, Silves e St. Brieuc em França, terminando já perto do Natal no bonito Teatro Ibérico em Lisboa.

SEX. 27 OUTUBRO - Teatro José Lúcio | Leiria (Portugal)

SEX. 17 NOVEMBRO - Festival Para Gente Sentada | Theatro Circo, Braga (Portugal)

QUI. 23 NOVEMBRO - Festival Y#13 | Teatro das Beiras, Covilhã (Portugal)

SÁB. 25 NOVEMBRO – Teatro Mascarenhas Gregório, Silves (Portugal)

SEX. 01 DEZEMBRO - La Citrouille, St. Brieuc (França)

SEX. 22 DEZEMBRO - Teatro Ibérico, Lisboa (Portugal)

 

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publicado por stipe07 às 13:19


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