Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016

Glass Animals - How To Be A Human Being

Depois de Zaba (2014), o disco de estreia, os britânicos Glass Animals estão de regresso aos discos com How To Be A Human Being, dez canções com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno e uma atmosfera geral dançante, mas também muito introspetiva e sedutora.

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Life Itself, o primeiro avanço divulgado do álbum e onde encaixa indie popfolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante, esclareceu, no imediato, que o novo capítulo discográfico destes Glass Animals seria suportado por sintetizadores inspirados e que parecem ter sempre uma função específica. E a verdade é que à medida que avançamos no seu alinhamento constatamos a salutar complexidade do processo criativo dos Glass Animals, algo viciante e onde também abundam harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pelas canções e que se deixam afagar livremente pleos manto sonoro que as sustenta.

Na relação profícua entre baixo e metais em Youth ou no clima quente da batida R&B e plena de soul de Pork Soda, ampliada por vários samples impressivos, é marcante a sensação que no estúdio dos Glass Animals os temas nascem lentamente, como se tudo fosse escrito e gravado ao longo de vários anos e com particular minúcia. Saborear uma vida plena requer um total desrespeito pela implacável passagem do tempo rotineiro e estes Glass Animals mostram-nos como é possível deixarmo-nos espraiar por canções com prazer, conduzidos por essa tal lentidão. Esta elevada dose de sensualidade de How To Be A Human Being é uma sensação que naturalmente se saúda num alinhamento que, como o título indica, pretende celebrar as sensações únicas e genuínas que são intrínsecas à condição humana e que o teclado minimal oitocentista de Cane Shuga e o efeito sintetizado abrasivo de The Other Side Of Paradise tão bem encarnam, não sendo também de descurar a curiosa amálgama instrumental efusiante de Take A Slice e os metais de Mama's Gun, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop, mas também à Brooklyn dos anos setenta, em pleno ressurgimento da melhor música negra. E depois, a cereja em cima do bolo acaba por ser a guitarra de Poplar St, canção que sobrevive algures entre a soul, a eletrónica e o blues rock lo fi mais ambiental, uma receita assertiva onde não falta uma prestação vocal intensa.

Sem grandes alaridos ou aspirações, How To Be A Human Being são pouco mais de quarenta minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que enriquece aquele que é um dos grandes discos do ocaso deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - How To Be A Human Being

01. Life Itself
02. Youth
03. Season 2 Episode 3
04. Pork Soda
05. Mama’s Gun
06. Cane Shuga / [Premade Sandwiches]
07. The Other Side Of Paradise
08. Take A Slice
09. Poplar St.
10. Agnes


autor stipe07 às 14:28
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016

Noiserv - Sete

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Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, além dos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless e Almost Visible Orchestra, havendo também a destacar o DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There. Esta é já uma já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Hoje mesmo Noiserv deu a conhecer ao mundo Sete, o meu número preferido, um doce e tocante instrumental, com um imenso travo a melancolia, perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de um lindíssimo piano. O de Sete é acompanhado por alguns metais e conduz-nos por um universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, exemplarmente retratado num espetacular vídeo com argumento de Tiago Ribeiro, produzido por Andreia Lucas e realizado por Gustavo Sá e Sílvio Rocha, sendo as maquetes da Autoria de Pedro Alves da Gare.

Adivinha-se um regresso aos discos imperdível e claramente inspirado de um músico, intérprete e compositor único no nosso panorama musical. Confere...


autor stipe07 às 11:22
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2016

Poliça - United Crushers

Já com meia década de existência e com United Crushers, o terceiro álbum, como prova de elevada bitola qualitativa, os norte americanos Poliça chegam a 2016 aconchegados por doze novas canções que se debruçam sobre a realidade social e política do país de origem à boleia de uma pop sintetizada intensa, particularmente charmosa e sonoramente muito inspirada nos inesquecíveis anos oitenta.

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Desde que se escutou It's all shit, it's all shit, it's all shit, em Summer Please, o primeiro tema divulgado para promoção de United Crushers, percebeu-se que estes Poliça não são indiferentes a uma América cheia de contrastes, onde o superficial e o consumo ditam regras e as desigualdades sociais e as tensões interraciais estão na ordem do dia. Esta é uma temática que os Poliça já tinham abordado quer em Give You The Ghost, quer em Shulamith, os dois antecessores, mas ao terceiro tomo o grupo de Minneapolis emerge exaustivamente neste ideário, com temas como Wedding, que se debruça sobre a violência policial (all the cops want in… saying hands up, the bullets in), ou Melting Block, uma reflexão sobre a cada vez mais decadente vida nos subúrbios de uma grande metrópole, a serem composições que de modo profundo refletem esta espécie de psicanálise a que um país inteiro se submete ao ter aceite, voluntariamente, ou não, deitar-se no divã que enfeita o canto mais obscuro do estúdio destes Poliça.

Sonoramente, United Crushers vive, em suma, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada mais reflexiva, com o baixo, sublime em Fish e Berlin, a ser essencial pelo constante ruído de fundo orgânico e visceral que oferece ao alinhamento, tornando-o ainda mais impulsivo e contundente. É um cruzamento espectral, sonoro e meditativo entre música e mensagem, majestoso em Lately, uma relação que sustenta os alicerces de um disco com doze canções algo complexas e bastante assertivas e que provam a elevada maturidade deste grupo e a sua natural propensão para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe as clássicas guitarra, baixo e bateria, além de uma performance vocal aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais.

Sofisticados, rigorosos e positivamente frios, os Poliça chegam a 2016 interpretativamente brilhantes, quer ao nível da composição, quer da escolha dos instrumentos e dos arranjos, compondo com diferentes graus de intensidade e a exigirem de quem se interesse por este belo álbum, um tempo e uma dedicação que objetivamente merecem. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Summer Please
02. Lime Habit
03. Someway
04. Wedding
05. Melting Block
06. Top Coat
07. Lately
08. Fish
09. Berlin
10. Baby Sucks
11. Kind
12. Lose You

 


autor stipe07 às 14:18
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016

Jimmy Eat World – Get Right

Jimmy Eat World - Get Right

Os norte americanos Jimmy Eat World já têm sucessor para Damage, o disco que lançaram há três anos e que foi o oitavo do cardápio deste projeto de Meza, no Arizona e que lançou álbuns tão fundamentais como Clarity (1999) ou Bleed American (2001), a obra-prima do colectivo. Isso irá mudar em 2016, já que este excelente grupo de rock alternativo divulgou para audição Get Right, uma nova canção que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca da manutenção do ADN dos Jimmy Eat World no nono disco, ainda sem data de lançamento prevista. Confere...


autor stipe07 às 17:11
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016

Jagwar Ma - O B 1 & Give Me A Reason

Os Jagwar Ma são Jono Ma, Jack Freeman e Gabriel Winterfield uma banda australiana apaixonada pelas sonoridades alternativas dos anos noventa e que procuram promover na sua música uma espécie de simbiose entre a neopsicadelia desenvolvida, por exemplo, pelos Primal Scream a a brit pop dos Blur no período Parklife e os próprios Stone Roses. Fazem canções cheias de colagens e sobreposições instrumentais, que em Howlin, o disco de estreia do projeto, encarnaram uma espécie de súmula de alguns dos mais interessantes detalhes sonoros dessa época.

Ainda em 2016 os Jagwar Ma vão regressar aos discos com Every Now & Then, o sucessor de Howlin, mais concretamente a catorze de outubro e através da insuspeita Mom+Pop/Marathon. Serão onze temas produzidos por Ewan Pearson e gravados aqui, na Europa, em dois locais; Na pitoresca ruralidade de França, numa quinta que tem um estúdio, chamada La Brèche e no famoso Le Bunker, no norte de Londres.

Os Beastie Boys foram uma inspiração clara para os Jagwar Ma neste disco e O B 1, canção que conta com a participação especial de Stella Mozgawa das Warpaint e Give Me A Reason, os dois singles já divulgados do trabalho, demonstram-no, quer no pendor nostálgico dos tais anos noventa, mas também na contemporaneidade de duas canções, que num misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do rock, exemplificam a massa sonora que sustentará o disco e que, como sabemos, caraterizam uma vasta coleção de propostas musicais que nos dias de hoje nos chegam dos quatro cantos do mundo. Confere...

Jagwar Ma - O B 1

 

 

Jagwar Ma - Give Me A Reason

01. Give Me A Reason
02. Give Me A Reason (Radio Edit)


autor stipe07 às 19:12
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016

Dub Inc - Triste Époque

Saint-Étienne é o poiso natural dos Dub Inc, um coletivo formado por Hakim Meridja Bouchkour, Aurélien Zohou Komlan, Jérémie Gregeois, Grégory Mavridorakis Zigo, Frédéric Peyron, Idir Derdiche, Moritz Von Korff e Benjamin Jouve e que é já um dos nomes fundamentais do cenário reggae europeu.

É já a vinte e três de setembro que chega aos escaparates So What, o muito aguardado novo álbum deste coletivo francês e Triste Époque é a primeira música divulgada do trabalho, uma composição vibrante, intensa e que juntando ao reggae teclados sintetizados e algumas linhas de guitarra, atesta a miscelânea estilística e sonora de uns Dub Inc que se projetam musicalmente e como o press release do lançamento tão bem narra, inspirados por uma verdadeira ética humana. Tiken Jah Fakoly, David Hinds ou Tarrus Riley são influências declaradas e as suas atuações ao vivo já lendárias, verdadeiros festins de reggae e world music com uma inergia inesgotável e contagiante. Confere...


autor stipe07 às 18:00
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Dub Inc - Triste

Os Dub Inc lançam agora “Triste Époque”, a primeira música do tão aguardado novo disco “So What”.

 

Sem dúvida nenhuma, os Dub Inc tornaram-se o epítome da banda de reggae de sucesso europeia; na verdade, as performan ces ao vivo da banda têm-lhes permitido estabelecer-se como a ponta de lança da cena musical francesa para o exterior ao longo dos últimos dez anos.

 

Inspirados por uma verdadeira ética humana, o seu sentido único de melodia combinado com letras verdadeiras exportou-os tão bem que a sua música ressoa tão longe como Portugal, Argélia, Senegal, Canadá, Columbia ou Índia, bem como em lugares onde eles se encontram lado a lado internacionalmente com artistas de renome como Tiken Jah Fakoly, David Hinds ou Tarrus Riley.

 

Misturando Reggae, Dancehall, Kabyl ou World Music, as vozes de Bouchkour e Komlan, ambas diferentes e complementares, encarnam a crença verdadeira da banda na miscigenação de estilos e pessoas: quer escrevam em Francês, Inglês ou Kabyl, eles transmitem uma mensagem universal com uma energia que só a música ao vivo possui.


autor stipe07 às 17:59
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

Lisa Hannigan – At Swim

A irlandesa Lisa Hannigan está de regresso aos discos com At Swim, a nova coleção de canções de uma das intérpretes e compositoras do cenário musical atual mais relevantes e que depois de ter feito parte da banda de Damien Rice abriu as hostilidades já há quase uma década com Sea Sew (2008), um álbum encantador que deixou logo a crítica especializada rendida. Três anos depois, em 2011, chegou Passenger, o segundo trabalho, que manteve a bitola qualitativa inicial e onde se destacava um dueto com Ray LaMontagne no tema O Sleep.

At Swin interrompe um hiato de cinco anos e permite-nos contemplar uma Lisa Hannigan em pleno estado de maturidade e mais incisiva e criativa do que nunca no modo como é capaz de nos enternecer com simples canções, um trabalho que também foi alavancado por Aaron Dessner, dos The National, admirador do percurso de Lisa e que desde o início das gravações se disponibilizou para oferecer toda a ajuda que a cantora precisasse, desencandeando uma troca de correspondência transatlântica, de trechos sonoros e lirícos, que sustentam muito do cardápio disponível em At Swim.

Gravado então junto ao rio Hudson, em Nova Iorque e produzido por Dessner, At Swim gira muito em redor da doce gravidade da voz única de Lisa, exímia a penetrar no nossso âmago e com um talento imenso no modo como nos consegue colocar na linha da frente de toda a trama que gira em redor das suas canções, que narram eventos que podem suceder com naturalidade a quem se entrega ao amor com convicção e procura, nesse sentimento, viver uma jornada emocional única e que faça do dia a dia um constante tesouro. É vasta a panóplia de acontecimentos que estas canções narram, com Fall a expôr as sensações de isolamento e solidão que a saída de casa causou na autora e a luminosidade acolhedora de Lo a levantar a nossa mente para um voo estratosférico com uma quase impercetível serenidade. Depois, se escutarmos atentamente a doce melancolia debitada pela guitarra de Prayer For The Dying percebemos que esta é uma daquelas canções capaz de elevar o espírito daquele nosso amigo que está a atravessar um momento amoroso menos positivo. Entretanto, se o dedilhar do banjo de Snow esclarece-nos que a redenção também faz parte dentro do conceito de perca e que a ideia de recomeço deve nortear sempre quem é desafiado pelas circunstâncias menos felizes da vida, o piano de We, The Drowned ensina-nos que se o destino nem sempre está nas nossas mãos e que aquilo que semeamos é sempre aquilo que acabamos por colher, inevitavelmente.

Um dos momentos mais significativos e curiosos de At Swim é a interpretação à capella de Anahorish, um poema maravilhoso de Seamus Heaney e que nos prende hermeticamente bem longe do turbilhão ruminante de uma qualquer existência quotidiana, criando um universo familiar e cativante que facilmente nos enclausura. A partir daí, a percussão jazzística absolutamente irrepreensível e carregada de soul de Tender e o piano minimalista de Barton expressam, sintomaticamente, um constante plasmar de paradoxos, de uma constante tensão oscilante entre a celebração e a ansiedade, a pop e a folk, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético.

At Swim esconde no seu seio uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de Lisa Hannigan, uma cantautora que jurou uma fidelidade quase canónica à lentidão melódica, à boleia do charme das cordas e à capacidade que o uso assertivo dos graves, agudos e falsetes da sua voz têm de colocar em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Lisa Hannigan - At Swim

01. Fall
02. Prayer For The Dying
03. Snow
04. Lo
05. Undertow
06. Ora
07. We, The Drowned
08. Anahorish
09. Tender
10. Funeral Suit
11. Barton


autor stipe07 às 10:36
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016

Wild Beasts - Boy King

Dois anos após o excelente Present Tense, que tinha sido já um notável sucessor da obra prima Smother (2011), o quarteto britânico Wild Beasts está de regresso aos lançamentos discográficos com Boy King, o quinto disco da carreria do grupo, gravado do outro lado do atlântico, em pleno Texas, com a preciosa ajuda do produtor John Cogleton.

A carreira dos Wild Beasts tem sido marcada por um desenvolvimento progressivo e um aumento da bitola qualitativa da sonoridade apresentada de disco para disco e desde Smother, considerado unanimemente como o ponto alto da carreira do grupo, é percetível uma cada vez maior propensão para o encontro de propostas sonoras mais ambiciosas e sofisticadas, que possibilitem um alargar do leque musical dos Wild Beasts, sempre com a habitual qualidade lírica acima de qualquer suspeita e que importa também apreciar com devoção.

Get My Bang, o primeiro avanço divulgado de Boy King, tem esse lado inédito e abrangente, com o funk da batida, a sensualidade das vozes de fundo femininas e a simbiose entre a distorção das guitarras e um conjunto de referências que piscam o olho a alguns fragmentos mais preponderantes da eletrónica atual, sem descurar uma forte presença da synthpop típica dos anos oitenta, de forma equilibrada e não demasiado vintage, a fazerem da canção um excelente aperitivo para um álbum com um charme inconfundível e um pulsar tremendo e que logo em Big Cat oferece-nos também uma irresistível abordagem mais climática, subtil e insinuante, mas que serve para cimentar o ecletismo de um projeto no auge da sua maturidade.

Boy King acaba por fazer uma súmula de uma carreira de uns Wild Beasts que tendo, como já referi, a mira apontada para a pop sintetizada que fez furor nos anos oitenta, também não renegam algumas das tendências atuais mais bem sucedidas do rock alternativo, com o baixo a ser um instrumento fundamental nesta ponte entre o futuro e a nostalgia. O efeito reverberado de Tough Guy, entrelaçado com uma guitarra minimalista e os efeitos rugosos e graves que sustentam a eloquência vibrante de Eat Your Heart Out Adonis, assim como o piano minimalista de Dreamliner e os timbres hiperativos da já descrita Get My Bang e de Ponytail, dão-nos, com precisão, todo o mapa referencial de um disco impregnado de sensações, cheiros e sabores que remexem nas nossas memórias mais antigas, mas também nos apontam interessantes pistas sobre o modo como nos dias de hoje a simbiose entre rock e indie pop pode continuar a ser criativamente charmosa, intensa e chamativa. Espero que aprecies a sugestão...

Wild Beasts - Boy King

01. Big Cat
02. Tough Guy
03. Alpha Female
04. Get My Bang
05. Celestial Creatures
06. 2BU
07. He The Colossus
08. Ponytail
09. Eat Your Heart Out Adonis
10. Dreamliner
11. Boy King Trash


autor stipe07 às 21:45
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

Bon Iver – 22 (OVER S∞∞N) & 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠

Cinco anos após um excelente homónimo, será no final do próximo mês de setembro e a boleia da Jagjaguwar que Justin Vernon aka Bon Iver irá regressar aos lançamentos discográficos. A Million é o título daquele que será o seu terceiro registo de originais e que sucede, assim, a Bon Iver, lançado em 2011.

22 (OVER S∞∞N) e 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠ são os primeiros avanços divulgados do disco, dois temas que impressionam pelo ambiente introspetivo e reflexivo que encerram e transportam uma aparente ambiguidade sonora fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a folk e a pop mais experimental e a pura eletrónica, duas canções que parecem ter sido embaladas num casulo de seda, da autoria de um verdadeiro trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker e a espiritualidade negra e que se escutam com invulgar fluidez. Confere os dois temas e o alinhamento de A Million...

01. 22(OVER S∞∞N)
02. 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠
03. 715 – CRΣΣKS
04. 33 “GOD”
05. 29 #Strafford APTS
06. 666 ʇ
07. 21 M♢♢N WATER
08. 8(circle)
09. ____45____
10. 00000 Million


autor stipe07 às 21:28
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

American Wrestlers - Give Up

American Wrestlers é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. Tendo crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou entretanto para o outro lado do Atlântico.

Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais underground acabando por implodir.

Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. O projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum e daí até ao disco de estreia, um homónimo editado na primavera do ano passado, foi um pequeno passo. American Wrestlers impressionou pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentavam grande parte das canções, onde não faltavam alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete, com um certo reverb que acentuava o charme rugoso da mesma.

Se essa estreia nos oferecia uma viagem que nos remetia para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo, o sucessor, um trabalho intitulado Goodbye Terrible Youth e que irá ver a luz do dia em meados de novembro, deverá cimentar essa filosofia vencedora, com Give Up, a primeira amostra divulgada, a impressionar pela melodia frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de American Wrestlers. Goodbye Terrible Youth será, de certeza, um dos grandes lançamentos do ocaso de 2016. Confere Give Up e o alinhamento do disco...

01 “Vote Thatcher”
02 “Give Up”
03 “So Long”
04 “Hello, Dear”
05 “Amazing Grace”
06 “Terrible Youth”
07 “Blind Kids”
08 “Someone Far Away”
09 “Real People”


autor stipe07 às 18:15
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Sexta-feira, 12 de Agosto de 2016

Pfarmers – Our Puram

Depois de Gunnera, uma planta gigante que abunda, por exemplo, nas margens do biblíco Rio Jordão e que se tornou personagem principal de um sonho que invadiu em tempos o descanso sagrado de Danny Seim (Menomena e Lackthereof), ter sido a grande referência conceptual do trabalho de estreia do super projeto Pfarmers, que além desse músico conta também com Bryan Devendorf (The National) e Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens), agora é a comunidade Rajneeshpuram, fundada na década de oitenta pelo mistíco sacerdote e filósofo Bhagwan Shri Rajneesh (também conhecido como Rajneesh, ou Osho), a servir de inspiração para Our Puram, o segundo disco de um coletivo com um universo sonoro fortemente cinematográfico e imersivo e que conta com a chancela da insuspeita Joyful Noise Recordings.

Our Puram foi escrito enquanto Danny Seim se mudava de Portland, no Oregon, para Louisville, no Kentucky, com a ideia fixa de criar um álbum conceptual sobre o Oregon onde viveu grande parte da sua vida, tendo escolhido debruçar-se particularmente sobre a comunidade Rajneeshpuram, de que ouvia falar na infância e cuja natureza real e trágica, devido às tensas e dificéis relações com as localidades vizinhas, se foi apercebendo já na vida adulta. A ideia inicial era colocar-se no papel de um membro dessa comunidade que procura inserir-se na sociedade exterior, mas acaba por, inconscientemente, debruçar-se no seu próprio êxodo. Já agora, e completando informação anterior, esta comunidade chegou a ter cerca de sete mil membros, ocupando uma área com milhares de hectares completamente autónoma, onde não faltavam escolas, supermercados, hospitais , restaurantes e outros serviços públicos, que podes conhecer melhor aqui.

Em Our Puram, tal como tinha sucedido em Gunnera, são poucos os resquícios da sonoridade habitual dos projetos de onde os músicos que compôem este coletivo são originários. Talvez os sopros de Here With Us sejam uma daquelas marcas sonoras que tanto nos The National como nos Menomena ainda se consigam ouvir, mas a filosofia Pfarmers defende a criação de composições de cariz fortemente ambiental, com um elevado ênfase numa percurssão vincada e com forte cariz étnico, variações ritmícas constantes, a inserção de uma vasta miríade de efeitos e sons sintetizados, quase de modo anárquico e sustentados por várias camadas de sopros, também de origem sintética, lançando o grupo e este Our Puram numa espiral pop, majestosa, por exemplo, no clima jazzístico de Sheela e onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. A voz grave de Seim é outro atributo fundamental para a criação de um som profundo, assim como o seu baixo pleno de groove.

Com momentos de elevada intensidade, algumas vezes passíveis de entroncar entre as últimas propostas dos Battles e algumas criações dos The Books, Our Puram é um álbum esculpido e complexo, onde é forte a dinâmica entre os sopros e o baixo, num encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador, tudo ampliado por um claro misticismo, que trespassa continuamente o cenário audível. The Commune será, talvez, o exemplo mais bem conseguido do modo eficaz como Seim conseguiu plasmar o controverso ideário Rajneeshpuram em formato canção, mas os trombones de Tour Guide, a  insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons das guitarras e do baixo que dão vida a 97741 e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos dos sopros e dos flashes sintetizados que nos fazem levitar no single Red Vermin, justificam, sem qualquer sombra de dúvida, a atribuição de um claro nível de excelência aos diferentes fragmentos que os Pfarmers convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam e que da eletrónica, à folk, passando pela pop e o rock progressivo, criam uma relação simbiótica bastante sedutora, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras que podem muito bem servir de referência para projetos futuros.

Our Puram é um ribeiro sonoro por onde confluem vários sons da mais diversa estirpe e de diferentes proveniências, mas todos cheios de vida e prestes a desaguar na Terra Prometida idealizada pelos Pfarmers. Aí são arremessadas para longe todas as tensões e desajustes de um passado de Seim, que está, pelos vistos, na sua vida pessoal, a salivar por uma banda sonora tremendamente sensorial, feita aqui com uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante. Para chegar a este resultado único, Seim e os seus parceiros, não recearam entregar-se de corpo e alma ao instrumentos que mais apreciam mas também ao mundo das máquinas, numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, em oito canções que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios destes Pfarmers. Espero que aprecies a sugestão...

Pfarmers - Our Puram

01. 97741
02. Tour Guide
03. Red Vermin
04. You’re with Us
05. Sheela
06. The Commune
07. Osho Rising
08. Our Puram


autor stipe07 às 16:30
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

TOY - Fast Silver

Uma das bandas fundamentais de indie rock psicadélico são os londrinos TOY de Tom Dougall (voz e guitarras), Dominic O'Dair (guitarras), Maxim Barron (baixo e voz), Alejandra Diez (sintetizadores e modulação) e Charlie Salvidge (bateria e voz). Depois de um espetacular disco homónimo de estreia e de um sucessor intitulado Join The Dots, os TOY estão de regresso aos discos daqui a algumas semanas com Clear Shot, dez canções que chegam aos escaparates a vinte e oito de outubro por intermédio da Heavenly Recordings e produzidas por David Wrench.

Fast Silver é o primeiro avanço divulgado de Clear Shot, uma inebriante viagem psicadélica, onde também merece particular realce a voz de Tom Dougall que denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por um instrumental épico e marcante como este. Imperdível! Confere o tema e o alinhamento de Clear Shot...

01 “Clear Shot”
02 “Another Dimension”
03 “Fast Silver”
04 “I’m Still Believing”
05 “Clouds That Cover The Sun”
06 “Jungle Games”
07 “Dream Orchestrator”
08 “We Will Disperse”
09 “Spirits Don’t Lie”
10 “Cinema”


autor stipe07 às 14:41
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

Father John Misty – Real Love Baby

Father John Misty - Real Love Baby

Father John Misty já foi visto como um reverendo barbudo e cabeludo, que vagueava pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young. Encharcado, pegava no violão e cantava sobre cenas bíblicas, Jesus e João Batista e a solidão. Hoje, Father John Misty não é só um artista, é uma personagem criada e interpretada por Josh Tillman, antigo baterista dos Fleet Foxes, que tinha uma vida bastante regrada e obscura, mas que hoje vive apaixonado e feliz com esse maravilhoso novo estado de alma.

Intérprete de um dos melhores concertos da última edição do NOS Alive, Misty divulgou recentemente Real Love Baby, uma nova canção que teve a primeira versão gravada em maio e que foi agora alvo de revisão e cujo indulgente teor lo fi das suas cordas sessentistas afaga com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a sua doutrina, num registo clássico e fortemente emocional. Confere...


autor stipe07 às 14:23
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Sábado, 6 de Agosto de 2016

Enemy Planes – Entrevista

Minneapolis, no Minnesota, é o poiso dos Enemy Planes, uma banda formada por Casey Call, Joe Gamble, David LeDuc, Kristine Stresman, Shön Troth, Joe Call e Jessica Anderson e que acaba de se estrear nos discos com Beta Lowdown, onze canções preenchidas com um indie rock cru, rugoso e bastante intenso. Este é, claramente, um dos melhores lançamentos discográficos do ano, dentro do espetro sonoro em que o grupo se insere e que foi, como se recordam, alvo de análise crítica neste espaço.

Da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e por um rock intenso e com uma elevada dose de experimentalismo, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade destes Enemy Planes, que iniciam a sua demanda sonora discográfica de modo confiante, altivo e bastante criativo e que aceitaram conceder uma entrevista a Man On The Moon, que aconselho vivamente e que agora reproduzo na íntegra, agradecendo à Laura Chagas pela tradução prévia das questões.

Antes de mais um enorme obrigado por me terem concedido esta entrevista. É um privilégio para o blogue Man On The Moon poder conversar um pouco convosco. São de Minneapolis, no Minnesota e acabam de se estrear nos discos com Beta Lowdown, onze canções preenchidas com um indie rock cru, rugoso e bastante intenso, que adorei. Como é que nasceu este projeto?

First of all, thank you for letting me have this opportunity for an interview. It is a privilege for the Man on the Moon blog to be able to talk to you a little. You’re from Minneapolis, Minnesota, and you’ve just launched Beta Lowdown, with 11 songs that are filled with a raw, rough and very intense type of indie rock, which I loved. How did this project start?

Enemy Planes was formed about 2012. Several current members (Joe Gamble, Joe Call, Casey Call, and David LeDuc) were playing together in another band and were in the recording studio working on their next record. During the process they realized that the songs were kind of shaking out to sound like two different projects and they decided that this new sound was the one they wanted to pursue! So, they changed the band name to Enemy Planes and went in a new direction. Shon Troth and Kristine Stresman were both around the local scene and were great additions to our sound and overall vibe. Jessica Anderson joined us this year for added percussion.

Álbum frontal, marcante, elétrico e explosivo, em Beta Lowdown sente-se a vibração a aumentar e a diminuir de forma ritmada e empolgante, com canções com o selo caraterístico daquele rock misterioso e cheio de fechaduras enigmáticas e chaves mestras, mas que, se forem experimentadas com dedicação, acabam por abrir portas para um outro refúgio perfeito. Que tipo de anseios e expetativas criaram para este primeiro passo do vosso percurso?

In Beta Lowdown, a very striking, electric and explosive album, we can feel the vibe increasing and decreasing in a rhythmic and exciting way. There are songs that convey the idea of a mysterious type of rock, filled with what I would call enigmatic locks and master keys that can eventually open some doors for a perfect refuge, if experienced with dedication. What kind of expectations have you created for this first step of your journey?

Your description of the album is such a phenomenal and flattering one! Casey wrote the main ideas for most if not all of the songs and we then got together as a band to flesh them out, craft the arrangement, and add individual parts. Our expectation was to produce a sound that is actually unique; there are so many new bands out there that sound like something that has happened already and, while there are certainly bands and artists that influence us, we take great pride when fans comment on how different we are. We also have surrounded ourselves with like minded artists whose taste we trust. Our producer, Duane Lundy, (Sturgill Simpson, Joe Pug, Vandaveer) has such a way of directing and molding our recorded sound; we wouldn’t sound as good as we do without him. Our expectation was to craft the best possible album and get it to the most possible people and let it grow naturally from there.

Olhando um pouco para a escrita das canções, parece-me ter havido a busca de um equilíbrio entre uma opção ficcional e outra quase autobiográfica, com histórias e personagens imaginárias, a cruzarem-se com acontecimentos reais das vossas vidas. Acertei ou o meu tiro foi completamente ao lado?

By looking at the lyrics, I get the idea that you tried to balance fictional and autobiographical aspects, intertwining imaginary stories and characters with real events of your own lives. Did I get it right or am I totally wrong?

We may never tell on that one. Casey wrote the lyrics and he’s always a little mysterious with their origins. Maybe if pressed you might get some explanation, but perhaps their greater power is where they fit in the Enemy Planes timeline and where they fit in the listeners’ timelines. Lyrics, and our lyrics especially, are just as big a part of the song just as the guitar or drums are; one without the other is only a portion of the story. Lyrics can change meaning over time to us and to the listener; with their ability to morph and adapt one listening of “Beta Lowdown” may be completely different from the next time you play it.

Em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?

In terms of soundscape, did the elements you initially idealised for the album correspond to the final result or were there any changes throughout the process? What was your inspiration for creating the melodies?

Things always change. Stranger Danger, for example, started out as a slow ballad  tune and has obviously completely changed from that original idea! Sure, there will always be melodic lines or drum patterns that have been the core of a tune, but beyond that we’re always up for new suggestions. Often, when we go into the recording studio, we have a skeleton of the song, maybe a few solid parts, but everything else is written with full input from the members and our producer. If something works, it stays, if it doesn’t we move on; something that worked yesterday may no longer be what we’re going for today, so it has to change. Also, we’re always up for weird new sounds, so there’s elements that we kind of create in the studio that we then have to engineer for live instrumentation. Flexibility and open creativity have really been the secret to our success! The melodies come from that same place; Casey comes up with the key ideas and direction and then it changes from there if it needs to.

Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos Enemy Planes? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?

I’m always very curious about the creative process of songs. In a band with multiple elements, there is usually a kind of a “dictatorship” (in a good way), with a leader that dominates the writing process and probably the melody, as other musicians tend to participate in the arrangements. How does this work with Enemy Planes? Does everything happen in a natural and spontaneous way in jam sessions or do you have an element that stands out?

All of the above! Earlier on the jam session writing style was a little more common. Those sessions would be longer and perhaps those songs would emulate that more relentless feeling that you can get from jamming. Other tunes are melodies and chord structures that Casey comes up with in his personal writing. When that happens we will listen to his ideas and then write parts around them. Different times there could be separate parts of ideas that maybe we play together and see how they work; sometimes that’s great, sometimes it isn’t! Our goal is to follow the songs and make the best possible music we can. It’s hard work and takes a lot of cooperation, but we love to do it. Creativity rarely just “strikes” and you write a brilliant song in five minutes; writing music takes time and commitment with plenty of questioning and doubt, but getting it right is more important than who wrote it and how long it took them.

Adoro a canção Just A Ghost, um verdadeiro tratado de indie rock psicadélico e com uma guitarra que me encheu as medidas. E o grupo, tem um tema preferido em Beta Lowdown?

I love Just a Ghost, a treatise of psychedelic indie rock, with guitar riffs that totally blow my mind. Do you have a favourite song as a group?

Every band member would give you a different answer depending on the day! There are different songs we all love playing and there are different songs we all love listening to. Sometimes, the newest song we’ve written is the favorite to play, but that changes day to day.

Em relação à apresentação e divulgação de Beta Lowdown, por onde têm andado a tocar os Enemy Planes? Sobrevoar a Europa e aterrar para alguns concertos está nos vossos planos?

Regarding the presentation of Beta Lowdown, where have you been playing? Is coming to Europe for some concerts in your plans?

Europe is around the corner for us! We were in Barcelona last summer with Hard Rock Cafe and had a great response, going back is top priority. We will absolutely make sure you’re among the first to hear about it. Here at home we toured throughout the spring and summer. We’ll be back on a US tour this fall.  We’ve been playing it on radio throughout the US and have gotten lucky that blogs like Man on the Moon have picked it up all over the world. It’s great fun to get messages from far off places. We couldn’t be more excited!

Para terminar, querem deixar alguma mensagem aos vossos fãs portugueses e aos leitores do blogue Man On The Moon?

And now, to finish, would you like to leave a message for your Portuguese fans and for the readers of the Man on the Moon blog?

Thanks for listening! Perhaps it seems assumed, but you listening to and sharing “Beta Lowdown” are the best things we could ask for. Let everyone know! We can’t wait to see you in Portugal!


autor stipe07 às 11:04
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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2016

LNZNDRF - Green Roses

Coletivo fundamental do indie rock deste século, os norte americanos The National têm sabido potenciar e expressar a enorme veia criativa dos seus membros noutros projetos paralelos, que devem o sucesso obtido não só ao símbolo de qualidade intrínseco à presença de um membro dessa banda nos créditos, mas também, e principalmente por isso, por causa da superior qualidade do conteúdo sonoro que é criado. Assim, se em 2015 Matt Berninger e Bryce Dessner uniram-se a Brent Knopf dos Menomena para formar os EL VY e se Bryan Devendorf deu as mãos a Danny Seim, dos mesmos Menomena e a Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens), para incubar os Pfarmers, os irmãos Scott e o mesmo Bryan Devendorf unirem-se a Ben Laz dos Beirut, para criar os LNZNDRF, um projeto que se estreou no início deste ano com um discos homónimo, à boleia da conceituada 4AD, e que parece ter já um sucessor na calha.

Enquanto o segundo registo dos originais dos LNZNDRF não chega, a banda acaba de editar dois temas em formato EP; Refiro-me a Green Roses e Salida, dois monumentos sonoros majestosos e de qualidade ímpar, instrumentais com um cariz fortemente ambiental, sustentados por várias camadas de sopros sintetizados, guitarras plenas de frenesim e efeitos que piscam o olho a uma orgânica particularmente minimal, mas profunda e crua, num universo fortemente cinematográfico e imersivo.

Nestes vinte e cinco minutos escuta-se uma espiral pop onde não falta o marcante estilo percurssivo de Devendorf, ou algum do cardápio de efeitos que Danny apresentou nos Menomena, mas onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. O lançamento acaba por seguir um pouco a linha experimental das oito canções que faziam parte do alinhamento de LNZNDRF, mas quer os sopros de Green Roses e principalmente o krautrock do baixo de Salida dão asas a emoções mais etéreas e luminosas, exaladas desde as profundezas do refúgio bucólico e denso onde certamente estes músicos se embrenham para criar composições que impressionam pelo forte cariz sensorial. Confere...

LNZNDRF - Green Roses

01. Green Roses
02. Salida


autor stipe07 às 15:54
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2016

Tape Waves - Here To Fade

Se nos deixarmos levar pela cândura de Nowhere, um dos momentos maiores de Here To Fade, o novo disco dos Tape Waves de Jarod Weldin e Kim Weldin, é bem possível que a nossa mente nos faça aterrar naquela praia vintage que nos leva de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como a Carolina do Sul, o estado norte americano onde a banda reside. Essa passagem para uma outra dimensão sucede naturalmente enquanto se escuta, além desta, mais nove canções tranquilas, que não deixam de conter leves pitadas de shoegaze e post rock, mas que nunca atravessam aquela fronteira que poderia conduzir a sonoridade da dupla para algo de muito barulhento ou demasiado experimental.

Sucessor do excelente Let You Go, o fantástico disco de estreia do projeto, editado em 2014, Here To Fade eleva esta dupla norte americana oriunda de Charleston para uma superior dimensão estilística, com a sonoridade simples e impecavelmente produzida do antecessor a ser aprimorada, numa evidente e salutar aproximação à melhor surf pop melancólica e romântica, através de guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.

Temas como a efusiva Close Your Eyes, canção que esconde um baixo que lhe confere um toque punk absolutamente delicioso, a planante Go Away ou a ritmada Standing In Line têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita no modo como, num contexto sonoro aparentemente minimal, apresentam diferentes nuances e uma vasta miríade de detalhes, efeitos e arranjos, com o registo vocal ecoante a funcionar como o contraponto decisivo para a feliz criação de uma atmosfera geral calma e contemplativa, com uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica incomuns e bastante sentimentalista e transmissora de boas vibrações. A voz doce de Kim e o acerto instrumental de Jarold contrastam e complementam-se, em simultâneo, e transbordam uma imensa eficácia e bom gosto na forma como dão vida a temas coerentes, com um forte cariz romântico e que versam sobre o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios.

Gravado e misturado pelo próprio Jarod Weldin e masterizado por Joe Goodwin e com o lindíssimo artwork da autoria de Savannah Rusher, Here To Fade confirma o modo assertivo como os Tape Waves falam com particular delicadeza sobre o sabor doce e amargo da vida, tal como a conhecemos, com a melhor estratégia a ser aquela em que o plano principal é não haver planos, ao som de uma festa algo melancólica e instrospetiva, mas que não deixa de ser também feita de cor, movimento e muita letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Waves - Here To Fade

01. So Fast
02. Always Shines
03. Nowhere
04. Calling
05. Close Your Eyes
06. Go Away
07. Standing In Line
08. Fine For Now
09. Stay Mine
10. Morning Time

 


autor stipe07 às 10:54
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2016

Warpaint - New Song

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa estão de regresso com Heads Up, um título feliz para batizar aquele que será o terceiro disco das Warpaint, sucessor de um homónimo, lançado em 2014.

Heads Up irá ver a luz do dia à boleia da Rough Trade Records já a vinte e três de setembro e New Song é o primeiro single divulgado do disco, canção algo inédita no percurso do quarteto por mostrar uma faceta mais polida e luminosa. A mesma conta com uma belíssima letra, entrelaçada com deliciosos acordes e uma melodia minusiosamente construída com diversas camadas de instrumentos. Acaba por ser mais um passo em frente num projeto que nunca se acomodou a uma abordagem estilística estanque, apesar de manter no seu epicentro sonoro uma intensa aúrea sexual, que despe as Warpaint de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que as poderia envolver, mostrando, assim, mais uma vez, com ousadia, a sua verdadeira personalidade. Confere...

Warpaint - New Song


autor stipe07 às 19:03
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2016

Future Generations – Future Generations

Eric Grossman, Mike Samsevere, Eddie Gore, Dylan e Devon Sheridan são os Future Generations, um coletivo nova iorquino sedeado no Bronx e que acaba de se estrear nos discos com um homónimo, dez canções que viram a luz do dia há poucos dias através da Frenchkiss Records.

Tudo começou na universidade de Fordham, há cerca de meia década, quando Eddie conheceu Eric e Mike. Começaram a viver juntos e daí até fazerem música foi um pequeno passo. Depois de Devon se ter juntado ao grupo, chegou o primeiro EP, a atenção da Frenchkiss, uma etiqueta nova iorquina de relevo no cenário indie e agora, finalmente, este compêndio de canções que são já um marco imprescindível e obrigatório neste ano repleto de novidades e registos sonoros qualitativamente incomuns.

Em quase quarenta minutos, Future Generations tem bem assentes as suas coordenadas, de modo a estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico, bem patente logo na formosa Grace. É uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e uma voz que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Future Generations nos oferece vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, num ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Sintetizadores e cordas onde abundam guitarras experimentais trocam piropos, para depois, como é o caso de Stars, desabrocharem numa explosão sónica, feita de exuberância e cor. Mesmo no território mais negro e minimal de This Place We go, no tribalismo percussivo de Black and Bleu, ou na mais reflexia e etérea Coast, ocorre sempre um percurso triunfante e seguro, numa súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade e uma sensualidade pop lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Future Generations faz mossa nos nossos ouvidos e agita a mente, assim deixemo-nos nós ser conduzidos por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante da linha sintetizada em que se sustenta 60 Seconds, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete de efeitos borbulhantes que contém, numa riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma ordenada amálgama sonora, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, colocando as agulhas intencionalmente orientadas para algo épico.

Future Generations é um corpo único e indivisível e com vida própria, servido em bandeja de ouro, uma alegoria pop aventureira que plasma intensamente e com elevada bitola qualitativa as novas e mais inspiradas tendências do indie contemporâneo, mesmo no clima retro vintage oitocentista de You've Got Me Flush. É, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Future Generations - Future Generations

01. Grace
02. Stars
03. Rain
04. Black And Bleu
05. This Place We Go
06. You’ve Got Me Flush
07. Find An Answer
08. Coast
09. 60 Seconds
10. Thunder In The City


autor stipe07 às 11:05
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