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The Lees Of Memory – Unnecessary Evil

Sábado, 16.07.16

Há algo no típico indie rock norte americano de inédito, genuíno e único, detalhes impressos à velocidade de um timbre de distorção da guitarra que é inigualável, bastando cinco segundos da audição da mesma para se perceber a origem de determinadas bandas e projetos. Uma demanda que terá começado na década de oitenta com os R.E.M. e que nomes como os Wilco, The New Pornographers, Foo Fighters, Yo La Tengo ou Stereolab, entre outros, têm sabido preservar e que serve de inspiração aos The Lees Of Memory, banda que acaba de editar, Unnecessary Evil, o segundo disco da carreira, dez canções bastante sugestivas e com a capacidade de nos fazer divagar sobre a paixão, o amor e outros psicoativos sentimentais indispensáveis à nossa existência.

Tudo começou há alguns anos com o multi-instrumentista John Davis e o seu amigo Brandon Fisher, os grandes responsáveis pela conceção de Sisyphus Says (2014) o disco de estreia destes The Lees Of Memory, onde também participou o baterista Nick Slack. Produzido por Nick Raskulinecz, esse trabalho viu a luz do dia à boleia da SideOneDummy Records, teve direito a edição em cassete patrocinada pela Burger Records e colocou logo alguma crítica atenta em sentido. Agora, dois anos depois, novamente com a ajuda inestimável de Raskulinecz e do produtor e engenheiro de som Mike Purcell, Unnecessary Evil amplia as fronteiras sonoras de uns The Lees Of Memory decididamente apostados em oferecer um indie rock luminoso e acessível, onde não falta uma vibe psicadélica assertiva e uma curiosa crueza vintage, que dão vida a canções dominadas por guitarras com linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso.

Este som mais cru e ruidoso, fica logo plasmado em Any Way But Down, uma porta de entrada para um alinhamento que repete até à exaustão todos os atributos, que este tema contém, numa banda que também se consegue mover confortavelmente por territórios mais acústicos, como se pode escutar em The End Of The Day, ou Look Away, duas lindíssimas baladas e exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo deste grupo. Mas o que realmente sobressai durante a audição integral do trabalho é a perceção clara que os The Lees Of Memory optaram por ligar a sua faceta elétrica a pleno gás, obtendo em No Power, por exemplo, um balanço delicado entre o quase pop e o rock mais ruidoso e progressivo e sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que costuma definir as suas composições. Os quase três minutos do tema homónimo, canção que se sustenta num arranjo de cordas alto e um riff de guitarra bastante elétrico, a fazer lembrar alguns dos melhores instantes de A Ghost Is Born, um clássico dos Wilco, são a expressão máxima, em Unnecessary Evil, da boa forma deste grupo e da capacidade que os seus músicos têm de se agarrar a uma herança coletiva sem deixarem de se mostrar altivos, joviais, vibrantes e contemporâneos. E mesmo quando em Stay Down nos fazem recuar umas quatro décadas até aos primórdios do rock clássico, com a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, ou quando em Artificial Air nos oferecem um clima mais negro e próximo do grunge, os The Lees Of Memory deslumbram pelo à vontade com que, nessas várias inflexões, navegam nos meandros intrincados e sinuosos do indie rock mais progressivo e psicadélico.

A leveza contínua, o entusiasmo lírico, a atmosfera amável, apesar do fuzz constante e o clima geral luminoso, enérgico e algo frenético de Unnecessary Evil, são os principais indicadores de um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda que quer tornar-se protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...

The Lees Of Memory - Unnecessary Evil

01. Any Way But Down
02. No Power
03. XLII
04. Stay Down
05. Just For A Moment
06. Unnecessary Evil
07. Artificial Air
08. The End Of The Day
09. Squared Up
10. Look Away

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publicado por stipe07 às 14:49






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