Domingo, 31 de Julho de 2016

Helado Negro - Runaround

Helado Negro - Runaround

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos e que vai lançar, já a seis de outubro, Private Energy, o seu quinto longa duração. Runaround é o mais avanço divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade.

Private Energy será mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco em que Lange irá ampliar as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar, em catorze canções, uma multiplicidade de referências sonoras, contando, desta vez, com o contibuto visual e artístico, nomeadamente em palco, do coletivo Tinsel Mammal, um grupo de dançarinos com vestes prateadas e que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro. Confere...


autor stipe07 às 16:57
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

Weaves - Weaves

Jasmyn Burke (voz), Morgan Waters (guitarra), Zach Bines (baixo) e Spencer Cole (bateria), são os Weaves, um quarteto canadiano natural de Toronto, que depois de um excelente ep lançado há dois anos acaba de se estrear nos discos, de modo bastante promissor, com Weaves, onze canções abrigadas pela Kanine Records e que em pouco mais de meia hora cruzam os fundamentos do indie rock com alguns dos aspetos mais contemporâneos desse género sonoro, num resultado final que tem tanto de acessível como de inédito, criativo e agradavelmente refrescante e único.

No fuzz e no curioso efeito abrasivo da guitarra de Tick e, nesse mesmo tema, no baixo que marca a cadência das mudanças de ritmo de uma bateria frenética e numa voz que balança entre o lamento e vigoroso impulso, fica desde logo percetível que estes Weaves são audaciosos e vanguardistas, mas também não descuram uma vertente mais comercial, que melodicamente seja atrativa e possa fazê-los atingir uma apreciável franja de público mais jovem e que goste de sonoridades efusivas, viscerais e festivas. Se Birds & Bees e Candy contêm esse apelo pretensioso de conseguir usar o ruído como algo aditivo e dançável, já Shithole, por exemplo, tem um cariz mais sério e maduro, sem deixar de soar de modo refrescante e simultaneamente vintage, com os Pixies a serem uma referência marcante e óbvia, algo que a mais intimista e subtil Eagle também demonstra, assim como, na mesma toada, o clima mais sensual e desconcertante de Two Oceans.

Estes Weaves são assim, imprevisíveis, salutarmente impulsivos e animados e algo pervertidos até, sem deixarem de exalar uma atraente inocência e até um inusitado experimentalismo, expresso no arrojo de Coo Coo e Sentence e particularente reflexivo em Stress. Conduzidos por guitarras inspiradas, uma sapiência melódica invulgar e um irresistível travo festivo, apresentam-se humildemente ao grande público sem um denecessário glamour ou uma insípida limpidez sonora, mas antes com toda a honestidade que é possível existir no seio de uma banda de indie rock que quer apenas e só, como claramente se percebe, servir-se da música para celebrar um presente colorido, como se não houvesse amanhã. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tick
02. Birds & Bees
03. Candy
04. Shithole
05. Eagle
06. Two Oceans
07. Human
08. Coo Coo
09. Sentence
10. One More
11. Stress


autor stipe07 às 12:03
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Sábado, 23 de Julho de 2016

Melt Yourself Down - Last Evenings On Earth

Depois de um homónimo lançado em 2013, os britânicos Melt Yourself Down de Kushal Gaya estão de regresso com mais uma incandescente e festiva dose de afrobeat, à boleia de Last Evenings On Earth, nove canções que viram a luz do dia em abril com a chancela da The Leaf Label e que se debruçam sobre o contínuo apocalipse que o mundo vive, principalmente desde o início do século passado, feito de guerras, doenças, uma desenfreada corrida às armas e, principalmente, um choque civilizacional que cava um fosso cada vez maior entre uma pequena casta de privilegiados e o resto da humanidade, muito nela ainda a viver de modo desumano e em absoluta pobreza.

Percorrer o sinuoso e labiríntico alinhamento de Last Evenings On Earth é nunca saber o que está um pouco mais à frente ou do outro lado da esquina, que se apresenta na forma melódica menos esperada. Batidas orgânicas são subitamente trespassadas por teclados, particularmente impressivos na monumentalidade de Jump The Fire e os sopros estão sempre presentes, com canções como The God Of You, a ébria Listen Out, ou o punk aparentemente descontrolado de Communication a criarem um falso clima de festa. É que, se por um lado o corpo é continuamente convidado à dança despreocupada e enérgica, também não há como ficar indiferente ao conteúdo incisivo da escrita destas canções onde a virulância da morte e das doenças e o sortilégio da guerra são áreas vocabulares continuamente presentes e transversais.

Melt Yourself Down é um compêndio muito próprio e sui generis, que numa mescla do referido afrobeat com alguns dos melhores detalhes do jazz atual, que comporta cada vez mais e sem aparente pudor alguns artifícios eletrónicos e do próprio indie rock, exemplarmente expresso no fuzz da guitarra de Bharat Mata, nos oferece um verdadeiro caldeirão sonoro nada ingénuo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:28
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2016

TTNG - Disappointment Island

Já se chamaram This Town Needs Guns, agora são apenas os TTNG e são um trio britânico formado por Tim Collis, Chris Collis, Henry Tremain e de regresso aos discos com Disappointment Island, um disco lançado a oito de julho à sombra da Sargent House e o terceiro tomo da carreira de um grupo que se estreou em fevereiro de 2009 com Animals.

Apesar do nome do disco poder antever que nos espera um alinhamento de canções com um cariz sombrio e pessimista, a verdade é que Disappointment Island é um festim de indie rock, luminoso e descomprometido, pouco mais de quarenta minutos frenéticos e com uma sonoridade que encaixa eficazmente nestes dias quentes e convidativos.

Estes TTNG, apesar de ser oriundos de um país que não é particularmente conhecido pelas horas de sol de que usufrui anualmente e de cultivar um orgulhoso isolamento que vinca caraterísticas muito próprias e que acabam por extravasar para o campo musical, acabam por encontrar a sua matriz sonora identitária num universo algo díspar e mais abrangente e global. Como se percebe logo em Coconut Crab, estas canções sobrevivem alicerçadas naquele indie rock feito com guitarras plenas de riffs virtuosos e com uma sonoridade algo étnica e uma bateria que implora por constantes variações rítmicas e alterações de cadência, exemplarmente tocada em Consoling Ghosts. Depois, para rematar e compôr a filosofia sonora, surge a voz de Henry a funcionar como um agente pacificador de todos estes elementos e a ser um elemento chave para aquela aúrea tranquila e algo relaxada que este espetro sonoro geralmente exala. In Praise Of Idleness e Whatever Whenever traduzem bem este espírito virtuoso e acelerado, que num limbo entre a saborosa contemplação de Bliss Guest e o abanar de ancas de Destroy The Tabernacle, convida permanentemente à dança e à permanência fora de horas numa qualquer praia sem espaços vazios e pontos escuros ou de acesso duvidoso. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:00
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

Day Wave - Hard To Read EP

day wave

Natural de Oakland, o norte americano Jackson Phillips, que assina a sua música como Day Wave, está de regresso com Hard To Read, o seu segundo EP lançado em formato digital, o sucessor de Headcase, o primeiro tomo do músico e que o colocou logo nos radares da crítica mais atenta.

Com a melhor dream pop na mira, Phillips tomou as rédeas de todo o trabalho envolvido na gravação destas suas novas cinco canções, desde a mistura à produção, passando pela própria gravação. O resultado é um alinhamento de temas vibrantes, com Gone, o primeiro single retirado de Hard To Read, a impressionar pela linha melódica sintetizada vibrante e pelo modo como um estrondoso baixo e a bateria a ela se juntam para depois abrirem as mãos para uma linha de guitarra insinuante. É uma canção que parece querer forçar o ouvinte a deixar, nem que seja por breves instantes, tudo e todos para trás, rumo aquela luz que está sempre ali, mas que nunca temos coragem de perscutar.

O rock emotivo do tema homónimo, a atmosfera catárquica de Stuck e o clima sonhador de You são mais três belos momentos destes dezoito minutos que sabem aquela brisa quente e aconchegante que entra pela nossa janela nestas convidativas noites de verão. Day Wave pode gabar-se de ser capaz de mostrar uma invulgar intensidade emocional na sua escrita e de poder ser já caraterizado como um artista possuidor não só dessa importante valência mas também de um tímbre vocal único, uma postura confiante e exímio intérprete de guitarras angulares, acompanhadas por sintetizadores luminosos e um baixo geralmente imponente, as suas principais matrizes identitárias. Ele exala uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...

Day Wave - Hard To Read

01. Gone
02. Stuck
03. Deadbeat Girl
04. Hard To Read
05. You


autor stipe07 às 15:23
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Dinosaur Jr. – Give A Glimpse Of What Yer Not

2016 está a ser um ano profícuo no que diz respeito à música e ficará invariavelmente na história por marcar o regresso aos discos dos míticos Dinosaur Jr. de J Mascis, Lou Barlow e Murph aos discos. Recordo que o trio gravou três álbuns nos anos oitenta e surpreenderam-nos a todos quando se reuniram novamente já neste século, há pouco mais de uma década, tendo editado desde então Beyond (2007), Farm (2009) e I Bet On Sky (2012).  Agora, onze anos depois desse recomeço, chega aos escaparates Give A Glimpse Of What Yer Not, sendo curioso constatar que uma das bandas essenciais do rock alternativo de final do século passado tenha já mais discos editado no século XXI do que nessa fase inicial da carreira.

Tendo visto a luz do dia à boleia da conceituada Jagjaguwar, Give A Glimpse Of What Yer Not contém doze canções que, celebrando trinta anos de carreira deste projeto único, oferecem aos nossos ouvidos uma já esperada toada revivalista, protagonizada por uma banda em grande forma e com todas as suas marcas identitárias intactas e consentâneas com toda a herança que carregam. Assim, e como se percebe logo nas festivas Going Down e Tiny, o busílis instrumental concentra-se, naturalmente, em guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que atestam o habitual excelente humor e positivismo destes três músicos, mesmo quando em Be A Part e Lost All Day se mostram ligeiramente soturnos e intimistas e mais progressivos e sombrios em I Walk For Miles.

Com nove das canções a terem sido escritas por J Mascis e as outras duas por Lou Barlow, as amáveis Love Is...Left/Right, duas composições que personificam um pouco a personalidade de um músico que dos Sebadoth ao seu projeto a solo sempre procurou um balanço delicado entre o quase pop e o rock mais ruidoso, Give A Glimpse Of What Yer Not é um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimos temas, mas também porque reforça o traço de honestidade de uma banda que é protagonista cimeira no universo sonoro em que se move. Numa América onde se prime o gatilho com uma incrível facilidade e com toda a insanidade que prolifera por este mundo fora nos dias de hoje e num verão particularmente turbulento e agitado, é bom poder contar com este refúgio sonoro tão refrescante e ligeiro e, ao mesmo tempo, preenchido com canções cheias de significado, têmpera e entusiasmo. Espero que aprecies a sugestão...

Dinosaur Jr. - Give A Glimpse Of What Yer Not (2016)

01. Goin Down
02. Tiny
03. Be A Part
04. I Told Everyone
05. Love Is…
06. Good To Know
07. I Walk For Miles
08. Lost All Day
09. Knocked Around
10. Mirror
11. Left/Right


autor stipe07 às 17:51
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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

FAWNN – Ultimate Oceans

Ferndale, nos arredores de Detroit, no Michigan, é o poiso dos FAWNN, uma banda formada por Alicia Gbur, Christian Doble, Matt Rickle e Mike Spence e que aposta na opulência e na majestosidade sonoras, como permissas fundamentais do seu cardápio sonoro, recentemente atualizado com Ultimate Oceans, o quarto álbum da carreira do grupo, onze canções que viram a luz do dia o início deste verão à boleia da Quite Scientific Records.

Ultimate Oceans é uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia da pop, do rock experimental, do grunge e do punk rock, uma multiplicidade de géneros e estilos que, entrocando no ramo comum do rock alternativo, encontram nas guitarras o seu grande referencial instrumental. Assim, se temas como Galaxies e Master Blaster são um piscar de olhos objetivo ao rock mais melódico e pulsante, já o baixo, as variações ritmícas e o fuzz da guitarra de Secret Omnivore piscam o olho a ambientes mais experimentais, com o clima soturno de Nosebleed a conter algumas marcas identitárias do típico som americano de final do século passado.

Traçado logo até à terceira música o cenário deste Ultimate Oceans e da cartilha sonora destes FAWNN, percebe-se que conhecedores profundos e claramente marcados por uma sonoridade que é muito própria de uma América que sabe como condensar diferentes estilos, não faltando até um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi nesta música, numa espécie de space rock que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem em Survive, por exemplo, a própria pop adocicada e intimista na mira. Os Breeders, os My Bloody Valentine e, mais recentemente, os próprios Surfer Blood, podem ser para aqui chamados como referenciais incontornáveis, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama que prova que os FAWNN estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

Num alinhamento que avança permitindo às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora da banda que as criou, Ultimate Oceans é pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Espero que aprecies a sugestão...

FAWNN - Ultimate Oceans

01. Galaxies
02. Secret Omnivore
03. Nosebleed
04. Shadow Love
05. Dream Delivery
06. Master Blaster
07. Survive
08. Phantom Phantasy
09. Red Moon
10. Watching You…
11. Pixel Fire
12. Galaxies (Remix)
13. Shadow Love (Remix)
14. Red Moon (Remix)
15. Pixel Fire (Remix)


autor stipe07 às 17:22
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2016

Wilco - Locator

Wilco - Locator

Exatamente um ano após a surpreendente edição do excelente Star Wars, os norte americanos Wilco de Jeff Tweedy, ofereceram uma nova canção, de modo a celebrar a efeméride. Disponível aqui em troca do teu endereço de email, Locator teria cabido no alinhamento de Star Wars, pela excelência de um folk noise algo cru e minimal e que contém aquele balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, sem nunca descurar a particularidade fortemente melódica que costuma definir as composições desta banda de Chicago. Confere...


autor stipe07 às 18:54
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Sábado, 16 de Julho de 2016

The Lees Of Memory – Unnecessary Evil

Há algo no típico indie rock norte americano de inédito, genuíno e único, detalhes impressos à velocidade de um timbre de distorção da guitarra que é inigualável, bastando cinco segundos da audição da mesma para se perceber a origem de determinadas bandas e projetos. Uma demanda que terá começado na década de oitenta com os R.E.M. e que nomes como os Wilco, The New Pornographers, Foo Fighters, Yo La Tengo ou Stereolab, entre outros, têm sabido preservar e que serve de inspiração aos The Lees Of Memory, banda que acaba de editar, Unnecessary Evil, o segundo disco da carreira, dez canções bastante sugestivas e com a capacidade de nos fazer divagar sobre a paixão, o amor e outros psicoativos sentimentais indispensáveis à nossa existência.

Tudo começou há alguns anos com o multi-instrumentista John Davis e o seu amigo Brandon Fisher, os grandes responsáveis pela conceção de Sisyphus Says (2014) o disco de estreia destes The Lees Of Memory, onde também participou o baterista Nick Slack. Produzido por Nick Raskulinecz, esse trabalho viu a luz do dia à boleia da SideOneDummy Records, teve direito a edição em cassete patrocinada pela Burger Records e colocou logo alguma crítica atenta em sentido. Agora, dois anos depois, novamente com a ajuda inestimável de Raskulinecz e do produtor e engenheiro de som Mike Purcell, Unnecessary Evil amplia as fronteiras sonoras de uns The Lees Of Memory decididamente apostados em oferecer um indie rock luminoso e acessível, onde não falta uma vibe psicadélica assertiva e uma curiosa crueza vintage, que dão vida a canções dominadas por guitarras com linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso.

Este som mais cru e ruidoso, fica logo plasmado em Any Way But Down, uma porta de entrada para um alinhamento que repete até à exaustão todos os atributos, que este tema contém, numa banda que também se consegue mover confortavelmente por territórios mais acústicos, como se pode escutar em The End Of The Day, ou Look Away, duas lindíssimas baladas e exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo deste grupo. Mas o que realmente sobressai durante a audição integral do trabalho é a perceção clara que os The Lees Of Memory optaram por ligar a sua faceta elétrica a pleno gás, obtendo em No Power, por exemplo, um balanço delicado entre o quase pop e o rock mais ruidoso e progressivo e sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que costuma definir as suas composições. Os quase três minutos do tema homónimo, canção que se sustenta num arranjo de cordas alto e um riff de guitarra bastante elétrico, a fazer lembrar alguns dos melhores instantes de A Ghost Is Born, um clássico dos Wilco, são a expressão máxima, em Unnecessary Evil, da boa forma deste grupo e da capacidade que os seus músicos têm de se agarrar a uma herança coletiva sem deixarem de se mostrar altivos, joviais, vibrantes e contemporâneos. E mesmo quando em Stay Down nos fazem recuar umas quatro décadas até aos primórdios do rock clássico, com a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, ou quando em Artificial Air nos oferecem um clima mais negro e próximo do grunge, os The Lees Of Memory deslumbram pelo à vontade com que, nessas várias inflexões, navegam nos meandros intrincados e sinuosos do indie rock mais progressivo e psicadélico.

A leveza contínua, o entusiasmo lírico, a atmosfera amável, apesar do fuzz constante e o clima geral luminoso, enérgico e algo frenético de Unnecessary Evil, são os principais indicadores de um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que reforça o traço de honestidade de uma banda que quer tornar-se protagonista no universo sonoro em que se move. Espero que aprecies a sugestão...

The Lees Of Memory - Unnecessary Evil

01. Any Way But Down
02. No Power
03. XLII
04. Stay Down
05. Just For A Moment
06. Unnecessary Evil
07. Artificial Air
08. The End Of The Day
09. Squared Up
10. Look Away


autor stipe07 às 14:49
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

Graham Candy – Plan A

Graham Candy é um ator e compositor que nasceu nos antípodas, na Nova Zelândia, cresceu em Auckland, onde estudou música, dança e teatro, mas tem o seu quartel general atualmente montado na Alemanha, onde vive desde 2013. Começou por dar nas vistas ofercendo a sua voz a algumas composições do conceituado DJ alemão Allen Ferben, nomeadamente no tema She Moves, que ganhou projeção internacional, o que fez com que colaborasse também, e mais recentemente, com Parov Stelar e o DJ Robin Schulz. Depois de um EP editado o ano passado, Plan A é o seu disco de estreia, doze canções editadas no início de maio e que impressionam não só por causa do falsete adocicado de um timbre vocal único, mas também devido a uma feliz amálgama sonora que coloca em primeiro plano uma indie pop bastante acessível e intensa, onde pianos e sintetizadores ditam a sua lei.

As canções de Plan A são um passeio pelas influências de Graham e pela sua capacidade inventiva na hora de usar essas referências para criar. Espalhada pelo álbum há muito da energia que nomes como Gnarls Barkley ou, numa direção oposta, Sufjan Stevens e até Mika, nos foram deixando na primeira década deste século, com o piano de Home e a batida adornada de efeitos de Glowing In The Dark, a plasmarem essas heranças diretas da pop e das novas tendências de uma eletrónica cada vez mais abrangente e que tem sempre as pistas de dança na mira. Os próprios samples que introduzem o groove da batida plena de soul de 90 Degrees são uma excelente amostra desse piscar de olhos objetivo à bola de espelhos, uma filosofia sonora constante num alinhamento ruidoso, mas luminoso, cheio de ganchos, improvisos e colagens, que nasceram, certamente, num processo de gravação rápido e divertido e onde é evidente um processo de mistura e produção bastante inspirado e feliz, que tem como ponto alto a visceralidade e as pujança de Back Into It, uma daquelas canções que clama por punhos cerrados e uma elevada dose de testosterona, à medida que a batida nos aprisiona sem dó nem piedade. 

Claramente talentoso, com uma enorme soul na alma e comparável a alguns virtuosos clássicos da pop e do próprio R&B, exemplarmente homenageados em Kings And Queens, logo na estreia Graham Candy grita e afirma quer o seu lado mais clássico, quer a sua definitiva obsessão por uma superior e ímpar grandiosidade instrumental, onde não faltam saxofones e trompetes, além de uma percussão imponente, detalhes que dão a este excelente álbum uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais alegres e bem dispostos da mente deste excelente autor. Espero que aprecies a sugestão...

Graham Candy - Plan A

01. Home
02. Glowing In The Dark
03. 90 Degrees
04. Back Into It
05. My Wellington
06. Kings And Queens
07. Travellers Lovers
08. Heart Of Gold
09. Little Love
10. Paid A Nickel
11. Broken Heart
12. Memphis


autor stipe07 às 17:18
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

The High Violets – Heroes And Halos

Oriundos de Portland, no Oregon e nascidos das cinzas dos míticos The Bella Low, os norte americanos The High Violets são um quarteto formado por Clint Sargent, Kaitlyn ni Donovan, Luke Strahota e Colin Sheridan. Editaram já este ano Heroes And Halos, o quinto registo do grupo, uma coleção de dez canções que da pop ao shoegaze, passando pelo rock experimental, viram a luz do dia à boleia da Saint Marie Records.

É num indisfarçável cruzamento explícito entre esplendor, majestosidade, epicidade e intimidade que deambulam as guitarras planantes de How I Love (Everything About You), canção que abre o alinhamento de Heroes And Halos e nos coloca frente a frente com um rock adocicado, intenso e convidativo, uma sonoridade que tanto cabe na amplitude de um estádio imenso como, em simultâneo, e se percebe nas cordas de Dum Dum, serve para uma introspeção serena, com Long Last Night a ser uma daquelas canções que crescem em arrojo e emoção, mostrando-se desafiante no modo como nos envolve.

Depois, o groove algo sinistro de Longitude, o beijo intenso que nos é proporcionado por Ease On e finalmente, no epílogo, a crueza acústica orgânica mas sentida de Heart In Our Throats, atestam o elevado grau de assertividade melódica e instrumental de uma banda intensa e que compôe música de forte cariz sensorial, já que sabe carregar nos botões certos das nossas emoções, oferecendo-nos um disco perfeito para ser escutado naquelas manhãs difíceis, em que a noite foi longa e agitada, mas onde existe um sopro que nos permite voltar a respirar com o ritmo e a cadência certas, para ser possível olhar o novo dia com uma renovada pujança e a certeza de que os mesmos podem ser sempre cada vez melhores. Espero que aprecies a sugestão...

The High Violets - Heroes And Halos

01. How I Love (Everything About You)
02. Dum Dum
03. Long Last Night
04. Break A Heart
05. Bells
06. Heroes And Halos
07. Longitude
08. Ease On
09. Comfort In Light
10. Hearts In Our Throats

 


autor stipe07 às 21:50
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2016

Crescendo – Unless

Lançado no final do último inverno, Unless é o segundo trabalho dos Crescendo, um trio norte americano oriundo de Los Angeles, concebido por Gregory Cole, o mentor do projeto, ao qual se juntaram Olive Kimoto e Jess Krichelle. O grupo estreou-se em 2014 com o aclamado Lost Thoughts, uma coleção de canções escritas por Gregory e que se debruçavam sobre alguém que estava apaixonado e vivia dentro de uma pintura a óleo famosa e este Unless reforça este espírito imaginário bastante romântico, caloroso e apelativo de uns Crescendo que se servem de algumas das melhores armas do shoegaze e da dream pop para nos fazerem mergulhar num universo bastante impressionista, mágico, etéreo e espacial, também.

Estas doze canções incluídas em Unless são, sem reservas ou pudores, eficazes na transmissão de sentimentos e ações onde a materialização do aparentemente impossível é apenas uma consequência óbvia da espontaneidade de quem se deixa conduzir pelo desejo e pelos sonhos. O código morse de Intro que antecede e depois intercala o pulsar inquietante e majestoso de Repulsor serve para nos explicar que este é um alinhamento que tem o intuíto claro de comunicar com o ouvinte e deixar uma mensagem específica, mas que para a mesma seja entendida é essencial que haja predisposição para a assimilação sem reservas da linguagem muito própria que expôe estes Crescendo.

Daí em diante, uma voz em permanente eco e quase impercetível, guitarras carregadas de loops enleantes e distorções rugosas, particularmente impressivas em Tell, principalmente quando flutuam por cima de um baixo encorpado e uma bateria quase sempre num registo rítmico frenético, são o receituário de uns Crescendo que em Last e em Said não deixam de piscar os dois olhos, praticamente em simultâneo, ao krautrock e que em Pressure, um tema que conta com a participação especial de Frankie A. Soto, mostram todo a nuvem ciclópica e catalisadora que envolve um som genuíno e muito peculiar onde, num misto de ingenuidade, impulsividade, esperança e resiliência, contam as suas histórias e cabem todos os nossos sonhos, mesmo os mais inquietantes. Os quase três minutos de Softly são um daqueles elixires psicotrópicos que tomando conta de nós, tornam-nos num herói incrivelmente sedutor, capaz de guiar ao éden quem se deixar arrebatar por si. Espero que aprecies a sugestão...

Crescendo - Unless

01. Intro
02. Repulsor
03. Tell
04. Last
05. Haunted
06. Said
07. The Morning Sonata
08. Space Cadett
09. Pressure (Feat. Frankie Soto)
10. Transformer
11. Yet
12. Softly


autor stipe07 às 18:35
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Marvel Lima - Fever (Vídeo)

Depois de em 2014 terem surpreendido a mais atenta crítica nacional com Mi Vida, canção que seria o primeiro avanço para o disco de estreia, que parece que irá ver, finalmente, a luz do dia, lá para setembro, à boleia da editora pontiaq, os alentejanos Marvel Lima acabam de divulgar uma nova prova sonora, que comprova ser este um projeto a ter claramente em conta no panorama indie e alternativo nacional.

Esse sinal dado por este quinteto oriundo de Beja, intitula-se Fever, um tema que encontra a sua alma e pujança numa mistura de indie pop e indie rock com o punk e o post rock, sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, um cocktail ampliado por uma elevada dose de emoção, arrojo e amplitude progressiva que, conforme indica o press release do lançamento, també conta comum forte tempêro mediterrâneo e uma assumida influência latina

Divulgado já há algumas semanas neste blogue, Fever volta à ordem do dia devido ao vídeo da canção, recentemente divulgado. O filme aposta numa abordagem sensual e distorcida à esquizofrenia, tendo sido realizado/editado por Diogo Vargas com ilustrações de Carolina Arbués Moreira e com a participação de todos os membros da banda.Confere...


autor stipe07 às 18:08
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

Bat For Lashes – The Bride

Foi já em fevereiro que com a ternurenta simplicidade de I Do, o primeiro tema divulgado por Natasha Khan de The Bride, o novo  e quarto registo de originais do projeto Bat For Lashes, percebemos, quase sem hesitação, o ideário estético da nova coleção de canções de um extraordinário projeto que esta artista, cantora e compositora britânica, oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há praticamente uma década.

Essa canção e um lindíssimo para de sapatos vermelho, publicado na página de Facebook da autora, juntamente com um convite de casamento, deram o mote e o conteúdo não defrauda quem aguardava com elevadas expetativas este The Bride. Co-produzido por Ben Christophers e Dan Carey, Simon Felice e Head, este disco conta, de acordo com o press release do lançamento, a história de uma mulher cujo noivo morreu num acidente a caminho da igreja no dia do seu casamento. A noiva foge e parte em lua de mel sozinha, resultando numa numa sombria meditação sobre amor, perda, sofrimento, e celebração, uma sucessão de eventos contada por uma das mais belas vozes da música atual, principalmente no modo como aborda e amplia a sentimentalidade que pode ser extraída, como é hábito, de cada nota e cada acorde destes Bat For Lashes.

Natasha é exímia a penetrar no nossso âmago e tem um talento imenso no modo como nos consegue colocar na linha da frente de toda a traam que gira em redor das suas canções, que narram eventos que podem suceder com naturalidade a quem se entrega ao amor com convicção e procura, nesse sentimento, viver uma jornada emocional única e que faça do dia a dia um constante tesouro. Tendo em conta o contexto de The Bride, pode achar-se que é cruel e pessismista a panóplia de acontecimentos  que estas canções narram, mas se escutarmos atentamente a doce melancolia de Never Forgive The Angels ou Close Encouters percebemos que a redenção também faz parte dentro do conceito de perca e que a ideia de recomeço deve nortear sempre quem é desafiado pelas circunstâncias menos felizes da vida. I Will Never Love Again contém essa aparente contradição e If I Knew ensina-nos que se o destino nem sempre está nas nossas mãos, aquilo que semeamos é sempre aquilo que acabamos por colher, aconteça o que acontecer.

A dor pesa, a cegueira total é uma possibilidade perante tão nefasta realidade como a que norteia a lírica destas canções, mas Natasha, aguçando-nos com esse vírus, sabe como ensinar-nos a sermos fortes, duros, imprevisíveis e implacáveis perante a dor. Este disco é recomendado a todos aqueles que vivem felizes, acham que são felizes, mesmo que isso signifique um auto engano permanente e a quem julga que bateu no fundo de um poço e não vislumbra qualquer luz no seu topo. Espero que aprecies a sugestão... 

Bat For Lashes - The Bride

01. I Do
02. Joe+s Dream
03. In God’s House
04. Honeymooning Alone
05. Sunday Love
06. Never Forgive The Angels
07. Close Encounters
08. Widow’s Peak
09. Land’s End
10. If I Knew
11. I Will Love Again
12. In Your Bed
13. Clouds


autor stipe07 às 11:10
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2016

Ivy Moon - Prelude EP

Nascidos há dois anos em Santiago de Compostela, os Ivy Moon são um quarteto formado por Elba Souto, Inés Mirás, Pablo González e Alberto Rama e têm já um intenso percurso sonoro, apesar da curta existência. Estrearam-se logo no Brincadeira Festival (2014) e desde o seu nascimento percorreram já algumas das mais emblemáticas salas de espetáculos da Galiza; O La Fábrica de Chocolate (Vigo), Sala Garufa (Coruña), Sala Son, Sala Super 8, Sala Moon, Sala Sónar..., tendo também atuado em outros locais do país natal. Os Ivy Moon já têm dois EPs no seu cardápio, sendo o mais recente Prelude, cinco canções que olham para o indie rock alternativo de frente, com um leque alargado de influências que do grunge ao experimentalismo psicadélico, colocam sempre as guitarras na linha da frente da condução melódica, que não dispensa um charmoso pendor lo fi.

Os acordes iniciais de Buried By Ignorance são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Ivy Moon deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e em Hallocinogetic assumem mesmo uma faceta algo punk, esculpida com cordas ligas à eletricidade, que fazem desta canção um intenso e frenético instante sonoro, também bastante festivo.

Estes Ivy Moon transpiram uma exibição consciente de sapiência melódica, conseguindo nas cinco canções diversificar estilos, sem descurar o tronco comum que as une. Curls, por exemplo, seduz pelo dedilhar inicial da guitarra e surpreende, logo depois, pela distorção robusta, acompanhada de uma bateria que cresce e que amplia a emotividade do tema, para, logo depois, o clima mais cru e hipnótico de Addicted, nos oferecer, num imenso arsenal de arranjos e detalhes, um agregado sonoro rico em alguns dos melhores detalhes do rock alternativo de final do século passado.

Os Ivy Moon sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida, feita de cinco canções que são um evidente marco de libertação e de experimentação onde não terá havido apenas um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:14
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Terça-feira, 5 de Julho de 2016

Caveman – Otero War

Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e de um homónimo lançado dois anos depois, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Otero War, um registo lançado a dezassete de junho último, por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico rock norte americano, desta vez procurando recriar uma espécie de narrativa sci-fi, como exemplarmente ilustra também, além das doze canções, o artwork de Otero War, da autoria de ilustrador Marc Ericksen.

Tal como os dois discos antecessores, este terceiro alinhamento da carreira dos Caveman pode servir como exemplo do estado atual do indie rock nesta segunda década do século XXI. A exuberância da bateria e das guitarras e o modo como as teclas se entrelaçam nesse pulsar orgânico que se estabelece entre cordas e percussão, é um bom exemplo do modo como trinta anos depois dos gloriosos anos oitenta ainda é possível construir baladas pop, plenas de ritmo e intensidade e, simultaneamente, com aquela sensibilidade desarmante capaz de tocar no coração mais empedrenido. Os sintetizadores de Life Or Just Leaving e o modo como em dois ou três acordes apenas exaltam a mensagem otimista de Believe, reforçam o ideário comparativo acima descrito, agora num modo mais contemplativo e os efeitos que enfeitam o frenesim de On My Own são outro detalhe que atesta o modo assertivo como estes Caveman expressam todo um catálogo de sons e estratégias de composição melódica que consolidam o indie rock atual.

Apesar do nome da banda, estes Caveman não têm muito de cavernoso e obscuro. Mesmo quando em Project o baixo salta para a linha da frente e uma certa toada punk assalta o edifício sonoro da canção, isso serve apenas para reforçar o ecletismo e a abrangência de um disco com uma sonoridade bastante pop e acessível. As canções também se destacam pela voz de Matthew e o vigor da bateria de Stefan é outro trunfo essencial, como se percebe, por exemplo, na cadência de Human, mais uma composição que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje não deixa ainda, como se percebe neste Otero War, de ser um manancial de inspiração no momento de compôr. 

Numa época em que muitos críticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção essa crítica, assentando tal permissa não só na elevada qualidade da sua seleção instrumental, mas também numa habilidade lírica incomum e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.

Disco dominado essencialmente pelas guitarras, há em Otero War um notório amadurecimento na forma desta banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

Caveman - Otero War

01. Never Going Back
02. Life Or Just Living
03. On My Own
04. Project
05. Lean On You
06. The State Of Mind
07. 80 West
08. Human
09. Believe
10. Over The Hills
11. All My Life
12. I Need You In My Life


autor stipe07 às 22:20
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2016

Metronomy - Summer 08

Dois anos depois de Love Letters, os britânicos Metronomy de Joe Mount estão de regresso aos discos com Summer 08, um álbum que viu a luz do dia a um de julho à boleia de Because Music e que será, certamente, um dos acontecimentos musicais deste verão. Este é o quinto registo de originais de um coletivo que é já um dos nomes imprescindíveis da chamada indietrónica, um subgénero sonoro que mescla com mestria sintetizações e guitarras, sempre num clima festivo, com nomes como os Phoenix, os Hot Chip os os Holy Ghost! a serem outras referências obrigatórias neste espetro único.

Olhar para o âmago de Summer 08 e procurar dissecar o essencial do seu alinhamento, não é uma tarefa tão exaustiva como à primeira vista uma audição prévia destas dez canções poderá parecer que exige. Basta escutar com atenção Old Skool, canção que impressiona pelo clima retro proporcionado pelo funk da batida, um baixo bastante vigoroso e vários arranjos metálicos, para se ficar a par de tudo aquilo que orientou Joe Mount na concepção deste trabalho. Tais aspectos que conferem à referida canção uma curiosa mescla entre indie rock, eletrónica e hip-hop, numa espécie de fusão entre Daft Punk e Beastie Boys, impressão ampliada por um sintetizador que obedece a uma lógica sonora próxima do chamado discosound, particularmente efusiva e que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade, num ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança, é o eixo fundamental que atravessa todo o alinhamento, com as guitarras de Back Together a acentuarem ainda mais todo o clima nostálgico de um disco assumidamente retro, mas também contemporâneo e inovador.

As pistas de dança são já um alvo assumido dos Metronomy e cantar sobre toda a amálgama de sensações e, algumas vezes, complicações, que as relações amorosas suscitam, uma quase obsessão. Curiosamente, na minha opinião, são dois vetores que casam com acerto, já que em momentos da nossa existência em que nos sentimos mais sós e infelizes, são também aqueles instantes em que dançar acaba por ser um bom refúgio para afugentar certos fantasmas. Hang Me Up to Dry, tema que conta com a participação especial da sueca Robyn, é um excelente elíxir, um remédio para o nosso coração, enquanto os pés batem e as luzes piscam, sufocadas por uma melancolia que Mount sabe melhor que ninguém como narrar e que Night Owl exala por todos os poros.

Summer 08 chega no momento de melhor acerto da carreira deste grupo sedeado em Totnes. É um disco recheado de impressivas atmosferas musicais, que entre as pistas e o canto mais acolhedor do nosso refúgio preferido, nos impressiona pelo modo como arrebata o nosso coração e nos convida ao desabafo, através de mais um belo tratado de indie pop que enriquece imenso o cardápio sonoro dos Metronomy. Espero que aprecies a sugestão...

Metronomy - Summer 08

01. Back Together
02. Miami Logic
03. Old Skool
04. 16 Beat
05. Hang Me Out To Dry (With Robyn)
06. Mick Slow
07. My House
08. Night Owl
09. Love’s Not An Obstacle
10. Summer Jam


autor stipe07 às 22:00
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016

Miss Lava - Sonic Debris

Com o quartel general montado em Lisboa, J. Garcia, Johnny Lee, K. Raffah e Ricardo Ferreira são os Miss Lava, uma banda de regresso aos discos com Sonic Debris, dez canções lançadas à boleia da Small Stone Records, misturadas por Benny Grotto, masterizadas por Chris Goosman e produzidas por Fernando Matias e os próprios Miss Lava e que, de acordo com o press release do lançamento, plasmam uma viagem sónica com uma diversidade ainda não evidenciada antes pela banda e que os levou a projetar estilhaços sonoros distorcidos, asteroides psicadélicos e bestas obscuras.

Com uma carreira bastante profícua, algo a que não será alheio a forte camaradagem que une estes quatro irmãos, que fazem questão de partilhar o processo de composição melódica das suas canções, os Miss Lava chegam ao terceiro registo de originais na fase mais profícua carreira, oferecendo-nos um alinhamento que é inspirado no rock puro sangue, aditivo e psicadélico, com reminiscências na década de setenta. É um rock visceral, orgânico e intenso, que dispensando o uso de artifícios eletrónicos e não deixando de nas cordas da soul de In A Sonic Fire We Shall Burn espreitar ambientes mais intimistas e crus, com um louvável pendor atmosférico, impressiona, principalmente, pela epicidade de canções como Another Beast Is Born e, principalmente pelo fabuloso frenesim das guitarras e da bateria encorpada de I'm The Asteroid.

Além dos temas já citados, até ao ocaso deste registo, o baixo e a guitarra abrasiva de At The End Of The Light e os desvios rítmicos desta canção, o carrocel instrumental que sustenta os punhos cerrados que conduzem Symptomatic e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento blues de Pilgrims of Decay, atestam com superior magnificiência a espiral psicadélica que é este Sonic Debris, um álbum que nos suga para um abismo onde também cabem belos momentos com todo o potencial para chegarem a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas. Os Miss Lava merecem já, claramente, uma posição de relevo na esfera indie internacional. Espero que aprecies a sugestão...

Another Beast Is Born

The Silent Ghost Of Doom

I'm The Asteroid

In A Sonic Fire We Shall Burn

At The End Of The Light

In The Arms Of The Freaks

Symptomatic

Fangs Of Venom

Pilgrims Of Decay

Planet Darkness

 


autor stipe07 às 17:52
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