Sábado, 30 de Abril de 2016

Band Of Horses – Casual Party

Band Of Horses - Casual Party

É já em junho que chega aos escaparates Why Are You Ok, o novo disco dos norte americanos Band Of Horses, um trabalho produzido por Rick Rubin e sucessor do aclamado Mirage Rock, um álbum editado já em 2012.

Casual Party é o primeiro avanço divulgado de Why Are You Ok, uma canção com uma exuberância instrumental ímpar e um frenesim melódico bastante impressivo, que faz antever um trabalho cheio de interseções entre guitarras e sintetizadores, criadas por uns Band Of Horses que são já hoje um dos grupos mais respeitáveis do cenário rock do país natal e que chegam ao quinto disco a cimentar as referências sonoras que durante quase uma década têm sido essenciais para o grupo, sem aparente sinal de desgaste. Confere...


autor stipe07 às 14:06
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Ra Ra Riot – Need Your Light

Lançado a dezanove de fevereiro último através da Barsuk Records, Need Your Light é o mais recente registo discográfico dos norte americanos Ra Ra Riot de Milo Bonacci, Wes Miles, Mathieu Santos, Rebecca Zeller, Kenny Bernard e John Pike, uma banda oriunda de Siracusa, nos arredores de Nova Iorque e com mais de uma década de uma já respeitável carreira, que tem merecido cada vez maior atenção da crítica especializada, um efeito que este quarto longa duração do grupo irá certamente ampliar.

Produzido por Rostam Batmanglij e Ryan Hadlock, Need Your Light mantém os Ra Ra Riot no trilho de um indie rock bastante melódico e sentido, que agrega eficazmente guitarras e efeitos sintetizados, uma estratégia de composição simbiótica que se mantém intacta desde o extraordinário The Rhumb Line, o disco de estreia do grupo, editado em 2008.

Álbum após álbum, a concepção sonora dos Ra Ra Riot, parecendo algo estanque, já que a bitola é curta e, instrumentalmente, o grupo não costuma variar demasiado, não deixou que o grupo deixasse de conseguir ir inovando e de apresentar novas nuances, pois houve sempre a busca de uma recomendável versatilidade, principalmente ao nível da panóplia de arranjos e distorções das guitarras que foram sendo sugeridas. Assim, se o ambiente mais festivo de Beta Love, o antecessor deste Need Your Light, entroncou em alguns dos pilares essenciais da pop atual, agora é declaradamente assumido um piscar de olhos a territórios mais experimentais e progressivos, com as batidas e os sintetizadores de Water Call Me Out e o abraço nostálgico que nos é oferecido pelas guitarras de Absolutely e de Every Time I'm Ready To Hug, a destacarem-se num alinhamento que prima também pela versatilidade vocal, na demanda de um equilíbrio nem sempre fácil de obter entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes músicos em testar, sempre dentro da tal baliza, novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Os leitores mais atentos e conscientes da realidade musical e identitária dos Ra Ra Riot, ao escutarem a discografia da banda cronologicamente, acabarão por perceber que o conteúdo deste Need Your Light é, de certa forma, um passo lógico, na medida em que o próprio percurso anterior já tinha deixado algumas pistas sobre a vontade do grupo em apostar numa maior primazia dos sintetizadores, até porque estes nova iorquinos sempre provaram ser uma banda inquieta e que não repete a rigor a última rota que percorreu. Espero que aprecies a sugestão...

Ra Ra Riot - Need Your Light

01. Water
02. Absolutely
03. Foreign Lovers
04. I Need Your Light
05. Bad Times
06. Call Me Out
07. Instant Breakup
08. Every Time I’m Ready To Hug
09. Bouncy Castle
10. Suckers


autor stipe07 às 22:02
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

PJ Harvey - The Hope Six Demolition Project

Let England Shake (2011), o último registo de originais da britânica PJ Harvey, já tem, finalmente, sucessor. As onze canções que fazem parte do alinhamento de The Hope Six Demolition Project viram a luz do dia a quinze de abril à boleia da Island Records e marcam o regresso de PJ Harvey a territórios sonoros mais elétricos, crus e rugosos, um retorno que, quanto a mim, se saúda.

Nono disco da carreira de Pj Harvey, The Hope Six Demolition Project não pode ser analisado autonomamente relativamente ao antecessor Let England Shake, apesar da inflexão sonora acima referida, mais que não seja pela abordagem política das novas canções desta autora e que se basearam em alguns factos atuais, mas também outros que sucederam há um século, na primeira guerra mundial. O produtor Flood e o realizador Seamus Murphy tiveram uma importante palavra a dizer neste aspecto, com o resultado final a ser um interessante e contemprâneo retrato de uma Inglaterra cada vez mais cosmopolita e que vive atualmente em aparente contradição, já que não renega orgulhosamente só as suas raízes e tradições, ao mesmo tempo que pretende ser um baluarte e referência na integração de diferentes culturas e povos na sua sociedade.

Viagens a acampamentos de refugiados e a destinos tão díspares como Afeganistão, Kosovo ou Wasghington, fizeram parte do cardápio que inspirou The Hope Six Demolition Project, um álbum que é, claramente, um documentário sobre uma realidade que está na ordem do dia e sobre o qual PJ Harvey se debruça com particular emoção lirica e um arrojo e uma crueza sonora que já faziam falta no catálogo mais recente da autora. Na verdade, logo na imponência de The Community Of Hope, percebemos qual é o edifício sonoro que vai sustentar o disco, um agregado de influências que vão do rock cinematográfico de A Line In The Sand ao blues mais cru, exemplarmente expresso na sombria e seca Chain Of Keys e no ritmo de Orange Monkey, passando por alguns tiques da folk ancestral, audíveis em River Anacostia e do próprio punk e que a bateria marcial de Ministry of Defense amplia.

Álbum claramente interventivo, declaradamente político e avassalador no modo como espelha o mundo atual e alguns dos seus maiores flagelos, The Hope Six Demolition Project é um documento obrigatório para todos aqueles que apreciam PJ Harvey, mas também para quem só agora se predispõe a explorar o seu catálogo, não só porque comprova a boa forma de uma artista relevante, mas também porque prova como ela sabe honrar e preservar o seu espólio e acrescentar-lhe novos acertos e estéticas, com uma bitola qualitativa elevadíssima. Espero que aprecies a sugestão...

PJ Harvey - The Hope Six Demolition Project

01. The Community Of Hope
02. The Ministry Of Defence
03. A Line In The Sand
04. Chain Of Keys
05. River Anacostia
06. Near The Memorials To Vietnam And Lincoln
07. The Orange Monkey
08. Medicinals
09. The Ministry Of Social Affairs
10. The Wheel
11. Dollar, Dollar


autor stipe07 às 23:02
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Blueberries for Chemical - So Come And Go Let's Go!

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Com arraiais assentes em Penafiel e formados por Tiago Mota, Marcos Moreira, Filipe Mendes e Miguel Lopes, os Blueberries For Chemical andam por cá desde 2013 e já contam com algumas promissoras atuações ao vivo em carteira, que lhes conferem atualmente uma já sólida reputação no cenário musical alternativo local.

Como é natural, os Blueberries For Chemical pretendem dar-se a conhecer a um número cada vez maior de ouvintes e poderão muito bem consegui-lo à boleia de So Come And Go Let's Go!, uma canção que explora territórios sonoros que olham o sol radioso de frente e enfrentam-no com uma percussão vigorosa e compassada, o baixo e a guitarra sempre no limite do vermelho e com uma intensa vertente experimental, uma composição onde um rock com um espetro que pode ir do punk a territórios mais progressivos é dedilhado e eletrificado com particular mestria. Confere...

 


autor stipe07 às 22:56
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Mumblr - Microwave

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que irá ver a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. E Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirma esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Confere...


autor stipe07 às 22:03
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

We Are Scientists – Helter Seltzer

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos com Helter Seltzer, o quinto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Logo no trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter fica expressa a habitual boa disposição de uma banda que muitas vezes parece pedir para não ser levada demasiado a sério, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

A banda sonora destes We Are Scientists e de Helter Seltzer firma-se, pois, no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que em canções como Buckle ou a rugosa Classic Love se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor às composições.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de canções que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar, por isso, aproveitem bem o spotify abaixo e se a festa estiver divertida e onde quer que se encontrem, desde que este disco esteja a tocar e a cerveja esteja fresquinha é só avisar-me que se estiver nas redondezas irei ter convosco. Fico à espera de um convite e espero que aprecies a sugestão...

We Are Scientists - Helter Seltzer

01. Buckle
02. In My Head
03. Too Late
04. Hold On
05. We Need A Word
06. Want For Nothing
07. Classic Love
08. Waiting For You
09. Headlights
10. Forgiveness

 


autor stipe07 às 18:23
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016

Electric Man - Electric Man

Fundador, vocalista e guitarrista dos Gessicatrip, o lisboeta Tito Pires virou agulhas para uma carreira a solo, assinada com o nome Electric Man e o seu primeiro disco em nome próprio, um homónimo, viu a luz do dia nos primeiros dias de outubro do ano passado.

Independentemente do estado atual daquele indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte, com nomes com os Joy Division ou os Cure à cabeça, este género que também deve imenso a nomes como os The White Stripes, The Killers, The Strokes e, principalmente, aos Interpol, também tem seguidores por cá e que aplicam o interesse por esta fusão no seu processo de composição sonora. Este projeto Electric Man é um nome importante a reter e, logo na estreia, cimenta uma posição de relevo graças a dez canções que, de forma imaculada, nos levam numa viagem alicerçada em sons sintetizados inebriantes, mas também em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas e um baixo cheio daquele groove punk, com Tito Pires a colar todos estes elementos, através da bateria, com uma coerência exemplar.

O ritmo frenético de canções como Wonder Boy ou a épica Star Point, são excelentes exemplos do forte sentido de urgência que exala de Electric Man, mas também merece dedicação aquela sensualidade algo enigmátiva, mas nada figurativa, do dedilhar da guitarra e do registo vocal de Hot Break, assim como a fabulosa cover do clássico Something In The Way dos Nirvana, uma canção que na voz de Electric Man nos obriga a inspirar e a expirar ao ritmo da mesma até ao êxtase final, enquanto nos recorda aquele prazer tantas vezes difícil de descrever que este tema sempre provocou no nosso íntimo. No entanto, o grande destaque do disco vai para Enemy, quase quatro minutos vibrantes e hipnóticos, que assentam num indie rock rugoso mas épico, intenso e visceral, melodicamente bastante sedutor, um psicotrópico mental verdadeiramente eficaz e aditivo.

Sem rodeios, Electric Man é indie rock e pós punk sem falsos pressupostos, tem um valor natural e genuíno e não precisa de uma análise demasiado profunda para o percebermos, até porque um dos seus grandes atributos, enquanto disco, é não ser demasiado intrincado ou redundante no que concerne aos arranjos e ao arsenal instrumental de que se serve, algo que só demonstra a relevância do seu autor no universo indie nacional atual, uma prova evidente que Electric Man se estreia em grande, com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 12:52
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2016

Parquet Courts - Human Performance

Lançado a oito de abril por intermédio da Rough Trade Records, Human Performance é o novo registo de originais dos norte americanos Parquet Courts, uma banda nova iorquina formada pelos guitarristas Andrew Savage e Austin Brown, o baixista Sean Yeaton e o baterista Max Savage e um dos coletivos do universo indie e alternativo mais aclamados da última meia década, muito por culpa de canções que parecem viajar no tempo e que, disco após disco, vão amadurecendo numa simbiose certeira entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

Abrigados numa filosofia instrumental que nos remete facilmente, por exemplo, para a herança dos The Velvet Underground de John Cale, os Parquet Courts servem-se de arranjos sujos e guitarras desenfreadas, às vezes com uma forte índole psicadélica. Este detalhe também aproxima o grupo do lado do lado de cá do atlântico, até à herança de nomes como os Television ou os Talking Heads e até os britânicos Wire. Assim, chegam a Human Performance na fase mais madura da sua curta, mas já rica, carreira e com vontade de bater ensurdecedoramente às portas de um sucesso que materialize numa superior e merecida exposição a um número cada vez maior de ouvintes, já que este quarteto é, sem sombra de dúvidas, um dos coletivos mais excitantes e inovadores do espetro musical em que se movimenta.

Como não podia deixar de ser e tendo em conta os álbuns anteriores, nomeadamente o fabuloso Sunbathing Animal, trabalho que há dois anos tirou os Parquet Courts definitivamente das sombras, Human Performance é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das suas diferentes composições, sempre com o acompanhamento exemplar do baixo, mas é dado, desta vez, um maior relevo à vertente sintética, com Dust, logo na abertura do alinhamento, a cimentar esta nova nuance. Apesar de estar impecavelmente produzido, este é um registo que não deixa de soar a um daqueles trabalhos que parece ter sido gerado por artifícios caseiros de gravação, além de não descurar métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu o rock de finais dos anos setenta, até ao período aúreo do rock alternativo de final do século passado.

Savage continua a escrever canções para ouvir a qualquer hora do dia, sem que necessariamente seja preciso uma solução filosófica para desvendar os seus versos e entrega-se de forma mais incisiva à escrita, com temas como Steady On My Mind ou I Was Just Here a levarem-nos do tédio à euforia, respetivamente, num ápice, não faltando questões relacionadas com o amor (Captive Of The Sun) e sendo também possível visualizar histórias de vida comuns, através da audição de retratos honestos sobre pessoas, percetível em Two Dead Cops, ou sentimentos, bem vincados na ode explosiva de One Man, No City, que é bem capaz de se basear numa Nova Iorque cheia de gente algo inócua, mas que não deixa de ser honesta e de ter o seu encanto.

Independentemente de todas as referências nostálgicas e mais contemporâneas que Human Performance possa suscitar, este tomo de canções possibilita-nos apreciar uns Parquet Courts renovados, enérgicos e interventivos, que chegam a 2016 instalados no seu trabalho mais consistente e ousado, uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles e passos certos e firmes para um futuro que não deverá descurar um piscar de olhos a ambientes ainda mais experimentalistas, sem colocar em causa esta óbvia e feliz vontade de chegarem a cada vez mais ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Dust
02. Human Performance
03. Outside
04. I Was Just Here
05. Paraphrased
06. Captive Of The Sun
07. Steady On My Mind
08. On Man, No City
09. Berlin Got Blurry
10. Keep It Even
11. Two Dead Cops
12. Pathos Prairie
13. It’s Gonna Happen


autor stipe07 às 21:36
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2016

Bear Hands – You’ll Pay For This

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Bear Hands são Dylan Rau, Ted Feldman, Val Loper, TJ Orsche, uma banda norte americana que editou no último dia quinze e à boleia da Spensive Records, You'll Pay For This, o terceiro disco de uma carreira já com nove anos e que conseguiu cimentar-se numa posição de particular relevo graças ao excelente Distraction, o antecessor deste novo registo, que há pouco de dois anos chamou imenso a atenção junto da crítica especializada e também desta publicação.

Assim que comecei a escutar este disco achei logo que me soava a algo familiar e que seria um trabalho de fácil assimilação. Mas a verdade é que, poucos instantes depois, percebi que estava na presença de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo, mas também cheio de tiques caraterísticos do pop punk, do eletropop e do rock clássico dos anos oitenta, logo bem presentes nos efeitos, na distorção e no clima soturno e cru de I Won't Pay.

De facto, neste You'll Pay For This os Bear Hands demonstram uma interessante maturidade, quer como escritores de canções mas, principalmente, como criadores de melodias. Se o single 2AM destaca-se por um clima simultaneamente etéreo e majestoso, ampliado pela imponência vocal de Rau, que depois se vai repetir, mas num registo diferente, no curioso piscar de olhos ao hip hop em Déjà Vu, o grande momento de You'll Pay For This acaba por materializar-se na forma como em Like Me Like That esta postura vocal se mistura com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação, em simbiose com excelentes loops de guitarra e uma distorção rugosa altiva e visceral.

Se em apenas um tema do disco é possível aferir todos os melhores atributos que definem a forma atual destes Bear Hands, além das composições já referidas, não deve passar em claro a luminosidade melódica da intrigante Marathon Man, uma canção que assenta numa densa parede melódica claramente progressiva, assim como a otimista e sedutora Purpose Filled Life, um festim de cordas e efeitos que vão-se enleando e sobrepondo, encerrando da melhor forma um disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância a canções com um ritmo variado e que tanto sabem aquela urgência do rock dos anos oitenta, como às tendências mais atuais do indie rock que, nitidamente, aposta numa mescla de géneros e estilos sem regras ou convenções.

Hoje em dia, com a multiplicidade de propostas que diariamente chegam aos nossos ouvidos, frequentemente instala-se a confusão e são ténues as fronteiras entre aquilo que é indie ou pop, independentemente da fórmula ser eminentemente orgânica ou sintética. O foco acaba por se direcionar, no meu caso concreto, para a qualidade e para a capacidade que, independentemente do balizamento ou da rotulagem que esteja tentado a fazer, alguns discos têm de transmitir sensações, sejam elas rudes, sinceras, emotivas, simples ou intrincadas. Os Bear Hands são de difícil catalogação, talvez ainda estejam à procura do rumo certo mas, quanto a mim, são bons e serão grandes se optarem sempre por esta miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza You'll Pay For This. Espero que aprecies a sugestão...

Bear Hands - You'll Pay For This

01. I Won’t Pay
02. 2AM
03. Boss
04. Déjà Vu
05. Too Young
06. The Shallows
07. Like Me Like That
08. Chin Ups
09. Marathon Man
10. Winner’s Circle
11. I See You
12. Purpose Filled Life


autor stipe07 às 18:00
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Domingo, 17 de Abril de 2016

Happy Hollows - Way Home

Produzido por Lewis Pesacov nos estúdios Sunset Sound e masterizado por Mark Chalecki, Way Home é o mais recente tema divulgado pelos Happy Hollows, uma banda norte americana oriunda de Los Angeles, na Califórnia e formada por Sarah Negahdari, Charlie Mahoney, Matt Fry e Dan Marcellus.

A banda está prestes a entrar em digressão no próximo mês de maio com os consagrados Lucious e o cariz rugoso e elétrico, mas simultaneamente luminoso e efervescente desta canção bastante festiva, é uma excelente porta de entrada para um grupo que tem em Amethyst o seu último registo de originais, editado em 2013 e que parece ter finalmente sucessor. Confere...


autor stipe07 às 21:11
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2016

Yeasayer - Amen and Goodbye

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer se mantinham num silêncio que já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas esse compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, já tem finalmente sucessor, um álbum intitulado Amen and Goodbye, editado a um de abril através da insuspeita Mute e, como logo nos mostrou I Am Chemistry, o primeiro single divulgado das treze composições que constam do seu alinhamento, é um disco que reforça não só o caraterístico romantismo lisérgico do projeto, mas também consolida a veia instável e experimental de uns Yeasayer cada vez mais apostados em colocar as fichas todas numa pop de forte cariz eletrónico, mas bastante recomendável, principalmente no modo como se mistura com alguns dos aspetos mais relevantes do típico indie rock alternativo.

A exuberância e majestosidade não só do single acima referido, mas também do modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam em Silly Me e em Dead Sea Scrolls e, em oposição, o piano de Uma e a tonalidade mais rock e, também por isso, mais nostálgica, reflexiva e introvertida de Cold Night, o meu tema preferido do disco, oferecem-nos esta eficaz oscilação e simbiose entre os dois mundos sonoros onde os Yeasayer se movem, com cada vez maior mestria, criatividade, heterogeneidade, charme e bom gosto.

O registo vocal inédito de Chris Keating é já uma imagem de marca deste grupo nova iorquino e neste Amen and Goodbye oferece-nos alguns dos melhores instantes da sua interpretação nos Yeasayer, não só em I Am Chemistry, mas também no ênfase que dá a tons mais agudos em Gerson's Whistle e na emoção que transborda em Divine Simulacrum.

Neste Amen and Goodbye fica claro que os Yeasayer continuam a procurar um cada vez maior ecletismo e a tentar estabelecer um óbvio distanciamento relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes de Odd Blood (2010), por exemplo, a ideia é explorar territórios menos imediatos e emotivamente mais intrincados e abrangentes, até porque estes nova iorquinos já perceberam que as grandes bandas atingem elevados patamares quando não se abrigam permanentemente em fórmulas bem sucedidas, mas procuram reinventar-se e explorar outros campos musicais. Espero que aprecies a sugestão...

Yeasayer - Amen And Goodbye

01. Daughters Of Cain
02. I Am Chemistry
03. Silly Me
04. Half Asleep
05. Dead Sea Scrolls
06. Prophecy Gun
07. Computer Canticle 1
08. Divine Simulacrum
09. Child Prodigy
10. Gerson’s Whistle
11. Uma
12. Cold Night
13. Amen And Goodbye


autor stipe07 às 21:08
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

Woods – City Sun Eater In The River Of Light

Editado no passado dia oito de abril através da Woodsist, etiqueta da própria banda, City Sun Eater In The River Of Light é o nono tomo da carreira discográfica dos Woods, uma banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada pelo carismático cantor e compositor Jeremy Earl.

A carreira dos Woods impressiona pelo elevado ritmo de criação musical e publicação de discos, sempre com interessante conteúdo e novas nuances relativamente aos trabalhos antecessores, aparentes inflexões sonoras que o grupo vai propondo à medida que publica um novo alinhamento de canções. Mas, na verdade, tais laivos de inedetismo entroncam sempre num fio condutor que tem sido explorado até à exaustão e com particular sentido criativo, abarcando todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e a grande novidade deste City Sun Eater In The River Of Light é a existência de alguns tiques típicos do reggae e do jazz que conferem ao som da banda o tal inedetismo evolutivo e uma ligeireza e positivismo que merecem audição dedicada.

Logo nas guitarras e nos sopros de Sun City Creeps sente-se este clima mais caliente e efusivo, necessariamente experimentalista e, por isso, de certo modo mais intuitivo. O orgão de Can't See At All e, nesta composição, o cariz lo fi da mistura da componente instrumental com a voz, assim como o bongo e os sopros de The Take reforçam não só a impressão acima descrita, mas também todo esse charme noise que é tão caraterístico dos Woods e que se mantém intacto, até porque este novo tomo de canções também vale pela sua heterogeneidade. Todas as canções soam, claramente, ao perfil psicadélico dos autores, cimentado numa carreira de pouco mais de uma década particularmente profícua, mas valorizam-se ainda mais se forem escutadas individualmente, já que cada uma tem aquele aspeto que carimba o seu próprio encanto, dos quais destaco também o cariz algo delirante das cordas de Hollow Home ou o encanto melódico que sobressai na exuberante e majestosa Politics Of Free, um das melhores canções do já impressionante catálogo do grupo.

Estes Woods são, talvez, uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual, já que servem de uma receita extremamente assertiva e eficaz, que entre cordas, um baixo vibrante, um belo falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, reluz porque assenta num som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção. City Sun Eater River Of Light acaba por valer por tudo isto e, principalmente, pelo modo inspirado como nos oferece exemplares sonoros com um sugestivo pendor pop e que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido. Espero que aprecies a sugestão... 

Woods - City Sun Eater In The River Of Light

01. Sun City Creeps
02. Creature Comfort
03. Morning Light
04. Can’t See At All
05. Hang It On Your Wall
06. The Take
07. I See In The Dark
08. Politics Of Free
09. The Other Side
10. Hollow Home


autor stipe07 às 21:07
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Terça-feira, 12 de Abril de 2016

Benjamim - Volkswagen & Doc. Auto Rádio

Depois do Walter Benjamin, o Luis Nunes resolveu ser só Benjamim, escrever em português, montar arraiais na pacatez de Alvito, deixando Londres para trás e nessa linda vila alentejana montou um estúdio de gravação, por onde têm passado alguns músicos e projetos nacionais que têm merecido amplo destaque por cá, neste espaço de crítica e divulgação sonora.

(pic Gonçalo Pôla)

Benjamim também abriu as hostilidades em relação à sua nova carreira a solo e Auto Rádio, um dos melhores discos nacionais de 2015, foi o primeiro passo de um percurso cheio de anseios e expectativas e que até resultou numa espécie de Volta a Portugal, materializada numa sequência de concertos de norte a sul do nosso país, durante trinta e três dias seguidos e que, nas palavras do próprio Benjamim, foi a digressão mais extensa e intensa que já aconteceu em Portugal, tendo passado por festas populares, associações culturais, festivais, bares, esplanadas, no meio da rua, num castelo, coretos e tabernas onde o músico tocou para todos os tipos de público que se pode encontrar. Gonçalo Pôla, amigo do músico, encarregou-se do registo foto-videográfico desta empreitada e elaborou um diário de estrada, um documento visual e sonoro precioso, não só para a percepção mais nítida do conteúdo musical e conceptual de Auto Rádio, mas também como documento de estudo de uma outra realidade muitas vezes ignorada do universo dos concertos no nosso país e de como é possível conceber espectáculos de música nos locais mais inusitados.

Agora, na primavera de 2016, este documento visual terá direito a edição na forma de documentário, acompanhado pelo lançamento, em formato single, de Volkswagen, um dos destaques maiores do conteúdo sonoro de Auto Rádio e uma canção que, num abrir e fechar de olhos e do nostálgico ao glorioso, oferece-nos uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por um dos mestres nacionais de um estilo sonoro com nuances e características muito particulares. A antestreia deste documentário acontece a 20 de Maio no Cinema Ideal, em Lisboa. Confere...


autor stipe07 às 16:24
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Segunda-feira, 11 de Abril de 2016

Doug Tuttle – It Calls On Me

Rochester, no estado de New Hampshire, é o refúgio bucólico de Doug Tuttle, um extroardinário músico e cantautor norte americano, de regresso aos discos à boleia da Trouble In Mind Records, com It Calls On Me, uma deliciosa jornada sonora por algumas das paisagens mais significativas da indie pop contemporânea, abastecida por uma simbiose entre folk e psicadelia ímpar, devido ao modo como este compositor domina a guitarra e através dela plasma sentimentos e sensações ricos e com particular intensidade e emoção.

Incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comuns à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar, Doug Tuttle reflete, na sua música, o seu posicionamento relativamente ao mundo em que vive e vivemos, duas realidades diferentes, mas no seu caso paralelas, porque caminham a par e passo, não fosse este músico profundamente autobiográfico e auto reflexivo, servindo-se da música que cria para expiar os seus pecados mas também para comungar com o ouvinte os prazeres que experimenta.

É assim a música de Doug Tuttle, que em apenas vinte e oito minutos consegue ser rico nas descrições que nos faz, quer da sua existência quer do que observa. A jovialidade pop da guitarra e o fuzz que a complementa, em A Place For You, dá o mote para um alinhamento perfeito para quem procura música que inspire a desafiar o destino e a procurar novos sonhos e anseios que não se quer deixar de experimentar um dia. Depois, o frenesim empolgante de It Calls On Me, o tema homónimo, oferece-nos gratuitamente um exercício de aceitação plena de um estado de consciência sobre uma vida em constante rebuliço, mas constante no modo como lida com os diferentes sentimentos e emoções e assim abre um disco com canções que mostram esse Doug Tuttle reflexivo, mas também auto confiante.

Quase sem se dar por isso, as canções sucedem-se e se Make Good Time mostra o músico embarcado numa viagem lisérgica, patente na instrumentação e numa letra que rompe com propostas mais intimistas, apresentando-o cada vez menos tímido e mais grandioso, já These Times e Painted Eyes embarcam-nos numa odisseia rumo aquela América profundo que sente uma constante necessidade de fuga aos padrões sociais e aos cânones pré estabelecidos, mas nem sempre tem o espírito e a ousadia para o conseguir. Uma espécie de exercício auto-crítico e reflexivo que, paralelamente, também nos oferece uma incrível viagem ao rock psicadélico da década de setenta, mantendo-se o derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição de emoções intrínsecas.

Daí em diante não faltam momentos em que prevalece essa sensação nada abstrata, que mostra um músico que procura sempre deixar o seu ambiente para caminhar pelo mundo real, algo audível nas imensas passagens instrumentais, quase sempre feitas com o simples dedilhar de cordas eletrificadas, plenas de fuzz e distorção, que pintam instantes que podem ser possíveis pontos de reflexão silenciosa, que todos experimentamos diariamente e que nos dizem muitas vezes bastante mais e de modo superiormente sábio, do que conversas de circunstância com quem nos é próximo mas tem apenas um conhecimento circunstancial e superficial do nosso âmago.

It Calls On Me é um excelente disco, principalmente pelo modo como manifesta instrumentalmente experiências de vida sincera, sendo uma intensa jornada espiritual que merece ser apreciada e saboreada em plenitude, enquanto discute melancolicamente sobre o amor, a saudade e outras futilidades diárias, à sombra de narrativas criadas por um músico que prova ser capaz de observar o tempo passar e de ser capaz de descrever cada mínimo aspecto sobre ele. Espero que aprecies a sugestão...

Doug Tuttle - It Calls On Me

01. A Place For You
02. It Calls On Me
03. Make Good Time
04. These Times
05. Painted Eye
06. Falling To Believe
07. On Your Way
08. Saturday-Sunday
09. Where You Will Go


autor stipe07 às 18:51
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Domingo, 10 de Abril de 2016

Ghost King - Bones

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que viu a luz do dia a vinte e seis de março, podendo ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. Bones é a materialização bem sucedida de tal desiderato,um compêndio sonoro que logo no baixo vigoroso e na guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, oferece-nos uma excelente demonstração da cumplicidade que une os Ghost King e que, felizmente, foi utilizada como veículo de manifestação artística, nomeadamente a composição musical.

O clima de Bones não se cinge, naturalmente, aquilo que nos é dado a contemplar na canção que abre este alinhamento de onze composições. A trip deambulante, com intenso travo surf pop, que exala de Ghost In Love e, numa abordagem oposta, o clima mais contemplativo e acústico de Below The Sun e Winter's Air, assim como a visceralidade efusiva e imponente de Skeleton Dance e toda a miríade de tiques e detalhes do melhor rock alternativo de finais do século passado que transbordam das guitarras e da bateria da camposição homónima, dividida em dois capítulos que não sobrevivem isoladamente, são instantes de Bones que carecem de audição dedicada e que comprovam a elevada mestria e bom gosto dos autores.

Imponente, repleto de instantes sonoros ricos em nuances variadas que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, Bones reflete, numa curiosa amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:23
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Sábado, 9 de Abril de 2016

Teleman – Brilliant Sanity

Nascidos das cinzas dos Pete & The Pirates, um quinteto de Reading que editou dois excelentes discos no final da década passada, os britânicos Teleman são o vocalista Tommy Sanders, o seu irmão Johnny (teclados), o baixista Peter Cattermoul e o baterista Hiro Amamiya. Depois de Breakfast, o fantástico disco de estreia desta banda que é já um dos grandes destaques do catálogo da insuspeita Moshi Moshi Records, o quarteto está de regresso com Brilliant Sanity, onze excelentes canções, gravadas em Londres com método e enorme profissionalismo, segundo rezam as crónicas e produzidas por Dan Carey.

Da cândura de Glory Hallelujah à imponência de Canvas Shoe, os Teleman fazem, no segundo disco do seu cardápio, mais uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou neste álbum um novo alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

O baixo de Düsseldorf, o primeiro single divulgado do disco, merece, por si só, a audição deste álbum, com um punhado de outras notáveis canções, que mostram um notável recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e animada de paisagens instrumentais e líricas. Delas destaco também a delicadeza de Superglue e o charme único do tema homónimo, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível de canções como Fall In Time, ou Tangerine, composições que intercalam uma excelente interpretação vocal de Tommy Sanders com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, repleto de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas que conferem à toada geral de Brilliant Sanity um clima espectral.

Ao segundo registo, os Teleman oferecem-nos mais um disco que consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que caem muito bem neste início de primavera que teima em manter-se um pouco na penumbra. Espero que aprecies a sugestão...

Teleman - Brilliant Sanity

01. Düsseldorf
02. Fall In Time
03. Glory Hallelujah
04. Brilliant Sanity
05. Superglue
06. Canvas Shoe
07. Tangerine
08. English Architecture
09. Melrose
10. Drop Out
11. Devil In My Shoe


autor stipe07 às 15:07
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016

Glass Vaults - Life Is The Show (video)

Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas, enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado à boleia da Flying Out em 2015 e que foi amplamente destacado neste espaço, tendo mesmo figurado numa posição cimeira na lista dos melhores álbuns do ano passado, para Man On The Moon.

Com justificada aceitação por imensa crítica, Sojourn continua a catapultar os Glass Vaults para as luzes da ribalta, sendo o video do excelente tema Life Is The Show, o mais recente passo dado pelo grupo na divulgação do trabalho. Realizado por Ben Bro e produzido pelos próprios Glass Vaults, este belíssimo filme amplifica exemplarmente as emoções que exalam do sopé desse refúgio bucólico e denso chamado Life Is The Show, um tema feito com considerável exuberância de cor e movimento marcial, numa espiral instrumental desmedida e isenta de qualquer pudor e onde certamente os Glass Vaults se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar quase cinco minutos que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial, agora também visual. Confere...


autor stipe07 às 15:07
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

Cave Story - Garden Exit

Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga (guitarra e voz) são os Cave Story, uma banda nascida nas Caldas da Rainha em 2013 e que deu o pontapé de saída numa carreira promissora com um conjunto de demos que chamou a atenção de vários promotores e festivais nacionais e internacionais como a FatCat Records e o Reverence Valada.

pic by Manuel Simões

Tendo visto a luz do dia no início de 2015, Spider Tracks foi o primeiro EP dos Cave Story, seis canções gravadas durante um ano e que ganharam vida descritas dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental, que ainda hoje, tendo em conta o conteúdo de Garden Exit, o novo tomo de canções do trio, tipifica o som de um trio que admite estar sempre aberto e pronto para novas sonoridades, mas que confessa sentir-se mais confortável a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora.

Na verdade, este lançamento que antecipa o disco de estreia do grupo, que está já a ser gravado no habitat natural da banda, em plena costa oeste, enquanto também se ocupam noutros projetos paralelos e em trabalhos de produção para outros grupos, contém e perpetua o salutar arrojo de quem olha para a partitura como um tubo de ensaio para a mistura apaixonada de tudo aquilo que é musicalmente viciante e significativo.

O procedimento não está guardado num cofre forte cheio de gavetas a transbordar de segredos, já que quer o tema homónimo, quer Prime Time e Foreign Faith abrigam-se à sombra de um rugoso rigor volumoso de versos sofridos e sons acinzentados, feitos com belíssimos arranjos, assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes que nos arrastam sem dó nem piedade para um ambiente ora sombrio e nostálgico, ora aquele onde cabem os jeans coçados escondidos no guarda fatos, as t-shirts coloridas e um congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa.

Em suma, Garden Exit confirma estarmos na presença de mais uma lebre de uma nova geração de bandas nacionais que redescobriu, à chegada do novo século, o velho fulgor anguloso e elétrico do rock’n’roll.

Nos próximos meses, os Cave Story marcarão presença, entre outros festivais e salas de concerto, no Belém Art Fest (Museu de Arqueologia), Festival A Porta (Leiria), Quintanilha Rock (Bragança) e Rodellus (Braga). Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:21
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Terça-feira, 5 de Abril de 2016

Scott Orr - Everything

Natural de Hamilton, no Ontário, o canadiano Scott Orr regressou em março último aos lançamentos discográficos com Everything, o quinto registo de originais da sua carreira e, mais uma vez, com a chancela da editora independente Other Songs Music Co.. Gravado num sotão no último meio ano, Everything marca o regresso do autor ao seu universo pessoal, através da habitual folk intimista, nostálgica e contemplativa que carateriza o seu catálogo, já que debruça-se sobre o final de um relacionamento que manteve durante dezasseis anos e, de algum modo, exorciza vários fantasmas que assolaram a sua vida pessoal mais recente.

O modo virtuoso como Orr consegue expôr-se e colocar-nos na primeira fila do exemplar exercício de catarse que é Everything, fica logo plasmado em By The Way, canção agridoce que abre com cândura, inspiração e apurada veia criativa um disco que explora a fundo as diversas possibilidades sonoras das cordas, acústicas e delicadamente eletrificadas, fazendo-o com uma tonalidade única e uma capacidade incomum, possível porque este músico é exímio no seu manuseamento e no modo como dele se serve para transmitir sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas.

Sempre com a folk na mira, como referi anteriormente, mas com um inconfundível travo pop a incubar da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente, Orr é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, com a àspera Kids ou a delicada Soulmating, mas também desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em Always Everything e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional Try to Be Good. Mesmo quando Scott Orr comete o pecado da gula e se liga um pouco mais à corrente em The Devil, fá-lo com um açúcar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante de Everything, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional Hundred Thousand Times.

Everything é alma e emoção e como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos ecos vigorosos do falsete do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Scott Orr - Everything

01. By The Way
02. I’ll Do Anything
03. Soulmating
04. Undeniable
05. Still Waiting
06. Kids
07. The Devil
08. Try To Be Good
09. Hundred Thousand Times
10. Always Everything


autor stipe07 às 22:12
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

Astronauts - You Can Turn It Off

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e tem já, finalmente, sucessor.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir uma simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica. Tal ficou recentemente muito bem plasmado em Civil Engineer, o primeiro avanço para End Codes, o tal novo disco de Astronauts, que irá ver a luz do dia a seis de maio e a receita repete-se, felizmente, em You Can Turn It Off, o segundo tema retirado de End Codes e que terá edição no final desta semana, em formato single, composição que tem como lado b uma singular mistura da autoria do aclamado projeto Grasscut.

Canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre e mais reservada e contida do que o single anterior, You Can Turn It Off é mais uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta, já que o metálico efeito sibilante constante, as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia, e um registo vocal em falsete belissimamente acompanhado por coros envolventes, fazem deste tema uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Adivinha-se pois mais um disco em que Dan Carney se entregará à introspeção e além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, irá fazê-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Confere...


autor stipe07 às 17:25
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