Quinta-feira, 31 de Março de 2016

Inca Gold – Rewilder

Existe mais uma banda a merecer a maior atenção possível de quem aprecia escutar canções que contenham uma abrangência pop bastante atual, que da eletrónica ao rock progressivo, impressione pela forma subtil como, ao criar um ambiente muito próprio e único através da forma como se sustenta instrumentalmente, albergue diferentes géneros sonoros. Chamam-se Inca Gold, têm Londres como o seu poiso natural e Rewilder é o nome do disco de estreia, um trabalho disponível na plataforma bandcamp do grupo, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente.

Sendo, na sua essência, um álbum mutante, pelo modo como abarca um leque alargado de estilos, Rewilder cria um universo que até parece algo obscuro, mas essa é uma percepção que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Logo no início, os sintetizadores e o falsete impecável de Desert Rats, assim como o groove do baixo e da bateria e os efeitos radiososos e a melodia intensa, abrem-nos portas para um alinhamento de canções que não deixa ninguém indiferente. Logo de seguida, o ritmo e os efeitos da pulsante Dark Skies firmam a primeira impressão positiva e consubstanciam uma verdadeira entrada a matar num registo de forte pendor hipnótico, ora catártico devido à batida, ora em busca de uma psicadelia que, muitas vezes, só um baixo picado a lançar-se sobre o avanço infatigável de todo o corpo eletrónico que sustenta as canções e que também usa a voz como camada sonora, consegue proporcionar.

A partir daí, no groove sedutor da tonalidade étnica de Hollow Shade e Pillars e na linha rugosa mas surpreendentemente delicada da guitarra que conduz Flutar, assim como no experimentalismo algo jazzístico de Ascend, canção que nos arrasta para um oasis de melancolia fortemente contemplativo e sugestivo e no curioso torpor rítmico e solarengo da frenética e exuberante Hologram, assistimos, consumidos e absortos, a uma verdadeira revisão histórica da pop dos últimos vinte anos, uma revisão eufórica que, no geral, está envolvida por um toque de lustro livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor.

Rewilder é um compêndio de canções que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Baseado no indie rock, mas misturado com tiques da eletrónica, hip hop, dubstep e reggae e o que mais apetecer a quem agora se dedica a esta mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores, acaba por ser um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Inca Gold - Rewilder

01. Desert Rats
02. Dark Skies
03. Hollow Shade
04. Flutar
05. Pillars
06. Ascend
07. Hologram
08. Energise
09. Farewell


autor stipe07 às 22:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 28 de Março de 2016

James – Girl At The End Of The World

Há bandas que resistem com firmeza ao definitivo ocaso e os britânicos James de Tim Booth, Jim Glennie (baixo), Larry Gott (guitarra), Saul Davies (guitarra, violino), Mark Hunter (teclados), David Baynton-Power (bateria) e Andy Diagram (trompete), são um excelente exemplo de um grupo que depois de um adeus anunciado com toda a pompa a circunstância, após uma carreira recheada de sucessos e uma popuplaridade enorme por cá, resolveu dar um novo fôlego ao projeto, uma segunda vida que se iniciou em 2008 com Hey Ma, e tem mais um novo capítulo no historial, pronto a ser apreciado por todos aqueles que, como é o meu caso, acompanham o grupo há mais de vinte anos.

james

Girl At The End Of The World, o décimo quarto longa duração dos James, sucede a La Petite Mort e foi produzido por Max Dingel (The Killers, Muse, White Lies), tendo sido escrito e gravado na Escócia e terminado nos estúdios Rak Studios, em St. John's Wood, Londres, contendo doze canções que lidam com o amor e toda a envolvência emocional que este sentimento provoca em quem procura vivênciá-lo com a maior plenitude possível.

Conhecemos Tim Booth há três décadas, já o ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, mas é curioso começar a ouvir este disco e perceber, logo em Bitch, que o músico ainda tem intata a capacidade de encarnar outras personagens, de forma bastante plausível, mesmo que sejam do sexo oposto. E neste tema fá-lo de modo bastante convincente,  à boleia de um baixo rugoso e encorpado, atravessado por flashes sintetizados particularmente inspirados, duas das imagens sonoras mais relevantes de Girl At The End Of The World, um disco que, como tem sido hábito nesta segunda vida dos James, procura um equilíbrio entre o charme inconfundível das guitarras que carimbam o ADN dos James com o indie rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. A presença de Max Dingel na produção é o tiro certeiro nessa demanda, apesar de não ser justo descurar a herança que nomes como Gil Norton ou Brian Eno, figuras ilustres que já produziram discos dos James, ainda têm na sonoridade do grupo.

Um clima bastante festivo é outra imagem impressiva deste alinhamento, que exala optimismo e luz em praticamente todos os temas. A pop feita alegoria em Waking e a dinâmica de To My Surprise, são dois claros exemplos disso, sendo a última uma canção onde os efeitos e as variações da bateria ajudam as guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Booth. Essa excelente forma vocal é ampliada pelo excelente acompanhamento que a mesma faz ao piano em Attention e ao sintetizador na contemplativa Dear John, um dos melhores momentos melódicos do disco, o clássico tema orquestral, com alguns detalhes a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente James. Depois, se no clima acústico de Feet Of Clay existem alguns pormenores que nos remetem para os primórdios do grupo, nomeadamente para certos instantes de Laid, já a manta sintética que abastece Surfer's Song e as guitarras de Catapult exalam U2 por todos os poros sonoros, com Move Down South e Alvin a conterem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas, nomeadamente o tal baixo pulsante e vigoroso.

Nomes maiores da pop independente das últimas décadas e detentores de mais de vinte singles que alcançaram o top britânico, os James testemunharam todos os movimentos musicais que foram aparecendo em Inglaterra e foram sempre uma alternativa credível, por exemplo, à britpop. E a verdade é que seguem ainda firmes no seu caminho, a reboque de mais um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os James ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico indie rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

James - Girl At The End Of The World

01. Bitch
02. To My Surprise
03. Nothing But Love
04. Attention
05. Dear John
06. Feet Of Clay
07. Surfer’s Song
08. Catapult
09. Move Down South
10. Alvin
11. Waking
12. Girl At The End Of The World


autor stipe07 às 11:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 23 de Março de 2016

Violent Femmes – We Can Do Anything

Há bandas que resistem com firmeza ao definitivo ocaso e os norte americanos Violent Femmes são um excelente exemplo de um grupo que sabe como ir observando as novas tendências para depois, no momento certo, voltar a dar sinais de vida, o que, no caso, provoca sempre enorme burburinho e, tendo em conta o conteúdo habitual, enorme alegria e agitação. Editado no passado dia quatro à boleia da conceituada PIAS, We Can Do Anything é o novo compêndio de canções deste projeto liderado por Gordon Gano e o primeiro em quinze anos, após o bastante recomendável Freak Magnet (2000).

Nono disco da carreira dos Violent Femmes, We Can Do Anything é um excelente regresso da banda de Milwaukee e se canções como Traveling Solves Everything, a divertida I Could Be Anything, ou Memory mantêm intacta aquela faceta humorística que tipifica os Violent Femmes, agregada a uma folk com elevada estética punk, com a guitarra e as violas a piscarem sempre o olho ao blues e a alguns dos detalhes mais eminentes da música celta, já o clima mais acústico do baixo de What You Really Mean, uma canção escrita por Cynthia Gayneau, irmã de Gordon Gano, ou I'm Not Done, equilibram as contas, enquanto nos remetem para a típica américa profunda, tão bem descrita na discografia de ícones do calibre de um Bob Dylan ou Johnny Cash.

Produzido por Jeff Hamilton e misturado por John Agnello (responsável por discos dos Sonic Youth e dos Dinosaur Jr.) e Kevin Hearn, dos The Barenaked Ladies, artista que também fez a capa e toca guitarra e teclas em algumas canções do disco e gravado em várias cidades americanas, este é um álbum equilibrado, rico em detalhes preciosos e momentos de elevada vibração e intensidade, com a habitual produção rugosa e crua a fazer-se notar logo no timbre seco das cordas da já referida Memory, aquela caraterística que tão bem conhecemos dos Violent Femmes e que, independentemente da vivacidade ou da mensagem de cada canção, assim como dos subgéneros do indie rock que abraça, mantém-se sempre intata e bem audível.

We Can Do Anything acaba por ser um feliz regresso às origens e ao extraordinário disco homónimo de 1993, sendo capaz não só de nos fazer reavivar extraordinárias memórias desse tempo incrível, como até captar novos seguidores para um género sonoro de difícil aceitação, mas que tem seguidores fiéis e devotos que receberão de braços abertos e com uma enorme vontade de dançar este novo trabalho dos Violent Femmes. Espero que aprecies a sugestão...

Violent Femmes - We Can Do Anything

01. Memory
02. I Could Be Anything
03. Issues
04. Holy Ghost
05. What You Really Mean
06. Foothills
07. Traveling Solves Everything
08. Big Car
09. Untrue Love
10. I’m Not Done


autor stipe07 às 21:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 22 de Março de 2016

Old Jerusalem - A rose is a rose is a rose

Com uma carreira já cimentada de praticamente quinze anos, o projeto Old Jerusalem está de regresso aos discos com a rose is a rose is a rose, um novo tomo de uma já extensa e riquíssima discografia, após um interregno de quatro anos. Esta é uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham, da autoria de Francisco Silva e este trabalho um jogo de palavras muito curioso que sustenta, na minha opinião, dez canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional.

A rose is a rose is a rose, ao contrário do que costuma suceder nos discos de Old Jerusalem, conta com algumas participações especiais, nomeadamente Filipe Melo no piano, Nelson Cascais no contrabaixo, Petra Pais e Luís Ferreira, dos Nobody’s Bizness, na voz e guitarras, respetivamente, o quarteto de cordas de Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Ana Cláudia Serrão, tendo sido misturado por Nelson Carvalho e gravado com o apoio de Luís Candeias e João Ornelas.

Confesso que o que mais me agradou na audição deste álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de a rose is a rose is a rose uma clara sensação de riqueza e bom gosto. Canções do calibre de One for Dusty Light ou a lindíssima A Charm, o meu tema predileto do disco, abracam uma enorme riqueza instrumental, nomeadamente das cordas, sem dúvida o maior trunfo do arsenal instrumental de Old Jerusalem que, com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, prima pela constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, que criaram, neste alinhamento, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades.

A rose is a rose is a rose acaba por ser um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música nacional atual e, já agora, tem também como um dos seus trunfos uma escrita maravilhosa, em canções que, na minha modesta opinião, são uma tentativa, mesmo que pouco consciente, como se percebe na maravilhosa entrevista que o Francisco me concedeu e que podes conferir abaixo, de desmontar o amor enquanto sentimento e torná-lo mais acessível e menos místico. Não posso também deixar de realçar a expressividade do piano do Filipe Melo, o suave charme da bateria e dos restantes elementos percussivos e a criatividade com que Old Jerusalem selecionou os arranjos, o que resultou, no geral, num cenário melódico particularmente bonito.

A rose is a rose is a rose balança um pouco ali, entre o milagre maior que é o amor e que tantas vezes apresenta uma ténue fronteira entre magia e ilusão, como se a explicação desse sentimento quebrasse de algum modo o encanto que aquilo que não podemos explicar racionalmente geralmente nos provoca. Seja como for, estas canções permitem-nos aceder a um universo único, enquanrto experimentamos a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que transmitem. Espero que aprecies a sugestão...

 A Charm

Airs Of Probity

A Rose Is A Rose Is A Rose

All The While

One For Dusty Light

Florentine Course

Summer Storm

Tribal Joys

Dayspring

Twenties

Com uma carreira já cimentada de praticamente quinze anos, o projeto Old Jerusalem está prestes a ver um novo tomo de uma já extensa e riquíssima discografia a tomar finalmente forma, ainda por cima após um interregno de quatro anos. Como tem sido para si, Francisco, esta incrível jornada, batizada com uma  música do mítico Will Oldham?

Tem sido globalmente interessante e enriquecedor, a momentos mais, noutros menos, como tudo na vida.

a rose is a rose is a rose é, então, o título do álbum. Um jogo de palavras muito curioso que sustenta, na minha opinião, dez canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional. Começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este novo trabalho?

Não tenho expectativa que o disco venha a ter uma vida muito diferente da dos anteriores trabalhos de Old Jerusalem, seja em termos da abrangência do público que segue o projecto, seja em termos de vendas ou de concertos. Devo se calhar acrescentar que ao dizer isto se calhar estarei a ser optimista, de tal forma o mercado da música se tem modificado nos últimos tempos! Claro que desejaria que este disco fosse apreciado por mais gente e representasse uma evolução no trabalho e na notoriedade do projecto, mas todos esses aspectos são uma incógnita.

A rose is a rose is a rose, ao contrário do que costuma suceder nos discos de Old Jerusalem, conta com algumas participações especiais, nomeadamente Filipe Melo no piano, Nelson Cascais no contrabaixo, Petra Pais e Luís Ferreira, dos Nobody’s Bizness, na voz e guitarras, respetivamente, o quarteto de cordas de Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Ana Cláudia Serrão, tendo sido misturado por Nelson Carvalho e gravado com o apoio de Luís Candeias e João Ornelas. Como foi selecionar e agregar nomes tão ilustres à tua volta? Eram pessoas com quem quiseste desde logo, à partida, trabalhar neste disco, ou foram surgindo e sendo convidadas à medida que as canções iam tomando forma no teu âmago?

O trabalho neste disco começou nos moldes tradicionais para Old Jerusalem, mas sofreu uma “reviravolta” quando decidi que ia dar-lhe continuidade contando com a colaboração do Filipe Melo. Foi por intermédio dele que depois viemos a contar com o contributo do Nelson Cascais, com o quarteto de cordas da Ana Cláudia, da Ana Filipa, da Joana e da Ana, e mesmo mais tarde, indirectamente, foi o Filipe que propiciou o contacto com o Nelson Carvalho para as misturas. Com este leque de colaboradores era natural que o trabalho se estendesse também a outros estúdios além da “casa” de Old Jerusalem no AMP do Paulo Miranda.

Confesso que o que mais me agradou na audição deste álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de a rose is a rose is a rose uma clara sensação de riqueza e bom gosto. Em termos de ambiente sonoro, o que idealizaste para o álbum inicialmente correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

O contributo dos músicos envolvidos levou efectivamente a essa característica de forte afirmaçao dos arranjos sem que percam subtileza e elegância. Isso é mérito dos vários intervenientes, sejam músicos, sejam técnicos, e confesso que o disco acabou por se aproximar muito do que de melhor gostaria que fosse, e nesse aspecto suplantou até as minhas expectativas iniciais.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, nomeadamente das cordas, sem dúvida o maior trunfo da tua música, não posso deixar de realçar a expressividade do piano do Filipe Melo, o suave charme da bateria e dos restantes elementos percussivos e a criatividade com que selecionaste os arranjos, o que resultou, no geral, num cenário melódico particularmente bonito. Em que te inspiras para criar estas melodias que nos parecem sempre tão próximas e que cativam com tanta intensidade? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea, ou são criadas individualmente, ou quase nota a nota e depois existe um processo de agregação?

Eu costumava dizer que o meu método para começar a escrever uma canção era tentar soar a um qualquer tema do Van Morrison e depois trabalhar com o tipo de falhanço que resultasse daí. Digo-o em tom de piada mas em parte é o que na prática fazemos: inspiramo-nos em coisas que outros fizeram e que nos soam suficientemente próximas para achar que conseguimos replicá-las e suficientemente distantes para manter a nossa admiração; fazemos jogos com palavras, tentamos abordar temas de sempre de forma diferente do usual (pensamos “lateralmente”, portanto), testamos padrões técnicos diferentes no instrumento que usamos para escrever, experimentamos novas afinações, etc, etc… Em termos processuais, no meu caso, é mais espontâneo do que trabalhado de forma exaustiva e consciente, embora na fase final da escrita possa focar-me em detalhes com essa perspectiva mais técnica.

A rose is a rose is a rose balança, quanto a mim, um pouco ali, entre o milagre maior que é o amor e que tantas vezes apresenta uma ténue fronteira entre magia e ilusão, como se a explicação desse sentimento quebrasse de algum modo o encanto que aquilo que não podemos explicar racionalmente geralmente nos provoca, a rose is a rose is a rose é também uma tentativa de desmontar o amor enquanto sentimento e torná-lo mais acessível e menos místico? Qual é, no fundo, a grande mensagem que querem transmitir neste disco?

O disco não tem intenção de transmitir qualquer grande mensagem, estou mesmo em crer que isso seria uma pretensão falhada à partida se o tentasse fazer. No entanto, essa referência à tentativa de desmontar o amor enquanto sentimento e torna-lo mais acessível e menos místico é seguramente uma parte considerável do que faço enquanto autor e dificilmente o poria em melhores palavras.

Adoro a canção A Charm. O Francisco tem um tema preferido em a rose is a rose is a rose?

Não sinto uma preferência vincada por nenhum dos temas deste disco, embora tenha trechos preferidos em vários deles – continuo a orgulhar-me bastante das guitarras eléctricas no final do tema Summer Storm, por exemplo.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

A preferência pelo inglês não se deve a nenhuma intenção deliberada de marcar uma qualquer posição. Simplesmente para o tipo de canções que decidi escrever enquanto Old Jerusalem pareceu-me sempre muito mais “certo” usar o inglês, uma vez que a própria matriz musical, abordagem de produção, etc, seguem uma linha marcadamente anglo-saxónica. Em projectos anteriores e colaborações pontuais escrevi em português (em geral com resultados mais fracos do que em inglês, é certo) e não posso dizer que não o tente fazer de novo, mas certamente não sob a designação de Old Jerusalem.

O que vai mover Old Jerusalem será sempre esta folk vibrante, com pitadas de jazzblues, ou gostarias ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico deste projeto?

Estou em crer que a matriz estética fundamental de Old Jerusalem está definida, embora a paleta de opções específicas em termos de arranjos, instrumentação, interpretação, etc, seja tão ampla que acaba por haver muito ainda por onde explorar. Gostava de experimentar outras sonoridades mais distintas enquanto “Francisco Silva-músico” mas essas não têm de entrar no “Francisco Silva-Old Jerusalem”. Quanto ao futuro discográfico do projecto, o campo de possibilidades é enorme: pode vir a surgir um disco novo dentro de relativamente pouco tempo, podemos vir a tardar os mesmos 4-5 anos ou mais a fazer alguma coisa, ou pode mesmo não vir a haver outro disco de Old Jerusalem. Não sei mesmo neste momento o que é mais adequado fazer, há muitas coisas a considerar e várias não têm sequer que ver com a música. O tempo, como costuma dizer-se, dirá.


autor stipe07 às 21:18
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 21 de Março de 2016

The Magnetic North – Prospect Of Skelmersdale

É das terras gélidas da Ilha de Orkney, localizada ao largo do Norte da Escócia, que vem o som dos The Magnetic North, uma banda que descobri há quase quatro anos por causa de Orkney: Symphony of the Magnetic North, o registo de estreia do projeto, um trabalho que me colocou em contato direto com um som incrível e uma pop atmosférica vibrante. Erland Cooper, Hannah Peel e Simon Tong formam o grupo e Prospect Of Skelmersdale, lançado no passado dia dezoito, à boleia da Full Time Hobby, é o novo registo de originais do trio.

Prospect Of Skelmersdale é mais um registo sonoro que abraça uma forte componente cinematográfica, já que contém canções que, à semelhança do trabalho de estreia, mergulham na história, cultura e geografia da ilha de Orkney, como se percebe logo nos samples vocais de Jai Guru Deve. A partir dessa permissa, ótimos arranjos clássicos, feitos com samples, teclados, cordas exuberantes e uma percussão minimal mas omnipresente e vozes que parece que são cantadas junto ao nosso ouvido, constituem o arsenal que os os The Magnetic North usam para criar melodias com uma elevada componente orquestral, bastante percetível, por exemplo, em Pennylands e que nos permite imaginá-los a tocar devidamente equipados com um fato hermético que lhes fornece a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que a ilha onde residem certamente transmite. Os arranjos metálicos, os violinos e as variações rítmicas de A Death In The Woods e os samples vocais de Sandy Lane, entrelaçados com a luminosidade desarmante das teclas e o voo descontrolado de uma flauta, fazem deste tema uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração e, num prisma diferente, o dedilhar da guitarra e os efeitos mais rugosos e térreos de Cergy-Pontoise, firmam um charme que atinge o auge em The Silver Birch, canção com uma secção de cordas particularmente inspirada e a receber um abraço sentido de uma secção de metais que nos embala e paralisa, em pouco mais de três minutos de suster verdadeiramente a respiração.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, os The Magnetic North são exímios em recriar sonoramente alguns dos aspetos mais vincados do local de origem, quer naturais, quer humanos, enquanto procuram preservar essas raízes num documento musical que possa transmitir às gerações futuras toda uma herança de uma ilha com caraterísticas muito próprias e únicas, enquanto refletem sobre si e a influência do mundo moderno no seu meio, não poupando na materialização dos melhores atributos que guardam na sua bagagem sonora e tornando-nos cúmplices das suas memórias e celebrações, mas também angústias e incertezas. A constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, ao longo do alinhamento de Prospect Of Skelmersdale, criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Acaba por ser um disco muito sincero e bonito, mas também denso e profundo e que, também por isso, deixa marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...

The Magnetic North - Prospect Of Skelmersdale

01. Jai Guru Dev
02. Pennylands
03. A Death In The Woods
04. Sandy Lane
05. Signs
06. Little Jerusalem
07. Remains Of Elmer
08. Cergy-Pontoise
09. Exit
10. The Silver Birch
11. Northway/Southway
12. Run Of The Mill


autor stipe07 às 10:22
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 18 de Março de 2016

Is Tropical – Black Anything

Três anos depois do espantoso I'm Leaving, os londrinos Is Tropical, um quarteto constituido por ☮ ☯ † e ∞, estão de regresso aos discos com Black Anything, um álbum que viu a luz do dia a onze de março e que foi sendo revelado através do lançamento de alguns temas em formato vinil e digital, disponíveis na Axis Mundi Records. São essas edições prévias que também fazem de Black Antyhing um disco conceptual, já que foi captado na estrada durante a digressão de I'm Leaving e esses temas representam cada um dos cinco continentes onde foram gravadas e por onde o grupo passou.

Modular e ambicioso e produzido por Luke Smith (Foals, Depeche Mode), Black Anything liga-nos logo à corrente com os sintetizadores, as batidas irregulares alimentadas pela eletrónica e as vocalizações robotizadas aceleradas de Lights On e com uma guitarra abrasiva que vai trespassando a bateria sintética que suporta a languidez indisfarçável de Crawl. Já Cruise Control mantém o ênfase numa sintetização bastante vincada e numa percussão que abraça as tendências mais atuais da pop, prosseguindo o desfilar de sons, melodias e ritmos, criados por uns Is Tropical cada vez mais abertos e  ecléticos, mas também acessíveis e definitivamente longe do desconforto lo fi dos primórdios do projeto.

A primeira impressão que trespassa de Black Anything é mesmo esta ideia de renovação, assente em arranjos mais luminosos e que clamam a todo o instante por uma explosão sonora, mesmo em composições como Follow The Sun e Now Stop, que gozam de uma riqueza estilística ímpar. Se a primeira abriga-se num ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada, prosseguindo, durante quase três minutos, numa demanda triunfal rumo a uma salutar insanidade desconstrutiva e psicadélica, já Now Stop contém um groove intenso e um inconfundível perfume jazzístico, bastante aditivo e que termina num arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou o tema. E, quanto a mim, é na sequência destas duas composições que se confere o âmago de Black Anything, tornando-o verdadeiramente fiável na garantia da expansão do número de fãs e admiradores do grupo.

Além das composições já referidas, a imponência vocal dos coros de Fall, mas, acima de tudo, as inesperadas cordas que conduzem a cândura pop de Say e o groove magnético que conduz a batida eletroclash de Believe, denotando criatividade e capacidade destes Is Tropical em criar melodias capazes de fugir do óbvio, comprovam que este é um registo cheio de boas canções, quase todas muito bem estruturadas e que abrirá certamente novas portas, em termos de opções sonoras, um trunfo imparável para o amadurecimento e sucesso musical futuro do grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Is Tropical - Black Anything

01. Lights On
02. Crawl
03. Cruise Control
04. Fall
05. On My Way
06. Follow the Sun
07. Non Stop
08. Say
09. Believe
10. What You Want


autor stipe07 às 21:04
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quinta-feira, 17 de Março de 2016

School Of Seven Bells – SVIIB

Lançado no passado dia doze à boleia da Vagrant Records, SVIIB é o novo registo de originais dos norte americanos School Of Seven Bells, uma dupla oriunda de Brooklyn, em Nova Iorque e formada por Alejandra de la Deheza e Benjamin Curtis, os elementos que restam de um projeto que encerra as hostilidades com estas nove canções que homenageiam Benjamim Curtis, um antigo membro do grupo que faleceu em 2013, vítima de um linfoma.

SVIIB é um portento de indie rock, mas misturado com algumas das melhores tendências atuais da eletrónica, que tem andado às voltas, curiosamente, com o período aúreo dos anos setenta e oitenta do século passado. A mistura de melodias épicas, expansivas e luxuriantes, suportadas por guitarras com aberturas e riffs angulares e sintetizadores plenos de efeitos agudos e estratosféricos, que parecem planar em redor das cordas, são uma receita que tem feito escola recentemente e que estes School Of Seven Bells não renegam, como se percebe logo na maginficiência de Ablaze. A serenidade de My Heart ajuda a equilibrar um pouco e a colocar águna na fervura, depois de tão eloquente abertura, mas mantém-se o espírito sonoro que usa e abusa da sintetização, com a própria percussão a ser fornecida por uma bateria eletrónica que, no caso desta composição, dá a cadência certa a uma letra que aborda muito a questão do passado e da despedida.

O disco prossegue, e se A Thousand Times More nos mostra que este projeto também sabem como abordar com eficácia aquele lado mais reflexivo do chamado rock progressivo, depois de Open Your Eyes ter-nos feito viajar por universos mais etéreos e contemplativos, típicos de um R&B que procura exalar sedução e charme por todos os poros, já Elias e Signals vagueiam por um cosmos distante e transportam-nos rumo a um registo mais experimental, onde detalhes feitos de batidas irregulares e alguns flashes atestam a firmeza da fórmula que serviu de base a SVIIB.

Disco cheio de paisagens que impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta, SVIIB é uma despedida competente de um projeto que ficou a dever um pouco mais a si próprio e aos fiéis seguidores, mas não deixa de ser um adeus sentido e que se justifica, tendo em conta o historial mais recente dos School Of Seven Bells. Seja como for, é bom o suave torpor que os teclados de This Is Our Time facilmente provocam, enquanto deixamos para trás uma banda que não deixa de ser uma marca importante na história da música eletrónica contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

School Of Seven Bells - SVIIB

01. Ablaze
02. On My Heart
03. Open Your Eyes
04. A Thousand Times More
05. Elias
06. Signals
07. Music Takes Me
08. Confusion
09. This Is Our Time


autor stipe07 às 21:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Elephant Stone - Where I'm Going

Elephant Stone - Where I'm Going

Os canadianos Elephant Stone de Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada pelo primeiro, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde 2009 e logo nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia e, logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de 2011 dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records e agora, quase três anos depois, é anunciado Ship Of Fools, o próximo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

Where I'm Going é o mais recente avanço divulgado de Ship Of Fools, uma extraordinária canção com um ritmo vibrante, assente em faustosas guitarras que criam uma melodia incisiva, com um elevado grau de epicidade e esplendor. O próximo álbum dos Elephant Stone deverá ser, de acordo com esta amostra, mais luminoso, elétrico e amplo que tudo aquilo que a banda apresentou até hoje e, certamente, um dos destaques discográficos do ano. Confere...


autor stipe07 às 20:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 15 de Março de 2016

The 1975 – I like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It

Depois do sucesso de The 1975, o disco homónimo de estreia dos The 1975 de Matt Healy, um trabalho editado em 2013, já está nos escaparates I Like It When You Sleep For You Are So Beautiful Yet So Unaware of It, dezassete canções que viram a luz de fevereiro à boleia da Polydor Records.

O mar, um estranho som de estúdio, um eco que aumenta e termina repentinamente, um teclado vulcanizado, um coro distorcido e metais quase impercetíveis, escancaram-nos as portas, no tema homónimo, para um disco colorido e multifacetado de uns The 1975 que, como se percebe logo na deslumbrante e divertida Love Me, parecem apostados em deixar para trás o ambiente mais sintético e sombrio do disco homónimo de estreia, privilegiando canções feitas em redor de refrões aditivos e melodias de fácil assimilação, com a vertente comercial a ser um fator importante do processo de composição e assim conseguir chegar já às massas depois de um processo de maturação que lhes foi particularmente favorável, tendo em conta o sucesso de The 1975.

A alteração dos tons cinza da capa do primeiro trabalho para um rosa vincado, sendo um detalhe estético, também realça com intensidade esta inflexão sonora dos The 1975 que, neste sempre difícil segundo disco, abastecem-se de algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica e colocam explicitamente as pistas de dança na mira. Além da riqueza de géneros e estilos bem patente no instrumental Lostmyhead e na sofisticação do agregado sonoro que define Somebody Else, o saboroso piscar de olhos ao melhor R&B norte americano na eletrónica futurista de Loving Someone e nos sopros e na batida da insinuante If I Believe You, o groove indisfarçável que alimenta a percussão de UGH!, uma canção que aborda a dependência da cocaína de Healy e que não deixa a nossa anca despercebida e a exuberância eletropop das cordas, além da cadência da bateria de She's American, são outros exemplos que firmam com notável exatidão este novo farol dos The 1975, em canções que abordam temáticas relacionadas com o sexo, dinheiro e as questões fundamentais da adolescência, ideias transversais a todo o alinhamento de I like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It e que reforçam a superior capacidade inventiva e uma imagem de ecletismo e personalidade que estes The 1975 claramente já possuem. Aliás, a componente lírica é mesmo um dos grandes destaques deste disco, principalmente pelo modo como, além dos tópicos acima referidos, a banda procura elucidar todos aqueles que aspiram a um mundo de fama e glamour, mas que nem sempre corresponde às melhores expetativas criadas, com a religão a ser também um foco de atenção de Healy, nomeadamente em If I Believe You Nana e a complexidade do pensamento humano a merecer igualmente abordagem, tão bem expressa nas teclas, na voz emotiva e nos efeitos enleantes de The Ballad of Me and My Brain.

Sólido, vibrante, eclético e efusivo, I like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It é um disco que nos reaviva as memórias relativamente a uma época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo, mas também nos serve para fornecer pistas muito concretas sobre as tendências mais atuais de um rock alternativo cada vez mais disposto a alargar fronteiras e a misturar, sem receio, estilos, géneros e tiques, de modo a criar uma sonoridade pop cada vez mais futurista e que prime pela diferença. Espero que aprecies a sugestão...

The 1975 - UGH!

01. The 1975
02. Love Me
03. UGH!
04. A Change Of Heart
05. She’s American
06. If I Believe You
07. Please Be Naked
08. Lostmyhead
09. The Ballad Of Me And My Brain
10. Somebody Else
11. Loving Someone
12. I like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It
13. The Sound
14. This Must Be My Dream
15. Paris
16. Nana
17. She Lays Down


autor stipe07 às 20:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

Surma - Maasai

Leiria é o habitat natural de Débora Umbelino, uma cantora e multi-instrumentista de vinte e um anos e que assina a sua música, bastante mais exótica do que o território de origem, como Surma. Esta artista é um dos últimos nomes do já invejável catálogo da Omnichord Records e deverá estrear-se nos discos ainda antes do ocaso de 2016.

Já com um número assinalável de memoráveis concertos em carteira na Península Ibérica, a frequência de um curso de pós-produção audiovisual e a preseça no Hot Clube de Portugal, através da voz e do contrabaixo, Surma acaba de divulgar Maasai, uma canção com uma faceta eminentemente eletrónica e onde teclas, samplers e uma voz absolutamente maravilhosa, nos oferecem uma paisagem sonora bastante contemplativa e tremendamente reflexiva.

Maasai conta com a produção de Emanuel Botelho (ex-Sensible Soccers) e foi misturado e masterizado por Paulo Mouta Pereira (produtor dos Les Crazy Coconuts e músico de David Fonseca). O vídeo, concebido e filmado por Eduardo Brito (que já havia realizado Shoes For Man With No Feet dos First Breath After Coma) conduz-nos, de acordo com o press release do lançamento, numa viagem de procura e desencontro na cidade fantasma de Doel. Confere...

 


autor stipe07 às 18:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 14 de Março de 2016

The KVB – Of Desire

Nicholas Wood e Kat Day são o núcleo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Of Desire é o mais recente registo de originais da dupla, um álbum com doze canções com a chancela da Invada Records e que sucede ao aclamado Mirror Being, uma coleção de vários instrumentais e experimentações analógicas que foram sendo captadas pela dupla ao longo da etapa inicial da carreira.

Gravado em Bristol, nos arredores de Londres, Of Desire é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e que acabaram por se deixar conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes instrumentalmente, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta White Walls, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de Silent Wave e a melodia enleante de Never Enough, são apenas três dos vários momentos altos deste agregado, canções onde os sintetizadores também se posicionam numa posição cimeira, apesar da tal primazia das guitarras e onde não falta também um baixo vibrante e que recorda-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal. In Deep acaba por infletir um pouco as pisadas deixadas pelos temas anteriormente referidos, já que além de conter uma guitarra carregada de fuzz e distorção, insinua os nosso ouvidos com alguns samples impercetíveis mas que conferem ao tema uma toada orgânica inédita, além da abundância de arranjos delicados feitos com metais minimalistas.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, atirando-nos para ambientes eletrónicos onde os teclados têm o maior destaque, construindo diversas camadas sonoras, quase sempre entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Of Desire

01. White Walls
02. Night Games
03. Lower Depths
04. Silent Wave
05. Primer
06. Never Enough
07. In Deep
08. Awake
09. V11393
10. Unknown
11. Mirrors
12. Second Encounter


autor stipe07 às 18:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...

Capitão Fausto - Amanhã Tou Melhor

Depois da promissora estreia em 2011 com Gazela e do excelente sucessor, um trabalho intitulado Pesar o Sol, disco com já dois anos e que tem andado, desde então, juntamente com Gazela, num lugar de destaque na algibeira dos Capitão Fausto, da participação em projetos como os Modernos, BISPO e El Salvador e da criação, recentemente, de um selo próprio, esta banda lisboeta formada por Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein, revelou hoje Amanhã Tou Melhor, uma nova canção, disponível para download no bandcamp do grupo e que deverá constar do próximo registo de originais dos Capitão Fausto.

Depois do ambiente tipicamente rock, algo experimental e eminentemente cru e psicadélico do alinhamento de Pesar O Sol, esta canção tem uma faceta mais pop e uma tonalidade diferente que os trompetes e os violinos ampliam, mas também uma letra que poderá muito bem apontar para um possível ocaso do grupo, à semelhança do título do próximo disco dos Capitão Fausto, intitulado Capitão Fausto Têm Os Dias Contados e que deverá ver a luz do dia muito em breve. Confere...


autor stipe07 às 18:21
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 11 de Março de 2016

Kid Mountain – Trinkles

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os norte americanos Kid Mountain de Cole Wuilleumier, Derek Goulet, Tyler Rosenholm, Tim Bruce Patterson e Tyler Chauncey, estão de regresso aos discos com Trinkles, onze canções misturadas por Tim Bruce Patterson e masterizadas por Keith Sweaty Milgaten e que viram a luz do dia a oito de março, disponíveis na plataforma bandcamp, com a possibilidade de doares um valor pelas mesmas.

Quatro anos depois do excelente Happies, este quarteto volta à carga abrigado num som que tem tanto de eclético, por abraçar com notável mestria detalhes que nos remetem para as origens da pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta, como de charmoso, já que abunda, quer na instrumentação, quer na voz, uma toada fortemente etérea e ligeiramente melancólica.

Unindo todos estes elementos com vincada sapiência melódica, extrema sensibilidade e uma interessante dose de criatividade, os Kid Mountain exploram intensamente em Trinkles a forma e a estrutura do formato canção, com temas como o caloroso single Walk Around, a pop deslumbrante de Muddy Cloud ou o cariz incisivo da percussão de Curtains, a provarem um ecletismo que se ouve de uma assentada, enquanto somos convidados a dançar ao som de uma coleção de canções bastante aditiva e peculiar, quase sempre conduzidas pela guitarra elétrica, mas onde também há uma forte presença da sua congénere acústica.

Se as canções de Happies deslumbravam por causa de uma inocência cheia de acne e quase que imploravam para não serem levadas demasiado a sério, Trinkles prova o profundo amadurecimento de um projeto que amplia o elevado nível da estreia e que começa a ter todas as condições para ocupar um lugar de destaque no panorama alternativo norte americano, principalmente no modo como incorpora doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica e as confronta de modo amigavel com uma toada particularmente luminosa e com um travo muito peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

Kid Mountain - Trinkles

01. Cold Glass
02. Walk Around
03. Mindless
04. Curtains
05. Muddy Cloud
06. Spirit Mama
07. Purity Bone
08. Doublevision Television
09. Sugar
10. Two Smooth Stones
11. Bohemiac


autor stipe07 às 21:41
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
Quinta-feira, 10 de Março de 2016

Ghost King - When The Sky Turns Blue

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se prepara para a estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de março, podendo, desde já, ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. O baixo vigoroso e a guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, a primeira amostra divulgada de Bones e disponível para download, é uma excelente demonstração desta cumplicidade que une os Ghost King, em quase três minutos que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, refletindo, nesta amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:48
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Terça-feira, 8 de Março de 2016

Eleanor Friedberger – New View

A cidade que nunca dorme é o habitat natural de Eleanor Friedberger, de regresso aos lançamentos discográficos com New View, onze canções que viram a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da Frenchkiss Records e que voltam a deliciar-nos com uma simbiose feliz entre as vertentes mais clássicas e alternativas do rock, com a folk a fazer a ponte entre dois universos que, replicados em baladas como Open Season e na luminosa Your World quase se fundem, sem fronteiras claramente definidas, o que faz deste registo uma coleção de canções que superou, na minha opinião, tudo aquilo que a autora já tinha conseguido apresentar no seu catálogo.

pic by Philip Cosores

Gravado do outro lado do continente americano, na cidade dos anjos, New View contém esse aspeto mais solarengo e descontraído da costa do pacífico, em oposição à maior frieza do atlântico que banha a costa leste de onde provém. Esta é logo uma das impressões mais fortes do terceiro registo a solo de uma mulher apaixonada, persistente e impulsiva, que não desiste de perseguir os seus sonhos mais verdadeiros e raramente se envergonha por amar e por usar a música como forma de exorcizar os seus fantasmas e dar vida aos seus maiores devaneios, ela que já foi namorada, por exemplo, de Britt Daniel ds Spoon e Alex Kapranos, vocalista dos Franz Ferdinand. Esta atração pelo lado mais afetivo da música transparece nas suas canções, que letra após letra, verso após verso, servem para a autora abrir-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós.

Na verdade, escuta-se New View e o que mais impressiona é uma enorme sensação de sinceridade e o cariz fortemente genuíno das canções. A cantora construiu belíssimas melodias que se entrelaçaram com as letras e com a sua voz marcante com enorme mestria e, ao mesmo tempo, palpita uma notória sensação instintiva, como se ela tivesse deixado fluir livremente tudo aquilo que sente e assim potenciado a possibilidade de nos emocionarmos genuinamente com estas canções. A cândura folk desarmante de Never Is A Long Time e o sussurro de uma voz que nos adverte para as adversidades e os contratempos da vida e o piano deambulante e a brisa jazzística que sobressai da percussão de Cathy, With The Curly Hair, numa canção sobre o lado mais espontâneo e impulsivo do amor, são duas faces desta mesma moeda chamada sinceridade, provando que neste disco Eleanor deu tudo, não se escondeu nem se poupou, melodicamente e sentimentalmente e, por isso, este é um alinhamento que causa impacto e está carregado de sentimento. Ela foi simples e assertiva, sem deixar de nos tocar e de construir algo que podemos usar para explicar as nossas próprias angústias e dores.

No ocaso do disco, a monumentalidade das teclas de A Long Walk clarifica que às vezes mais difícil do que murmurar sobre o amor é enfrentar o amor em si e aceitar o cariz frequentemente finito do mesmo, enquanto sentimento com contornos tantas vezes ambíguos e irracionais. O amor tem múltiplas facetas e este disco serve para nos nos ensinar como abrir o sotão onde guardamos as nossas dores e receios. Muitas vezes, vivemos uma vida inteira sem tocar nele com receio dos fantasmas que possamos despertar. Talvez seja mais fácil fazê-lo ao som deste disco. A única certeza do amor é mesmo ser sempre incerto. Espero que aprecies a sugestão...

Eleanor Friedberger - New View

01. He Didn’t Mention His Mother
02. Open Season
03. Sweetest Girl
04. Your Word
05. Because I Asked You
06. Never Is A Long Time
07. Cathy With The Curly Hair
08. Two Versions Of Tomorrow
09. All Known Things
10. Does Turquoise Work?
11. A Long Walk


autor stipe07 às 18:48
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Segunda-feira, 7 de Março de 2016

Youthless - This Glorious no Age

O londrino Sebastiano Ferranti e o nova iorquino Alex Klimovitsky são a dupla que abraça um extraordinário projeto sonoro sedeado em Lisboa intitulado Youthless, que se estreia hoje mesmo nos discos com This Glorious No Age, dezassete canções disponíveis através da NOS Discos em Portugal e da Club.the.mamoth / Kartel em Inglaterra e que nos oferecem um indie rock com uma singularidade bastante vincada, que conjugado com um abstracismo lírico incomum, estabelece um paralelismo entre uma curiosa obsessão da dupla por tudo aquilo que é elétrico, nomeadamente o modo como a descoberta da eletricidade provocou um caudal massivo de alterações no mundo que nos rodeia e na sociedade em que vivemos e o quanto isso tem de glorioso e de frenético.

Desde que se mostraram ao mundo, de modo mais convicto, com alguns temas que fazem parte do alinhamento deste This Glorious No Age, os Youthless têm tido um percurso fulminante em termos de crescimento, visibilidade e aceitação, com enormes elogios em vários blogues e estações de rádio, quer por cá, quer em Inglaterra e este This Glorious No Age, misturado por Justin Garrish (Vampire Weekend, The Strokes, Weezer) e gravado por Chris Common, Pedro Cruz e a própria banda em vários estúdios caseiros e sótãos entre Lisboa, Sintra e Cascais e que conta com a participação de nomes tão importantes como Francisco Ferreira (Capitão Fausto, Bispo), João Pereira (Riding Pânico, LaMa), Chris Common (These Arms are Snakes, Le Butcherettes), Francisca Cortesão (Minta and the Brook Trout) e Duarte Ornelas, acaba por ser o cluminar deste percurso ascendente que, desde o EP Telemachy, em 2009, procura fazer uma espécie de súmula histórica de um rock heterogéneo e abrangente, que da folk à psicadelia, passando por sonoridades mais progressivas, aborda, de acordo com os autores, temáticas como a desintegração do velho mundo, a viagem rumo a terreno incerto, pesadelos, esperanças de ascensão e a obsessão pelo passado e pelo futuro, sempre com um duplo significado, por um lado muito pessoal, circunstancial, e, por outro, universal e mitológico.

A entrevista que os Youthless amavelmente me concederam e que podes conferir após esta análise, explica sucintamente a abordagem da dupla ao mundo em que vivemos e a sua visão muito própria do mesmo, através daquilo que eles definem como um eu universal, já que houve uma opção claramente ficcional de escreverem sobre aquilo que os rodeia, mas inventando histórias e personagens imaginárias, atrás das quais podem, de certo modo, refugiar-se, sem terem de se comprometer, com pensadores como Marshal Mcluhen e Guy Debord e outros mais contemporâneos, nomeadamente Jaron Lanier e David Graeber, a serem referências obrigatórias, mas também as experiências muito pessoais, algumas bastante curiosas, como irão perceber, de cada um dos músicos.

Cheio de canções intensas e que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da pop, da new wave e do indie rock psicadélico, com um travo glam fortemente eletrificado, This Glorious No Age assenta em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas e onde não falta um piscar de olhos ao punk e ao garage rock. Depois, a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem, frequentemente, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona por um certo charme vintage e um indisfarçável groove. Finalmente, a bateria cola todos estes elementos com uma coerência exemplar e a voz, muitas vezes sintetizada, mas quase sempre sentida e imponente, dá substância e cor às melodias, com todos estes detalhes a subsistirem à sombra de uma feliz simbiose entre a riqueza dos arranjos e a energia e imponência com que eles surgem nas músicas. Há também que realçar o modo como os diferentes temas se interligam, quase sempre através da guitarra, sendo intercalados, frequentemente, com diversos instrumentais, ricos ao nível de efeitos e samples e que fazem todo o sentido no modo como estão colocados. No caso de Holy Ghost e Fuck Buttons and Knobs, são expressivamente intensos e este é outro aspeto importante e que também ajuda a oferecer à sonoridade geral do disco uma sensação festiva e solarenga, mas também fortemente reflexiva e filosófica.

Em suma, num alinhamento de canções com uma sonoridade impar, é possível absorver This Glorious No Age como um todo, mas entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o disco é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Youthless quisessem projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção do alinhamento, sempre com uma assumida pompa sinfónica e eletrificada de modo inconfundível. Falo-vos de uma janela imensa de luz, energia e cor, que nos convida a espreitar para um mundo envolvido por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial, como a luz que refracta no prisma, ou os últimos raios de luz que enchem a íris numa tarde de verão, sob a influência e o calor das leis universais. Espero que aprecies a sugestão...

Sail On

Death of the Tyrannosaurus Rex

Golden Spoon

Neu Wave Suicide

Smersh

Mechanical Bride

Silver Apples

Attention

Pale Horse and Rider

Lightning Bolt

Skull and Bones

Black Keys White Lights

High Places

Holy Ghost

This Glorious No Age

Fuck Buttons and Knobs

Lucky Dragons

Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de This Glorious No Age, o vosso novo registo discográfico, começo com uma questão clichê... Como é que nasceu este projeto?

O Sab e eu conhecemo-nos desde os 14 anos, quando andámos juntos no Instituto Espanhol de Lisboa em Dafundo. Sempre fomos saltando entre países, eu principalmente entre NY e Lisboa e Sab entre Londres e Lisboa. Em 2009 estávamos cá a tocar numa banda que tínhamos desde miúdos, os Three and a Quarter (com o nosso querido amigo Guillermo Landin), e nos tempos mortos desses ensaios começámos os Youthless com uma brincadeira para fazer barulho e rirmo-nos um pouco. Eu era guitarrista e queria aprender a tocar bateria e o Sab queria tentar usar o baixo como se fosse um lead guitar e fazer ambientes sónicos e big riffs à patrão. Mas logo desde o primeiro ensaio começaram a sair muitas músicas e a coisa foi crescendo. No princípio era só no gozo, só queríamos tentar tocar covers mal feitas dos Black Sabbath.                                                      

Desde que se mostraram ao mundo de modo mais convicto, com alguns temas que fazem parte do alinhamento deste This Glorious No Age, a verdade é que o vosso percurso tem sido fulminante em termos de crescimento, visibilidade e aceitação, com enormes elogios em vários blogues e estações de rádio, quer por cá, quer em Inglaterra. Como foi conciliar este percurso ascendente com o processo de conclusão da rodela e que expectativas criaram para a mesma? Querem que This Glorious No Age vos leve até onde? 

A verdade é que o nosso percurso como banda tem sido um pouco estranho. Desde que começámos a banda muita coisa aconteceu muito de repente. Depois do nosso segundo concerto como banda fomos convidados a tocar em Londres e aí a editar com uma editora inglesa. Ao mesmo tempo, o Henrique Amarro convidou-nos para fazer um EP através Optimus Discos e a Enchufada pegou em nós para fazer alguns singles. As coisas cresceram até em 2010, tivémos bastante sorte e sucesso num tour que fizemos no UK e muitos blogs começaram a interessar-se pela banda. Um até nos chamou a melhor nova promessa do ano. Foi nesse momento que começámos a trabalhar este disco e desenvolvemos o conceito e a temática, mas nesse momento eu tive uma lesão muito grave nas costas e nos anos seguintes a minha participação na banda ficou muito limitada. Finalmente, fiquei estou melhor e o disco ficou acabado. De certa forma sentimos que estávamos a começar do zero outra vez, e não tínhamos expectativas muito concretas. Queríamos só editar o trabalho porque este disco é muito pessoal e importante para nós, e depois disso vermos o que acontece. Mas ao mesmo tempo, como dizes, a recepção dos primeiros singles tem sido espectacular e já estamos a tocar no UK outra vez e a receber amor pelo disco cá em Portugal. Isso tudo é uma alegria mas tentamos não fazer planos para o futuro e apenas ir vendo onde é que as coisas nos levam.                                              

Acho que This Glorious No Age é um título fantástico e bastante apelativo. Sendo possível estabelecer um paralelismo entre este nome e a vossa curiosa obsessão, digamos assim, por tudo aquilo que é elétrico (algo que a vossa música tão bem plasma), já que a descoberta da eletricidade provocou um caudal massivo de alterações no mundo que nos rodeia e na sociedade em que vivemos, ao ponto de vivermos numa era que tem algo de glorioso, no sentido do frenético, acham que esta vossa expressão sintetiza, de algum modo, o alinhamento?

Não acho que a nível de som ou composição a nossa música seja particularmente futurista, ou até que seja um bom espelho da actualidade, se calhar porque esteticamente sinto que o atual está a mudar a cada milisegundo. Mas sim, acho que depois de falar com muitos amigos, e agora até com alguns jornalistas sobre as temas e ideias que abordamos no disco, parecem ser temáticas bastante universais. Parece que em toda esta loucura e caos do presente há uma experiência bastante comum que estamos a viver todos juntos, mais ou menos conscientemente, e acho que as músicas são um bom registo disso. Dos medos, estimulações, conclusões e experiências que esta fase da transição de um mundo para outro está a causar em nós.

A que se deve o gosto por tudo aquilo que vos moveu na conceção lírica e sonora do disco, nomeadamente a desintegração do velho mundo, a viagem rumo a terreno incerto, pesadelos, esperanças de ascensão, como as ferramentas moldam o construtor, e a nossa obsessão pelo passado e pelo futuro... num duplo significado, por um lado muito pessoal, circunstancial, e, por outro, universal e mitológico., conforme consta do press release do lançamento?

A nível da estrutura inicial, a história do velho mundo pré-eléctrico a converter-se lentamente no novo mundo de abstração digital... isso veio de ideias que eu estava a desenvolver inspiradas em coisas que estava a ler do Marshal Mcluhen e Guy Debord e outros pensadores contemporâneos como Jaron Lanier e David Graeber. Hoje em dia acho que muitos de nós culpamos os males do mundo moderno no capitalismo, mas sempre senti que o capitalismo e o dinheiro em si, eram sintomas, não são a raiz dos problemas da civilização ocidental. E as ideias de Mcluhen de certa forma explicam a desintegração de certas formas de coexistir em sociedade uns com os outros, por causa das tecnologias que criamos e as amputações que nós fazemos ao psíquico. Em relação às letras em si, são todas baseadas em eventos ou temas muito pessoais. Um é sobre o final de um namoro. Outro é sobre uma experiência verdadeira que tive ao encontrar uma pessoa desconhecida que estava a morrer e tentar salvar essa pessoa. Mas escrevo sobre estas experiencias através da lente da estrutura e ideias das quais mencionei antes. Assim que tudo se converte em alegoria e metáfora.    

Com canções intensas e que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da pop, da new wave e do indie rock psicadélico, com um travo glam fortemente eletrificado, assente em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas, onde não falta um piscar de olhos ao punk e ao garage rock e sintetizações impregnadas com indisfarçável groove, com a bateria a colar todos estes elementos com uma coerência exemplar e uma voz muitas vezes sintetizada, mas quase sempre sentida e imponente, a dar substância e cor às melodias, This Glorious No Age, foi composto de acordo com as vossas preferências, ou também tiveram o foco permanentemente ligado na vertente mais comercial? No fundo, em termos de ambiente sonoro, o que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

Nunca nos focamos no comercial, tentamos escrever o que estamos a sentir no momento. As nossas influências nunca entram de maneira directa nas composições mas sim, obviamente, ouvem-se. Acho que tínhamos umas ideais de como queríamos que o disco soasse... sempre gostámos de usar o ruído e feedback como mais um elemento ambiental, e queríamos arranjos mais complexos e quase narrativas... tipo as vozes dos miúdos e os teclados. Mas também tentámos manter-nos bastante fiéis a como as músicas soam ao vivo e a verdade é que como agora tocamos as músicas há mais tempo, acho que muitas delas ganham ainda mais ao vivo.                              

Confesso que algo que me agradou na audição de This Glorious No Age foi uma feliz simbiose entre a riqueza dos arranjos e a energia e imponência com que eles surgem nas músicas, além do modo como foram interligando os diferentes temas, quase sempre através da guitarra, intercalando-os, frequentemente, com diversos instrumentais, ricos ao nível de efeitos e samples, que fazem todo o sentido no modo como estão colocados e que, no caso de Holy Ghost e Fuck Buttons and Knobs, são expressivamente intensos, diga-se... E todos estes aspetos, na minha opinião, conferem à sonoridade geral do disco uma sensação festiva e solarenga, mas também fortemente reflexiva e filosófica. Concordam?

Sim, exactamente… Há um lado de banda que existe desde sempre, que é energia e a alegria de estar a fazer música juntos, e de eu e Sab convivermos através disso. Mas agora, com este disco acho que também conseguimos tocar em lados mais reflexivos e estranhos e se calhar interessantes. Nos intervalos como dizes, muitas vezes as intenções eram narrativas (como o som de feedback que parecem cavalos no Pale Horse and Rider, que usámos como símbolo dos quatro cavalos da morte a aparecerem na terra mesmo antes da grande “tempestade” que é representado pela música “Lightning Bolt” e às vezes eram mais abstratas e só pelo gozo do som em si.                                               

Apesar do esplendor das guitarras, a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem, frequentemente, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona por um certo charme vintage. Como é a química nos Youthless? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?

Quase todas as nossas composições surgem de improvisos que fazemos juntos (às vezes trazemos ideias ou composições já feitas mas é menos usual)... e normalmente durante esses momentos também surge a ideia atrás da música (a semente da qual depois vem a letra). Mas ao nível dos arranjos, às vezes depois vemos o que a música precisa e vamos moldando e mudando a coisa até gostarmos. Os sintetizadores foram assim, porque as melodias nestas músicas eram um pouco mais complexas e frágeis que outras músicas nossas do passado, por isso achámos que ganhavam muito com acordes e pads que o baixo não conseguia fazer. De certa forma, eram sons e texturas que já ouvíamos na nossa cabeça enquanto compúnhamos as músicas, mas que só se materializaram com a ajuda dos nossos amigos teclistas.

Olhando um pouco novamente para a escrita das canções, em temas como o homónimo This Glorious No Age ou Black Keys White Lights, só para citar dois exemplos, parece-me ter havido uma opção claramente ficcional de escreverem sobre aquilo que vos rodeia, mas inventando histórias e personagens imaginárias, atrás das quais podem, de certo modo, refugiar-se, sem terem de se comprometer... Acertei na mouche ou o meu tiro foi completamente ao lado?

Sim, está bastante certo. As letras são todas sobre experiâncias e observações muito pessoais mas filtradas pelo conceito e estrutura/ história do LP. Por isso, em vez de escrever de um ponto de vista “eu” escrevo quase como se fosse um “eu” universal, ou um “eu” imaginário, exactamente como disseste.                                         

Golden Spoon é um tema particularmente imponente, grandioso, mas adoro o ambiente sonoro de Lucky Dragons. E o grupo, tem um tema preferido em This Glorious No Age                                                  

Para mim pessoalmente vai sempre mudando. A nível de letra acho que Lucky Dragons é o mais elegante de certa forma, mas musicalmente não tenho preferência, às vezes gostamos mais de uma ou outra depende de como sai num concerto ou ensaio.

This Glorious no Age foi produzido por Justin Garrish e gravado por Chris Common, Pedro Cruz, além de vocês, tendo contado com as participações especiais de referências do cenário indie nacional, nomeadamente Francisco Ferreira, João Pereira, Francisca Cortesão e Duarte Ornelas. Como foi o processo de adesão de músicos tão ilustres para a vossa causa?                                     

Justin Gerrish misturou o disco, que para nós foi uma benção muito grande porque acho que foi um disco bastante difícil de misturar por causa de todas as faixas de ruído que usámos em cada música. Nós é que produzimos o disco sozinhos mas com o input musical desta gente toda que lhe acrescentou tanto! Foi uma grande riqueza e honra para nós termos esta gente toda a participar. Muitos já eram amigos com quem tocávamos antes do disco, e o resto ficaram amigos, agora sentimos que temos uma família musical além de só nós os dois. E sempre foi fácil e divertido, foi só convidá-los para a cave do Sebastiano, ou com o Duarte Ornelas fomos até ao Black Sheep Studios, e depois improvisávamos e compartilhávamos ideias.

Como estão a decorrer os concertos de apresentação do disco? E onde podemos ver os Youthless a tocar num futuro próximo?

- 11 de Março, Musicbox, Lisboa

- 12 de Março, Maus Hábitos, Porto

- 18 de Março, Texas Bar, Leiria

- 19 de Março, Salão Brazil, Coimbra

- 1 de Abril, Stairway Club, Cascais

- 15 de Abril, Pouca Terra, Barreiro

- 16 de Abril, Play-Doc, Galiza

- 23 de Abril, Fnac Braga

- 23 de Abril, Convento do Carmo, Braga


autor stipe07 às 18:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Domingo, 6 de Março de 2016

Chris Prythm - Smoke Signals

Patrocinado pela iLL-iteracy, o produtor Chris Prythm está de regresso com Smoke Signals, canção disponível para download e onde o autor manipula os traços caraterísticos e identitários da trip hop e de algumas tendências sintéticas do presente, sem descurar uma subtil e negra dose de sensualidade e suavidade que é sempre possível conferir na tonalidade das canções que este artista replica, trazendo assim, mesmo no seio daquela névoa que faz parte do charme da dupla, brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.Confere...

DOWNLOAD: Free Beat "Smoke Signals" (Prod. By Chris Prythm)


autor stipe07 às 21:04
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sábado, 5 de Março de 2016

The Kills - Doing It To Death

The Kills - Doing It To Death

Os britânicos The Kills de Jamie Hine e Alison Mosshart parecem finalmente decididos a quebrar um hiato discográfico de praticamente meia década, já que o excelente Blood Pressures foi o último disco que a dupla lançou já no longínquo ano de 2011.

Gravado no outro lado do atlântico, em Los Angeles e nos estúdios Electric Lady, em Nova Iorque, Ash & Ice é o nome do novo álbum dos The Kills, um trabalho produzido pelo guitarrista Jamie Hince, com a preciosa ajuda do conceituado John O’Mahoney.

Doing It To Death é a primeira amostra divulgada de Ash & Ice e este tema mostra que o rugoso, crú e visceral punk rock dos The Kills mantém-se intocável, assim como o charme inconfundível de uma dupla única e sem paralelo no universo alternativo atual. Confere...


autor stipe07 às 15:57
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
Sexta-feira, 4 de Março de 2016

Sufjan Stevens - Chicago (Demo)

Sufjan Stevens - Chicago (Demo)

É publico e assumido que Chicago, um dos grandes temas do clássico Illinois, é o meu tema preferido do cardápio rico do norte americano Sufjan Stevens. E será já a um de abril que o músico irá reeditar Illinois em formato vinil. Cada cópia da nova prensagem de um dos grandes registos discográficos de 2005 virá acompanhado da versão demo de Chicago, um tema inédito que dará um maior charme e brilho à moldura sonora estética de um conjunto de canções já com dez anos mas que ainda são verdadeiras jóias, em todos os sentidos. Confere...


autor stipe07 às 21:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)
Quinta-feira, 3 de Março de 2016

Living Hour – Living Hour

O bucolismo de Winnipeg é o poiso dos Living Hour, um projeto sonoro canadiano que acaba de se estrear nos discos com um homónimo, editado a dezanove de fevereiro último através da conceituada Lefse Records e que em oito canções nos oferece uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos deixou até hoje, com fundamentos que remontam à psicadelia que começou a fazer escola na década de sessenta do século passado.

Atraídos por um passado que é hoje alvo de revisão constante por um grande número de bandas oriundas da América do Norte, estes Living Hour têm uma visão bastante atmosférica e contemplativa do rock alternativo dominado por guitarras plenas de distorção, mas particularmente melódicas. Juntando a isso um registo vocal ecoante e uma panóplia infinita de efeitos sintetizados, que dão vida a um clima bastante sentimental, ampliado por letras consistentes, que confortam e destroiem o coração num mesmo verso, está apresentado o contexto geral que norteia este alinhamento.

O lugar onde tocam estes Living Hour é assumidamente retro, com canções do calibre da efusiva Seagull ou da mais resguardada This Is The Place, os dois maiores destaques de Living Hour, a exalarem uma mansidão folk rock psicadélica incomum e capaz de nos envolver num torpor intenso. É uma sonoridade que parece estar presa num qualquer transítor há várias décadas, finalmente libertada com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, tendo ficado disponível algures numa solarenga praia, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, oferece-nos uma estadia de magia e delicadeza invulgares.

Contemplar este disco de estreia dos Living Hour exige a absorção plena e dedicada de uma assumida grandiosidade celestial, onde o ruído se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, imbuída de uma salutar complexidade que coloca os autores rumo à típica pop que se situa num patamar superior de abrangência. Espero que aprecies a sugestão...

Living Hour - Living Hour

01. Summer Smog
02. Seagull
03. This Is The Place
04. Steady Glazed Eyes
05. There Is No Substance Between
06. Mind Goodbyes
07. Miss Emerald Green
08. Feel Shy


autor stipe07 às 17:10
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon... (1)

eu...


more about...

Follow me...

. 51 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Disco da semana

Abril 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
13

14
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


posts recentes

Tellavision - Add Land

Tricycles - Tricycles

Beck – Saw Lightning

Courtney Barnett – Everyb...

The Flaming Lips – King’s...

Tunng – Heatwave

Tame Impala - Borderline

The Drums - Brutalism

The Divine Comedy – Queue...

The Proper Ornaments - Si...

Vampire Weekend – This Li...

The National – Light Year...

Lambchop - This (Is What ...

Deportees - Bright Eyes

Um Corpo Estranho - Homem...

Interpol – The Weekend

The Dodos – The Surface

Ra Ra Riot & Rostam Batma...

Tricycles - Saliva

Kakkmaddafakka – Diplomac...

Idlewild – Same Things Tw...

Fujiya And Miyagi – Flash...

Alen Tagus - Holiday

Tame Impala – Patience

Swimming Tapes - Passing ...

X-Files

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds