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Bloc Party – Hymns

Segunda-feira, 01.02.16

Foi no passado dia vinte e nove de janeiro que chegou aos escaparates Hymns, o quinto registo de estúdio dos britânicos Bloc Party, uma banda londrina liderada pelo carismático vocalista e guitarrista Kele Okereke e referência fundamental do indie rock alternativo do início deste século.

Primeiro álbum dos Bloc Party com o baixista e teclista Justin Harris e o baterista Louise Bartle, Hymns foi produzido por Tim Bran e Roy Kerr e procura relançar a carreira de um projeto que já em 2012 tentou obter um novo fôlego à boleia do visceral Four, mas que tarda em regressar à boa forma dos primórdios. Com uma herança pesada nos ombros e com agulhas também direcionadas para uma carreira a solo, Kele Okereke tem tentado, em abono da verdade, manter os Bloc Party à tona e só o simples fato de o grupo ter sobrevivido às querelas pós lançamento de Four, que resultaram no adeus do baterista Matt Tong e do multi instrumentista Gordon Moakes, é já um sinal positivo e que merece realce, no que concerne ao lançamento deste novo trabalho da banda.

A primeira impressão que estas quinze canções no oferecem é de absoluto domínio por parte do líder dos Bloc Party relativamente à filosofia sonora subjacente, uma ideia que se amplia quando se tenta fazer uma intereseção entre o conteúdo de Hymns e o piscar de olhos ao house e à eletrónica que Okereke tem feito ultimamente, em nome próprio. Logo na sintetização de The Love Within e, pouco depois, nas batidas da ambiental My True Name, aqui numa abordagem oposta, mas no mesmo campo sintético, fica plasmado este ideário. E apesar de temas como a intensa Into The Heart, a animada The Good News ou a soul de Only He Can Heal Me, tentarem salvar a face do indie rock mais cru e punk que ainda poderia caraterizar o momento atual desta banda londrina, a verdade é que é aquele ambiente mais sintético e algo artificial que paira constantemente ao longo da audição eclipsando, assim, qualquer tentativa que Okereke tenha feito de fazer prevalecer o genuíno som que catapultou, há mais de uma década, os Bloc Party para um merecido estrelato. No meio do disco, Virtue acaba por ser aquele tema que faz uma espécie de ponte entre estes dois mundos, pelo modo inspirado como a orgânica das guitarras consegue uma junção simbiótica feliz com os teclados, sendo, infelizmente, caso isolado no alinhamento, algo que deixa um certo amargo de boca a quem percebe que aqui sim, houve acerto e criatividade na nova fórmula que conduz o presente dos Bloc Party.

Urgência, angústia, raiva e caos sempre foram temáticas muito presentes na música deste grupo, não só nas letras, mas também no modo como a crueza e a espontaneidade instrumental exalavam, fluidamente, estas ideias. Em Hymns há apenas resquícios de tudo isto e um notório abrandamento rítmico e mesmo em algumas letras que abordam uma certa espiritualidade e que se focam, quase de certeza, em experiências pessoais do líder da banda, além de ampliarem a tal sensação de dominância por parte do guitarrista e vocalista, transportam-nos para um universo algo complexo e filosófico, que tem pouco a ver com a energia e a genuinidade de antigamente.

Compete ao público em geral e aos fãs mais acérrimos dos Bloc Party decidirem se este Hymns é, ou não, mais um passo em falso na carreira deste grupo. A própria adesão aos concertos da digressão que aí vem e a química no seio da banda durante a mesma, poderão influenciar decisivamente o comportamento comercial deste registo. Seja como for, é impossível evitar o sentimento de uma certa desilusão, naturalmente originada por uma herança pesada e com a qual os Bloc Party ainda não lidam devidamente, mas também por um agregado sonoro demasiado experimental, artificial e etéreo e que não oferece solidez, vibração, consistência e criatividade, com as doses devidas, tendo em conta a assinatura impressa nos créditos de cada canção. Espero que aprecies a sugestão...

Bloc Party - Hymns

01. The Love Within
02. Only He Can Heal Me
03. So Real
04. The Good News
05. Fortress
06. Different Drugs
07. Into The Earth
08. My True Name
09. Virtue
10. Exes
11. Living Lux
12. Eden
13. Paraíso
14. New Blood
15. Evening Song

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publicado por stipe07 às 23:09






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