Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2016

Craft Spells – Our Park By Night

Craft Spells - Our Park By Night

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells lançaram em 2014 um espetacular disco intitulado Nausea, um trabalho que viu a luz por intermédio da Captured Tracks e que sucedeu a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.

No último ano, este grupo norte americano regressou aos lançamentos com a divulgação em formato single de Our Park By Night, canção que chegou finalmente à nossa redação e cujo groove descontraído e solarengo confirma o modo exímio como Vallesteros, o líder e principal compositor dos Craft Spells, sabe como nos presentear com uma chillwave pop simples e cativante, onde não falta uma letra profunda e consistente. Esta é, também instrumentalmente, uma canção com contornos verdadeiramente únicos, onde além do genial efeito da guitarra, também dita leis um baixo que nos conquista automaticamente e de modo envolvente e sedutor. Confere...


autor stipe07 às 13:37
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016

Beliefs – Leaper

Toronto, no Canadá, é o poiso dos Beliefs de Jesse Crowe e Josh Korody, dupla que lançou no passado mês de novembro um compêndio de indie rock absolutamente obrigatório intitulado Leaper, tendo-o feito à boleia da insuspeita Hand Drawn Dracula. É um disco imponente, visionário e empolgante, que assenta no típico indie rock atmosférico, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do shoegaze, da dream pop e do post punk lo fi, a conferirem a estes Beliefs uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum.

Tidal Wave, o contundente tema que abre este disco, é um exemplo corrosivo, hipnótico e contundente da cartilha sonora que os Beliefs guardam na sua bagagem, com o eco da guitarra a assumir, desde logo, um amplo plano de destaque no processo de condução melódica, eficazmente acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria entusiasmante e luminosa. As mudanças de ritmo com que a mesma abastece 1992 e o modo como acompanham o efeito abrasivo da guitarra, ampliam a perceção fortemente experimental e algo soturna, mas intensa e sedutora, de uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Beliefs conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.

À medida que Leaper avança, em composições tão díspares como a etérea Drown ou a caótica e impulsiva Morning Light, torna-se claro que o som destes Beliefs, sendo mais ou menos luminoso, conforme as sensações que cada tema pretende extravasar, é sempre encorpado, decidido e seguro e surpreende o modo como a dupla transforma uma hipotética rispidez visceral em algo de extremamente sedutor e apelativo, com uma naturalidade e espontaneidade curiosas. Depois, escuta-se o rock incisivo de Ghosts e percebe-se não só o modo como o efeito da voz de Jess é um trunfo declarado dos Beliefs, até porque transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína, mas também fica plasmado como determinados arranjos, como aquele que, neste caso, é proporcionado pelo baixo, plasmam com precisão as virtudes técnicas da dupla e o modo como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Na verdade, é impossível, ao longo de todo o alinhamento, ficar indiferente à emotividade que transborda do efeito das guitarras, mas também nos atinge no âmago e de modo contundente o modo como os temas progrides, orientados pela secção percussiva, apoiada numa bateria e num baixo que expandem criatividade e arrojo quase sem limites. Parece, frequentemente, que a dupla foi dominada por uma aúrea psicotrópica lisérgica que lhe tolheu os sentidos, para deixar os instrumentos se expressarem livremente, como é o caso do tema homónimo, numa verdadeira espiral de fuzz rock, rugoso, visceral e psicadélico, cheio de efeitos e flashes, uma ordenada onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock.

Há nestes Beliefs uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos reavivando no ouvinte outros projetos que foram preponderantes nas últimas décadas do século passado e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabús ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Beliefs produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Beliefs - Leaper

01. Tidal Wave
02. 1992
03. Colour Of Your Name
04. Drown
05. Leaper
06. Ghosts
07. Morning Light
08. Go Ahead And Sleep
09. Leave With You
10. Swooner


autor stipe07 às 21:05
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2016

Soulsavers – Kubrick

Do inspirador video do clássico The Universal dos Blur ao excerto de que Frank Ocean se apropriou, devidamente autorizado, de Eyes Wide Shut para o video do seu tema LoveCrimes, o universo da pop e do rock está recheado de créditos onde se pode conferir o nome de Stanley Kubrick, um dos produtores visuais mais inspirados e inspiradores e influentes do nosso tempo, apesar de já ter falecido e desta contemporaneidade cultural que nos assola constantemente com novidades e propostas de relevo, mas onde poucos autores se conseguem destacar e atingir uma mestria que os torne únicos e inconfundíveis, detentores de marcas identitárias próprias verdadeiramente inéditas e incomparáveis.

A obra de Stanley Kubrick é um edifício deslumbrante, que merece ser apreciado com particular devoção e não só por causa de Spartacus (1960), The Shining (1980), Full Metal Jacket (1987), ou 2001 : A Space Odissey (1968), além do filme referido acima, mas também devido ao modo como a música sempre foi uma componente essencial dos seus filmes. Depois de no início de outubro último a dupla Soulsavers de Rich Machin e Ian Glover ter editado um disco a meias com Dave Gahan, dos Depeche Mode, intitulado Angels & Ghosts, poucas semanas depois foi a vez de ver a luz do dia Kubrick, pouco mais de trinta minutos que homenageiam o malogrado cineasta norte americano, à boleia de oito instrumentais que replicam, de certo modo, a típica atmosfera visual e sonora do universo cinematográfico de Kubrick e cujos títulos são inspirados em personagens das obras mais significativas do cardápio do realizador.

Se a mercurial e exuberante DeLarge advém do segundo nome de Alex, o sociopata que protagoniza A Clockwork Orange (1971), já a contemplativa e iluminada canção Dax relaciona-se com o nome do coronel à volta do qual gira o argumento de Paths Of Glory (1957), protagonizado por Kirk Douglas. Estes são apenas dois exemplos do ideário sonoro detalhado e feliz que se pode escutar nesta obra sonora obrigatória não só para os verdadeiros apreciadores da cinematografia de Stanley Kubrick, mas também para todos aqueles que gostam de se deixar envolver por peças sonoras que os embalem num casulo de seda, criadas por uma dupla que possui uma soul claramente envolvente e uma espiritualidade invulgar e introspetiva, dois aspetos que transbordam deste conjunto de melodias doces com um leve toque clássico e que, tal como um filme de Kubrick, se escutam e se vêem com invulgar fluidez. Espero que aprecies a sugestão...

Soulsavers - Kubrick

01. DeLarge
02. Clay
03. Torrance
04. Dax
05. Joker
06. Hal
07. Mandrake
08. Ziegler


autor stipe07 às 18:38
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mr. Gnome – Monster’s Heart

Lançado em novembro de 2014, o fantástico álbum The Heart Of A Dark Star, da dupla norte-americana mr. Gnome, continua a oferecer dividendos a este curioso projeto de Cleveland formado por Nicole Barille e Sam Meister.

Foram lançados em formato vinil Sleepwalker e Monster's Heart, dois temas que sobraram das sessões de gravação desse disco e que agradarão a todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado art rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo. Confere...

01. Sleepwalker
02. Monster’s Heart


autor stipe07 às 17:18
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Domingo, 3 de Janeiro de 2016

Will Butler - City On A Hill

Um pouco fora de tempo, divulgo uma novo tema do canadiano Will Butler, uma das peças fundamentais da engrenagem do rock chamada Arcade Fire e figura de relevo do universo sonoro indie. Disponível para download gratuito, City On A Hill é o nome dessa canção, uma peça sonora assente num piano particularmente delicado e brilhantemente ingénuo e sedutor, a oferecer-nos um Butler de smoking aprumado, íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, cheio de imagens, metáforas e mistério. Confere...


autor stipe07 às 18:02
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