Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

Black Market Karma – The Sixth Time Around

Depois de em 2012 terem editado ComatoseCoccon, e Easy Listening, três álbuns amplamente divulgados em Man On The Moon, os londrinos Black Market Karma, uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker, voltaram aos discos em janeiro de 2014 com Upside Out Inside Down, mantendo-se assim na rota de um indie rock que aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, de modo simultaneamente denso e dançável, oferecendo-nos consecutivos compêndios de um acid rock psicadélico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

The Sixth Time Around é a nova etapa desta demanda que parece não ter fim, o sexto capítulo de uma saga sonora abrigada à sombra de guitarras distorcidas e carregadas de alucinógeneos, com temas como Jokerjam ou Coming Down And About a revelarem duas faces de uma mesma moeda onde nomes tão consensuais como os vintage The Velvet Underground, Jesus And Mary Chain e Rolling Stones e outros mais contemporâneos, nomeadamente Black Rebel Motorcycle Club, The Horrors e os Brian Jonestown Massacre são eixos sonoros que balizam com precisão um caldeiraã psicadélico que condensa o melhor que há no shoegaze e no rock alternativo, com travos de folk e blues. Letárgico e com as habituais vozes etéreas, linhas de baixo bem vincadas, guitarras salpicadas com camadas de efeitos e distorções planantes e uma bateria cativante, The Sixth Time Around é um compêndio sonoro pleno de personalidade, onde não falta aquela aúrea melodicamente intensa e propositadamente contemplativa que tantas vezes carateriza o trajeto destes Black Market Karma, atraídos por um forte travo setentista que nos permite aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Black Market Karma - The Sixth Time Around

01. The First Time Around
02. Timed Response
03. Coming Down And About
04. The Second Time Around
05. Jokerjam
06. When The Sound Comes Slow
07. The Third Time Around
08. Shakey Greetings
09. Mule Kick
10. The Fourth Time Around
11. Wherever You’d Like
12. At Either End (The Twin)
13. The Fifth Time Around
14. Always Everywhere
15. The Noise in Your Head
16. The Sixth Time Around


autor stipe07 às 19:15
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Radiohead - Spectre

Disponível para download gratuito, Spectre é a mais recente obra sonora divulgada pelos britânicos Radiohead de Thom Yorke, um tema com uma dimensão sonora particularmente épica e orquestral, com o típico ambiente soturno que a banda tão bem recriou há quase uma década em In Rainbows.

Esta canção foi composta pela banda para tema principal do mais recente capítulo da saga James Bond, acabando por ser rejeitada pela produção e a tornar-se agora numa oferta natalícia do grupo de Oxford a todos nós, que ficamos em sentido cada vez que dão um sinal de vida. Já agora, adivinha-se disco novo dos Radiohead em 2016...


autor stipe07 às 19:05
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015

Os melhores discos de 2015 (10-01)

10 - In Tall Buildings - Driver

Rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, Driver tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Hall sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Este é um álbum essencial, recheado de paisagens sonoras simples e amenas, de algum modo descomplicadas e acessíveis, mas que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto.

Bawl Cry Wail

All You Pine

Exiled

Unmistakable

Aloft

Flare Gun

I'll Be Up Soon

Cedarspeak

When You See Me Fall

Pouring Out

9 - Dutch Uncles - O Shudder

Com imensas canções que abrem de par em par uma enorme janela de luz chamada O Shudder, espreita-se para dentro e torna-se firme a evidência da firmeza sonora identitária dos Dutch Uncles, que apreciam abordar a pop indo um pouco além dos padrões comuns. Assim, exuberância e cor são sensações transversais ao ambiente de toda a obra, impecavelmente produzida, rica em detalhes curiosos e a exalar um charme que deve também imenso ao registo vocal em falsete de Duncan, que ajuda à aproximação entre a banda e o ouvinte, ao mesmo tempo que confere a densidade correta às letras, ajudando a que o conjunto final de muitas canções tenha vida e um pulsar que não nos passa despercebido.

Babymaking
Upsilon
Drips
Decided Knowledge
I Should Have Read
In n Out
Given Thing
Don’t Sit Back (Frankie Said)
Accelerate 
Tidal Weight
Be Right Back

8 - Blur - The Magic Whip

The Magic Whip é uma esplendorosa amálgama de todo o referencial identitário de um quarteto, que da britpop, ao experimentalismo ruidoso, passando pela eletrónica e pelo fascínio do lo-fi, criou canções que fazem parte do imaginário sonoro da civilização ocidental contemporânea. Em 2015 os Blur oferecem-nos uma ode nostálgica a toda a sua herança, mas também mostram estar familiarizados com as tendências mais atuais, sugerindo uma visão muito prória e claramente identificada com o adn identitário do quarteto, da pop e do indie rock atuais. Em suma, apresentam-se fortemente criativos, generosos e com vontade de continuarem a serem considerados uma referência obrigatória.

Blur - The Magic Whip

01. Lonesome Street
02. New World Towers
03. Go Out
04. Ice Cream Man
05. Thought I Was A Spaceman
06. I Broadcast
07. My Terracotta Heart
08. There Are Too Many Of Us
09. Ghost Ship
10. Pyongyang
11. Ong Ong
12. Mirrorball

7 - Aero Flynn - Aero Flynn

Aero Flynn é de uma subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que são já um referencial obrigatório de alguns dos melhores momentos ambientais deste ano e que personificam uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual.

01. Plates2
02. Twist
03. Dk/Pi
04. Crisp
05. Tree
06. Floating
07. Maker
08. Brand New
09. Moonbeams

6 - Here We Go Magic - Be Small

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Be Small tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, através de um disco assertivo, onde os Here We Go Magic utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente único e imponente e que obriga a crítica a ficar mais uma vez particularmente atenta a esta nova definição sonora que deambula algures pela big apple.

Here We Go Magic - Be Small

01. Intro
02. Stella
03. Be Small
04. Falling
05. Candy Apple
06. Girls In The Early Morning
07. Tokyo London US Korea
08. Wishing Well
09. Ordinary Feeling
10. News
11. Dancing World

5 - Glass Vaults - Sojourn

Muitas vezes o inexplicável surge diante de nós e escorre pelos nossos ouvidos em forma de música e Sojourn peca e não merece sequer perdão pelo modo como desarma o ouvinte impossibilitando-o de utilizar expressões e vocábulos comuns e claramente entendíveis para descrever e classificar o seu conteúdo. Disco quase indecifrável e com uma linguagem pouco usual mas merecedora de devoção, é capaz de projetar nos nossos ouvidos uma tela cheia de sonhos e sensações que muitas vezes apenas pequenos detalhes ou amplos arranjos conseguem proporcionar. Na verdade, estes Glass Vaults oferecem-nos gratuitamente a possibilidade de usarmos a sua música para expor dentro de nós sentimentos de alegria e exaltação, mas também de arrepio e um certo torpor perante a grandiosidade de uma receita sonora cujos fundamentos lhes foram revelados em sonhos, já que só eles conseguem descodificar com notável precisão o seu conteúdo.

Glass Vaults - Sojourn

01. Intro
02. Life Is The Show
03. West Coast
04. Sojourn
05. Everyone’s An Artisan Now
06. Sacred Heart
07. Ancient Gates
08. Come And Be Beautiful
09. Slow Down
10. Your Blood
11. Don’t Be Shy

4 - The Dodos - Individ

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Individ é mais um tiro certeiro na carreira desta dupla de São Francisco e talvez o melhor álbum dos The Dodos até ao momento, não só por causa das suas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional.

The Dodos - Individ

01 Precipitation
02 The Tide
03 Bubble
04 Competition
05 Darkness
06 Goodbyes And Endings
07 Retriever
08 Bastard
09 Pattern/Shadow

3 - Viet Cong - Viet Cong

Viet Cong é uma estreia em grande estilo de um coletivo irreverente e inspirado, uma irrepreensível coletânea que aposta numa espécie de hardcore luminoso, uma hipnose instrumental abrasiva e direta, mas melodiosa e rica, que nos guia propositadamente para um mundo criado específicamente pelo grupo, onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Viet Cong produzem, feita com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico.

Viet Cong - Viet Cong

01. Newspaper Spoons
02. Pointless Experience
03. March Of Progress
04. Bunker Buster
05. Continental Shelf
06. Silhouettes
07. Death

2 - Deerhunter - Fading Frontier

Fading Frontier é um daqueles registos discográficos onde a personalidade de cada uma das canções do alinhamento demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas é incrivelmente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que as distingue e que sustenta a bitola qualitativa de um disco incubado por um grupo que vive no pico da sua produção criativa, porque exige e consegue navegar sem parcimónia em diferentes campos de exploração. A imprevisibilidade é, afinal, algo de valor no mundo artístico e Bradford Cox, uma dos personagens mais excêntricas no mundo da música de hoje, continua a jogar com essa evidência, a seu favor, à medida que apresenta diferentes ideias e conceitos de disco para disco, tendo, neste caso, excedido favoravelmente todas as expetativas e criado um dos álbuns essenciais do ano.

Deerhunter - Fading Frontier

01. All The Same
02. Living My Life
03. Breaker
04. Duplex Planet
05. Take Care
06. Leather And Wood
07. Snakeskin
08. Ad Astra
09. Carrion

1 - Yucatan - Uwch Gopa’r Mynydd

Tendo na algibeira este álbum que conceptual e estilisticamente se fecha dentro de um campo próprio, intensamente místico e imerso num plano sonoro gracioso e sendo devidamente apreciados, estes Yucatan poderão ser acusados formalmente e posteriormente sentenciados, sem possibilidade de recurso, de serem responsáveis por uma nova geração de ouvintes se voltar a aproximar da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação sonora, que incluem tantas vezes estranhos mas produtivos diálogos sempre passíveis de existir neste imenso mar de possibilidades chamado música. São discos como estes que impelem qualquer amante e crítico musical a nunca virar a cara à luta, nem se deixar absorver pelo desalento da incompreensão.

Yucatan - Uwch Gopa’r Mynydd

01. Ffin
02. Cwm Llwm
03. Word Song
04. Halen Daean A Swn Y Mon
05. Ochenaid
06. Llyn Tawelwch
07. Angharad
08. Uwch Gopa’r Mynydd


autor stipe07 às 22:54
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2015

Os melhores discos de 2015 (20-11)

Aproxima-se o final do ano e o momento de fazer o balanço discográfico de 2015. Como é habitual, Man On The Moon começa hoje a publicar a lista daqueles que considera terem sido os vinte melhores discos do ano, abrindo as hostilidades com os lançamentos discográficos posicionados da vigésima à décima primeira posição. Confere...

20 - Moon Duo - Shadow Of The Sun

Shadow Of The Sun é o terceiro tomo de uma saga que merece figurar já nos anais dos melhores percursos discográficos da última década, mais uma coleção de nove excelentes canções e que elevam os Moon Duo para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que a dupla apresentou até então. Esta é uma irrepreensível coletânea de rock psicadélico, proposta por um casal que aposta numa espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip pelo deserto, com o sol quente na cabeça, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe.

Moon Duo - Shadow Of The Sun

01. Wilding
02. Night Beat
03. Free The Skull
04. Zero
05. In A Cloud
06. Thieves
07. Slow Down Low
08. Ice
09. Animal

19 - Vetiver - Complete Strangers

Vetiver é mestre a misturar harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz grave, mas suave e confessional, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido, além de arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação. As canções deste disco falam do nosso interior com clareza e ressuscitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Os lindíssimos acordes que nos vão surpreendendo ao longo do álbum dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante de calcorrear a vida real, desde que haja portos de abrigo como este durante o percurso, trabalhos discográficos que nos dão as pistas certas para uma vivência existencial plena e verdadeiramente feliz.

Vetiver - Complete Strangers

01. Stranger Still
02. From Now On
03. Current Carry
04. Confiding
05. Backwards Slowly
06. Loose Ends
07. Shadows Lane
08. Time Flies By
09. Edgar
10. Last Hurrah

18 - Courtney Barnett - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Respirar ao som deste disco é saborear automaticamente um clima festivo sem paralelo e dar de caras com um compêndio sonoro que não poderia ter melhor nome, já que nele Courtney prende hermeticamente nos seus punhos e transmite depois para as letras e finalmente, para o modo como as canta, o turbilhão ruminante de uma qualquer mente quotidiana, criando um universo familair e cativante que facilmente nos enclausura. São onze canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, uma verdadeira explosão de cores e ritmos, personificada num disco arrebatador e real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós.

Elevator Operator
Pedestrian at Best
An Illustration of Loneliness (Sleepless in NY)
Small Poppies
Depreston
Aqua Profunda!
Dead Fox
Nobody Really Cares if You Don't Go to the Party
Debbie Downer
Kim's Caravan
Boxing Day Blues

17 - Overlake - Sighs

Sighs é um excelente disco e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. Aqui encontras dez canções que quer estejam assentes numa pop com traços de shoegaze ou num indie rock carregado de psicadelia, trazem sempre consigo uma sobriedade sentimental que pode servir de contraponto em instantes mais sombrios e de cariz lo-fi, mas também para marcar a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve os Overlake e para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este grupo.

Overlake - Sighs

01. First
02. Disappearing
03. Not Enough
04. Back To The Water
05. Fell Too Far
06. Your KS
07. We’ll Never Sleep
08. Our Sky
09. Is This Something?

16 - Foreign Diplomats - Princess Flash

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Princess Flash tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, mas também comercial, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa.

Foreign Diplomats - Princess Flash

01. Lies (Of November)
02. Comfort Design
03. Queen+King
04. Color
05. Flash Sings For Us
06. Lily’s Nice Shoes!
07. Beni Oui Oui
08. Mexico
09. Guns (Of March)
10. Crown
11. Drunk Old Paul (And His Wild Things)

15 - Beach House - Depression Cherry

A pop experimental dos Beach House está cada vez mais elaborada e charmosa. E Depression Cherry é tudo menos um disco igual a tantos outros ou um compêndio sonoro comum. Nele viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa melancolia épica algo inocente, mas com uma tonalidade muito vincada e que sopra na nossa mente de modo a envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.

Beach House - Depression Cherry

01. Levitation
02. Sparks
03. Space Song
04. Beyond Love
05. 10:37
06. PPP
07. Wildflower
08. Bluebird

14 - The Jungle Giants - Speakerzoid

Speakerzoid é um inventido e luxuriante compêndio de canções que entre o indie rock, o hip hop e a pop psicadélica, nos oferece uma sonoridade geral heterógenea e uma groove viajante com uma estética mais próxima de uma certa pop negra avançada, fazendo-o com uma vibração excitante, numa revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico. Cheio de espaço, com texturas e fôlegos diferentes e onde é transversal uma sensação de experimentação caseira, Speakerzoid clarifica as novas coordenadas que se apoderaram do departamento de inspiração deste quarteto, mostrando uns The Jungle Giants cada vez mais heterogéneos e abrangentes.

The Jungle Giants - Speakerzoid

01. Every Kind Of Way
02. Devil’s Play
03. Kooky Eyes
04. Lemon Myrtle
05. What Do You Think
06. Mexico
07. Creepy Cool
08. Not Bad
09. It Gets Better
10. Together We Can Work Together
11. Tambourine
12. Work It Out (Bonus Track)

13 - Tame Impala - Currents

Cheio de espaço, minimal e carregado de sintetizadores impregnados de efeitos, com texturas e fôlegos diferentes e onde aquela sensação de experimentação caseira ainda bem presente, além de letras simples e até algo vagas, Currents clarifica as novas coordenadas que se apoderaram do departamente de inspiração de Parker, sendo o resultado da sua nova ambição em se rodear com uma aúrea resplandescente e romântica e de mostrar uns Tame Impala renovados e cada vez mais heterogéneos e abrangentes.

Tame Impala - Currents

01. Let It Happen
02. Nangs
03. The Moment
04. Yes I’m Changing
05. Eventually
06. Gossip
07. The Less I Know The Better
08. Past Life
09. Disciples
10. Cause I’m A Man
11. Reality In Motion
12. Love/Paranoia
13. New Person, Same Old Mistakes

12- Leapling - Vacant Page

Vacant Pagé é um disco cheio de emoções fortes, inédito no modo como dificulta uma catalogação rigida e bem balizada, intemporal no cruzamento transversal que faz entre os mais variados espetros do universo sonoro indie, delicado na invocação de sentimentos felizes, divertido na forma como esbanja ritmo e sensualidade e jovial no modo como pode conquistar na nossa prateleira discográfica aquele recanto especial onde se guardam aquelas coleções de canções que chamamos para a parada dos nossos momentos mais genuínos, muitas vezes ocupados na busca por uma musicalidade amena, coberta por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis.

Vacant Page cover art

Negative Space

Flesh Meadows

N.E.R.V.E.

Going Nowhere

Crooked

Retrograde

Silent Stone

Hung Out To Dry

Slip Slidin' Away

In Due Time

11 - Pond - Man It Feels Like Space Again

Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é Man It Feels Like Space Again, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os Pond sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Man It Feels Like Space Again

01. Waiting Around For Grace
02. Elvis’ Flaming Star
03. Holding Out For You
04. Zond
05. Heroic Shart
06. Sitting Up On Our Crane
07. Outside Is The Right Side
08. Medicine Hat
09. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 17:17
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Sábado, 26 de Dezembro de 2015

The Sweet Serenades – Animals

Os suecos The Sweet Serenades são uma dupla natural de Estocolmo, formada em 2002 por Martin Nordvall e Mathias Näslund, mas já se conhecem há vários anos, sendo amigos de longa data desde 1991. Depois de terem editado quase no ocaso de 2012 o estrondoso Help Me!, através da Leon Records, um selo da própria banda, estão de regresso com Animals, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no início do passado mês de outubro. O grupo estreou-se nos discos em 2009 com Balcony Cigarettes, rodela que continha On My Way, Mona Lee e Die Young, três canções que, à época, fizeram furor no universo musical indie e alternativo. Esse último tema fez parte da banda sonora da Anatomia de Grey e reza a lenda que gastaram os royalties muito bem gastos; Martin foi ao dentista, Mathias comprou um cão e investiram numa rouloute, para passar o tempo, escrever canções e discutir assuntos pertinentes relacionados com a existência humana.

Um dos atributos maiores desta dupla sueca é ser dona de uma sonoridade muito própria e estilisticamente vincada, apropriando-se de algumas das melhores caraterísticas da pop nórdica oitocentista e do indie rock de século passado, com um toque identitário muito próprio e impregnado com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciado com devoção. Escuta-se When The Man Calls e testemunha-se com exatidão todos os atributos que esta dupla tem cultivado na sua discografia, através de uma canção que contém a impressão firme de todas as nuances que caraterizam o som do grupo e que são transversais a toda a sua discografia.

Assim, um baixo com um groove e um efeito muito próprio, que, neste Animals, coloca todas as fichas na condução de temas como Fireworks ou In The Dark e uma guitarra enérgia mas cativante e abraçando diferentes géneros e estilos, já que é irrepreensível no modo como ilumina, por exemplo, Come Out And Play e como aproxima os The Sweet Serenades do punk rock mais obscuro e contemplativo em Ready For War, são os dois grandes alicerces desta matriz particularmente intensa e sem paralelo. No entanto, sintetizadores aditivos, inspirados em canções como In The Dark ou no homónimo e uma bateria enérgica e indomável, são outros ingredientes de que esta dupla se serve para nos oferecer melodias cativantes, alegres, aditivas, divertidas e luminosas, daquelas que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, como Too Late To Dance, canção que ocnta com a participação especial de Karolina Komstedt na voz, os The Sweet Serenades não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçar em sonhos por realizar, não colocam em causa o espírito cativante de uma música simples e intrigante, feita de intimismo romântico e que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação.

O que aqui temos é, no fundo, uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos e que, por esse e tantos outros motivos que só uma audição dedicada explica, reforçam a justeza da obtenção por parte destes The Sweet Serenades de uma posição de maior relevo, reconhecimento e abrangência junto do público em geral. Espero que aprecies a sugestão...  

The Sweet Serenades - Animals

01. Come Out And Play
02. Fireworks
03. In The Dark
04. Ready For War
05. When The Man Calls
06. Never Gonna Stop
07. Too Late To Dance
08. Echoes
09. Animals
10. Stand By Me


autor stipe07 às 21:00
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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2015

Kowalski – The Kowalski Archives: 2007 – 2009

Louis Price, Paddy Coon, Tom O'Hara e Paddy Baird são os Kowalski, uma banda irlandesa por cá há cerca de uma década e que acaba de editar uma coleção de canções, disponível para download gratuito, ou com a possibilidade de doares um valor e que faz uma espécie de súmula de alguns dos melhores instantes da fase inicial de uma carreira amplamente reconhecida no país de origem do grupo, mas que carece de uma visibilidade internacional que seria bem merecida.

Mestres em escrever sobre sentimentos e emoções, plasmadas em letras profundas e intensas, que debruçando-se sobre as relações humanas podem, potencialmente, ser fonte de identificação para qualquer um de nós, os Kowalski testam a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil com vitórias e derrotas para ambos os lados, mas sempre com a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe como agradar aos fãs.

The Kowalski Archives: 2007 – 2009 é, portanto, uma amostra clara do modo como este quarteto abriu as hostilidades de uma carreira que tem dado uma elevada primazia a detalhes tipicamente pop, com as teclas e alguns arranjos sintéticos a surgirem com insistência no edifício das canções, mas sempre agregados à guitarra e a belíssimos efeitos, com um forte cariz etéreo. No entanto, não se pense que o indie rock puro e genuíno não faz parte do cardápio do grupo; Se Phil Cansus é um portento sonoro épico conduzido por guitarras cheias de distorção, Top Body Shot segue a linha com uma superior dose de eletrificação, com Untitled 1, uma das minhas canções preferidas deste disco, a ser aquele indispensável tratado de dream pop que justifica imensas loas a este alinhamento, uma canção que não fica a dever nada aos melhores intérpretes atuais deste subgénero musical.

Outro exemplo maior desta primazia de elementos tipicamente pop de uma coletânea registada maioritariamente ao vivo e com várias sessões intimistas,mas impecavelmente produzido, é Stinck Of Change, outro sinal genuíno do modo assertivo como os Kowalski escrevem com a mira bem apontada ao nosso âmago, plasmando todas as sensações positivas provocadas por esse processo de criação sonora que, no caso deste grupo, deverá ser um momento reconfortante de incubação melódica, também um dos ingredientes indispensáveis para que comecemos a olhar para este grupo com um olhar mais abrangente e dedicado. Espero que aprecies a sugestão...

Kowalski - The Kowalski Archives 2007 - 2009

01. Oh My Good God (Courtyard Sessions – Nov 2007)
02. Stink Of Change (Courtyard Sessions – May 2008)
03. Untitled 1 (Live From Vence – Jan 2009)
04. Phil Cansus (Oh Yeah – Apr 2008)
05. Little House (Courtyard Sessions – May 2008)
06. Jennifer Stringer (Courtyard Sessions – May 2008)
07. New York Games (Courtyard Sessions – Nov 2007)
08. Top Body Shot (BBC live – Feb 2007)
09. Another Plan (Blueroom Live – Sept 2007)
10. What’s In The Bag Boss? (Blueroom Live – Feb 2007)
11. Dawn (Blueroom Live – Mar 2008)
12. Untitled 3 (Live From Vence – Jan 2009)
13. Untitled 2 (Live From Vence – Jan 2009)
14. Untitled 4 (Live From Vence – Jan 2009)
15. Like You Too (Blueroom Live – Mar 2008)


autor stipe07 às 18:49
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015

Mando Diao – Leave No Trace Behind

Mando Diao - Leave No Trace Behind

Os suecos Mando Diao andam por cá desde 2001 e ganharam enorme notoriedade após o lançamento do segundo álbum Hurricane Bar. Conheci-os em 2009 quando, em Give Me Fire, se podia ouvir Gloria e Dance With Somebody, dois temas que os colocaram definitivamente no meu radar. Três anos depois, impressionaram-me novamente graças a Infruset, um disco cantado integralmente em sueco e que marcou uma transformação sonora na banda, até então fortemente influenciada pelo rock de garagem norte americano, mas a virar agulhas para um som mais límpido e sensível, além de não renegarem as suas origens.

Leave No Trace Behind, um novo tema disponibilizado pelos Mando Diao e composto para o projeto Let The Baltic Sea Life, que pretende chamar a atenção para os graves problemas ambientais que assolam o mar Báltico, é mais um passo em frente nesta inflexão sonora brilhante, oferecendo-nos uns Mando Diao sagazes no modo como conseguem captar a essência emocional particularmente melancólica das paisagens que o país de origem da banda oferece ao mundo, à boleia de uma melodia plena de groove, mas também serena, luminosa e bastante introspetiva. Confere...


autor stipe07 às 16:18
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015

Cage The Elephant – Tell Me I’m Pretty

Lançado no passado dia dezoito de dezembro pela RCA Records, Tell Me I'm Pretty é o quarto álbum dos norte americanos Cage The Elephant, uma banda formada por Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo) e Lincoln Parish (guitarra) e oriunda de Bowling Green, no Kentucky. Este novo disco dos Cage The Elephant foi produzido por Dan Auerbach e conduz-nos por uma verdadeira  road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.

Da psicadelia à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Cage The Elephant, que atravessam o momento mais confiante, criativo e luminoso da sua já respeitável carreira. O baixo impetuoso e o riff de guitarra imponente de Dry Baby empurram-nos para um ambiente muito próprio, simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de quatro minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Fica dado o mote para um registo com elevado efeito soporífero, mas também acessível e do agrado de um público mais abrangente, como se percebe logo em Mess Around e Sweetie Little Jean, canções que mantêm o fuzz da guitarra da primeira canção, mas onde também sobressai a luminosidade folk de algumas cordas com um espírito particularmente jovem e bastante beliçoso, que nos recordam o período aúreo da pop sessentista. E a verdade é que com estes temas iniciais ficam logo plasmadas as verdadeiras intenções dos Cage The Elephant, que, não caindo na tentação de complicar, mostram-se mais corajosos e abertos a um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, mas que mostra novos atributos e maior competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções.

Disco impregnado de sons hipnóticos e melodias psicadélicas, muito apropriadas para quem é viciado por música e pela capacidade que ela pode ter de provocar reações físicas verdadeiramente psicotrópicas, Tell Me I'm Pretty balança, portanto, entre a típica rugosidade do rock feito sem adereços desnecessários, mas que impressiona pela forma como as cordas são manuseadas e produzidas e a calorosa e acústica pop, misturada com um salutar experimentalismo psicadélico. Se a primeira nuance acaba por fazer também juz ao universo sonoro que mais agrada a Dan Auerbach e que em temas como Too Late To Say Goodbye e That's Right, mas principalmente em Punchin' Bag fica claramente explícito, já o segundo aspeto mais notado neste alinhamento, com pontos altos assentes na luminosidade de Cold Cold Cold, na epicidade e na cândura de Trouble, é aquele que nos oferece maior dose de imprevisibilidade e ineditismo,  várias vezes pensada para fugir aos habituais cânones em termos de formatação sonora.
A minha noção de identidade faz-me desde logo suspeito relativamente à isenção da análise, mas a verdade é que é em Portuguese Knife Fight que acabas por ser sugado para uma espécie de centrifugadora, que mistura alguns dos mais saborosos ingredientes do rock alternativo atual, com um resultado que te faz sentir emoções fortes e verdadeiramente inebriantes, numa canção que é um verdadeiro caldeirão sonoro, onde o experimentalismo dita a sua lei, principalmente nos efeitos e no fuzz que é debitado nas guitarras. E este tema que encerra Tell Me I'm Pretty é um retrato fiel e conciso de uma coleção de temas que nos deixam constantemente à espera que surja nos nosso ouvidos algo de imprevisível e inédito e que contribui para que sejamos definitivamente absorvidos pela mente insana de uma banda sem preocupações estilísticas ou de obediência cega a fronteiras sonoras e que voltou a criar um conjunto de canções plenas de originalidade e com uma elevada bitola qualitativa e que, neste caso, desafiam os hábitos do sentido da audição, enquanto brincam com os nossos sentimentos mais íntimos. Espero que aprecies a sugestão...

Cage The Elephant- Tell Me I'm Pretty

01. Cry Baby
02. Mess Around
03. Sweetie Little Jean
04. Too Late To Say Goodbye
05. Cold Cold Cold
06. Trouble
07. How Are You True
08. That’s Right
09. Punchin’ Bag
10. Portuguese Knife Fight


autor stipe07 às 21:30
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Domingo, 20 de Dezembro de 2015

Os Melhores Discos de 2015: As Escolhas dos Leitores

Aproxima-se o final do ano e o momento de fazer o balanço discográfico de 2015. Como é habitual, este blogue irá publicar a lista daqueles que considera terem sido os vinte melhores discos do ano, mas em Man On The Moon os leitores também tiveram direito a opinar sobre este assunto.

Para esta edição especial de Os Melhores Discos de 2015: Lista dos Leitores, o blogue propôs aos seus seguidores e leitores que votassem naqueles que consideraram terem sido os cinco melhores discos nacionais e internacionais de 2015. Essa votação poderia ser feita até ao passado dia dezoito de dezembro (sexta-feira), por email.

Como apenas três leitores participaram no evento, o blogue considera justo divulgar a votação de cada um deles, em vez de fazer um levantamento dos trabalhos mais citados. Seguem as três listas recebidas e em breve divulgarei qual dos três foi o grande vencedor deste concurso, a escolher por sorteio.

Luis Ferreira

Lista Nacional 
1 Tv Rural Sujo
2 Beatify Junkyards The beast shouted love
3 Os Capitaes da Areia A Viagem dos capitaes da Areia a bordo do Apolo 70
4 Pega Monstro Alfarroba
5 Benjamim Auto-Radio
 
Lista Internacional
1 Father John Misty I love you honeybear
2 Tame Impala Currents
3 Joanna Newson Divers
4 Beach House Depression Cherry
5 Wilco Star Wars
 
Ricardo Fernandes
Lista Nacional:
1 Best Youth
2 Os Capitães da Areia
3 Balla
4 David Fonseca
5 Modernos
 
Lista Internacional:
1 Tame Impala
2 Blur
3 Viet Cong
4 Pond
5 Foals
 
Pedro Pereira
Lista Nacional
1 - Fandango - Fandango
2 - A Jigsaw - No True Magic
3 - Best Youth - Highway Moon
4 - Moulinex - Elsewhere
5 - Márcia - Quarto Crescente 
 
Lista Internacional
1 - Sufjan Stevens - Carrie & Lowell 
2 - Max Richter - from SLEEP
3 - Beach House - Thank Your Lucky Stars
4 - Destroyer - Poison Season
5 - Daniel Knox - Daniel Knox
 

autor stipe07 às 18:38
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015

Bed Legs - Vicious

Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo e David Costa são os Bed Legs, uma banda que começou por criar um certo e justificado burburinho à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e que continha cinco canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

Dois anos depois os Bed Legs estão de regresso com o longa duração de estreia. Disco de certo modo concetual já que, de acordo com o press release do lançamento, conta a história de uma noite estranha naquele bar onde entras enganado, mas do qual não queres sair, Black Bottle é o nome desse novo compêndio do grupo, nove canções que, de acordo com Vicious, a primeira amostra divulgada, estão impregnadas com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas onde não faltam arranjos inéditos e uma guitarra nada longe do rock de garagem e daquele blues rock minimal e duro, mas também a piscar o olho a uma salutar vibe psicadélica. Nestes Bed Legs é viva e evidente mais uma prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra de renovar-se e quantas vezes for necessário. Brevemente divulgarei a crítica desta certamente espetacular estreia discográfica. Confere...


autor stipe07 às 11:19
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015

My Autumn Empire – Dreams Of Death And Other Favourites

Natural do condado de Staffordshire, na Inglaterra, Benjamin Thomas Holton é a mente brilhante por trás do projeto My Autumn Empire e Dreams Of Death And Other Favourites o seu novo registo discográfico, um álbum lançado no início do passado mês de novembro e mais uma obra conceptual de um autor que gosta de se debruçar sobre uma determinada temática e torná-la transversal a cada novo alinhamento de canções que apresenta. Se The Visitation, o disco anterior, era inspirado em imagens televisivas, na complexidade das relações humanas e no imenso espaço sideral, tantas vezes o maior ponto de encontro de imensos dos nossos sonhos, este Dreams Of Death And Other Favourites mantém o contexto espiritual, virando agulhas para a temática mais densa da morte, não como o ocaso infalivel ao qual ninguém escapa, mas fazendo parte do percurso que cada um de nós trilha neste universo, em determinado hiato espacial e temporal, cujo fim ninguém conhece ou alguma vez testemunhou com clareza.

Cheio de cordas exuberantes, acordes magistrais e uma extrema sensibilidade melódica que The Following, o tema de abertura, desde logo demonstra, caraterísticas que se aliam a um Hotlon vocalmente sumptuoso e delicado, Dreams Of Death And Other Favourites é um belíssimo tratado de indie folk, um disco que transborda uma imensa sinceridade e onde o autor compôs não só de modo a espicaçar a nossa mente para a temática da morte, do que está para além dela e da vida como algo curto e passageiro e que, por isso, merece ser apreciado e aproveitado ao máximo, mas também escrevendo um conjunto de letras e versos que transbordam modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, onde não faltam as angústias do amor não correspondido, intensamente óbvias no telefone que não toca em Death Song ou nas sensações etéreas descritas por uma espécie de fantasma que se confessa na formosa e delicada The Beautiful Golden.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Benjamim entregou-se então à introspeção e refletiu sobre a inevitável perca do outro, que pode ser não só o adeus físico mas também a ausência espiritual de quem ainda respira junto de nós mas já não vive afetivamente connosco, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora.

Com momentos que apelam à folk pop melancólica mais negra e introspetiva, também não faltam ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica, presentes não só na já referida The Beautiful Golden, mas também nos ecos e nos efeitos que planam em redor da viola que conduz Garden Echoes. Seja como for, tal opção por uma produção crua e algo rugosa, impregnada com ruídos constantes e uma névoa sonora incontida, nunca coloca em causa a faceta eminentemente acústica de um disco que à medida que escorre pelos nosso ouvidos, nos oferece uma altruísta beleza utópica, feita de belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de sentimentos e dores comns a qualquer mortal que preza essa sua caraterística e, por causa dela, procura tirar o maior proveito possível da sua existência, podendo fazê-lo embalado por estas oito canções que parecem emergir de um sono profundo e que ao ganharem vida se convertem num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido, com que todos nós contatamos pelo menos uma vez na vida.

Da viola que se deixa dominar e permite ser dedilhada sem contemplações ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, em Dream Of Death And Other Favourites tudo se movimenta de forma sempre estratégica e sumptuosa, como se cada mínima fração do disco tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. A constante sobreposição de texturas e sopros criam um sepulcro imenso e ilimitado de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando este disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...

My Autumn Empire - Dreams Of Death And Other Favourites

01. The Following
02. Death Song
03. Forcefield
04. Black Shape
05. The Beautiful Golden
06. Garden Echoes
07. Murrain
08. Willows In The Close

Website
[mp3 320kbps] ul ob zs uc


autor stipe07 às 21:03
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2015

Entrevista - Hatcham social

Toby Kidd, Finnigan Kidd e David Claxton são os Hatcham Social, uma banda britânica oriunda da capital Londres e The Birthday Of The World o quarto trabalho do cardápio de um projeto cujas raízes remontam a 2006, altura em que com a benção de Tim Burgess, o líder dos Charlatans e de Alan McGee, patrão da Creation Records, os irmãos Kidd e Claxton, antigo baterista dos Klaxons, deram o pontapé de saída numa trip sonora que tem mergulhado, disco após disco, num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e que soa sempre poderoso, jovial e inventivo.

Verdadeiramente desconcertante e com uma produção cuidada, que aposta numa elevada dose de reverb e no típico espírito lo fi, The Brithday Of The World é um disco que faz da sua audição um desafio constante, quer devido ao modo como coloca em causa, permanentemente e sem concessões, o típico formato canção, mas também pela amálgama heterogénea de arranjos,samples e sons que rodeiam e sustentam as suas composições.

Na sequência deste mais recente lançamento discográfico dos Hatcham Social, tive o privilégio de poder colocar algumas questões a Toby Kidd, quer sobre o historial e percurso discográfico da banda, quer sobre este espetacular The Birthday Of The World. Confere a nossa conversa...

1. Hello! First of all, thank you for letting me have this opportunity for an interview, which is very flattering for my blog. Throughout almost ten years, Hatcham Social have been experimenting a lot, without abandoning their powerful, jovial and inventive sound. How has it all started and what's the secret formula of your success?
Hi! We are pleased you find joy in the music. 
Hatcham Social started as a reaction against the macho radio-indie that was happening around 2006. We wanted to make something that felt newer and was as female as it was male. We were inspired by the absurdity of things, by literature, art, and children's books. There is an imagination in Where The Wild Things Are or Alice's Adventures In Wonderland that, mixed with books like The Trial or Sartre's short stories creates an odd friction. These are the beginnings of Hatcham Social.  
If we have kept any success, I think it is because we have always felt the need to try out new ideas. And because we believe in following our own instincts and finding something unusual, not in making something for the radio.

 2. Tim Burgess and Faris Badwan are two fans of Hatcham Social and even produced your debut album, You Dig The Tunnel And I'll Hide The Soil. How was it to work with those two prominent figures of British indie rock?
We were always interested in collaboration and working with people who love the music we love and have an idea what we are about. It is always flattering when someone likes your music and wants to work with you. Especially people who you love their music. Faris has made some excellent records, in particular I love the Horrors first record, and Tim Burgess was someone me and Finn listened to growing up! 
 
3. Your music has very particular characteristics and it sounds lustful, spiritual and hypnotic. How would you describe your sound?
Hard question! I think our sound varies. At times I think it is very postmodern and pop and at other times reaching to the sublime dream. I think it is quite introverted and talks a lot about what is inside. I guess we are interested in the idea of beauty, which can feel like a unfashionable idea these days, but for us it means finding something that makes you feel something.
For us we are trying to make good songs, that mean something to us, that don't feel like we have ever heard them before, that feel new and exciting. 

4. You have a very diverse list of instruments in your songs (keyboard, synthesizers, guitars, acoustic guitars and other percussion instruments). How is a typical day of Hatcham Social in a recording studio?
There is not one! Each time we record an album it is totally different. We are very interested in process and how that can develop a sound. Each record will have a method. With The Birthday Of The World we all had ideas we wanted to develop with sounds. A lot were put on across different times, slowly building up the intricacies.

5. In your new record, The Birthday Of The World, you can go from pure psychedelic chaos (in songs like Wondrous Place) to blues rock (Find A Way To Let In Your Sins [Hit Red Cut A Right]) or  a more melancholic pop (Darling). Are you happy with this final result and does it match your initial expectations or did you change your formula as songs were being recorded?
We don't believe in genre, it is dead. We wanted to express ideas as they come, and make them feel something how best they need. An album should have a journey. We wanted the album to fullfill that. So, yeah we have made the album we set out to. But did we plan how it would sound exactly? No, chance comes in and gives you many new places to go when making and many of them you take. Making a record to us is an exploration.
 
6. Can we say that in 2015, with Birthday Of The World, Hatcham Social are at the peak of their career? Where do you want to go with this record?
We would love for it to be heard by everyone in the world and them to play it once a day in celebration of the birthday of the world! 
 
7. And now, to finish, what can we expect from your discography in the future?
I think we have made something that has taken us a lot of work and time and we will let it breath, where we go to next is anyone's guess, we are not in a hurry to make another album.
We have lots of songs getting written and other projects. There is a lyric book with illustrations and extra narrative for the songs, that is planned for next year. And we have an exhibition that should happen with that.
Finn's other band Beds In Parks will be making a record in the new year as well.
Maybe some collaborative stuff. Maybe an EP next year...
Whatever takes our fancy :)
Thanks, Toby


autor stipe07 às 21:28
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Domingo, 13 de Dezembro de 2015

Still Corners – Horses At Night

Still Corners - Horses At Night

Donos de uma pop leve e sonhadora, íntima da natureza etérea e onde os sintetizadores são reis, mas as guitarras eléctricas e acústicas também marcam forte presença, os londrinos Still Corners de Greg Hughes e Tessa Murray, estão de regresso com Horses At Night, o primeiro inédito que a dupla divulga desde 2013 e que pode muito bem antecipar o lançamento de um novo registo de originais para breve, apesar de ainda não terem sido adiantados mais detalhes sobre aquele que será, caso as previsões se concretizem, o terceiro álbum do projeto.
Produzida e misturada pelo próprio Greg Hughes, esta canção pisca o olho a alguns dos mais relevantes aspetos herdados da eletrónica dos anos oitenta, com uma forte aposta no romantismo, um sentimento muito marcado nos sintetizadores acolhedores que controlam o tema e na própria temática lírica do mesmo. Acaba por ser uma composição que, timidamente, aponta para ambientes dançantes, com uma estética final e global algo etérea e intemporal. Confere...


autor stipe07 às 19:12
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015

Le Rug - Game Over

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records e um nome importante do cenário indie punk local, já que em integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug foi a sua última aposta e dei-a a conhecer há pouco mais de um ano devido a Press Start (The Collection), uma coleção de canções que Weiss apresentou ao mundo por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Quase no ocaso de 2015 este projeto Le Rug regressou, e para se despedir, com Game Over, uma espécie de balanço de toda a carreira artística do seu grande mentor, que se orgulha de nos últimos dois anos ter editado dez discos e composto mais de trezentas e cinquenta canções, algumas delas incubadas durante um breve período da sua vida passado em Bangecoque, na Tailândia.

Do alinhamento de setenta e uma canções de Game Over, há várias que merecem audição dedicada, tendo sempre como denominador comum um punk rock direto e incisivo, mas também com uma apelativa sensibilidade melódica, que temas como Gloss ou 1779 comprovam com notável grau de assertividade e imaginação. Já agora, esta última conta com a participação especial de Tim Rusterholtz e é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca, o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante.

O universo sonoro que rege a paleta sonora de Le Rug alimenta-se de uma instrumentação vincada, assente numa linha de baixo encorpada e em guitarras carregadas de fuzz, havendo depois, a partir da seleção dos efeitos e do modo como a bateria conduz os temas, o piscar de olhos aos mais variados subgéneros do rock. Se Gaxinthaw, por exemplo, transporta todos os detalhes fundamentais do melhor grunge, o baixo de Mammal exala hard punk por todos os poros e canções como Telebones, Hindenburg ou St. Vincents oferecem-nos uma visão sonora mais experimental e até, num certo sentido, com uma luminosidade pop bastante curiosa, com o pendor acústico da última a conter uma intensa dose de rugosidade e lisergia. Já temas como The Loveless Fuzz ou Perodafodil baseiam-se naquela simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, abrigados pela sonoridade crua, rápida e típica que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.
Game Over é uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, composições sonoras que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É um compêndio concentrado, tendo como grande ponto de acerto o movimento das diferentes composições e o modo como se arriscam em aproximações a diversos espetros sonoros, havendo em comum uma voz sempre vincada, letras algo sensíveis e, como referi logo no início, melodias acessíveis, o que faz com que o próprio som destes Le Rug ganhe em harmonia e delicadeza o que, em algumas canções, perde em distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não deixar de fazer sempre parte do cardápio sonoro dos Le Rug. Nostálgico e carregado de referências, parece claro o compromisso assumido por Ray Weiss de não produzir algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:57
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015

The Orange Revival – Futurecent

Eric, Christian e Andreas são os The Orange Revival, uma banda sueca de indie rock psicadélico, que causou furor em 2011 com Black Smoke Rising, um trabalho que os colocou debaixo dos holofotes mais atentos e que já tem finalmente sucessor. Lançado por inteemédio da Fuzz Club Records, Futurecent é o novo álbum destes The Orange Revival, sete canções que não envergonham a herança sonora que os anos sessenta do século passado nos deixaram, feita com uma elevada dose de hipnotismo, apimentada com uma percussão vibrante, riffs de guitarra abrasivos e cheios de fuzz e teclados plenos de efeitos com elevado teor lisérgico.

Escuta-se Saturation, o tema que abre o alinhamento de Futurecent e percebe-se desde logo o modo como este espetacular tratado sonoro aditivo, rugoso e viciante, nos leva rumo a uma pop psicadélica muito caraterística e que nos é particularmente familiar, não só devido ao solo e ao riff da guitarra, que exibe linhas e timbres muito peculiares, mas também devido ao modo como os restantes instrumentos se vão agregando em seu redor, num saudável experimentalismo que não inibindo os The Orange Revival de serem concisos e diretos no modo como se apresentam, mostra novos atributos e elevada competência relativamente aos procedimentos de separação dos diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância não só a esta mas, como se percebe depois, às restantes canções do disco. Na verdade, a distorção do teclado de Lying In The Sand e a linha de guitarra que o acompanha e a luminosidade das cordas que orientam a planante Setting Sun, são apenas mais dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes deste trio, mas também marcas impressivas de um posicionamento melódico ímpar e que busca a criação de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também acessíveis e do agrado de um público particularmente abrangente. Carolyn é o exemplo maior deste passo em frente relativamente à estreia, uma catarse psicadélica com mais de sete minutos, assente numa linha de guitarra distorcida inspirada, teclas efusivas e alguns detalhes percussivos que nos fazem dançar em altos e baixos divagantes e que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, uma canção onde os The Orange Revival apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferece um verdadeiro compêndio de acid rock, despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Futurecent eleva os seus autores para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que apresentaram antes. Proposto por um trio sueco que parece viver numa espécie de hipnose e que se serve desse estado de alma simultaneamente profundo e juvenil para incubar uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose, este é um disco que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, abraça várias vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade criativa, confiante e luminosa que está impressa no adn destes The Orange Revival. Espero que aprecies a sugestão...

The Orange Revival - Futurecent

01. Saturation
02. Lying In The Sand
03. Speed
04. Setting Sun
05. Carolyn
06. 1999
07. All I Need


autor stipe07 às 20:31
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015

Anohni – 4 Degrees

Anohni - 4 Degrees

Anunciado já desde fevereiro, começa finalmente a ganhar vida o projeto Anohni liderado pelo cantor Antony Hegarty, que assina uma já notável carreira a solo sob a capa de Antony and the Johnsons.

Previsto para o outono do próximo ano, Hopelessness será o primeiro registo de originais destes Anohni e 4 Degrees é o primeiro avanço divulgado desse longa duração, uma canção produzida pela dupla Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Hudson Mohawke e que nos apresenta uma sonoridade algo díspar ao que Hegarty nos costuma oferecer como Antony and the Johnsons. Esta canção tem um cariz mais encorpado e eletrónico, com a melodia a ser guiada por uma grandiosidade instrumental ímpar, onde não faltam saxofones, trompetes e violinos, além de uma percussão imponente, detalhes que dão a 4 Degrees uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais obscuros da mente deste notável autor. Confere...


autor stipe07 às 18:35
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2015

The Moth And The Flame – Young And Unafraid EP

Os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett, Michael Goldman e Andrew Tolman são uma das melhores descobertas musicais que fiz nos últimos anos, um grupo que me ficou sempre na retina assim que tive a oportunidade de escutar o disco homónimo de estreia deste grupo norte americano natural de Provo, no Utah e atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia. Esse é um dos álbuns que mais saiu da estante cá de casa nos últimos anos e que até deu origem a um dos takes do blogue na Everything Is New TV. Os The Moth And The Flame lançaram esse disco homónimo de estreia a 11.11.11. e já se encontram em estúdio a preparar o sucessor, juntamente com o produtor Peter Katis (Interpol, The National), Tony Hoffer (M83, Beck) e Nate Pyfer (Parlor Hawk, Fictionist).

Em maio deste ano viu a luz do dia Young & Unafraid, o primeiro single deste que será o segundo registo de originais e que, entretanto, deu origem a um EP com mais quatro canções, editado em setembro último e cujo conteúdo nos oferece algumas luzes sobre o conteúdo sonoro do sucessor de The Moth And The Flame, que verá a luz do dia através da Elektra Records. Já agora, recordo que há dois anos, em 2013, a banda tinha lançado um outro Ep intitulado simplesmente &, um conjunto de canções editado pela Hidden Records e produzido por Joey Waronker (Beck, Atoms For Peace, R.E.M.).

Neste EP Young and Unafraid mantém-se, felizmente, a sonoridade pop atmosférica da estreia, com canções que envolvem o ouvinte em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa e com o indie rock a ser elemento ativo de um arquétipo com instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para nos arrastar sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico, com caraterísticas muito próprias. Há, assim, canções extremamente simples e que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos, enquanto outras soam mais ricas e trabalhadas, que nos fazem descolar um pouco mais de uma zona de conforto sonora e arriscam ambientes épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada.

Seja qual for a fórmula aplicada, os The Moth And The Flame pegam firmemente no seu som e usam-no como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que recorda imenso o Beck Hansen do período Sea Changes, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.

Neste tempo em que abundam os downloads rápidos e as embalagens descartáveis é reconfortante ver uma banda tão interessada e orgulhosa da forma como apresenta a sua música, ainda mais quando o essencial (a música) é bastante recomendável! Uma bonita surpresa que regressa novamente e que espero que aprecies devidamente…

The Moth And The Flame - Young And Unafraid EP

01. Live While I Breathe
02. Run Anyway
03. Young And Unafraid
04. 10 Years Alone
05. Wishing Well


autor stipe07 às 15:56
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Sábado, 5 de Dezembro de 2015

Coldplay - A Head Full Of Dreams

Os Coldplay de Chris Martin estão de regresso aos discos com A Head Full Of Dreams, um álbum que, como sempre, viu a luz do dia por intermédio da Parlophone. O sétimo álbum de estúdio desta banda britânica foi produzido pela dupla norueguesa Stargate e nos seus créditos extensos pode-se conferir convidados especiais do calibre da norte americana Beyoncé, mas também Noel Gallagher, Tove Lo e Merry Clayton.

Disco com direito a uma digressão mundial e que poderá muito bem vir a ser o último da carreira do grupo de Chris Martin, A Head Full Of Dreams é substancialmente diferente do antecessor, Ghost Stories, um trabalho mais denso e intimista e que se debruçava imenso sobre a separação de Martin e a atriz Gwynet Paltrow, com quem o músico lider da banda esteve casado vários anos. Logo no tema homónimo fica impressa esta intenção firme de criar um alinhamento mais luminoso e festivo, mas também melodicamente mais amplo e épico, com canções que celebrem o otimismo e a alegria e que possam funcionar ao vivo na próxima digressão dos Coldplay. Aliás, Adventure Of A Lifetime, o primeiro single retirado de A Head Full Of Dreams, foi uma escolha óbvia como tema de apresentação do disco, já que é o expoente máximo desta ode celebratória, assente num riff de guitarra empolgante e numa sonoridade rock expansiva e que faz jus a alguns dos melhores instantes da carreira da banda. E, mantendo-se em Hymn For The Weekend essa amplitude otimista, há, no entanto, na génese dessa canção, o início de um virar de agulhas que me parece ser definitivo, indo ao encontro de uma sonoridade pop, com fortes raízes no R&B e que, na verdade, os Coldplay já exploram com alguma minúcia desde Mylo Xyloto. Nesse dueto entre Martin e Beyoncé, o grupo britânico despe definitivamente todas as máscaras que ainda o poderiam ligar ao indie rock, para se assumir, já sem possibilidade de retorno, como uma banda que não quer mais ser objeto de culto de um nicho de ouvintes que os veneraram à custa de Parachutes e A Rush Of Blood To The Head, mas antes detentores do título máxmo de banda de massas da pop e da cultura musical dos dias de hje. Já agora, curiosamente, um último grande suspiro da anterior herança identitária e que definiu as origens dos Coldplay, pode ser escutada em Up&Up, canção que apesar de contar com alguns detalhes eletrónicos, deve grande parte da sua alma à guitarra de Noel Gallagher e à soul proporcionada não só pela voz crua de Martin, mas também por coros que engrandecem e ampliam a intensidade da canção para um patamar incomum.

As batidas eletrónicas da balada Army Of Me, a açucarada Fun, canção que conta com a voz da sueca Tove Lo, entrelaçada com a de Martin, são mais dois exemplos concretos deste frontal casamento dos Coldplay com o R&B mais contemporâneo, mas o piano lindíssimo de Everglow, quanto a mim o melhor momento melódico do álbum e que conta com a voz de Paltrow nos coros e a sua presença na escrita do poema, o groove da guitarra e do baixo e, principalmente, os sussurros de Martin em Birds, são também exemplos impressivos deste novo paradigma sonoro dos Coldplay, composições que contam com uma produção polida com o máximo de brilho que a tecnologia dos dias de hoje permite e que até é ampliada em dois temas que funcionam como interludios, Kaleidoscope e Colour Spectrum. Nesta última é particlarmente impressivo o contraste entre os sons de pássaros e sinos, com as vozes de fundo de Beyoncé e Barack Obama, num discurso que é também possível ser escutado na primeira canção.

Em suma, A Head Full Of Dreams contém o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay e não deixa de ter como grande atributo possuir canções que falam de sentimentos reais e geralmente felizes e que, por isso, pretendem colocar enormes sorrisos no nosso rosto durante a audição. Mas para quem, como eu, não se sentiu nunca particulamrente confortável e preenchido com as mais recentes obsessões sonoras e conceptuais deste quarteto britânico, este acaba por ser o trabalho que deita por terra, definitivamente, todas as expetativas que ainda poderiam subsistir sobre a possibilidade de um retorno às origens. Por muito que se possam esforçar por referir publicamente o contrário, a verdade é que os Coldplay querem ser uma banda de massas, mas não à custa do indie rock. O trono que pretendem ocupar é o de reis da pop, entrando num mano a mano com os nomes maiores da cultura musical popular que vivem da eletrónica ao R&B, levando as cordas do baixo e das guitarras consigo, mas adaptando-as aos cânones essenciais desses estilos sonoros. Espero que aprecies a sugestão... 

Coldplay - A Head Full Of Dreams

01. A Head Full Of Dreams
02. Bird
03. Hymn For The Weekend
04. Everglow
05. Adventure Of A Lifetime
06. Fun (Feat. Tove Lo)
07. Kaleidoscope
08. Army Of One
09. Amazing Day
10. Colour Spectrum
11. Up&Up
12. Miracles

 

 


autor stipe07 às 21:14
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2015

Violent Mae – Kid

Connecticut e The Outer Banks são as raízes da dupla Becky Kessler e Floyd Kellogg, juntos desde o final de 2013 e a coberto do nome Violent Mae e da The Telegraph Recording Company que acaba de editar Kid, o fabuloso segundo disco de um projeto que se estreou com um também bastante recomendável homónimo, lançado logo no início da carreira.

Antes de nos debruçarmos sobre o conteúdo de Kid, é interessante referir que a intenção inicial destes dois músicos não era formar os Violent Mae. Tudo começou quando Becky convidou Floyd para gravar e produzir o seu disco de estreia a solo, mas a química entre ambos foi tão forte que acabou por ser espontânea a necessidade de ambos em se juntarem num projeto a dois,algo que aconteceu em boa hora.

Tiro certeiro no rumo exato e na direção sonora que esta dupla pretende seguir na sua demanda sonora, muito relacionada com a típica soul de uma américa profunda, com fortes raízes e uma identidade bastante vincada, Kid tem tudo para se tornar numa referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere, pelo modo como ao longo do seu alinhamento o reverb e a distorção das guitarras replicam com enorme naturalidade um rock genuino e altivo, que não defraúda a herança que nomes como PJ Harvey, na fase inicial da carreira, ou, mais recentemente, a enorme Cat Power, têm construído com notável precisão e elevada bitola qualitativa.

Do rock direto e conciso de In The Sun, até ao ambiente algo místico e espiritual que serve de base ao código genético do indie rock de cariz mais psicadélico, presente nas guitarra de In My Ring, passando pelo percussiva progressão galopante que nos oferece a cândura de Rob Me Blind, Kid inicia de modo esplendoroso, imbuído com uma contemporaneidade desarmante, ampliada pelo travo retro que exala por todos os poros e prende-nos até ao ocaso de um alinhamento que, independentemente das diferentes nuances que depois adopta, transporta uma identidade rica e um carimbo particularmente impressivo.

Na verdade, esse início prometedor tem sequência e o restante conteúdo contém outros momentos que deixarão certamente uma extraordinária impressão relativamente à banda e, melhor que isso, proporcionam momentos de puro prazer e diversão sonoras, capazes de nos elevar a um patamar superior de emoção, movimento e lisergia. E isso sucede quando em temas mais intimistas e reflexivos como Away e Flame e outros mais experimentais como a primeiro caótica e depois charmosa Murdered Bird, ou a profunda Birthday, os Violent Mae colocam um pouco de lado os tiques estereotipados que sustentam a arquitetura sonora do rock e optam por uma psicadelia fortemente eletrificada, arriscando a busca por um inedetismo que asfalta um caminho que é só deles e diferente de todos os outros que nos podem levar rumo ao mesmo espetro sonoro. Aliás, a nebulosidade corpulenta de Lou1 e o eco estratosférico que levita em redor do caldeirão inebriante que resulta da amálgama de sons que escorrem do arsenal instrumental de Neon Halos, num frenesim visceral algo lascivo, são composições que nos oferecem um ambiente envolvente, quente e assumidamente másculo e direto, mas também intimista e acolhedor.

Verdadeiro tratado de indie rock, pleno de fuzz e reverb, como já foi referido, mas também muito mais rico e abrangente que estas duas permissas, até porque não se confunde com a miríade de propostas semelhantes que atualmente vão surgindo neste género sonoro, Kid só poderia ter germinado num universo muito próprio e certamente acolhedor de uma banda que logo pretende assumir uma posição cimeira à custa de uma sensibilidade melódica invulgarmente eletrificada e que sabe muito bem o caminho que quer continuar a trilhar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Violent Mae - Kid

01. In The Sun
02. In My Ring
03. Rob Me Blind
04. Away
05. IOU1
06. Murdered Bird
07. Kid
08. Flame
09. Intro
10. Neon Halos
11. Birthday


autor stipe07 às 20:47
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Os Melhores Discos de 2015: Lista dos Leitores

Aproxima-se o final do ano e o momento de fazer o balanço discográfico de 2015. Como é habitual, este blogue irá publicar a lista daqueles que considera terem sido os vinte melhores discos do ano, mas em Man On The Moon os leitores também têm direito a opinar sobre este assunto.

Para esta edição especial de Os Melhores Discos de 2015: Lista dos Leitores, o blogue propôe aos seus seguidores e leitores que votem naqueles que consideram terem sido os cinco melhores discos nacionais e internacionais de 2015. Essa votação poderá ser feita até ao dia dezoito de dezembro (sexta-feira), por email (stipe07@gmail.com), seguindo o exemplo abaixo.

Lista Nacional

1. _______________________ 
2. _______________________ 
3. _______________________ 
4. _______________________ 
5. _______________________

Lista Internacional

1. _______________________
2. _______________________ 
3. _______________________ 
4. _______________________ 
5. _______________________ 

Importante: Só serão aceites discos lançados em 2015. Votos com discos lançados noutros anos serão anulados, portanto, é importante prestar atenção às escolhas.

Todos os votantes que enviem propostas válidas ficam habilitados ao sorteio de uma lembrança sonora deste blogue, que chegará, posteriormente, à morada do mesmo. De que estás à espera? Envia-nos a tua lista...


autor stipe07 às 13:05
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