Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015

The Pains Of Being Pure At Heart – Hell EP

Mestres do Indie pop, os norte americanos The Pains Of Being Pure At Heart estão de regresso aos lançamentos discográficos com Hell, um Ep com três canções, que além de apresentar uma nova roupagem do original homónimo, mais límpida e luminosa que a demo divulgada anteriormente, também inclui duas versões, Balled Of The Band, um original dos Felt e Laid, inédito dos britânicos James, que conta com a participação vocal de Jen Goma.

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Depois de um início de carreira, no final da década passada, em que esta banda de Brooklyn, Nova Iorque, apostou numa avalanchede ruídos e distorções com forte pendor lo fi, a verdade é que desde Days Of Abandon, o último longa duração da banda, a bitola sonora parece passar por um ambiente musicla, mais polido e acessível. E quer Hell, quer as duas covers mostram-se prodigiosas no modo como se apresentam envolvidas por um embrulho melódico animado pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários.

Este ep é, portanto, uma espécie de som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes à mente que o possiblitem absorver com detalhe e nitidez. Em suma, escorre pelos nossos ouvidos um alinhamento de três canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou no disco anterior e que  uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo. Espero que aprecies a sugestão...

 

The Pains Of Being Pure At Heart - Hell

01. Hell
02. Ballad Of The Band
03. Laid


autor stipe07 às 18:05
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We Trust - We Are The Ones (ft. Diana Martinez)

O projeto We Trust, liderado por André Tentúgal, um realizador portuense que já trabalhou com os X-Wife, Old Jerusalem, FogeFoge Bandido e os Divine Comedy, nasceu há já alguns anos com a ajuda de vários amigos e contém já um interessante reportório musical que, segundo o próprio, é uma epopeia pop sobre a busca de novos lugares.

Com canções que falam de amor, de amizade, união, de tempo, espaço e mudança e de países abstratos sem barreiras físicas ou mentais e das quais todas se recordarão certamente da lindíssima Time (Better Not Stop), uma canção que soava a Primavera e antecipava um bom Verão, We Trust acaba de divulgar uma nova versão de We Are The Ones, um dos seus êxitos mais recentes e composição de lançamento de Everyday Heroes, o novo disco do grupo.

Com a participação especial da portuguesa Daina Martinez, esta é uma versão mais despida e minimalista relativamente ao tema original, que tem como temática o ideal de mudança, personificado não só nas pequenas evoluções que a vida de cada um de nós sofre e que são fator decisivo na nossa evlução pessoal, mas também nos grandes acontecimentos mundiais e que influem na deriva civilizacional.

Escuta-se We Are The Ones e a sensação que nos invade é de inequívoca certeza, já que estamos na presença de algo que nos preenche a alma, apesar de ter sido construído com simplicidade, tendo havido, certamente, um enorme cuidado na escolha dos arranjos. Confere...


autor stipe07 às 18:00
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Sábado, 28 de Novembro de 2015

Guy Garvey – Courting The Squall

Vocalista dos britânicos Elbow, Guy Garvey acaba de se estrear nos registos a solo com Courting The Squall, um trabalho que viu a luz do dia no final do passado mês de outubro e imbuído com um som épico e eloquente, mas particularmente intimista e luminoso e que exige profunda dedicação. Com as participações especiais de Nathan Sudders (The Whip), Pete Jobson (I Am Kloot), Ben Christophers e Alex Reeves, Courting The Squall foi, de acordo com algumas crónicas, etilicamente bem regado durante o período de gravação e a verdade é que o seu conteúdo verbaliza sonoramente uma necessidade quase biológica de se viver a ressaca emocional que as partidas e as chegadas de várias pessoas ao núcleo da nossa existência provocam no equilíbrio emocional de cada um, da autoria de um músico, compositor e enorme poeta que faz questão de ser profundo e conciso na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir.

Num disco perfeito para ser escutado num dia sem compromissos e em que sentimos necessidade de pensar em nós mesmos e no que nos rodeia, Guy Garvey mostra-se cada vez mais seguro na sua prestação vocal e fora do casulo sonoro que tipifica o adn sonoro dos Elbow, arrisca novos registos, mais expostos e enaltecidos. Apesar da recente dolorosa separação de Guy da escritora Emma Jane Unsworth, ainda é no amor e nas emoções fortes que esse sentimento exala, embrulhadas em temas simples, adornados com enorme versatilidade e um elevado pendor pop, que este autor sustenta um cosmos sonoro que o distingue dos demais. E isso encontra-se plasmado quer no ambiente clássico e charmoso do irrepreensível tema homónimo, assim como no esplendor da preciosa e inocente Harder Edges e na intensidade das cordas e do acordeão de Juggernaut. Mas é, no entanto, na crueza do blues e do jazz, exemplarmente replicada na graciosa Angelas's Eyes e de modo mais intimista e até algo boémio e lo fi, no dueto sensual que partilha com Jolie Holland na calorosa e aconchegante Electricity, canção que transforma o nosso leitor digital num antigo transistor de bobines, que Garvey se transforma num apurado artista, disposto a sair do nicho indie e alternativo para procurar atingir um universo mais abrangente e onde vão reinando várias referências obrigatórias da história da música da segunda metade do século passado, algures entre Paul Simon, Randy Newman e Sinatra. Seja como for, é no cinzento quase erótico que transpira do baixo de Unwind que, na minha opinião, se confere o momento maior de Courting The Squall, canção onde o minimalismo é apenas sinónimo de aparência, desfilando nela e perante os nossos sentidos uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, enquanto Garvey nos sussurra ao ouvido tanto daquilo que carateriza a passagem de qualquer comum mortal por este mundo e, acima de tudo, a celebração da vida como uma dádiva que, tantas vezes com uma linha ínfima a separar o gozo supremo da perca mais dolorosa, deve ser aproveitada ao máximo.

Em dez canções onde abunda uma virtuosa complexidade no processo de composição e nos arranjos que as sustentam, Guy Garvey transforma as suas histórias pessoais em canções, numa cruzada sonora intensa, próxima e subtilmente encantadora e que faz deste músico britânico um poeta exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas, que sabe, de forma bastante peculiar e única, como converter simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Espero que aprecies a sugestão...

Guy Garvey - Courting the Squall

01. Angela’s Eyes

02. Courting The Squall
03. Harder Edges
04. Unwind
05. Juggernaut
06. Yesterday
07. Electricity
08. Belly Of The Whale
09. Broken Bottles And Chandeliers
10. Three Bells


autor stipe07 às 14:50
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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015

The High Dials – In The A​.​M. Wilds

Montréal, no Canadá, é o poiso dos The High Dials, banda com uma década de carreira e de regresso aos discos com In The A.M. Wilds, o quinto trabalho do grupo, produzido por Marc Bell e que se inspirou na urbanidade boémia e noturna, que tantas vezes nos oferece o surreal e o inesperado, refletida neste alinhamento com texturas sonoras que privilegiam um punk rock algo sujo e lo fi, mas onde também não faltam texturas eletrónicas particularmente pulsantes e contemporâneas e com um elevado groove e um espírito shoegaze que se saúda.

Neste novo capítulo de uma carreira já com alguns marcos discográficos impressivos, os The High Dials oferecem-nos em canções quase sempre curtas, mas incisivas, um cardápio onde abundam boas letras e arranjos assentes num baixo vibrante, fabuloso em Yestergraves, adornado por uma guitarra jovial e criativa, onde se percebe que há uma forte vertente experimental e uma certa soul e também alguns efeitos e detalhes sintetizados, típicos da pop e do punk dos anos oitenta. A bateria e a secção ritmíca são, quase sempre bastante aceleradas, como se percebe logo na exuberante e luminosa Echoes And Empty Rooms, mas também na festiva e colorida On Again, Off Again. Mas temas como a enigmática Amateur Astronomeur ou a intuitiva Afterparty, canção conduzida por um inédito piano vintage, funcionam como contraponto ao restante conteúdo, graças a um ritmo diferenciado e melodias menos abertas e luminosas, mas claramente profundas e reflexivas. Outro tema com uma tonalidade muito vincada é Evil Twin, composição com uma rugosidade muito própria, onde baixo e sintetizador se cruzam com uma graciosidade incomum, ampliada por algumas cordas que vão deambulando em redor da melodia e que se tornam em excelentes tónicos para  potenciar a capacidade destes The High Dials em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, fazendo o nosso espírito facilmente levitar e provocando um cocktail delicioso de boas sensações.

Disco com uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante apelativa, In The A.M. Wilds é um cenario idílico que abarca uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, mas que balizam com notável exatidão o farol que ilumina o percurso musical desta banda, que tem sempre algo de novo e refrescante para nos oferecer e que geralmente recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão....

The High Dials - In The A​.​M. Wilds

01. Echoes And Empty Rooms
02. Desert Tribe
03. Yestergraves
04. Impossible Things
05. The Barroom Fisher King
06. Flower On The Vine
07. Amateur Astronomer
08. D.U.I.
09. On Again, Off Again
10. Afterparty
11. Evil Twin
12. Club Stairs
13. Lake Of Light
14. Blank Spaces On The Map

 


autor stipe07 às 21:04
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2015

Young Galaxy - Falsework

Os canadianos Young Galaxy de Stephen Ramsay, Catherine McCandless e Matthew Shapiro, regressaram aos discos no final deste mês com Falsework, um álbum produzido por Dan Lissvik e lançado através da conceituada Paper Bag Records e uma autêntica epopeia deste trio na busca de um som cada vez mais dançante, onde não faltam guitarras e sintetizadores posicionados com acerto. Seja como for, também não faltam temas com um clima paticularmente sombrio como é o caso de Factory Flaws, razão pela qual Falsework é um trabalho eclético, multifacetado e cheio de nuances sonoras capazes de cativar qualquer ouvinte.

Definitivamente numa galáxia muito mais distante do que a generalidade das actuais bandas, estes canadianos parecem decididos em voltar a colocar as guitarras na linha da frente e dar-lhes um protagonismo que esteve um pouco afastado de um projeto, mais apostado ultimamente numa faceta eminentemente sintética, nomeadamente depois de Ultramarine (2013), como se percebeu em Body e Factory Flaws, os dois anteriores registos dos Young Galaxy e que precederam esse disco. Ready To Shine, um dos momentos altos do disco, comprova este balanço subtil, mas real, entre diferentes mundos, mas é unânime a presença daquela faceta soul e uma particular alegria e luminosidade, nomeadamente nesta canção, não só patente nas cordas, mas também no próprio registo vocal, um optimismo que se saúda e que enobrece a cartilha sonora do projeto.

Oriundos do continente americano, tal não impede que estes Young Galaxy não olhem com um certo requinte para a pop nórdica dos anos setenta e oitenta e um ambiente de uma certa euforia que teve o auge nos anos oitenta e que muitos de nós recordam com saudade. No entanto, eles convertem a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador, ao mesmo tempo, com canções que se prendem aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, como o acima referido, os Young Galaxy não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas também servem para dançar.

Falsework navega na luz entre o sintético e o orgânico, em dez canções onde a eletrónica é um elemento preponderante, mas a presença de outros instrumentos serve para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. É uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

Young Galaxy - Falsework

01. Wear Out The Ground
02. The Night Wants Us To Be Free
03. Factory Flaws
04. Body
05. Ready To Shine
06. Must Be Love
07. We’re No Good
08. Little Wave
09. Lean Into My Love
10. Pressure


autor stipe07 às 20:50
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

We Are The City – Above Club

Oriundos de Vancouver, os canadianos We Are The City são Cayne McKenzie, David Menzel e Andrew Huculiak, um trio de regresso aos discos com Above Club, depois de já no início deste ano nos ter surpreendido com Violent, um trabalho produzido por Tom Dobrzanski e os próprios We Are The City e que abraçava a indie pop com o rock luxuriante, num ritmo e cadência certas, abraço esse que continha uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que compilava um interessante leque de influências, com uma óbvia filosofia vintage.

Above Club mantém a receita de Violent e neste disco conferimos uma dialética sonora assente numa liberdade de expressão melódica e criativa, que é a pedra de toque de oito canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Logo na panóplia de efeitos e detalhes de Take Your Picture With Me While You Still Can percebe-se que este trio não está preso e limitado a uma fronteira sonora claramente definida, tateando diferentes espaços e espetros, plasmados em curiosos detalhes que, no caso de Keep On Dancing, tanto podem ser um simples toque num teclado, como uma batida compassada num tambor, à medida que os sintetizadores debitam, sem nexo aparente, variados ruídos que a voz e a guitarra ajudam a acomodar.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes We Are The City não se intimidam na hora de compôr e deixam o arsenal instrumental que lhes foi colocado à disposição divagar livremente, compondo temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada de cor, festa e alegria, onde terá havido certamente um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a músicas que gostam.

Em Heavy As A Brick o trio aponta as agulhas para uma eletrónica algo minimalista, mas acessível, mas mesmo nesse tema a irregularidade da percussão, alguns efeitos metálicos e as variações de ritmo e de intensidade, abastecem uma filosofia sonora bastante aditiva e peculiar, que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Aparentemente crua e despida de conteúdo, Cheque Room é uma das canções que melhor condensa este casamento feliz entre dois mundos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, audível no modo como um simples efeito de uma guitarra elétrica, uma percussão estridente e um sintetizador deambulante se cruzam e dão as mãos para nos oferecer uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. Mas a amplitude dramática que exala de Kiss Me, Honey também consegue este efeito intenso e algo inebriante.

A sirene estridente, o piano melancólico e o registo vocal sincero e incondicional que abrigam Lovers In All Things e o efeito abrasivo de Sign My Name Like QUEEN são apenas mais dois compêndios de detalhes que colocam a nú o imenso ecletismo destes We Are The City, capazes de nos levar à boleia dos seus pensamentos mais inconfessáveis, enquanto falam emocionadamente sobre o amor, deixando-nos descobrir plenamente a sobriedade sentimental que marca a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve o trio, já que nestas canções consegues sentir a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este projeto verdadeiramente único.

Ouvimos cada uma das oito músicas de Above Club e conseguimos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que as esculpiram, com as guitarras a não se situarem sempre na primeira fila daquilo que se escuta, mas a serem o fio condutor que suporta aqueles simples detalhes que fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Este é um exercício prático claramente bem conseguido de conjugação de diversas camadas de instrumentos, que nos oferecem paisagens grandiosas e significativas, arrebatadores banquetes de sedução, servidas em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico que contorna todas as amarras que prendem a nossa alma, apresentando, desse modo, a notável disponibilidade dos We Are The City para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

We Are The City - Above Club

01. Take Your Picture With Me While You Still Can
02. Heavy As A Brick
03. Keep on Dancing
04. Sign My Name Like QUEEN
05. Club Music
06. Cheque Room
07. Lovers In All Things
08. Kiss Me, Honey


autor stipe07 às 20:56
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2015

Foreign Diplomats – Princess Flash

Élie Raymond, Antoine Lévesque-Roy, Thomas Bruneau Faubert, Charles Primeau e Emmanuel Vallieres, são os Foreign Diplomats, uma banda canadiana oirunda de Montréal, que acaba de se estrear nos lançamntos discográficos com um compêndio de canções que são já um marco imprescindível e obrigatório neste ano repleto de novidades e registos sonoros qualitativamente incomuns. Gravado nos primeiros meses deste ano, o disco a que me refiro chama-se Princess Flash, foi misturado e produzido por Brian Deck e está disponivel através da Indica Records.

Este quinteto canadiano começa agora a traçar o seu percurso sonoro, mas já tem bem definidas as coordenadas para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Élie que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Princess Flash nos oferece vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, num ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso, mas depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor, que do território mais negro e encorpado de Lies (Of November), tema que disserta sobre o dia a dia de um serial killer e alguns dos seus pensamentos mais obscuros, ao tribalismo percussivo de Comfort Design, ou o mais animado e até dançável de Queen+King, ocorre sempre num percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Princess Flash ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante da guitarra em que se sustenta Lily's Nice Shoes!, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Princess Flash tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, mas também comercial, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Diplomats - Princess Flash

01. Lies (Of November)
02. Comfort Design
03. Queen+King
04. Color
05. Flash Sings For Us
06. Lily’s Nice Shoes!
07. Beni Oui Oui
08. Mexico
09. Guns (Of March)
10. Crown
11. Drunk Old Paul (And His Wild Things)


autor stipe07 às 19:13
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Domingo, 22 de Novembro de 2015

City Calm Down - In A Restless House

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos com A Restless House, um álbum que viu a luz do dia a seis de novembro, através da etiqueta I OH YOU.

Confessor particular regozijo cada vez que dou de caras com uma nova banda que se apresenta ao mundo à boleia de um post rock, com uma elevada toada punk e shoegaze. no caso destes City Calm Down, o deleite aumenta porpeceber que a essa fórmula sempre sedenta de novas renovações, adicionaram eficazmente o chamado krautrock que foi fazendo escola no universo sonoro alternativo desde a década de setenta. Temas como o efusivo, inebriante e inconsolávelmente emotivo Border In Control e a imponente Rabbit Run, o primeiro single de A Restless House, assentam os seus pilares instrumentais e melódicos em algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo de cariz mais sombrio, que fez escola em finais da década de setenta do século passado e que tem atualmente nos nova iorquinos The National um dos expoentes máximos. Mas há que haver algum rigor nesta comparação, já que se a voz dos City Calm Down nos recorda claramente a postura de Matt Berninger, os instrumentos clamam por uma simplicidade incrivelmente sedutora. Seja como for, à medida que a teia sonora se diversifica e se expande, somos confrontados com um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente épico e nostálgico que se recomenda, mesmo quando em Your Fix os City Calm Down procuram, com uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recriar com inesperada luminosidade aquela pop punk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado.

É claramente recompensador perceber o modo como canções como a intrincada Son ou a mais intimista Wandering crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, entoando um apelo sentido aos nossos sentidos para que se mantenham sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos. E este alinhamento de In A Restless House é vigoroso no modo como incita o nosso lado mais humano e profundo a clamar por um óbvio sentido de urgência que nos deixe no final nos limites da nossa capacidade de sofreguidão, enquanto nos desafia a dançar ao som de canções quase sempre assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante, um sintetizador inspirado e uma bateria que nunca se faz rogada no momento de abanar com o nosso âmago.

Para ser devidamente apreciada e entendida, a música destes City Calm Down exige pulso firme e dedicação extrema, sem sacrifício e com disponibilidade total para se aceitar fazer concessões de modo a deixar que o poderoso edifício sentimental que a sustenta nos possa cobrir de fé e crença num amanhã melhor e diferente. Espero que aprecies a sugestão...

City Calm Down - In A Restless House

01. Intro
02. Border On Control
03. Son
04. Rabbit Run
05. Wandering
06. Your Fix
07. Nowhere To Start
08. If There’s A Light On
09. Falling
10. Until I Get By
11. In A Restless House


autor stipe07 às 19:23
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

Bússola - Bússola

Conhecido por algumas deambulações pelo rock e pela eletrónica e que chegaram a incluir a composição de temas para jogos de computador, o leiriense Pedro Santo regressou á sua cidade natal em 2013, também cheio de vontade de criar uma banda, tendo assim nascido a Bússola, um quinteto que se serve da voz, guitarras, acordeão, contrabaixo e bateria para criar canções que vivem num certo cruzamento espetral e meditativo, que pode também ser uma receita eficaz para a preservação da integridade sentimental e espiritual de cada um de nós, duas das facetas que, conjugadas com a inteligência, nos distinguem a nós humanos, dos outros animais.

A Pedro Santo juntam-se neste projeto José Carlos Duarte (bateria), Adelino Oliveira (contrabaixo) e Tiago Ferreira (acordeão) e Nuno Rancho (voz e guitarra). Tudo começou com uma simples demo, que foi sendo trabalhada no verão desse ano de 2013, até se chegar ao produto final que é este Bússola, um EP com cinco canções editadas pela Omnichord Records e que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da folk, nomeadamente uma voz sentida, um dedilhar de cordas vibrante, arranjos de acordeão sublimes e a bateria, o contrabaixo e a guitarra elétrica a darem substância e cor às melodias.

Primeiro passo concreto para um longa duração que deverá chegar aos escaparates no próximo ano, Bússola é, na minha opinião, uma estreia particularmente inspirada, já que assenta numa certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgem nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do alinhamento uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. Na verdade, o arsenal instrumental da contemplativa Come Home, que inclui um contrabaixo e as teclas de um acordeão, e o modo como se misturam com as cordas de uma viola, assim como a extrema sensibilidade que escorre do lindissimo registo vocal de Nuno, são sintomáticos da enorme fragilidade sedutora que este EP transpira por todos os poros.

Analisar a música destes Bússola e não salientar a voz de Rancho é desprezar um elemento fulcral da sua criação artística, já que ela torna-se num fio condutor das canções, seja através de um registo sussurrante, ou de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes, casando com as cordas, contrasta com a natural frieza das teclas e da percussão, porque expondo-se à boleia de uma folk intimista e sedutora, esta não sobrevive isolada e ganha uma dimensão superior ao abrigar-se num arsenal de cordas que incorporam a densidade e a névoa sombria que esta música exige e que em The End Of time, o momento alto deste EP, ganha contornos superiores de magnificiência e majestosidade.

Uma análise justa a este Bússola só fica completa se não for colocada de parte a componente lírica destas cinco composições. De acordo com a banda, na entrevista que concedeu a este blogue e que podes conferir abaixo, as músicas espelham estados de espirito. Se por um lado estas músicas comprometem e se tornam algo incómodas quando temos de falar sobre elas, por outro são honestas e a verdade é que na escrita das canções, parece ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica de escrever sobre aquilo que existe em redor, em vez de serem inventadas, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais a banda nunca teria à partida de se comprometer

Bússola é de uma subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que são já um referencial obrigatório de alguns dos melhores momentos musicais nacionais deste ano e que personificam uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual. Espero que aprecies a sugestão...

Bússola

Come Home
Looking For You
Uneasy
One Way Ride
The End Of Time

Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de Bússola, o vosso primeiro registo discográfico, começo com uma questão clichê… Como é que nasceu este projeto?

Bússola nasce no verão de 2013 aquando o meu (Pedro) regresso à cidade de Leiria. Trazia comigo um conjunto de canções na guitarra que achei que faziam sentido trabalhar como banda. Assim, gravei uma pequena demo e convidei a malta para montar este projecto. 

Com cinco canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da folk, nomeadamente uma voz sentida, um dedilhar de cordas vibrante, arranjos de acordeão sublimes e a bateria, o contrabaixo e a guitarra elétrica a darem substância e cor às melodias, Bússola é, na minha opinião, uma estreia particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram, no vosso seio, para este primeiro passo de um percurso que espero que venha a ser longo?

Este é o nosso primeiro trabalho discográfico. Embora seja um EP, depositámos neste disco bastante trabalho. Temos esperança que este disco seja a ponte entre a nossa música e o público, e que seja um teaser para o LP que contamos lançar em 2016.

Olhando um pouco para a escrita das canções, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica de escreverem sobre aquilo que vos rodeia, em vez de inventarem, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais nunca teriam à partida de se comprometer? Acertei na mouche ou o meu tiro foi completamente ao lado?

Sim, acertaste na mouche. Conteúdo, acaba por não ser bem uma opção de escrita mas mais um reflexo expontâneo de momentos de reflexão sobre o passado. É raro haver uma ideia para um tema pre-concebida na composição e estas músicas espelham estados de espirito. Se por um lado estas músicas comprometem e se tornam algo incómodas quando temos de falar sobre elas, por outro são honestas, e não fariam sentido doutra forma. 

Confesso que o que mais me agradou na audição de Bússola foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?

A maioria dos temas neste disco nasce de canções na guitarra que são na sua essência  simples. No entanto existe muito trabalho nos arranjos. O processo de compor e trabalhar os arranjos raramente foi  linear ou simples, e houve na grande maioria dos temas deste EP bastante debate e experimentação, inúmeros avanços e recuos. Esta procura e experimentação na sala de ensaios acaba por definir a sonoridade que temos como banda. Se por um lado existe um cunho grande de folk na nossa música, considero que a nossa música não se apresenta de uma forma tão linear, e julgo que esse aspecto nos dá uma sonoridade algo singular.  

Adoro a canção The End Of Time. E o grupo, tem um tema preferido em Bússola?

Sim, também temos uma canção favorita. É o The End Of Time também. :)

Bússola foi produzido por um dos integrantes da banda, nomeadamente o Pedro Santo. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?

Confrontados com os custos e compromissos que evolvem gravar em estúdios acabamos  por optar por tomar essa decisão logo de início. Mais tarde e devido a alguns atrasos recorremos à ajuda da Suse Ribeiro dos estúdios Valentim de Carvalho que, para além da masterização do album, também misturou o tema Uneasy.

A Omnichord Records é a casa de alguns dos nomes fundamentais do universo sonoro musical nacional. É importante para vocês pertencer a essa família que parece apostar convictamente no vosso trabalho?

Estamos muito gratos em pertencer a esta família. A Omnichord têm sido incansável nos seus esforços para promover inúmeras bandas e o seu trabalho.  É com muito orgulho que vemos o nosso disco agora fazer parte do espólio da editora.


autor stipe07 às 22:55
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015

Jens Lekman – Ghostwriting EP

Após um breve hiato, o músico e compositor sueco Jens Lekman voltou às luzes da ribalta neste ano de 2015 com um assumido compromisso de todas as semanas compor e gravar um novo tema, através do seu projeto Smalltalk. Ghostwriting, o seu mais recente ep, é uma espécie de complemento desta hercúlea tarefa, um documento sonoro com cinco temas em que o autor e a banda que o tem acompanhado transformam as suas histórias pessoais em canções, assentes numa folk acústica intensa, próxima  e subtilmente encantadora.

Hábil poeta e permanentemente focado e apaixonado pelo processo de escrita e composição, Jens Lekman é exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional.

Neste pequeno compêndio absolutamente obrigatório, Lekman mostra-se particularmente intimista e reflexivo, sobrepondo as palavras destes poemas escritos na sua linguagem materna  a uma menor exaltação instrumental, necessária e preciosa para a materialização de uma clara honestidade poética que, do modo como é plasmada por este ator, transforma-se num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo. Na verdade, Lekman é único e universal a traduzir com simplicidade musical tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia e este EP comprova-o com notável bom gosto e exatidão. Espero que aprecies a sugestão...

Jens Lekman - Ghostwriting

01. Träskepp
02. Min Pappa Är Död
03. Det Måste Ha Varit Kärlek
04. Trollkarlen
05. Tekniskt Avregistrerad


autor stipe07 às 16:48
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Domingo, 15 de Novembro de 2015

The Brian Jonestown Massacre – Mini Album Thingy Wingy

Os The Brian Jonestown Massacre surgiram em 1990, na Califórnia e são conhecidos pela mistura de psicadelia com o folk. Com um enorme cardápio discográfico já no historial da banda, do qual se destaca, por exemplo, Aufheben, um disco lançado na primavera de 2012 e décimo terceiro álbum de estúdio desta banda de Anton Newcombe, esta é um grupo que coloca em sentido todos os admiradores deste espetro sonoro e sobre o qual se lançam todos os holofotes sempre que dão sinal de vida e ampliam o seu catálogo.

Grvado em Berlim, nos estúdios de Anton e lançado pela A. Records, selo do próprio Newcombe, Mini Album Thingy Wingy é mais um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador, o grande líder de uma banda sempre em constante mutação e que conta atualmente no seu alinhamento com os guitarristas Jeff Davies and Peter Hayes, entre outros. Pish, o tema que abre o disco, clarifica o caldo psicadélico em que estes The Brian Jonestown Massacre se movimentam, onde além de guitarras plenas de fuzz e distorções planantes e lisérgicas, também encontramos pandeiretas, uma bateria encorpada e um baixo pleno de personalidade, instrumentos que nos oferecem texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na sonoridade desta banda.

Além do elevado pendor eletrificado das cordas dos The Brian Jonestown Massacre, há uma faceta acústica melodicamente intensa e propositadamente contemplativa na sua música. A viola de Prší Prší e Dust e os instrumentos de sopro que a acompanham, assim como os efeitos do teclado, oferecem-nos um forte travo setentista que nos permitem aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Mas é em Get Some, o destaque maior de Mini Album Thingy Wingy, que fica claramente plasmado o estilo, o método e a obsessão típicas de Newcombe, um dos poucos génios do rock atual e que apenas subsiste num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, sem nunca deixar de soar tão poderoso, jovial e inventivo como já o fazia há duas décadas. Na verdade, ele reinventa a sua banda em cada novo álbum e deixa sempre claro que é irrepreensível na interpretação das suas influências, que constantemente se renovam e se alteram. Espero que aprecies a sugestão...

The Brian Jonestown Massacre - Mini Album Thingy Wingy

01. Pish
02. Prší Prší
03. Get Some
04. Dust
05. Leave It Alone
06. Mandrake Handshake
07. Here Comes The Waiting For The Sun


autor stipe07 às 19:04
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Sábado, 14 de Novembro de 2015

Sufjan Stevens – Exploding Whale

Sufjan Stevens - Exploding Whale

Sem estar ainda refeito do forte impacto que Carrie And Lowell, o último registo de originais do norte americano Sufjan Stevens teve por este lado, acaba de chegar à redação deste blogue Exploding Whale, um tema inédito do autor, editado este ano em formato single de sete polegadas e que amplia o retorno do músico a sonoridades mais intimistas, nostálgicas e contemplativas, mas agora com a eletrónica em pano de fundo, numa canção dominada por sintetizadores e outros detalhes sintéticos que, pelo modo como se encaixam na melodia e em alguns dedilhares de cordas, dão um certo charme e brilho à moldura sonora estética de uma composição que é uma verdadeira jóia, em todos os sentidos. Confere...


autor stipe07 às 21:44
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Skylar Spence - Prom King

Viu a luz do dia no final do último verão Prom King, o disco de estreia do projeto Skylar Spence, encabeçado por Ryan DeRobertis, um músico norte americano que começou por assinar a sua música como Saint Pepsi, mas que resolveu infletir para uma pop efusiva, em oposição a atmosferas mais etéreas e experimentais em que se baseava no seu anterior projeto. Sendo assim, estamos na prsença de um disco que apela sem desvios ou truques desnecessários a uma visita demorada e dedicada a uma pista de dança, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade.

Num disco carregado de temas com airplay fácil e com tudo para darem a volta ao mundo, Skylar Spence oferece-nos, em quarenta e cinco minutos, um alinhamento com uma elevada componente sintética, impregnado de batidas aceleradas e plenas de groove, com temas como Can't You See, tema cantado pelo próprio Ryan, mas também Ridiculous! e Bounce Is Back a concretizarem um piscar de olho indiscreto ao house mais comercial, mas onde não faltam guitarras e outros detalhes mais orgânicos, sejam acústicos ou eletrificados. I Can't Be Your Superman é uma canção extraordinária para o testemunho desta simbiose com uma guitarra com um efeito vintage fortemente narcótico e uma batida bem vincada, a marcarem um andamento de um tema com uma personalidade muito forte e festiva.

Este é um alinhamento de canções que, de acordo com o próprio autor, refletem eventos que marcaram a sua vida pessoal, nomeadamente o facto de ter testemunhado espirais de descontrole emocional protagonizadas por alguns dos seus melhores amigos e a impotência que o assaltou nesses instantes, mas também a sua experiência na estrada como músico e todo o tipo de tentações que esse estilo de vida contém. O tema homónimo deste disco versa diretamente sobre este ideário, contendo alguns samples que refletem essa experiência pessoal e o modo marcante como a mesma moldou a personalidade deste autor.

Prom King tem diversos momentos particularmente deslumbrantes e efusivos e outros mais contemplativos, nomeadamente All I Want, mas que não deixam de ser igualmente intensos. Canções como Bounce Is Back e as já citadas Ridiculous! e Can't You See deviam ser uma presença obrigatória em qualquer pista de dança, não só pelo ambiente dançante efusivo que criam, mas também pelo travo vintage psicadélico que contêm, num alinhamento que é para ser escutado, quase na íntegra, debaixo da bola de cristal, com uma atitude insinuante, um charme e uma sofisticação muito próprios, sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir. espero que aprecies a sugestão...

1. Intro

2. Can't You See
3. Prom King
4. I Can't Be Your Superman
5. Ridiculous!
6. Fall Harder
7. Bounce is Back
8. Affairs
9. All I Want
10. Cash Wednesday
11. Fiona Coyne


autor stipe07 às 20:47
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Kisses – Rest In Paradise

Editado a nove de outubro último, Rest In Paradise é o novo registo discográfico dos Kisses, o terceiro de uma dupla norte americana oriunda de Los Angeles e que que usa a eletrónica como principal ferramenta na construção das suas canções, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade.

Num disco carregado de temas com airplay fácil e com tudo para darem a volta ao mundo, Jesse Kivel e Zinzi Edmundson, agora já casados e pais de um bebé, oferecem-nos, em quarenta e cinco minutos, um alinhamento com uma elevada componente sintética, mas onde também não faltam guitarras e outros detalhes mais orgânicos, sejam  acústicos ou eletrificadas, mas sempre com a exeriência pessoal do casal como centro nevrálgico da temática das canções, agora liricamente mais maduras, em oposição ao romantismo algo pueril que brotava de Funny Heartbeat, o registo anterior e que lançou estes Kisses para as luzes da ribalta.

Rest In Paradise tem vários momentos particularmente deslumbrantes e efusivos e outros mais contemplativos, mas igualmente intensos. Se o extraordinário single Groove devia ser já uma presença obrigatória em qualquer pista de dança, não só pelo ambiente dançante efusivo que cria, mas também pelo travo vintage psicadélico que contém, já as cançãoseguinte, Sun, mantendo a mesma fórmula instrumental mas reduzindo na cadência das batidas, expôe uma atmosfera diferente, mas bastante melódica e orgânica, algo nua e carregada de sentimento.  Já Control leva-nos de novo para debaixo da bola de cristal, mas agora num registo mais insinuante e com uma linguagem sonora mais marcada por detalhes percussivos que conferem ao tema uma intimidade groove e um desejo de abanar as ancas sem sair do sítio, bastante carregados. É uma abordagem um pouco diferente à dança e onde impera um charme e uma sofisticação muito próprios que os samples de instrumentos de sopro ajudam a ampliar.

Nile acaba por ser, na minha opinião, o grande momento de Rest In Paradise, um portentoso e contemporâneo convite à dança sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir, um tema que impressiona pela grandiosidade e pelo modo como os efeitos exalam um saudável espontaneidade, alinhados por uma batida quente e um andamento melódico único e fortemente inebriante. Essa canção atesta a tremenda fluidez que estes dois músicos partilham entre si, enquanto casal e intérpretes de uma forma de arte universal e capaz de comungar connosco, como é a música. Ouvir estes Kisses acaba por ser uma sensação algo sedutora, com um efeito narcótico que provoca o nosso íntimo e num abraço profundo, nos acompanha pista fora sem destino previamente traçado e com trechos sonoros em que convém ir buscar as plumas para viajar convenientemente até aos anos oitenta.

Em suma, ao som do ambiente leve, épico e envolvente que marca os alicerces de Rest In Paradise, esta é uma cúpula incisiva entre rock e eletrónica, uma relação quente e assertiva, baseada num alinhamento que nos convoca para uma verdadeira orgia entre sub-géneros da pop, que ao longo das dez canções vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, enquanto saboremos mais um copo e apreciamos um final de tarde glamouroso. Espero que aprecies a sugestão...

Kisses - Rest In Paradise

01. Paradise Waiting Room

02. A Groove
03. Sun
04. Control
05. The Nile
06. Fred Roses
07. Sunset Ltd.
08. Jam
09. Eternal
10. Rest In Paradise


autor stipe07 às 19:55
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Le Rug - 1779

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records e um nome importante do cenário indie punk local, já que em integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug foi a sua última aposta e dei-a a conhecer há pouco mais de um ano devido a Press Start (The Collection), uma coleção de canções que Weiss apresentou ao mundo por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Quase no ocaso de 2015 este projeto Le Rug está de regresso, e para se despedir, com Game Over, uma espécie de balanço de toda a carreira artística do seu grande mentor, que se orgulha de nos últimos dois anos ter editado dez discos e composto mais de trezentas e cinquenta canções, algumas delas incubadas durante um breve período da sua vida passado em Bangecoque, na Tailândia.

Do alinhamento de setenta e uma canções de Game Over, há várias que merecem audição dedicada e 1779, é, certamente, uma delas, um tema que conta com a participação especial de Tim Rusterholtz e é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca, o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante. Confere...


autor stipe07 às 19:40
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015

Animal Liberation Orchestra – Tangle Of Time

Zach Gill, Steve Adams, Dan Lebo Lebowitz e Dave Brogan são os Animal Liberation Orchestra, uma banda californiana de regresso aos discos com Tangle Of Time, o quarto tomo da carreira de um projeto que não defrauda quem aprecia composições exuberantes e luminosas, mas onde também não faltam arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

Tangle Of Time é um compêndio de indie rock inebriante com pitadas de folk bem impressas nas crodas de There Was a Time, no acordeão de Sugar On Your Tongue, mas também na riqueza detalhística do efeito da guitarra em Push e nos areanjos que compôem a bem disposta e divertida No Old Yet, assim como no agregado sonoro impressivo sintetizado do single The Ticket e na ode à pop oitocentista da dupla Coast To Coast e Undertow. Na verdade, o modo como as cordas vão surgindo nas várias canções e o diferente modelo de projeção das mesmas, acustica ou eletricamente, plasmam uma maturidade já bastante vincada, com os coros dos refrões a serem também uma imagem de marca que reforça uma calorosa ideia deste coletivo. Mesmo em cenarios melódicos mais contidos, como sucede em Simple Times, nunca é colocada em causa esta noção de luz e cor, uma sensação permanentemente orgânica de vitalidade e inspiração, que sabe como deixar o ouvinte a pensar, mesmo sabendo que está a ser diretamente convidado para se deixar absorver por um clima particularmente festivo. Depois, o modo convincente da interpretação vocal e o arrojo com que os restantes membros da banda se juntam ao vocalista, como sucede na já referida balada Simple Times, amplia imenso a boa impressão de um disco quente, efusivo e sonoramente rico e arrojado.

Com um forte travo à América profunda e ao típico ideário sonoro que não se faz rogado no momento de utilizar diversas fórmulas e variados estilos, Tangle Of Time é um fundamental marco no presente anuário, oferecido por uns Animal Liberation Orchestra que pretendem algo tão grandioso como quererem apropriar-se, com competência, alegria e criatividade, de um género musical com profundas raízes na terra do Tio Sam. Espero que aprecies a sugestão...

01. There Was A Time
02. Push
03. Not Old Yet
04. The Ticket
05. Simple Times
06. Keep On
07. Coast To Coast
08. Sugar
09. Undertow
10. A Fire I Kept
11. Strange Days


autor stipe07 às 22:09
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Walking Shapes – Taka Come On

Agressivos, rugosos e permanentemente ligados à corrente, assim são os Walking Shapes, uma banda norte americana, oriunda da cidade que nunca dorme e formada por Nathaniel Hoho, Jesse Alexander Kotanksy, Dan Krysa, Christopher Heinz e Jake Generalli. Taka Come On é o registo de originais de estreia deste quinteto, treze canções e mais dois temas adicionais, que viram a luz do dia à boleia da No Shame e que foram incubadas em Brooklyn, numa casa situada em Kingsland Avenue, pertença do artista plástico Joseph Grazi, ponto de encontro de músicos, atores e outras pessoas ligadas a diferentes quadrantes do universo artístico.

Gravado no Soho, em plena Nova Iorque e produzido por Gus Oberg, Taka Come On vive do esplendor das guitarras, geralmente distorcidas e ruidosas, mas há espaço também para uma mistura assertiva com a viola acústica, como é o caso de Saturday Song, uma das melhores canções do disco e com vários acordes que dispensam amplificação, assim como os violinos que passeiam pela lindíssima balada acústica Find Me. Na sequência, a emotiva e insinuante (no) também conta com a inserção de alguns efeitos e um riff de guitarra áspero e corpulento, mas os acordes acústicos espalhados ao longo do tema, conferem-lhe uma alma e uma emotividade ímpares e amainam um pouco toda a raiva que transborda do corpo da canção.

Ao longo do lainhamento de Taka Come On multiplicam-se os exemplos desta ímpar dicotomia, pouco vista e, por isso, merecedora do maior realce. O andamento vibrante e frenético de Milo's Shell transborda energia e eletrificação, mas há um dedilhar de fundo indsisfarçável que sobressai com nitidez e nem o baixo encorpado de In The Wake consegue tirar a primazia às guitarras na condução melódica de outra composição com um elevado nível de epicidade e sentimento.

Os Walking Shapes tocam um indie rock cru e pulsante, sem amarras e concessões e são diretos e arrojados no modo como viram as agulhas para um universo eminentemente punk, sem perder o norte, mesmo nos momentos mais contemplativos e intimistas, com a já citada Find Me a ser o momento mais alto dessa faceta mais sentimental da música deste quinteto. Eles exploram novos territórios sonoros com o baixo e a guitarra sempre no limite do vermelho, com uma também clara vertente experimental, onde rock e eletrónica se cruzam, dedilhados e eletrificados com particular mestria.

Em suma, em Taka Come On há abertura, arrojo, disposição para o choque e não há momentos de desnecessária complexidade. Desse modo o resultado final soa de forma muito consistente e bem definida e que confere aos Walking Shapes uma identidade sonora com um cunho muito próprio, que consegue falar sobre a melancolia e impressiona pela grandiosidade instrumental das canções e, acima de tudo, pela capacidade que elas têm de comunicar connosco. Espero que aprecies a sugestão...

Walking Shapes - Taka Come On

01. Woah Tiger
02. Milo’s Shell
03. Find Me
04. Winterfell
05. In The Wake
06. Mussolini
07. Let It Will
08. Saturday Song
09. (No)
10. Feel Good
11. Measure For Measure
12. Chinatown
13. The Right Time
14. Pool (Bonus Track)
15. Black Eye (Bonus Track)


autor stipe07 às 21:15
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015

Work Drugs – Louisa

Os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia, estão de regresso aos discos com Louisa, o sucessor de Insurgents, o anterior longa duração de uma banda já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estreou com Blood, em 2010.

Tendo visto a luz do dia a três de agosto, Louisa, como seria de esperar, está impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco lo fi e shoegaze. Numa espécie de mistura entre surf rock e chillwave, a dupla serve-se de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria eletrónica bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. É um arsenal instrumental que dá sempre o tempero ideal às composições, que recebem aquele toque final com a postura vocal da dupla, quase sempre em eco e que muitas vezes, como se pode escutar em True Romance, funciona à luz de um encadeamento perfeito entre os registos dos dois músicos, que se vão revezando entre os versos de poemas que falam quase sempre do amor e da aparente simplicidade do nosso quotidiano. Já agora, este tema conta com alguns arranjos de sopros aboslutamente deslumbrantes e algo inéditos neste projeto de Filadélfia.

Logo no início, no movimento constante da guitarra de My Billie Jean e na pandeireta de Minor Flaws percebemos que este é um daqueles discos perfeito para se escutar em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. Pouco depois, a bonita e dançável Another Life ou o charme urbano de Stars, canção com uma sonoridade algo retro que pisca o olho a alguns detalhes típicos do r&b e até da motown, são outros dois exemplos perfeitos de como Louisa contém um alinhamento perfeito para o abanar de anca constante, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. 

Ouvir Louisa é acompanhar esta dupla norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisa, curtas e diretas. Às vezes pressente-se que os Work Drugs não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Work  Drugs, uma dupla que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Na verdade, quando se torna difícil inventar algo novo, a melhor opção poderá passar por baralhar e voltar a dar, de preferência com as cartas muito bem misturadas e os trunfos divididos, talvez num cenário de gravidade zero. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Louisa

01. My Billie Jean
02. Minor Flaws
03. True Romance
04. Left At Redemption
05. The Diamond Life
06. Stars
07. Chase The Night
08. Another Life
09. In Dreams
10. Hey Nineteen
11. Just Like The Wind


autor stipe07 às 18:21
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Sábado, 7 de Novembro de 2015

Line And Circle – Split Figure

Os Line & Circle nasceram da colaboração entre Brian J. Cohen (voz, guitarra) e Brian Egan (teclados), dois músicos do Ohio que entretanto se mudaram para Los Angeles e a quem se juntaram, entretanto, o guitarrista Eric Neujahr, o baterista Nick Cisik, e o baixista Jon Engelhard. Um ano depois de um EP homónimo editado pela própria banda e produzido por Lewis Pesacov, já chegou aos escaparates o primeiro longa duração dos Line & Circle, um disco intitulado Split Figure e que atesta o futuro promissor que já se adivinhava para o grupo aquando da publicação do EP, que vê dois dos três temas do seu alinhamento no conteúdo desta estreia, nomeadamente Wounded Desire e Mesolithic.

Se a beleza pode tornar-se em algo de certa forma cansativo, principalmente quando surge de mãos dadas com a monotonia ou a repetição sucessiva, nestes Line And Circle a beleza das canções contradiz tal premissa, porque estamos na presença de uma luminosa coleção de canções e  que vivem num enredo melódico preenchido por intimismo e drama. Com uma receita instrumental transversal e única, que se comporta como a lava que desce pela montanha abaixo absorvendo e derretendo tudo em redor, define-se por um baixo vibrante, uma percussão ritmada e guitarras cheias de efeitos e melodias ricas. É, claramente, um padrão bastante particular e inspirado e cada uma destas dez canções apresenta uma definição de beleza e cor tão rigorosa, que é impossivel não sentir nesta alquimia harmoniosa um invejável sentido estético.

Split Figure é uma coleção irrepreensível de canções umbilicalmente ligadas ao período aúreo do rock alternativo, que ditou leis em finais do século passado, mas com uma modernidade e atualidade absolutas, com um pulsar textural muito intenso e viciante. Espero que aprecies a sugestão...

Line And Circle - Split Figure

01. Roman Ruins
02. Like A Statue
03. Mine Is Mine
04. Split Figure
05. Mesolithic
06. Wounded Desire
07. Out Of Metaphors
08. Shade Of Pride
09. Complicated Heart
10. Tunnel Joy


autor stipe07 às 22:34
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2015

Petite Noir – La Vie Est Belle / Life Is Beautiful

Já viu a luz do dia La Vie Est Belle / Life Is Beautiful o excelente disco de estreia do projeto Petite Noir de Yannick Llunga, um compêndio de onze canções gravado em Londres com Oli Bayston (Boxed In) e Leon Brichard (Ibibio Sound Machine), nos estúdios Box Ten e que contém uma deliciosa mistura de pop electrónica, com música contemporânea, num resultado final pleno de cor e cheio de alma africana.

La Vie Est Belle / Life Is Beautiful é um paraíso soul em todos os sentidos, um agregado sonoro universal, porque abarca diferentes géneros e esptros sonoros e claramente dançante mas, ao mesmo tempo, também um registo íntimo e suave. É um trabalho pleno de vozes, arranjos e batidas que assumem o controle das canções, num álbum que se mantém dinâmico e apelativo até ao seu ocaso.

Ouve-se o alinhamento com descontração e somos atravessados por uma intensa homogeneidade sonora, como se o alinhamento fosse um todo constituido pela soma de várias partes que pouco diferem entre si. Da percurssão intensa dos tambores cruzada pelos trompetes em Best, à pop luminosa onde não falta um inspirado sintetizador em Just Breathe, passando pelo funk enleante de Freedom, o meu tema preferido do disco, o piscar de olho relaxante ao R&B em Colour, a pop melancólica de Inside, ou a colagem eletrónica mais experimental de Chess, assim como as manipulações rítmicas de Seventeen (Stay), La Vie Est Belle / Life Is Beautiful é uma verdadeira passerelle de uma diversidade incrivel de traços e tiques, uma mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza a quem procura compor de modo expansivo e luminoso, mas também com uma certa dose de intimismo reflexivo. Na verdade, Llunga encheu a sua nuvem criativa com uma sonoridade eminentemente introspetiva, mas com um recolhimento que nunca deixa de ser alegre, floral e perfumado, tendo conseguido este equilíbrio feliz sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida pelo autor nesta estreia.

La Vie Est Belle / Life Is Beautiful é um belíssimo disco, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 

Petite Noir - La Vie Est Belle - Life Is Beautiful

01. Intro Noirwave
02. Best
03. Freedom
04. Seventeen (Stay)
05. Just Breathe
06. La Vie Est Belle / Life Is Beautiful (Feat. Baloji)
07. MDR
08. Colour
09. Down
10. Inside
11. Chess


autor stipe07 às 21:23
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