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Few Fingers - Burning Hands

Segunda-feira, 05.10.15

Nuno Rancho, músico dos Dapunksport e dos Bússola, colaborador dos Indignu, líder dos Team Maria e já com três dicos a solo e André Pereira,que tem acompanhado os Ultraleve, os Team Maria e os Quem É O Bob? são a dupla que dá vida aos Few Fingers, dois cúmplices, amigos e antigos vizinhos que já comungam musica e projetos há quase duas décadas. Few Fingers acaba por ser uma consequência óbvia de tão estreita ligação entre dois músicos bastante criativos e Burning Hands, um álbum que viu a luz do dia a vinte e oito de setembro, à boleia da Omnichord Records, o novo passo da dupla rumo ao merecido estrelato.

Cheio de canções com uma sonoridade indie folk particularmente aconchegante e sedutora, conduzidas por uma Lap Steel Guitar, o principal elemento instrumental agregador do disco, Burning Hands é eminentemente acústico e, conforme indica a banda na entrevista que me concedeu e que podes apreciar a seguir a esta crítica, tem um forte pendor orgânico, simples e despretencioso, debruçando-se em algo tão simples como aquele momento do dia em que as nossas tarefas e obrigações ficaram para trás e é o momento de fazer um balanço sobre tudo aquilo que vivemos. Curiosamente, ou talvez não, a simplicidade intimista do vídeo de From Pale To Red, o single já retirado do trabalho, da autoria de Tiago Gomes, é, na minha opinião, particularmente encantadora e além de clarificar a cumplicidade que existe entre ambos, mostra-nos como podemos fazer esse exercício reflexivo, através de um vídeo tão bonito e profundo que parece estabelecer um firme propósito estético no ideário artístico atual e futuro dos Few Fingers, em que os filmes das canções irão ser sempre pensadas de acordo com o conteúdo das mesmas.

Maioritariamente pensado e escrito pelo Nuno e tocado pelo André, este é um álbum dominado então pelo esplendor das cordas, acústicas ou eletrificadas e o seu alinhamento oferece-nos uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles vão surgindo nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de Burning Hands uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. O álbum contém um açúcar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional Our Own Holidays.

Burning Hands é alma e emoção traduzidas à voz e às cordas, como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos sussurros da voz, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Nuno Rancho e André Pereira, a vossa trajetória musical até à formação dos Few Fingers e o nascimento de Burning Hands, este vosso fabuloso disco de estreia, aconteceu e foi passada, no caso do Nuno, em participações em bandas como os Dapunksport, os Bússola e os Tema Maria, além de trabalhos a solo e colaborações com os Indignu e, no que que concerne ao André, a participação nos Ultraleve, Tema Maria e nos Quem é o Bob. Além de saltar à vista uma provável coexistência nos Tema Maria, de que modo é que os astros conjuraram para que fosse possível unirem esforços e dessa união feliz nascer os Few Fingers?

Nuno Rancho: Éramos praticamente vizinhos, conhecemo-nos quando começámos a fazer música há uns 15 anos atrás, tivemos na altura numa banda juntos mas rapidamente enveredamos por outros projectos separadamente, depois de 2008 a 2012 voltamos a juntar-nos com os Team Maria onde lançamos um álbum e o ano passado desafiados pela Omnichord Records gravamos um tema inédito (From Pale To Red) para a compilação Leiria Calling, gostamos imenso da canção e achamos que faria todo o sentido gravar um álbum que seguisse a mesma linha estética.

E agora uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para este Burning Hands?

Esperamos reacções positivas e que as pessoas consigam ouvir o álbum de uma ponta a outra sem passar faixas à frente. Depois de ouvirem o álbum queremos que as pessoas nos procurem ao vivo.

Disco dominado pelo esplendor das cordas, acústicas ou eletrificadas, confesso que o que mais me agradou na sua audição foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de Burning Hands uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, seja como for, em termos de ambiente sonoro, o que idealizaram para o álbum inicialmente correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

Desde o inicio sabíamos que queríamos fazer canções com uma sonoridade folk onde a Lap Steel Guitar tivesse um papel preponderante, há canções em que isso se nota menos mas foi sempre essa a linha condutora, queríamos fazer um disco acústico, maioritariamente orgânico virado para as canções.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, quer orgânica, quer eletrónica, e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos e depois existe um processo de agregação?

Todas as canções do álbum são inicialmente ideias minhas que apresentava ao André, algumas canções já completas com estruturas e letras definidas, outras apenas esboços que depois montamos em conjunto, posteriormente com a canção já estruturada todo o instrumental do álbum ficou a cargo do André que gravou todos os instrumentos.

A simplicidade do vídeo de From Pale To Red é, na minha opinião, particularmente encantadora e clarifica a cumplicidade que existe entre ambos. Tomando como ponto de partida este vídeo tão bonito e profundo, diria até, existe no ideário artístico atual e futuro dos Few Fingers, um propósito firme e um plano já definido quanto ao rumo a tomar acerca da vossa componente visual, nomeadamente os filmes que ilustram os vossos singles, ou será tudo pensado e decidido no momento consoante as circunstâncias?

Para o video de From Pale To Red decidimos confiar na visão do nosso amigo Tiago Gomes,  pedimos-lhe um video simples e intimista. Com uma produção completamente amadora o video acabou por superar as nossas expectativas, as imagens abraçam a canção na perfeição. A narrativa do próximo video clip será completamente diferente, os vídeos serão sempre pensados conforme a canção.

Burning Hands foi misturado e produzido por ambos. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?

Nunca pensamos na possibilidade da mistura e produção ser feita por outra pessoa, à medida que fomos trabalhando no álbum fomos percebendo que estávamos a ir no caminho certo e deixamo-nos ir até ao produto final. Apesar disto não pomos de parte a possibilidade de no futuro essas tarefas serem realizadas por outra pessoa.

Confesso que fiquei particularmente surpreso com a simplicidade do artwork de Burning Hands. Como surgiu a ideia e qual a razão? Caso exista alguma explicação plausível, além de uma possível relação com o nome da banda e do próprio disco...

A ideia do artwork vem do nome do álbum e também do nome da banda. Não queremos entrar em grandes explicações, queremos deixar em aberto, que criem a vossa própria historia ao olharem para a capa e ao juntarem os elementos da mesma.

Adoro a canção Our Own Holidays. Os Few Fingers têm um tema preferido em Burning Hands?

Neste momento a Forward March é a canção que gostamos mais, talvez por ter sido a ultima a entrar no álbum.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

A maior parte das bandas e artistas que me influenciam cantam e Inglês, não me imagino a cantar noutra lingua.

O que vos move é apenas o rock, a folk e a indie pop experimental ou gostariam ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Few Fingers?

Queremos começar já a trabalhar no próximo álbum a ideia é continuarmos a fazer canções com guitarra acústica e Lap Steel, o folk será sempre a base dos Few Fingers.

Para terminar, mais uma curiosidade… Quais são as três bandas atuais que mais admiram?

Father John Misty, Arcade Fire, Radiohead.

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publicado por stipe07 às 18:11

Kubalove - This Foolish Love

Segunda-feira, 05.10.15

Algures entre os Goldfrapp e os M83 situam-se os Kubalove um projeto de eletropop sedeado em Londres e que faz já parte do cardápio da Lost In The Manor.

O pop funk sintetizado melódico e com um forte apelo às pistas de dança de This Foolish Love, single que vai ver a luz do dia já a dezasseis deste mês, é a proposta sonora mais recente deste projeto liderado por uma cantora que a coberto da sua sensualidade nos inebria com particular mestria. This Foolish Love são quase três minutos de intensa energia, um íman sedutor que atrai sem apelo nem agravo as nossas sensações mais inebriantes e que nos aprisiona, deixando-nos completamente à mercê de uma pop incisiva, charmosa e desarmante. O próprio video do tema, que conta com a participação especial da modelo Peliroja, amplia o cariz luxuriante e sensorial da composição. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:08






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