Sábado, 25 de Julho de 2015

Férias 2015

Até breve...

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autor stipe07 às 14:50
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Elbow – Lost Worker Bee EP

Depois de há pouco mais de um ano terem editado The Take Off And Landing Of Everything, o sexto álbum da carreira, os britânicos Elbow de Guy Garvey estão de regresso com Lost Worker Bee, um EP com quatro canções e que, de acordo com a banda, funciona como um marco intermédio entre o antecessor e o próximo longa duração, enquanto os músicos dos Elbow se vão dividindo por alguns lançamentos a solo e colaborações com outros artistas e projetos. 

Ramsbotton, a cidade natal do grupo formado atuamente por Craig Potter, Mark Potter, Pete Turner e Richard Jupp, além de Garvey, é a principal inspiração do conteúdo de Lost Worker Bee, um pequeno tesouro que em quase vinte minutos nos oferece aquele som épico, eloquente, emocionante e que exige dedicação, que os Elbow sabem fazer melhor que ninguém e que verbaliza sonoramente aquela necessidade quase biológica que todos temos de viver e digerir a ressaca emocional que as partidas e as chegadas de várias pessoas às nossas vidas provocam, para que nunca nos falte o indispensável equilíbrio emocional que todos precisamos para quea vida seja devidamente apreciada e aproveitada.

Na verdade, estes cinco músicos fazem sempre questão de serem profundos e  poéticos na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir. E estas canções bonitas e delicadas, que entre a ode ao amor de Lost Worker Bee, a sonoridade mais progressiva e rugosa de And It Snowed, a pop épica e angulosa de Roll Call e a cândura mágica de Usually Bright, mostram sempre algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços das canções a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pela voz, são eficazes no modo como nos fazem sorrir sem razão aparente e no modo como incitam a necessidade que todos nós temos de, regularmente, refletir um pouco sobre o momento atual e o que se pode alterar, procurar, ou lutar por, para se ser um pouco mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Lost Worker Bee EP

 

01. Lost Worker Bee
02. And It Snowed
03. Roll Call
04. Usually Bright


autor stipe07 às 14:16
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Doubting Thomas Cruise Control - Sof Focus

Bobby Cardos, Sean Kelly, Chris Sprindis e Joe McCarthy são os Doubting Thomas Cruise Control, um coletivo norte americano oirundo de Brooklyn, Nova Iorque e que orienta a sua sonoridade por um vasto espetro que vai do rock alternativo mais clássico até ao punk.

Remember Me John Lydon Forever será o próximo registo de originais da banda, um trabalho que irá ver a luz do dia a catorze de agosto através da Duckbill Records e a insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Soft Focus, o último single divulgado de Remember Me John Lydon Forever é um festim inebriante, feito com guitarras distorcidas, uma voz que ruge sem desafinar e que exala um espírito jovem e bastante beliçoso. Fica logo claro que os Doubting Thomas Cruise Control não caiem na tentação de complicar e não se deixam levar por experimentalismos e arranjos desnecessários, conseguindo partir em busca de alguns detalhes do rock sem descurar um salutar sentido mais brando ou melancólico, havendo uma componente melódica particularmente assertiva neste tema. Confere...

 

 


autor stipe07 às 13:54
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2015

DIV I DED - Born to Sleep

A vinte e um de julho último chegou aos escaparates Born To Sleep, o disco de estreia dos DIV I DED, um projeto checo criado pelo multi-instrumentista Filip Helštýn em 2013, juntamente com a vocalista Viktorie Marksová e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inspirados pela pop melancólica simples e intrigante, feita com aquele intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação e adornada com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, os DIV I DED também piscam o olho ao punk rock, enquanto exigem ser encarados e apreciados sem reservas e serem alvo de uma análise detalhística, à boleia de todos os nossos sentidos, para que se torne compensadora a nossa audição e justas as alusões ao conteúdo de Born To Sleep.

As guitarras pulsantes e os flashes elétricos que as suas cordas debitam, têm aqui algo de cósmico e especial enquanto Marsova canta sobre um futuro melhor que aguarda por todos nós nas estrelas, nomeadamente em Electric Age. Não sendo importante dissertar acerca da crença, ou não, dos DIV I DED numa outra existência física e material depois da nossa viagem terrena, importa sim esclarecer que esta dupla checa tem corpo, alma e substância, não sendo possível assimilar convenientemente a beleza poética e angelical dos riffs amplos de Star Rover II ou, num registo mais introspetivo e límpido, o groove do baixo de Between Us, se fizermos de Born to Sleep uma banda sonora casual de um instante rotineiro e normal da nossa existência.

Se Late Awakening, o primeiro single divulgado de Born To Sleep, era um tema que exalava um charme melódico que impressionava pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transportava, tendo sido agora desvendado o conteúdo global do álbum e tendo em conta os temas já descritos e outros que serão ainda citados à frente, percebe-se que nestes DIV I DED apelar ao nosso íntimo com monumentalidade instrumental e uma intensa sensibilidade melodica, são as faces de uma mesma moeda cunhada com sofisticação e que tem tudo para às vezes poder sensibilizar particularmente os mais incautos.

Há, portanto, outros exemplos no álbum do modo hermético e ambicioso como os DIV I DED se movimentam dentro do espetro sonoro com que se identificam; Os sons abrasivos de No Light e o modo implícito como a distorção da guitarra os molda, sem colocar em causa a grandiosidade da canção, assim como o luxuoso e luminoso andamento pop de Frozen evidenciam um notório e aprimorado sentido estético e a junção sónica e algo psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Já Machines, um momento de experimentação minimal e com um registo vocal que deve ser objeto do maior deleite e admiração, é outro extraordinário exemplo do paraíso de glória e esplendor que estes checos procuraram recriar logo na estreia e que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da sua audição nos apoquente.

Em Born To Sleep houve claramente uma enorme atenção aos detalhes, notando-se um relevante trabalho de produção e, dentro do lo fi e da predominãncia de efeitos em eco, a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos. Também por isso, este é um disco reflexivo e indutor de sensações intrincadas e profundas e nele os DIV I DED consagram-se como banda relevante no espetro do indie rock de cariz mais sombrio e progressivo e, mais importante que isso, dão-nos pistas preciosas sobre como permitir que o nosso íntimo sobreviva e se mantenha íntegro neste mundo tão estranho. Espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 18:05
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The Mowgli’s – Summertime

The Mowgli's - Summertime

Sedeado em Los Angeles, o coletivo norte americano The Mowgli's segue o trilho da herança deixada por nomes como os Byrds, os Beach Boys, ou os mais contemporâneos Grouplove e Edward Shape & The Magnetic Zeros, através de uma indie folk vibrante e luminosa. Formados em 2010 pelo cantor e compositor Colin Dieden, os The Mowgli's são um grupo extenso, formado atualmente por David Applebaum, Spencer Trent, Matt Di Panni, Josh Hogan, Andy Warren e Katie Earl, além de Dieden.

A banda estreou-se em 2012 nos discos com Sound the Drum, juntamente com o EP Love's Not Dead. Regressaram rapidamente aos lançamentos um ano depois com Waiting for the Dawn e agora, em 2015, estão de regresso com Kids in Love, o terceiro álbum produzido por Captain Cuts e Matt Radosevich, sendo a aditiva e vibrante Summertime, a primeira canção divulgada do disco. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

The Wombats – Glitterbug

A seis de abril os The Wombats de Matthew Murphy, Daniel Haggis e Tord Øverland-Knudsen, regressaram aos discos com Glitterbug, um trabalho porduzido pela própria banda e por Mark Crew, que recentemente participou na produção de Bad Blood, o disco de estreia dos Bastille. Glitterbug é o terceiro álbum desta banda de Liverpool que se notabilizou por oferecer canções cheias de guitarras aceleradas, inflamadas com letras divertidas, sempre com um audível elevado foco na componente mais new wave do indie rock.

 Com uma carreira ainda curta, mas já recheada de grandes momentos sonors, os The Wombats chegam ao terceiro disco a exalar uma indisfarçável vontade de mudança, não só no que diz respeito à sonoridade mas também ao próprio conceito temático das canções. Glitterbug debruça-se sobre a história de um relacionamento amoroso que é mantido apesar da distância que separa os conjuges e, apesar de contiunarem a existir trechos líricos carregados de humor (it’s tough to stay objective, baby, With your tongue abseiling down my neck - Emoticons ou Sometimes I like to go uptown, Where flashy people flash around, It's extortionate and I don't care, You can taste the pretence in the airYour Body Is A Weapon), o tom geral é declaradamente mais sério, em oposição aos relatos juvenis alegres e festivos que era possivel conferir em A Guide to Love Loss & Desperation (2007) e This Modern Glitch (2011).

Os vícios, o ócio e a ligeireza típicas da adolescência e da juventude parecem, então, ter deixado de ser uma aventura e uma inspiração para os The Wombats; Basta escutar-se e ler-se o poema de This Is Not A Party para se perceber isso. O próprio video de Greek Tragedy, o primeiro single divulgado de Glitterbug, dirigido por Finn Keenan, ao mostrar uma fã que tem uma devoção doentia pela banda, perseguindo os seus membros constantemente e invadindo as suas próprias casas e carros, numa obsessão nada bem aceite pelo grupo e que causa uma reação radical na admiradora, mostra esta maior cautela e menor ingenuidade, como se o trio tivesse saído de um estado ébrio comum, para um novo acordar mais sério e sóbrio e que os faz ver a vida de um modo mais sombrio e realista.

Esta visão mais turva e rezingona do mundo que rodeia os The Wombats acaba por ter consequências óbvias na sonoridade do grupo, que se torna mais cautelosa e distante do estilo a que nos habituaram. Assim, apesar de não renunciarem ao indie rock e ao post punk dançável baseado em guitarras rápidas e distorcidas, que fazem parte do seu adn, aprofundam agora uma relação próxima com a pop, servindo-se de modo mais pronunciado dos sintetizadores, como se percebe logo em Emoticons, uma canção que alterna entre momentos calmos e um refrão intenso, com a voz de Matthew Murphy a exaltar uma comoção séria, que deve pouco a conceitos como prazer ou diversão. Esses sintetizadores colocam-nos de novo a dançar em Give Me A Try e Headspace e em Your Body Is A Weapon, uma típica música sobre um amor quase obsessivo, capaz de magoar o outro por não ser recíproco e fazem-no à boleia de um excelente riff de guitarras e um coro de vozes surpreendentemente assertivo, que um belíssimo piano ajuda a realçar. Mesmo nos temas que sustentam de modo mais eficaz a herança do grupo e onde o rock domina, como The English Summer ou Pink Lemonade, também se fazem ouvir com elevado relevo, apesar da omnipresença das guitarras, do baixo e da bateria.

Em suma, Glitterbug é uma fuga em frente por parte de uns The Wombats que querem mostrar-se mais adultos e abrangentes em todas as suas dimensões, lírica e sonora, através de treze canções bem estruturadas e instrumentalmente sonantes e com poemas que retratam com acerto situações e sentimentos que podem ser adotados e adaptadaos ao quotidiano de uma vida adulta. Os The Wombats cresceram e amadureceram e não se deram nada mal com essa mudança. Espero que aprecies a sugestão...

The Wombats - Glitterbug [Deluxe Edition]

01. Emoticons
02. Give Me A Try
03. Greek Tragedy
04. Be Your Shadow
05. Headspace
06. This Is Not A Party
07. Isabel
08. Your Body Is A Weapon
09. The English Summer
10. Pink Lemonade
11. Curveballs
12. Sex And Question Marks
13. Flowerball


autor stipe07 às 22:36
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Wavves - Way Too Much

Poucas semanas após o lançamento de No Life For Me, um disco que resultou de uma parceria com os Cloud Nothings de Dylan Baldi, Nathan Williams está de regresso com o seu projeto WavvesAfraid of Heights (2013), o último registo de originais da banda, tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado V e que será o quinto deste grupo californiano.

A letra imediata e a melodia aditiva de Way Too Much, o primeiro single divulgado de V, balança algures entre os The Replacements, os Green Day a até os Blink-182, mas não deixa de ser uma típica canção dos Wavves, pelo modo como aborda a surf music e o punk rock, juntando-se ainda a essência pop de Williams. Confere...


autor stipe07 às 11:03
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Outfit – Slowness

Lançado a dezasseis de junho pela Memphis Industries e composto enquanto a banda se encontrava disseminada por dois paises e três cidades, Slowness é o segundo álbum dos Outfit, um quinteto britânico oriundo de Liverpool e formado por Thomas Gorton, Nicholas Hunt, Christopher Hutchinson, David Berger e Andrew Hunt. Slowness sucede a Performance, o disco de estreia dos Outfit, editado em 2013 e, com um olhar angular mas bastante contemporâneo sobre a pop dos anos oitenta, oferece-nos uns Outfit revigorados e iluminados por um som amplo, adulto e bastante atmosférico, algo que se pode conferir logo no piano e nos efeitos de New Air. Esta é  uma fórmula criativa, onde as teclas têm evidente destaque, mas assente, substancialmente, na primazia das guitarras e onde algumas texturas downtempo misturam-se com vozes inebriantes, cheias de alma e da típica e envolvente soul britânica.

A música dos Outfit tem corpo, alma e substância. É para ser encarada e apreciada sem reservas e exige uma análise detalhística, à boleia de todos os nossos sentidos, para que se torne compensadora a sua audição. Não é possível assimilar convenientemente a beleza poética e angelical de Happy Birthday ou o ritmo frenético e a conjugação feliz entre distorções e piano em Smart Thing se Slowness servir, apenas e só, como banda sonora casual de um instante normal e rotineiro da nossa existência. E o que se percepciona, procurando uma análise mais alargada deste cardápio, é que o conteúdo profundo destes dois temas e, por exemplo, os efeitos sintetizados de Boy, não são nada mais nada menos do que duas faces praticamente opostas de uma mesma moeda cunhada com sofisticação e que tem tudo para às vezes poder sensibilizar particularmente os mais incautos.

Mas há outros exemplos do modo hermético e ambicioso como os Outfit se movimentam dentro do espetro sonoro com que se identificam; Os sons abrasivos e os detalhes de alguns samples de Cold Light Home e o modo implícito como o piano os moldam, sem colocar em causa a grandiosidade dessa canção, assim como o luxuoso e luminoso andamento pop de On The Water On The Way evidenciam um notório e aprimorado sentido estético e a junção sónica e algo psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Já Genderless, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso, deve ser objeto do maior deleite e admiração, é outro extraordinário exemplo do paraíso de glória e esplendor que os Outfit procuraram recriar no seu segundo disco e que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da sua audição nos apoquente.

Em Slowness houve claramente uma enorme atenção aos detalhes, notando-se um relevante trabalho de produção e a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos. Também por isso, este é um disco reflexivo e indutor de sensações intrincadas e profundas e nele os Outfit consagram-se como banda relevante no espetro da indie pop de cariz mais eletrónico e, mais importante que isso, dão-nos pistas preciosas sobre como permitir que o nosso íntimo sobreviva e se mantenha íntegro neste mundo tão estranho. Espero que aprecies a sugestão...

Outfit - Slowness

01. New Air
02. Slowness
03. Smart Thing
04. Boy
05. Happy Birthday
06. Wind Or Vertigo
07. Genderless
08. Framed
09. On The Water, On The Way
10. Cold Light Home
11. Swam Out


autor stipe07 às 22:24
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Kurt Vile – Pretty Pimpin

Kurt Vile - Pretty Pimpin

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011 e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile está de regresso com b’lieve i’m goin down…, álbum que vai ver a luz do dia a vinte e cinco de setembro por intermédio da Matador Records e já o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

b’lieve i’m goin down… será, de acordo com a editora, um disco que irá mostrar um Kurt Vile introspetivo, mas também auto-confiante e Pretty Pimpin, o primeiro single divulgado desse trabalho, parece querer realçar, principalmente, o segundo aspeto referido, já que a canção mostra um Vile embarcado numa viagem lisérgica, patente na instrumentação e numa letra que rompe com as propostas mais intimistas de discos antecessores, apresentando-o menos tímido e mais grandioso.

Kurt Vile estará em Lisboa a vinte e quatro de novembro, onde irá apresentar em nome próprio o novo álbum. A atuação está marcada para o Armazém F e a primeira parte está a cargo de Waxahatchee. Confere...


autor stipe07 às 18:32
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Paper Beat Scissors - Lawless

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que se prepara para lançar um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum vai ser editado no próximo dia catorze de agosto, através da Forward Music Group/Ferryhouse, depois do disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

Depois de ter sido divulgado Go On, o tema homónimo do segundo disco de Paper Beat Scissors, agora chegou a vez de ser dado a conhecer Lawless, mais um exemplo feliz desta visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso deste projeto, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.

Misturado por Graeme Campbell e masterizado por J. LaPointe, Lawless é mais uma compilação dramática de uma folk que nos tira o fôlego, com um falsete que nos deixa sem reação e toca profundamente no nosso coração e um cruzamento de teclados e violinos que depois recebe pequenos detalhes sonoros e que aqui fazem toda a diferença, demonstrando a abundância de talento de Crabtree, que se prepara, certamente, para nos deliciar com mais uma belíssima paleta de cores sonoras, com uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. Confere...

 


autor stipe07 às 12:42
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Terça-feira, 21 de Julho de 2015

Jaill – Brain Cream

Lançado a trinta de junho pela Burguer Records, a etiqueta que já os tinha abraçado em 2009, com There’s No Sky (Oh My My), o aclamado disco de estreia, Brain Cream é o novo lançamento discografico dos Jaill, uma banda norte americana oriunda de Milwaukee e formada por Vincent Kircher, Austin Dutmer e Andrew Harris, de regresso à casa de partida depois de dois trabalhos editados pela insuspeita Sub Pop.

Basta um olhar atento à capa de Brain Cream para se perceber que a indie pop psicadélica é a grande força motriz deste trio. Aliás, as vozes aditivas, a ligeira distorção da guitarra e os acordes coloridos, enérgicos e joviais de Got an F, o primeiro single divulgado do disco, transportam-nos até ao auge dos anos setenta e ao universo místico hoje muito em voga e que alguns projetos atuais tão bem replicam.

Quando no início da última década algumas bandas alicercadas na pop, mas com orquestrações alternativas, começaram a receber bastante atenção dos média especializados, fazer e ouvir música recheada de nuances detalhadas e sons coloridos parecia ser uma excelente proposta para a música naquele momento. A mim, um entusiasta de novas sonoridades e do experimentalismo, confesso que me seduziu! Assim que naquela altura ouvi algumas bandas que trilhavam este caminho, rapidamente senti-me atraído por esta sonoridade, à boleia de uns Architecture In Helsinki, por exemplo e, mais recentemente, rendido aos Unknown Mortal Orchestra ou aos Tame impala. e na verdade, estes Jaill parecem ser fortes candidatos a fazer parte desta cartilha, suportados numa base eminentemente pop, bastante coerente e dinâmica e estruturalmente cheia de preciosos detalhes.

Além do tema já referido e que, sucintamente, agrega  a estirpe sonora destes Jaill, nos dois pólos do disco, temas como a frenética e intuitiva Sweet Tooth Lovers, ou a solarenga Just A lovely Day são dois exemplos inebriantes e festivos de um trabalho que se espraia por treze canções que fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Look At You, ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso do fuzz de Draggin' ou na intensa e ampla Chocolate Poison Time.

Brain Cream é uma verdadeira sequência de músicas divertidas e com minuciosos detalhes. Tanto Change Reaction como Slides And Slips aproximam o trio de uma linguagem sonora com aproximação a elementos folk e as boas sequências de arranjos de guitarras, elétricos e acústicos, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo fazem com que o trabalho cresça e cada nova canção, dividem o álbum em vários momentos e evitam que os melhores se concentrem quer na abertura, quer no término do disco. Falo de um disco sem ondas, homogéneo e lineado por alto, com a banda a orientar-se de uma forma bastante dançante e espontânea, próxima de um clima festivo, relaxante e solarengo.

Brain Cream é a consolidação definitiva de um projeto que andava tremido pelo desgaste do tempo e necessitava urgentemente deste ponto alto, feito através de um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Jaill. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia, cheia de sentido de liberdade e prazer juvenil . Espero que aprecies a sugestão...

Jaill - Brain Cream

01. Just A Lovely Day
02. Getaway
03. Got An F
04. Slides And Slips
05. Symptoms
06. Change Reaction
07. Picking My Bones
08. Little Messages
09. Draggin
10. Pointy Fingers
11. Chocolate Poison Time
12. Look At You

13. Sweet Tooth Lovers (bonus track)


autor stipe07 às 22:14
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2015

The Go! Team - The Scene Between

Os britânicos The Go! Team de Ian Parton editaram no passdo mês de março o tão ansiado sucessor do aclamado Rolling Blackouts (2011). Esse novo trabalho chama-se The Scene Between, viu a luz do dia através do selo Memphis Industries e, no seu todo, é um compêndio de pop lo-fi colorido, repleto de influências orelhudas, amplo e luminoso e suficientemente cativante, em termos melódicos.

Composto quase na íntegra e produzido pelo próprio Ian Parton, um músico que faz praticamente tudo no projeto exceto cantar, The Scene Between explora diversos territórios sonoros de modo expansivo, com uma sonoridade muito própria e particularmente abrasiva, plasmada logo na épica What D'You Say?, com a produção a refrear claramente tonalidades graves em benefício da típica agudez adocicada tão cara a alguns dos requisitos essenciais da dream pop.

Conhecidos pela mestria com que aglomeram sons anárquicos, distintos e, à primeira vista, incompatíveis, sem deturparem o tradicional formato canção, desta vez os The Go! Team procuraram, sem renegar raízes, romper um pouco com o estilo habitual e, alargando os horizontes até um presente que, no universo do rock alternativo, aposta cada vez mais na eletrónica, colocaram todas as fichas em guitarras angulares, intensas e frenéticas em temas como Waking The Jetstream e feitas de distorções e aberturas distintas, claramente audíveis em Her Last Wave e num baixo com o impacto apenas necessário, com a bateria a colar todos estes elementos, com uma coerência exemplar, fazendo-o de modo extraordinário em Catch Me on the Rebound. Uma multiplicidade de arranjos sintetizados particularmente inspirados e refrescantes, que em Blowtorch definem mesmo o arquétipo sonoro do tema, também destacam-se no trabalho, onde se encaixam letras orelhudas e que causam impacto a quem se dedicar à sua assimilação.

Disco para ser disfrutado no momento e que vale, principalmente, pelo seu imediatismo, monumentalidade e jovialidade The Scene Between são, portanto, doze canções dominadas pelo rock festivo e solarengo e pelo toque delicioso da dream pop, mas onde a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que, apesar do papel fundamental da guitarra na arquitetura sonora dos temas, os sintetizadores conduzem também o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona pelo equilíbrio perfeito entre a contemporaneidade e um certo charme vintage. Espero que aprecies a sugestão...

 

01 What D'You Say?
02 The Scene Between
03 Waking the Jetstream
04 Rolodex the Seasons
05 Blowtorch
06 Did You Know?
07 Gaffa Tape Bikini
08 Catch Me on the Rebound
09 The Floating Felt Tip
10 Her Last Wave
11 The Art of Getting By (Song For Heaven's Gate)
12 Reason Left to Destroy

 


autor stipe07 às 10:31
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Domingo, 19 de Julho de 2015

Tashaki Miyaki – Under Cover Vol. II

A vocalista Lucy Miyaki e o guitarrista Tashaki formam o núcleo duro dos Tashaki Miyaki, uma banda oriunda de Los Angeles que navega nas águas turvas e profundas da dream pop de pendor psicadélico. Em digressão com os Allah-Las durante o outono de 2014, resolveram gravar algumas covers para a ocasião, na senda do que já tinham feito em 2012 com Under Cover, um lançamento que inclui versões de originais dos Roxette, INXS, Troggs e Bob Dylan, entre outros.

Neste segundo tomo de covers dos Tashaki Miyaki, a dupla resolveu revisitar com a ajuda do produtor Joel Jerome outros clássicos, sempre com a habitual atmosfera densa e particularmente sensual e hipnótica que colocam na sua música, com The Beautiful Ones, o original de Prince, a ser o exemplo claro do modo bastante original e assertivo como o fizeram.

Com uma sonoridade cada vez mais sóbria e adulta, Lucy e Tashaki criaram mais um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia, que atinge o seu auge, na minha opinião, na pop luminosa e pueril de I Only Have Eyes For You. Mas logo em Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t’ve) e em Never My Love, a dupla apresenta uma instrumentação que tem como pano de fundo essencial a música folk e a herança da América do Norte, sendo audível a procura de uma sonoridade ainda mais intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo. Nos inconfundível dedilhar das notas de Take My Breath Away e na sobriedade dos arranjos sente-se uma superior carga emotiva e a voz adocicada de Lucy, que parece pairar numa frágil nuvem de algodão, faz juz à cândura de uma letra que transborda fragilidade em todas as sílabas e versos. Esta voz, quando em Life Line, dos Pink Floyd, replica um registo mais grave sem colocar em causa o elevado pendor lisérgico da cantora, é mais uma manifestação audível e concreta do jogo dual que os Tashaki Miyaki conseguem oferecer ao ouvinte, entre força e fragilidade, dois aspetos que nas vozes, na letra e na insturmentação, se equilibram de forma vincada e segura.

Disponível para download gratuito, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, Under Cover Vol. II é um compêndio sonoro que surpreende pelo bom gosto como apresenta de forma sombria e introspetiva, mas superiormente frágil e sedutora, a  visão dos Tashaki Miyaki sobre alguns temas que sempre tocaram a dupla, mas, principalmente, pela forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem as escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Tashaki Miyaki - Under Cover Vol. II

Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t’ve)
Take My Breath Away
Never My Love
Life Line
This Time Tomorrow
I Can’t Stand The Rain
I Only Have Eyes For You
The Beautiful Ones


autor stipe07 às 22:59
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Sábado, 18 de Julho de 2015

Nugget - Watercolour EP

Oriundos de Londres e uma das mais recentes apostas da Lost In The Manor, formada por três músicos extremamente talentosos e virtuosos, os Nugget são Julien Baraness, um guitarrista e produtor canadiano natural de Toronto, Alex Lofoco, um baixista italiano e o baterista Jamie Murray. Juntos replicam uma fantástica fusão de indie rock com jazz, uma colagem genuína de estilos, proposta por um coletivo original e com qualidades técnicas ímpares, onde não faltam também abordagens diretas ao reggae, ao hip-hop e ao drum n'bass.

O EP de estreia dos Nugget chama-se Watercolour, viu a luz do dia a catorze de julho último e se as cinco canções do trabalho são interpretações sonoras do mundo que rodeia os Nugget, então Watercolour é uma verdadeira obra de arte sónica.

Cheese Meister, o primeiro avanço de Watercolour, são quatro minutos e meio de um jazz rock, ácido e pleno de funk, uma canção com um groove animado e divertido, mas o alinhamento deste EP tem outros momentos relevantes; A percussão precisa, a melodia astral e os samples de sons de Two's A Crowd, são um retrato sonoro vivo e preciso de um quotidiano urbano contemporâneo, à boleia de uma guitarra que divaga e plana sem restrições e depois, Nugget Jr oferece-nos um felino festim de cordas apontado às pistas de dança, enquanto que o funk e a rugosidade de BadBoy.0 impressionam pela mestria e pelo bom gosto.

Cheirando a Havana, Londres, Nashville ou Nova Orleães, Watercolour é um impressivo documento sonoro policromático, assinado por uns Nugget claramente experimentais e sequiosos por fazerem do jazz um género sonoro mais atrativo para as novas gerações de ouvintes que, geralmente, apreciam navegar por outros ambientes sonoros. Espero que aprecies a sugestão...

1) Nugget Jr

2) Fairfax Pickup

3) BadBoy.0

4) Cheese Meister

5) Two’s A Crowd

 


autor stipe07 às 21:22
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2015

Wilco - Star Wars

Os míticos Wilco divulgaram ontem, sem aviso prévio, o sucessor de The Whole Love (2011), o último registo de originais desta banda de Chicago. O novo álbum do grupo de Jeff Tweedy chama-se Star Wars, contem onze canções impregnadas com um excelente rock alternativo e está disponivel, gratuitamente, na página oficial do grupo.

O clichet curioso que encarna o título do novo álbum dos Wilco não passa despercebido, até porque está na ordem do dia a estreia do sétimo episódio da mais famosa saga da indústira cinematográfica, lá para o final do ano, com o mesmo nome. Seja como for, Jeff Tweedy deve ter-se sentido invadido pelo lado bom da força para oferecer a todos os seus fãs, de um modo completamente inesperado, um trabalho que, como seria de esperar, fala de paixão e de amor, como os melhores psicoativos sentimentais que podemos usar, mas também de estrelas e até, se quisermos, de sabres de luz, viagens intergaláticas e planetas distantes habitados pelos mais estranhos seres, já que a musica dos Wilco sempre teve a capacidade de nos fazer divagar ao som de composições bastante sugestivas e esse espírito mantém-se intacto.

Claramente ligados à corrente logo desde o instrumental EKG, os efeitos indutores de More... e o fuzz das guitarras de Random Name Nenerator, os Wilco marcam, à partida, uma posição forte no que concerne à filosofia sonora de Star Wars, oferecendo ao ouvinte quase tudo aquilo que o espera, canções dominadas por guitarras a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental. Não é inédito neste grupo de Chicago tal opção por um som mais cru e ruidoso, que em Cold Slope também mostra todos os atributos, mas é curioso e nobre quererem, nesta fase da carreira, ampliar essa faceta roqueira de uma banda que também se costuma mover confortavelmente por territórios mais acústicos. Em Star Wars, a doce balada pop Taste The Ceiling e o esplendor minimalista de Where Do I Begin são exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo do grupo, mas o que realmente sobressai durante a audição integral do trabalho é a perceção clara que os Wilco optaram por ligar a sua faceta experimental a pleno gás, obtendo um balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, mas sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que costuma definir as suas composições.

Os quase quatro minutos da já citada Random Name Generator, canção que se sustenta num arranjo de cordas alto e um riff de guitarra bastante elétrico, a fazer lembrar alguns dos melhores instantes de A Ghost Is Born, são a expressão máxima, em Star Wars, da boa forma do grupo e da capacidade que os Wilco ainda têm de se mostrar altivos, joviais, vibrante e contemporâneos. E mesmo quando em The Joke Explained nos fazem recuar umas quatro décadas até aos primórdios do rock clássico, em Pickled Ginger nos abanam com a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, ou em You Satellite nos oferecem um clima mais negro e soturno, os Wilco deslumbram pelo à vontade com que também navegam nos meandros intrincados e sinuosos do indie rock mais progressivo e psicadélico..

A leveza contínua, o entusiasmo lírico, a atmosfera amável, apesar do fuzz constante e o clima geral luminoso, enérgico e algo frenético de Star Wars, são os principais indicadores de um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que mantém firme o traço de honestidade de uma banda que quer continuar a ser protagonista no universo sonoro em que se move, trazendo de volta os Wilco arrebatadores, que The Whole Love tinha, de algum modo, silenciado. Espero que aprecies a sugestão...

wilco-star-wars-cover-900x506.jpg

01. EKG
02. More…
03. Random Name Generator
04. The Joke Explained
05. You Satellite
06. Taste The Ceiling
07. Pickled Ginger
08. Where Do I Begin
09. Cold Slope
10. King Of You
11. Magnetized

 


autor stipe07 às 11:50
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2015

Son Lux – Bones

Editado no passado dia vinte e três de junho, Bones é o novo trabalho dos Son Lux, um trio oriundo de Nova Iorque liderado por Ryan Lott e ao qual se juntam, ao vivo, Rafiq Bhatia e Ian Change. Falo de um projeto que sobrevive à luz de uma indie pop eletrónica de forte cariz ambiental, feita com uma míriade imensa de instrumentos e elaboradas cenografias sonoras, que transcendem as noções de género e fronteira, sem nunca se perder de vista a ideia da canção.

Bones, o quarto álbum da carreira dos Son Lux, é um excelente exemplo de como um disco feito quase exclusivamente com uma instrumentalização baseada em software informático, pode também criar canções com vida, substância e com um elevado pendor orgânico. A eletrónica é aqui um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. 

Logo a abrir e após a enigmática intro Breat In, o esplendor de Change Is Everything dá-nos a certeza que estamos perante um álbum épico e cheio de luz. Isso sucede também devido à forma emotiva como Ryan canta a canção, um atributo precioso para dar ao tema essa vertente grandiosa. A míriade instrumental desse tema inclui arranjos com sons de sinos e uma percussão abrasiva e, logo a seguir, os flashes vigorosos da bateria eletrónica de Flight, adornados por samples de flautas e xilofones digitais, comprovam o virtuosismo de Son Lux em frente do computador e o seu génio na criação de texturas sonoras.

No restante alinhamento de Bones percebe-se uma maior dinâmica estrutural das canções relativamente aos trabalhos anteriores, um novo espírito mais superlativo, mas sem haver perda de controle, apesar de Lott arriscar frequentemente não só em variações rítmicas, mas também em densidade e volume, numa mesma canção. O rigor hipnótico do efeitos de You Don't Know Me e os flashes de cordas e as palmas, a toada tribal de Undone adornada depois por uma guitarra cristalina, ou a percussão exórica e cavernosa de Now I Want, são bons exemplos desta riqueza compositória claramente intuitiva e cerebral, que origina uma espécie de eletrónica minimalista mas ampliada até ao máximo do seu potencial. Já a melancolia de White Lies, que se desbrava num misto de euforia e contemplação, à medida que os diferentes efeitos vão-se revezando na linha da frente da estrutura melódica da composição e a espantosa solidez de I Am The Others, uma canção com diferentes linhas agrestes mas que exalam um intimismo romântico bastante peculiar, além de serem excelentes exemplos do que melhor se vai ouvindo na eletrónica atual, são mais dois temas que aprimoram eficazmente a atmosfera sonora de um grupo com uma direção sonora que às vezes parece recuar duas décadas, no modo como cruza sintetizadores e vozes com uma forte toada nostálgica e contemplativa.

Simples e intrigante, fortemente hermético e fechado num casulo muito próprio, Bones está revestido com uma eletrónica que exige particular dedicação, mas que recompensa quem se atreve a descobrir os seus recantos mais profundos e a procurar desbravar os territórios sonoros que decalca. Espero que aprecies a sugestão... 

Son Lux - You Don't Know Me

01. Breathe In
02. Change Is Everything
03. Flight
04. You Don’t Know Me
05. This Time
06. I Am The Others
07. Your Day Will Come
08. Undone
09. White Lies
10. Now I Want
11. Breathe Out


autor stipe07 às 21:15
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2015

Tame Impala - Currents

Três anos após Lonerism, o disco que levou os Tame Impala de Kevin Parker ao estrelato e a um reconhecimento superior que Innerspeaker, o disco de estreia, não tinha proporcionado, chegou finalmente aos escaparates o tão aguardado sucessor desses dois trabalhos que refletiram a exploração de um universo muito pessoal e privado do grande mentos do projeto. O novo álbum deste quinteto australiano intitula-se Currents, está novamente abrigado pela chancela da Modular e da Interscope Records e, sendo mais pop, dançante e eletrónico que os antecessores, não deixa de conter essa vertente pessoal fortemente impregnada. Eventually, por exemplo, uma balada tranquilamente pop e um dos singles retirados do disco, poderá muito bem refletir a separação recente de Kevin Parker de Melody Prochet, vocalista do projeto francês Melody's Echo Chamber.

A nostalgia e o modo como são apresentados com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, continua a ser uma pedra de toque importante na discografia dos Tame Impala, conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça. E Currents não foge à regra deste modus operandi, mas num rumo diferente dos antecessores, com temas como I Less Know The Better ou Disciples a persistirem nos constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica e juntando um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental vintage única, mas apostando, fundamentalmente, em texturas mais sintéticas, exemplarmente sintonizadas nas sobreposições e mudanças de ritmo de Really In Motion, um dos temas onde eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop. Aliás, Currents está cheio de exemplos em que se passa, num ápice, do hip-hop para o R&B, com a nostalgia deste genero, esplendorosa em Cause I'm A Man e a fazer recordar um R. Kelly na fase mais fulgurante da carreira, a dominar o ambiente sonoro do disco e com Love/Paranoia a aconchegar-se nos nossos ouvidos e a colar-se à pele com o amparo certo para que se expresse a melíflua melancolia que Parket certamente quis que deslizasse das suas canções, já que o mistério é, também, um elemento estruturante da sua filosofia sonora.

Assim, e olhando para Currents como um todo, se logo em Let It Happen, o longo tema de abertura, ficou explícito que os Tame Impala estão menos dependentes das guitarras e que resolveram chamar os sintetizadores para um plano de maior destaque, que em The Moment revelam-se particularmente esplendorosos e eficazes nessa tal busca de efeitos genuínos e futuristas, a verdade é que, pouco depois, sem deixarem de lado a sua típica groove viajante, plasmam em Yes I'm Changing a tal estética mais próxima de uma certa pop negra avançada, fazendo-o com uma vibração excitante, onde não faltam alguns samples de sons urbanos, espelhando essa opção por uma toada mais R&B, mas mantendo-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Em suma, cheio de espaço, minimal e carregado de sintetizadores impregnados de efeitos, com texturas e fôlegos diferentes e onde aquela sensação de experimentação caseira ainda bem presente, além de letras simples e até algo vagas, Currents clarifica as novas coordenadas que se apoderaram do departamente de inspiração de Parker, sendo o resultado da sua nova ambição em se rodear com uma aúrea resplandescente e romântica e de mostrar uns Tame Impala renovados e cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Além de encontrarmos Currents nas lojas em breve, será possível também ver os Tame Impala em Portugal este ano, pois já estão confirmados no Festival Vodafone Paredes de Coura. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - Currents

01. Let It Happen
02. Nangs
03. The Moment
04. Yes I’m Changing
05. Eventually
06. Gossip
07. The Less I Know The Better
08. Past Life
09. Disciples
10. Cause I’m A Man
11. Reality In Motion
12. Love/Paranoia
13. New Person, Same Old Mistakes


autor stipe07 às 22:01
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015

Wavves And Cloud Nothings – No Life For Me

Dois dos nomes mais consensuais e profícuos do indie rock lo fi atuais são, certamente, os Wavves de Nathan Williams e os Cloud Nothings de Dylan Baldi. Para regalo dos ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock, No Life For Me, um compêndio de nove canções assndao pelas duas bandas, é um dosmarcos discográficos do ano, sem qualquer dúvida. No Life For Me aparece nos escaparates à boleia da Ghost Ramp e foi gravado e produzido pelo coletivo Sweet Valley, formado por Nathan e o seu irmão Joel Kynan, sendo um trabalho que, na sua génese, é feito de experimentações sujas que procuram conciliar esta componente lo fi com a surf music, numa embalagem caseira e íntima e que não coloca em causa o adn sonoro identitário dos dois projetos.

No Life For Me junta talentos fazendo-o, felizmente, sem pretensões demasiado grandiosas ou eloquentes. Costura a sonoridade calculadamente poluída dos Wavves com a energia típica dos Cloud Nothings, de modo a que no disco transpire sempre, na quase meia hora que dura, a inexistência de alguma música em que prevaleça um dos projetos, sendo mais do que um trabalho de simbiose, uma compilação em que o resultado final é algo de particularmente novo e inovador, tendo em conta o percurso discográfico dos autores.

As nove canções do álbum são quase todas aceleradas e feitas com guitarras aditivas e uma voz que às vezes parece perder o tom, mas que nunca descura o teor melódico, sendo essa apenas e só aparente lacuna, mais um detalhe, certamente propositado, para o charme pretendido. Aliás, também não falta, em alguns instantes, aquela componente surf pop muito californiana, onde Nathan muitas vezes se deita para compôr.

Se a introdução de Nervous, acomodada num baixo irrepreensível e num excelente refrão cheio de loopings e arranjos distribuídos em camadas, faz deste tema um momento intenso e obrigatório no disco, canções como a intuitiva Come Down ou o o reverb do tema homónimo induzem o peso e a velocidade que os dois grupos exigem, com Nothing Hurts a encerrar com beleza e bom gosto um trabalho arrojado e que, apesar do constante noise das guitarras, nunca deixa de conter uma sonoridade aberta, acessível e pop.

Álbum, na minha opinião, fundamental e também percurssor da reinvenção do movimento lo fi tão em voga nos últimos anos e que tem dado alguma primazia à vertente psicadélica, como comprovam os conterâneos Ty Segall ou The Oh Sees, No Life For Me é um passo significativo numa outra direção, mas igualmente nobre e bem sucedida, de duas bandas que, sem deixarem de ser rugosas, intensas e viscerais, procuram um brilho pop mais acessivel e imediato e uma abordagem ao noise mais elástica, orelhuda, angulosa e até radiofónica. Espero que aprecies a sugestão... 

Wavves And Cloud Nothings - No Life For Me

01. Untitled I
02. How It’s Gonna Go
03. Come Down
04. Hard To Find
05. Untitled II
06. Nervous
07. No Life For Me
08. Such A Drag
09. Nothing Hurts


autor stipe07 às 22:18
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Amber Leaves - Heaven

Oriundos de Londres, os britânicos Amber Leaves são Chesney Jefferson, Sebastian Drayton, Jay Morrod, Jake Miliburn e Josh Pontin, um coletivo que me impressionou com Heaven, o primeiro de uma sequência de três temas que o coletivo pretende lançar este verão, à boleia da Lost In The Manor.

Acordes de guitarra com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Heaven, canção que conta com a participação especial vocal de Miele Passmore e que seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso. Estes Amber Leaves personificam num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um projeto com uma vitalidade imparável e que vale a pena escutar com dedicação. Confere...


autor stipe07 às 13:36
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Domingo, 12 de Julho de 2015

The Fleas - Telling Tales EP

Telling Tales é o novo EP dos The Fleas um quarteto britânico de Reading, formado por Piers, Bernadette, Mannie, Woody e Chris, que vive à sombra de uma sonoridade que gravita algures entre Pixies ou os The Kinks, mas também a piscar o olho à folk americana, levando-nos de regresso aos tempos aúreos do rock alternativo mais vibrante e luminoso.

Sonoramente animados e expansivos, como uma boa banda pop indie deve ser, os The Fleas percorrem estilos musicais tão variados como o rock progressivo e a folk, à boleia de cordas acústicas e eletrificadas, um andamento ritmado e frenético, sendo Telling Tales um EP recheado de intensidade e com a típica coutry-folk a ser a principal zona de conforto, como se percebe logo em Free.

Born To Run, o segundo tema do EP, inspirado no livro Born to Run: The Hidden Tribe, the Ultra-Runners, and the Greatest Race the World Has Never Seen da autoria de Christopher McDougall. muda um pouco a agulha para o baixo e a paercussão, em derterimento das cordas, mas mantém-se o frenesim ritmado e alegre de um quinteto inspirado no modo como se serve da música como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções! Finalmente, os arranjos das cordas de No More Tears, impregnam este EP com um sabor ainda mais americano, sendo este EP, para quem aprecia o género, verdadeiramente obrigatório. Confere...


autor stipe07 às 18:39
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