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Barbarossa – Imager

Domingo, 14.06.15

Oriundo de Londres, o britânico James Mathé assina a sua música como Barbarossa e editou a onze de maio, através da Memphis industries, Imager, o terceiro disco de um músico com uma carreira já interessante no domínio da pop que coloca a eletrónica na linha da frente do processo de criação sonora, sempre tingida com melancolia e um humanismo particularmente sedutor.

Nestas dez canções, este músico e também reputado produtor que colocou as mãos em trabalhos dos Metronomy ou dos Summer Camp, oferece-nos uma visão relaxante e intimista do modo como vê a eletrónica de cariz mais ambiental, num trabalho que firma, definitivamente, um posicionamento do mesmo num campo sonoro mais sintético, ele que começou por chamr a atenção da crítica pelas baladas folk que criou no início da carreira e que fizeram com que fosse comparado a nomes tão fundamentais como Jose Gonzalez que, curiosamente, ou talvez não, participa em Home, o single já retirado de Imager. Há alguns anos atrás, Barbarossa, como intérprete folk, chegou a abrir alguns dos concertos do músico sueco que agora oferece a sua voz a esta canção.

Se o tema homónimo do disco mostra-nos, claramente, o novo arquétipo sonoro de Barbarossa, através de uma abordagem algo inclinada para as pistas de dança, com um claro piscar de olhos a uma faceta mais techno, a tal Home, tranquila e redentora, coloca todas as fichas numa visão mais emotiva e contemplativa, com o efeito do teclado a convidar-nos a conferir um hino eletrónico elegíaco, com um imediatismo simples, mas pungente.

À medida que o alinhamento de Imager avança, pressente-se um certo sentimento de inquietude, que o registo vocal de Solid Soul ou o sintetizador inebriante de Settle, uma canção que se debruça sobre a solidão que quem vive numa grande cidade frequentemente sente, não disfarçam, como se houvesse um fluxo emocional que conduz as canções que nos oferecem momentos redentores com o intuíto de agitar primeiro e confortar depois, o âmago da nossa alma. O refrão de Silent Island é, talvez, o melhor exemplo desta melancolia que quer descobrir o equilibrio perfeito entre hinos de dança contidos e uma intimidade orgânica singular, uma refrega intensa que coloca em campo de batalha aberto e sem reservas emoção e racionalidade.

Imager é Barbarossa a sair da sombra e a colocar um passo firme debaixo das luzes da ribalta à boleia de um talento para a composição e produção musical inato, que parece ter perdido a timidez e que exige ser reconhecido enquanto membro de pleno direito, do clube dos principais arquitetos da eletrónica contemporânea de terras de Sua Majestade. Neste álbum o autor oferece-nos, com a sua escrita intensa, mas direta e incisiva, algumas respostas que são incontornáveis tendo em conta o cariz afetivo e reflexivo das melodias a que dá vida.  Enquanto se escuta Dark Hopes e se acompanha com atençaõ o poema inspirador que abraça a melodia, percebemos o imenso fôlego libertador e esotérico que Imager transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Barbarossa - Imager

01. Imager
02. Home
03. Solid Soul
04. Settle
05. Nevada
06. Dark Hopes
07. Silent Island
08. Muted
09. Human Feel
10. The Wall

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publicado por stipe07 às 21:25

Widowspeak - All Yours

Domingo, 14.06.15

Widowspeak - All Yours

Molly Hamilton & Robert Earl Thomas são os Widowspeak, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas atualmente sedeados em Brooklyn, Nova Iorque. Depois de vários singles lançados no início da presente década e disponíveis no bandcamp da banda e do disco homónimo de estreia, editado em 2011, chegou, em 2013, Almanac, sendo o sucessor desse disco All Yours, um trabalho que irá ver a luz do dia a quatro de setembro através da Captured Tracks.

A dream pop e os acertos típicos do rock alternativo de cariz mais urbano ditam as regras em All Yours, tema homónimo deste novo disco dos Widowspeak e canção com um forte cariz bucólico. A presença das guitarras, logo desde o início, ajuda a canção a assumir uma representação curiosa e bem estruturada de tudo o que marca o atual momento desta dupla nova iorquina; Enquanto a voz de Hamilton, bastante orgânica, representa a busca do campestre, as cordas tocadas por Thomas fazem a ponte com o passado da dupla. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:14

Passion Pit – Kindred

Sábado, 13.06.15

Lançado a vinte e um de abril pela Columbia Records, Kindred é o terceiro álbum dos Passion Pit de Michael Angelakos, uma banda norte americana oriunda de Cambridge, no Massachusetts e da qual também fazem parte Chris Hartz, Aaron Harrison Folb, Giuliano Pizzulo, Pete Cafarella e Ray Suen.

Novamente produzido por Chris Zane, ahbitual colaborados dos Passion Pit, Kindred é mais um disco que cimenta um projeto pop num género nem sempre fácil de rotular. Geralmente um álbum pop bem sucedido é um tratado com um propósito comercial, melódico e acessível a vários públicos, o que faz com que a busca de tal abrangência resvale para rodelas perdidas num universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica. Neste caso e como se entende logo na audição da épica e luminosa Lifted Up (1985) ou do single Until We Can’t (Let’s Go), a banda faz crescer em cada nota, verso ou vocalização, à boleia do sintetizador, todos os ingredientes que definem as referências principais dessa pop, acrescentando ainda, em determinados instantes, aspetos da música negra, brincando, assim, com a eletrónica de forma inédita, enquanto nos conduzem para a audição de mais um disco doce e, na mesma medida, pop.

Disco mais curto dos Passion Pit, Kindred é, talvez, o trabalho mais introspetivo do projeto, apesar de não deixar de ser comovente, conter versos e refrões sedutores e de fácil assimilação e de estar cheio de armadilhas sonoras que nos podem atrair para um universo bastante festivo, mas enganador, não só nas batidas da já citada Lifted Up (1985), como nas de My Brother Taught Me How To Swim. Seja como for, a nostalgia continua a ser uma marca transversal a quase todo o alinhamento, algo que os efeitos e a percussão de Whole Life Story tão bem transparecem, em canções que se debruçam sobre a adolescência conturbada de Angelakos (Dancing On The Grave, Whole Life Story), a saudade (All I Want) ou outros eventos que podem fazer parte da vida de qualquer um de nós, mas que deixam sempre marcas profundas (My Brother Taught Me How to Swim).

A aparente dicotomia concetual e sonora de Kindred faz do álbum um trabalho criativo e versátil, repleto de expressividade, sempre com a eletrónica como pano de fundo e um indisfarçável charme e delicadeza a reforçar o cariz intimista de mais um retato sonoro da existência de Angelakos, expresso em dez canções estimulantes e maduras. Espero que aprecies a sugestão...

Passion Pit - Kindred

01. Lifted Up (1985)
02. Whole Life Story
03. Where The Sky Hangs
04. All I Want
05. Five Foot Ten (I)
06. Dancing On The Grave
07. Until We Can’t (Let’s Go)
08. Looks Like Rain
09. My Brother Taught Me How To Swim
10. Ten Feet Tall (II)

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publicado por stipe07 às 14:40

Surfin' Mutants Pizza Party - The Death of Cool

Sexta-feira, 12.06.15

Apesar de vir do frio Quebec canadiano, Julien Maltais, um jovem de apenas vinte e um anos, tem no sangue o calor do punk rock californiano. Ele é o líder e grande mentor do projeto Surfin' Mutants Pizza Party, que criou depois de ter liderado várias bandas de metal sem grande sucesso e ter decidido sozinho, no seu quarto, começar a criar música.

Julien estreou-se nos lançamentos discográficos com The Death of Cool, um trabalho que viu a luz do dia a dezanove de maio, em formato digital e cassete, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Do surf punk, ao skateboarding, passando pela banda desenhada e a ficção científica, são várias as fontes de inspiração de um músico que cria uma colorida estética sonora, onde o vintage e o contemporâneo se misturam com particular acerto. Basta escutar o efeito e o fuzz da guitarra e a bateria crua de Sidewalk Svrfin' Cvrse (intro) para chocar de frente com essa insana partilha, onde acontece uma cópula e fusão de guitarras distorcidas, com um baixo grave e imponente e uma percussão frenética, além de alguns efeitos sintetizados que só podem ter saído de uma mente impregnada com um ímpar nível de criatividade. Este instante abençoado de criação musical aconteceu dentro de um quarto, de onde sairam onze canções que plasmam diferentes manifestações do comum pensamento juvenil, já que se debruçam sobre algumas das temáticas para quem começa a entrar na idade adulta, com temas como I Need a Cigarette, Cocaine Lipstick ou Noodles & Energy Drinks a colocarem a questão da adição num plano de destaque, quer de forma direta, quer com um sarcasmo e uma ironia que parece ser imagem de marca da curiosa escrita de Julien.

Apesar dos antecedentes criminais do autor de The Death Of Cool que, recordo, têm o metal como bitola determinante, há em alguns temas deste disco, um curioso piscar de olhos a sonoridades mais pop, apesar do transversal cariz lo fi do alinhamento. Canções como The Kraken, uma ode a um lendário monstro marinho, o grunge de Werewolf Class Of '77 ou Can't See Straight de algum modo definem ajudam a cimentar este padrão, que tanto nos atira para o sujo e potente indie rock, como para um universo oposto com uma melodia e um instrumental, sempre rugosa, mas mais doce e suave. Esta aparente dicotomia acaba por sobressair se olharmos para o disco como um todo, algo ainda mais simples de balizar quando estamos na presença de um trabalho com caraterísticas e um modelo de produção muito próprios. Aliás, esta alternância do leve e do limpo com o cru, acaba por enriquecer, quase que inconscientemente, o leque de géneros presentes na sonoridade de The Death Of Cool, através da melancolia de e do blues encaixado nos moldes indie e noise, bem patente na homónima The Death Of Cool e, finalmente, alguns momentos de inconstância e experimentação, como Just Another Slacker Anthem, mostrando que a coragem instrumental de Surfin' Mutants Pizza Party não perturba a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar desses momentos e da especificidade rugosa do som que carateriza este projeto.

Particularmente inventivo e curioso na sua escrita, corajoso, determinado e sonoramente destemido, Julien Maltais fez do seu quarto um portal aberto para o resto do mundo, alimentado pela energia inebriante que transborda de uma guitarra jovial e pulsante e de um interessante arsenal instrumental que contém alguns dos melhores efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do indie punk vintage mais juvenil. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:02

Palma Violets – Danger In The Club

Quinta-feira, 11.06.15

Considerados por muitos como os novos pontas de lança do indie rock britânico mais genuíno, os Palma Violets estão de regresso aos discos com Danger In The Club,  o sucessor do aclamado disco de estreia 180, um trabalho editado há dois anos e que além de os catapultar para o estrelato, fez deles um dos novos nomes sonantes da sempre exigente Rough Trade Records.

Ao segundo disco já deixa de ser prematuro questionar-se se o indie rock mais fervoroso e festivo, orinudo de Terras de Sua Majestade, está bem entregue nas mãos destes Palma Violets, acompanhados nos últimos tempos com particular frenesim por uma imprensa local musical sempre ávida de novidades e que muitas vezes coloca em determinadas bandas expetativas que as mesmas depois não conseguem acompanhar. Seja como for, quer no rock vibrante e festivo de Hollywood (I Got It), quer no piscar de olhos a uma centelha mais punk e eighties em Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach, percebe-se que pelos menos este quarteto está disposto a fazer-nos dançar sem grandes complicações e até com um certo estardalhaço que, neste caso concreto, até é louvável. Mesmo quando a guitarra e a bateria procuram entrelaçar-se de um modo mais insinuante nessa Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach, não faltam motivos para duvidar da capacidade dos Palma Violets em utilizar a típica ironia britânica que os Blur, por exemplo, exploraram até à exaustão com elevada mestria na primeira metade dos anos noventa, fazendo-o de modo assertivo e sem deturpar a essência da banda, mesmo se procuram, como acontece em The Jacket Song, encetar por uma sonoridade mais acústica e pop.

Seja como for, a grande força motriz deste Danger In The Club alimenta-se de riffs de guitarra vigorosos e da pujança de uma percussão que cresce à sombra do punk dançante, com Secrets Of America a balizar-se dentro destas permissas e a ser mais um exempo  do modus operandi diversificado, acessível e orelhudo destes Palma Violets, num disco que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e que alargou bastante o espetro sonoro e a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se manter no seio das grandes bandas que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. Já agora, aquela toada épica e grandiosa que o indie rock local quase exige em determinados instantes, como se cada banda tivesse que compor um hino glorioso à Rainha e ao Império para conquistar os corações mais inflamados do proletariado que tantas vezes gosta de se sentir orgulhosamente só, também está devidamente salvaguardado nas guitarras de Coming Over To My Place.

Com uma bateria e um baixo algo sombrios, mas com o travo do funk nas guitarras em Matador e com um baixo arrebator e impulsivo em Gout! Gang! Go!, uma canção feitar para dançar até à exaustão no baile da esquina quando as torneiras estão quse secas e os niveis de destilação corporal no limite, chega ao ocaso um disco onde os Palma Violets expandiram a sua paleta sonora, diversificaram o clima e abriram os olhos para um novo mundo que parece diverti-los imenso e onde, pelos vistos, se sentem igualmente confortáveis. Espero que aprecies a sugestão...

Palma Violets - Danger In The Club

01. Sweet Violets
02. Hollywood (I Got It)
03. Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach
04. Danger In The Club
05. Coming Over To My Place
06. Secrets Of America
07. The Jacket Song
08. Matador
09. Gout! Gang! Go!
10. Walking Home
11. Peter And The Gun
12. No Money Honey
13. English Tongue

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publicado por stipe07 às 21:58

Dead Seem Old - This Mess Won't Make Itself

Quinta-feira, 11.06.15
Dead Seem Old é um projeto de indie pop sedeado em Londres e da autoria do músico e compositor Thom Wicks. Interessado pela experimentação sonora, Wicks costuma andar sempre com uma guitarra de flamengo e um gravador de quatro pistas para gravar as suas demos.
Depois de They Won't Find Us, o seu single de estreia, um tema escrito e composto num quarto de hotel, durante uma viagem do mesmo à Indonésia, Thom está de regresso com um novo tema intitulado This Mess Won't Make Itself, um canção escritas pelo próprio Thom Wicks e por Javier Weyler, que também a produziu e misturou. O resultado é uma peça de indie pop contemporâneo absolutamente memorável, que dos coros aos arranjos das cordas, irradia uma luz incomum e que merece uma audição dedicada. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 21:52

The Vaccines – English Graffiti

Quarta-feira, 10.06.15

Lançado a vinte cinco de maior por intermédio da Columbia Records, English Graffiti é o terceiro álbum dos londrinos The Vaccines, de Justin Hayward-Young, Freddie Cowan, Árni Árnason e Pete Robertson. Disco produzido por Dave Fridmann e Cole M. Greif-Neill, English Graffiti sucede aos aclamados álbuns What Did You Expect from the Vaccines? (2011) and Come of Age (2012), que consolidaram uma estética sonora que numa esfera indie rock nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes do punk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Vistos por alguma crítica como a resposta britânica ao nova iorquinos The Strokes, quer na postura, quer na sonoridade rock frenética, livre de constrangimentos e adornos desnecessários e certeiros no modo como adoptam uma estética sonora retro à boleia de riffs de guitarra potentes e uma voz poderosa, os The Vaccines chegam ao terceiro tomo do seu percurso discográfico seguros do som que pretendem apresentar que, com um pé na new wave e outro no pós punk, procura atingir uma maior luminosidade e amplitude melódica. As festivas e frescas Handsome e 20 / 20 e o som da guitarra de Dream Lover e um efeito quase indecifrável de um teclado que deambula pela canção, assim como o andamento vigoroso da bateria marcam uma chancela rugosa e acendem uma chama intensa que, com a preciosa ajuda de Dave Fridmann, que já colocou as mãos em discos dos MGMT ou dos Flaming Lips, coloca o som do quarteto exatamente no ponto pretendido. Depois, a fina fronteira que separa o baixo do sintetizador em Denial, um dos meus temas preferidos de English Graffiti e, numa abordagem mais groove, o indie rock exuberante e irresistível de Give Me a Sign e Minimal Affection, canção que assenta em batidas sintéticas que se escutam em sintonia com riffs de guitarra melódicos e uma voz poderosa, mostram a outra face de uma mesma moeda que os The Vaccines cunharam neste disco e que os fará render milhões, se for bem explorada. Esta última canção, já agora, impressiona pela imagética criada para a ilustrar, com cenas de uma aventura espacial com uma estética retro, numa temática que gira em torno da dificuldade que as gerações mais novas têm de se relacionar pessoalmente por estarem tão dependentes das novas tecnologias.

Até ao ocaso, se os efeitos do teclado, a guitarra viciante e a condução melódica a cargo do piano fazem de (All Afternoon) In Love um dos grandes momentos nostálgicos do disco, já o frenético pop surf punk de Radio Bikini e, em oposição, a tensão emocional e o minimalismo eletrónico que o fuzz da guitarra disfarça em Maybe I Could Hold You, são outros instantes obrigatórios de um álbum que além de ter como trunfo importante a temática reflexiva das canções, impressiona pelo modo como os The Vaccines abordam diferentes espetros sonoros, com o declarado objetivo de alargarem a lista de caraterísticas essenciais do seu som, fazendo-o com enorme qualidade, jovialidade e bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

The Vaccines - English Graffiti

01. Handsome
02. Dream Lover
03. Minimal Affection
04. 20 / 20
05. (All Afternoon) In Love
06. Denial
07. Want You So Bad
08. Radio Bikini
09. Maybe I Could Hold You
10. Give Me A Sign
11. Undercover
12. English Graffiti
13. Stranger
14. Miracle
15. Handsome Reimagined (Dave Fridmann Edit)
16. Dream Lover Reimagined (Malcolm Zillion Edit)
17. 20/20 Reimagined (Dave Fridmann Edit)
18. Give Me A Sign Reimagined (Co Co T Edit)

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publicado por stipe07 às 18:16

Citizens! – European Soul

Terça-feira, 09.06.15

Lançado pela Kitsuné no passado mês de abril e produzido por Laurent d’Herbecourt (colaborador no álbum Bankrupt! do Phoenix), European Soul é o segundo disco dos londrinos Citizens!, uma banda formada por Tom Burke, Thom Rhoades, Martyn Richmond, Lawrence Diamond e Mike Evans e que aposta naquela indie pop nostálgica, mas festiva e que fez escola há umas três décadas, tendo marcado todos aqueles que, como eu, deixaram para trás a infância nesses gloriosos anos oitenta.

Lighten Up, o primeiro avanço do sucessor de Here We Are (2012), o disco de estreia do grupo, carrega o charme contagiante do quarteto num piano pulsante em loop e com a voz sedutora de Burke a infiltrar-se numa sonoridade eletrónica plena de groove e bastante dançável, apesar de uma certa aúrea melancólica em redor da canção. Esta é, sinteticamente, a receita assertiva que os Citizens! espraiam em European Soul com canções, como Waiting For Your Lover ou Brick Wall, sustentadas por clássicos pianos vintage, guitarras com efeitos exuberantes, mas livres de constrangimentos e adornos desnecessários e arranjos selecionados meticulosamente de modo a oferecer uma estética sonora retro que, pondo um pé na indie pop clássica, taõ bem plasmada no groove do sintetizador de European Girl e outro na eletrónica new wave, procura atingir uma superior luminosidade e amplitude melódica.

Com o objetivo assumido de criarem hinos radiofónicos e canções orelhudas, os Citizens! debruçam-se, tematicamente, sobre aquilo que classificam como a angústica social e económica em que está mergulhada a sociedade ocidental dos nossos dias e querem funcionar como um escape dançavel e cativante para essa prblemática. Se My kind Of Girl não é suficiente para convencer os maiores credores das economias falidas do sul da Europa a aliviarem o esforço daqueles que viveram anos a fio numa fuga em frente mais ou menos declarada, pelo menos é uma canção com todo o potencial para deixar ao rubro as imensas pistas de dança que brotam nos resorts solarengos junto ao mediterrâneo, nesses países devedores e onde os conterrâneos dos Citizens! gostam de ocasionalmente afogar e regar as mágoas. Depois, mais adiante, enquanto em Are You Ready? apreciam a fina fronteira que separa um baixo pulsante e uma percussão imaculada de um sintetizador exuberante e irresístivel e um falsete arrebatador, já na frenética pop de All I Want Is You, os últimos resistentes clamam por rendição, exaustos e incapazes de acompanhar o ritmo e o andamento que estes Citizens! impuseram num alinhamento refrescante e cintilante, cheio de soul, romântico, até algo kitch e muito contagiante.

Consistente e cheio de potenciais singles, European Soul consegue arrumar ideias e mostrar como velhas genéticas próximas do filão pop quase levado à exaustão que é a década de oitenta, ainda têm ainda capacidade para comunicar com o presente, desde que essa tarefa de enriquecimento do cenário musical atual e contemporâneo, aconteça de modo criativo, algo que os Citizens! superam, principalmente quando nos seduzem com cançoes guiadas por sintetizadores deliciosos, pianos animados, guitarras que exalam charme por todas as cordas e uma voz cheia de estilo e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Citizens! - European Soul

01. Lighten Up
02. Waiting For Your Lover
03. European Girl
04. My Kind Of Girl
05. Only Mine
06. Brick Wall
07. Trouble
08. I Remember
09. Have I Met You?
10. Xmas Japan
11. Are You Ready?
12. All I Want Is You
13. Mercy
14. Idiots
15. Lighten Up (Cesare Remix)

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publicado por stipe07 às 22:20

Unknown Mortal Orchestra - Multi-Love

Segunda-feira, 08.06.15

Os Unknown Mortal Orchestra vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. II, o segundo álbum da banda, viu a luz há cerca de dois anos e catapultou o projeto para o estrelato, ao reforçar de forma comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B.

No passado dia vinte e seis de maio chegou aos escaparates Multi-Love, o novo disco dos Unknown Mortal Orchestra, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Jagjaguwar e que mantendo o cariz sempre sensivel, profundo e enigmático da escrita de Ruban Nielsen, que exige o prévio conhecimento de contextos e motivações (Nielsen é casado e pai, mas neste momento vive um multi-love já que com ele e a mulher coabita uma rapariga de dezoito anos que o músico conheceu recentemente numa viagem), sonoramente volta a catapultar o grupo, de modo ainda mais abrangente, para uma estética que além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica.

A impressão firme da sonoridade típica dos Unknown Mortal Orchestra está um pouco mais límpida, com o ruído e a estética lo fi a continuarem presentes, mas com as canções a terem um maior volume e densidade e a ser indisfarçavel a busca de melodias agradáveis e marcantes e ricas em detalhes e texturas, sendo Puzzle um bom exemplo das mesmas. Há uma grandiosidade sempre controlada e um maior apelo às pistas de dança que se percebe logo no groove e na riqueza dos arranjos do tema homónimo, que arranca o alinhamento.

Multi-Love flutua, daí em diante, num ambiente próprio, livre de exageros e coerente com a proposta determinada desde a estreia, e que se sustenta, principalmente, na dualidade existente nos laços entre a psicadelia e o R&B. Mas, há uma espécie de contraste sequencial, com outras esferas e o blues negro de The World Is Crowded ou o rock vintage nova iorquino de Like Acid Rain, que exala Prince por todos os poros, são instantes que calcorreiam territórios ainda mais abrangentes, com a banda a pisar universos nostálgicos, cheios de transformações expressivas e onde a relação com os sons marcantes da década de setenta ocupam um lugar fundamental na construção da obra, um trabalho de referências bem estabelecidas. Mas há ainda mais exemplos; Se o teclado e o efeito de Ur Life One Night, por exemplo, pisca o olho à pop e ao discosound da década seguinte, já a guitarra e a percussão de Can't Keep Checking My Phone, canção que satiriza alguns aspetos da sociedade contemporânea e com um travo intenso à melhor tropicália e com um indisfarçável odor a retro, como uma velhas cassete encontrada num sotão em tempo de mudanças.

A conquistarem um número maior de adeptos devido a esta especificidade sonora vintage cada vez mais pop e acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao terceiro tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta, oferecendo aos ouvintes uma viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...

Unknown Mortal Orchestra - Multi-Love

01 Multi-Love
02 Like Acid Rain
03 Ur Life One Night
04 Can’t Keep Checking My Phone
05 Extreme Wealth and Casual Cruelty
06 The World Is Crowded
07 Stage or Screen
08 Necessary Evil
09 Puzzles

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publicado por stipe07 às 18:39

A Place To Bury Strangers - Transfixiation

Sábado, 06.06.15

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers estão de regresso aos discos com Transfixiation, um trabalho editado a dezassete de fevereiro pela Dead Oceans e que sucede a Worship, um álbum lançado em 2012 e que, tal como este novo registo, explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze.

Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Supermaster, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e a percussão inebriante do noise rock de Straight, reproduzida por Robi Gonzalez e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, está no modo como os A Place To Bury Strangers escapam a todas categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarcam num enorme armário que, tendo tanto de caótico como de hermético, não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Há um forte sentido melódico na distorção da guitarra em Love High e no punk de What We Don't See, assim como um ambiente psicadélico em We've Come So Far que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver Ackerman, em Deeper, possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem, frequentemente, de elo de ligação entre os temas, Transfixiation avança com o ambiente a tornar-se cada vez mais rugoso, ao mesmo tempo que o ritmo da bateria abranda, com o instrumental Lower Zone, a dividir, de certo modo, o disco em duas partes distintas, no modo como parece agregar um emaranhado de melodias que, por si só, parecem temas distintos, enquanto faz a súmula de todo o conteúdo do alinhamento.

A já citada We've Come So Far, acaba por colocar tudo no devido lugar e se Fill The Void tem o típico clima de ocaso, é ao quase instrumental I Will Die que cabe a tarefa de encerrar uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva do trio, à boleia de algumas frases soltas e curiosos efeitos, que termina um disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...

1. Supermaster
2. Straight
3. Love High
4. What We Don’t See
5. Deeper
6. Lower Zone
7. We’ve Come So Far
8. Now It’s Over
9. I’m So Clean
10. Fill The Void
11. I Will Die

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publicado por stipe07 às 23:20







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