Terça-feira, 30 de Junho de 2015

Muse – Drones

Os britânicos Muse de Matthew Bellamy, Dominic Howard e Rich Costey estão de regresso aos discos com Drones, o sétimo trabalho da banda e que teve o pontapé de saída em Vancouver, no início de 2014. De acordo com o líder da banda, Drones é uma metáfora moderna sobre o que é perder a empatia através da tecnologia moderna representada pelos drones, acresecentando que é possível na verdade fazer coisas horríveis com controle remoto, a grandes distâncias, sem sentir nenhuma consequência, ou até não se sentir responsável de qualquer modo.

Produzido por John Lange, Drones obedece à essência que tornou os Muse uma das maiores bandas de rock alternativo da atualidade, assente numa mescla de ficção e surrealismo, à boleia dos peculiares falsetes de Bellamy e um som poderoso e épico, feito de guitarras com arranjos carregados de distorção e que têm em Psycho um dos melhores momentos da carreira do grupo, um baixo rugoso e uma percussão vigorosa e amiúde um piano elétrico que, no caso deste disco, tem um protagonismo interessante na balada Mercy. No entanto, Drones é um regresso dos trio às origens e a um espetro mais sombrio e orgânico depois do piscar de olhos à eletrónica no antecessor The 2nd Law

Com dez músicas e dois outros momentos sonoros, uma de um sargento exasperado com alguns cadetes, bem ao estilo do The Wall, do Pink Floyd e o outro um trecho de um discurso do presidente Kennedy, Drones é, também nestes detalhes, uma revisão nostálgica, mas feliz, do passado mais gloroiso dos Muse, mas é, acima de tudo, um passo em frente dos autores rumo à alegoria do amor pela música como um agregado de guitarras melodiosas de mãos dadas com uma voz capaz de converter uma arena inteira a uma causa que, neste caso, pretende alertar, como já foi referido, para os perigos escondidos pelos mais recentes desenvolvimentos tecnológicos e o modo como são utilizados na guerra moderna, utilizando o amor como uma metáfora gloriosa, num mundo cada vez mais familiarizado com a violência e, desse modo, mais perto e intímo da sua própria ruína.

Nos Muse a música é a materialização sonora de uma postura intervencionista, quase sempre encabeçada por Bellamy, que frequentemente dá a cara em algumas campanhas sociais. O longo épico cheio de climas e mudanças de direção, ruídos e silêncio, chamado The Globalist, é uma materialização contundente deste vigoroso olhar sobre o mundo global, mas a frenética Reapers, os efeitos e as sirenes de Revolt e a cinematográfica e sombria Aftermath também desempenham com notável precisão essa visão musical habilidosa que mistura estéticas de períodos temporais diferentes, tornando-as atuais e inovadoras, ao mesmo tempo que cimentam o som padrão do trio. Espero que aprecies a sugestão...

Muse - Drones

01. Dead Inside
02. [Drill Sergeant]
03. Psycho
04. Mercy
05. Reapers
06. The Handler
07. [JFK]
08. Defector
09. Revolt
10. Aftermath
11. The Globalist
12. Drones


autor stipe07 às 16:14
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Kissing Party - Justine vs New Glue

Deirdre (voz), Gregg (voz e guitarra), Joe (guitarra), Lee (baixo) e Shane (bateria) são os Kissing Party, uma banda norte-americana oriunda de Denver, no Colorado e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Depois de terem divulgado Trash, um extraordinário instante sonoro, com guitarras que misturam um travo de rock de garagem com efeitos que piscam o olho à refrescante luminosidade que habitualmente se encontra em algumas referências óbvias da dream pop, agora chegou a vez de nos deliciarem com Justine e New Glue, mais dois singles do disco de estreia destes Kissing Party, que vê a luz do dia hoje mesmo. No primeiro tema, as vozes de Gregg Dolan e Dierdre Sage envolvem-se entre si, como os lábios num cigarro, e em New Glue a voz açucarada e quente de Dierdre perde todo o pudor e apresenta-se ao mundo exatamente como é, sem reservas ou concessões Bitch I'm perfect, canta ela... Yes, you are!, acrescento eu.

Looking Back It Was Romantic But At The Time I Was Suffocating é o nome do trabalho de estreia destes Kissing Party, um compêndio sonoro de quinze canções que será certamente analisado por cá na altura. Confere...


autor stipe07 às 14:09
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

Gengahr – A Dream Outside

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr são Felix, Danny, John, e Hugh e causaram sensação no meio alternativo local quando em outubro último divulgaram Powder, por intermédio da Transgressive Records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias.

Alguns meses depois, os Gengahr desvendaram mais um belíssimo segredo intitulado She's A Witch, através da mesma Transgressive, uma peça musical magistral, assente numa pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como o falsete da voz de Felix se entrelaçava com a melodia nessa canção, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilavam orgulhosas e altivas, mais parecia uma parada de cor, festa e alegria, onde todos os intervenientes comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem um agregado de sons no formato canção. E esse é, em suma, o travo geral de A Dream Outside, um titulo feliz e apropriado para a estreia de um quarteto que escreve e canta sobre bruxas, fantasmas e criaturas marinhas que povoam o nosso imaginário na forma de criaturas horripilantes e desprezíveis, mas que retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto, numa ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante.

A música dos Gengahr tem esse poder de nos descolar da realidade, oferecendo-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro de onze canções fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que, de certo modo, nos ajuda a resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. À boleia de guitarras plenas de reverb, falsetes sedutores e uma percussão animada e luminosa, canções frenéticas como Embers ou Heroine, outras mais contemplativas como Bathed In Light e Dark Star e ainda outras com abordagens certeiras a um clima pop mais comercial, nos dois temas acima descritos, She's a Witch e Powder, A Dream Outside foi incubado com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita para demonstrar uma formatação já adulta nestes Gengahr, assertivos no modo como reinventaram, reformularam ou simplesmente replicaram o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que se inserem e que fazem da simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, o seu cavalo de batalha, recortando, picotando e colando o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - A Dream Outside

01. Dizzy Ghosts
02. She’s A Witch
03. Heroine
04. Bathed In Light
05. Where I Lie
06. Dark Star
07. Embers
08. Powder
09. Fill My Gums With Blood
10. Loney As A Shark
11. Trampoline


autor stipe07 às 22:43
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LUVV - Teenage Love

Os LUVV são Matt, Ben, Sam e Rich, uma nova banda de Cardiff, no País de Gales e que começa a ser notada no universo sonoro alternativo. De acordo com os próprios LUVV, que responderam simpaticamente ao meu pedido de informações, dizem-se influenciados por nomes tão importantes como os Public Image Ltd, Joy Division, Wire, The Clash e Blitz, ou seja, por alguns dos projetos fundamentais do punk e do indie rock britânico dos últimos trinta anos.

Depois de se terem mostrado ao mundo com Us e com More, duas canções que fizeram parte de uma cassete chamada Two, editada em março de 2014, agora chegou à nossa redação Teenage Love, composição gravada e misturada por Iain Mahanty e Rob Thomas e que mantém a essência sonora de uns LUVV que vivem num manancial de guitarras cheias de distorção, acompanhadas sempre por uma percussão rápida, um baixo bem vincado e uma voz carregada de pujança e rebeldia. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 13:39
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Sábado, 27 de Junho de 2015

Howling - Sacred Ground

Escuta-se o piano suplicante, a batida minimal e o agudo de uma voz particularmente sedutora em Signs, o tema de abertura de Sacred Ground e fica logo claro na nossa mente que RY X e Frank Wiedemann, a dupla berlinense que assina a sua música como Howling, aposta numa mistura entre o indie rock e a eletrónica ambiental, cheia de soul e sentimento. Disco de estreia deste projeto, Sacred Ground é um emaranhado intenso e particularmente melódico de sons que nos elevam para um patamar elevado, principalmente quando deixam à vista todo aquele mel que nos remete para indie pop de há trinta anos atrás, quase sempre através de efeitos sintetizados futuristas que trazem consigo sons melancólicos de outras décadas, assim como todo o clima sentimental do passado e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso.

Mas não é só de eletrónica que se alimenta este álbum que tem a chancela da  Monkeytown Records. Stole The Night, o single de apresentação do disco, sustenta-se num baixo mágico e profundamente sedutor, em redor do qual se entrelaça uma teia imensa de sons que parecem planar e divagar enquanto nos hipnotizam.

Numa simbiose perfeita entre batida e efeito sintetizado, X Machina é uma bolha de hélio que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em Litmus, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quando se agregam em seu redor o rumo sonoro geral do trabalho, que neste caso além dos aspetos sonoros já descritos, acumula, devido ao orgão, um charme melódico que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Estas duas canções, o techno minimal de Short Line e Forest, dois temas com flashes de efeitos que disparam em diferentes direções e onde o jogo de vozes merece dedicada audição e os efeitos metálicos borbulhantes de Zürich, que parecem ter sido criados no meio de uma floresta suspensa no ceú por duas nuvens carregadas de poeira e que, tocando-se entre si, criam aquele som típico da agulha a ranger no vinil, definem a elevada bitola qualitativa destes Howling e o encontro feliz que proporcionam entre o minimalismo que se usufrui num relaxante sofá e a house music. Já a viagem orbitral, mas a uma altitude pouco espacial, numa espécie de limbo, que nos oferece o edifício ambiental declaradamente fresco e dançável da chillwave de Quartz, os detalhes acústicos das cordas de Howling e o entorpecimento inebriante de Lullaby, mostram que Sacred Ground é um álbum relaxante, de paisagens frias e tranquilas e que resultou de  percurso feito com uma electrónica de matriz mais paisagista que transcende a lógica da canção pop de formato mais clássico e que nunca deixa de lado aquela pulsão rítmica que cativa o corpo para a pista de dança.

Sacred Ground faz dos Howling novos mestres do espetro sonoro em que procuram impôr-se, já que cheios de charme, fortemente sedutores e com um elevado bom gosto, mesmo nos momentos mais soturnos e melancólicos, criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e terem a tendência de nos fazer debruçar em sonhos por realizar, acrescentam novas cores no nosso ouvido, usando como arma de arremesso uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

Howling - Sacred Ground

01. Signs
02. Stole The Night
03. Interlude I
04. X Machina
05. Litmus
06. Zürich
07. Short Line
08. Quartz
09. Interlude II
10. Forest
11. Howling
12. Lullaby


autor stipe07 às 22:07
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2015

Kathryn Calder – Kathryn Calder

Pianista dos New Pornographers e já uma veterana da indústria musical, a canadiana Kathryn Calder também tem uma respeitável carreira a solo, iniciada com os Immaculate Machines, a sua primeira banda e já com dez álbuns lançados na última década, o que dá uma incrível média de um disco por ano. A juntar a essa pujança discográfica, há que salientar várias digressões, que solidificaram uma carreira iniciada com Are You My Mother, um disco baseado na luta inglória que a mãe de Kathryn travou contra a ALS e que a artista assistiu de perto. Esta relação entre tragédia e sucesso, marcou o início do percurso discográfico de Calder e deu-lhe imenso material sobre o qual pode escrever, o que justifica, de certo modo, esta pujança editorial.

Passando longos períodos na estrada, Kathryn gosta de sentir que tem um ponto seguro e Bright And Vivid foi outro ponto importante no seu percurso discográfico, já que nesse trabalho refletiu, essencialmente, sobre si mesma e tudo aquilo que tinha mudado em si, após um início tão fulgurante de carreira, de mãos dadas com a perca referida, num álbum cheio de canções autênticas e pessoais.

Agora, em 2015, Kathryn encontrou nos sintetizadores um manancial sonoro que a artista sentia que ainda não tinha explorado devidamente e refugiada num estúdio em Vancouver Island com o seu marido e produtor Colin Stewart, deu à luz estas dez novas canções que têm em comum essa artmosfera sintética que é agora o grande ponto de partida da sua música em deterimento da orgânica sentimental e emotiva que sempre guiou o seu processo de produção musical. 

Kathryn Calder é, portanto, um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia. A delicadeza de canções como Song and Cm e Arm and Arm atestam esse vínculo forte com um ambiente sedutor, particularmente feminino e intenso. A instrumentação tem como pano de fundo a pop mais nostálgica, sendo audível a procura de uma sonoridade intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo; Logo na primeira canção, em Slow Burning, sente-se um elevado teor emotivo, possibilitado não só pela letra, mas também pelo peso da componente instrumental. Esse é um fator relevante que justifica o fato de Kathryn Calder ser um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo da artista, justificado pela tal primazia da sintetização e pelo uso de alguns arranjos inéditos; My Armour, por exemplo, é conduzida por uma batida hipnótica envolvente, mas os arranjos de sopros e cordas que flutuam pela canção, juntamente com a voz, dão ao tema uma cândura que transborda fragilidade em todas as notas, mas também nas sílabas e nos versos. Já o single Take A Little Time, com uma toada mais rock, com as guitarras a serem acompanhadas por uma melodia sintetizada vintage e um baixo cheio de efeitos, são outras manifestações audíveis e concretas deste jogo dual em que o disco encarreira, à medida que o alinhamento escorre pelos nossos ouvidos e uma mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibra de forma vincada e segura.

Como costuma suceder nos discos desta cantora canadiana, a voz é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai e a produção está melhor do que nunca, com Calder a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente, também na componente lírica e sem violar a essência de quem adora afogar-se em metáforas sobre o amor, a saudade, a dor e a mudança, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada. Dan Mangan, Jill Barber e Hannah Georgas são outras vozes que tambem se escutam neste trabalho e que lhe conferem uma dimensão sonora ainda mais abrangente e apelativa, dentro do cenário pop idealizado.

Kathryn Calder será sempre um marco importante na carreira da sua autora, independentemente da composição do seu catálogo sonoro definitivo, não só pela forma como apresenta de forma mais luminosa e extrovertida a sua visão sobre os temas que sempre lhe tocaram, mas, principalmente, pelo modo maduro e sincero como tenta conquistar o coração de quem a escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Kathryn Calder - Kathryn Calder

01. Slow Burning
02. Take A Little Time
03. Worth RemeMbering
04. Blue Skies
05. When You See My Blood
06. Only Armour
07. Song In Cm
08. By Pride Or By Design
09. Arm In Arm
10. Beach


autor stipe07 às 21:32
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2015

Spray Paint - Punters On A Barge

Depois de terem surpreendido em 2014 com o espetacular Clean Blood Regular Acid, os Spray Paint, de Cory Plump (guitarra e voz), George Dishner (guitarra e voz) e Chris Stephenson (bateria e voz), uma banda artpunk de Austin, no Texas, na senda de nomes tão importantes como os Thee Oh Sees, Parquet Courts ou Viet Cong, estão de regresso em 2015 com Punters On The Barge, o quarto trabalho da carreira do trio, um disco que viu a luz do dia a um de junho através da Homeless Vinyl.

A cartilha insana do indie rock alternativo dos anos noventa está mais viva do que nunca e estes Spray Paint parecem exímios a remexer nessa época em que nomes como os Nirvana, Smashing Pumpkins, Soundgarden ou Pearl Jam, Offspring ou Green Day, pegaram nas guitarras e no baixo e testaram os limites das pedaleiras em canções eminentemente curtas e diretas que versavam, quase sempre, sobre os tipicos dilemas juvenis ou questões politicas e ambientais. Este projeto navega um pouco em redor destes nomes distintos com Entry Level Humam, por exemplo, a ser um tema cheio de detalhes típicos do grupo de Bryan "Dexter" Holland e Alchemy a chamar a si a herança mais noise de Eddie Vedder, só para citar dois exemplos concretos. Seja como for, em termos gerais, Punters On A Barge soa a uma espécie de encontro improvável entre Corgan e Malkmus, à boleia de um festim inebriante, feito com guitarras distorcidas, cheias de efeitos metálicos e uma voz que declama sem desafinar e que exala um espírito jovem e bastante beliçoso.

Polar Beer, uma canção que tem a Islândia como cerne temático, foi o primeiro avanço divulgado deste trabalho, um tema assente numa guitarra hipnótica, esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, num resultado de proporções incrivelmente épicas, bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero, a quem se deixar enredar na armadilha emocionalmente desconcertante que os Spray Paint construiram neste tema. E como ao quarto tema, em I Hate Your Paintings, a toada mantém-se, fica claro que os Spray Paint não cairam na tentação de complicar, num alinhamento sem quebras, nem momentos pouco ruidosos que os pudessem levar para territórios onde se pudessem sentir, talvez, menos cómodos.

Os Spray Paint têm urgência em se mostrar e fazem-no com uma crueza avasssaladora mas, sem perder nunca o norte, nem sem se deixarem levar por experimentalismos e arranjos desnecessários. E se em Soiled perdem um pouco o norte pelo modo como abusam da vibração das cordas ou se Fishing tem um ambiente um pouco mais narcótico e sombrio que o habitual, estes ligeiros desvios da norma padrão sucedem sem descarrilar e têm o propósito claro de encontrar alguns detalhes do rock mais progressivo e do próprio metal e não num sentido mais brando ou melancólico.

Há uma componente melódica particularmente assertiva em todas as canções de Punters On A Barge, apesar do cariz particular da sonoridade que replicam. O baixo é pouco percetível mas é um instrumento essencial como aconchego e domina as guitarras e a bateria, com pulso firme. O fuzz visceral de Middle Relief coloca o red line à prova com maior intensidade, sendo este um disco de guitarras, mas quem aprecia o baixo e a bateria irá certamente sentir-se deliciado com a quantidade de efeitos que vai descobrir neste álbum.

Independentemente do grau de acidez e de rudeza destes Spray PaintPunters On ABarge é um remate certeiro e um marco significativo na discografia atual que se inspira no período aúreo do rock alternativo norte americano, através de canções plenas de originalidade e com uma elevada bitola qualitativa e que devemos guardar com reverência para que sejam levadas para a linha da frente do nosso airplay particular quando nos apetece ouvir algo completamente distinto e único e longe da habitual limpidez sonora que geralmente nos cerca. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:21
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Terça-feira, 23 de Junho de 2015

Numbers Are Futile - Sunlight On Black Horizon

Os Numbers Are Futile são Δ ☼ ❍ e Δ Π Δ, um português e um grego sedeados em Edimburgo, na Escócia e representados pela insuspeita Song By Toad, Records, de Matthew Young. Sunlight On Black Horizon é o disco de estreia deste projeto, um trabalho editado a dezoito de maio, disponivel em formato vinil e digital, com oito canções guiadas por uma percussão exemplar e samples únicos, que sobrevivem num universo subsónico e contrastante, com a voz a flutuar em redor, numa banda sonora que fala de sonhos, de liberdade e de redenção.

Um dos maiores trunfos deste conjunto de canções está na decisão da dupla em abordar a míriade sonora que fez sempre parte dos gostos músicais de ambos e do universo cultural em que cresceram, com pontos de encontro óbvios e onde as herançashelénica e românica são referências óbvias. The Great Chimera é um oásis de cor e luz que entre as sete colinas de Lisboa e o Pártenon nos oferece algumas das caraterísticas fundamentais world music, chillwave, dream pop, new age e de outras sonoridades mais clássicas e experimentais, que se multiplicam ao longo do alinhamento de Sunlight On Black Horizon.

Acaba por ser viciante experimentar ouvir o disco várias vezes e ir catalogando mentalmente os universos sonoros abordados e estimulante perceber como eles se relacionam e se fundem nas canções. Este constante sobressalto e variedade sonora ficam ainda mais enriquecidos quando se constatam as diferenças na forma de cantar de Δ ☼ ❍ e o encanto etéreo e celestial com que os dois músicos comunicam entre si.

Logo a abrir, a já citada The Great Chimera sustenta-se nuns teclados que criam uma atmosfera envolvente e bastante quente e depois We Float parece querer remeter a raça humana para as suas origens aquáticas, com os tambores a explicarem que, inevitavelmente, somos criações da natureza e a ela nos devemos manter ligados. O som que emanam nesta canção tem uma toada épica, que se mantém em Monster, ampliada aqui por instrumentos de sopro, mais uma exemplo da percussão fenomenal e bastante diversificada que estes Numbers Are Futile debitam e que, neste caso, vai-se construindo aos poucos, através de uma sequência rítmica bastante moderna.
Como seria de esperar, os teclados são cruciais no amenizar da gravidade dos tambores e das batidas e têm um papel fundamental no que toca à criação de um ambiente confortável e familiar para o ouvinte. Em Oblivion Days, um dedilhar hipnótico de duas ou três teclas e a inserção dos tambores de modo paticularmente pujante e grandioso, quase a meio do tema, provam como estes Numbers Are Futile são mestres na instrumentação, na forma como tocam e como conjugam todos os instrumentos, não deixando de ser estimulante conferir esta sonoridade única e que evoca ambientes seculares enquanto que, simultaneamente, soa de uma forma tão nova e tão refrescante.
Até ao ocaso, não há como não nos sentirmos tocados pelos inéditos samples vocais de In The Fields que, juntamente com as notas que são tocadas, evocam um ambiente um pouco mais obscuro, como se a canção ilustrasse um culto secreto, ou um ritual. Depois, se o orgão de Doomsday Blues parece conter a chave que abre a porta do paraíso, já os teclados hipnóticos de The Threat puxam-nos, mais uma vez, para uma cavernosa obscuridade orgânica, assim como o ópio percurssivo que alimenta Vice > Reason. Estes temas constroem a sequência mais emotiva e ruidosa do disco que, quando termina, faz-nos sentr que a escuta de Sunlight On Black Horizon é, fundamentalmente, uma experiência semelhante à audição de um monólogo de Zeus no seu próprio templo, em oito canções onde somos levados e elevados ao mesmo nível dos templos mais altos da mitologia grega. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:49
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Teen Daze – Morning World

Teen Daze - Morning World

Depois de em 2013 o canadiano Teen Daze ter lançado Glacier, o seu terceiro registo de originais, por intermédio da Lefse Records, um disco cheio de ambientes etéreos e texturas sonoras minimalistas, com um cariz um pouco gélido, uma espécie de álbum conceptual que pretendia ser a banda sonora de uma viagem a alguns dos locais mais inóspitos e selvagens do nosso planeta e de alguns meses depois ter editado um novo EP intitulado Paradiso, agora está de regresso com uma proposta completamente diferente intitulada Morning World, o primeiro single do músico à sombra da Paper Bag Records e produzido por John Vanderslice.

Em pouco mais de quatro minutos, Morning World embala-nos com sintetizadores carregados de reverb e loopings, uma bateria a tocar fora de tempo, uma voz doce e nostálgica e um efeito de guitarra envolvente, com o violino no final a ser a cereja no topo do bolo de uma canção perfeita para estes dias de verão mais relaxantes e reluzentes. Confere...


autor stipe07 às 14:40
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2015

Of Monsters And Men - Beneath The Skin

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, eles estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn, um trabalho produzido pela banda e por Rich Costey e que viu a luz do dia a nove de junho, via Republic.

Um pouco contra a corrente da maioria das propostas musicais que vêm da Islândia, quase sempre com um forte cariz épico e experimental e que se inserem no universo fonográfico alternativo, aquilo que se escuta em Beneath The Skin e nestes Of Monsters And Men é difícil de acreditar que tenha vindo de um lugar tão gelado e remoto, porque é feito por músicos calorosos, divertidos e com uma facilidade singular para elaborar melodias deliciosas. Crystals, o tema que abre o disco e primeiro single retirado do mesmo, ilustra a mensagem positiva da composição e clarifica uma aposta na continuidade relativamente à estreia, numa canção assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras e onde cada verso da canção é entoado com sentimento e emoção. A forma coesa como a voz de Nanna e Ragnar se complementam fica evidente também em músicas como a climática e densa Hunger e a sentimental e luminosa Empire. Mas as pérolas, quer vocais quer instrumentais não param por aí. É uma árdua tarefa encontrar alguma faixa de qualidade questionável em Beneath The Skin, já que durante as treze canções que compõem este novo álbum dos Of Monsters And Men, o que se ouve é consistência pura.

É já seguro afirmar que este quarteto islandês representa muito do que de melhor o mercado alternativo e independente tem atualmente para oferecer, à boleia de uma receita repleta de elementos pop misturados com a folk, com as cordas, os metais e o acordeão a assumirem a vanguarda na composição, em todo o alinhamento de Beneath The Skin. Mesmo que em temas como a já referida Hunger ou I Of The Storm exista um clima mais introspetivo, é inevitável apreciar-se, à medida que os temas avançam, o florescer de uma dimensão épica, proporcionada, quase sempre, pelo instrumental do refrão. Esta postura sonora acbaa por provocar uma conexão imedisata entre banda e ouvinte e o cariz raidofónico, acessível e orelhudo do processo de composição melódica, em tudo semelhante ao disco cde estreia, tem o veneno eficaz para congregar uma vasta legião de seguidores entusiastas, aqueles que são ávidos de canções açucaradas, impecavelmente produzidas e que apelam de modo incisivo à grandiosidade do sentimento.

Disco com um enorme sabor a deja vú relativamente a My Head Is An Animal, Beneath The Skin digere-se de modo agradável, com os Of Monsters And Men a explorarem um género sonoro que lhes permite revelar toda a sua alma, sem influências externas ou exigências do mercado, demonstrando um talento invejável e revelando uma alma pura que continua a ter muito a oferecer aqueles que, como eu, estão sempre sedentos por boa música. Espero que aprecies a sugestão...

Of Monsters And Men - Beneath The Skin

01. Crystals
02. Human
03. Hunger
04. Wolves Without Teeth
05. Empire
06. Slow Life
07. Organs
08. Black Water
09. Thousand Eyes
10. I Of The Storm
11. We Sink
12. Backyard (Bonus Track)
13. Winter Sound (Bonus Track)
14. Black Water (Chris Taylor Of Grizzly Bear Remix)
15. I Of The Storm (Alex Somers Remix)


autor stipe07 às 17:55
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Domingo, 21 de Junho de 2015

PINS - Wild Nights

Holgate, Lois McDonald, Anna Donigan e Sophie Galphin são as PINS, um quarteto britânico oriundo de Manchester, que editou no passado dia nove de junho Wild Nights, onze canções com a chancela da insuspeita Bella Union e que, não mudando o curso da história do indie rock, devem chegar rapidamente aos teus ouvidos e com uma certa devoção, porque fazem parte de um disco que irá catapultar definitivamente este projeto para o merecido estrelato. Se estás virada para o guarda-fatos a escolher o vestido com que irás sair esta noite, se o trabalho entrou num impasse e precisas de ouvir algo que funcione um desbloqueador criativo e animado ou se conduzes numa estrada junto ao oceano num dia solarengo mas falta a banda sonora perfeita que irá completar esse cenário onírico, então as PINS são a escolha certa porque respirar ao som deste disco é saborear automaticamente um clima festivo sem paralelo e dar de caras com um compêndio sonoro que prende hermeticamente os nossos ouvidos, no modo como cria um universo familiar e cativante que facilmente nos enclausura.

Gravado no Rancho De La Luna, em Joshua Tree, nos Estados Unidos, por Dave Catching, Wild Nights encontra ecos na pop sessentista e no garage rock que começou a brotar nessa mesma década, sendo essa apenas a base de uma sonorisade que depois se materializa numa consistência e corpulência superiores a qualquer exemplo sonoro atual que se guie apenas por estas destas bitolas. Assim, numa banda britânica, mas que soa muito mais ao outro lado do atlântico, The Cramps, Velvet Undergorund, The Dandy Warhols e as mais contemporâneas Dum Dum Girls, parecem ser influências assumidas, que foram reveladas logo em Girls Like Us, o disco de estreia. esse trabalho, editado o ano passado, colocou alguma crítica imeditamente de olho nestas quatro rockers assumidas e Wild Nights confirma o elevado apetite para a destruição de uma banda quem traz fogo na venta, mas com estilo, classe e glamour.

A abrir com um portentoso fuzz de guitarra, um baixo vigoroso e uma percussão marcada, numa melodia épica por onde navega uma voz feminina invulgarmente grave e sensualmente abrasiva, Wild Nights tem em Baby Banghs um excelente exemplo desta raiva que condensada nesta amálgama de quatro rostos rock que espreitam em cada esquina de canções que sustentam a sua génese em guitarras que navegam entre os turtuosos sistemas circulatórios do psicadelismo e do noise mais post-punk. A toada aprimora-se em Young Girls, uma ode ao feminismo e um exemplo do modo hábil como as PINS expôem certos detalhes da vida comum e os transformam, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância (What will we do when our dreams come true, young girls?).

A escrita das PINS tem essa faceta simultaneamente confidente e epifânica até porque, da exaltação do ócio criativo do negrume visceral que palpita em House Of Love e Molly até à apologia do amor em Dazed By You, são vários os exemplos do modo como estas miúdas exaltam romanticamente e com um charme algo displiscente mas feliz, a postura que têm em relação à vida, feita, geralmente, de dois pólos opostos. A pop animada e luminosa desta Dazed By You, tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra e, em oposição, o clima mais sombrio e crú da experimental e psicadélica Oh Lord, expressam, sintomaticamente, este constante plasmar de paradoxos, um delicado balanço e uma contínua tensão oscilante entre o tédio, a raiva e a festa, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético. Seja como for, caso subsistam dúvidas sobre o nosso campo preferido desta deriva sonora ou a faceta em que as PINS se mostram mais confortáveis, basta escutar-se o limbo existencial e meditativo que escorre do volumoso indie rock de Too Little Too Late para sermos agarrados pelos colarinhos e rapidamente integrados num disco com onze canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, à boleia de uma verdadeira explosão de cores e ritmos que contam sentimentos reais e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. Espero que aprecies a sugestão...

PINS - Wild Nights (2015) 320 KBPS

 1. Baby Bhangs
2. Young Girls
3. Curse These Dreams
4. Oh Lord
5. Dazed by You
6. Got It Bad
7. Too Little Too Late
8. House of Love
9. If Only
10. Molly
11. Everyone Says


autor stipe07 às 18:27
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Editors - Marching Orders

Editors - Marching Orders

Os Editors de Tom Smith estarão de regresso aos discos ainda este ano, mas Marching Orders, o novo tema divulgado pela banda, não fará parte do alinhamento desse trabalho. Esta balada cheia de sentimento e emoção e já com direito a um video realizado po Rahi Rezvani, tem objetivos de beneficiência. As vendas em formato digital e a edição física em vinil de 12", limitada a trezentos exemplares, reverterão para a Oxfam, uma organização internacional não governamental sedeada em Inglaterra e que apoia causas sociais, além de lutar contra a pobreza.

Marching Orders é mais um exemplo claro de um propósito dos Editors de se assumirem definitivamente como uma banda de massas e deixar de vez o universo mainstream para fazer parte da primeira liga do campeonato mundial do indie rock. Confere...


autor stipe07 às 16:07
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

Kid Wave – Wonderlust

Harry Deacon Lea Emmery Serra Petale Mattias Bhatt são os Kid Wave, uma banda feita de musicos suecos mas oriunda de Londres e que se estreou recentemente nos discos com Wonderlust, um trabalho que viu a luz do dia um de junho, através da Heavenly Recordings.

Escuta-se Wonderlust e não se adivinha que estas onze canções foram gravados no auge dos rigores do mais recente inverno londrino, tal é a luminosidade e a cor com que exploram alguns dos melhores detalhes da dream pop, do shoegaze e do rock alternativo dos anos noventa. Quer a distorção das guitarras e o ritmo frenético, quer a toada épica e vibrante de All I Want, são apenas dois exemplos de rumos e ritmos diferentes explorados em Wonderlust, mas que convergem para a mesma espiral de grandiosidade e vibração que conduz toda obra.

Em Honey, com a percussão e os arranjos metálicos a explorarem vertentes mais progressivas, de mãos dadas com uma distorção de guitarra magnânima, os Kid Wave condensam, com enorme mestria, a sua receita sonora e, quer nesse tema, quer em Best Friend, servem-se da melancolia para ampliarem a expressividade que colocam nas suas letras, que exprimem, geralmente, as típicas dores e dilemas do início da vida adulta. Desse modo familiar de escrever e cantar sobre assuntos que nos são caros já que tocam em alguns dos nossos dilemas existenciais, os Kid Wave conseguem captar definitivamente toda a nossa atenção, enquanto sonoramente explodem, quase sempre, em elevadas doses de distorção. Mesmo quando em Walk On Fire, o quarteto avança por territórios mais contemplativos e etéreos, não abranda na firmeza e na profundidade do sentimento que a sua música transporta, balizando firmemente a abrangência da sua orientação sonora. Esta roça quase sempre a genialidade a nível instrumental, seja qual for o poder e a robustez dos timbres da guitarra e a ênfase dada aos vários arranjos, lindíssimos na mais folk Freeride; Escuta-se o fuzz experimental, sombrio e progressivo de Baby Tiger e o arranque rugoso e explosivo de Gloom, que se repete no refrão e depois o andamento açucarado da guitarra desta última e, quer num caso quer noutro, é plena a sensação de controle, inclusive quando a própria temática das canções até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma superior raiva ou descontrole emocional.

Há algo de profundamente nostálgico e acolhedor no som destes Kid Wave, principalmente para quem, como eu, cresceu escutando a par e passo e com particular devoção, o desenvolvimento do indie rock alternativo na última década do século passado. De certo modo, o que eles propôem em Wonderlust é um verão que dura o ano inteiro e, se for necessário, estão dispostos a funcionar na nossa mente como um verdadeiro psicoativo sentimental, guiado pela nostalgia e pelas emoções que pretendem transmitir, de modo algo subtil e surpreendentemente apelativo, oferecendo-nos um certo transe libidinoso num disco de rock que tanto pode ser escutado nos jardins de infância após o almoço, como além das paredes do nosso refúgio mais secreto, com a mesma exuberância e dedicação. Espero que aprecies a sugestão...

Kid Wave - Wonderlust

01. Wonderlust
02. Gloom
03. Honey
04. Best Friend
05. Walk On Fire
06. Baby Tiger
07. All I Want
08. Sway
09. Freeride
10. I’m Trying To Break Your Heart
11. Dreaming On


autor stipe07 às 15:48
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Dutch Uncles - O Shudder

Lançado no passado dia vinte e três de fevereiro através da insuspeita Memphis Industries, O Shudder é o mais recente trabalho dos Dutch Uncles, uma banda de indie pop britânica, sedeada em Marple e atualmente formada por Duncan Wallis, Andy Proudfoot, Robin Richards e Peter Broadhead. O Shudder é já o quatro álbum da carreira de um projeto que deu o ponto de partida em 2009 com um homónimo editado pela Tapete Records, mas foi com Cadenza e Out Of Touch In The Wild, já na Memphis Industries, que os Dutch Uncles começaram a ser olhados pela crítica com particular devoção, apesar de ainda serem um dos melhores segredos od universo sonoro indie e alternativo.

O Shudder não defrauda quem estava à espera de uma proposta sonora ambiciosa e sofisticada, como já é paanágio deste quarteto, que conhece os melhores atalhos para aprimorar uma queda acentuada para a vertente experimental, mas sem decurar a oferta de canções acessíveis à maioria dos ouvidos, como comprova Babymaking, o primeiro tema do alinhamento deste trabalho e o já apreciável catálogo de singles retirados do disco. Logo nos violinos, no sintetizador e na toada épica desse tema, ficams esclarecidos quanto à toada geral amena das canções, com a vertente instrumental a centrar-se primordialmente no campo sintético. Em Upsilon, apesar da distorção das guitarras ser esplendorosa, a batida abriga-se claramente na herança da synthpop típica dos anos oitenta, mas de forma equilibrada e não demasiado vintage, sucedendo algo similar no piscar de olhos ao discosound na animada Decided Knowledge e com o piano de I Should Have Read a acertar um pouco as contas e a ser decisivo para o equilíbrio final.

Essa década de oitenta está, como se percebe, fortemente representada na vertente instrumental, com In N Out a prová-lo também em relação à percussão, mas não se sobrepõe à habitual estética dos Dutch Uncles que têm abraçado a pop contemporânea e ajudado imenso ao seu enriquecimento, pelo modo inédito como olham para o passado sem se deixarem seduzir demasiado por ele.

Given Thing é, talvez, o melhor exemplo de O Shudder deste balanço temporal equilibrado, uma canção que apresenta uma mescla de referências que ganham vida de mãos dadas com a ponte entre o presente e o passado, quer pelo modo curioso como a voz é reproduzida, mas também pela disposição das cordas na melodia e o uso do reverb. No entanto, Don’t Sit Back (Frankie Said) e a hipnótica e belíssima Tidal Weight, são também claros exemplos que ampliam o cardápio de referências e a herança inspiradora que serve de base ao quarteto.

Com imensas canções que abrem de par em par uma enorme janela de luz chamada O Shudder, espreita-se para dentro e torna-se firme a evidência da firmeza sonora identitária dos Dutch Uncles, que apreciam abordar a pop indo um pouco além dos padrões comuns. Assim, exuberância e cor são sensações transversais ao ambiente de toda a obra, impecavelmente produzida, rica em detalhes curiosos e a exalar um charme que deve também imenso ao registo vocal em falsete de Duncan, que ajuda à aproximação entre a banda e o ouvinte, ao mesmo tempo que confere a densidade correta às letras, ajudando a que o conjunto final de muitas canções tenha vida e um pulsar que não nos passa despercebido. Espero que aprecies a sugestão...

Babymaking
Upsilon
Drips
Decided Knowledge
I Should Have Read
In n Out
Given Thing
Don’t Sit Back (Frankie Said)
Accelerate 
Tidal Weight
Be Right Back


autor stipe07 às 21:43
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Kissing Party -Trash

Deirdre (voz), Gregg (voz e guitarra), Joe (guitarra), Lee (baixo) e Shane (bateria) são os Kissing Party, uma banda norte-americana oriunda de Denver, no Colorado e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Trash, um extraordinário instante sonoro, com guitarras que misturam um travo de rock de garagem com efeitos que piscam o olho à refrescante luminosidade que habitualmente se encontra em algumas referências óbvias da dream pop, é o primeiro single divulgado do disco de estreia destes Kissing Party, que vai ver a luz do dia no final deste mês de junho. Looking Back It Was Romantic But At The Time I Was Suffocating é o nome desse trabalho, um compêndio sonoro de quinze canções que será certamente analisado por cá na altura. Confere...


autor stipe07 às 14:15
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

La Garçonne - As Days Go By

La Garçonne é o projeto a solo de Ranya Dube uma cantora, compositora e produtora canadiana, natural de Whistler e que se estreou nos discos a vinte e seis de maio com As Days Go By. Este trabalho viu a luz dia em formato digital e cassete através da True Horror Music de Jason Sheppard.

Com um Macbook Pro debaixo do braço e uma mente particularmente inventiva e criativa, Ranya cria música em redor de um eletropop que se cruza com o post punk e a new wave, uma sonoridade predominantemente sintética, muito à imagem do que propôem atualmente nomes tão fundamentais no género, como os Chromatics, Glass Candy ou Zola Jesus.

I'm On Punch foi o primeiro avanço divulgado de As Days Go By, mais de quatro minutos disponibilizados para download gratuíto e que plasmavam o enorme charme e bom gosto deste diamante sonoro ainda em bruto, que viu o ano passado um tema seu inserido na banda sonora do aclamado filme independente de terror Starry Eyes e que foi já o principal motivo para a criação da True Horror Music. Mas, da climática e envolvente Zebra Kids, tema com uma batida grave bastante aditiva, à etérea e contemplativa Social Misfits, canção com um baixo implícito a conduzir a melodia, passando pela amplitude luminosa particularmente sedutora de Crimson Bolt, são vários os instantes sonoros deste trabalho que contém uma natureza contagiante e que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, propostos por uma autora bastante criativa e vocalmente inspirada.

Em suma, As Days Go By vive afundado num colchão de sons eletrónicos que satirizam uma eletrónica retro, feita com VHS. Escutar o seu alinhamento é participar num passeio divertido e, ao mesmo tempo, introspetivo, cheio de charme e bom gosto, por um percurso sonoro que replica o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo, servindo também para mostrar o futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...

1. Intro
2. I'm On Punch
3. Geeks After Dark
4. Crimson Bolt
5. Social Misfits view
6. Super Hero view
7. Zebra Kids
8. Vestibule
9. As Days Go By
10. As Days Go By (Alternate Mix) (bonus)



autor stipe07 às 23:08
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Foals – What Went Down

Foals - What Went Down

Já há sucessor anunciado para Holy Fire, o aclamado último disco dos britânicos Foals. What Went Down, o single homónimo do quarto álbum da banda, é o primeiro avanço de um trabalho que chega aos escaparates no final de agosto, tendo sido gravado em França com a colaboração do produtor James Ford, que já trabalhou com artistas como Arctic Monkeys, Florence and the Machine ou Jessie Ware. Confere...


autor stipe07 às 14:04
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Terça-feira, 16 de Junho de 2015

The Mountain Goats – Beat The Champ

Lançado a sete de abril pela Merge Records e produzido por Brandon Eggleston, Beat The Champ é o décimo quinto álbum dos míticos The Mountain Goats, uma banda norte-americana liderada por John Darnielle e ao qual se juntam atualmente Peter Hughes (baixo) e Jon Wurster (bateria), oriunda de Claremont na Califórnia. Beat The Champ é um disco conceptual, que se debruça sobre a vida ímpar de um lutador de wrestling, apesar de Darnielle, um excelente criador de narrativas, considerar que a temática da morte acaba por se relacionar um pouco mais com os poemas destas canções do que propriamente o desporto referido.

Falar dos The Mountain Goats é quase como fazer referência a uma hipotética carreira a solo de John Darnielle já que é ele a principal mente criativa e grande sonoro e lírico deste grupo. Também ewcritor, o ano passado, em Wolf In The Van, Danielle publicou um livro sobre a história de um recluso de rosto desfigurado e criador de jogos informáticos e que poderia também ter dado origem a uma obra sonora do calibre de Beat The Champ.

O wrestling é um desporto curioso e único e escrever e cantar sobre ele exige  a criação de um clima enérgico, luminoso e particularmente frenético. O indie rock inebriante com pitadas de folk de Choked Out, mas também a riqueza detalhística das cordas e da percussão no single The Legend Of Chavo Guerrero, que nos apresenta o grande protagonista desta narrativa e a relação conturbada que este lutador mexicano viveu na infância com o padrasto, obedecem a essa permissa e fazem-nos imergir sem grande esforço num poeirento pavilhão onde se multiplicam os embates e se joga a vida de atletas que, tantas vezes, além de sangue, suor e lágrimas, também é feita de fama, ego e alguma violência. O proprio uso simbólico de uma máscara, como forma do lutador encarnar uma outra personagem, referida em Animal Mask, assim como a necessidade de dar um lado mais humano a estes protagonistas, mesmo que tal suceda com alguma dose de cinismo, fica expressa em Heel Turn 2, tema que toca na questão filosófica entre morte e vida ao usar a luta livre como pano de fundo e onde inocência e empatia são sentimentos que o ouvinte acaba por sentir quase sem dar por isso.

As referências ao wrestling escorrem por Beat The Champ praticamente até ao seu ocaso e se The Ballad Of Bull Ramos conta a história de um dos grandes nomes deste desporto, Stabbed to Death Outside San Juan relata, de modo quase teatral, a morte do lutador Bruiser Brody, com a letra ser cantada e declamada, muito à imagem de Lou Reed. Depois, merece ainda destaque o punk cigano que escorre das violas de Werewolf Gimmick, uma ode declarada à presença cada vez mais ativa do mundo latino neste desporto, a toada jazzística de Fire Editorial e o minimalismo indie rock, com um implicito travo a Radiohead, que escorre de Luna.

Com a nostalgia acústica de Hair Match termina um alinhamento impregnado de boas letras, com momentos bastante profundos, que parecem carregar uma sabedoria escondida algo paternal, que não compreendemos muito bem, mas que acreditamos que irá fazer sentido, até porque escorrem da suave boca de um excelente contador de histórias que se abriga à sombra de uma folk cheia de fórmulas e histórias maravilhosas e que desta vez utilizou teclados, trompetes e outros instrumentos em praticamente todas as canções, mas também experimentou diferentes estilos, enquanto nos ofereceu a sua visão sobre o mundo da luta livre e do modo como a entende, sem se preocupar com o julgamento do ouvinte sobre as suas opiniões acerca da singluridade do mesmo. Espero que aprecies a sugestão...

The Mountain Goats - Beat The Champ

01. Southwestern Territory
02. The Legend Of Chavo Guerrero
03. Foreign Object
04. Animal Mask
05. Choked Out
06. Heel Turn 2
07. Fire Editorial
08. Stabbed To Death Outside San Juan
09. Werewolf Gimmick
10. Luna
11. Unmasked!
12. The Ballad Of Bull Ramos
13. Hair Match


autor stipe07 às 22:22
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

My Morning Jacket – The Waterfall

Os norte americanos My Morning Jacket de Jim James já têm sucessor para o aclamado Circuital (2011) e regressaram aos discos a quatro de maio com The Waterfall, um trabalho produzido novamente por Tucker Martine (The Decemberists, Modest Mouse, Neko Case). Gravado maioritariamente em Stinson Beach, na Califórnia, mas também noutros locais como Portland ou a cidade natal da banda e com a luz do dia a ser possível com a chancela da insuspeita ATO Records, em parceria com a Capitol Records, The Waterfall é mais um marco obrigatório na carreira desta banda já veterana mas ainda fundamental no universo sonoro norte americano.

Os My Morning Jacket sempre impressionaram pela amplitude e grandiosidade do seu som e a camada sonora conduzida por teclas de Believe (Nobody Knows) é um notável resguardo que emoldura e carimba com precisão essa herança, não defraudando, logo à partida, os mais fiéis seguidores da banda. Sempre com a cartilha fundamental da melhor folk debaixo do braço e de mente aberta para se irem adaptando às novas tendências, estes já veteranos do indie rock demonstram em 2015 e à boleia desse tema que querem a continuar a ser uma referência e que o cérebro de Jim James se mantém particularmente inventivo e refrescante.

Além deste clássico indie rock orquestral do tema de abertura, há outros géneros sonoros que são bastante caros a estes My Morning Jacket e que demonstram neste disco manter-se intocável a vontade e a capacidade criativa deste quinteto de Louisville, no Kentucky, para a renovação constante do seu ambiente particular, sem colocar em causa as permissas essenciais que identificam e tipificam o seu som específico. Por um lado, há a soul que se mostra inebriante nas guitarras de Compound Fracture e algo smbria na balada Only Memories Remain, mas também essa folk que lhes é tão querida, acústica introspetiva e pastoral em Like A River e a piscar o olho ao tipico blues sulista em Get The Point. Na verdade, quer a soul quer a folk são por aqui os subgéneros dominantes; Acabam por balizar os opostos em que os My Morning Jacket se movem e revelam-nos que The Waterfall jorra perante os nossos ouvidos uma verdadeira jornada sentimental e realística pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que encarna atualmente um desejo claro de renovação, explorando habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão de vários elementos de uma forma direta, mas também densa, sombria e marcadamente experimental. A própria psicadelia também faz a sua aparição e até com um certo esplendor, quer em Big Decisions e na pop setentista e lisérgica de Thin Line, mas também em Spring (Among The Living), canção onde o esplendor das cordas distorcidas e os arranjos de percussão inéditos e outros recursos sonoros de cariz orquestral, exprimem um renovado olhar no modo como a banda reflete as tendências atuais mais bem aceites pelo público.

Impecavelmente produzido, particularmente inspirado e situado num elevado nível qualitativo no que concerne à visão caleidoscópica que plasma em relação ao indie rock atual, The Waterfall é rico não só porque não receia abusar dos detalhes que salvaguardam alguns dos melhores aspetos da herança sonora do grupo que concebeu este disco, mas também porque se mostra poderoso no modo como cruza diversos espetros sonoros com impressionante bom gosto e segurança. Percebe-se claramente que os My Morning Jacket apreciam navegar em águas turvas, fazendo-o com impressionante mestria e que se sentem confortáveis ao deixar-se embrenhar num certo caos, sempre controlado e claramente ponderado, rico, exuberante, oferecendo-nos assim canções que borbulham um forte sinal de esperança e de renascimento, sementes que vão provavelmente conquistar para o grupo novos públicos. Espero que aprecies a sugestão...

My Morning Jacket - The Waterfall

01. Believe (Nobody Knows)
02. Compound Fracture
03. Like A River
04. In Its Infancy (The Waterfall)
05. Get The Point
06. Spring (Among The Living)
07. Thin Line
08. Big Decisions
09. Tropics (Erase Traces)
10. Only Memories Remain


autor stipe07 às 21:13
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Beck - Dreams

Beck - Dreams

Depois de seis anos de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, com a divulgação de um novo single intitulado Dreams, se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço.

O lançamento de Dreams, canção que fará parte do alinhamento do próximo disco de Beck, coincide com o regresso do cantor aos palcos, com o próximo espetáculo a ser já na próxima quinta-feira, dia dezoito, em Londres, com os The Strokes. De acordo com Beck, o sucessor de Morning Phase será um trabalho completamente diferente e misturará garage rock com dance music. Confere...


autor stipe07 às 19:12
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