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San Cisco – Gracetown

Segunda-feira, 04.05.15

Os San Cisco são uma banda natural de Perth, na Austrália e formada por Jordi James (guitarra, voz e teclados), Josh Biondillo (guitarra, voz), Nick Gardner (baixo) e Scarlett Stevens (bateria). Depois do homónimo de estreia, editado em 2012, estão de regresso com Gracetown, um disco que viu a luz do dia a dezassete de março através da Island City Records. Este é o novo trabalho de uma banda com uma sonoridade de influências globais, que toca uma espécie de pop inofensiva, com um leve tempero afro, que faz com que sejam comparados a outros nomes consagrados do universo indie como os Vampire Weekend e os Clap Your Hands Say Yeah.

Run é um tema construído sobre linhas de guitarra e um sintetizador inspirado, com uma forte componente melódica e um refrão bastante luminoso e, abrindo o alinhamento de Gracetown, coloca-nos diante de um mosaico declarado de referências que vão da cultura grega ao colorido neon dos anos oitenta, em doze canções festivas, onde a presença destacada dos sintetizadores é transversal ao disco, mas com as guitarras a estarem também num plano de grande evidência, como fica logo plasmado em Too Much Time Together.

Se os dois temas acima referidos abrem o disco com uma toada marcadamente comercial, já o groove que pisca o olho ao R&B em Magic ou Jealousy e o eletropop festivo de Snow, são exemplos da abertura, de forma experimental e criativa, por parte dos San Cisco aos mais variados espetros da pop, que tanto apela ao grande público, como não deixam de piscar o olho ao universo mais underground. O prório blues descontraído de Wash It All Away ou o efeito vocal de Mistakes faz-nos recordar as emanações sonoras de Brian Wilson, na senda de temas como Bitter Winter ou a melancólica Super Slow, instantes menos comerciais e que incluem algumas experimentações, essenciais para comprovar a ampliação do cardápio sonoro dos San Cisco. Acaba por ser um disco que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um exercício assertivo onde abundam diferentes efeitos de percussão e teclados sintetizados, juntamente com letras únicas centradas nos relacionamentos amorosos e nos conflitos que tantas vezes provocam, além do sentimentos de deceção que invade cada um de nós quando o desfecho não é, tantas vezes, o mais esperado. Estes são os principais sustentos desta nova obra dos San Cisco, que também incluem outros pequenos detalhes, que usam a eletrónica como principal ferramenta, mas onde há até um ligeiro psicar de olho à folk em Skool, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade. 

Sereno e festivo, Gracetown é um excelente disco para uma novo impulso na carreira dos San Cisco que parecem disponíveis para abarcar outras fronteiras sonoras, num trabalho que comprova que este projeto australiano está disposto a usar todas as armas ao dispor para encontrar o seu lugar de relevo, diferencial e distinto no cenário musical alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

San Cisco - Gracetown

01. Run
02. Too Much Time Together
03. Magic
04. Snow
05. Wash It All Away
06. Bitter Winter
07. Jealousy
08. Super Slow
09. Mistakes
10. About You
11. Skool
12. Just For A Minute

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publicado por stipe07 às 19:13

Vinyl Williams - World Soul

Segunda-feira, 04.05.15

Lionel Williams é um músico e artista plástico natural de Los Angeles que assina a sua música como Vinyl Williams, tendo-se estreado nos disco em 2012 com Lemniscate, um trabalho com uma pop de forte índole lo fi, mas com interessante aceitação no seio da crítica.

Três anos depois, Vinyl Williams está de regresso com Into, um álbum que vai ver a luz do dia a vinte e quatro de julho por intermédio da Company Records, a editora de Chazwick Bundick, também conhecido como Toro Y Moi. A pop lisérgica de World Soul é o primeiro single divulgado de Into e mostra um Vinyl Williams absorvido pelas relações nem sempre harmoniosas entre cultura e religião e o conflito interior que a crença, a fé e a constante atração por tudo aquilo que é metafísico tantas vezes provoca no ser humano. O krautrock e a psicadelia acabam também por andar um pouco em redor dos conceitos sonoros de Vinyl Williams, que tem uma visão muito particular e algo surrealista do mundo que o rodeia e que o artwork do single, também da sua autoria, também expressa. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:13

We Are The City – Violent

Sábado, 02.05.15

Oriundos de Vancouver, os canadianos We Are The City são Cayne McKenzie, David Menzel e Andrew Huculiak, um trio de regresso aos discos com Violent, um trabalho produzido por Tom Dobrzanski e os próprios We Are The City e que abraça a indie pop com o rock luxuriante, num ritmo e cadência certas, abraço esse que contém uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que compila um interessante leque de influências, com uma óbvia filosofia vintage.

A liberdade de expressão melódica e criativa é a pedra de toque de dez canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Logo na panóplia de efeitos e detalhes de Bottom Of The Lake percebe-se que este trio não está preso e limitado a uma fronteira sonora claramente definida, tateando diferentes espaços e espetros, plasmados em curiosos detalhes que, no caso de Legs Give Out, tanto podem ser um simples toque num teclado, como um grito que se repete, à medida que os sintetizadores debitam, sem nexo aparente, variados ruídos que a bateria e a guitarra ajudam a acomodar.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes We Are The City não se intimidam na hora de compôr e deixam o arsenal insturmental que lhes foi colocado à disposição divagar livremente, compondo temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada de cor, festa e alegria, onde terá havido certamente um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a músicas que gostam.

Em King David e I Am, Are You? o trio aponta as agulhas para o rock mais acessível, mas mesmo nesses temas a irregularidade da percussão, alguns efeitos metálicos e as variações de ritmo e de intensidade, em que a guitarra é conduzida do acústico ao elétrico num ápice, abastecem esta filosofia sonora bastante aditiva e peculiar, que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Aparentemente minimal e despida de conteúdo, Friends Hurt, o single retirado deste álbum, é uma das canções que melhor condensa este casamento feliz entre dois mundos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, audível no modo como um simples dedilhar numa guitarra elétrica e um sintetizador deambulante se cruzam e dão as mãos para nos oferecer uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar.

O piano melancólico e o falsete sincero e incondicional que abrigam 20ft. Up e o sintetizador insinuante de Everything Changes são apenas mais dois compêndios de detalhes que colocam a nú o imenso ecletismo destes We Are The City, capazes de nos levar à boleia dos seus pensamentos mais inconfessáveis, enquanto falam emocionadamente sobre o amor, deixando-nos descobrir plenamente a sobriedade sentimental que marca a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve o trio, já que nestas canções consegues sentir a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este projeto verdadeiramente único.

Ouvimos cada uma das dez músicas de Violent e conseguimos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que as esculpiram, com as guitarras a não se situarem sempre na primeira fila daquilo que se escuta, mas a serem o fio condutor que suporta aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Este é, portanto, um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada.

Violent é um exercício prático claramente bem conseguido de conjugação de diversas camadas de instrumentos, alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica, ao mesmo tempo que nos oferecem paisagens grandiosas e significativas, arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões, servido em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico que contorna todas as amarras que prendem a nossa alma, apresentando, desse modo, a notável disponibilidade dos We Are The City para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

We Are The City - Violent

01. Bottom Of The Lake

02. Legs Give Out
03. King David
04. Passing Of The Peace
05. Friends Hurt
06. I Am, Are You?
07. 20 Ft. Up
08. Everything Changes
09. Baptism
10. Punch My Face

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publicado por stipe07 às 17:50

digitalanalogue - Be Embraced, You Millions

Sexta-feira, 01.05.15

Be Embraced, You Millions!

Membro dos escoceses Broken Records, Ian Turnbull também tem um belíssimo projeto a solo intitulado digitalanalogue, uma das novas coqueluches da Song By Toad, Records, de Matthew Young e que editou no passado dia 16 de maio Be Embraced, You Millions, um extraordinário compêndio de treze canções que resultaram numa obra de arte que balança entre a dream pop e a música clássica e onde o piano, a viola acústica e uma bateria eletrónica são os grandes protagonistas.

Delicado e envolvente, Turnbull cria peças instrumentais únicas, que emocionam facilmente os mais incautos e de lágrima fácil, alicerçadas, geralmente, num piano adulto e jovial, que vai transitando entre o orgânico e o sintético, à volta do qual gravitam alguns arranjos mais ou menos implicítos, com particular destaque parao diálogo entre uma criança e uma avó em NO.99 (I Love To Go A-Wandering) e cordas que adivinham um clímax sónico, criando uma atmosfera no mínimo encantadora.

Confessadamente autobiográfico, Be Embraced You Millions é declaradamente inspirado em Gavin Bryars, Brian Eno, ou o mais contemporâneo Gonzales e foi a terapia que Turnbull encontrou para superar um passado recente menos feliz, nomeadamente entre 2012 e 2013, período da sua existênciap pessoal conturbado, em que foi pela primeira vez pai e teve dificuldades em conciliar essa novidade com as exigências profissionais musicais e a doença e morte da sua mãe. Cada um dos treze temas é sobre uma pessoa ou evento específico desse período e particularmente cinematográfico. A música de digitalanalogue oferece-nos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para dar vida a um conjunto volumoso de sentimentos sinceros, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente que oscila entre a amplitude luminosa da crença e o cariz nostálgico da dúvida e do receio, em canções que tanto podem ser extremamente simples e prezar pelo minimalismo da combinação instrumental que as sustenta.

Sincera, emotiva e profundamente tocante, a música de digitalanalogue acaba por ser um dos bons exemplos atuais da tomada de consciência por parte de um músico de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 20:54

La Garçonne - I'm On Punch

Sexta-feira, 01.05.15

La Garçonne é o projeto a solo de Ranya Dube uma cantora, compositora e produtora canadiana, natural de Whistler e que se irá estrear nos discos a vinte e seis de maio com As Days Go By. Este trabalho irá ver a luz dia em formato digital e cassete através da True Horror Music de Jason Sheppard.

Com um Macbook Pro debaixo do braço e uma mente particularmente inventiva e criativa, Ranya cria música em redor de um eletropop que se cruza com o post punk e a new wave, uma sonoridade predominantemente sintética, muito à imagem do que propôem atualmente nomes tão fundamentais no género, como os Chromatics, Glass Candy ou Zola Jesus.

I'm On Punch é o primeiro avanço divulgado de As Days Go By, mais de quatro minutos disponibilizados para download gratuíto e que plasmam o enorme charme e bom gosto deste diamante sonoro ainda em bruto, que viu o ano passado um tema seu inserido na banda sonora do aclamado filme independente de terror Starry Eyes e que foi já o principal motivo para a criação da True Horror Music. Confere...

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publicado por stipe07 às 20:47


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