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Tape Junk - Tape Junk

Segunda-feira, 18.05.15

O projeto TAPE JUNk encabeçado por João Correia e ao qua se juntam Joaquim Francisco, Nuno Lucas e António Vasconcelos está de regresso com um trabalho homónimo, gravado durante três dias no Alvito no verão passado, sob um sol abrasador, num oito pistas instalado no sotão de Luis Nunes (Walter Benjamim), que também produziu o disco. Apesar de ser o segundo da carreira da banda, TAPE JUNk é uma espécie de recomeço para o quarteto e um verdadeiro disco de banda, já que, ao contrário de The Good and The Mean (2013), um quase registo a solo, é um trabalho mais direto e crú, com um alinhamento bastante espontâneo, já que metade do mesmo nunca tinha sido tocado pela banda antes e a outra metade foi gravada com os arranjos utilizados ao vivo e registado sem qualquer isolamento dos instrumentos, uma receita que imprimiu uma particular energia e espontaneidade às gravações, próxima do que os TAPE JUNk costumam preconizar ao vivo.

O tempo do João Correia é, certamente uma sucessão de algumas rotinas, uma significativa quantidade de banalidades e depois, um interessante conjunto de eventos inspiradores, que lhe provocam sentimentos e sensações únicas que encontra na música, mesmo inconscientemente a melhor forma de expressar, apesar de não apreciar particularmente levar-se demasiado a sério, como personagem deste quotidiano em que todos nos movemos. E este homónimo dos TAPE JUNk plasma, com notável nitidez essa personificação de soalheiras aventuras sonoras, algumas delas com um elevado pendor pessoal e intimista, onde não falta um confessado humor negro, e outras a sobreviverem à custa do nonsense, com Thumb Sucking Generation a ser, claramente, um exemplo claro desta despreocupação e deste desejo pessoal que os TAPE JUNk sentem, na pessoa do João Correia, de não serem levados demasiado a séra no que concerne à escrita das canções. Seja como for, não se pense que neste trabalho é impossível encontrar um aconchego para as nossas mágoas ou um incentivo ao despertar aquilo que de melhor guardamos dentro de nós; The Left Side Of My Bed ou Me and My Gin são dois exemplos do modo assertivo como os TAPE JUNk conseguem, utilizando uma linguagem sonora e lírica simples e, simultaneamente, intensa e profunda, falar de situações do quotidiano com as quais facilmente nos identificamos, duas músicas que podem ser um excelente veículo para o reavivar de algumas memórias que estão um pouco na penumbra e que nos confortam o ego quando delas nos recordamos.

Banda de palco e com uma notável reputação nesse campo, os TAPE JUNk são uma típica banda rock que assenta a sua sonoriade em guitarras que replicam melodias contagiantes e que exalam uma sensação de comptempraenidade que pode surgir nas notas mais delicadas, até quando elas estão num modo particularmente explosivo, nos efeitos selecionados ou nos arranjos simples, mas bastante criativos, onde não faltam peculaires variações de ritmo e uma saudável sensação de crueza e ingenuidade ou então, no modo como as vozes se alternam e se sobrepôem em camadas, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que claramente se chama de som de banda.

Pavement, Giant Sand, Stooges, Rolling Stones ou Velvet Underground são influências assumidas e declaradas, mas quem vence é aquel rock clássico e intemporal que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, luminosos e flutuantes e vozes deslumbrantes. E os TAPE JUNk provam que não é preciso ser demasiado complicado e criar sons e melodias intrincadas. Consegui-lo é ser-se agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e este quarteto sujeita-se seriamente a obter tal desiderato, já que usou a fórmula correcta, feita com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita que muitas vezes existe no universo musical para demonstrar uma formatação adulta e a capacidade de se reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que uma banda se insere.

TAPE JUNk é um álbum rock poderoso mas extremamente divertido, sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, num disco sem cantos escuros. Confere, já de seguida, a entrevista que o João Correia concedeu a este blogue sobre o disco e espero que aprecies a sugestão...

1 - Substance
2 - Bag of Bones
3 - Scratch and Bite
4 - Six String and the Booze
5 - Joyful Song
6 - Me and My Gin
7 - All My Money Ran Out
8 - The Left Side of the Bed
9 - Thumb Sucking Generation

Ao contrário de The Good And The Mean, disco sobre o qual conversámos e onde o João Correia tomou conta de grande parte da ocorrência, já lá vão quase dois anos, este vosso novo trabalho, um homónimo, resulta da interacção directa entre todos os elementos do grupo. Quais são as grandes diferenças entre os dois álbuns?

O primeiro disco foi uma experiência. Não fazia ideia do que ia fazer com aquilo. Felizmente foi bem recebido e surgiram concertos e montámos uma banda. Podia ter sido apenas um registo daquela altura e das músicas que escrevi e de como me apeteceu gravá-las na altura. Nunca foi pensado como o primeiro disco de uma banda. Os anos passaram, demos muitos concertos e encontrámos a nossa sonoridade. Acho que foi um processo óbvio e muito natural. Este novo disco teve um processo de gravação completamente diferente. Agora é sim um disco de uma banda. O segundo de Tape Junk mas o primeiro da banda. E eu quis que fosse um disco espontâneo e até ingénuo como a maior parte dos primeiros discos das bandas de que gosto. 

Este disco foi feito como se fosse um gathering de amigos. Fez-me lembrar quando era puto e gravava com os meus primos nas férias do Verão, na altura para um 4 pistas. Os anos passaram e duplicaram-se as pistas. Os junks não são primos de sangue mas somos todos família.

Pelos vistos a gravação do disco foi uma grande experiência, muito crua, espontânea e direta. Praticamente metade do alinhamento nunca tinha sido tocado pela banda antes e a outra metade foi gravada com os arranjos utilizados ao vivo. Como foram esses dias frenéticos no Alvito?

Passamos os dias a lutar contra um calor abrasador...Mas não abdicámos, é claro,de belos repastos, bom vinho e aguardente caseira ( como menciona a Valéria ). Tratámo-nos muito bem. Todos os dias acordávamos bem cedo e passávamos os dias a tocar no sotão do Luís Nunes. Os takes foram gravados para um Tascam 8 pistas de fita.

As bases instrumentais do disco foram gravadas live e sem isolamento dos instrumentos. Ou seja, cada instrumento tem uma soma sonora dos outros. Há quem defenda que isso é ruído e que "estraga" o som... Eu acho que isso é música. Gravámos umas quantas canções como já as tocávamos ao vivo e entretanto acrescentámos umas quantas que nunca tinham sido tocadas. E essas acabaram por ser algumas das mais importantes do disco, na minha opinião. O "Thumb Sucking Generation", "Six String and the Booze", o "Substance" (que nem uma maquete manhosa tinha) são dos temas que mais definem o álbum e não os conheciamos bem antes de irmos para as gravações. É como quando fazes uma música nova e gravas uma demo, ouves tudo e pensas : "isto está muita fixe!" ou então "em que raio é que eu estava a pensar quando escrevi isto!". Quando gosto da demo até tenho medo de gravar a música em estúdio depois, fica sempre pior. Pensas demais sobre aquilo e a espontaneidade desaparece. Aqui não houve sequer tempo para isso acontecer. Foi um disco em que corremos riscos, umas coisas correram bem, outras não. E ainda bem que assim foi.

As guitarras parecem-me ser o grande fio condutor das canções e, na minha opinião, um dos vossos maiores atributos é a forma simples e direta, sem grandes rodeios ou floreados desnecessários, como apresentam a vossa visão sonora do formato canção, como peças sonoras que, à exceção de ThumbSucking Generation, se esfumam mais depressa que um cigarro, mas que não deixam ninguém indiferente, já que prendem e ficam facilmente na memória. No que concerne às opções que definem para a vossa música, nomeadamente durante o processo criativo, como funcionam como banda?

Normalmente tenho uma demo das músicas gravadas com guitarra acustica e voz. Depois junto-me com o António e gravamos as ideias para as partes de cada instrumento. Depois tocamos todos juntos decidimos o que cada um faz. Eu gosto de manter as coisas muito simples em Tape Junk. Não procuro um som novo e não me preocupa a questão da banda vir a ter sucesso ou não. A ideia deste grupo é escrever canções, tocá-las juntos e partilhar o que fazemos com as pessoas que nos querem ouvir. Escrevo canções em casa quando elas surgem e ambiciono escrevê-las cada vez melhor. Os arranjos nesta banda estão em segundo plano. Têm de ser muito naturais e respeitar o flow da canção. Acho que cada banda tem a sua função. A nossa, para já, é keep it simple. Quero que se ouça pessoas a tocar neste disco. E nós somos pessoas simples.

E como foi trabalhar com o Luis Nunes aka Walter Benjamim, um músico extraordinário que também já foi destaque por cá algumas vezes?

O Luis é um grande amigo e já trabalho com ele há muitos anos. Quis gravar com ele porque já sabia que ele não gostava nada da sonoridade e arranjos do primeiro disco e achei que ele era a pessoa certa para gravar este porque eu queria fazer algo que distanciasse os dois. Para além de gravar também produziu. Fez-me a proposta de gravar tudo num oito pistas no sótão dele em Alvito. Adorei a ideia e lá fomos nós.

Logo na primeira música que gravámos percebi que não ia ser fácil... Fizémos uns dez takes do "All my money ran out" e cada vez que chegávamos ao fim ele dizia "mais um". Depois punha a fita para trás e ficavamos os cinco em silêncio. Optamos por mudar de música e eu pensei que as coisas podiam correr mal porque nunca tinhamos gravado assim juntos. Estivemos umas três horas para nos adaptarmos ao processo...

O Luís e eu somos como irmãos e passamos o tempo todo a discutir cada vez que estamos sob pressão. É hilariante! Eu sou sempre pessimista, ele não. Esse caos é perfeito para mim, odeio quando está tudo muito organizado e no sítio quando tem a ver com Tape Junk. Quando acabámos de gravar tudo no terceiro dia fomos ouvir o disco ainda muito em bruto. Deviam ser umas 4h da manhã e tinhamos passado os dias a gravar e eu disse : ok, foi trabalho em vão, estas músicas juntas não fazem sentido nenhum. O Luís fez um alinhamento em 20 segundos e pôs no play e disse algo como foda-se, és tão chato, meu. Cala-te e ouve as músicas. Eu calei-me e ouvi. Esse alinhamento ficou o do disco, nunca mais se mexeu.Trabalhar com o Luís é altamente.

Tape Junk é um festivo e animado compêndio de indie rock, que apenas abranda um pouco em Me And My Gin, um dos meus temas preferidos do disco e em The Left Side Of The Bed. Fiquei curioso… O gin é a bebida oficial dos TAPE JUNk? Qual é a temática desta canção?

Hahaha nada disso... Se fosse acerca da bebida de eleição seria "Me and my whiskey" mas soava muito mal. Escrevi essa letra no balcão do Roterdão no Cais do Sodré enquanto falava com um amigo meu. Passado uns dias vi que tinha a letra nas notas do telefone e arranjei a coisa e escrevi a música. Esta é das poucas em que a letra surgiu antes da música.

Escrevi isso na altura do primeiro disco quando andava sempre bêbado. Quando estás assim achas que não consegues fazer nada sem beber um copo antes. É uma idiotice. A música é completamente bipolar porque salta de versos sérios para versos completamente idiotas. É das minhas preferidas do disco.

Continuando a abordar a questão das letras, as relações amorosas e a complexidade que envolvem, que exigem um constante (des)acerto para funcionarem, pareceu-me ser uma ideia muito latente no disco e em particular em Joyful Song eThe Left Side Of The Bed. Esta minha percepção faz algum sentido? O que mais inspira a vossa escrita?

Neste disco acho que não me levo a sério demais na escritas das canções. Existem letras no outro disco que agora me acompanham e nem sempre as quero cantar. São muito pessoais. Depois tenho de tocar a mesma música vezes sem conta e já não sinto o que sentia e parece que estou a "vender" um sentimento falso. Neste disco tenho pouca coisa pessoal e tenho mais humor negro nas músicas, se calhar. Também tenho letras como o Thumb Sucking Generation que não interessam para nada... está lá porque tinha de dizer algo e nem me lembro quando nem porque escrevi aquilo. O importante é a música nesse caso. E o nonsense também me atrai na verdade. Quanto à inspiração, acho que escreves coisas melhores quando não estás bem. Quando não escreves uma música porque queres, mas escreves porque tem de ser. O "Left side of the bed" foi um desses casos. As coisas mudaram depois de escrever essa música. Fechei um ciclo de canções de amor depressivas... Depois dessa e do "Me and my gin" surgiu o resto do disco que tem uma linha muito mais leve do que o anterior. Mas misery loves company e toda a gente gosta de ouvir alguém a cantar coisas depressivas, não é? Isso é um bocado chato para um escritor de canções mas eu próprio não me levo tão a sério quando não escrevo sobre coisas viscerais e trágicas. O refrão do "Substance" ridiculariza precisamente esta questão.

O primeiro single do disco é Six String and The Booze e já foi divulgado o vídeo, por sinal bastante divertido e muito bem idealizado. Quem merece os créditos por esse excelente trabalho?

Tive a ideia de ter um vídeo com um casal em que a mulher era contorcionista. Mas faltava-me organizar a ideia e ter uma história interessante. O realizador Pedro Pinto, com quem tinha trabalhado no "Live at 15A" de Julie & The Carjackers agarrou a ideia e fez este mockumentary incrível. Achei a ideia genial. Deu muito trabalho, passámos semanas a fio para juntar a equipa, planear tudo e fazer o vídeo em dois dias com um budget muito reduzido. O Pedro é muito talentoso, hard worker e super profissional. No próprio video estão os créditos de toda a equipa. Foram todos incríveis.

Os TAPE JUNk fazem agora parte da família Pataca Discos. Qual é a sensação?

Eu sinto que estou na Pataca desde que gravei o "Dá" da Márcia. Desde então que tenho estado sempre ligado à editora. Julie & The Carjackers, Walter Benjamin, Bruno Pernadas, They're Heading West são bandas/artistas com quem toco e que fazem parte da Pataca. O João Paulo Feliciano só edita o que gosta muito por isso estava com algum receio das demos que lhe mostrei... Ouvimos as músicas os dois com o Luís Nunes e de cerca de vinte, eles aproveitaram umas oito e mandaram-me vir para casa escrever mais. Só depois disso é que houve certeza que estava ali um disco e entrámos para a Pataca Discos muito contentes.

Como está a correr a promoção do disco? Onde será possível ver os TAPE JUNk a tocar num futuro próximo?

Para já só posso anunciar o Festival Lá Fora em Évora, Festival Med e Nos Alive.

Para terminar apenas outra curiosidade… Quem é a Valéria?

Qual Valéria?! Valéria... Humm... Nome bonito mas não sei do que falas...

( Obrigado pela entrevista, gostei muito das tuas perguntas. João )

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publicado por stipe07 às 19:33

Sweet Baboo - Black Domino Box (H Hawkline Cover)

Segunda-feira, 18.05.15

Sweet Baboo é Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, no País de Gales e que lançou em abril de 2013, por intermédio da Moshi Moshi Records, Ships, o seu segundo disco, um álbum conceptual sobre o mar. Agora, dois anos depois, enquanto não chega aos escaparates The Boombox Ballads, o sucessor, Sweet Baboo disponibilizou gratuitamente no seu bandcamp uma bonita versão de Black Domino Box, um original do seu amigo H.Hawkline.

A participação especial de Hawkline no concerto de apresentação de The Boombox Ballads que vai ocorrer quarta-feira, dia vinte e um de maio, em Londres, é o grande motivo da criação desta cover onde Sweet Baboo volta a ser irrepreensivel no modo multi-colorido como conjuga diversas influências, que vão da folk à synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado. The Boombox Ballads irá ver a luz do dia em agosto. Confere...

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publicado por stipe07 às 19:30

Other Lives - Rituals

Domingo, 17.05.15

Os norte americanos Other Lives de Jesse Tabish (piano, guitarra, voz) Jonathon Mooney (piano, violino, guitarra, percussão, trompete) e Josh Onstott (baixo, teclados, percussão, guitarra, voz) acabam de quebrar um hiato algo prolongado, já que a sua última edição discográfica tinha sido um EP em meados de 2012 e um longa duração em 2011. Rituals é o novo disco desta banda de Oklahoma e chegou aos escaparates no início de maio, catorze canções que afastam de uma vez o estigma predominantemente folk deste projeto, projetando o trio para um universo sonoro bastante mais dinâmico e expansivo, onde melodias florescentes convivem lado a lado, com enorme frequência, com uma percussão imaculada e exuberante.

Rituals é para ser escutado com devoção e um bom par de auscultadores e isso percebe-se logo em Fair Weather, uma canção intensa e imponente, cheia de preciosos detalhes, que incluem sopros, teclas e metais, além de vários samples de sons naturais. Logo depois, o sintetizador atmosférico de Pattern oferece-nos uns Other Lives sedutores e plenos de charme, com Jesse Tabish a expôr os seus imensos atributos vocais enquanto entoa uma pop atmosférica fortemente etérea.

Tomando como ponto de partida este início prometedor e fulgurante, fica claro que a banda pegou firmemente no seu som e usou-o como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda forneceu imediatamente uma cor imensa às melodias e a própria voz serve, frequentemente, para transmitir esta ideia de exuberância e sentimento. Reconfiguration, o fabuloso primeiro avanço no formato single de Rituals, aprofunda ainda mais a perceção do quanto este é um trabalho muito rico e intrincado instrumentalmente, um tema rico ao nível da percussão, mas com os sintetizadores atmosféricos, um piano sedutor e até um violino a fazerem parte do arquétipo sonoro e do compêndio de destaques do tema.

O trabalho de produção de Joey Waronker (Atoms For Peace), foi preciosíssimo neste farto entalhe de intensos e preciosos instantes, com o piano sombrio de Easy Way Out a remeter-nos naturalmente para o ambiente sonoro imaginado e replicado tantas vezes por Thom Yorke, quer a solo, quer nos Radiohead. Esta canção e as teclas e a percussão de cariz mais tribal de Beat Primal e de English Summer descolam os The Other Lives definitivamente da sua zona de conforto sonora e oferecem-nos um verdadeiro concentrado de soluções programadas, onde tudo flui de maneira inventiva de modo exuberante e sentido. Os violinos de New Fog, o registo vocal com aquele típico efeito da música de câmara e o modo como um teclado se vai desenrolando, segundo após segundo, à medida que são acrescentados alguns sopros, são apenas mais algumas achas para esta fogueira, alimentada por uma pop orquestral que os tambores de 2 Pyramids, o pianos de No Trouble e It's No Magic e todo o anel sonoro emcional que à volta deles gravita, reforça, fazendo-nos acreditar definitivamente que estes The Other Lives são bem capazes de nos levar para lugares calmos e distantes, profundos e desafiantes.

Até ao final, Need A Line e For The Last afagam com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a doutrina deste trio, sendo estas talvez as duas canções que preservam o melhor da herança antiga do grupo, plasmada numa folk rock muito ternurenta, mesmo que às vezes pareça escondida no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação.

Há discos que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há instantes em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Álbum fortemente hermético porque que se fecha dentro de um campo muito prório e por isso particularmente genuíno e emocionalmente pesado, Rituals é um bom exemplo de como é possivel apresentar um trabalho artisticamente muito criativo, mesmo que assente a sua sonoridade numa amálgama aparentemente improvável que mistura folk, indie pop e indie rock,  com post rock e alguns elementos eletrónicos. Espero que aprecies a sugestão...

Other Lives - Rituals

01. Fair Weather
02. Pattern
03. Reconfiguration
04. Easy Way Out
05. Beat Primal
06. New Fog
07. 2 Pyramids
08. Need A Line
09. English Summer
10. Untitled
11. No Trouble
12. For The Last
13. Its Not Magic
14. Ritual

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publicado por stipe07 às 22:41

Loose Tooth - Easy Easy East

Sexta-feira, 15.05.15

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época. Kian Sorouri, Larissa, Christian Bach e Kyle Laganella são os Loose Tooth, uma das novidades mas recentes dessa cidade norte americana e mais uma forte aposta da texana Fleeting Yourh Records, de Ryan M., que se estreou nos discos as vinte e um de abril, com Easy Easy East.

Particularmente melódicos, com um interessante balanço entre ruído, distorção e aquela delicadeza que muitas vezes faz a diferença em determinados projetos de rock com um cariz mais lo fi, estes Loose Tooth não defraudam quem aprecia universos universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que, logo em Pickwick Average, o tema que abre o disco, tendo em conta o modo como a bateria alterna a cadência, com as guitarras a fazerem o acompanhamento melódico devido e a altetnância de postura vocal, demonstram que estes Loose Tooth lutam com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som e que esta estreia é um marco no género este ano.

Nas restantes nove canções de Easy Easy East a viagem nostálgica prossegue, sempre a um ritmo frenético, com canções que duram, na maioria das vezes, menos de dois minutos, havendo lugar para um experimentalismo de cariz mais progressivo nas guitarras em Skinny Chewy e Yorami e alguns arranjos curiosos que, em Greetings From incluem um fade in e um sample de sons naturais que dão corpo a um instrumental bastante recomendável. 

Lizzy e Lemon Zest já têm uma sonoridade mais punk, com o ritmo desenfrado da bateria e conduzir guitarras plenas de fuzz e um baixo sempre vigoroso que acompanham exemplarmente a percussão. A busca de um ambiente eminentemente pop e comercialmente festivo, fica plasmado em Sunk Chubi e Bone Folder, duas canções que atestam a visceralidade sempre impecavelmente controlada de um quarteto que sabe como manipular os nossos sentidos, fazendo-nos facilmente dançar, até perdermos o fôlego e deixarmos o nosso corpo esvair-se num misto de agonia e boa disposição.

Depois do devaneio instrumental Through a Hazy, Easy Easy East encerra com About Ruined Everything, o instante mais pop, épico e melancólico do disco, uma canção com uma limpidez e um acerto melódico pomposo e luminoso que projeta os Loose Tooth para uma toada mais contemplativa e que demonstra a capacidade eclética do grupo em compôr boas letras e oferecer-lhes belíssimos arranjos, que ganham vida quase sempre à boleia de uma guitarra jovial e pulsante e com alguns dos melhores efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do indie punk vintage mais juvenil. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 23:33

Passenger Peru - Break My Neck (video)

Sexta-feira, 15.05.15

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada já por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, os Passenger Peru regressaram em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, que viu a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que podes encomendar facilmente.

Um dos grandes destaques de Light Places é Break My Neck, um tema vincadamente reflexivo e introspetivo, cheio de cordas com arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e onde a voz de Stivers é um trunfo declarado, no modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína (one deep breath, sad but true, one deep breath, leads to you, break my neck, break my neck to, break my neck to see the stars, the stars explode above...). Este tema plasma com precisão as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Confere o fabuloso video de Break My Neck, recentemente divulgado...

 

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publicado por stipe07 às 13:23

Surfin' Mutants Pizza Party - The Kraken

Sexta-feira, 15.05.15

Apesar de vir do frio Quebec canadiano, Julien Maltais, um jovem de apenas vinte e um anos, tem no sangue o calor do punk rock californiano. Ele é o líder e grande mentor do projeto Surfin' Mutants Pizza Party, que criou depois de ter liderado várias bandas de metal sem grande sucesso e ter decidido sozinho, no seu quarto, começar a criar música.

Julien vai-se estrear nos lançamentos discográficos com The Death of Cool, um trabalho que vai ver a luz do dia a dezanove de maio, em formato digital e cassete, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

The Kraken, um single disponivel para download gratuito, é o segundo avanço divulgado de The Death Of Cool e pela amostra, percebe-se que do surf punk, ao skateboarding, passando pela banda desenhada e a ficção científica, são várias as fontes de inspiração de um músico que cria uma colorida estética sonora, onde o vintage e o contemporâneo se misturam com particular acerto. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 10:23

Lost Boy? - Canned

Quinta-feira, 14.05.15

Oriundos do convidativo bairro de Brooklyn, em Nova Iorque, os Lost Boy? são liderados por Davey Jones, ao qual se juntam Ryan, Matt e R.J., um grupo que aposta claramente naquela receita simples mas claramente aditiva que suporta os fundamentos básicos do indie punk rock. Canned, o registo de originais de estreia do grupo, é um trabalho cheio de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, uma coleção de canções enérgica, animada e bastante divertida, lançada via Double Double Whammy/Old Flame Records e que contém vários destaques que fazem com que este disco mereça audição atenta.

Se Hollywood e Car Wash abrem o alinhamento de modo enérgico e agitado, com toda a nostalgia do melhor punk de final do século passado a estender-se pelos nosso ouvidos sem qualquer reserva, é para fazer-nos perceber que a receita destes Lost Boy? baseia-se em efeitos e distorções da guitarra desgarrados e vibrantes e uma bateria subtil, de modo a ser firme e eficaz a busca do edificio melódico que sustente o formato canção mais acessível, mas sem deturpar a fidelidade a um espírito muito próprio e que não impõe quase nenhuma regra ao ruído inebriante e visceral.

Apesar desta linha condutora especifica e claramente balizada ser transversal a todo o álbum não faltam momentos mais experimentais e até progressivos, com o balanço entre o acústico e o ruidoso em Bank e USA, ou o piscar de olho a um indie rock mais comercial e melódico, até com um certo espírito folk, em Chew e numa toada mais nostálgica em About The Future, a impressionarem e a convidarem o ouvinte a repensar uma impressão inicial que possa ter sido mais rígida sobre o ambiente sonoro que o grupo procura replicar. O próprio baixo de Hemorrage e o modo como é audível ao longo de todo o tema, sendo o grande sustentáculo do mesmo, inclusive quando as guitarras se mostram em todo o seu esplendor, não só comprova o cuidado trabalho de produção de que foi alvo Canned, como é mais uma referência importante para caraterizar o som típico da banda, mesmo que o baixo não seja o principal protagonista do disco.

O ponto alto de Canned acaba por ser, na minha opinião, a sequência feita com Taste Butter e Revenge Song, duas canções em que as guitarras piscam o olho aos tais tiques progressivos que citei acima e que encontram as suas raízes duas décadas mais cedo do que o período temporal que inspirou o álbum. São temas que exemplificam com precisão aquilo que pretendem e quem realmente são estes Lost Boy?, exímios intérpretes de um noise rock cheio de guitarras distorcidas e inebriantes, donos de um saudável travo irreverente e beliçoso, que se desenvolve dentro de limites bem definidos, apesar de parecer, em determinados momentos, que vale (quase) tudo.

Canned é mais um daqueles álbuns feitos por quatro músicos que sonham resgatar a alma de um som com mais de vinte anos e que, muitas vezes tocado com uma certa displicência, mas sempre com uma grande dose de alma e criatividade, marcou indubitavelmente uma geração. Este disco não tem segredos para todos os apreciadores do melhor indie rock, cru e lo fi, que pisca o olho ao grunge e esse é, desde logo, um excelente atributo de uma coleção de canções que nos transportam eficazmente para o interior do universo sonoro que tipifica estes Lost Boy?. Espero que aprecies a sugestão...

1. Hollywood
2. USA
3. Chew
4. Car Wash
5. Taste Butter
6. About The Future
7. Revenge Song
8. Bank
9. Deep Fried Young
10. Fuck This Century
11. Hemorrhage

 

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publicado por stipe07 às 16:24

Villagers – Darling Arithmetic

Quarta-feira, 13.05.15

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

A treze de abril último chegou aos escaparates Darling Arithmetic, o novo álbum dos Villagers, através da Domino Records e produzido pelo próprio Conor. Hot Scary Summer, o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção onde o autor canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (all the pretty young homophobes looking out for a fight), plasma a temática de um disco que se debruça sobre a temática da sexualidade do grande mentor deste projeto e dos desafios emocionais que a questão da sua homossexualidade lhe tem colocado.

O amor e os conflitos que provoca, quando não é correspondido ou resvala para um ponto de ruptura provoca sentimentos e emoções transversais à orientação sexual. Serve isto para dizer que, independentemente da mesma, qualquer um de nós pode sentir-se identificado com o conteúdo destas canções que mostram como a energia destrutiva que esse sentimento muitas vezes liberta pode ter um enorme potencial artístico. Basta escutar a tensão sombria de Courage ou a luminosidade das cordas e do piano de Everything I Am Is Yours, para se perceber claramente esses dois lados de um mesmo sentimento, em canções onde Conor fala constantemente de modo autobiográfico e com a temática mais física da relação a ter destaque. Depois, a primazia da viola confere um cariz ainda mais intimista a Darling Arithmetic.

O modo como Villagers fala de si e das suas experiências e o ênfase que dá a determinadas emoções, ampliadas pela cândura do seu falsete, acabam por fazer com que certas canções, além de o despirem totalmente, exalem uma vincada veia erótica; Escuta-se Dawning On Me com atenção e torna-se fácil sentirmos que estamos abraçados ao músico, a partilhar o mesmo espaço físico do mesmo, completamente desprovidos de qualquer defesa, enquanto testemunhamos o modo como ele se entrega a uma aritmética amorosa, onde está em causa não só o modo como gere a sua relação com o amante, mas também consigo mesmo e os seus próprios conflitos emocionais.

Cheio de bonitos arranjos e resultado de um trabalho de composição elaborado e de elevada consistência técnica, Darling Arithmetic pode ser aquele disco que vai aguçar definitivamente o nosso gosto para o usufruto de sonoridades que são contemporâneas e que podem alargar o nosso panorama cénico e a ginástica linguística das canções que nos tocam profndamente. Temas como The Soul Serene, o já citado Hot Scary Summer, ou a ode ao amor intitulada Little Bigot podem colocar também a folk a tocar profundamente nas bases genéticas mais profundas da nossa identidade, à boleia de um género sonoro que, apesar da sua história, popularidade e raízes, que muitos puristas não gostam de ver quebradas, pode sempre atualizar-se e procurar novos caminhos, sem perder a sua génese. O modo como Conor consegue entrelaçar letras e melodias e adicionar ainda belos arranjos aliados, de forte teor sentimental, fazem já de Villagers uma referência essencial e obrigatório no género e um bom aconchego para alguns dos nossos instantes mais introspetivos e fisicamente intimistas.

Parafraseando o autor em Näive, descontando o facto de sermos woman, man, boy, girl e não importando como estes ítens se cruzam ou relacionam... este disco serve para todos aqueles que, independentemente das experiências vividas, estão sempre disponíveis a abrir as portas para o amor. (I believe I make part of something bigger). Espero que aprecies a sugestão...

Villagers - Darling Arithmatic

01. Courage
02. Everything I Am Is Yours
03. Dawning On Me
04. Hot Scary Summer
05. The Soul Serene
06. Darling Arithmetic
07. Little Bigot
08. No One To Blame
09. So Naive

 

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publicado por stipe07 às 22:23

Lower Dens – Escape From Evil

Terça-feira, 12.05.15

Viu a luz do dia no final de março Escape From Evil, o novo disco dos Lower Dens, uma banda norte americana natural de Baltimore, liderada por Jana Hunter e que em 2010 chamou, de imediato, todos os holofotes para si com o emocionante álbum de estreia Twin-Hand Movement. Em 2012 voltaram a surpreender com Nootropics, e agora, três anos depois, pela mão da Ribbon Music, chega-nos este novo trabalho que se deve ouvir sem expetativas porque aviso desde já que nos irá sugar para uma rede sonora construída com ritmos repetitivos e um emaranhado de sons e imagens etéreas.

Cada vez mais abrangentes e em busca de um universo sonoro mais amplo, consistente e luminoso, um pouco em contraste com o cinza que marcou os registos anteriores, mesmo ao nível visual, os Lower Dens chegam ao terceiro disco em pleno processo de exploração de novas possibilidades melódicas e ritmícas que oferecem ao cardápio do grupo uma maior consolidação e abrangência e cenários estilísticos que abarcam um leque mais aberto de influências, com a eletrónica a ter uma concorrência mais acentuada da dream pop e do post punk no resultado final. Responsável pela produção de Bloom dos Beach House ou Singles dos Future Islands, Chris Coady produziu Escape From Evil e acaba por ser uma figura central nesta nova realidade dos Lower Dens  e onde é clara uma superior espontaneidade e fluidez de processos.

Os sintetizadores luminosos de To Die In L.A. e o modo como o groove das guitarras nos convidam em Non Grata e Company a um abanar de ancas mais ou menos explícito, são apenas três notáveis exemplos desta menor frieza dos Lower Dens e a demanda por ambientes menos amargos e melancólicos em troca da transmissão de sensações mais calorosas, extrovertidas e acolhedoras.

Jana Hunter, a líder e figura principal do projeto, continua a encantar-nos com uma voz que apela diretamente ao nosso intímo e que em canções como a dream pop de Your Heart Still Beating nos desperta para a necessidade de apreciarmos devidamente algumas das nossas memórias e convidando-nos, em praticamente todo este novo alinhamento, a passear por recordações do passado e por pequenas frações de pensamentos individuais que musicadas nos soam próximas, como se as canções quisessem conversar connosco.

Com um imenso arsenal de arranjos, temas e conceitos explorados, Escape From Evil é, sem dúvida, um disco de ruptura, um virar de página sem aparente retorno, uma fuga apenas aparentemente espontânea, porque terá sido certamente devidamente ponderada de uma zona de conforto para um novo manancial de possibilidades que beneficiam o ouvinte ávido pela audição de algo diferente e surpreendente no inesgotável universo da dream pop. Há que saudar, no entanto, na componente lírica, o evidente sentimentalismo confessional e a manutenção da exposição intimista que Jana Hunter continua a não hesitar em partilhar connosco sem qualquer tipo de receio. Espero que aprecies a sugestão... 

Lower Dens - Escape From Evil

01. Sucker’s Shangri-La
02. Ondine
03. To Die In L.A.
04. Quo Vadis
05. Your Heart Still Beating
06. Electric Current
07. I Am The Earth
08. Company
09. Société Anonyme

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publicado por stipe07 às 22:26

Lilith Ai - Hang Tough

Terça-feira, 12.05.15

Oriunda de Londres e bastante talentosa no modo com reflete na sua música todos os sentimentos antagónicos e contrastantes que invadem uma mente que ainda se prepara para entrar na idade adulta mas que já atravessou sozinha o atlântico até Queens, Nova Iorque, com apenas setenta libras no bolso e a música como sonho maior, Lilith Ai é uma voz talentosa que se prepara para captar definitivamente a nossa atenção.

Hang Tough é o primeiro suspiro de Lilith Ai em forma de música, um tratado sonoro que mistura eletrónica, chillwave e r&b com um charme e uma delicadeza invulgares e exalando uma já notável maturidade. O lado b do single Yeah Yeah, amplifica os predicados instrumentais que irão certamente fazer parte do futuro discográfico deste belíssima cantora, onde o clássico e o contemporâneo se misturam com aquela delicadeza tipicamente feminina. confere... 

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publicado por stipe07 às 17:36







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