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Houndmouth – Little Neon Limelight

Quinta-feira, 19.03.15

Editado a dezassete de março através da Rough Trade, Little Neon Limelight é o novo álbum dos Houndmouth, uma banda orte americana natural de New Albani, em Indiana, formada por  Matt Myers, Shane Cody, Katie Toupin e Zak Appleby e que chama a si o tipico indie rock norte americano, temperado pela soul e pelo blues, resgatando influências hippies e fortalecendo um som de oposição ao que têm proposto ultimamente as guitarras típicas da cena indie norte americana, nomeadamente num registo mais punk, principalmente o que é oriundo da região de Brooklyn, Nova Iorque.

Os Houndmouth mergulham então numa psicadelia folk algo nostálgica e ligeira, muito à semelhança do que sucedeu nos primórdios do rock influenciado pelo sol da Califórnia e pela maré constante de fuzileiros que partiam para o Vietname, algures nos anos sessenta, além de se apoiarem num som montado em cima de um coletivo musical, que reproduz jovialmente uma força neo hippie que preenche cada instante das onze músicas deste álbum.

Da pop solarenga de Sedona, passando pela toada country de Otis e Honey Slider, a bucólica for No One e por aquele rock ritmado e musculado que Elvis cimentou há meio século e que 15 years replica numa visão mais contemporânea e com alguns tiques gospel a lançarem ainda mais achas para a fogueira, Little Neon Limelight parece uma visita guiada À herança sonora de uma América que inspira uma banda que se entrega de peito aberto a uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, deixando-se consumir abertamente por ´varias referências típicas do outro lado do atlântico e que percorrem cada uma das onze canções e expandem os territórios deste grupo de Indiana.

A simbiose entre estes diferentes géneros possibilita também que eles se encontrem em alguns momentos, como em Gasoline, canção cuja viola acústica e um registo vocal coletivo irrepreensivel formaliza uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, ou no indie rock animado, certeiro e dançavel de Say It, canção que funde guitarras, baixo e teclados com uma percussão com invulgar mestria e que tanto pode animar uma movimentada praia californiana em hora de ponta, como uma quermesse de domingo bem no interior do Tennessee.

Parecendo não se importar por transmitir em alguns momentos uma óbvia sensação de despreocupação, claramente audível na inserção de sons típicos de um convivio em pleno estúdio e que são deixados propositadamente para dar um ar mais natural a algumas canções, Little Neon Limelight cativa pelo modo como espalha um charme e uma delicadez algo invulgares, ao mesmo tempo que transmite sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê enquanto plasma o que de melhor o indie rock norte americano mais genuino ofereceu ao mundo no último meio século. Espero que aprecies a sugestão...

Houndmouth - Little Neon Limelight

01. Sedona
02. Otis
03. 15 Years
04. For No One
05. Black Gold
06. Honey Slider
07. My Cousin Greg
08. Gasoline
09. By God
10. Say It
11. Darlin’

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publicado por stipe07 às 21:39

Robot Princess - Violent Shooting Stars

Quinta-feira, 19.03.15

 

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Robot Princess são Beau Alessi, Daniel D. Lee, Peter Ingles, Joe Reichel e Catherine Anderson, uma das novas apostas da Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Os Robot Princess gravaram Ten Vogue, o disco de estreia, nos estúdios Seriuos Business. em Nova Iorque, há um par de anos, mas esse trabalho nunca viu a luz do dia, ou qualquer tipo de edição, quer física, quer digital. Recentemente, Catherine Anderson, membro da banda, produziu mais um punhado de canções do grupo, que resultaram num EP intitulado Action Moves.

Com estes dois trabalhos em mãos e com a Fleeting Youth Records a apostar seriamente nos Robot Princess, chegou finalmente a hora de um dos segredos mais bem guardados do indie rock nova iorquino ver música a chegar aos escaparates, com a edição em conjunto do álbum e do EP, que verão a luz do dia em formato digital e cassete a vinte e quatro de março.

Action Park foi o primeiro avanço divulgado do cardápio que vai ser editado e agora, poucos dias depois, chegou a vez de ouvirmos Violent Shooting Stars, um tema particularmente melódico e que sobressai pelo inspirado jogo de vozes que contém e pela riqueza instrumental e diversidade de ritmos e emoções que transborda, numa exuberância pop bastante recomendável.

Violent Shooting Stars encontra-se disponivel para download gratuito. No final do mês divulgarei certamente a análise crítica desta estreia nos lançamentos dos Robot Princess. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:19

Kodak To Graph - ISA

Quarta-feira, 18.03.15

Depois de em agosto de 2013 Mikey Maleki ter andado a editar uma canção por mês, numa longa e bonita jornada que resultou na compilação 2013 Monthly Singles, disponivel para audição e download e que fui dando conta, por cá, durante esse ano, este músico e produtor norte americano de origens iranianas oriundo de Pensacola, na Flórida, atualmente a residir em Los Angeles e que assina a sua música como Kodak To Graph, começou 2015 a participar ativamente na gravação de Oldies, um trabalho também disponivel gratuitamente e que plasma eletrificantes experimentações sonoras. Agora, a dez de março, chegou, finalmente, o seu longa duração de estreia, um disco chamado ISA, também possivel de ser obtido gratuitamente e que é uma verdadeira jornada emotiva e emocional pelos pensamentos, experiências e momentos que se revelaram significativos para o autor nos últimos temps e que o transformaram no músico e pessoa que é hoje.

Maleki sempre gostou de gravar e depois reproduzir sinteticamente sons reais, que capta ao seu redor e que tanto podem ser relacionados com a natureza, nomeadamente o chilrear de aves ou os galhos que se quebram durante um passeio pela floresta, como sons mais citadinos e que reproduzem ruídos habituais num ambiente citadino. Desolation Wilderness é um bom tema para se perceber de que modo funciona esta imagem de marca de Kodak to Graph e igualmente bastante presente no restante alinhamento de ISA. O autor confessa cultivar esse gosto com método porque acha que a inserção desses arranjos nas melodias enriquece-as e funciona, de certa forma, como a componente lírica das suas canções, geralmente instrumentais, dando-lhes uma clara sensação de narrativa e ampliando o propósito que elas têm, que é o de contar histórias concretas e com vida, mesmo que não contenham letras e uma voz que as replique de modo entendível. Quando a voz surge nas canções de Maleki é quase sempre modificada e samplada, funcionando como mais um detalhe sonoro ou outro dos instrumentos que deambulam pelas composições. Los Angeles, tema de tributo à cidade que recentemente acolheu este músico, é um notável exemplo do modo como Maleki utiliza a voz como mero recurso sonoro, no meio de outros detalhes e sons que facilmente nos colocam no meio da movimentada South Vermont rumo a Beverly Hills.

A música de Kodak To Graph exala imenso uma sensação de convite frequente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e este produtor não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Belong, o tema de abertura, a surpreender desde logo pelo cariz pop claramente urbano, proporcionado por uma eletrónica manipulada com mestria, não só no modo como o cruza o trompete com a melodia, mas também pelo realce que alguns metais usufruem em determinados momentos da canção. Belong liga-se com Floating através de uma batida minimal que depois parece submergir num mundo aquático e, por isso, sonoramente mais denso e pastoso e se esta conexão entre canções acentua o tal espírito de narrativa sequencial que domina ISA, a opção por arranjos, detalhes, ruídos e métodos de manipulação sonora que se interligam com o título das canções, além de nos fazerem perceber as diversas variáveis que Mike introduz no sintetizador para transmitir uma sensação intrincada e fortemente espiritual. Na verdade, ISA transborda um ideal de leveza e cor constantes, como se o disco transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, apesar de, felizmente, serem agora menos frios e sombrios, permitindo-nos escutar uma música bastante sensorial, que parece ter textura, cheiro e flutuações térmicas condizentes com o ritmo, a batida ou o borbulhar de determinados detalhes, aquáticos ou terrenos que facilmente se identificam e que são passíveis de serem confrontados com aspetos reais e palpáveis do meio que nos rodeia. Se a sensibilidade emotiva, minimal e arrepiante de Glaciaa nos obriga a vestir um agasalho bem quente enquanto sobrevoamos os pólos, as já citadas Los Angeles e Belong retratam uma América multicultural e cosmopolita que acolheu e inspira Maleki.

Rico e arrojado e apontando em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, ISA tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor eletrónica contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, oferecer música que se sente e que se vê, englobando diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, que podem passar pelo trip hop, a chillwave, o hip hop ou o R&B num pacote que conta histórias que as máquinas de Maleki sabem, melhor do que ninguém, como reporduzir e encaixar. Este é um álbum para ser escutado, visto e sentido, recheado de paisagens sonoras bastante diversificadas, mas de algum modo descomplicadas e acessíveis e que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 19:14

Peter Doherty – Flags Of The Old Regime

Quarta-feira, 18.03.15

Flags Of The Old Regime

Eterno enfant terrible da brit pop e lider dos The Libertines, banda atualmente em estúdio a gravar um novo álbum, Peter Doherty editou recentemente Flags Of The Old Regime, um single de tributo a Amy Winehouse e que viu a luz do dia através da Walk Tall Recordings.

Todos os lucros da venda deste single revertem a favor da Amy Winehouse Foundation, que trabalha junto de faixas etárias mais novas de modo a desencorajar o consumo de substâncias aditivas e psicotrópicas.

Na canção, Peter Doherty conta com a participações especial de Drew McConnell dos Babyshambles, Jamie Morrison, Stephen Large e Stephen Street, que também produziu o tema. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:12

Kovacs – Diggin’

Terça-feira, 17.03.15

Kovacs - Diggin'

A holandesa Kovacs acaba de revelar um extraordinário avanço para Shades Of Black, o seu mais recente álbum. O tema intitula-se Diggin' e coloca a nú todo o esplendor feminino e riqueza instumental e vocal desta artista pop imensamente criativa e absolutamente deslumbrante e que vale bem a pena escutar. Confere...

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publicado por stipe07 às 22:10

Quiet Quiet Band - Low Noon

Segunda-feira, 16.03.15

Paul, Jon, Scott, Jay, Tom e Devon são os Quiet Quiet Band, um coletivo inglês, oriundo de Londres e que forma uma verdadeira orquestra folk que aposta numa fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, tudo assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Alegres e festivos, já com alguma reputação relativamente aos espetáculos ao vivo, sempre cheios de diversão e alegria, os Quiet Quiet Band são uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor e estrearam-se nos discos com Low Noon, um trabalho que viu a luz do dia a nove de março e uma banda sonora perfeita para uma festa longa e bem regada, num ambiente ao ar livre, preferivelmente rural e bucólico.

Composição sonora carregada de texturas, criadas através da justaposição de diferentes camadas de instrumentos e sons e com um excelente jogo de vozes, Battery Human é o efervescente primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção com um elevado cariz contemporâneo e atual, apesar do forte revivalismo que o espetro sonoro que os Quiet Quiet Band abordam sempre encerra. Mas o tema de abertura, Hunter's Moon, também deixa boquiaberto quem aprecia melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, dominados por cordas, com um resultado final verdadeiramente vibrante e com uma energia bastante particular.

Em How Long  e Looks Like An Ending as mesmas cordas, quer das guitarras, quer dos violinos, servem para criar um ambiente mais melancólico e aconchegante, mostrando que estes Quiet Quiet Band se têm jeito para animar, também conseguem suscitar sensações e sentimentos mais introspetivos e profundos. Mas o ritmo frenético regressa logo de seguida, em Fudge (Highly Poisoned) e com os sons inéditos e naturais de Bunks e do baixo de Carol-Ann testemunhamos um saudável experimentalismo que comprova o modo assertivo como todos os arranjos e detalhes de Low Noon terão sido certamente ponderados de forma muito cuidada, pois só assim se entende o audível aconchego da profusão de sons e de ruídos e poeiras sonoras, muitas sem sentido de ordem aparente, mas que resultam e mostram a originalidade com que os Quiet Quiet Band usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de frescura e vitalidade, mas onde também há espaço para composições melancólicas, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura todo o tipo de sentimentos e emoções, mesmo nas sonoridades mais festivas e descomplicadas.

Low Noon é um passeio movimentado e luminoso por intenso e imenso jogo de texturas sonoras, uma viagem pela essência da folk de cariz mais europeu, idealizada por seis exuberantes replicadores de sons que, sem nunca se entregarem ao exagero, até porque é explícita a toada experimental que ocupa este compêndio folk de enorme beleza natural, parecem não querer olhar apenas para o universo tipicamente folk, mas também abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos, outros universos musicais. Confere...

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publicado por stipe07 às 18:10

Garden Of Elks - Swap

Segunda-feira, 16.03.15

Espalhados pela Escócia, os Garden Of Elks são um trio formado por Niall Strachan, de Inverness, o baixista Ryan Drever, de Glasgow e o baterista Paul Bannon, de Edimburgo. A Distorted Sigh, o trabalho de estreia dos Garden Of Elks, chegará lá para abril, em formato digital, vinil e cassete e entretanto vão sendo divulgados alguns avanços desse disco de uma banda que assume possuir uma sonoridade que intitulam de trash pop.

Depois de o punk rock shoegaze de This Morning We Are Astronauts ter feito parte do alinhamento de Magic Beanz!, uma coletânea que a etiqueta Song By toad, Records editou recentemente com algumas das suas maiores apostas para 2015, agora chegou a vez de ser divulgada Swap, uma canção sobre a amizade .

Swap foi escrita por Niall como reação a um evento da vida de um amigo próximo, como forma de tributo à verdadeira amizade e de crítica a todos aqueles que apenas vêm a amizade como um modo de obterem proveito, descurando sempre a presença quando os outros realmente mais precisam. O punk rock orelhudo, feito com um baixo rugoso e vibrante e uma guitarra que inflama ditorções verdadeiramente inebriantes é a pedra de toque deste tema e esse energia será certamente uma constante no trabalho de estreia destes escoceses que vale bem a pena seguir de perto. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 13:04

MALL WALK - S/T EP

Domingo, 15.03.15

Abrigados na efervescente Vacant Stare Records, uma fantástica etiqueta de Oakland, na Califórnia, os MALL WALK são Daniel Brown, Nicholas Clark e Rob I. Miller, um trio oriundo dessa cidade norte americana e com um cardápio sonoro impregnado com um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um indie rock feito com guitarras bastante inspiradas, como comprova S/T, o recente EP da banda, um trabalho produzido por Mont Vallier e que viu a luz do dia em formato digital e cassete no passado outono.

Os MALL WALK parecem ter tudo aquilo que é preciso para poderem vir a ser, muito em breve, uma banda importante do indie rock psicadélico atual. Encontraram na Vacant Stare Records o refúgio perfeito para explorar o hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial, que carateriza a sua música e as cinco excelentes canções de S/T impresionam pela amplitude do trabalho de produção e a procura de uma textura sonora aberta, melódica e expansiva. O habitual pendor algo lo fi que muitas vezes é percetivel na própria distorção das guitarras em bandas que apostam neste espetro sonoro relacionado com o indie rock mais cru e o punk rock é, neste trio, substituido por um elevado vigor do baixo e também pela chamada deste instrumento para a linha da frente na arquitetura sonora, que tem, frequentemente, as luzes da ribalta e um maior protagonismo, como se percebe quer em False Living, quer em Teen Missing, dois espetaculares tratados de punk rock aditivos, rugosos e viciantes. E a sensibilidade dos solos e riffs da guitarra, apesar de exibirem linhas e timbres muito comuns no chamado garage rock, acabam por ser aquele complemento perfeito que obriga a que seja justo afirmar que os MALL WALK são corajosos e abertos a um saudável experimentalismo. E essa busca de novos caminhos dentro do espetro sonoro que os baliza e que no caso de Unsold pisca o olho à pop mais melódica e luminosa, nunca os inibe de se manterem concisos e diretos na visceralidade controlada que querem exalar e prova elevada competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções.

Se, nos temas já citados, as linhas de baixo sublimes de False Living e o efeito da guitarra em Teen Missing são apenas dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes dos MALL WALK, é evidente, noutros casos, o diferente posicionamento melódico da dupla pela busca de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também mais acessíveis e do agrado de um público mais abrangente. Treadmill é o exemplo maior deste passo em frente, uma catarse psicadélica, assente numa batida inspirada que nos faz dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante, uma canção onde os MALL WALK apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, em quase seis minutos que são um verdadeiro compêndio de um punk rock despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Quando chega ao ocaso a melancólica, melódica e sedutora Pales In Comparison, a única certeza com que ficamos é que S/T sabe a muito pouco, tal é a hipnose instrumental que nos oferece, pensada para nos levar numa road trip pelo deserto com o sol quente na cabeça, à boleia da santa tríade do rock, uma viagem lisérgica através do tempo em completo transe e hipnose. Da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado punk rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos MALL WALK, que acabam de dar um passo bastante confiante, criativo e luminoso na sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 19:24

Villagers – Hot Scary Summer

Domingo, 15.03.15

Os irlandeses Villagers de Conor O'Brien estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

A treze de abril chegará aos escaparates Darling Arithmetic, o novo álbum dos Villagers, através da Domino Records e Hot Scary Summer é o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção onde Conor O'Brien canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (all the pretty young homophobes looking out for a fight).

Villagers - Hot Scary Summer

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publicado por stipe07 às 18:47

Peixe - Motor

Sábado, 14.03.15

Pedro Cardoso é Peixe, antigo guitarrista dos Ornatos Violeta e hoje um nome fundamental quando é hora de assinalar as principais referências nacionais desse instrumento. Em 2002, formou a banda de rock Pluto e a banda de jazz DEP. 2010 foi o ano da edição de Joyce Alive com o grupo Zelig e mais tarde em 2012 de Apneia, o seu primeiro álbum a solo, infelizmente ignorado por grande parte da crítica. Motor é o seu segundo registo a solo, um disco editado a nove de março último, que merece ampla divulgação pela magnitude qualitativa e beleza ímpar do seu conteúdo, um trabalho gravado, misturado e masterizado por Nuno Mendes.

Preenchido com catorze instrumentais de rara sensibilidade e luz, ao mesmo tempo que é possível absorver Motor como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o seu alinhamento é um exercício reconfortante e que provoca pura satisfação. Ao fazê-lo, percebe-se o modus operandi de Peixe e o modo como através da guitarra projeta inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, num resultado final que impressiona pela beleza utópica das composições, que exploraram ao máximo a relação sensorial humana que o autor estabelece com um instrumento que é um prolongamento físico da sua alma e com o qual atiça todos os nossos sentidos e provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar.

Contendo belíssimas texturas, que vão muito além do mero registo sonoro, Motor trespassa o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui de maneira hermética, sustentada por uma base instrumental concreta, mas plena de nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se os dois protagonistas maiores, músico e instrumento, fossem um só corpo num bloco único de som.

Motor dispensou a componente lírica, mas nem por isso deixa de conter letras pessoais, expressas através de uma notável variedade de acordes, timbre e ritmos, que contam com notável clareza histórias na primeira pessoa de uma pessoa que também se apropria das histórias dos outros para as contar como se fossem suas, quando também são suas. Genuíno e eloquente no modo como dá vida a sentimentos, desejos e emoções de um ser humano, Peixe enche-nos a alma e faz-nos acreditar que é possível ser-se verdadeiramente feliz apreciando as suas pinturas sonoras carregadas de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sua sensibilidade para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:23







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