man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Vast - Making Evening And Night
Compilação de demos e temas que foram ficando de lado em edições anteriores, Making Evening And Night é o mais recente lançamento dos VAST, um coletivo norte americano dos arredores de Washington liderado por Jon Crosby, que também costuma produzir os discos da banda, ao qual se juntam Michael Cry, Ben Fenton eTabber Millard.

As siglas VAST significam Visual Audio Sensory Theater e o indie rock progressivo e industrial do quarteto é um verdadeiro desafio sensorial para os nosso ouvidos. Com os instrumentos sempre ligados à corrente, muitas vezes em oposição ao forte apelo que Crosby sente relativamente à guitarra acústica durante o processo de composição, existe neste projeto uma forte componente eletrónica, que origina um caldeirão sonoro que encontra no eletro rock uma boa base de definição, cujo espetro se alarga ainda mais devido à postura vocal muito próxima do grunge e do rock clássico.
Depois de um início de carreira bastante ruidoso mas particularmente melódico, que foi inaugurado em 1998 com um homónimo, os registos recentes dos VAST identificam-se mais como um rock acústico, com as atmosferas criadas em April (2007) e Me And You (2009) a darem uma primazia maior a paisagens sonoras mais contemplativas.
Em vinte e dusas canções os VAST fazem uma retrospetiva clara de uma carreira recheada de momentos altos e amplamente destacada e bem sucedida nos Estados Unidos, sendo Making Evening And Night uma porta de entrada perfeita e completamente escancarada para o universo de uma banda com um percurso já sólido e profícuo e feliz a agregar tudo aquilo que tem de melhor o indie rock atual, através de um esqueleto instrumental eminentemente melancólico e só possível de replicar por quem reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada. Espero que aprecies a sugestão...
CD 1
01. Again And Again
02. No One Could Know
03. Where’d You Go?
04. It’s Time
05. Like God
06. Call On Me
07. The Thing They Took
08. They Only Love You When You Die
09. There Is No Tomorrow
10. The Trail Of Tears
11. The Fire Of Love
CD 2
01. Something About You Turns Me On
02. Noise
03. Put Your Lips Around My Generation
04. Diamonds To Coal
05. Whisper My Name
06. Burning Desire
07. Desperate
08. I Would Like It
09. Broken Girl
10. Kimi
11. I Want It Back
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José González – Vestiges And Claws
Depois de se ter mostrado um jovem platónico e apaixonado em Veneer (2003), ou um cru e empírico observador da vida em Our Nature (2007), o sueco José González está de regresso e de mãos dadas com ambientes sonoros mais intimistas, à boleia de Vestiges And Claws, uma coleção de dez temas gravados na sua casa em Gotemburgo e que têm na folk acústica, que em determinados instantes pisca o olho a um certo travo psicadélico, as suas traves mestras. Refiro-me a canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a voz grave, mas suave e confessional de González, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido pelo próprio autor e arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Com instantes como Stories We Build, Stories We Tell ou Leaf Off/The Cave, capazes de nos envolver num clima doce e reconfortante, mas também festivo, Vestiges And Claws sobrevive à sombra de arranjos bem feitos, que prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, mas que nunca roubam às cordas o merecido protagonismo.
Cm uma dúzia de anos de carreira, com os Junip a serem também parte fundamental da sua existência musical, González mostra-se, ao terceiro tomo da carreira a solo, mais maduro e consciente do mundo que o rodeia, de certo modo, num estágio superior de sapiência que lhe permite utilizar o seu habitual espírito acústico para colocar-se à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar histórias que o materializam na forma de um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. O sermão que nos oferece no tema homónimo é só um exemplo desta sua vontade de nos fazer refletir, com o romantismo de With The Ink of Ghost, ou a cândura da maravilhosa Let It Carry You (com a percussão feita por uma clave, um instrumento habitual na sua discografia), assim como os sussurros de The Florest a confrontarem-nos com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que ambientada pelos assobios rústicos de Vessel transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.
Every Age, o primeiro single retirado de Vestiges And Claws, também materializa esta demanda reflexiva que nos é servida por um sábio que surpreende pelo parco mas suficiente e profundo vocabulário que preenche a sua cartilha, sempre aberto às mais variadas interpretações (Some things change, some things remain, We don't choose where we're born, We don't choose in what pocket or form, But we can learn to know Ourselves on this globe in the void). Este acaba por ser um dos momentos líricos mais bonitos de toda a carreira de González e Leaf Off/ The Cave, o segundo single do disco, obedece igualmente a este conceito da progressiva evolução existencial, rcordando-nos que nunca dvemos descurar os conselhos dos mais velhos, essenciais para que a vida seja vivida em plenitude e não apenas como um ponto de passagem esperado e rotineiro (Let the life lead you out).
Se a calma nos transmite sabedoria, ela não se reflete em passividade. José González diz à sua maneira em What Will que as garras e os vestígios do título do disco são os elementos que muitas vezes sobram após a nossa luta diária constante, enquanto os lindíssimos acordes do tema dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante, desde que resulte na tal vivência existencial plena e verdadeiramente feliz.
Se o hinduismo acredita na existência de um estado transitório entre a morte e o ressurreição, onde a nossa alma recupera a divinidade perdida no nascimento, pode-se dizer que a música deste sueco nos concede a mesma sensação no modo como nos renova espiritualmente e nos acalma enquanto transmite sabedoria. Em Vestiges & Claws, o músico emociona, inspira e ilumina, levando-nos para um lugar calmo e pacífico, onde podemos fugir da velocidade, do caos e da ansiedade da vida moderna, um lugar que, independente de géneros ou estilos, definitivamente só existe na música. Espero que aprecies a sugestão...

01. With The Ink Of A Ghost
02. Let It Carry You
03. Stories We Build, Stories We Tell
04. The Forest
05. Leaf Off / The Cave
06. Every Age
07. What Will
08. Vissel
09. Afterglow
10. Open Book
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Blur - Go Out
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Pond – Man It Feels Like Space Again
São Francisco, na Califórnia e Perth na Austrália, são os dois grande polos atuais do indie rock piscadélico e, oriundos do último, os Pond de Nick Allbrook, Jay Watson, Joseph Ryan, Jamie Terry, um verdadeiro projeto paralelo dos Tame Impala, um dos nomes maiores do género e uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Produzido por Kevin Parker, Man It Feels Like Space Again é o sexto álbum dos Pond, um trabalho lançado no passado dia vinte e três de janeiro por intermédio da Modular e que tem no fuzz rock a sua pedra de toque, talvez a expressão mais feliz para caraterizar o caldeirão sonoro que os Pond reservam para nós e que logo na imponência de Waiting Around For Grace e no festim grandioso de Elvi´s Flaming Star, fica claramente plasmado.
As guitarras são, como seria de esperar, o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Pond, feitas de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Mas a receita também se compôe com sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias, uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, que é várias vezes literalmente cortada a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade que, por exemplo, Hobo Rocket, o antecessor, não continha tanto, apesar da excelência do seu conteúdo. A delicada sensibilidade das cordas que suporta a cândida melodia do belíssimo instante de folk psicadélica chamado Holding Out For You e a monumentalidade comovente de Sitting Up On Our Crane são dois extraordinários tratados sonors que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração que se atravesse e plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no disco, a capacidade que estes Pond também têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop.
A energia contagiante do eletropunk blues enérgico e libertário, que escorre por todos os poros de Zond, o mais recente single retirado de Man It Feels Like Space Again, um tema que assenta numa voz viciante e numa espiral de sons sintetizados, fortemente lisérgicos e aditivos é, em sentido oposto, outro exemplo claro de toda a amálgama cuidadosamente concebida pelos Pond, ampliada pelo video que é mais uma viagem alucinante filmada por Johnny Mackay, que criou um cenário de artifícios caseiros e adereços imperfeitos, colagens de fundos pintados à mão e um guarda-roupa, no mínimo, original. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual da sua música, algo que a banda desenhada do artwork do disco também exemplifica.
O álbum avança e depois de em Heroic Shart sermos invadidos por um efeito vocal reverberado que ecoa e paralisa, no meio de uma amálgama assente numa programação sintetizada de forte cariz experimental, Man It Feels Like Space Again prossegue a sua demanda triunfal na insanidade desconstrutiva e psicadélica em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Outside Is The Right Side, canção extremamente dançavel, já que mistura R&B, pop, hip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito. Neste instante, quando damos por nós, já completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou esse tema, percebemos que não há escapatória possível desta ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida.
É impossível escutar este trabalho e ficarmos imóveis no recanto mais aconchegante que geralmente nos abriga; Torna-se indispensável deixar que o nosso corpo absorva todas as sensações inebriantes que este disco oferece gratuitamente e, repetindo o exercício sensorial várias vezes, permitirmos que depois se liberte o imenso potencial de energia que estas composições recheadas de marcas sonoras rudes, suaves, pastosas, imponentes, divertidas e expressivas, às vezes relacionadas com vozes convertidas em sons e letras e que atuam de forma propositadamente instrumental proporcionam. Aqui tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea, que Man It Feels Like Space Again está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Por exemplo, o ritmo lento e claramente acústico inicial de Medicine Hat é algo enganador porque a canção é subitamente alvo de um intenso upgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, deixando-nos em suspense relativamente ao que resta ouvir da composição e que acaba por ser uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico. O tema homónimo, um imenso instante de rock progressivo, onde os Pond gastam todas as fichas e despejam os trunfos que alicerçam a sua estrutura sonora complexa, é uma canção que sabe claramente a despedida, num cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto de efeitos maquinais que proporcionam sensações únicas.
Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os Pond são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é Man It Feels Like Space Again, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os Pond sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

01. Waiting Around For Grace
02. Elvis’ Flaming Star
03. Holding Out For You
04. Zond
05. Heroic Shart
06. Sitting Up On Our Crane
07. Outside Is The Right Side
08. Medicine Hat
09. Man It Feels Like Space Again
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Only Real - Pass The Pain vs Cadillac Girl

O projeto britânico Only Real vai estrear-se nos discos em final de março com Jerk At The End Of The Line e Pass The Pain e Cadillac Girl são dois avanços já divulgados do trabalho, canções que mostram o indie rock como um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras distorcidas e algo turvas têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.
Jerk At The End Of The Line será certamente alvo de análise por cá, um disco que irá certamente exaltar cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema e com uma expressividade única e claramente intencional. Confere...
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Suburban Living – Suburban Living
Wesley Bunch, um músico de Filadélfia, é a mente criativa que dá vida a Suburban Living, um projeto de que acaba de se estrear no formato álbum com um homónimo preenchido com oito canções, editado através da etiqueta nova iorquina PaperCup Music, o abrigo perfeito para um trabalho que tem os seus pilares assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia.

Gravado nos estúdios EarthSound, em Virginia Beach, com o engenheiro de som Mark Padgett, Suburban Living traça linhas paralelas com a tradição sonora deixada por herança há umas três décadas por nomes como os My Bloody Valentine, os Pylon ou os Cure, claramente audíveis na forte vertente experimental nas guitarras pulsantes e numa certa soul na secção rítmica, dois aspetos essenciais do tratamento sonoro que Wesley resolveu dar à nostalgia que certamente sente relativamente a uma outra época, que marcou fortemente várias gerações de músicos e ainda hoje é um referencial bastante explorado. Assim, obscuro e melancólico, mas pleno de energia e focado numa enorme dedicação à causa, Suburban Living não complica na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage
Se durante a audição de Suburban Living somos confrontados com a aparente primazia da guitarra e do efeito peculiar que ela debita e que carimba e tipifica o som caraterístico que Wesley quer que seja marca identificativa do projeto, o que mais me agradou neste disco foi, no entanto, o baixo vigoroso e o modo como dá as mãos a uma bateria, numa relação progressiva que contém uma tonalidade muito vincada e que acaba por ser um excelente tónico para potenciar a capacidade do músico, num registo vocal geralmente em eco, mas também amiúde reverberado, em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando um cocktail delicioso de boas sensações.
Canções como a épica Faded Lover, mas também Wasted ou Dazed, além de conterem belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, são exemplares no modo como nelas Wesley deixou as guitarras, o baixo e a bateria seguir a sua dinâmica natural, fazendo com que os temas assumissem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico. Esta dinâmica ganha um fôlego ainda maior em New Strings, um dos singles de Suburban Living e um tema onde a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiro e incisivo o músico conseguiu ser na replicação do ambiente sonoro que escolheu.
Instrumentalmente Drowning é outro dos meus destaques deste trabalho, uma canção naturalmente conduzida pelo tal baixo vibrante, mas que sobressai pela distorção da guitarra e o efeito sintetizado que constrói a melodia, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. No final do disco, Different Coast segue-lhe as pisadas, numa toada que privilegia a simbiose entre traços identitários do rock psicadélico, e da dream pop, o que justifica os elogios realtivamente ao modo como sendo este compêndio tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, também consegue mostrar canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora.
O clima geral lo fi, que não é mais do que um notório marco de libertação e de experimentação vintage, acaba por ser uma consequência lógica de todo o ideário sonoro e conceptual de Suburban Living. E este é um disco que nos agarra pelos colarinhos, sobretudo pelo modo como nos mostra a interpretação contemporânea do revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio, pelas mãos de um músico bastante inspirado e mestre a misturar e a explorar diferentes territórios sonoros, sugando-nos assim para um universo pop que impressiona pelo bom gosto com que se cruzam várias dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador de um imenso arsenal de arranjos e detalhes, que são um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

01. Faded Lover
02. New Strings
03. Wasted
04. Dazed
05. Drowning
06. No Fall
07. Hotel Unizo
08. Different Coast
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Overlake – Sighs
Oriundos de Nova Jersey, os Overlake são Tom Barrett, Lysa Opfer e Scotty Imp, um trio que começou a fazer música em 2012 e que se estreou nos discos no ocaso do último ano com Sighs, nove canções que viram a luz do dia através da Killing Horse Records.

Apaixonados pelo rock alternativo dos aos oitenta e noventa, os Overlake começaram como tantas outras bandas, através de jam sessions naturais e certamente bem sucedidas que foram construindo o esboço de um registo que acaba por obedecer ao cardápio confessado de inspirações, já que se My Bloody Valentine, Pavement e Sonic Youth são grupos que influenciam decisivamente a sonoridade das canções dos Overlake, algo que o conteúdo de Sighs demonstra com particular clareza.
Tom Barrett e Lysa Opfer são o núcleo duro do projeto, que já teve vários bateristas no alinhamento, mas que parece ter encontrado em Scotty Imp o músico ideal para se juntar a esse par dinâmico, apesar de ter sido o próprio Tom a tocar a bateria em Sighs.
A escuta de Sighs exige logo no belíssimo instante contemplativo do instrumental First um par de auscultadores e o volume no máximo aceitável para que se entranhem todas as emoções que os Overlake expôem com extraordinária nitidez nas paisagens sónicas criadas pela voz e pelas guitarras e por um baixo pulsante e uma percussão vibrante. O falsete de Disappearing e o efeito da guitarra que o acompanham e a relação progressiva que o baixo e a bateria constroem nesta canção com um início algo inocente mas que depois ganha uma tonalidade muito vincada, são excelentes tónicos para potenciar a capacidade de Tom em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. A bateria toma conta das rédeas em Not Enough e quando, na canção, a guitarra começa a deambular livremente por cima e ao redor da percussão, ficam irremediavelmente disponíveis os melhores atributos no que diz respeito à capacidade de composição e ao requinte que preenche o ideário sonoro destes Overlake e não duvidamos mais que, até ao final, aguarda-nos apenas e só belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.
Esta mesma sensação de mestria e bom gosto merece ser devidamente realçada pelo modo como vem à tona, mesmo que o ambiente sonoro escutado não seja, como se exige, sempre constante e semelhante. Há exemplos em que a sapiência criativa dos Overlake se torna algo negra e obscura, nomeadamente em Back To The Water, uma canção com um efeito de reverb na voz que parece que Tom canta nas profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, ou que pisca ao olho aos melhores atributos do punk rock luminoso e outros em que se mostra mais vibrante, como em Fell Too Far, Your KS ou na pop luminosa da balada We'll Never Sleep, três canções que foramam uma sequência que é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. Esta ambivalência acaba por ser as duas faces de uma mesma moeda que se carateriza, seja qual for a variante do rock alternativo replicada, por um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, sempre com a premissa de criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, algo que ganha um fôlego ainda maior em Our Sky, um dos singles de Sighs e o tema do disco onde a voz de Tom atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Overlake conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.
Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os Overlake, logo na estreia, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Sighs é um excelente disco e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver e que já está em estúdio a preparar o sucessor. Aqui encontras dez canções que quer estejam assentes numa pop com traços de shoegaze ou num indie rock carregado de psicadelia, trazem sempre consigo uma sobriedade sentimental que pode servir de contraponto em instantes mais sombrios e de cariz lo-fi, mas também para marcar a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve os Overlake para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este grupo. Espero que aprecies a sugestão...
01. First
02. Disappearing
03. Not Enough
04. Back To The Water
05. Fell Too Far
06. Your KS
07. We’ll Never Sleep
08. Our Sky
09. Is This Something?
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Spector – All The Sad Young Men
Ainda não se conhecem todos os detalhes do segundo álbum dos britânicos Spector, mas já foram divulgados dois singles do mesmo. All The Sad Young Men é o segundo tema conhecido do sucessor do aclamado Enjoy It While It Lasts, o disco de estreia dos Spector, editado em 2012.
O vocalista e lider da banda, Fred Macpherson, já veio a terreiro afirmar que esta canção é a melhor que a banda compôs até hoje. Confere...
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Tiny Victories – Haunts
Oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os norte americanos Tiny Victories são uma dupla formada por Greg Walters e Cason Kelly, uma banda que se estreou recentemente nos discos com Haunts, um álbum com onze canções que sucede ao EP Those Of Us Still Alive, editado em 2012.

Haunts encarna um desejo claro por parte dos Tiny Victories de criar um forte impacto, explorando uma amálgama de referências dentro do universo sonoro que aposta na fusão de rock, com a pop, a soul e o funk, fazendo-o de uma forma direta e com elevado apelo comercial, mas também sem descurar uma vertente mais densa e sombria e marcadamente experimental. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar um sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades, uma receita levada à prática com o firme propósito de criar ambientes sonoros amplos, luminosos e onde a banda projeta inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção.
Oriundos de um universo sonoro bastante peculiar e com os TV On The Radio a serem, certamente, referência fundamental, os Tiny Victories empacotam as sua canções com melodias impregnadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Do indie rock clássico de Drinking With Your Ghost, ao clima épico, expansivo e luminoso de System e This Revolution, passando pela pop sintetizada de Let It Burn, uma canção dominada por um sintetizador repescado no período aúreo do eletropop dos anos oitenta, não faltam em Haunts instantes que deambulam pela pop mais requintada e pelo rock progressivo cheio de distorções inebriantes, feitas com pedais carregados de reverb e arranjos captados das mais diversas fontes orgânicas e sintéticas.
Com um ambiente sonoro geralmente empolgante e ritmado e um som de fundo orquestralmente rico, Haunts plasma uma saudável incerteza, ironicamente reconfortante, relativamente ao que poderá reservar o futuro deste grupo nova iorquino, mas é natural a sensação de prazer que qualquer conhecedor profundo do espetro sonoro onde eles se situam sente ao escutar este trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

01. Drinking With Your Ghost
02. Scott And Zelda
03. Systems
04. Let It Burn
05. This Revolution
06. Austin, TX
07. Proton Pagoda
08. Life Is Boring
09. Our Lady Of Route 80
10. Justine
11. You’re Gone
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Sufjan Stevens - No Shade In The Shadow Of The Cross

Primeiro avanço para Carrie & Lowell, o próximo álbum do norte americano Sufjan Stevens, No Shade In The Shadow Of The Cross, marca o retorno do músico à folk mais intimista, nostálgica e contemplativa, depois de uma década onde deambulou entre o caótico, o esquizofrénico e o genial em discos tão importantes como Illinoise ou The Age Of Adz.
Mais negro, sombrio e recatado, Sufjan volta a reinventar-se sem deixar de ser ele próprio, num disco que irá ver a luz do dia a trinta e um de março através da Asthmatic Kitty. Confere...




