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Lower Heaven – Pulse

Terça-feira, 06.01.15

Oriundos de Silverlake, nos arredores de Los Angeles e com o nome retirado da letra de uma canção dos Echo And The Bunnymen, os Lower Heaven são já um nome consensual e com uma base de seguidores bastante consolidada no universo alternativo local. Confessam ser influenciados por nomes fundamentais como os My Bloody Valentine, Hawkwind, ou os The Jesus and Mary Chain e, na verdade, escutando Pulse, o mais recente trabalho deste quarteto, percebe-se que baseiam o seu som em guitarras cheias daquele fuzz declaradamente vintage e com uma sonoridade algo lo fi, com a voz, muitas vezes distorcida e as escolhas de arranjos a conferir à música dos Lower Heaven um ar ainda mais soturno.

Os acordes iniciais de Availae são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Lower Heaven deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, para criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Se Beyond All Living Things e a sua longa introdução pulsante e contemplativa mergulha o ouvinte num ambiente carregado de psicadelia e explora nitidamente um universo certamente construido com várias substâncias psicotrópicas consumidas em noites chuvosas, já o rock progressivo de In The Open e, principalmente, de A Day Without Yesterday, impressiona pelo modo como em cima de um sintetizador minimalista mas aditivo começa por ser adicionada uma guitarra limpa e depois toda a gama de instrumentos inseridos meticulosamente, que surpreendem sem cansar, resultando em algo excitante e ao mesmo tempo acolhedor.

Estes Lower Heaven deixam-se envolver por uma intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual e isso confere-lhes em todo aquele mistério, que protege, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este grupo, já que as canções de Pulse parecem ter sido propositadamente pensadas para levantar apenas ligeiramente o manto e deixar-nos numa espécie de limbo de elevada densidade sobre a verdadeira mensagem que querem passar para o grande público com este trabalho. Basta escutar-se o clima INXS da guitarra, da bateria vibrante e do registo vocal em Entropy, ou o baixo arrastado e o efeito vocal de Nectar, para darmos de caras com dois excelentes exemplos do clima sussurrante e hipnótico que domina Pulse e o instante em que a última canção cresce e depois se deixa envolver num imenso arsenal de arranjos e detalhes, é um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro.

Pulse é um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido apenas um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a vastidão imensa e simultaneamente diversificada da paisagem e de um mundo completamente diferente do nosso, de onde estes Lower Heaven são originários. Espero que aprecies a sugestão...

Lower Heaven - Pulse

01. Avialae
02. Beyond All Living Things
03. A Day Without Yesterday
04. Nectar
05. In the Open
06. Entropy
07. Cosmic Ray
08. God

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publicado por stipe07 às 21:10

The Blank Tapes – Hwy. 9

Segunda-feira, 05.01.15

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland, agora, pouco antes do ocaso do último ano, divulgaram mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9.

Matt, o líder do grupo, que é, basicamente, um projeto a solo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Ele toca todos os instrumentos neste projeto e lançou o primeiro disco, Home Away From Home, em 2010. O sucesso foi tanto que os The Blank Tapes andaram pelo Brasil, pelo Japão e pela Europa, com os Thee Oh Sees. De regresso a casa foram para o estúdio e compuseram Vacation, e, pelos vistos, não esgotaram aí a sua veia criativa, já que este novo trabalho, apesar de conter algumas demos e temas ao vivo, é constituído, quase integralmente, por novos originais que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

E vamos com ele enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos The Blank Tapes, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do banjo folk e da harmónica de Long The Way, My Ladybug e Hallelujah, ou do experimentalismo instrumental de Rabbit Hole, que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica em Kazoo Song, além da percussão orgânica e de alguns ruídos, vozes e metais que assentam muito bem na canção. Makebelievin’ e Trinocular mantêm a toada revivalista, com um certo travo folk, em canções que fundem Lou Reed e Jimmy Hendrix, numa sonoridade grandiosa e controlada, ao mesmo tempo.

Até ao epílogo escuta-se um trabalho de referências bem estabelecidas, uma arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta.

Hwy. 9 é, portanto, uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Seis canções deste disco tiveram direito a um vídeo oficial e podes conferi-los a todos já a seguir, além de poderes escutar Hwy. 9 na íntegra. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Hwy. 9

01. A Little A Lot Of The Time
02. You Tube
03. Along The Way
04. Rabbit Hole
05. Shmaltz Waltz
06. Hwy. 9
07. Rabid Rabbi
08. Hallelujah
09. Mad Scientist
10. Cheese
11. Kazoo Song
12. Indian Hwy.
13. Enipucrop
14. Little One
15. Makebelievin’
16. Ivy Hill
17. My Ladybug
18. Glass Cloud
19. Sperman
20. Trinocular
21. Milky Way
22. Potato Pancake
23. Blood And Brains
24. Renaissance Seance
25. Humming Bird
26. End Of The Road
27. The Giving Gift
28. Chill Pill
29. Ommmmm
30. O, Distractions
31. Starry Skies
32. Mini Van
33. Down To The Wire
34. The Only One
35. Woodshedding
36. Descending Ending
37. June Gloom
38. Smokey Road
39. Hwy. 9 (Revisited)
40. Frontal Robotomy
41. Sperman [Demo]
42. PTC
43. Hallelujah [Demo]
44. Untitled Comedy Podcast Theme Song (Live In Memphis, TN)

 

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publicado por stipe07 às 18:40

Ýours Are The Only Ears - Fire In My Eyes

Segunda-feira, 05.01.15

Yours Are The Only Ears - "Fire In My Eyes"

Yours Are The Only Ears é o projeto musical a solo da nova iorquina Susannah Cutler, um dos elementos da banda Epoch e também com um interessante trabalho já desenvolvido no campo artístico visual, tendo-se destacado ultimamente com o artwork de Wendy, o mais recente lançamento do também nova iorquino Small Wonder, tendo também contribuido com o seu desempenho vocal em alguns temas desse disco.

Fire In My Eyes é o tema mais recente divulgado por Susannah, um belíssimo instante acústico gravado com a ajuda de David Benton, dos LVL UP e com um conteúdo lírico absolutamente extraordinário (Do you want to smoke on your roof, And stare at the pavement?, I imagine my body on the ground, Am I a good person?)

Tal como o aspecto predominante do seu artwork, a música de Susannah Cutler é simples, mas plena de expressividade e vida e ela mostra-se exímia em compôr telas sonoras com uma tonalidade algo cinza, mas plenas de sentimentos e emoções. Fire In My Eyes está disponível gratuitamente no bandcamp da autora, ou com a possibilidade de doares um valor pelo tema. Confere...

 

i'm sitting inside
the room that is now mine
it comes in waves
i want to take care of you somedays

do you want to sit in my room
and listen to music?
i had something to tell you
but i forgot it

will you try not to lie?
ignore the sword between your thighs
the women that you've compromised
ignore the fire in my eyes

do you want to smoke on your roof
and stare at the pavement?
i imagine my body on the ground
am i a good person?

i recall my hands around your throat
in the darkness of our hole
the colors are all muddy now
my angry footprint on your mouth

do you want to sit on a hill
and fall down with me?
we could make more coffee
or just fall back asleep

 

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publicado por stipe07 às 17:38

Twin Oaks – Animal & Clarity

Domingo, 04.01.15

Sedeado em Los Angeles, na Califórnia, Twin Oaks é um projeto de dream pop formado pela dupla Lauren Brown e Aaron Christopher, dois amigos do liceu que resolveram formar uma banda que retrata e expõe sentimentos fortes e genuínos com uma atitude sonora que privilegia o minimalismo instrumental e o bom gosto no modo como criam melodias que nos transportam para um universo doce e  contemplativo envolvido por uma voz terrivelmente delicada e sedutora.

Animal e Clarity é o mais recente lançamento da dupla, um single com dois temas feitos com letras carregadas de nostalgia e melancolia e com detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem algo sombria pelo mundo tímido destes Twin Oaks, cuja estética sonora não defrauda minimamente os verdadeiros apreciadores da dream pop mais letárgica e melancólica. Confere...

Twin Oaks - Animal - Clarity

01. Animal
02. Clarity

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publicado por stipe07 às 15:37

Broncho – Just Enough Hip To Be Woman

Sábado, 03.01.15

Oriundos de Oklahoma, os norte americanos Broncho são um trio formado por Ryan Lindsey, Nathan Price e Ben King. Num disco que é uma verdadeira alegoria à boa disposição e um apelo descarado à dança, estes três músicos exemplares convidam-nos a embarcar numa viagem aos período aúreo do rock e conseguem apresentar algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, com a tríade baixo, guitarra e ateria a tomar as rédeas do processo de construção melódica.

What, o tema de abertura do álbum, indicia desde logo o restante conteúdo e funciona como um convincente convite à festa, que só termina, como seria de esperar, com toda a gente muito feliz, em China. O extraordinário single Class Historian e Deena são dois verdadeiros clássicos do clássico rock que David Bowie comeou a aperfeiçoar na Berlim dos anos setenta e que depois aprimorou na década seguinte em Londres e essa toada glam cheia de charme e groove torna-se ainda mais evidente quando se escutam as guitarras a rugir ainda mais alegremente em Stay Loose, uma canção que destaca a energia do punk dos anos oitenta e uma das minhas preferidas do álbum, em oposição, pore exemplo, a uma sonoridade mais surf pop em Stop Tricking.

Num trabalho que marca a diferença por ser feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical carregada de emoção, cor e rebeldia, ainda há espaço para a psicadelia que exala um forte odor sensual em Taj Mahal, um tema que me encheu as medidas, assim como a abordagem mais experimental no fuzz de NC-17 e de I’m Gonna Find Out Where He’s Atduas canções menos diretas e incisivas, mas com um registo de tal modo rico em arranjos e ruídos e que, impressionando também pelo experimentalismo instrumental que contêm, evidenciam a elasticidade e a capacidade dos Broncho em reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano de destaque, sendo sempre o indie rock orelhudo a ditar as leis.

Escuta-se a sequência It's On e Kurt, em pleno ocaso de Just Enough Hip To Be Woman, para se ficar plenamente convencido que o velho fulgor anguloso e elétrico do rock’n’roll fica em boas mãos quando bandas como estes Broncho tomam as rédeas e arriscam num espetro sonoro cheio de referências e onde abundam diariamente as mais diferentes propostas não sendo fácil sobressair e conseguir um lugar ao sol. Estes Broncho merecem um lugar de destaque porque obedecem integralmente à toada revivalista e plena de luz que um som assente em guitarras cheias de distorção, um baixo vigoroso e uma bateria livre de amarras exige, como prova esta coleção irrepreensível de canções com uma modernidade e atualidade absolutas, com um pulsar textural muito intenso e viciante, embora umbilicalmente ligadas ao período aúreo do rock alternativo, que ditou leis em finais do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Broncho - Just Enough Hip To Be Woman

01. What

02. Class Historian
03. Deena
04. Stay Loose
05. NC-17
06. I’m Gonna Find Out Where He’s At
07. Stop Tricking
08. Taj Mahal
09. It’s On
00. Kurt
11. China

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publicado por stipe07 às 23:36

Cave People - Older EP

Sexta-feira, 02.01.15

Oriundos de Scranton, mas agora sedeados em Filadélfia, os norte americanos Cave People são liderados por David Tomaine e estrearam-se nos lançamentos discográficos com Older, um EP que viu a luz do dia a nove de dezembro último, por intermédio da Stereophonodon, onde poderás encomendar o lindíssimo exemplar do lançamento, em formato cassete.

Cave People by Gabrielle Elizabeth Photography

Depois de terem divulgado Cluster, o tema que abre o EP, estes Cave People ficaram logo na retina desta publicação, por causa dos sons inéditos que sustentam o tema, com a guitarra a ter a primazia no processo de construção melódica, particularmente virada para o clássico rock norte americano, mas também a explorar com algum ênfase aquela pop que contém referências mais etéreas e que passam também um pouco pela música experimental.

Brace, a terceira canção do alinhamento de Older, é outro dos seus destaques e comprova que estes Cave People, além de escreverem letras que apontam diretamente ao âmago e nos conquistam com a sua profunda sensibilidade e delicadeza (Hope you don’t see me when no one sees me because that’s the person I try to hide), sonoramente também conseguem alargar o seu leque de influências, já que neste caso apostam no lado mais sentimental do punk, apontado também ao rock alternativo dos anos oitenta, dominado por guitarras joviais, uma bateria crua e potente e um baixo vibrante.

Em suma e como também está registado em Lather, uma canção lenta mas cheia de detalhes preciosos, ao longo do alinhamento de Older acaba por existir um cruzamento entre a leveza onírica da dream pop e o cariz mais rugoso que carateriza do rock alternativo, mas sem descurar a presença de outros espetros sonoros. Falo de canções que crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, com uma toada épica e aberta, mas que não deixam de conter igualmente um particular teor nostálgico. Confere...

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publicado por stipe07 às 23:06


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