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Archive – Restriction

Quarta-feira, 21.01.15

Os Archive, um colectivo britânico formado em 1994 por Darius Keeler e Danny Griffiths, estão de regresso aos discos no início de 2015, através da PIAS Recordings, com Restriction, o sucessor de With Us Until You're Dead (2012) e Axiom (2014) e décimo álbum de estúdio de um projeto responsável por alguns dos mais marcantes discos do panorama alternativo dos últimos vinte anos, com destaque para o Londinium de 1996 e Noise de 2004.

Nestas duas décadas os Archive tornaram-se talvez no nome maior da vertente mais sombria e dramática do trip hop. Este Restriction foi produzido por Jerome Devoise, um colaborador de longa data da banda e se With Us Until You're Dead e Axiom trilhavam caminhos que iam da electrónica à soul, passando pela pop de câmara, agora os Archive colocaram as guitarras na linha da frente, ampliaram o volume das distorções e, mesmo sendo um disco que vive essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, que a mesma pode criar, foi acrescentada uma toada mais orgânica, ruidosa e visceral. É deste cruzamento espectral e meditativo que Restriction vive, com doze canções algo complexas, mas bastante assertivas.

Feel It, um dos singles do álbum e Restriction, o tema homónimo, abrem o disco e surpreendem pelo modo como as guitarras, o baixo e a bateria seguem a sua dinâmica natural, mesmo tendo a companhia sempre atenta do sintetizador, que não deixa de rivalizar com o conjunto, mas sem nunca ofuscar o protagonismo da tríade, que conduz os temas para uma faceta mais negra e obscura, tipicamente rock, esculpindo-os com cordas ligas à eletricidade, ao mesmo tempo que a banda exibe uma consciente e natural sapiência melódica.

Kid Corner, outro single já lançado do disco, segue a toada inicial, mas a replicar um certo travo industrial, que a belíssima voz de Holly Martin aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais. End Of Our Days vem quebrar esse ímpeto inicial, uma canção que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha, que se repete um pouco adiante, em Black And Blue, um registo quase à capella, onde esta mesma voz é acompanhada por um orgão e um efeito de uma guitarra que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia.

Esta lindíssima viagem às pastosas aguas turvas em que mergulha a eletrónica dos Archive ganha contornos de excelência em Third Quarter Storm, um mundo de paz e tranquilidade que nos embala e acolhe de modo reconfortante, proporcionando uma sensação de bem-estar e tranquilidade que nem um potente efeito sintetizado desfaz. O tema faz-nos descolar ao encontro da soul do piano de Half Built Houses, uma canção cheia de imagens evocativas sobre o mundo moderno e encarna o momento alto do trabalho de produção feito em Restriction e o já habitual modo como os Archive conseguem dar vida a belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

A escrita deste grupo britânico carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria, mas onde geralmente nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e a conjugação entre exuberância e minimalismo prova a sensibilidade dos Archive para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana.

Restriction avança, sem dó nem piedade, com as músicas quase sempre interligadas entre si e em Ride In Squares somos novamente confrontados com um excelente trip hop, de contornos algo sombrios e sinistros, mas bem vincados, feitos com camadas de efeitos sintéticos em cima de uma batida potente e certeira, numa espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, impregnadas com uma melodia bastante virtuosa e cheia de cor e arrumada com arranjos meticulosos e lúcidos.

Até final, se é o típico trip hop ácido e nebuloso que conduz Crushed, que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por teclados atiçados com efeitos metálicos e um subtil efeito de guitarra, já em Ladders Ruination é o rock progressivo feito com uma bateia e um baixo vibrantes e guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Greater Goodbye, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada.

Restriction é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. É um tratado de fusão entre indie rock, electrónica e outros elementos progressivos, que piscam o olho ao jazz, ao hip-hop e à soul, com pontes brilhantes entre si e com momentos de maior intensidade e outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, de modo honesto e coerente. Os Archive sempre seguiram uma linha sonora complexa e nunca recearam abarcar variados estilos e tendências musicais, mantendo sempre uma certa integridade em relação ao ambiente sonoro geral que os carateriza. Restriction tem alma e paixão, é fruto de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...

Archive - Restriction

01. Feel It
02. Restriction
03. Kid Corner
04. End Of Our Days
05. Third Quarter Storm
06. Half Built Houses
07. Ride In Squares
08. Ruination
09. Crushed
10. Black And Blue
11. Greater Goodbye
12. Ladders

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publicado por stipe07 às 22:16

Split Screens - Meeker Hollow (Video oficial)

Quarta-feira, 21.01.15

Oriundo dos arredores de Nova Iorque, mas agora em São Francisco, na Califórnia, Split Screens começou por ser um projeto a solo saido da mente criativa do músico Jesse Cafiero (I started Split Screens as a solo project, to explore the tension between what we are and what we want to be) sendo o nome Split Screens inspirado na técnica cinematográfica que te permite visulizar na tela dois acontecimentos que sucedem em simultâneo em dois locais diferentes, o que, de certa forma, é coerente com o ideário que mais inspira Jesse e que o próprio justifica acima e também descreve a sua música que tanto vagueia pela pop de pendor mais comercial, como outras vertentes mais experimentais que não renegam o próprio blues e o jazz.

Depois de em setembro do último ano Jesse Cafiero ter dado a conhecer Before The Storm, o último longa duração dos Split Screens, agora, no início de um novo ano, surpreende com um novo vídeo de um tema, o filme de Meeker Hollow, o lado b de The Sinner, um single editado pelo projeto em março do ano passado.

O vídeo, com uma forte componente vintage, é bastante interessante e original já que usa imagens retiradas de um filme da Nasa datado de 1963, num resultado final que surpreende e que merece a nossa mais dedicada visualização. O conceito criado e desenvolvido acaba por se aliar na perfeição com a componente sonora de Meeker Hollow, uma belíssima canção, conduzida por um piano inspirado e luminoso, ao qual se vão adicionando diferentes fragmentos sonoros, adocicados na forma de arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida não só pelas cordas mas também pela percussão, tudo envolto com a pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste projeto, que tem criado um alinhamento consistente de canções, carregadas de referências assertivas. Confere... 

 

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publicado por stipe07 às 18:32

Toro Y Moi - Empty Nesters

Quarta-feira, 21.01.15

Toro Y Moy é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009, onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras.

Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This, de 2010 e compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado. No ano seguinte, em 2011, surgiu Underneath The Pine, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início de 2013 pela Carpark Records.

Agora, dois anos depois, já há finalmente sucessor. What For? vai ver a luz do dia a quatro de abril, na sua editora de sempre e, pelo avanço já divulgado, pisca o olho à hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao disco sound dos anos oitenta, fruto da recente relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, além de se aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins.

Confere Empty Nesters, o primeiro avanço divulgado de What For? e a tracklist do álbum...

01 “What You Want”
02 “Buffalo”
03 “The Flight”
04 “Empty Nesters”
05 “Ratcliff”
06 “Lilly”
07 “Spell It Out”
08 “Half Dome”
09 “Run Baby Run”
10 “Yeah Right”

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publicado por stipe07 às 13:59






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