man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Le Rug - Swelling (My Own Worst Anime)
Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records, um nome importante do cenário indie punk local e que integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf, Rasputin's Secret Police ou Medics. A banda Le Rug é a sua nova aposta e Press Start (The Collection) a primeira coleção de canções que apresentou ao mundo, no passado dia dezassete de junho, por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Apesar deste novo projeto chamado Le Rug, Weiss tem tido um ano de 2014 complicado; Os Butter the Children separaram-se, o músico viu-se igualmente confrontado com o fim de uma relação amorosa, a luta permanente contra os sintomas de bipolaridade que sofre, algumas tendências suicidas e, finalmente, a solidão. Todos estes contratempos não afetaram a enorme veia criativa do músico que passou uma temporada por Banguecoque, na Tailândia, onde acabou por compôr algumas canções. Por isso, os Le Rug, que também vão terminar a carreira em breve, segundo o que afirma Weiss, já têm pronto o seu segundo e último disco, o sucessor de Press Start (The Collection).
O novo trabalho dos Le Rug chama-se Swelling (My Own Worst Anime), foi editado em formato digital e cassete a dois de dezembro, podendo ser já encomendado através da editora. Este é um álbum que gira em redor de conceitos tão sombrios como a morte, o cinismo e as separações amorosas. Dudley foi o primeiro avanço divulgado do disco, tendo sido também tornado público o respetivo video, que foi gravado em Banguecoque e realizado por Gary Boyle. Entretanto, a pouco mais de uma semana do lançamento do álbum, Le Rug tinha apresentado mais duas canções do alinhamento, Dipshit e Birth Control, que confirmaram as expetativas anteriores. Se a frenética Dipshit é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca e o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante, já Birth Control dá vida ao tal desejo do músico de dizer adeus a uma vida que ultimamente lhe tem sido madrastra (I believe in birth control because the world is already full and everyone wants to die).
Disponivel para audição gratuita, Swelling (My Own Worst Anime), usa e abusa da simbiose entre garage rock, pós punk e rock clássico. O alinhamento está recheado com uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. São onze canções com um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar de alguns momentos mais contemplativos e intrincados, como What's Best For Glenn e da especificidade rugosa do som que carateriza Le Rug, notavelmente expresso, por exemplo, no experimentalismo progressivo de Hotline e Optional Discharge.
Portentosa e assente nos já habituais riffs da guitarra que vincam o ADN de Weiss, esta amálgama sonora, que inicialmente se estranha e depois entranha-se rapidamente, sobrevive muito bem a audições repetidas, incita várias reações físicas e prende o nosso ouvido a algo incomum mas visceralmente sedutor. Espero que aprecies a sugestão...
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Modest Mouse – Lampshades On Fire

Strangers To Ourselves, o novo disco do produtor, músico e compositor nova iorquino Modest Mouse irá ver a luz do dia a três de março do próximo ano, através da Epic Records e irá interromper um hiato de sete anos, já que é o primeiro álbum da carreira deste artista após o extraordinário We Were Dead Before The Ship Even Sank (2007).
Lampshades On Fire é o primeiro single divulgado do novo álbum de Modest Mouse e o pronúncio de um disco que irá marcar certamente a primeira metade do próximo ano. Confere...
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Damon Albarn And The Heavy Seas – Live At The De De De Der
O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn, personagem central da pop britânica das últimas duas décadas, regressou este ano aos discos em nome próprio e em grande estilo com Everyday Robots, um trabalho que viu a luz do dia a vinte e oito de abril e um belíssimo compêndio de doze canções produzidas por Richard Russell e lançadas por intermédio da Parlophone, que entraram diretamente para o top dos melhores discos de 2014 para este blogue.

A quinze e dezasseis de novembro últimos, Damon Albarn deu dois excelentes espetáculos no mítico Royal Albert Hall, em Londres, com a particularidade de terem sido gravados pelos técnicos dos estúdios de Abbey Road e terem ficado imediatamente disponíveis para venda após cada um dos concertos. Além dos The Heavy Seas, a banda que acompanha Albarn em estúdio e ao vivo, os concertos contaram com as participações especiais de Brian Eno, De La soul, Kano e Graham Coxon, seu parceiro nos Blur.
Escutar estes dois concertos permite-nos fazer uma visita guiada sobre toda a herança sonora essencial que Damon Albarn nos deixou, principalmente nas duas últiams décadas, num alinhamento que contém temas dos Gorillaz, dos The Good The Bad And The Queen, dos Blur, Mali Music e, obviamente, do seu projeto a solo, com destaque para o mais recente e acima citado Everyday Robots.
Falar de Damon Albarn como artista a solo e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou os The Good The Bad and The Queen é algo impossível e Live At The De De De Der transpira a tudo aquilo que Albarn idealizou e criou nestes projetos, com canções que vale bem a pena escutar num formato mais cru e orgânico, umas mias despidas e outras notavelmente enriquecidas e que, desse modo, ganham uma outra personalidade.
Albarn é, por excelência, um minimalista viciado pelos detalhes, uma contradição apenas aparente e que se torna ainda mais audível no modo como, ao vivo, este artista viciado em tecnologia, mas também apaixonado pela natureza orgânica de um enorme espetro de instrumentos e permanentemente inquieto e numa pesquisa constante sobre o modo como os pode tocar, transborda modernidade, juntamente com uma extraordinária sensação de proximidade com o público, a que não será também alheio o facto de ter-se feito sempre acompanhar por outros músicos extraordinários, mesmo nunca tendo deixado de ser o protagonista maior de todas as bandas e projetos que criou.
Impecavelmente produzido e conseguindo transpirsar todas aquelas boas sensações que distinguem um espetéculo ao vivo das versões de estúdio, Live At The De De De Der é absolutamente fundamental para quem quiser rever o cardápio de um músico que é, antes de tudo, um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Em palco o coração traiçoeiro de Albarn converte-se num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de um amor que o liberta definitivamente de algumas das amarras que filtrou ao longo do seu percurso musical e, sem deixar completamente de lado a melancolia que, como ele tão bem mostra, tem também um lado bom, diante de um público entusiasta e que o venera, empenha-se em mostrar-nos que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, por mais que esteja amarrada à ditadura da tecnologia, pode ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...
CD 1
01. Spitting Out The Demons
02. Lonely Press Play
03. Everyday Robots
04. Tomorrow Comes Today
05. Slow Country
06. Kids With Guns
07. Three Changes
08. Bamako City
09. Sunset Coming On
10. Hostiles
11. Photographs (You Are Taking Now)
12. Kingdom Of Doom
13. You And Me
14. Hollow Ponds
CD 2
01. El Manana
02. Don’t Get Lost In Heaven
03. Out Of Time
04. All Your Life
05. End Of A Century
06. The Man Who Left Himself
07. Tender
08. Mr. Tembo
09. Feel Good
10. Clint Eastwood
11. Heavy Seas
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Dum Dum Girls - On Christmas

Como é já hábito, no início de dezembro a iniciativa Converse Rubber Tracks começa a divulgar os temas que fazem parte da sua compilação anual. Essa sequência de lançamentos diária, que podes acompanhar na página da iniciativa, ocorre nos primeiros dias do últimos mês do ano e conta com a participação de bandas e projetos do universo alternativo de relevo. Este ano, os GRLMN, os Deer Trick, que estão a comemorar dez anos de carreira, ou as Dum Dum Girls, além dos IamSU!, Michael Christmas e Torreblanca, são cabeças de cartaz de um alinhamento com canções relacionadas com a época de Natal, sempre disponíveis para download gratuito.
Depois de ter partilhado o contributo dos Deer Trick, com a canção White Havoc e Before December (You're Alive) dos GRMLN, assim como as canções de IamSU! e Michael Christmas, chegou agora a vez das Dum Dum Girls e On Christmas, uma canção produzida por Kurt Feldman dos Ice Choir e que contém a habitual pop sintetizada que as carateriza. Confere...
Noise To The World 2 also features people like Deer Tick and IamSu!; check it out here.
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Dirt Dress - Revelations EP

Ativos desde 2007, ano em que se estrearam com o EP Theme Songs, os norte americanos Dirt Dress vêm de Los Angeles, na Califórnia e têm no indie rock a sua força motriz, uma sonoridade que não é inédita, mas que, neste caso, é feita com enorme originalidade, já que o grupo tem uma forma muito própria de conjugar a guitarra com os sintetizadores, como ficou particularmente explícito em Donde La Vida No Vale Nada, o último trabalho do trio, editado em novembro de 2012. Agora, estão de regresso com mais quatro canções, ensacadas num EP intitulado Revelations, que viu a luz do dia a dezoito de novembro, por intermédio da Future Gods.
Twelve Pictures foi o primeiro tema do EP divulgado pelos Dirt Dress e logo aí percebeu-se que vivem muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte. O breve interlúdio feito com um saxofone, as guitarras e a voz, levam-nos de volta aos primórdios do punk de cariz mais lo fi, em plena década de setenta e onde não falta aquele travo do surf pop psicadélico, numa canção que também comprova o elevado grau de emotividade e de impressionismo que o projeto coloca nas suas letras (I’ve cut myself so deep I’ve seen my muscles bleed).
O clássico rock sombrio e visceral, misturado com o punk e o surf rock mais obscuro, são, portanto, o grande referencial sonoro do grupo, mas também a pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. Assim, a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza, são amenizadas por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas e por uma utilização assertiva do sintetizador.
Além de Twelve Pictures, temas como Skin Diving e, principalmente, Silk Flowers, plasmam um superior cuidado não só na procura de uma diversidade melódica e até instrumental, mas também na demonstração de controle das operações, mas sem deixar que isso ofusque o charme exalado pelo universo cinzento e nublado que cobre a mente criativa do coletivo. Isso também é conseguido no modo como as canções aconchegam a voz, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que lhe dá uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica.
Interessantes no modo como dissecam uma já clássica relação estreita entre o rock de garagem, a pop lo fi e o punk psicadélico e exímios na forma como colocam na voz o tal cariz algo sombrio que tão bem os carateriza, em Revelations os Dirt Dress apresentam-nos quatro canções cheias de estilo, tão enevoadas como a penumbra que rodeia o próprio grupo, mas também tão luminosas como só as bandas que sabem ser eficazes à sombra das suas próprias regras conseguem ser. Espero que aprecies a sugestão...
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Sunbears! - Wonderful Christmas Time

Oriundos de Jacksonville, na Flórida e formados por Jonathan Berlin, Jared Bowser, Walter Hill e Jordan Allen Davis, os norte americanos Sunbears! apostam no indie rock psicadélico, amplo, luminoso e orquestral.
Há alguns dias divulguei a minha crítica a Future Sounds, o mais recente trabalho dos Sunbears!, por sinal um disco que vai direitinho e com todo o mérito, para o top ten daqueles que eu considero serem os melhores álbuns de 2014 e, pelos vistos, como modo de agradecerem tão ilustre nomeação por parte de uma publicação tão presitigada mundialmente como é Man On The Moon, resolveram compôr um tema de Natal e oferecer a todos os seus fãs.
Wonderful Christmas Time é, portanto, a canção de Natal dos Sunbears! e, com seria de esperar, tem um conteúdo sonoro embutido numa aúrea psicadélica vintage, luxuriante e orquestral, com forte sentido melódico e um experimentalismo que se saúda sempre, principalmente quando se tenta gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, como é claramente o caso destes Sunbears!, pelos vistos capazes de compôr um tratado sonoro tão autêntico e intenso como o Natal que se aproxima. Confere...
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Rocco DeLuca – Rocco DeLuca
Natural de Silver Lake, na Califórnia, Rocco DeLuca lançou no passado mês de agosto Rocco DeLuca, um disco homónimo e produzido por Daniel Lanois que, com um pomposo alinhamento de onze músicas, aposta numa pop e num indie rock que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo. Este é um trabalho diversificado, acessível, com melodias orelhudas e que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada.

A toada ritmada, enigmática e cheia de groove de Colors Of The Cold, o single já retirado do disco, faz-nos, de imediato, procurar perceber porque é que ao mesmo tempo que damos por nós a abanar as pernas ao ritmo da música e a tentar perceber porque é que uma pop tão orelhuda e exuberante tem de se apresentar perante nós com um grau de exigência particularmente elevado. De seguida, sentimos a necessidade de procurar uma clara perceção da mensagem que o tema nos transmite. A música de Rocco DeLuca é mesmo assim, comunica connosco implacavelmente, não permite qualquer sentimento de indiferença e consegue cativar com notória facilidade.
A percussão de Free e as cordas de Feather And Knife, dois verdadeiros opostos e a folk introspetiva de Everything Hurts e Thief And The Moon surpreendem apenas quem não estiver disposto a aceitar a essência de um disco que sobrevive na procura de diferentes caminhos, sem nunca resvalar numa perigosa monotonia, já que o grau qualitativo dos arranjos, que incluem alguns sopros e metais algo implícitos, é o grande suporte de uma sonoridade que nos coloca lado a lado com alguns dos melhores fundamentos daquilo que define o som caraterístico de uma América profunda, sempre sedenta de novos e diferentes espetros sonoros e, ao mesmo tempo, muito ciosa das suas raízes. Se o falsete de Rocco e a eletrificação da guitarra em Congregate são um excelente exemplo do modo como este músico e compositor consegue criar um claro clima nostálgico, sem descurar a criação de sons inteligentes e solidamente construídos, já a percussão e o dedilhar de The World (Part 1) emerge-nos no particular universo nativo em pleno mojave, que, curiosamente, apesar do pó que levanta, provoca um suor que exala um certo erotismo, que se sentem novamente quando em Through Fire a batida sincopada, muito bem acompanhada por uma linha melódica sintetizada deliciosa e uma guitarra encorpada, fazem dessa canção uma festa pop, psicadélica e sensual.
Este cruzamento assertivo entre um certo blues e a pop mantém-se até ao final do alinhamento, com o sintetizador a ter, finalmente, o protagonismo que merece em Two Bushes, outro exemplo que prova que este artista norte americano coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.
A música de Rocco DeLucca aposta nesta relação simbiótica, feita com o simples dedilhar da guitarra acomodada pelo baixo e por um sintetizador aveludado que se esconde atrás dos ritmos, para a criação de canções que procuram ser orelhudas, de assimilação imediata e fazer o ouvinte despertar as suas pretensões emotivas, porque é tudo conjugado de uma forma simples, mas eficaz.
Rocco DeLuca é um compêndio musical fresco e luminoso, com substância e onde cabem todos os sonhos, criado por um músico impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos fazer refletir. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, não há lugar para a amargura e o sofrimento e o que transborda das canções são mensagens positivas e sedutoras. Rocco DeLuca é exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável, com um otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. O disco impressiona não só pela produção musical, mas principalmente porque sustenta uma áurea de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que este Rocco DeLuca é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

01. Colors Of The Cold
02. Free
03. Feather And Knife
04. Congregate
05. Everything Hurts
06. The World (Part 1)
07. Through Fire
08. Thief And The Moon
09. Two Bushes
10. Will Strike
11. Simple Thing
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OLD - Dude

Oriundas de Malmö, as suecas OLD são uma das novas referências da etiqueta Adrian Recordings, uma editora importante no universo sonoro nórdico e que contém nomes tão importantes como os Yast, VED, Hey Elbow, Andreas Tilliander e The Bear Quartet, entre outros.
Editado no passado dia dez de dezembro, Dude é o novo single das OLD, que contém ainda uma segunda versão da canção da autoria de Vanessa Liftig, uma produtora natural de Gotemburgo que, por exemplo, recentemente trabalhou com os consagrados Wu Tang Clan. Esta canção vem na sequência de vários concertos e de aturado trabalho de estúdio das OLD com o produtor Joakim Lindberg, nos estúdios Studio Möllan em Malmö, o que significa que 2015 trará um novo EP, que tem neste tema Dude o seu primeiro avanço. Recordo que as OLD estrearam-se no início deste ano nos lançamentos com o animado single Knee Hang Gang, ao qual se seguiu um EP com quatro canções intitulado Old Ladies Die Young. Confere...
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Deerhoof - La Isla Bonita
Os Deerhoof são uma banda rock de São Francisco, formada por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier e estão de regresso aos discos com mais dez canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hop, riffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela chama-se La Isla Bonita e viu luz do dia a três de novembro através da Polyvinyl Records.

Impressionado pelos Deerhoof quando escutei, há uns dois anos Breakup Song, aguardava com confessada expetativa um novo trabalho deste coletivo norte americano que, em abono da verdade, não defraudou as minhas expetativas mais otimistas. Nos Deerhoof, quanto maior for a sensação de caos e confusão nos nossos ouvidos, maior é a vontade que se tem de elogiar a sua música e em La Isla Bonita aquele lixo sonoro, completamente metefórico, que achei sublime em Breakup Song, mantém os seus altíssimos padrões qualitativos, com a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de energia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres, a ser, ainda por cima, aquele detalhe que não nos faz hesitar em qualquer instante relativamente ao desejo de escutar este trabalho com frequência e de o balizar com natural louvor.
Em La Isla Bonita há rumba e synthpop, rock e hip hop, guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas e xilofones, uma praga de instrumentos que nos consomem e Matsuzaki ao megafone em Big House Waltz, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção e dela se liberte uma energia que nos impele ao movimento indiscriminado. Apesar de o disco conter também belos momentos melódicos, com especial destraque para Mirror Monster, a estrutura caótica, barulhenta e tematicamente reinvindicativa de Paradise Girl é um excelente exemplo do poder de diversão que a música pode ter e, numa banda que, imagine-se, vai já no décimo terceiro trabalho da carreira e conseuge sempre ser, em simultâneo, familiar e surpreendeente, esta vitalidade no modo como se vai constantemente reinventando, ficando tão bem plasmada logo na abetrura de um alinhamento e, já agora, em Exit Only, o primeiro tema ecolhido para single do disco, comprova que dificilmente os Deerhoof têm concorrência á altura no modo como se servem das guitarras distorcidas de Ed Rodriguez e John Dieterich, do baixo sincopado e da constante alternância entre as células rítmicas da bateria de Greg Saunier, particularmente assertiva na já referida Big House waltz, para instaurar um clima caótico que, tendo pontos de encontro com diferentes estilos, é no punk experimental que encontra o porto seguro para quem quiser defini-los de modo mais balizado. Paradise Girls é também uma boa canção para se perceber o modo como os Deerhoof conseguem manter intacta a sua ideologia e, simultaneamente, abraçarem o inedetismo, mas Last Fad e Doom também cumprem essa dupla função com grande relevância.
Em La Isla Bonita, os Deerhoof mostram-se mais roqueiros e pesados, mas mantêm, a vitalidade habitual, expressa naquela capacidade de experimentar e de compor sem alienar o ouvinte, assim como o espírito que os fez avançar no universo sonoro alternativo, sempre numa posição de merecido destaque, tanto para quem aprecia sonoridades mais comerciais, como para aqueles que procuram algo diferente e profundamente intrincado, psicadélico e até nebuloso. O póprio título do disco, que nos remete, como já terão todos percebido, para o maior sucesso da rainha da pop, é apenas e só um exemplo claro e feliz desta apenas aparente contradição e deste posicionamento a meio caminho entre dois extremos, a verdadeira zona de conforto deste coletivo californiano. Espero que aprecies a sugestão...
01 Paradise Girls
02 Mirror Monster
03 Doom
04 Last Fad
05 Tiny Bubbles
06 Exit Only
07 Big House Waltz
08 God 2
09 Black Pitch
10 Oh Bummer
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ScotDrakula- Break Me Up

Os ScotDrakula são Matt Neumann (guitarra, voz), Evianne Camille (bateria, voz) e Dove Bailey (baixo, voz), três jovens músicos australianos, oriundos de Melbourne, que gostam de misturar cerveja com o rock de garagem e darem assim asas à devoção que sentem pela música e pela cultura punk.
Já a dezasseis de dezembro será disponibilizado fisicamente, em formato cassete, Burner, o novo disco do grupo, assim como um EP intitulado Break Me Up, com ambas as edições a serem alvo de revisão muito em breve neste blogue e a poderem ser já encomendadas através da insuspeita e espetacular Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.
Depois de Stupid Everything, o primeiro avanço que o grupo disponibilizou do disco gratuitamente, agora chegou a vez de os ScotDrakula facultarem o tema homónimo do EP, outra excelente porta de entrada para um universo sonoro feito com guitarras carregadas de fuzz, uma percussão vibrante e ritmada e uma postura vocal jovial e com um encanto lo fi que inicialmente se estranha, mas que depois, rapidamente se entranha. Confere...
