Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2014

Michael Stipe voltou a cantar em público.

Michael Stipe 12/29/14

Pouco mais de três anos após a separação dos R.E.M., dois anos e poucos dias após a última aparição vocal em público, com Chris Martin no evento The Concert For Sandy Relief, em doze de dezembro de 2012 e poucos dias apos ter anunciado no programa da cadeia de televisão norte american da CBS This Morning que iria voltar a cantar em público e talvez em breve, (I will sing again... Not soon … maybe … I don’t know), eis que Michael Stipe voltou a cantar. Fê-lo há dois dias, na abertura de um concerto da sua amiga Patti Smith, no Webster Hall de Nova Iorque.

Stipe cantou seis temas; New Test Leper, um dos meus temas preferidos de New Adventures In Hi-Fi e Saturn Return, canção que faz parte do alinhamento de Reveal. Os outros quatro temas foram covers, destacando-se a do single Hood de Perfume Genius, um artista que Stipe já elogiou publicamente várias vezes e Lucinda Williams, uma canção escrita pelo cantor e compositor Vic Chesnutt. Confere...

SETLIST:
01 “Lucinda Williams” (Vic Chesnutt cover)
02 “Theme From New York, New York” (Frank Sinatra/Liza Minnelli cover)
03 “Wing” (Patti Smith cover)
04 “Saturn Return”
05 “Hood” (Perfume Genius cover)
06 “New Test Leper

 


autor stipe07 às 16:44
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014

Wilco – What’s Your 20? Essential Tracks 1994-2014 (2014)

Os Wilco são uma banda de rock alternativo liderada pelo carismático Jeff Tweedy, natural de Chicago, no Illinois. Formaram-se em 1994 tendo como ponto de partida a banda de country alternativo Uncle Tupelo e enquanto não regressam ao estúdio para gravar mais alguns originais, resolveram editar, através da Nonesuch Records, What’s Your 20? Essential Tracks 1994-2014Alpha Mike Foxtrot: Rare Tracks 1994-2014, uma caixa com quatro discos que contêm nada menos que setenta e sete temas, incluindo raridades, remisturas e gravações ao vivo, que darei conta num outro artigo em breve.

Depois de terem lançado The Whole Love, o oitavo disco de originais, através da dBpm Records, há cerca de dois anos, os Wilco acharam que seria altura de revisitar a carreira de modo exaustivo e What’s Your 20? Essential Tracks 1994-2014 fá-lo com elevado acerto através de um alinhamento que deixa pouca margem para crítica. O amor, a paixão e as suas travessuras, nas quais se incluem críticas mais ou menos veladas a uma América contemporânea cada vez menos socialmente justa e refém dos seus medos, sempre foram temáticas bastante importantes para Jeff Tweedy que, servindo-se dos Wilco, sempre surpreendeu pelo modo como foi diversificando a sua abordagem a estes conceitos ao longo de duas décadas. Do repentismo sincero e inconsciente de Wilco A.M., ao trato leve e sublime em Sky Blue Sky, passando pela imersão em vários psicoativos sentimentais em Yankee Hotel Foxtrot, ou fazendo uma primeira súmula de como sentem e vibram com sentimentos tão intensos, tentada em The Whole Love, os Wilco nunca conseguiram, felizmente, a desejada caricatura definida e, quanto a mim bem, acharam ser a hora de agregar todas as referências internas presentes na sua discografia, para nos oferecer de mão beijada um verdadeiro tratado sonoro, com os trinta e oito melhores momentos de uma história, às vezes barulhenta e intensa, outras mais introspetiva e carregada de soul.

Denominador comum que trespassa todos os oito discos documentados nesta coletânea é o cariz experimental e fortemente melódico de um grupo que geralmente sustentou as suas criações em magníficos arranjos de cordas, sempre acompnhados por uma percussão coerente e intuitiva e detalhes tão charmosos como xilofones, outros metais, ou as teclas de um piano, um forte entusiasmo lírico e, principalmente, uma notável disponibilidade para nos fazerem pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz.

Há muitas bandas em relação às quais, devido à consistência e linearidade sonora da sua carreira, merecem todos os elogios que possam ser dispensados e os Wilco, mesmo não tendo estado particularmente dispostos, ao longo da carreira, a grandes inflexões sonoras, também devido à forte liderança de Jeff Tweedy, sempre agradaram e contam no seu cardápio com alguns verdadeiros clássicos e referências do indie rock alternativo contemporâeno. What's Your 20? Essential Tracks 1994-2014 é uma bela forma que este coletivo de Chicago arranjou de saldar contas, reavivar memórias e paixões, em vinte anos onde por inúmeras vezes foram capazes de nos pôr a dançar e fazer vibrar grandes multidões, assim como também conseguiram ser certeiros no modo como criaram temas com uma elevada carga melancólica e introspetiva, capazes de derreter o coração mais conformado. Espero que aprecies a sugestão...

Wilco - What's Your 20 Essential Tracks 1994-2014

CD 1
01. I Must Be High
02. Box Full Of Letters
03. Passenger Side
04. Casino Queen
05. Misunderstood
06. Red-Eyed And Blue
07. I Got You (At The End Of The Century)
08. Monday
09. Outtasite (Outta Mind)
10. Sunken Treasure
11. California Stars
12. Hesitating Beauty
13. A Shot In The Arm
14. Cant Stand It
15. Shes A Jar
16. Im Always In Love
17. How To Fight Lonliness
18. Via Chicago
19. Airline To Heaven

CD 2
01. I Am Trying To Break Your Heart
02. Im The Man Who Loves You
03. War On War
04. Jesus, Etc
05. Ashes Of American Flags
06. Heavy Metal Drummer
07. Hummingbird
08. Theologians
09. Handshake Drugs
10. The Late Greats
11. Hate It Here
12. Impossible Germany
13. Walken
14. Wilco (The Song)
15. You And I
16. You Never Know
17. I Might
18. Born Alone
19. Whole Love


autor stipe07 às 17:14
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Astari Night - The Boy Who Tried

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Os Astari Nite são uma banda norte americana de Miami, na Flórida, formada por Mychael Ghost (voz), Illia Tulloch (bateria), Michael Setton (guitarra) e M. Sallons (baixo). Depois de no início deste ano ter revelado Stereo Waltz, o último longa duração do grupo, agora, no ocaso de 2014, divulgo The Boy Who Tried, o primeiro avanço para Eponymous, um EP que a banda irá lançar muito em breve.

Produzido por Josh Rohe, The Boy Who Tried assenta num som progressivo com tonalidades típicas do rock mais gótico e da eletrónica cheia de tiques da darkwave, sendo esta a habitual atmosfera sonora dos Astari Night. O rema está disponível gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Confere...


autor stipe07 às 12:03
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2014

The Smashing Pumpkins – Monuments To An Elegy

Foi a nove de Dezembro que chegou ao nosso sapatinho Monuments To An Elegy, o nono e novo álbum dos The Smashing Pumpkins de Billy Corgan, mais uma tentativa desta banda fundamental do rock alternativo das últimas três décadas de regressar aos bons e velhos tempos. Produzido pelo próprio Billy Corgan e por Howard Willing e Jeff Schroeder, Monuments To An Elegy é a segunda parte de um trabalho concetual com três tomos, iniciado com Oceania, sendo o terceiro Day for Night, o décimo trabalho dos The Smashing Pumpkins e que deverá ver a luz do dia já em 2015, o capítulo final de um projeto  intitulado Teargarden by Kaleidyscope, inspirado no Tarot e que pretende ser um álbum conceptual, com quarenta e quatro canções no total.

Com críticas que o colocam entre o melhor e o menos bom que os The Smashing Pumpkins já produziram até hoje, já que é frequentemente comparado a uma mescla entre Siamese Dream e o antecessor Oceania, um trabalho que até nem era, na minha opinião, um mau disco, Monuments To An Elegy é mais um claro sinal de vida de um músico que sendo lider incontestado de um grupo cujos membros têm sempre, inevitavelmente, de se adaptar ao seu líder, procurou desta vez tentar agradar aqueles que na década de noventa consideraram os The Smashing Pumpkins como uma banda essencial na sua banda sonora fundamental.

Os pouco mais de trinta minutos de Monuments To An Elegy são, portanto, uma mistura entre os melhores detalhes do rock alternativo da década de noventa, com algumas das atuais tendências, com o sintetizador de Run2Me a ser apenas um exemplo claro deste novo fôlego de quem pretende não renegar as suas origens e mostrar-se competente na abordagem a uma contemporaneidade que exige mestria para encaixar devidamente no seu ADN sonoro.

Com a participação especial de Tommy Lee na bateria, Monuments To An Elegy contém letras interessantes e apelativas, com o lamento sentido de Drums Plus Fife a ser a mais curiosa de um disco onde a temática do amor mais inocente e puro opôe-se às ideias de raiva e angústia que dominaram a escrita de Corgan durante muito tempo e que sempre encaixaram como uma luva na sua voz, mais espontânea e ingénua neste trabalho. O registo num quase falsete que Corgan canta em Dorian e que eu apreciei particularmente, nem parece o de um músico maduro e experimentado, mas de um novato que procura o melhor modo de se encaixar no arsenal instrumental que selecionou e que, neste caso, mistura, de modo assertivo, uma certa simplicidade com uma dose equilibrada de experimentalismo que as guitarras pesadas de Tiberius e One And All (We Are), o groove da dançante e soturna Anaise, a energia de Monuments e o clima mais pop de Being Beige e da já citada Run2Me, claramente demonstram.

Impecavelmente produzido, Monuments To An Elegy é um disco curto, mas ousado  no modo como procura fazer com que os The Smashing Pumpkins se tornem novamente relevantes, sendo louvável o modo como Corgan procurou reunir em nove canções amostras de todas as vidas que já viveu na banda que lidera, com um resultado coeso e que se escuta com particular interesse. Espero que aprecies a sugestão...

The Smashing Pumpkins - Monuments To An Elegy

01. Tiberius
02. Being Beige
03. Anaise!
04. One And All
05. Run2me
06. Drum Plus Fife
07. Monuments
08. Dorian
09. Anti-Hero


autor stipe07 às 16:47
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Domingo, 28 de Dezembro de 2014

Thom Yorke – Youwouldn’tlikemewhenI’mangry

Thom Yorke - Youwouldn'tlikemewhenI'mangry

Depois de em setembro último Thom Yorke ter-nos surpreendido, praticamente sem avisar, com o lançamento de Tomorrow’s Modern Boxes, agora, quase no ocaso de 2014, o músico britânico voltou a repetir a experiência com o lançamento de um novo single intitulado Youwouldn’tlikemewhenI’mangry.

Nesta canção, dominada por um sintetizador hipnótico e planante, Thom mostra-se com a habitual melancolia que tantas vezes suporta a sua música, com um registo vocal sussurrante e uma batida que convida à introspeção profunda, remetendo-nos de imediato para a herança da eletrónica orgânica que os Radiohead propuseram em Kid A ou The King Of Limbs e também no projeto paralelo Atoms For Peace.

Recordo que Tomorrow’s Modern Boxes foi lançado através do formato BitTorrent Bundle, onde cada um de nós podia fazer o download do álbum por cinco euros e o download do single gratuitamente. E esta experiência resultou já que o álbum foi descarregado mais de dois milhões de vezes logo após o lanamento e, de acordo com Yorke, Youwouldn’tlikemewhenI’mangry serve para continuar a testar novos formatos de lançamento.

Assim sendo, Youwouldn’tlikemewhenI’mangry foi lançado no Bandcamp e o download pode ser feito pelo preço que quiseres. Confere...


autor stipe07 às 19:42
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Sábado, 27 de Dezembro de 2014

Os melhores discos de 2014 (10-01)

10 - Black Whales - Throught The Prim, Gently

Há uma farta beleza utópica nas composições dos Black Whales, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Throught The Prim, Gently esbanja todo o esmero e a paciência do quarteto em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop psicadélica e rock progressivo.

Black Whales - Through The Prism, Gently

01. Spilt Personalities
02. Avalon
03. The Warm Parade
04. Are You The Matador
05. Red Fantastic
06. Come Get Immortalized
07. No Sign Of Life
08. O Fortuna
09. Do You Wanna Dance?
10. You Don’t Get Your Kicks
11. Tiny Prisms
12. Metamorphosis

9 - Foxygen - ...And Star Power

Deliciosamente arrojado e mal acabado, ...And Star Power é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento de vinte e quatro canções nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen, uma banda com uma identidade muito própria e um sentido melódico irrepreensível. Numa dupla que primeiro se estranha, mas depois se entranha, é um impressionante passo em frente quando comparado com os registos anteriores, num disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado.

I: The Hits & Star Power Suite
Star Power Airlines
How Can You Really
Coulda Been My Love
Cosmic Vibrations
You & I
Star Power I: Overture
Star Power II: Star Power Nite
Star Power III: What Are We Good For
Star Power IV: Ooh Ooh
II: The Paranoid Side
I Don’t Have Anything / The Gate
Mattress Warehouse
666
Flowers
Wally’s Farm
Cannibal Holocaust
Hot Summer
III: Scream: A Journey Through Hell
Cold Winter / Freedom
Can’t Contextualize My Mindi
Brooklyn Police Station
The Game
Freedom II
Talk
IV: Hang On To Love
Everyone Needs Love
Hang

8 - You Can't Win Charlie Brown - Diffraction/Refraction

Diffraction / Refraction é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos You Can't Win Charlie Brown para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que eles combinam com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. No que diz respeito à escrita, uma espécie de fantasmagoria impregna a poesia das canções, por isso Diffraction / Refraction recordou-me também tempos idos, sonhos e aquelas pessoas especiais que não estão mais entre nós, mas que ficaram fotografadas por uma máquina em tudo semelhante à da capa na nossa memória.

1 - After December
2 - Fall For You
3 - Post Summer Silence
4 - Be My World
5 - I Wanna Be Your Fog
6 - Shout
7 - Natural Habitat
8 - Heart
9 - From Her Soothing Mouth
10 - Under
11 - Won’t Be Harmed

7 - Parquet Courts - Sunbathing Animal

Independentemente de todas as referências nostálgicas que Sunbathing Animal possa suscitar, o que importa reter é o seu conteúdo musical e a verdade é que neste trabalho os Parquet Courts apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida.

01 Bodies
02 Black and White
03 Dear Ramona
04 What Color Is Blood
05 Vienna II
06 Always Back in Town
07 She's Rollin
08 Sunbathing Animal
09 Up All Night
10 Instant Disassembly
11 Duckin and Dodgin
12 Raw Milk
13 Into the Garden

6 - Sunbears! - Future Sounds

Future Sounds contém um cardápio instrumental bastante diversificado e prova que os Sunbears! entram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispor para criar música. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção e estes norte americanos conseguem-no com uma quase pueril simplicidade, ao mesmo tempo que mostram capacidade para reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje para nos oferecer. Assim, Future Sounds é um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, um caldeirão sonoro feito por um coletivo que sabe melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo.

Sunbears! - Future Sounds

01. Future Sounds

02. He’s a Lie! He’s Not Real!
03. I’m Feelin’ Low
04. Don’t Take Too Many Things
05. Overspiritualized
06. How Do You Go Forward??
07. Now You’re Gone
08. I Dreamed a Dream (That I Dreamt You)
09. Laughing Girl!
10. A Sad Case of Hypersomnia
11. Love (Breaks All Sadness)

5 - Teleman - Breakfast

Este disco consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que são uma das melhores surpresas de 2014.

Teleman - Breakfast

01. Cristina
02. In Your Fur
03. Steam Train Girl
04. 23 Floors Up
05. Monday Morning
06. Skeleton Dance
07. Mainline
08. Lady Low
09. Redhead Saturday
10. Travel Song

4 - Ty Segall - Manipulator

Manipulator é o ponto alto da carreira de Ty Segall e um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico.

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around

3 - Damon Albarn - Everyday Robots

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente a sempre a convergir para a soul, Albarn entregou-se à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, havendo, neste disco, vários exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo da mesma.

Damon Albarn - Everyday Robots

01. Everyday Robots
02. Hostiles
03. Lonely Press Play
04. Mr Tembo
05. Parakeet
06. The Selfish Giant
07. You And Me
08. Hollow Ponds
09. Seven High
10. Photographs (You Are Taking Now)
11. The History Of A Cheating Heart
12. Heavy Seas Of Love

2 - Beck - Morning Phase

O Beck que antes brincava com o sexo (Sexx Laws) ou que gozava com o diabo (Devil's Haircut) faz agora uma espécie de ode à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e da country. A receita é extremamente assertiva e eficaz e Morning Phase reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Fica claro em Morning Phase que Beck ainda caminha, sofre, ama, decepciona-se, e chora, mas que vive numa fase favorável e tranquila.

Beck - Morning Phase

01. Morning
02. Heart Is A Drum
03. Say Goodbye
04. Waking Light
05. Unforgiven
06. Wave
07. Don’t Let It Go
08. Blackbird Chain
09. Evil Things
10. Blue Moon
11. Turn Away
12. Country Down

1 - The Antlers - Familiars

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Familiars é mais um tiro certeiro na carreira deste trio de Nova Iorque e talvez o melhor álbum dos The Antlers até ao momento, não só por causa destas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional.

The Antlers - Familiars

01. Palace
02. Doppelgänger
03. Hotel
04. Intruders
05. Director
06. Revisited
07. Parade
08. Surrender
09. Refuge

 


autor stipe07 às 21:58
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014

Os melhores discos de 2014 (20-11)

20 - Chad Van Gaalen - Shrink Dust

Shrink Dust é um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos. Um passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da mortalidade, mas que até convida às pistas de dança, sem nunca se entregar ao exagero, até porque é explícita a toada experimental que ocupa este compêndio folk de enorme beleza espacial.

Chad VanGaalen - Shrink Dust

01. Cut Off My Hands
02. Where Are You?
03. Frozen Paradise
04. Lila
05. Weighed Sin
06. Monster
07. Evil
08. Leaning On Bells
09. All Will Combine
10. Weird Love
11. Hangman’s Son
12. Cosmic Destroyer

19 - Coldplay - Ghost Stories

Ghost Stories é um álbum real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes.

Coldplay - Ghost Stories

01. Always In My Head
02. Magic
03. Ink
04. True Love
05. Midnight
06. Another’s Arms
07. Oceans
08. A Sky Full of Stars
09. O
10. All Your Friends
11. Ghost Story
12. O (Part 2/Reprise)

18 - The Horrors - Luminous

Luminous é um nome feliz para um disco que apesar de ter ainda muito presente a guitarra de Joshua a dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante com a secção rítmica, aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos que criam um álbum simultaneamente denso e dançável, um compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários e apoteótico.

The Horrors - Luminous

01. Chasing Shadows
02. First Day Of Spring
03. So Now You Know
04. In And Out Of Sight
05. Jealous Sun
06. Falling Star
07. I See You
08. Change Your Mind
09. Mine And Yours
10. Sleepwalk

17 - She Sir - Go Guitars

Go Guitars é um excelente disco e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. É que se há projetos que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência, os She Sir provam já a sua maturidade na capacidade que demonstram em mutar a sua música e adaptá-la a um público ávido de novidades, que tenham algo de novo e refrescante e que as faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o seu gosto pela música alternativa.

She Sir - Go Guitars

01. Portese

02. Kissing Can Wait
03. Bitter Bazaar
04. Warmwimming
05. Mania Mantle
06. Winter Skirt
07. Snakedom
08. He’s Not A Lawyer, It’s Not A Company
09. Condensedindents
10. Continually Meeting On The Sidewalk Of My Door

16 - Elbow - The Take Off And Landing Of Everything

Os Elbow acertaram novamente e criaram mais um disco bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os desabafos de Garvey em relação ao que mudou na sua vida e na dos seus colegas, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. The Take Off And Landing Of Everything é a banda sonora ideal para essa paragem momentânea que, para tantos, deveria ser obrigatória.

Elbow - The Take Off And Landing Of Everything

01. This Blue World

02. Charge
03. Fly Boy Blue / Lunette
04. New York Morning
05. Real Life (Angel)
06. Honey Sun
07. My Sad Captains
08. Colour Fields
09. The Take Off And Landing Of Everything
10. The Blanket Of Night

15 - Temples - Sun Structures

Os Temples são mestres a criar canções onde a intimidade centra-se no baixo e na guitarra, feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência do rock muito britânico. Há aqui uma clara aposta em melodias contagiantes e esta banda parece ser mais experiente do que o seu tempo de existência, tal é o grau de maturidade que já demonstram na estreia. Também por causa deles, o indie rock psicadélico, no reino que o viu nascer, está vivo e recomenda-se.

Temples - Sun Structures

01. Shelter Song
02. Sun Structures
03. The Golden Throne
04. Keep In The Dark
05. Mesmerise
06. Move With The Season
07. Colours To Life
08. A Question Isn’t Answered
09. The Guesser
10. Test Of Time
11. Sand Dance
12. Fragment’s Light

14 - Childhood - Lacuna

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no eletropsicadelismo.

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise

13 - Warpaint - Warpaint

Warpaint é para as Warpaint um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a paisagem que as rodeou durante o período de gestação.

Warpaint - Warpaint

01. Intro
02. Keep It Healthy
03. Love Is To Die
04. Hi
05. Biggy
06. Teese
07. Disco//Very
08. Go In
09. Feeling Right
10. CC
11. Drive
12. Son

12 - Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

Time Is Over One Day Old é uma sucessão de dez canções onde a psicadelia pretende hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Simultaneamente criativos e coerentes, os Bear In Heaven mostram-se particularmente experimentais na forma como deram vida a um trabalho tipicamente rock, onde persiste uma vincada relação entre o vintage e o contemporâneo, mas que será melhor compreendido no futuro próximo, à medida que for mais dissecado. Enquanto tal não sucede, resta-nos começar viajar e a delirar, quanto antes, ao som das suas canções.

Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

01. Autumn

02. Time Between
03. If I Were To Lie
04. They Dream
05. The Sun and The Moon And The Stars
06. Memory Heart
07. Demon
08. Way Off
09. Dissolve The Walls
10. You Don’t Need The World

11 - Fink - Hard Believer

Hard Believer é um trabalho rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O disco tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Fin sabe, melhor do que ninguém, como encaixar.

Fink - Hard Believer

01. Hard Believer

02. Green And The Blue
03. White Flag
04. Pilgrim
05. Two Days Later
06. Shakespeare
07. Truth Begins
08. Looking Too Closely
09. Too Late
10. Keep Falling

 


autor stipe07 às 18:42
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Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

Swings - Heavy Manner & Pale Trinity

Swings - "Heavy Manner"

Oriundos de Tenleytown, nos arredores de Washington, os norte americanos Swings são um trio que aposta com firmeza no rock alternativo, nomeadamente aquele post-rock que fez furor na última década do século passado, com arranjos crus e um certo cariz lo fi, que não renega um ligeiro travo hardcore.

Após terem editado alguns EPs, que podes escutar no bandcamp do projeto, o disco de estreia, Detergent Hymns, vai chegar aos escaparates a dezassete de janeiro, via Quiet Year Records e já há dois temas do álbum que podemos escutar, Heavy Manner e Pale Trinity, ambos disponíveis gratuitamente no soundcloud do grupo. As duas canções vivem de guitarras angulares, feitas com distorções e aberturas distintas, mas similares no baixo cheio daquele groove punk, com os Swings a colarem todos os elementos melódicos, através da bateria, com uma coerência exemplar. Confere...


autor stipe07 às 18:17
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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014

BSO - Natal 2014

O blogue Man On The Moon deseja a cada um dos seus leitores e amigos um grande e feliz Natal e que o sapatinho de todos contenha aquele desejo mais secreto que cada um guarda certamente dentro de si!


autor stipe07 às 10:22
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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

Blueneck – Night Of The Meek EP

Os britânicos Blueneck acabaram de editar um novo trabalho intitulado King Nine, através da Denovali Records e, aproveitando a embalagem e o período natalício, gravaram Night Of The Meek, um EP com versões de quatro verdadeiros clássicos de Natal.

Esta banda de Bristol é já um nome consensual e consagrado no universo do rock progressivo europeu e este EP, disponivel para download gratuito no bandcamp dos Blueneck, é uma excelente prenda que oferecem aos seus fãs e a todos aqueles que procuram bandas sonoras e canções um pouco diferentes para alegrarem aquela que é a noite mais especial do ano.

Sem colocarem em causa a integridade dos originais, os Blueneck esmeraram-se no modo como revisitaram os quatro temas, adicionando-lhes alguns arranjos que são intrínsecos à sonoridade do grupo e dando assim um cunho muito próprio a quatro canções que são obrigatórias nesta altura do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Blueneck - Night Of The Meek

01. Driving Home For Christmas
02. Blue Christmas
03. Silent Night
04. White Christmas


autor stipe07 às 21:09
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A Jigsaw - Have Yourself A Merry Little Christmas

1943 foi o ano que viu nascer a canção Have Yourself A Merry Little Christmas escrita por Hugh Martin. No entanto, seria necessário aguardar mais um ano até que a canção fosse apresentada pela primeira vez na voz da actriz Judy Garland no filme "Meet Me in St Louis".

Os a Jigsaw escolheram gravar esta canção para o Natal de 2014 como tributo aos 70 anos decorridos da sua primeira exibição, que em nada diminuíram a magia desta pérola.

Convidaram o colaborador e amigo de longa data Luis Belo (que desenhou o artwork do seu álbum "Drunken Sailors & Happy Pirates") para a criação/edição do vídeo com que é apresentada agora esta canção.

 


autor stipe07 às 18:23
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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Los Campesinos! - A Los Campesinos! Christmas

Los Campesinos! - A Los Campesinos Christmas

Los Campesinos! são uma banda de indie pop formada por sete amigos em 2006 que se conheceram e começaram a tocar na universidade de Cardiff, no país de Gales, com a curiosidade de nenhum dos membros ser natural desse país. O coletivo já é presença habitual por cá e nos lançamentos relacionados com esta quadra festiva, com destaque para A Doe To A Deer, um tema que disponibilizaram na sua página ogficial no natal de 2012.

Agora, em 2014, foram mais longe e compuseram um EP de seis canções relacionado com este período do ano e onde se inclui além de originais do grupo, uma cover do clássico Lonely This Christmas de Mud, datado de 2000.

Apesar do cariz concetual do trabalho, os Los Campesinos! mantiveram nos temas a génese do seu ADN sonoro, que privilegia o mergulho em sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica. Assim, este EP está carregado de composições puras encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza. É um álbum límpido onde todas as composições parecem intimamente ligadas, criando assim uma coleção de canções ao mesmo tempo acessíveis e radiofónicas, mas também imbuídas dos habituais arranjos que distinguem composições sonoras relacionadas com o Natal, como convém aliás. Espero que aprecies a sugestão...

Los Campesinos! - A Los Campesinos! Christmas

01. When Christmas Comes

02. A Doe To A Deer
03. The Holly And The Ivy
04. Kindle A Flame In Her Heart
05. The Trains Don’t Run (It’s Christmas Day)
06. Lonely This Christmas

 


autor stipe07 às 21:43
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Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Scarlet Chives - This Is Protection

Oriundos de Copenhaga e formados por Maria Mortensen, Brian Batz, Peter Esben, Rasmus Lindahl e Daniel Kolind, os dinamarqueses Scarlet Chives regressaram este ano aos discos com This Is Protection, um trabalho que viu a luz do dia a dez de setembro, através da Riot Factory e que sobrevive graças ao típico indie pop nórdico, assente em melodias alimentadas por texturas eletrónicas sintetizadas com um elevado pendor shoegaze, que dão vida a letras geralmente sombrias e com elevado cariz introspetivo, que conseguem ser para os Scarlet Chives um veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente os invade, até porque falam muito da necessidade que todos temos de nos proteger dos outros e, principalmente, dos nossos próprios medos.

As canções dos Scarlet Chives localizam-se, muitas vezes, entre o sono e o estado de consciência, não só por causa do esplendor instrumental, mas, principalmente, por serem adornadas pela belíssima voz de Maria Mortensen, que num registo em tudo semelhante a uma diva chamada Kate Bush, consegue facilmente transmitir-nos praticamente todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. Maria consegue olhar para o interior da nossa alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, ajudada por melodias que exploram uma miríade alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe.

A melancolia é um conceito vital e preponderante para os Scarlet Chives e está claramente plasmada não só nessa voz inconfundível, mas também nas nas notas do piano e do sintetizador, nos efeitos e numa percussão que, sendo muitas vezes vigorosa, não prejudica a perceção clara daquele momento em que se dorme, mas se está também acordado. Mesmo na sequência proposta por Sohn e Others Are The Force, em que o grupo pisca o olho ao rock progressivo e embala para uma espiral ruidosa que parece querer fugir, a qualquer instante, do mais absoluto controle, há um evidente equilíbrio sonoro, que permite as sensações típicas de um sono calmo coabitar com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser.

Canções como a sensual Hunting, a claustrufóbica The Rooms Are Too Small, o inquietante single Timber Will Fall, a sedutora Bigger Than The Tall, e a melancólica Some Days Stay, comprovam que estamos perante um coletivo maduro e assertivo, que parece apostado em sair um pouco do casulo instrospetivo e da timidez que tantas vezes enclausura os projetos provenientes do norte da Europa, já que consegue recriar um ambiente sonoro luminoso, colorido e expansivo, mas que não descura a essência enigmática e sombria que alicerça o seu ADN. Espero que aprecies a sugestão...

Scarlet Chives - This is Protection (2013)

01 Hunting 5:08
02 The Rooms Are Too Small 4:22
03 Timber Will Fall 4:43
04 Bigger Than The Tall 3:38
05 Sohn 6:22
06 Others Are The Force 2:58
07 Show The Rest 4:24
08 Some Days Stay 5:34
09 Lift 4:29
10 Eyes Go Dim 6:27


autor stipe07 às 18:52
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Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Stumbleine - Infinite Overcast

Depois de em dezembro de 2013 Stumbleine ter editado o EP Things Don't Sparkle Like they Used To, agora, sensivelmente um ano depois, este músico britânico está de volta com Infinite Overcast, uma coleção de nove novas canções, disponivel no seu bandcamp gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pela mesma.

Infinite Overcast é mais um compêndio de canções com a habitual sensibilidade rara que este músico cria, verdadeiros achados que merecem a maior divulgação possivel, não só porque a eletrónica em que Stumbleine aposta tem uma vertente mais calma, melódica e clássica do que habitual, ou seja, é algo inédita, possui uma sua bela voz que casa muito bem com as viagens climáticas e etéreas que compôe.

Infinite Overcast são então novas canções, algumas delas apenas instrumentais, que criam ambientes etéreos e lo fi, através de sons misteriosos, samples vocais e batidas sintetizadas. Às vezes sente-se alguma soul, numa toada chillwave e shoegaze que podes obter por um preço simbólico no Bandcamp da banda, assim como a restante discografia de um projeto que acho que vale a pena conhecer e conferir.

Stumbleine - Infinite Overcast

01. Adora Skyline

02. Thawn
03. Skeksis
04. Abacus
05. Exit Sandman
06. The Great Flood
07. Camber (Feat. Steffaloo)
08. Brunette


autor stipe07 às 22:24
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

ScotDrakula - Burner & Break Me Up EP

Os ScotDrakula são Matt Neumann (guitarra, voz), Evianne Camille (bateria, voz) e Dove Bailey (baixo, voz), três jovens músicos australianos, oriundos de Melbourne, que gostam de misturar cerveja com o rock de garagem e darem assim asas à devoção que sentem pela música e pela cultura punk. No passado dia dezasseis foi disponibilizado fisicamente, em formato cassete e num único exemplar, Burner, o novo disco do grupo, no lado a, assim como um EP intitulado Break Me Up, no lado b, com a edição a poder ser encomendada através da insuspeita e espetacular Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Para ouvir e apreciar os ScotDrakula é necessário ter fé, sentir a luz do alto e ter a mente aberta e livre de qualquer ideia pré concebida relativamente a um hipotético encontro imediato com canções detentoras de artifícios sonoros intrincados e alicerçados numa receita demasiado complexa. Percebe-se, logo que inicia a audição, que da percussão vibrante de Ain't Scared ao baixo de Burner!, passando pela distorção que orienta Little Jesus, um tema clássico no que diz respeito à conexão feliz entre o fuzz de uma guitarra e a secção rítmica vitaminada que encorpora o rock psicadélico dos anos sessenta, estes nove temas são, apenas e só, mais uma excelente porta de entrada para um universo sonoro feito com guitarras carregadas de fuzz, uma percussão vibrante e ritmada e uma postura vocal jovial e com um encanto lo fi que inicialmente se estranha, mas que depois, rapidamente se entranha.

A maior parte destas canções vive da intimidade psicadélica que se estabelece no baixo e na guitarra, uma conexão algumas vezes com uma toada visceral algo sensual, como se percebe na crueza vintage de Doors & Fours e de Dynopsykism, mas feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência de um rock que nos convida para uma viagem no tempo, do passado ao presente, através de uma banda contagiante e que parece ser mais experiente do que o seu tempo de existência, tal é o grau de maturidade que já demonstra. O hipnotismo desenfrado que se pode conferir em CrazyGoNuts é uma autêntica ode à revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock clássico que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Burner & Break Me Up tem uma forte ligação com o passado e se tivermos a capacidade de confiar nestes ScotDrakula e deixarmos que eles nos mostrem que são também o caminho, a verdade e a vida, conseguimos facilmente viajar e delirar ao som das suas canções. Apreciar o verdadeiro rock clássico é também uma questão de fé e este trio australiano sabe o caminho certo para nos guiar até uma feliz, renovada e efetiva conversão. Espero que aprecies a sugestão.


autor stipe07 às 18:28
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The Road Chief - Our First Christmas

The Read Chief - "Our First Christmas"

Mark Mcguire costuma fazer música assinando como The Road Chief e Our First Christmas é o seu novo single, um tema de Natal que Mark oferece aos seus seguidores e nada mais nada menos que uma cover de um original de Alexander O'Neal de 1986.

Com a contribuição de Rachel Waterhouse na voz e produzido pelo próprio McGuire, o single com um lado b intitulado You Were Meant To Be My Lady (Not My Girl) e as duas canções mantêm o clima pop fortemente sintetizado que costuma caraterizar as canções de The Road Chief. Confere...


autor stipe07 às 16:07
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

Mile Me Deaf - Holography

Oriundos de Viena, os austríacos Mile Me Deaf regressaram em 2014 aos discos com Holography, um trabalho que viu a luz do dia no início de maio e que podes escutar no bandcamp do grupo, onde está igualmente disponível toda a sua discografia, podendo ser adquirido através da Siluh Records.

Um músico chamado Wolfgang Möstl é o lider destes Mile Me Deaf, sendo ele quem escreve e compôe a maioria das canções. No entanto, não se trata propriamente de um projeto a solo até porque ao vivo os Mile Me Deaf apresentam-se como um conjunto coeso, com vários músicos e que não sofre grandes alterações desde 2008, ano em que se estrearam nos lançamentos.

Quanto à música e a este disco em particular, os Mile Me Deaf são exemplares no modo como sugerem um rock de garagem, cru e lo fi, exemplarmente replicado em canções como Science Fiction, o sensual rock de cabaret de True Blood, o grunge de Cryptic Boredom Rites e em Out Of Breath At Ego Death, este último um tema algo inédito no alinhamento já que nele coexiste uma relação frutuosa entre a distorção da guitarra e da voz, com uma bateria acelerada, algo que remete a canção para o experimentalismo punk, que se estende para Domestics, no caso da voz e também para o fuzz psicadélico de Motor Down, plasmado na relação progressiva que, neste caso, se estabelece entre o baixo e a bateria.

No entanto, os Mile Me Deaf também não descuram paisagens sonoras mais amenas, com a indie pop descomprometida que temas como o single Artificial ou a divertida War Bonding, claramente comprovam. A primeira é um dos grandes destaques de Holography, uma canção com uma tonalidade muito vincada e onde Wolfgang consegue, através da voz, envolver-nos numa elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.

Holography são doze canções onde a herança dos anos oitenta e do rock alternativo da década seguinte estão bastante presente e com o processo de construção melódica a não descurar uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica, o que só abona a favor deste projeto austríaco que contém uma forte componente nostálgica, mas também algo descomprometida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:12
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Leapling - Silent Stone

Leapling - Vacant Page

É já a dez de fevereiro que chega aos escaparates via Inflated/Exploding In SoundVacant Page o novo disco do projeto nova iorquino Leapling, que já pode ser encomendado.

Este quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione já tinha divulgado Crooked, o primeiro single de Vacant Page, há algumas semanas e agora chegou a vez da promissora Silent Stone, uma magnífica canção que que flutua entre o indie rock mais anguloso e aquele que aposta num forte cariz experimental, já que no tema, além de um maravilhoso falsete, sobressai uma percussão com um elevado pendor jazzístico. Vacant Page promete ser um dos lançamentos mais interessantes do início de 2015 e eu cá estarei para analisar cuidadosamente o disco. Confere... 


autor stipe07 às 17:40
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

Canopies - Maximize Your Faith

Foi a nove de dezembro, através da Forged Artifacts, que chegou aos escaparates Maximize Your Faith, o primeiro longa duração dos norte americanos Canopies, um coletivo do Milwaukee, no Wisconsin, que se estreou em maio de 2011 com um EP homónimo e que constrói paisagens sonoras verdadeiramente deslumbrantes, sempre com a synth pop e uma elevada dose de psicadelia a orientarem o processo de composição.

Assim que foi divulgado Choose Your Own Adventure, o primeiro avanço para Maximize Your Faith, uma canção que vive de uma linha de guitarra inebriante e à volta da qual borbulham detalhes e efeitos inspirados, percebeu-se, desde logo, que estes Canopies orbitram em redor do indie rock de cariz mais melódico e que aposta no revivalismo de outras épocas. Este é o código genético de uma banda fiel aos princípios que estiveram na génese da sua formação e Maximize Your Faith tresanda essa honestidade desde o início, como se percebe na toada épica e luminosa de Getting Older, ampliada por um sintetizador que conduz a canção e impregnado com uma forte componente vintage.

Como se percebe, logo a seguir, na dança que se estabelece entre a guitarra e os teclados de New Memories, ou, mais adiante, nos efeitos do teclado que borbulham em The Year Of Jubilee, o disco também exala uma apreciável veia experimentalista, com a adição destes detalhes que vão sendo disparados ao longo das canções e fazerem balançá-las entre o indie rock luminoso e épico e aquela toada mais sensível e sombria, que o rock alternativo dos anos oitenta ajudou a disseminar e que as guitarras e a percurssão do baixo e da bateria de The Plunderers And The Pillagers ou de Enter Pure / Exit Pure também replicam, revisitam e resumem.

A voz parece ser um trunfo importante para os Canopies, já que não descola de um elevado e constante grau de emotividade que é colocada na interpretação que, ao longo do disco, evidencia uma elevada elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um significativo plano de destaque.

Recheado de sensações positivas, plasmadas em temas expansivos e, ao mesmo tempo, imbuídas por um forte caráter intimista, Maximize Your Faith são dez canções dominadas pelo rock festivo e solarengo, mas onde a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem, quase sempre, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona pelo charme vintage. Os riffs de guitarra harmoniosos e a percurssão vincada de temas como Sparkle And Hum e Miss You Now, além de outros já citados, abrem-nos uma janela imensa de luz e cor e convidam-nos a espreitar para um mundo envolvido por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial, que está sempre presente durante os cerca de quarenta minutos que dura o disco. Espero que aprecies a sugestão...

Canopies - Maximize Our Faith

01. Getting Older
02. New Memories
03. The Plunderers And The Pillagers
04. Enter Pure / Exit Pure
05. Miss You Now
06. Choose Yer Own Adventure
07. The Year Of Jubilee
08. Sparkle And Hum
09. All That’s Left Is All We Need
10. Deliverance


autor stipe07 às 14:15
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Wild Beasts – Soft Future / Blood Knowledge

O quarteto britânico Wild Beasts regressou em 2014 aos discos com o excelente Present Tense e, quase no ocaso do ano, acaba de revelar um single com dois temas, que resultam de uma parceria com um ilustrador francês, natural de Paris, chamado Mattis Dovier. Juntos criaram uma história interativa, da qual fazem parte os dois lados do single, um trabalho incluído no projeto The Jameson Works.

Soft Future é o primeiro tema instrumental do cardápio sonoro da banda e está disponivel para download gratuíto. Quanto a Blood Knowledge, continua a mostrar uns Wild Beasts apostados em mergulhar num universo que abrange alguns elementos específicos das novas propostas que vão surgindo no campo da dream pop. Confere...

Wild Beasts - Soft Future - Blood Knowledge

01. Soft Future
02. Blood Knowledge


autor stipe07 às 14:10
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