Domingo, 30 de Novembro de 2014

VLMA - VLMA

Os VLMA (pronuncia-se Velma) são uma dupla norte americana oriunda de Ellicot City, no estado de Maryland, formada por Travis Kuncl (voz e baixo) e Alex Velle (guitarra). Apostam num indie rock lo fi de garagem, com fortes ligações ao grunge, com os Nirvana, por exemplo, a serem uma influência assumida, mas também os Fidlar ou os Mudhoney. VLMA é o trabalho mais recente da dupla, um disco homónimo editado a vinte e oito de outubro, em formato digital e em cassete, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

VLMA são oito canções cheias de guitarras carregadas de riffs poderosos, cheios de fuzz e distorção, mesmo na balada Flies. É um trabalho que tem todos os ingredientes que um disco deve conter para não passar despercebido e fazer mossa em todos aqueles que apreciam o rock que começou a surgir na década de sessenta e o grunge, que para uns é um género próprio e para outros uma derivação mais crua e alternativa do rock e que fez escola no início da última década do século passado. Mas além do rock clássico e do grunge, o punk também é aqui um elemento essencial, não só no cariz lo fi e cru da produção, como na voz, sempre intensa e visceral, de Travis.

Num alinhamento enérgico e gravado e produzido de modo totalmente analógico, sem recurso a computadores, apenas com a ajuda de uma máquina caseira de reverbs e um gravador de cassetes Otari mx5050, com cerca de trinta anos, além dos instrumentos, os VLMA não complicam e incorporam acordes e ditorções e ritmos rápidos, detalhes sonoros que entram facimente na nossa mente, arrepiam a espinha e que dão vontade de gritar, dançar e deitar cá para fora toda a energia acumulada.

Thumb Bucket Slime são os dois maiores destaques de VLMA, principalmente o primeiro tema, que sobrevive  numa espécie de mistura entre grunge e blues, mas os restantes temas não se afastam da toada. Aliás, todo o disco parece ter sido gravado de uma só vez, como se tivesse resultado de uma longa e ininterrupta jam session; As próprias interrupções que se escutam, as pausas e quebras de ritmos, dão uma maior ideia de autenticidade ao trabalho e a perceção que estamos perante o próprio grupo a tocar enquanto escutamos o álbum. Frequentemente o ritmo acelera, o amplificador bate facilmente o red line e uma vontade compulsiva de mochar invade-nos instantaneamente. No entanto, impressiona o virtuosismo dos músicos e nota-se que, além de serem excelentes intérpretes, existe uma enorme empatia e sincronização no seio dos VLMA.

Em VLMA e nos VLMA há atitude e talento. Estamos na presença de dois músicos exímios e capazes de nos levar numa viagem sonora enérgica e que nos permite perceber e sentir o que de melhor se faz atualmente no campo do rock. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:22
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Sábado, 29 de Novembro de 2014

I Love You But I’ve Chosen Darkness – Dust

Em 2006, os I Love You But I've Chosen Darkness, uma banda norte americana oriunda de Austin, no Texas, estreou-se nos discos com Fear Is On Our Side, um compêndio de rock sombrio e com um elevado pendor gótico. Depois disso nunca mais deram notícias nem lançaram qualquer trabalho. Agora, oito anos depois, estão de regresso com Dust, uma coleção de dez canções que viu a luz do dia no passado mês de outubro através da Secretly Canadian, produzida por Paul Barker.

Banda com um dos nomes mais curiosos de sempre, os I Love You But I've Chosen Darkness criam um clima sonoro que nos leva numa viagem espiritual, convidando-nos a usufruir de instantes que não deixando de ser ruidosos, assentam num excelente registo introspetivo que mostra muito do código genético de um projeto que tem colado a si, como seria de esperar, o indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte, com nomes como os Joy Division, os The Chameleons, ou os Cure à cabeça. O single Faust, a canção que abre o disco com notável vigor e convicção, mostra uns I Love you But I've Chosen Darkness entalhados numa forte teia emocional amargurada, mas também dançável e luminosa, não faltando outros exemplos de canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, casos da melancólica Stay Awake ou de The Sun Burns Out, temas que transportam consigo uma considerável carga emocional, à qual é difícil ficar indiferente.

Acaba por ser com a maior naturalidade que se confere em Dust boas letras e belíssimos arranjos, assentes numa guitarra jovial, pulsante e disponível a criar diferentes efeitos, um baixo vigoroso e uma percussão diversificada e sempre pronta a dar o andamento certo ao clima e à mensagem que cada tema exala. Escuta-se a bateria em 69th Street Bridge e procura-se estabelecer uma comporação com a sua performance no single do álbum ou em The Sun Burns Out e fica claro a ampla capacidade das baquetas em abarcar diferentes ritmos e abraçar uma postura interpretativa diversificada.

Estes I Love You But I've Chosen Darkness são um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com algum teor introspetivo, como Heat And Up ou Safely, ou a experimental You Are Dead To Me, mas também verdadeiros hinos de estádio, como são Come Undone e Walk Out, esta uma canção onde a guitarra melhor transmite a sua forte personalidade e a capacidade altíssima que esta banda possui de conduzir e projetar melodicamente diferentes arranjos e distorções.

Dust é um álbum pleno de sentimento, com uma carga emotiva muito específica. Instrumentalmente faz uma verdadeira ode às cordas eletrificadas, com variações, ruídos e efeitos variados e, desse modo, ao indie rock expressivo e anguloso, neste caso muito bem produzido e sem lacunas, transversal a várias épocas e espetros sonoros e que ganha vida através de um alinhamento concebido com elevada coerência e sequencialidade. É de saudar o regresso à vida deste coletivo texano, principalmente quando o fazem embarcando numa demanda pelo verdadeiro som épico, luminoso e expansivo que só o indie rock esmerado e paciente que debitam consegue replicar. Espero que aprecies a sugestão...

I Love You But I've Chosen Darkness - Dust

01. Faust

02. Stay Awake
03. Heat Hand Up
04. Safely
05. Come Undone
06. Walk Out
07. You Are Dead To Me
08. 69th Street Bridge
09. The Sun Burns Out
10. WAYSD


autor stipe07 às 18:01
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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

dEUS – Selected Songs 1994 – 2014

Oriundos de Antuérpia, os dEUS de Tom Barman fazem parte da minha existência há duas décadas e este é, se calhar, o momento certo de ambos fazermos o balanço dos laços que nos unem e do nível de afinidade que persiste entre grupo e fã convicto e dedicado, como acho que sou relativamente a este coletivo belga. Selected Songs 1994 - 2014, a coletânea que o grupo lançou no passado dia vinte e quatro deste mês é, claramente, a melhor forma de saldar contas, reavivar memórias e paixões e de voltar a incendiar o peito ao som de algumas das canções mais memoráveis que escutei e que são indissociáveis de alguns dos acontecimentos e instantes mais significativas das minhas últimas duas décadas.

Há muitas bandas em relação às quais, devido à consistência e linearidade sonora da sua carreira, merecem todos os elogios que possam ser dispensados e os dEUS, mesmo não tendo estado particularmente dispostos, ao longo da carreira, a grandes inflexões sonoras, também devido à forte liderança de Tom Barman, apesar de algumas mudanças no plantel, sempre agradaram e contam no seu cardápio com alguns verdadeiros clássicos e referências do indie rock alternativo contemporâeno.

 A caminho dos cinquenta anos, Tom Barman continua a ser o principal compositor e a escrever letras impressionantes, descritas sonoramente com extrema devoção, que começa calma e amiúde transfigura-se numa viagem mais tensa e raivosa, quase sempre através da avidez vocal de uma personagem incontornável do universo indie. Instrumentalmente, estes belgas sabem fazer músicas climáticas, estruturalmente bem arranjadas, com pianos e violinos e frequentemente provam que no seu som nem tudo depende apenas do baixo, da guitarra e da bateria. É verdade que a guitarra tem, geralmente, o assento vip nas pistas da mesa de mistura, amiúde com uma certa fúria centrada em riffs e distorções que produzem acertos musicais, mas depois combinam frequentemente com detalhes tão preciosos como buzinas, teclas de um piano, o sintetizador,  o xilofone e o violino, arranjos que dão impulso às músicas e emitem em algumas delas um forte sentimento orquestral.

Selected Songs 1994-2014 é, como se diz na gíria futebolísatica, uma convocatória feita por um treinador altamente experimentado, que deixa pouca margem para contestação, mesmo no seio do seu grupo e que agradará certamente aqueles que sempre se sentiram atraídos por dEUS devido à forma como distorceram as guitarras para a criação de tratados sonoros capazes de pôr a dançar e fazer vibrar grandes multidões, assim como também é certeira no modo como contém temas com uma elevada carga melancólica e introspetiva, capazes de derreter o coração mais conformado.

Em dois volumes, com o primeiro a conter os temas mais épicos e ruidosos e o segundo com as composições mais delicadas e comtemplativas, dos hinos 7 Days, 7 WeeksInstant Street, a última uma música muito fácil de se gostar, bastante alegre e de uma simplicidade verdadeiramente apaixonante, que se esborracha num final extasiante e verdadeiramente caótico, a The Magic Hour, um instante contemplativo verdadeiramente delicioso, passando pelas épicas Dream Sequence #1 ou Disappointed In The Sun, e as viscerais e monumentais Roses, Suds And Soda, The Architect ou Via, vão a jogo todos os trunfos e o melhor plantel que os dEUS têm para nos oferecer, com uma tática amadurecida com vinte anos de estrada e oito extraordinários discos, exemplarmente documentados na capa da coletânea. Espero que aprecies a sugestão... 

dEUS - Selected Songs 1994 - 2014

CD 1
01. Instant Street
02. The Architect
03. Little Arithmetics
04. Constant Now
05. Hotellounge (Be The Death Of Me)
06. Slow
07. Roses
08. Via
09. Quatre Mains
10. Fell Off The Floor, Man
11. Sun Ra (Live At A38 Budapest, 03.03.2012)
12. Suds And Soda
13. Theme From Turnpike
14. Ghost
15. Bad Timing

CD 2
01. The Real Sugar
02. Nothing Really Ends
03. Serpentine
04. Magic Hour
05. Eternal Woman
06. Right As Rain
07. Include Me out
08. 7 Days, 7 Weeks
09. Nothings
10. Wake Me Up Before I Sleep
11. Smokers Reflect
12. Secret Hell
13. Magdalena
14. Disappointed In The Sun
15. Twice (We survive)

 


autor stipe07 às 19:42
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Star Wars: The Force Awakens Trailer #1

Terminou a espera... Finalmente foram divulgadas as primeiras imagens de Star Wars Episode VII - The Force Awakens, filme realizado por J.J. Abrams e que tem como data prevista de estreia, dezembro de 2015.

Em cerca de minuto e meio podemos deliciar-nos com os novos X-wings, as novas fardas e equipamento dos stormtroopers e uma sequência em que o Millennium Falcon combate TIE fighters enquanto sobrevoam um deserto.

A sequência começa com a personagem interpretada por John Boyega, possivelmente um dos novos heróis do filme, vestido de stormtrooper e depois surge um pequeno droide numa espécie de parque de material aoeronaútico desativado. 

De seguida, os novos stormtroopers, completamente equipados, são largados em local desconhecido por uma nave de transporte e a personagem interpretada por Daisy Ridley surge em cima de um veículo inédito, deslocando-se em pleno deserto.

Finalmente, um piloto interpretado por Oscar Isaac surge no cockpit de um X-wing Starfighter e depois uma esquadrilha completa sobrevoa, a baixa altitude, um lago. De seguida, o dramatismo aumenta com a sequência de combate entre o Milleniun Falcon e os TIE Fighters e o trailer termina com uma figura sombria, no meio de uma floresta gelada, possivelmente Luke Skywalker, que murmura The dark side... and the light, empunhando um sabre de luz idêntico a uma espada medieval.

É possível fazer várias conjeturas acerca do enredo a partir deste trailer e a mais sombria é imaginar Luke no lado negro da força. Será? Que achas do trailer e que hipóteses colocas para a história?

Ficha Técnica:
Realizador: J.J. Abrams
Produtores: Kathleen Kennedy, J.J. Abrams e Bryan Burk
Argumento: Lawrence Kasdan, J.J. Abrams
Atores: John Boyega, Daisy Ridley, Adam Driver, Oscar Isaac, Andy Serkis, Lupita Nyong’o, Gwendoline Christie, Domhnall Gleeson, Max von Sydow, Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill, Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kenny Baker

 


autor stipe07 às 18:10
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Walter Benjamim - We might never fall in love

Luis Nunes é português, viveu em Londres mas atualmente instalou-se algures no Alentejo e é também Walter Benjamim, nome de um filósofo alemão do início do século passado e o alibi perfeito para Luis escrever sobre o que intencionalmente quiser e poder assim, como já li algures, criar um mundo imaginário onde tudo é perfeito, o amor não dói e o coração não se parte.

No entanto, parece que esse mundo chegou ao ocaso já que Walter Benjamin anunciou recentemente que vai dar o tiro final na sua carreira cantada em inglês, fazendo-o com a edição de um single, disponivel exclusivamente para download na página de bandcamp do músico. Drive Anyway e We might never fall in love são os dois temas do single e estava previsto que o primeiro fizesse parte de Robots, um disco em que Luis trabalhava com o amigo Jakob Bazora e o segundo, o tema principal, é uma nova versão de uma canção originalmente lançada em 2008 no álbum The National Crisis, editado pela extinta netlabel Merzbau. Esta nova roupagem do tema conta com convidados de luxo, nomeadamente todos os membros dos You Can't Win Charlie Brown, colegas de editora Pataca, Afonso Cabral, Salvador Meneses, Tomás Franco Sousa, João Gil, Raquel Lains, Luís Costa (e a namorada Carina Costa) e David Santos (também conhecido como Noiserv), além da presença da banda de sempre: João Correia (bateria) e Nuno Lucas (baixo). É, como não podia deixar de ser, uma celebração entre amigos.

Drive Anyway foi gravada quando o músico ainda vivia em Londres e a canção conta com a participação do austríaco Moritz Kerschbaumer. O vídeo da canção é composto exclusivamente de imagens caseiras do tempo em que Luis vivia com a sua banda em Londres e da sua viagem de volta para Lisboa

Os temas são dois belíssimos momentos sonoros assentes numa sonoridade melancólica e que nunca azeda, que naturalmente nos faz sorrir, mesmo que a tristeza nos trespasse por significarem o epílogo de um projeto que teve como momento alto a edição do fantástico disco The Imaginary Life Of Rosemary And Me.

No próximo dia doze de Dezembro será o encerramento oficial das hostilidades de Walter Benjamim com um concerto no Lux, em mais uma noite Black Baloon, um espetáculo que começa às 23:00 e acaba quando o Lux fechar as portas com um DJ set de Pedro Ramos, Quem és tu Laura Santos? e do próprio Walter.

Luis Nunes tem trabalhado recentemente em discos de músicos e bandas como Éme, TAPE JUNk ou Pedro Lucas. Em breve irá anunciar um novo projecto, com outro nome e numa língua mais materna. Confere os dois temas que marcam a despedida de Luis Nunes do projeto Walter Benjamim e a entrevista que o músico me concedeu acerca deste momento marcante da sua carreira artística.

Depois de te ter entrevistado há já mais de dois anos devido a The Imaginary Life Of Rosemary And Me, o que mudou tanto na vida de Luis Nunes para ele resolver colocar um ponto final no alter ego Walter Benjamim?

Aconteceram tantas coisas. Mudei-me de Londres para a vila de Alvito, no meio do Alentejo. Acho que essa foi a mudança mais radical que fiz na vida, agora vivo no campo e vou de vez em quando a Lisboa aos fins-de-semana ou quando vou tocar. Eu já sabia que isso implicaria acabar com o Walter. Já estou cansado de escrever em inglês, fez sentido enquanto vivia noutro país. Agora quero escrever sobre o que me rodeia, sobre a nossa realidade específica, sobre as pessoas que vejo todos os dias e os sítios que vou descobrindo. Só posso fazer isso de maneira plena na minha língua. É difícil porque a música é obrigatoriamente diferente e exige pôr-me à prova. É voltar a aprender a escrever canções, é como nascer outra vez. Essa é a razão, vou acabar com o nome porque não faz sentido ter um nome em inglês e cantar em português. Continuo a ser a mesma pessoa, só a atravessar uma nova fase.

A despedida do Walter é feita com a edição de um single com dois temas. Não haveria mais material para editar pelo menos um EP? E a que se deveu a escolha destas duas canções?

Tenho canções gravadas para um álbum inteiro. O problema é que teria que misturar tudo, regravar coisas, cantar tudo outra vez. Não me apetece nada, não faz sentido dedicar mais dois meses da minha vida a algo que já não vai acontecer. Escolhi estas duas canções porque eram representativas de algo importante. Não havia uma boa versão gravada da We Might Never Fall In Love, que é uma das músicas mais emblemáticas do Walter. A outra é uma canção que gravei em Londres com um amigo meu muito especial, o Moritz Kerschbaumer, com quem estava a gravar um disco no nosso estúdio, que era no meu quarto. Nunca foi acabado e achei que era importante incluir essa fase na minha vida na despedida, teria pena se esse período não tivesse ficado representado.

Pessoalmente, por ter gostado tanto do teu disco de estreia, confesso um certo desapontamento por saber que não vai haver sucessor. Robots era esse segundo disco da vida de Walter Benjamim? Porque não foi concluído?

Esse disco (da qual foi tirado Drive Anyway) era uma experiência constante. Eu e o Moritz passámos um ano a gravar coisas praticamente todos os dias, era um monstro. Um dia eu disse-lhe que ia para Lisboa e foi um choque para todos, deixei o disco pendurado. Não houve tempo para o acabar, infelizmente.

A despedida oficial de Walter Benjamim é no mítico Lux, já a doze de dezembro. Além dos convidados, há mais alguma surpresa na manga? Quais são as tuas expetativas para essa noite de celebração?

Eu estou a encarar todos os músicos que vão tocar como membros de uma banda definitiva. O Moritz vem de propósito de Londres, o que, como calculas, me deixou extremamente feliz. Eu quero fazer este ponto final rodeado de amigos, essa é a surpresa na manga. Quero que as pessoas se deixem levar pelas canções e dançar a noite toda.

Tens trabalhado recentemente em discos de músicos e bandas como Éme, TAPE JUNk ou Pedro Lucas e em breve irás anunciar um novo projecto, com outro nome e numa língua mais materna. Já podes adiantar algo mais? Como vai ser a tua vida profissional depois de acordares no próximo dia treze de dezembro?

Vou acordar violentamente ressacado, espero eu. A vida profissional não muda muito, o Walter Benjamin não é propriamente algo que gere uma fortuna. Eu tento fazer várias coisas que me entusiasmam, tento equilibrar tudo. Estou  a fazer um disco em português, estou a escrever canções, estou entusiasmado. Mesmo que o disco seja uma merda, estou entusiasmado como não estava há muito tempo.

Obrigado pela entrevista e, principalmente, pela tua música!

Obrigado eu. Abraço.


autor stipe07 às 18:07
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Cold War Kids – Hold My Home

Os norte americanos Cold War Kids regressaram recentemente aos discos com Hold My Home, um trabalho que viu a luz do dia no passado mês de outubro por intermédio do selo Downtown, em parceria com a Sony RED. Esta banda de Silverlake, na Califórnia, tinha-se destacado com Dear Miss Lonelyhearts, o registo discográfico anterior, e este sucessor, produzido por Lars Stalfors e os próprios Cold War Kids, era aguardado também por mim com enorme expetativa.

Disco alegre e expansivo, à custa de emoções fortes embrulhadas em temas simples, adornados com enorme versatilidade e um elevado pendor pop, Hold My Home está longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais e reforça o brilho raro de uma banda enérgica e com enormes qualidades intrínsecas, que vêm logo à tona no primeiro single escolhido do trabalho. All This Could Be Yours é um luminoso tratado de indie rock, feito com uma percussão imponente e uma melodia contagiante e uma escolha feliz para uma banda que tem também no seu horizonte conseguir atingir um público vasto e cimentar uma forte base comercial, algo que esta canção poderá propiciar. Aliás, o video já divulgado do tema, onde se vê a modelo Polina Barbasova a passear à noite nas ruas de Londres, de forma apelativa e até hedonista, ao mesmo tempo que se cruza com detalhes físicos com uma simbologia apelativa, em imagens às vezes a preto e branco e de forte apelo sexual, diz tudo sobre o modo incisivo como os Cold War Kids querem conquistar o seu espaço num meio fortemente competitivo.

Mas Hold My Home não é apenas e só All This Could Be Yours e há outras composições que merecem uma audição atenta. Temas como First ou Hot Coals acabam por se situar também na permissa sonora do single, feitos com a envolvência dos teclados a cruzar-se de modo sagaz com guitarras que mudam constantemente de sonoridade e distorção e com o ritmo sempre bem marcado da bateria a ser o complemento ideal destes dois edifícios sonoros enérgicos e intencionalmente meticulosos. Já a tensão que os coros e o solo de guitarra criam na melodia de Drive Desperate, comprovam que há espaço de manobra na capacidade inventiva da dupla para um futuro que tente outras nuances do indie rock de cariz mais experimental.

Além da aposta em melodias aditivas e pegajosas, feitas com uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos, outro trunfo que poderá levar os Cold War Kids a conseguirem os seus intentos é, sem dúvida, o excelente desempenho da voz de Nathan, cujo charme e irrequietismo constantes se posicionam sempre de modo irrepreensível perante os desafios que as melodias colocam. Go Quietly é a canção onde se sente melhor os tempos e o espaço em que a voz se posiciona, atingindo aí o topo qualitativo da performance neste disco, com especial ênfase nos momentos da canção em que acompanha os coros e deles sobressai com intensidade e elevada emotividade.

Disco sem cantos escuros, Hold My Home é um álbum poderoso e orquestral, proposto por uma dupla que certamente procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes de uma luminosidade sonora que transmita energia. Sem serem demasiado complicados no momento de criar sons e melodias intrincadas, os Cold War Kids expoem de modo particularmente epxlosivo canções que fluem naturalmente e trazem, em alguns momentos, aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos. Espero que aprecies a sugestão...

Cold War Kids - Hold My Home

01. All This Could Be Yours
02. First
03. Hot Coals
04. Drive Desperate
05. Hotel Anywhere
06. Go Quietly
07. Nights And Weekends
08. Hold My Home
09. Flower Drum Song
10. Harold Bloom
11. Hear My Baby Call


autor stipe07 às 20:57
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Warehouse - Omission

Warehouse - "Omission"

No passado mês de julho os Warehouse, uma banda indie de Atlanta, na Georgia, editaram, em nome próprio, Tesseract, o seu registo de estreia, que recordo ter feito parte da minha banda sonora de um determinado período do último verão. Entretanto, Dustin Payseur, dos Beach Fossils e Katie Garcia da Captured Tracks, anunciaram o lançamento de uma nova etiqueta chamada Bayonet Records e que Tesseract, dos Warehouse, será um dos primeiros álbuns do seu cardápio, estando previsto o próximo mês de março como data de novo lançamento do disco, mas agora com o novo selo. Já agora, os Red Sea e os Frankie Cosmos são outros dois projetos já confirmados na nova editora.

Omission é o primeiro single que será retirado deste novo lançamento de Tesseract, uma canção surpreedente, sustentada por várias camadas de ruídos, enquanto a voz rouca de Elaine Edenfield, vocalista dos Warehouse, grita e passeia livremente por uma melodia enérgica, rugosa e incisiva. Confere...


autor stipe07 às 13:28
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

YACHT - Where Does The Disco? EP

Compositores, escultores, filósofos, ativistas e músicos, os YACHT (Young Americans Challenging High Technology) são um projeto concetual sedeado em Los Angeles, mas consideram Marfa, no Texas, a sua casa espiritual. No entanto, o projeto nasceu em 2002, em Portland, sendo nesta espécie de utópico triângulo das Bermudas em pleno Oeste dos Estados Unidos da América que se move um grupo que começou por servir como um veículo para Jona Bechtolt, que escreve sobre ciência, cultura e tecnologia num blogue chamado Universe, divulgar o seu trabalho em diversas áreas, qe vão da pesquisa científica à música, obviamente. Em 2008 Claire L. Evans juntou-se a Jona e já foi juntos que gravaram e publicaram em 2009  o aclamado See The Mystery Lights, na tal localidade texana chamada Marfa, ao qual se seguiu, em 2011, Shangri-la, um disco sobre a utopia, a distopia e tudo o que fica no meio. Entretanto, Bobby Birdman e Jeffrey Brodsky, amigos de Jona e Claire, já se juntaram aos YACHT, compondo a banda nas atuações ao vivo.

Com cinco discos já lançados através de editoras tão proeminentes como a DFA Records, a Marriage Records, ou a States Rights Records, onde se estrearam, os YACHT são já considerados como uma das bandas norte americanas mais criativas, principalmente por causa dos concertos, tendo já tocado em lugares tão díspares como museus, galerias de arte, barcos, casas de banho e até numa zona rural da China e das remisturas inconfundíveis, tendo já desmantelado canções de Snoop Dogg, Kings of Leon, Phoenix, Neon Indian, Stereolab, RATATAT, Classixx e muitos outros.

Um Ep com quatro temas chamado Where Does The Disco? é a mais recente novidades dos YACHT, com a última canção do alinhamento a ser uma remistura da autoria de Jerome LOL do tema homónimo, que fala sobre o amor e os CDs (Compact Disc). Assente numa batida retro sintetizada, com efeitos que disparam em diferentes direções e com um timbre sintético na voz que lhe dá uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, Where Does The Disco? parece ser a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound. A viagem interestelar continua em Works Like Magic, que avança agora cerca de duas décadas, até aquele período em que no início deste século, em Nova Iorque, as guitarras e o baixo começaram a dar as mãos aos sintetizadores e à eletrónica e a invadir as pistas de dança do mundo inteiro. O tema fala do fascínio que a tecnologia e a realidade virtual provocam no ser humano e como existe uma ligação estreita entre  sexo e a tecnologia; We argue that sex and technology coexist in our present: we touch, we push buttons, we seek intimacy in screens. When we connect, it works like magic, afirmou recentemente Jona sobre o tema.

Terminal Beach é uma canção diferente das antecessoras. Mantêm-se os flashes de efeitos vários, mas aqui é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas, uma melodia orelhuda, uma bateria bem marcada e uma postura vocal a fazer recordar divas dos anos setenta como Blondie ou Debbie Harry. O resultado final é um verdadeiro e imenso hino indie rock.

Quanto à remistura do tema homónimo do disco da autoria de Jerome Lol, o autor confere um ambiente mais negro e místico ao tema, quando amplia a percussão, dando-lhe uma tonalidade algo grave, acentuada por alguns elementos novos como o som de xilofones e da bateria.

Neste EP os YACHT continuam a dar vida à fusão única que alimentam entre o talento musical que possuem e o mundo tecnológico, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Where Does The Disco? está disponivel atualmente apenas no formato digital, através da Downtown Records, mas haverá uma edição especial física, à venda durante a próxima digressão da banda que se irá chamar Where Does This Disco? Tour. Confere...

Where Does This Disco

Works Like Magic

Terminal Beach

Where Does This Disco (Jerome LOL Remix)


autor stipe07 às 22:06
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Grand Vapids - Kilns

Grand Vapids - Guarantees

Oriundos de Athens, na Georgia, localidade onde nasceram os incomparáveis R.E.M. e formados por Austin Harris, McKendrick Bearden, Chris Goggans e Paul Stevens, os norte americanos Grand Vapids preparam-se para se tornar numa das novas coqueluches do universo musical indie devido a Guarantees, o disco de estreia do projeto, que vai ver a luz do dia a vinte de janeiro atravé da Mumblecore e que é produzido por Drew Vandenberg.

Disponivel para download gratuito, Kilns, o primeiro avanço divulgado de Guarantees, é a afirmação concreta de um estilo sonoro muito próprio, com um irresistivel charme lo fi, feito com uma pop primorosa, mas imprevisível, cheia de sons que se atropelam durante o percurso. Confere...


autor stipe07 às 14:04
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Mink Mussel Creek – Mink Mussel Manticore

Oriundos de Perth, na austrália, os Mink Mussel Creek são atualmente Nick Allbrook (voz), Shiny Joe Ryan (guitarra), Steve Summerlin (baixo), Richard Ingham (sintetizadores) e Kevin Parker (bateria), uma banda de rock psicadélico formada por um grupo de amigos que há quase dez anos começou a fazer música e que começou por se distinguir por causa dos concertos, tendo, por exemplo, em 2007, dado mais de cem espetáculos ao vivo. Com várias alterações na formação desde o início e vivendo desde sempre à sombra do sucesso dos Pond e dos Tame Impala, viram sempre adiado o lançamento do disco de estreia, um trabalho chamado Mink Mussel Manticore que viu finalmente a luz do dia este ano por intermédio da Spinning Top Records.

Mink Mussel Manticore é uma obra que conta um pouco da história do já famoso cenário psicadélico australiano, com os já citados Pond e Tame Impala a liderarem o pelotão das bandas mais influentes desse universo sonoro e alguns membros destes dois projetos a aparecerem no plantel destes Mink Mussel Creek. Kevin Parker, o líder do Tame Impala, toma aqui conta da bateria, Nick Allbrook, antigo membro dos Tame Impala e vocalista do Pond, assume a voz e Joe Ryan, dos Pond, toca guitarra.

A história de Mink Mussel Manticore começa 2007, o tal ano em que deram imensos concertos e quando gravaram grande parte destas sete canções, que foram novamente trabalhadas em estúdio em 2011 e só agora viram a luz do dia. Disco mais áspero e robusto que os trabalhos dos Pond e dos Tame Impala, nos cinquenta minutos que estas sete canções duram, Mink Mussel Manticore é uma colcha de retalhos de sons psicadélicos, que tanto abraçam uma toada mais blues, como o garage rock, através de inéditos timbres de guitarra, ritmos pouco usuais e um imenso arsenal de efeitos com pedais que nos levam numa viagem verdadeiramente lisérgica e hipnótica.

Logo no início, They Dated Steadily é uma verdadeira jam session que ultrapassa os treze minutos de duração e abraça todos os universos sonoros acima citados, com a banda a delirar livremente durante a parte instrumental e a não ter receio de bater à porta da ténue fronteira que separa a psicadelia do rock progressivo. Daí em diante, o resto do disco serve-se da mesma receita, variando apenas a dose. Promising Quintet Rise To Power (Macho Peachu) impressiona pelo groove, Makeout Party Girls tem um tom declaradamente explosivo e ruidoso e consente o predominio do garage rock californiano, típico de nomes tão infleuntes como Ty Segal ou os Thee Oh Sees e Doesn't The Moon Look Good Tonight traz consigo aquele teor mais experimental típico dos Pond.

Tão inusitado e abrangente quanto o ser mitológico que dá nome ao álbum, já que a manticora é uma espécie de junção entre leão, tubarão, dragão e homem, Mink Mussel Manticore é um belíssimo disco de estreia de uma banda que, pelos vistos, existe apenas como um passatempo de outras duas consideradas já fundamentais, mas que tem todas as condições para coexistir com as mesmas, além de ter como grande vantagem possiblitar aos seus músicos experimentar e explorar diferentes sonoroidades que as exigências comerciais a que os Pond e os Tame Impala já estão sujeitos dificilmente permitem. Espero que aprecies a sugestão...

Mink Mussel Creek - Mink Mussel Manticore

01. They Dated Steadily

02. Meeting Waterboy
03. Cat Love Power
04. Promising Quintet Rise To Power (Macho Peachu)
05. Makeout Party Girls
06. Hands Off the Mannequin, Charlie
07. Doesn’t the Moon Look Good Tonight


autor stipe07 às 21:21
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Le Rug - Dipshit @ Birth Control

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records, um nome importante do cenário indie punk local e que integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug é a sua nova aposta e Press Start (The Collection) uma coleção de canções que apresentou ao mundo, no passado dia dezassete de junho, por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Apesar deste novo projeto chamado Le Rug, Weiss tem tido um ano de 2014 complicado; Os Butter the Children separaram-se, o músico viu-se igualmente confrontado com o fim de uma relação amorosa, a luta permanente contra os sintomas de bipolaridade que sofre, contra algumas tendências suicidas e agora a solidão.

Todos estes contratempos não afetaram a enorme veia criativa do músico que passou uma temporada por Bangecoque, na Tailândia, onde acabou por compôr algumas canções. Por isso, os Le Rug, que também vão terminar a carreira em breve, segundo o que afirma Weiss, já têm pronto o seu segundo e último disco, o sucessor de Press Start (The Collection).

O novo trabalho dos Le Rug chama-se Swelling (My Own Worst Anime) e será editado em formato digital e cassete a dois de dezembro, podendo ser já encomendado através da editora. Este parece ser um álbum que gira em redor de conceitos tão sombrios como a morte, o cinismo e as separações amorosas. Dudley foi o primeiro avanço divulgado do disco, tendo sido também tornado público o respetivo video, que foi gravado em Banguecoque e realizado por Gary Boyle. Agora, a pouco mais de uma semana do lançamento do álbum, Le Rug apresenta mais duas canções do alinhamento, Dipshit e Birth Control.

Se a frenética Dipshit é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca, o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante, já Birth Control dá vida ao tal desejo do músico de dizer adeus a uma vida que ultimanente lhe tem sido madrastra (I believe in birth control because the world is already full and everyone wants to die).

Em breve voltarei aos Le Rug para uma análise mais aprofundada de Swelling (My Own Worst Anime). Para já, confere mais estes dois avanços do disco, com Dipshit disponível para download gratuito.


autor stipe07 às 13:16
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Joan As Police Woman - The Classic

Joan Wasser, que o mundo conhece como Joan As Police Woman e como a eterna namorada de Jeff Buckley, está de regresso aos discos com The Classic, um trabalho produzido pela própria Joan Wasser e por Tyler Wood, editado através da PIAS Recordings e que contou com a participação especial de um vasto leque de músicos, dos quais se destacam Joseph Arthur, Steve Bernstein, Oren Bloedow, Doug Wieselman e Reggie Watts, entre outros. Todas estas aparições enriquecem imenso Classic, quer ao nível instrumental, quer da voz, mas não posso deixar de destacar a presença de Reggie Watts no tema homónimo do disco, pelo modo como confere uma toada gospel incrível à canção.

Incubado na mente criativa de uma artista que já fez parte dos projetos Dambuilders, Those Bastard Souls e Mind Science Of The Mind e de ter cantado com Lou Reed, Antony & The Johnsons ou Rufus Wainwright, The Classic conquista-nos logo no início com Witness, Holy City e The Classic, três canções que nos colocam bem no centro do que melhor se pode encontrar na música negra norte americana e atestam definitivamente que Joan As Police Woman é uma das mais talentosas, vibrantes, originais e carismáticas escritoras de canções da atualidade e que a sua música pede e merece um ambiente especial e muito próprio para ser devidamente disfrutada.

Gravado quase na totalidade ao vivo, este trabalho que mistura então o indie rock, com alguns dos detalhes mais importantes do jazz, do funk, do R&B e da soul, prossegue sempre de forma sofisticada e com um esplendor e uma luminosidade incomuns, de algum modo expressas no artwork de um disco que vale ouro, como o tom dessa imagem.

Depois de um arranque de carreira em grande forma, com Real Life (2006) e To Survive (2008), nem em Cover (um disco de covers, como o nome indica, lançado em 2009), ou The Deep Field (2011) ela deu sequência a essa mestria inicial. Mas agora, em 2014 está de regresso a Joan As Police Woman intensa e apaixonante, que tanto expôe tristezas e receios e até ideias relacionadas com a própria morte (What Would You Do), como nos indica caminhos mais ou menos diretos para a felicidade (Stay), que pode até ser a carnal, fazendo tudo isso sempre de mãos dadas com aquela soul que vai buscar inspiração à motown. E, mesmo tendo em conta que a intimista Get Direct é uma das melhores canções do disco, fá-lo com aquela exuberância que antes o uso quase exclusivo do piano, como suporte do processo de construção melódica, de algum modo restringia, para agora, tendo optado por uma vasta miríade de instrumentos e coros, conseguir mostrar-se mais positivista, emotiva e até interessante, principalmente porque mostra ser capaz de se mover com à vontade por territórios sonoros mais diversificados, mantendo uma elevada bitola qualitativa nas suas composições. Esse tal piano, agora é muitas vezes subsituido por um orgão sintetizado, que dá ao som de Joan As Police Woman um travo mais masculino, alternativo e até psicadélico.

The Classic termina com a reggae Ask Me e damos por nós a lamentar porque, infelizmente e por razões do foro pessoal, Joan As Police Woman teve de cancelar alguns concertos que iria dar no nosso país durante este mês de novembro. Seja como for, isso não retira brilho a um disco que nos faz recuar musicalmente algumas décadas, de um modo cativante e tão intenso que é possivel imaginarmos que estamos num daqueles ambientes smokey dos bares de música ao vivo, enquanto escutamos este The Classic, que também não fica nada mal como banda sonora para usufruirmos de uma boa companhia de serão. Espero que aprecies a sugestão...

Witness

Holy City

The Classic

Good Together

Get Direct

What Would You Do

New Year’s Day

Shame

Stay

Ask Me


autor stipe07 às 23:18
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American Wrestlers - I Can Do No Wrong

American Wrestlers é um projeto liderado por um escocês de identidade desconhecida e que vive atualmente nos Estados Unidos, no estado do Missouri. Tendo crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou entretanto para o outro lado do Atlântico.

Nos Estados unidos começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. Recentemente o projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum. Esta etiqueta vai editar o single I Can Do No Wrong, a vinte e sete de janeiro do próximo ano, mas o mesmo encontra-se disponivel no bandcamp da banda, com a opção de o obteres gratuitamente ou doares um valor pelo mesmo.

A canção é uma peça sonora magnífica, principalmente por ser difícil de descrever. O ambiente sonoro que cria tem um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assenta. Depois, alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete com um certo reverb, acentuam o charme rugoso da mesma. Confere...


autor stipe07 às 17:24
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Domingo, 23 de Novembro de 2014

heklAa - My Name Is John Murdoch

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso que adora post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, tem um novo álbum intitulado My Name Is John Murdoch, um trabalho inspirado em Dark City, um dos filmes preferidos de Sébastien, mas com referências a outras fitas, nomeadamente o Batman de Tim Burton.

O autor do disco nega que My Name Is John Murdoch seja uma banda sonora alternativa de Dark City mas, na verdade, tendo o filme na mente e escutado estas canções, é possivel fazer um paralelismo entre as duas obras, até porque o alinhamento de nove canções procura recriar o filme, com cada tema a servir como banda sonora de um capítulo da trama, descrita abaixo pelo próprio autor do disco.

heklAa começou a trabalhar no álbum há cerca de dois anos e ideias e sentimentos como a nostalgia, o fim precoce da inocência e a auto-descoberta estão muito presentes nas canções que trespassam esses conceitos para algumas personagens do filme, à medida que a história se desenrola.

Com uma forte componente instrumental e com a voz a servir esencialmente como suporte narrativo, My Name Is John Murdoch tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. No entanto, é nos instantes em que o autor pretende recriar uma aúrea mais sombria e dramática que sobressai a sua capacidade de composição e a grandiosidade instrumental que não descura praticamente nenhuma secção ou classe de instrumentos. Das cordas, acústicas e eletrificadas, à percussão, passando pelos instrumentos de sopro, arranjos com metais e efeitos sintetizados que replicam sons de diversas proveniências, Sébastien conseguiu atingir o pleno orquestral e com isso fazer com que My Name Is john Murdoch criasse uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós, além da possibilidade de podermos visualizar a trama.

Claramente apaixonado pela música erudita, heklAa foi corajoso na ideia e no modo como a colocou em prática, apropriando-se de uma forma de experimentação sonora e musical algo inédita, o que atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, em nove canções avassaladoras e marcantes, claramente à altura do enredo que procuram musicar. Espero que aprecies a sugestão...

The Story.
The movie tells the story of John Murdoch, a music journalist, expert of Miles Davis’ work. After years, he comes back in sirenZ, the big city where he grew up, to cover a set of jazz concerts. As he is walking along the main street, he has the strange feeling that nothing is like it used to be. Did the city change so much? Did he change so much? Did time just go by?

(Episode 1: The Dark City of sirenZ) A whole series of events is going to intensify his conviction that something is wrong: that beautiful woman he meets in the “Hopper’s bar”; he does not know any Selina Kyle, but he could swear that he knows that woman, like a reminiscence from yesteryears, he knows that he had dinner once with her, that they have spent the night after that together, too. (Episode 2: L’Inconnue ) There is also this original recording of Miles Davis’ soundtrack for “Elevator of the Gallows” that he finds in an old music store; as an expert, he knows full well that this milestone in jazz was celebrated in 1958. “Générique”, the perfection of music according to John, this permanent catchy tune in his head could not be just a creation of his own mind. But, the calendar in the store still indicates that John is living in the year 1946… Last but not least, in place of Miles Davis’ music, John discovers a recording made by a Louis Malville who introduces himself as a French movie director. Louis reveals that sirenZ is a shameless lie, a Dark City like many others, where nothing is real. (Générique)

Nothing? What about Shell Beach, this sunny happy place of his childhood, where he used to fly a kite or go sailing and fishing with his father? So many memories of brighter times… (Episode 5: Remembering Shell Beach)
After days of investigating, at last, John finds out the truth, as he is walking by a souvenir shop. Behind the window, a glass snow ball representing sirenZ. He understands, terrified, that this is not just a trinket for tourists, but reality: The city is lying in the depths of the sea, under a giant bell. (Episode 3: The Dome) Shell Beach does exist, but only in his head, nothing more than pretty pictures in a photo album. Why? When? How? John will never get the answer. (Episode 4: Dance with the Shadows)
John’s world has collapsed. (Ep 7: Say hurray! ‘cause it’s the End of the World!). Now that he knows the whole truth, what comes next? Should he tell everything and run the risk of becoming a curse, an incurable decease for everyone in the city? Should he just live a normal, quiet life by the woman he loves? No, he will not be a tragic hero. He knows who he is. (Episode 6: My name is John Murdoch). Selina is waiting for him. (Epilogue).

 


autor stipe07 às 19:07
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Hamilton Leithauser – Room For Forgiveness

Hamilton Leithauser

Hamilton Leithauser, vocalista dos The Walkmen, estreou-se recentemente nos discos em nome próprio com Black Hours, um álbum editado através da Ribbon Music e que divulguei oportunamente. Esse trabalho não deixava de aclarar, em alguns momentos, a relação de Hamilton com a sua banda, mas também evidenciava o assumir de novos rumos, menos soturnos e mais expansivos, à custa de emoções fortes embrulhadas em temas simples, adornados com enorme versatilidade e um elevado pendor pop.

Alguns meses depois Hamilton Leithauser volta a surpreender com uma nova canção intitulada Room For Forgiveness, disponibilizada gratuitamente pela editora. O excelente tema tem uma toada marcadamente emotiva, é dominado por um desempenho vocal irrepreensivel e reforça o brilho raro que tem acompanhado a carreira artística deste músico, assente na simplicidade do seu trabalho e que esta nova fase a solo parece querer reforçar. Confere...


autor stipe07 às 14:21
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Sábado, 22 de Novembro de 2014

Mozes And The Firstborn - Mozes And The Firstborn

Numa esplendorosa embalagem de discos que me chegou hoje à redação, enviada pelo simpático pessoal da Siluh Records e que inclui rodelas de nomes tão fantásticos como os Dust Covered Carpet, Mile Me Deaf, M185, Francis International Airport ou Scarlet Chives, entre outros, começo por destacar o disco de estreia de uma banda holandesa chamada Mozes And the Firstborn. Foi entre Eindhoven e Antuérpia que nasceram em 2010 os Mozes And The Firstborn e o disco homónimo que vos sugiro foi lançado em feveriero deste ano. A edição está disponivel no bandcamp, com a possibilidade de doares um valor pela mesma ou de a obteres gratuitamente. O lançamento do álbum tinha sido antecedido de um ep intitulado I Got Skills, o mesmo nome do principal single do disco, trabalho esse também disponível para download gratuito no bandcamp deste grupo formado por Raven Aartsen, Corto Blommaert, Melle Dielesen e Ernst-Jan van Doorn.

Os Mozes And The Firstborn estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que se possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista, na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos europeus que melhor o replica, assim como o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Nesta estreia bastante feliz, estes quatro holandeses convidam-nos a embarcar numa viagem aos período aúreo do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar Bloodsucker e seguimos a caminho da praia ao som dos Mozes And The Firstborn e de volta ao surf rock luminoso dos anos sessenta, aquele rock solarengo que nos impressiona com a contemporaneidade vintage nada contraditória, que se sente depois nos acordes sujos de What's Wrong Momma e no groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre o tal single I Got Skills e Peter Jr., dois dos melhores temas do disco.

Uma das composições mais curiosas de Mozes And The Firstborn é Seasons, uma canção que inicia com um teclado, ao qual se junta depois uma guitarra que repete uma distorção hipnótica contínua, exemplarmente acompanhada pela bateria, a fazer recordar alguns dos melhores momentos do período aúreo dos britânicos Kasabian. Depois, Time's A Headache e Heaven são rock sujo e cru, com um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela pujança das guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem nas canções. Skinny Girl obedece integralmente à toada surf revivalista e plena de luz, uma canção com uma sonoridade simultaneamente grandiosa e controlada. Já as cordas de Gimme Some e o efeito que as acompanham, assim como a percussão groove do tema, sustentam uma das mais belas melodias de um disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Down With The Band, uma das peças mais psicadélicas e com um jogo de vozes inédito.

Disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical carregada de emoção, cor e rebeldia, Mozes And The Firstborn garante a esta banda holandesa a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações. Há neste carápio sonoro uma intemporalidade que se expressa na forma como o quarteto plasma com elevada dose de criatividade o que de melhor recria atualmente o vintage, mas também no esforço evidente como expressam uma demanda por algo genuíno e que depois sirva de modelo e de referencial sonoro.

Em suma, Mozes And The Firstborn é, como de algum modo já referi, coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta e é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, plasmado na soma do seu alinhamento, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com visões de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:54
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CITYSPARK - Sun Will Shine

Cityspark.jpg

Formados a 1 de Dezembro de 2008 entre Castelo de Paiva e Cinfães, os CITYSPARK abraçaram, de acordo com a banda, o desafio a novas sonoridades que passam pelo rock, a pop e o indie. Começaram por gravar, em 2009, o EP Made In Cityspark e um ano depois regressaram ao estúdio para gravar um novo tema intitulado Butterfly.

Agora, alguns anos depois e após muitas dores de cabeça de persistência, de concertos realizados mas acima de tudo muita vontade de cumprir um dever realizado, vai chegar aos escaparates Violet, o primeiro longa duração da banda.

Violet foi gravado nos estúdios Replay Studios, produzido por Mário de Sá e a própria banda e tem previsto o lançamento para treze de dezembro, altura em que haverá também, em Castelo de Paiva, um concerto de apresentação, que contará com a presença de diversos convidados especiais.

O primeiro single retirado de Violet chama-se Sun Will Shine e o vídeo da canção já pode ser visto e partilhado por todos no You Tube e Facebook da banda. A canção impressiona pelo pendor rock, festivo e solarengo, mas onde a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona pelo charme vintage. O resultado final é uma belíssima composição envolvida numa psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial. Confere...

 


autor stipe07 às 14:19
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Nothing – Guilty Of Everything

Editado a quatro de março pela Relapse Records, uma editora importante para várias bandas que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e já com um catálogo bastante interessante, Guilty of Everything é o trabalho de estreia dos Nothing, uma banda de Filadélfia, que logo em Hymn To The Pillory, o primeiro tema deste disco, clarifica que deambula entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral.

Guilty Of Everything é o culminar de dois anos de intensa atividade do coletivo, que durante este período andou em digressão pela América do Norte, impressionando audiências com um som cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line. Produzido por Jeff Zeigler, um profissional de nomeada que já trabalhou com Kurt Vile e os War On Drugs, entre outros, Guilty Of Everything traz até nós o melhor da herança do rock alternativo de finais do século passado, suportada por nomes tão fundamentais como os My Bloody Valentine ou os Smashing Pumpkins, só para citar algumas das influências mais declaradas do grupo.

Instrumentalmente muito rico, apesar da primazia das guitarras, este disco também conta com algumas sintetizações que conferem ao som dos Nothing uma toada muito rica e luminosa e um travo pop que ajuda a amenizar o cariz mais sombrio do rock que replicam e que em Bent Nail pisca o olho ao grunge e em Dig chega ao metal.

A voz é um dos detalhes mais assertivos do disco; Ela sopra na nossa mente e envolve-nos com uma toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando, apesar do ruido sombrio das guitarras, um cocktail delicioso de boas sensações. Geralmente em reverb, numa postura claramente lo fi, ela é uma consequência lógica das opções sonoras do grupo e um elemento importante para criar o ambiente soturno e melancólico pretendido. Na já citada Dig acaba por carregar toda a compoente nostálgica com que os Nothing pretendem impregnar o seu ADN e no restante alinhamento nunca deixa de ser um fator decisivo para que se instale um certo charme vintage que busca o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o indie rock com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com os punhos cerrados e a apelar ao nosso lado mais selvagem e cru. Em Get Well a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Nothing conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram. Esta canção, conduzida por um baixo vibrante e uma guitarra carregada de fuzz e distorção, é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia.

Percebe-se que os Nothing têm no tal ADN bem vincada a vontade de experimentar e Guilty Of Everything, apesar da escuridão introspetiva que contém, respira por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Canções como Sumersault ou Beat Around The Bush transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como nos forçar ao isolamento de forma direta, pura e bastante original. Este disco não é para ser escutado com um grupo de amigos num momento de diversão, mas solitariamente e num momento de recolhimento pessoal.

Logo na estreia os Nothing parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Guilty Of Everything é um trabalho que de algum modo impressiona pelo bom gosto com que se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador, de cerca de quarenta minutos de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Nothing são, por isso, um nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Nothing - Guilty Of Everything

01. Hymn To The Pillory
02. Dig
03. Bent Nail
04. Endlessly
05. Somersault
06. Get Well
07. Beat Around The Bush
08. B&E
09. Guilty Of Everything


autor stipe07 às 21:37
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Ghastly Menace - Closing

Ghastly Menace - "Closing" (Stereogum Premiere)

Formados por Andy Schroeder (voz, bateria, teclado e guitarra), Chris Geick (voz, samples e sintetizador), Kody Nixon (baixo), Michael Heringhaus (guitarra e teclados) e Clint Weber (bateria), os norte americanos Ghastly Menace pretendem conquistar o universo sonoro alternativo com um indie rock orquestral, feito de uma dose extra de guitarras e versos simultaneamente épicos e acessíveis, com o acrescento de arranjos onde contrastam elementos acústicos e elétricos e que deitam por terra qualquer sintoma de monotonia e repetição ao longo da audição.

O disco de estreia deste coletivo de Chicago irá chegar aos escaparates no início do próximo ano através da etiqueta The Record Machine e Closing é o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção sobre aquilo que se sente quando há uma decisão a tomar e, apesar de muitas vezes haver um caminho óbvio, há sempre outras opções que podem ser ponderadas. Confere...

 


autor stipe07 às 13:33
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Little Arrow - Furious Finite

Formados por William Hughes, Dan Messore, Ben Sharpe, Callum Duggan e Rich Chitty, os galeses Little Arrow apresentaram ao mundo a sua folk de forte cariz etéreo e melancólico em 2011 com Mask and Poems, tendo o segundo disco, Wild Wishes, visto a luz do dias dois anos depois. Agora, quase no ocaso de 2014, regressam à carga com Furious Finite, mais uma coleção de canções que misturam o épico com o contemplativo e que parecem tão naturais e espontâneas como a enorme beleza da região de onde provêm e que os inspira, situada na extremidade noroeste das ilhas britânicas.

Conhecido há algumas semanas, o single Medicine Moon já apontava para o caminho certo de consolidação da sonoridade intrínseca desta banda. Essa canção é um exemplo feliz da capacidade dos Little Arrow em estabelecer uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, através de melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos clássicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, amiúde dominados pelos instrumentos de sopro, samples, teclados e uma percurssão, elementos que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Assim que o disco começa somos rapidamente absorvidos pelo mundo caleidoscópico dos Little Arrow, um universo cheio de cores e sons que nos causam espanto, devido à impressionante quantidade de detalhes que o quinteto coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco.

Após o single, a mais introspetiva e pastoral Pier Maountain é uma verdadeira tela sonora, com a textura barroca da harpa, a serenidade contemplativa da guitarra e a doce opulência do trompete a darem as mãos para mostrar um emaranhado de referências que têm como elemento agregador a busca de um clima sonoro com uma elevado cariz ambiental, mas que não deixa de ser acolhedor, animado e otimista. A percurssão de Loss Um, o sample inicial de Diamond Shy e a vila acústica que se segue, assim como  o conjunto de sons e incontáveis referências e detalhes que borbulham enquanto estes temas se desenvolve e crescem, são mais duas janelas que os Little Arrow nos abrem para contemplarmos canções recheadas de versos intrigantes, instigadores e particularmente melódicos. Depois, há ainda Ha Ha Happiness, uma canção com uma energia contagiante e diferente das restantes, com um espírito mais rock e que demonstra a tal versatilidade que os Little Arrow demonstram possuir e Flat Earth, War Drones e Holding & Knowing, três temas que plasmam a enorme capacidade que este coletivo possui para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas.

Domina Furious Finite um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, como ilustra a capa de um disco que sugere que encontremos no seu interior uma harmoniosa fonte de conhecimento e inspiração musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje. Ao encararmos o seu conteúdo com particular devoção, percebemos que essa suposição inicial terá alguma razão de ser já que o mesmo é a expressão prática de uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Espero que aprecies a sugestão...

 01. Government Bodies

02. Medicine Moon
03. Pier Mountain
04. Lossum
05. Diamond Shy
06. Flat Earth
07. War Drones
08. Holding & Knowing
09. Ha Ha Happiness
10. Spider
11. Hedgerow

 


autor stipe07 às 18:02
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