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Thurston Moore – The Best Day

Quarta-feira, 22.10.14

Editado no passado dia vinte e um de outubro por intermédio da Matador Records, The Best Day é o novo álbum do norte americano Thurston Moore, uma das peças mais importantes de uma das principais engrenagens da história do rock alternativo e independente, chamada Sonic Youth, que também contava com a sua ex Kim Gordon e com Lee Ranaldo no núcleo duro. Este trabalho sucede a Demolished Thoughts (2011) e contou com os contributos de James Sedwards (guitarras), Deb Googe, dos My Bloody Valentine (baixo) e Steve Shelley (bateria), os músicos que atualmente têm acompanhado Moore.

Ao ser dominado por guitarras, The Best Day não surpreende, já que esse é o instrumento de eleição de Moore, um dos guitarristas fundamentais das últimas décadas e influência importante para novas e anteriores gerações de músicos. Permaentemente ligado à corrente, Moore abre as hostilidades com a impressionante Speak To The Wild, um verdadeiro tratado de indie rock, cru e sem espinhas e com uma melodia extroardinária. Pela forma como esse tema nos agarra logo pelos colarinhos e nos impele a submergirmos nele sem olharmos para trás, percebemos que isso acontece com toda a naturalidade porque este é um disco dominado pela distorção típica dos Sonic Youth, sempre acomodada em diferentes camadas, como convém aos verdadeiros amantes desta fórmula única e genuína que praticamente só preenchia e impregnava o receituário do coletivo nova iorquino. O baixo e a bateria também são dois elementos preciosos neste quadro chamado The Best Day, já que lhes compete adicionar o ritmo e o corpo necessários para a obtenção do ambiente denso, mas de fácil e aditiva assimilação, por onde as melodias se estendem e se cruzam, ao longo de oito canções que merecem a mais atenta audição. Depois, há ainda a cereja no topo do bolo, a voz de Thurston, um registo predominantemente grave mas produzido com uma limpidez incrivel, que ora parece um pouco deslocado das melodias, ora parece declamar em vez de cantar, mas é exatamente neste modo peculiar de cantar que reside o charme de uma prestação, que em Forevermore atinge um cariz particularmente emotivo, quando, quase hipnoticamente e, amiúde, sem avisar, Moore canta um refrão particularmente emotivo e de modo embargado (That’s why I’ll love you forevermore, That’s why I want you forevermore).

Com oito músicas a estenderem-se por mais de cinquenta minutos, obivamente que este é um disco com um elevado cariz experimental, apesar de estar bem definido e vincado o som caraterístico que domina a obra, que apenas se distancia ligeiramente quando é dada absoluta primazia a um enorme e barroco arsenal de cordas, dedilhadas de modo acústico, mas convincente, em Tapes, uma canção que prescinde da percurssão e que acolhe as violas com o vigor de um baixo omnipresente.

O protagonismo da vertente acústica volta a mostrar predicados em Vocabularies, uma canção onde o baixo abre ainda mais os braços para acolher uma viola num abraço com um sabor psicadélico, acentuado com uma voz algo enraivecida que se debruça sobre a temática da igualdade sexual e do preconceito (Vocabularies of dominance now obsolete, Un-possessed by all men). Esta ousadia permanente também fica plasmada, em direção oposta, no punk de Detonation e na distorção contínua, abrasiva e hipnótica que se estende ao longo do instrumental progressivo Grace Lake, um desejo de tentar algo diferente que direcionou-se, nestes e noutros casos, não tanto para o arsenal instrumental, mas para o catálogo de arranjos proporcionados pelo mesmo e, principalmente, para o processo de construção melódica das canções. Por exemplo, a já citada Speak To The Wild são oito minutos cheios de guitarras que nunca esmorecem e de constantes mudanças de ritmo e de explosões sónicas devidamente controladas e Forevermore estende-se por onze, com o conceito de diversidade patente no modo como os vários instrumentos competem entre si à medida que dão asas ao voo picado de uma melodia orelhuda, uma estratégia que se repete no single homónimo, um verdadeiro deleite para quem é um fã incondicional dos Sonic Youth.

The Best Day é, pois, um álbum que transporta a carreira a solo do autor para o universo mais próximo da banda icónica que fez parte, já que se Demolished Thoughts tinha uma componente acústica inédita e que, por acaso, era qualitativamente bastante recomendável, tendo surpreeendido positivamente a crítica e os ouvintes, desta vez Thurston Moore procurou fugir um pouco do óbvio e mostrar o seu lado pessoal mais enraivecido, incansável, agridoce e rugoso e assim, comprovar o seu próprio ecletismo. Espero que aprecies a sugestão... 

Thurston Moore - The Best Day

01. Speak To The Wild
02. Forevermore
03. Tape
04. The Best Day
05. Detonation
06. Vocabularies
07. Grace Lake
08. Germs Burn

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publicado por stipe07 às 21:34

VLMA - Slime

Quarta-feira, 22.10.14

Depois de Thumb Bucket, Slime é o segundo avanço para VLMA, um disco homónimo de uma dupla norte americana oriunda de Ellicot City, no estado de Maryland, formada por Travis Kuncl (voz e baixo) e Alex Velle (guitarra). Esse trabalho será editado a vinte e oito de outubro através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Os VLMA (pronuncia-se Velma), apostam num indie rock lo fi de garagem, com fortes ligações ao grunge e onde os Nirvana a são uma influência assumida. Slime está disponivel para download e foi gravada e produzida de modo totalmente analógico, sem recurso a computadores, apenas com a ajuda de uma máquina caseira de reverbs e um gravador de cassetes Otari mx5050, com cerca de trinta anos, além dos instrumentos. Confere o resultado...

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publicado por stipe07 às 15:55






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