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Escapists – Only Bodies

Terça-feira, 07.10.14

Lançado no passado dia quatro de agosto, Only Bodies é o registo de estreia dos Escapists, um coletivo britânico oriundo de Londres e formado por Simon Glancy, Oli Court, Max Perryment e Andy Walsh. Apesar de colocarem no seu grupo de influências nomes tão significativos como TV On The Radio, The National, The Shins, Modest Mouse ou Broken Social Scene, entre muitos outros, ao ter escutado este Only Bodies ocorreu-me que um dos primeiros elogios que se pode fazer a estes Escapists é que parecem ser capazes de cimentar uma sonoridade muito própria e inédita, naturalmente abrangida pelo indie rock alternativo, feito de melodias épicas e luminosas, criadas com guitarras carregadas de efeito e distorção, um baixo vigoroso e uma percurssão potente.

Apesar de estar claramente balizado o espetro sonoro dos Escapists, há que clarificar que a experimentação sonora parece fazer parte do ADN do grupo e com Only Bodies o projeto estabelece essa permissa no primeiro capítulo de um cardápio que realmente promete. Entre uma saudável crueza algo lo fi e um clima que não renega momentos mais soturnos e sombrios, nomeadamente a belíssima Eyes e a inspiradora e levitante Wild Sea e climas mais animados e até dançáveis como Love ou Faraday Cage, este registo está impregnado de inspiradas peças melódicas que passam tangentes assertivas a alguns dos parâmetros que definem um estilo sonoro que vem fazendo escola desde os primórdios dos anos oitenta e um pouco por todo o alinhamento, com um ritmo que transpira de maneira natural e particular muito do que vem sendo produzido por alguns grupos citados e que sustentam o que de melhor se vem escutando no universo sonoro indie contemporâneo.

Assim, os dez temas de Only Bodies, consolidam um projeto que serve-se das guitarras, mas que também utiliza alguma sintetização para fugir ao óbvio de forma madura e cativante, olhando delicadamente para os anos setenta e estabelecendo uma conexão com as pistas de dança do passado e do presente. Tudo isto está claramente plasmado na explosiva e jovial Blood, talvez a canção que melhor carateriza o rumo sonoro dos Escapists, com uma toada algo dance punk e com uma natureza instrumental que se divide entre a aceleração dos Gang Of Four e as experimentações de uns Foals.

Only Bodies é um disco leve e aventureiro e acaba por ser um excelente exemplo daquele género de trabalhos que não querendo residir num universo demasiado alternativo, não deixam de se confrontar abertamente com as imposições comerciais de maneira individual, sem qualquer pensamento ou amarra sonora que parta de um conceito maior ou que ligue todas as canções. É um álbum que produz efeito com o tempo, extremamente agradável, que escorre com ligeireza e faz sorrir, mas também é, sem dúvida, mais um daqueles discos que exigem várias e ponderadas audições, porque cada canção esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências acústicas que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Escapists - Only Bodies

01. Faraday Cage

02. Breaking It Up
03. Love
04. Eyes
05. Blood
06. Ocean Of Noise
07. Wild Sea
08. Phantom Limb
09. Only Bodies
10. Bones

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publicado por stipe07 às 21:05

Germany Germany - Substance

Terça-feira, 07.10.14

Germany Germany - "Substance"

Oriundos da cidade de Victoria, nos antípodas, os australianos Germany Germany são Graham Keehn, Nathan Willson, Michael Matier e Drew Harris, um quarteto que se prepara para editar um homónimo, já no próximo dia vinte e cinco deste mês.

Substance é o mais recente avanço divulgado de Germany Germany, um título irónico para uma canção que só tem como letra um simples verso que diz I can’t let you go. Seja como for, após várias audições, começa a ser claro que o indie rock de cariz fortemente etéreo e experimental destes Germany Germany é bastante rico e assertivo.

A serenidade do longo instrumental que abre o tema é interrompida por um breve momento de silêncio e este é o ponto fulcral da canção, já que a partir daí somos lançados para diante através de um loop de guitarra e uma batida frenética e fortemente emotiva, enquanto Drew repete até à exaustão a curta mas significativa letra de Substance. Uma viagem musical cósmica imperdível. Lá para o final do mês regressarei a estes Germany Germany, para divulgar o restante conteúdo de um disco que promete. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:24






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