Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Hamilton Leithauser – Black Hours

Hamilton Leithauser, vocalista dos The Walkmen, estreou-se recentemente nos discos em nome próprio com Black Hours, um álbum editado através da Ribbon Music e que, não deixando de aclarar, em alguns momentos, a relação de Hamilton com a sua banda, evidencia o assumir de novos rumos, menos soturnos e mais expansivos, à custa de emoções fortes embrulhadas em temas simples, adornados com enorme versatilidade e um elevado pendor pop.

É importante escutar e escrever sobre Black Hours e não descurar a importância de alguns nomes que são protagonistas ativos e presentes no seu conteúdo. Colaboram com Leithauser neste álbum outros artistas significativos da cena alternativa atual, nomeadamente Paul Maroon, antigo parceiro nos The Walkmen, Amber Coffman dos Dirty Projectors e Richard Swift do The Shins, além de Rostam Batmanglij, multi instrumentista dos Vampire Weekend e responsável pela produção de Black Hours, obra onde não se inibiu de balançar entre dois opostos, uma base mais comercial, percetível, por exemplo, em Alexandra e otra onde o enfoque sonoro abraçou com particular mestria o experimentalismo, exemplificado nos batuques e nas distorções psicadélicas de Bless Your Heart.

Há uma incontida vontade do músico em conquistar um público bem definido e diferente dos admiradores habituais dos The Walkmen; Escuta-se o piano de 5 AM e de St Mary's County e a forma como a sua voz irrequieta se posiciona perante os desafios que as duas melodias colocam e percebe-se imediatamente que não é também inocente a escolha do artwork do disco e que estamos na presença de um artista que pretende sair do nicho indie e alternativo, onde os The Walkmen são uma importante referência, para procurar atingir um universo mais abrangente e onde reinam referências obrigatórias da história da música da segunda metade do século passado, algures entre Paul Simon, Springsteen, Randy Newman e Sinatra.

O que Black Hours tem e facilmente nos fascina é uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo a cor, o sonho e o erotismo de The Silent Orchestra, poderão facilmente fazer-nos abanar a anca, sem percebermos muito bem como e porquê. Há, por exemplo, nas marimbas dessa canção e de O'Clock Friday Night, aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhadas por um sintetizador delicioso, que fazem das canções uma festa pop, psicadélica e sensual. E depois há, na já referida Alexandra, uma escolha feliz para single, uma composição sonora onde Leithauser aventura-se na sua própria imaginação, construída entre a sua devoção aos autores clássicos da América que o viu nascer e a indie pop fresca e luminosa, onde cabem todos os sonhos.

Nas dez canções de Black Hours, Hamilton Leithauser contorna todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é sonoramente tão bem retratado em I Don't Need Anyone, uma canção onde tudo o que o atrai e influencia é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, inclusivamente o habitual cardápio que propunha nos The Walkmen, especialmente em Heaven. Longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais, este artista reforça o brilho raro que tem acompanhado a sua carreira artística na simplicidade do trabalho e que esta nova fase a solo parece querer reforçar. Espero que aprecies a sugestão...

Hamilton Leithauser - Black Hours

01. 5 AM
02. The Silent Orchestra
03. Alexandra
04. 11 O’Clock Friday Night
05. St Mary’s County
06. Self Pity
07. I Retired
08. I Don’t Need Anyone
09. Bless Your Heart
10. The Smallest Splinter


autor stipe07 às 17:24
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Shy Boys - Life Is Peachy

Shy Boys

Oriundos de Kansas City, os norte americanos Shy Boys são Collin Rausch, Kyle Rausch e Konnor Ervin, um trio que surpreendeu em 2013 com Peachy, o disco de estreia e que está de regresso com Life Is Peachy, um novo single, que terá edição física no próximo dia quinze de julho, via High Dive Records.

Uma voz única, produzida com o vintage eco lo fi tão em voga atualmente e conduzida por uma percurssão acelerada e distorções de guitarra que vão beber ao cruzamento da surf music com a psicadelia, fazem a receita desta nova canção dos Shy Boys, disponbilizada para download e que se espera ser o avanço para um novo trabalho da banda. Confere...


autor stipe07 às 10:54
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Domingo, 29 de Junho de 2014

Sleaford Mods - Divide And Exit

Lançado no passado dia vinte e oito de abril pela Harbinger Sound, Divide And Exit é o novo álbum dos Sleaford Mods de Andrew Fearn e Jason Williamson, uma dupla oriunda de Grantham, o local onde nasceu Margaret Thatcher e que aposta na herança punk que, na Inglaterra de onde são oriundos, floresceu, curiosamente, num período conturbado da história do reino, devido à contestação social ao governo dessa ex primeira ministra britânica, no início da década de oitenta.

O punk rock está de regresso e em força com os Sleaford Mods, uma verdadeira lufada de ar frasco que se sente em catorze canções que não encontram facilmente paralelo no cenário indie atual e que aposta num hardcore que tem na voz agressiva, no baixo e nas guitarras que vão beber ao punk dos anos oitenta, os traços identitários mais significativos. Na verdade, basta ouvir cinco segundos da primeira música do disco para se antecipar com elevado grau de certeza o restante conteúdo do álbum, feito com canções construídas em cima de uma batida quase sempre com o mesmo andamento.

Definido pela crítica britânica como o novo som do medo e do delírio em East Midlands, Divide and Exit é raiva e energia, algo que os Sleaford Mods têm de sobra e debitam através de um som barulhento e agressivo, cerca de quarenta minutos onde a dupla explora, com muito gosto e sucesso, as possibilidades infinitas da herança punk rock que nomes como ou os The Clash, The Chuddy Nuddies, os Sex Pistols e, já nos anos noventa, os The Streets foram fiéis depositários. O próprio registo vocal dos Sleaford Mods remete-nos claramente para o reportório de Mike Skinner.

Com uma linguagem explícita em quase todo o alinhamento e com várias referências aos problemas da assim como ao uso de substâncias psicotrópicas, incluindo as drogas duras (The Corgi), os Sleaford Mods tentam transformar em hinos sonoros as diferentes manifestações de raiva adolescente que costumam preencher o ideário juvenil típico dos subúrbios das grandes metrópoles britânicas e da diversidade social e cultural que aí existe, transportanto essa luta diaria pela sobrevivência para o cenário lírico das suas canções, encaixadas de forma a criar um alinhamento fluído e acessível, apesar da especificidade do som que os carateriza.

 

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, onde se destacam alguns arranjos sintetizados e samples de sons e ruídos, Divide And Exit merece toda a nossa atençao a partir do momento em que usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Sleaford Mods de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos e que façam com que a dupla tenha direito a agitar a bandeira de novos líderes sonoros de uma faixa etária sempre ávida de referências e de hinos que sirvam de banda sonora para os instantes de pura rebeldia e confronto com os cânones e o poder instalado.

Em suma, durante Divide and Exit os Sleaford Mods não fogem muito da sua habitual zona de conforto e procuram lutar com garra, criatividade e uma apurada dose de diversão contra os estereótipos da sociedade dominada por uma classe média alta alinhada quase sempre com um certo conservadorismo tépido, através de uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário musical britânico há mais de três décadas. Espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 23:21
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Sábado, 28 de Junho de 2014

Strand of Oaks - Heal

Goshen, no estado de Indiana, é o porto de abrigo do norte americano Timothy Showalter, o grande mentor do projeto Strand Of Oaks que, com quinze anos, no sotão de sua casa, se sentiu alienado do resto do mundo e percebeu que a música seria a sua cura e a composição sonora a alquimia que lhe permitiria exorcizar todos os seus medos, problemas eangúsitas. Esta é a ideia que suporta Goshen '97, o tema de abertura de Heal (cura), um disco que acaba de surpreender o universo sonoro, um compêndio de dez belíssimas canções, editado no passado dia vinte e quatro por intermédio da Dead Oceans.

Década e meia depois dessa visão, Timothy é hoje uma espécie de reverendo barbudo e cabeludo, que vagueia pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young ou Devendra Banhart; Encharcado, pega no piano, na viola elétrica e em sintetizadores cheios de efeitos e canta sobre tudo aquilo que o impeliu para o mundo da música, mas também sobre viagens sem destino, o amor, o desapego às coisas terrenas e a solidão.

O aparecimento de Devendra Banhart no começo da década passada teve uma importância única para o resgate das influências hippies bem como o fortalecimento de um som de oposição ao que propunham as guitarras típicas da cena indie norte americana, principalmente o que era construído em Brooklyn, Nova Iorque. Strand Of Oaks é mais um novo nome que arrisca, com sucesso, a mergulhar fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas apoiado num som montado em cima de um imenso cardápio sonoro e musical que, de mãos dadas com uma produção irrepreensível, nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

É curioso atravessar as pontes que Timothy construiu em Heal, tendo sempre como permissa a busca de uma súmula de referências noise, folk e psicadélicas. Ele consegue ir do caraterístico punk rock feito com um baixo proeminente e guitarras simultaneamente sombrias e carregadas de distorção, como se escuta em For Me ou na homónima Heal, até a uma toada mais pop que em Plymouth e Wait For Love, o tema que encerra de forma magnífica o disco, servem-se do mesmo baixo, mas agora acompanhado por um piano épico e sedutor, adornado por camadas sonoras ricas em detalhes implícitos, mas que nunca ofuscam o desejo de serem as cordas do baixo, na primeira, e as teclas do piano, na segunda, as pedras de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema.

Heal tem uma atmosfera viciante e introspetiva, é um disco que se ouve de punhos cerrados com a convicção plena que tem conteúdo e que o mesmo, ao impelir-nos à reflexão interior, pode dar um pequeno contributo para que aconteça algo que faça o bem a nós próprios. É um disco que exala certeza e coerência nas opções sonoras que replica, um emaranhado de antigas nostalgias e novas tendências, que reproduzem toda a força neo hippie que preenche cada instante de um álbum tipicamente rock, mas que também se deixa consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem também algumas das dez canções e expandem os territórios deste artista verdadeiramente singular. A simbiose entre estes dois géneros possibilita que frequentemente se encontrem, como em Shut In, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma feliz aproximação com o cancioneiro norte americano, suportado na herança de Bruce Springsteen.

Heal é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Timothy sereno e bucólico, através de uma viagem cheia de versos intimistas que flutuam livremente, um compêndio de várias narrativas onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, o existencialismo e as perceções humanas, fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a habitual riqueza instrumental da folk não foi descurada, mas com a eletrónica a ser também uma das forças motrizes que dá vida aos cerca de quarenta minutos que este disco dura. Obrigado ao Ricardo Fernandes pela dica e pela presença constante neste espaço e espero que aprecies a nossa sugestão...

1. Goshen '97
2. HEAL
3. Same Emotions
4. Shut In
5. Woke Up To The Light
6. JM
7. Plymouth
8. Mirage Year
9. For Me
10. Wait For Love


autor stipe07 às 14:32
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Thee Oh Sees - Drop

Depois de ter anunciado que os The Oh Sees de John Dwyer estariam numa espécie de período sabático e que Dwyer estava concentrado num novo projeto a solo chamado Damaged Bug, a banda surpreendeu, mostrou-se ativa e tem um novo disco lançado. O novo álbum desta banda onde a Dwyer se junta a roliça Brigid Dawson, chama-se Drop e viu a luz do dia a dezanove de abril, o último Record Store Day, através da Castle Face, a editora do prório Dwyer.

Penetrating Eye, o visceral tema de abertura de Drop, foi o primeiro single do álbum divulgado e depois da introdução sombria, a canção explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca da manutenção do ADN dos Thee Oh Sees ao longo dos poucos mai de trinta minutos que duram as nove cançoes do disco, que curiosamente conclui com a balada The Lens, uma canção que surpreende pelos belíssimos arranjos orquestrais, onde não faltam inéditos instrumentos de sopro.

Oriundo do sempre profícuo cenário musical de São Francisco, uma cidade onde reside um verdadeiro manancial de bandas e projetos que assumem o gosto por sonoridades alternativas e onde sobressaiem nomes como Ty Segall ou Mikal Cronin, os Thee Oh Sees são outra referência local obrigatória e um dos grupos mais bem sucedidos do cenário indie norte americano. Já agora, Cronin participa em Drop, assim como Chris Woodhouse, Greer McGettrick e Casafis, outros intervenientes ativos do atual indie rock alternativo norte americano.

A viverem um período de intensa criação musical e aditar em média um disco por ano, apesar do tal anúncio de pausa, em Drop o casal continua a espicaçar ainda mais o arsenal instrumental que guarda no estúdio, com uma visão um pouco mais domesticada das guitarras relativamente a Floating Coffin ou Carrion Crawler/The Dream, dois antecessores da banda, mas ainda a transbordar de fuzz e de distorção, numa viagem que leva-nos do noise, ao grunge, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, à medida que se sucedem canções simples, mas verdadeiramente capazes de empolgar os ouvintes.

Mas Drop não vive só das guitarras; Basta escutar-se o baixo em Savage Victory e em Transparent World para se perceber a importância que este instrumento também tem para a exploração de um som alongado, além de ser um factor decisivo para o abraço constante que junta o punk com a psicadelia, de modo a criar uma atmosfera verdadeiramente nostálgica e hipnotizante.

Escuta-se Drop e a sensação que fica é que os The Oh Sees atravessaram novamente as barreiras do tempo até uns vinte anos atrás mas, ao mesmo tempo, mantêm-se joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo de São Francisco mantém a sua insana cartilha de garage folk e rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deles é uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão... 

01 – Penetrating Eye
02 – Encrypted Bounce (A Queer Song)
03 – Savage Victory
04 – Put Some Reverb on My Brother
05 – Drop
06 – Camera
07 – The Kings Nose
08 – Transparent World
09 – The Lens


autor stipe07 às 17:27
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Viet Cong - Static Wall

Viet Cong

Uma das melhores surpresas do ano são os Viet Cong, uma banda formada por Matt Flegel e Mike Wallace, dois músicos dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou suadades no universo sonoro alternativo.

No próximo dia oito de julho os Viet Cong vão editar através da Mexican Summer, Cassette, um EP que irá incluir no seu alinhamento Static Wall, uma incrível canção que nos leva numa viagem do tempo até à psicadelia dos anos setenta, uma sonoridade que já tinha ficado patente em outros dois temas editados em stembro do ano passado no bandcamp do grupo e partilhados abaixo. Confere...


autor stipe07 às 14:04
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Hallelujah The Hills – Have You Ever Done Something Evil?

Os Hallelujah The Hills são uma banda indie de Boston, no Massachusetts, formada em 2005 e com Ryan Walsh, Joseph Marrett, Ryan Connelly, Briant Rutledge e Nicholas Ward na formação. Depois de Collective Psychsis Begone (2007) e Colonial Drones (2009), conheci-os em 2012 com No One Knows What Happens Next, um disco disponível para download gratuito no bandcamp da banda e agora, dois anos depois, regressaram aos lançamentos discográficos, no passado dia treze de maio, com Have You Ever Done Something Evil?, um álbum que contou com as participações especiais de Madeline Forster e Dave Drago, tendo sido gravado nos estúdios 1809 Studios, em Nova Iorque e produzido pela própria banda e Dave Drago.

Os Hallelujah The Hills são mais um daqueles bons exemplos de uma banda que aposta em discos que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta, álbuns que usam, quase sempre, artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período e que é hoje a génese daquilo a que chamamos indie rock alternativo. No fundo, baseiam-se numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.
Esta banda de Boston incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, mas também não descura o uso de arranjos que vão beber à herança radiante da folk. As cordas de Home Movies e de Pick Up An Old Phone, o primeiro single retirado do disco, a distorção subsequente nos dois temas e a secção de sopros do primeiro, transportam-nos para o âmago do cancioneiro norte americano e a aproximação a ambientes mais psicadélicos pressente-se em A Domestic Zone e em Do You Have Romantic Courage. O single é uma canção que deve a sua pujança à bateria e ao baixo, instrumentos com os quais a voz de Ryan encaixa na perfeição, algo sublimado com os coros que preenchem o refrão.
Mas o som dos Hallelujah The Hills também é capaz de ir à costa oeste, com o cariz lo fi mais típico da Califórnia a prevalecer em temas como We Are What We Say We Are, onde as guitarras aproximam-se particularmente do surf rock típico da década de sessenta.
Have You Ever Done Something Evil? é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, que se destaca particularmente em Destroy This Poem e em The Possible Nows, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.
Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Have You Ever Done Something Evil? usa letras simples e guitarras aditivas, sendo clara a capacidade deste quinteto norte-americano em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que tem-se repetido à medida que cresce o catálogo da banda, que vai compilando com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Ryan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Hallelujah The Hills - Have You Ever Done Something Evil

01. We Are What We Say We Are
02. Try This Instead
03. Destroy This Poem
04. Do You Have Romantic Courage?
05. I Stand Corrected
06. Home Movies
07. A Domestic Zone
08. Pick Up An Old Phone
09. The Possible Nows
10. MCMLIV (Continuity Error)
11. Phenomenonology
12. You Got Fooled

 


autor stipe07 às 22:00
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Dom - My Drug Buddy (Lemonheads Cover)

Dom

Há já algum tempo que não havia novidades dos Dom, nomeadamente desde que no último outono lançaram uma série de instrumentais com uma forte compomente eletrónica. Mas esta banda de Worcester parece querer regressar ao rock, agora que acabam de gravar uma cover de Drug Buddy, um clássico de 1992 dos Lemonheads incluído no disco It’s A Shame About Ray. A cover está disponível para download, via Stereogum. Confere...


autor stipe07 às 21:51
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Sleep Party People – Floating

Os Sleep Party People são um projeto dinamarquês encabeçado e idealizado pelo músico, compositor e multi-instrumentista Brian Batz, natural de Copenhaga. Já tinha falado deste projeto há cerca de dois anos quando divulguei We Were Drifting On A Sad Song, o quarto EP do grupo, lançado a nove de abril de 2012. Agora, no passado dia dois de junho, chegou aos escaparates Floating, o terceiro longa duração dos Sleep Party People, uma banda que ao vivo, além de Brian Batz, conta com os contributos de Kaspar Kaae, Ask Bock, Rasmus Lindahl e Jacob Haubjerg.

Os Sleep Party People fazem uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Change In Time, a canção de abertura do álbum, In Another World e Floating Blood Of Mine, os três tremas que a voz de coelho entretanto divulgou, localizam-se entre o sono e o estado de consciência, ou seja, transportam-nos até aquele limbo matinal e intimista, mas Batz, um produtor cada vez mais maduro e assertivo, parece desta vez apostado em sair um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostar num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, que as guitarras de I See The Moon também apontam, adornadas pela belíssima voz de Lisa Light, a vocalista dos The Lovemakers.

Se estas quatro canções, por si só, já justificam uma audição dedicada de Floating, há outros temas que merecem destaque, nomeadamente I See The Sun, Harold, aquela em que Batz mais se afasta da sua habitual zona de conforto, em oposição a Only a Shadow, um momento em que os pianos caberiam exemplarmente no alinhamento de We Were Drifting On A Sad Song.

Ouvir Floating é, em suma, apreciar um conjunto de nove canções que transmite todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. A Stranger Among Us, a melhor música do álbum, vem descortinar isso mesmo. Estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, mais uma vez, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, mas agora com melodias que exploram uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente o invade. A melancolia continua nas notas do piano e do violino, mas a bateria e os sintetizadores deixam uma marca mais profunda em canções que parecem feitas para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Floating serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Floating

01. Change In Time
02. Floating Blood Of Mine
03. A Stranger Among Us
04. In Another World
05. Death Is The Future
06. I See The Sun, Harold
07. I See The Moon
08. Only A Shadow
09. Scattered Glass


autor stipe07 às 20:54
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Mazes - Astigmatism

Mazes - "Astigmatism"

Os Mazes são Conan, Jack e Neil, um trio de indie rock britânico e acabam de anunciar o lançamento de Wooden Aquarium, o terceiro disco de originais da carreira da banda e que irá ver a luz do dia já a oito de setembro através da Fat Cat.

Os Mazes recrutaram Jonathan Schenle, habitual colaborador dos Parquet Courts, para produzir o álbum e Astigmatism, o primeiro single retirado do disco, já plasma essa influência ao incorporar uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e de movimento da composição.

Confere Astigmatism e depois recorda Ores & Minerals, o último disco dos Mazes, que abre com a fantástica e hipnótica Bodies, uma das canções do último ano...


autor stipe07 às 18:22
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Philip Selway - Coming Up For Air

Weatherhouse

Weatherhouse, o novo disco de Philip Selway, o baterista dos Radiohead, chega às lojas a sete de outubro através da Bella Union, um disco que sucede a Familial, o disco de estreia do músico, lançado há cerca de três anos.

Coming Up For Air é o primeiro single conhecido de Weatherhouse, uma canção que poderia muito bem ter sido escrita por Thom Yorke e que impressiona pelo falsete e pela atmosfera criada por alguns efeitos hipnóticos e uma tensão rítmica contínua, aspetos que ajudam a cimentar a ideia de que as contribuições de Selway para os Radiohead deevriam ter uma maior efetividade na sonoridade da banda e nunca serem menosprezadas. Confere...

 


autor stipe07 às 16:55
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Terça-feira, 24 de Junho de 2014

Le Rug - Press Start (The Collection)

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records, um nome importante do cenário indie punk local e que integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug é a sua nova aposta e Press Start (The Collection) a nova coleção de canções que apresentou ao mundo, no passado dia dezassete de junho, por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Com vários temas disponíveis para download, Press Start (The Collection) é um disco com trinta e duas canções e que faz um apanhado da discografia dos Le Rug. Assim, o álbum contém no alinhamento alguns dos destaques dos discos Sex Reduction Flower Party Rock, do EP Sticky Buns e dos dois EPs que os Le Rug já editaram este ano, Dead In A Hole e Cut Off Your Dick And Turn Into Slime.
Com uma instrumentação vincada, assente numa linha de baixo encorpada e em guitarras carregadas de fuzz, Harold Camping será talvez o maior destaque de uma compilação que faz uma resenha da carreira atribulada de um músico que passou por váriss bandas, lançou uma quantidade já apreciável de discos, mas é nos Le Rug que melhor se sente e mais se entrega enquanto músico e compositor. 2-CE, o segundo tema do alinhamento, será, no entanto, de escuta obrigatóra já que é essencial para se perceber a receita dos Le Rug, que se baseia numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.
Press Start (The Collection) é uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, composições sonoras que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É um compêndio concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições e que tanto se arriscam em aproximações ao grunge (Making Vaseline), como ao punk mais hardcore (Kathleen) ou ao surf rock, neste caso mais implícitas, mas audíveis em temas como Humam Papillomavirus e Tripper, havendo também momentos em que se ultrapassa as fronteiras da psicadelia, como em Happiness ou Kirby. O próprio rock alternativo americano dos anos noventa não é esquecido e temas como Buffalo ou Godstar misturam bem a voz sempre vincada com letras algo sensíveis e melodias mais acessíveis, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza o que, em algumas canções, perde em distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não deixar de fazer sempre parte do cardápio sonoro dos Le Rug.

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Press Start (The Collecton), merece toda a nossa atençao a partir do momento em que usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Le Rug de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:04
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Zola Jesus - Dangerous Days

Zola Jesus

Desde que Zola Jesus publicou um trailer relacionado com Taiga, o seu novo álbum, era aguardada com expetativa a divulgação do primeiro avanço desse disco. Esse momento finalmente chegou com Dangerous Days, uma fantástica canção que podes obter gratuitamente no website de Zola Jesus em troca de um endereço de email. Taiga chega ao mercado a sete de outubro, através da Mute Records. Confere...


autor stipe07 às 12:02
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2014

Fucked Up - Glass Boys

Editado pela Matador Records, chegou no passado dia três de junho às lojas Glass Boys, o quarto álbum da carreira dos canadianos Fucked Up, um dos nomes mais importantes do cenário punk rock atual e que aposta num hardcore que tem na voz agressiva de Damian Abraham e nas guitarras de Mike Haliechuk, que vão beber ao punk dos anos oitenta, dois dos traços identitários mais significativos.

Glass Boys marca mais uma etapa deste coletivo na replicação de um som barulhento e agressivo, depois da timidez de Hidden World (2006), de buscas melodiosas em The Chemistry of Common Life (2008) e da história de amor que foi David Comes To Life, o antecessor, editado em 2011, um álbum de mais de setenta minutos de duração e que mostrava a banda a explorar, com muito gosto e sucesso, as possibilidades infinitas do punk rock mais pesado. 

Habituados a transformar em hinos sonoros as diferentes manifestações de raiva adolescente que costumavam preencher o ideário lírico das suas canções, Glass Boys, mostra-nos uns Fucked Up mais maduros e controlados e ainda com novos truques na manga, nomeadamente alguns pequenos arranjos pop. Além da receita habitual, a introdução de Warm Change e o refrão pesado de Led By Hand mostram que os Fucked Up tentaram experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola, algo que a viola que introduz o tema homónimo também pode comprovar, uma canção que fala sobre o passado que há em cada um de nós e a influência que as experiências anteriores têm na definição daquilo que cada um de nós é hoje. As mudanças de andamento entre o refrão e os versos de The Great Divide também impressionam pela novidade e depois, além disso, será sempre obrigatório escutar DET e Paper The House para quem aprecia verdadeiramente o ADN específico destes Fucked UP que sabem encaixar as canções de forma a criar um alinhamento fluído e acessível, apesar da especificidade do som que os carateriza.

Em suma, neste Glass Boys os Fucked Up não fogem muito da sua habitual zona de conforto, mas continuam a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de quarenta e dois minutos intensos, rugosos e que não envergonham o catálogo sonoro deste grupo de Toronto. Espero que aprecies a sugestão...

01 Echo Boomer
02 Touch Stone
03 Sun Glass
04 The Art Of Patrons
05 Warm Change
06 Paper The House
07 DET
08 Led By Hand
09 The Great Divide
10 Glass Boys


autor stipe07 às 17:51
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Eternally Dizzy - People Walking

Eternally Dizzy é uma nova banda de Columbus que inclui membros dos Van Dale, This Is My Suitcase e Sleep Fleet. E tal como estas bandas, os Eternally Dizzy exibem uma capacidade ímpar para criar aquele indie rock melódico e incisivo que marcou toda uma geração que viveu intensamente a última década do século passado, feito de canções caseiras e perfumadas por distorções de guitarra, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.

People Waiting é o primeiro avanço para Dirty Dirt, o próximo EP dos Eternally Dizzy, uma excelente canção, disponível para download, via Stereogum.


autor stipe07 às 13:15
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Domingo, 22 de Junho de 2014

Clap Your Hands Say Yeah – Only Run

Lançado no passado dia três de junho por intermédio do consórcio CYHSY Inc./Xtra Mile Recordings e produzido por Dave Fridmann, Only Run é o novo disco dos norte americanos Clap Your Hands Say Yeah, o quarto da carreira de uma banda oriunda de Brooklyn, Nova Iorque e que de quinteto passou em 2012 a apenas uma dupla, formada por Alec Ounsworth e Sean Greenhalgh.


Only Run marca mais uma inflexão sonora na carreira dos Clap Your Hands Say Yeah, que começaram numa toada exeprimental, depois procuraram ser dançáveis e agora optaram por uma sonoridade mais melancólica e introspetiva, uma troca do entusiasmo por paisagens mais experimentais e negras, que podem não agradar aos seguidores da banda que viam nela potencial para outros voos, num universo sonoro mais extrovertido e eletrónico.

Matt Berninger, vocalista dos The National, é um convidado apropriado para o ambiente que suporta este disco. Ele participa com a sua voz em Coming Down, uma canção que começa com um baixo ruidoso e intimidante, duas caraterísticas apropriadas para o encaixe pleno da voz grave e dominadora de Matt. Esta metamorfose acentua-se  no clima sombrio e algo cru de Blameless e Beyond Illusion, duas canções onde a percussão etérea gela os nosos ouvidos, o mesmo clima frio e desolador que se escuta em Little Moments, apesar da presença de um sintetizador, que procura, teimosamente, assumir-se um foco divergente, assim como o baixo da canção homónima, que apesar de nos remeter de imediato para a herança do post punk dos anos oitenta, consegue, de algum modo, conferir um cariz um pouco mais expansivo e aberto ao clima geral do disco.

Muitas vezes, em momentos de perca e de aparente infortúnio, a procura de novos ares e de uma identidade diferente pode ser uma solução conveniente ou ideal, dependendo dos resultados que acontecem com a ação dessa tomada de decisão. Teria sido mais simples para Alec, o líder deste projeto, ter terminado com a marca Clap Your Hands Say Yeah quando perdeu três músicos e ficou apenas com Sean ao seu lado. Juntos poderiam ter iniciado um projeto diferente, ou cada um poderia ter seguido o seu rumo, mas decidiram manter acesa a chama e, na minha opinião, tomaram a decisão mais certa. Only Run é um excelente disco para uma nova etapa na vida dos Clap Your Hands Say Yeah que parecem procurar novas boas ideias como comprovam algumas canções que parecem inacabadas, mas que comprovam que eles não desistem de procurar o seu lugar de relevo, diferencial e distinto no cenário musical alternativo. No futuro irão reencontrar um novo apelo como fizeram na estreia e, no entanto, nunca se sabe se, entretanto, acontece outra metamorfosoe. Na mente de Alec tudo parece possível. Espero que aprecies a sugestão...

Clap Your Hands Say Yeah - Only Run

01. As Always
02. Blameless
03. Coming Down
04. Little Moments
05. Only Run
06. Your Advice
07. Beyond Illusion
08. Impossible Request
09. Cover Up
10. Impossible Request (Alternate Version)


autor stipe07 às 22:01
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Sábado, 21 de Junho de 2014

Echo And The Bunnymen – Meteorites

O Liverpool não ganhou, por uma unha negra e para grande desgosto meu, a última edição da Barclay's Premier League, mas deu-me o prémio de consolação de haver uma das bandas mais importantes do indie rock britânico natural dessa cidade ter regressado aos discos. Falo, naturalmente, dos Echo And The Bunnymen de  Ian McCulloch e Will Sergeant, a metade que resta da formação original de um grupo com trinta e seis anos de carreira já que Pete de Freitas morreu em 1989 e, depois de se terem reunido de novo em finais dos anos noventa, Les Pattinson participou apenas no primeiro álbum após essa reunião, saindo de cena em 1998.

Lançado no passado dia vinte e seis de maio, Meteorites cessa um hiato de cinco anos nos discos, sendo já o décimo segundo trabalho do grupo e o sexto neste segundo fôlego e que coincide com os trinta anos de Ocean Rain, a obra-prima dos Echo And The Bunnymen e um dos álbuns fundamentais dos anos oitenta.

Banda de referência do pós punk de Terras de Sua Majestade, os Echo And The Bunnymen mantêm neste novo trabalho a firme aposta no universo indie feito com as guitarras que tanto vão beber às referências pop dos anos sessenta como ao conteúdo mais indie rock dos anos oitenta. À frente das cordas, Will Sergeant não complica, mas mostra-se bastante inventivo, melódico e hipnótico, protagonizando, assim, os melhores momentos instrumentais do disco.

Meteorites encontra a dupla a olhar nostalgicamente para si mesma e a para a carreira do grupo, em busca de uma espécie de súmula dos melhores momentos, sendo perfeitamente audíveis ecos de alguns dos melhores instantes não só do já citado Ocean Rain, mas também do antecessor Porcupine, dois trabalhos lançados logo no início da década de oitenta. Mas não se pense que Meteorites vai apenas beber à herança dos próprios Echo and The Bunnymen; temas como o single Lovers On The Run, Holy Moses ou Grapes Upon The Vine assentam numa contemporaneidade que arrisca em usar as referências vintage e dar-lhe o toque sintético de modernidade, de forma a que tudo brilhe e encaixe.

Apesar da voz de Ian McCulloch acusar nitidamente anos e anos de abuso do álcool e do tabaco, os arranjos que foram escolhidos para a suportar são bastante criativos, algo que compensa uma menor projeção e faz com que o disco tenha uma áurea pop bastante cantarolável.

Liricamente, Meteorites pode ser lido um pouco como a inevitabilidade de um dia o nosso planeta receber a visita de um corpo celeste fora de rota. McCulloch é sincero e escreve muito sobre si próprio e os momentos em que ele próprio se desviou do seu caminho e criou um passado cheio de erros e alguns arrependimentos. Mostrando-se fortemente contemplativo, percebe que há instantes que poderiam ter sido diferentes e que não vê grande esperança no seu futuro, ao mesmo tempo que assume o destino e que o fim está cada vez mais próximo. Se em Holy Moses Ian questiona a sua espiritualidade, em This Is A Breakdown esta abertura aos ouvintes fortemente confessional, que plasma o receio do colapso final. atinge o auge melancólico e auto reflexivo.

Se há quem ainda persista em olhar para os Echo And The Bunnymen como uma dupla de dinossauros que não soube quando parar e que vive do circuito da nostalgia, eles insistem em desmentir esses arautos da desgraça mostrando uma incrível capacidade para ainda criar alguns momentos de puro brilhantismo dentro de toda a adversidade que tem pautado a carreira do grupo. Meteorites é um dos melhores disco da nova vida dos Echo And The Bunnymen e apesar das letras sombrias e cheias de fatalidade negativa e do evidente desgaste dos músicos, há aqui algumas canções e melodias que conquistam e que não envergonham o enorme legado do grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Echo And The Bunnymen - Meteorites

01. Meteorites
02. Holy Moses
03. Constantinople
04. Is This A Breakdown?
05. Grapes Upon The Vine
06. Lovers On The Run
07. Burn It Down
08. Explosions
09. Market Town
10. New Horizons

 


autor stipe07 às 22:05
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Gui Amabis - Trabalhos Carnívoros

Lançado no início desta semana por cá, apesar de já ter sido editado há mais de umano no Brasil, Trabalhos Carnívoros é o novo disco do músico brasileiro Gui Amabis, um trabalho muito bonito e o sucessor de Memórias Luso/Africanas, o seu primeiro disco a solo, editado em 2011 e que, na altura, contou com a participação de Céu, Tulipa Ruiz, Criolo, Lucas Santtana e Tiganá e que tinha uma ligação muito especial com Portugal, até pelas raízes maternas do músico.

Esta ligação de Gui a Portugal ampliou-se quando recebeu o convite de Rita Redshoes para produzir o seu novo disco, Life Is A Second Of Love, uma experiência que, de acordo com a entrevista que Gui me concedeu e que podes conferir adiante, foi  um enorme sucesso porque gostou muito de trabalhar com a Rita, uma artista incrível, muito focada e assertiva.

Trabalhos Carnívoros é um disco mais introspetivo que o anterior, um álbum onde Amabis assume todas as vozes e se afirma como cantor e compositor. O disco demorou cerca de três meses a ser gravado e a produção foi feita em parceira com Regis Damasceno (Cidadão Instigado). A dupla escolheu as músicas, os tons, a sonoridade e andamento e depois convidou Samuel Fraga (bateria) e Dustan Gallas (guitarra) para completar os arranjos.

De acordo com o artista, cada canção tem uma inspiração, mas tem duas coisas ou situações que o inspiraram, caminhar e se banhar. É um disco de paisagens sonoras e imagéticas, retratos de certos momentos da sua vida e por vezes escreve pra tentar entender as coisas que sente.

Do samba ao rock, passando por alguns detalhes típicos da folk e da bossa nova, Gui assume-se como um autor versátil num disco que presenteia-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que faz com que o álbum seja uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade. Assim que o disco começa somos rapidamente absorvido pelo mundo caleidoscópico de Gui, um universo cheio de cores e sons que nos causam espanto, devido à impressionante quantidade de detalhes que Amabis coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco. Ainda mais diversificado é o conjunto de ritmos, sons e incontáveis referências que borbulham enquanto se desenvolve Trabalhos Carnívoros; Sejam a pop agradável, nostálgica e nada descartável de Merece Quem Aceita e Pena Mais Que Perfeita, as pequenas transições pelo jazz e pela tal bossa nova em Trabalhos Carnívoros, o samba e a blues em Tiro e Um Bom Filme, ou mesmo todo o clima caliente de Consulta Mental, tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por diferentes épocas, estilos e preferências musicais.

Amabis dá as mãos a um emaranhado de referências que têm como elemento agregador a busca de um clima sonoro com uma elevado cariz ambiental, mas que não deixa de ser acolhedor, animado e otimista, muito por culpa de cordas luminosas e de alguns arranjos proporcionados por instrumentos de sopro que abrem janelas que nos permitem contemplar canções recheadas de versos intrigantes, instigadores e particularmente melódicos. Domina Trabalhos Carnívoros um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, como ilustra a capa de um disco que exalta a carne e vê nela uma harmoniosa fonte de conhecimento e inspiração musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje. Trabalhos Carnívoros representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. 

Além dos seus trabalhos de autor, Gui Amabis produziu grandes discos no Brasil tais como Vagarosa (2009) e Caravana Sereia Bloom (2012) da cantora Céu, São Matheus não é um lugar assim tão longe (2008) de Rodrigo Campos, Sonantes (2008) da banda Sonantes formado por ele, Rica Amabis, Pupillo, Dengue e Céu. Gui também trabalhou em várias bandas sonoras para filmes e séries de TV como: Collateral (2003), Lord of War (2004), Quincas Berro D'água (2010), Perfect Stranger (2007) Giovanni Improtta (2013), Bruna Surfistinha (2011), Filhos do Carnaval (2009) e Cidade dos Homens (2003). Confere abaixo a entrevista que Gui Amabis me concedeu e espero que aprecies a sugestão...

 

 

Depois do sucesso alcançado em 2011 com Memórias Luso/Africanas, o disco de estreia e onde ficaram logo patentes as tuas fortes ligações a Portugal, regressou aos lançamentos em 2012 com Trabalhos Carnívoros. Começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as expetativas para este novo trabalho?

Gui- Meu pai, desde que eu era um menino, sempre me dizia para não ter expectativas, pois a frustração seria quase certa, era uma espécie de doutrina, já que sempre fui um menino ansioso. Mas eu teimo em ter, acho que os portugueses vão entender minha poesia e sonoridade, e espero que as sintam também.

 

E, já agora, como nasceu esta forte ligação a Portugal e porque demorou o disco cerca de  dois anos a chegar a este lado do Atlântico?

Gui -Minha ligação com Portugal vem por conta da minha mãe, ela é filha de dois portugueses que emigraram pro Brasil no entre guerras. Essa avó, Firmina dos Prazeres Machado Cabral, foi a única com quem convivi, ajudou a me criar. Sinto que tenho valores parecidos com os daqui, além da genética. Lanço este disco somente agora por uma razão prática, somente neste momento um selo europeu se interessou.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição de Trabalhos Carnívoros foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, que idealizaste para o álbum inicialmente? E o resultado final correspondeu ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

Gui -Meu processo é uma constante mudança, até sentir que tudo faça sentido. Concordo consigo a respeito da sonoridade, tem muitos detalhes e melodias escondidas, tem que se ouvir muitas vezes para perceber. Mas ao mesmo tempo tento sempre limpar ao máximo os meus arranjos, deixando soar apenas o que é necessário. Neste caso tinha algumas melodias e ritmos nos ouvidos antes de começar a gravar, mas pra mim um arranjo é um organismo vivo, eu gosto que os músicos tragam ideias e que as coloquem em prática, portanto, cada um que entra muda a história.

 

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, quer orgânica, quer eletrónica, e também a criatividade com que selecionaste os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas tuas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota e depois existe um processo de agregação?

Gui -Geralmente começo a compor pela letra, uma frase me vem à cabeça, geralmente com uma melodia implícita. Depois vem o trabalho de completar a mensagem que a frase carrega e achar o complemento melódico. Para mim é como se fosse um quebra-cabeças, um jogo. Mas a letra, para mim, carrega a sua melodia.

 

Em que te inspiras no processo de escrita das letras? Escreves muito na segunda pessoa... Trabalhos Carnívoros é um disco conceptual?

Gui -Cada canção tem uma inspiração, mas tem duas coisas ou situações que me inspiram, caminhar e me banhar, por incrível que pareça. Não acho que seja um disco conceptual, sinto que seja um disco de paisagens sonoras e imagéticas. São retratos de certos momentos da minha vida, por vezes escrevo pra tentar entender as coisas que sinto.

 

Também achei curiosa a forma como satirizas no conteúdo e constróis as rimas e a métrica dos teus poemas, na forma e parece perfeita a colagem à componente melódica. Qual a percentagem de inspiração e transpiração em tudo isto?

Gui -Pra mim cada frase carrega a sua melodia, eu preciso de silêncio e concentração pra conseguir ouvir. Depois do encontro desta fagulha vem o trabalho de composição propriamente dito, criar outras frases, e suas melodias, e que essas façam sentido em conjunto com a inicial. Às vezes este processo demora, já cheguei a ficar mais de um ano pra terminar uma música, e ainda hoje quero mudar… 

 

Confesso que fiquei particularmente surpreso com a simplicidade do artwork de Trabalhos Carnívoros, da autoria de Rafael Grampá. Como surgiu a ideia?

Gui -Conheci  Grampá em 2004 e ficamos amigos e atentos ao trabalho um do outro. Assim que terminei meu disco sabia que ele era quem ia fazer a capa. Mostrei o disco e ele veio com tudo pronto. Foi estranho, muito rápido e acertado. Sinto que foi como umas das minhas frases, que aparecem do nada, como se não fossem minhas. Foi um presente…

 

Pena mais que perfeita. teve direito a um excelente vídeo, dirigido por Júlio Andrade e o já citado Rafael Grampá, além de contar com a presença do ator Daniel Oliveira. Como surgiu a oportunidade de trabalhar com nomes tão importantes e a inspiração para o conteúdo tão interessante e intenso deste vídeo?

Gui -Pois este foi outro presente, um dia recebi um telefonema do Júlio Andrade dizendo que iam fazer um clipe pra uma música minha e que precisavam da minha ajuda.  Júlio e Grampá moravam na mesma casa e Daniel é um amigo próximo dos dois. Cheguei lá e já estavam todos prontos pra filmar, foi tudo captado num dia e depois me enviaram pronto. Não dei opinião nenhuma, achei que a música era suficiente, sabia que estava lidando com gente muito talentosa.

 

Na verdade, pelo que li, costuma rodear-se de outros artistas nos discos. Em trabalhos Carnívoros divide a produção do disco, e duas canções (Pena Mais que Perfeita Menino Horrível), com o também multi-instrumentista Regis Damasceno e com Dengue, baixista da Nação Zumbi, que toca na faixa Consulta Mental, composta em parceria consigo. Como consegue, também na vertente musical, agregar à sua volta nomes tão ilustres?

Gui -Valorizo muito meus parceiros e a parceria em si. Sou uma pessoa que se preocupa com a música e me sinto um cara de sorte por conseguir encontrar essas pessoas. Somos todos amantes da música, acho que é isso que nos une.

 

Tens um largo historial como produtor e compositor de bandas sonoras, além dos teus discos. Sendo letrista, cantor, compositor e produtor, qual destas vertentes te dá mais gozo explorar?

Gui -Gosto de todas elas, me sinto feliz em qualquer uma destas posições. Ultimamente tenho gostado muito de tocar ao vivo e cantar. Gosto muito da minha banda (Regis Damasceno - Baixo, Dustan Gallas - Guitarra, Richard Ribeiro - Vibrafone e Samuel Fraga - Bateria), me divirto muito nos ensaios e concertos. 

 

O que move Amabis é apenas uma espécie de folk e indie pop experimental, com travos de samba, jazz e blues, ou gostarias ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do seu futuro discográfico?

Gui -Já aí tem muita coisa. Não faço planos neste sentido, procuro escutar o que está ao meu alcance, espero que a música me traga esta surpresa.

 

Quais são as três bandas ou projetos atuais que mais admiras?

Gui -Cidadão Instigado, Siba e Kid Koala.

 

Quando é que podemos ouvir estas músicas ao vivo por cá?

Gui -Dia 08/07 faço um pequeno concerto na Casa Independente com uma formação quase acústica. Tiago Maia e Rita Redshoes vão-me acompanhar nesta noite. 

 

Não posso terminar sem te perguntar... Como surgiu a oportunidade de trabalhar com a Rita Redshoes e produzir Life Is A Second Love, o último disco dela?

Gui -Foi mais uma destas surpresas, recebi um email da Rita me convidando para este trabalho e aceitei porque gostei muito da voz e da sonoridade. Ela conheceu meu som quando escutou uma faixa do último disco da Céu “Caravana Sereia Bloom”, registro que produzi. Gostei muito de trabalhar com a Rita, é uma música incrível.  Muito focada e assertiva. Durante o processo conheci músicos incríveis. Gostei tanto que voltei para terminar meu terceiro disco aqui, já gravei um quarteto de cordas e devo gravar voz ainda este mês. 


autor stipe07 às 16:34
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Music Go Music - Night After Night

Oriundos de Los Angeles, os norte americanos Music Go Music são um excitante trio formado Gala Bell, Kamer Maza e Torg, que vai lançar já em outubro Impressions, o novo trabalho da banda, através da Secretly Canadian.

Acabado de divulgar e disponibilizado gratuitamente pelos Music Go Music, o single Nite After Nite é um avanço promissor relativamente ao conteúdo desse álbum, um tema predominantemente sintético, mas feito de alegria e com sabor a Verão, divertido, dançante e que resgata todo o espírito dos setentas e dos oitentas , com um certo travo à soul típica da motown, mas com corpo de século XXI. Confere...


autor stipe07 às 13:27
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