Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Los Waves - Darling

Terça-feira, 06.05.14

Os Los Waves são uma dupla formada por José Tornada e Jorge da Fonseca e que tem dado nas vistas devido à sonoridade única e até algo inovadora, tendo em conta o panorama musical nacional. Começaram a carreira em Londres, em 2011, onde deram os primeiros concertos em salas icónicas como o Old Blue Last, Cargo e Camden Barfly e nesse mesmo ano, lançaram os primeiros EP’s, Golden Maps e How Do I Know, que deram logo que falar na imprensa, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. Rapidamente atravessaram o Oceano Atlântico para os EUA onde conseguiram colocar músicas em vários canais de televisão, nomeadamente a a MTV, FOX, AXN e CBS, com destaque para a participação em bandas sonoras de séries como Gossip Girl (com Strange Kind Of Love, uma música até hoje nunca editada), Jersey Shore (com a música Golden Maps) ou Mentes Criminosas (com a música Got A Feeling).

Apresentaram-se por cá em 2012 sob o nome League e rapidamente ganharam notoriedade, marcando presença em alguns festivais importantes no panorama nacional, como o EDP Paredes de Coura e o Milhões de Festa. Ainda em 2012, o EP Golden Maps é lançado em edição física no Japão pela Rimeout Recordings e, no ano seguinte, chegou aos escaparates Got A Feeling, um EP com três canções envolvidas por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial.

Agora, em 2014, chegou finalmente a altura de editar um longa duração e Darling é o primeiro single de estreia do álbum This Is Los Waves So What, um registo que tem data de lançamento prevista para Setembro, via Sony Music Portugal. Já agora, o No Budget Video desta música é, segundo a banda, uma afirmação contra a imposição do poder económico como ferramenta obrigatória de afirmação no mercado musical. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 16:39

The Antlers - Hotel

Terça-feira, 06.05.14

The Antlers - "Hotel"

Um dos discos que aguardo com maior expetativa é Familiars, o novo trabalho dos The Antlers, uma banda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada por Peter Silberman, ao qual se juntam Darby Cicci e Michael Lerner.

Depois de terem revelado o video de Palace, o primeiro tema do alinhamento de Familiars, agora foi editado, em formato single, Hotel, uma das canções mais bonitas do disco, não só devido ao piano que sustenta a canção, mas também por causa do falsete de Peter.

Hotel tem um intenso caráter relaxante e absorve as habituais referências dos The Antlers, próximas do post rock e de outras mais etéreas, que passam também pelo jazz e pela música experimental. Confere...


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:48

Thievery Corporation – Saudade

Segunda-feira, 05.05.14

Lançado no passado dia um de abril por intermédio da própria etiqueta da banda, a ESL Music Label, Saudade é o novo álbum dos Thievery Corporation, o sétimo registo de originais da carreira desta dupla formada por Eric Hilton e Rob Garza. Saudade está disponível para audição no soundcloud dos Thievery Corporation, um dos projetos essenciais do cenário da eletróinica e da dance music contemporânea e que, em Saudade, resolve prestar um tributo à música brasileira, uma influência que foi sempre bastante explícita no percurso musical dos Thievery Corporation.

É comum dizer-se que Saudade é uma palavra exclusiva da língua portuguesa e que não tem tradução em nenhuma outra. E esta palavra, assim como o sentido que nós lhe damos, foi a inspiração para o título deste disco, como explicam os próprios Thievery Corporation, (Saudade borrows its title from a Portuguese word meaning a longing for something or someone that is lost, a contented melancholy, or, simply, the presence of absence).

Saudade impressiona, desde logo, pelo alargado espetro de convidados, que ultrapassam a dezena. Assim, durante o disco podemos deliciar-nos com cinco extraordinárias vozes femininas (LouLou Ghelichkhani, Elin Melgarejo, Karina Zeviani das Nouvelle Vague, Natalia Clavier do projeto Argentine e Shana Halligan dos Bitter:Sweet) e, nos instrumentos, com Michael Lowery, baterista dos U.N.K.L.E,  Federico Aubele, também dos Argentine e o percussionista brasileiro Roberto Santos, entre outros.

Com uma míriade de influências que vão dos clássicos brasileiros Antonio Carlos Jobim, Gal Costa e Luis Bonfá, aos europeus Serge Gainsbourg, e Ennio Morricone, Saudade também tem uma forte componente típica do samba eletro, do qual, por exemplo, Isabelle Antena é hoje um dos nomes mais consensuais.

Não é preciso ser um exímio conhecedor dos universo sonoro abarcado por toda esta amálgama de influências e convidados especiais para adivinhar, prreviamente, que Saudade fará, no seu conteúdo sonoro, uma súmula entre a banda sonora de um dia solarengo na praia de Ipanema com o típico ambiente sonoro que ilustra a Riviera Francesa na época alta. A Europa mediterrânica e o atlântico um pouco a sul do Equador dão as mãos neste disco onde o jazz e a bossa nova dizem olá ao samba e todos juntos, de mãos dadas com a eletrónica, apresentam um verdadeiro festim sonoro para os nossos ouvidos sempre sedentos de paisagens sonoras relaxantes e elegantes.

Saudade sabe à banda sonora de um filme europeu francês ou italiano, onde um gigolo ou um sobredotado da cosa nostra dão o golpe e resolvem refugiar-se algures, no Rio, rodeados dos melhores prazeres que esta vida tem para oferecer. A dupla Eric Hilton e Rob Garza teve certamente em mente esta imagem  elegante que povoou tantas vezes o imaginário a preto e branco de quem, do lado de cá do atlântico, olha tantas vezes para os trópicos como o éden só ao alcance dos predestinados e dos espertos.

Ter musas lindas, elegantes e tão femininas e com vozes tão sensuais como as de Shana Halligan, Lou Lou Gleichkhani, Karina Zeviani, Elin Melgarejo e Natalia Clavier a cantar em Saudade, só ajuda a aguçar ainda mais o nosso imaginário relativamente ao universo sedutor e enigmático que os Thievery Corporation criaram em Saudade, um disco cantado em cinco línguas que falam do amor e da tal saudade, em cima de instrumentais luxuriantes dominados pelas cordas, por uma percurssão vibrante e por arranjos sintetizados que tanto nos colocam na loja mais in de Nice como a comer um sorvete nos areais de Ipanema.

Cada canção deste disco é um tratado sobre como se deve conjugar as cordas de uma viola, com a melhor percurssão brasileira; Das mais climáticas Nós Dois e a instrumental canção homónima, passando pelo samba genuíno de Para Sempre e pelas preguiçosas Claridad e Meu Nêgo, até à hipnotizante e sedutora Sola in La Cittá, ou o português ingenúo e quase genuíno de Quem Me Leva, Saudade é um sonho lounge, simultaneamente eletrónico e orgânico, que alimenta um verdadeiro manancial de referências nostálgicas. A própria capa do disco parece ter sido feita dos anos sessenta, tal é a psicadelia melancólica que ela suscita.

Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso a música brasileira, num disco onde, de acordo com os próprios, os Thievery Corporation dão vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência da bossa nova e completam um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica, viajaram para algo mais orgânico e construiram um túnel do tempo musical, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

Thievery Corporation - Saudade

01. Décollage (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
02. Meu Négo (Feat. Karina Zaviani)
03. Quem Me Leva (Feat. Elin Melgarejo)
04. Firelight (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
05. Sola In Citta (Feat. Elin Melgarejo)
06. No More Disguise (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
07. Saudade
08. Claridad (Feat. Natalia Clavier)
09. Nós Dois (Feat. Karina Zaviani)
10. Le Coeur (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
11. Para Sempre (Feat. Elin Melgarejo)
12. Bateau Rouge (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
13. Depth Of My Soul (Feat. Shana Halligan)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 18:40

Glass Animals - Glass Animals EP

Sábado, 03.05.14

Lançado no passado dia dezasseis de Abril, Glass Animals é o EP homónimo dos norte americanos Glass Animals de Dave Bayley, uma coleção de quatro canções que antecipa o disco de estreia da banda, um trabalho chamado Zaba e que chegará às lojas já a nove de junho.

A Wolf Tone é a nova editora de Paul Epworth, um produtor responsável por alguns dos mais importantes lançamentos discográficos da pop britânica dos últimos anos (Adele, Bloc Party, Florence & TheMachine) e já se rendeu aos encantos dos Glass Animals, sem dúvida, um dos projetos mais interessantes e inovadores que ouvi ultimamente.

Com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno, Psylla é o grande destaque deste EP, uma canção com uma atmosfera dançante, mas também muito introspetiva e sedutora. Nela encaixam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante.

Mas os outros três temas de Glass Animals também merecem uma audição atenta; Há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade de Black Mambo e Exxus, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop.

Encerra o EP Woozy, um tema que conta com a participação especial de Jean Deux. e que, algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, contém traços distintivos do R&B, explícitos na prestação vocal da convidada.

Sem grandes alaridos ou aspirações, Glass Animals são pouco mais de quinze minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que antecipa aquele que poderá vir a ser um dos grandes discos do início deste verão e que será certamente divulgado por cá. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - Glass Animals

01. Psylla

02. Black Mambo
03. Exxus
04. Woozy (Feat. Jean Deaux)

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 21:46

Yesterday - The Waiting

Sexta-feira, 02.05.14

Disponível gratuitamente na página bandcamp do músico, The Waiting é o mais recente tomo de Yesterday, o projeto a solo de Pedro Augusto, um músico que já venceu o Festival Termómetro Unplugged, participou na compilação Novos Talentos FNAC 2012 e, nesse mesmo ano, venceu também o prémio Jovens Criadores. Editado no dia sete de Abril, este trabalho é já o sexto tomo da carreira de Yesterday e marca um período entre o Verão de 2012 e o início deste ano. O álbum tem em Destruction um dos destaques, um single já com direito a vídeo oficial.

                                                                              Fotografia de Ricardo Graça

The Waiting são dez canções que assentam num som leve e cativante e que não deixa de conter texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. 

Pedro confessa que quando compôe acaba por regressar às suas memórias de infância, a momentos e melodias que lhe ficaram gravados e que, anos depois, regressam à tona como uma espécie de feitiço. The Waiting é mais um episódio dessa saga pela busca de sons e melodias que suscitam prazer ao músico compôr e tocar, um disco que, de acordo com o press release do lançamento, fala da esperança constantemente renovada, da espera e, às vezes, da sua negação. Está de tal forma intricado na própria vida que se torna numa espécie de feitiço: como se, ao dizer uma palavra, o anseio por algo que nunca virá, pudesse, de alguma maneira, ser quebrado.

Portanto, e conforme Pedro me confidenciou na entrevista transcrita abaixo, The Waiting tem algo de autobiográfico, na medida em que são sempre digestões da sua vida e por isso, marcam, períodos, pensamentos e sentimentos que guarda dentro de si e que podem ser expressos em sons. Acerca disso Yesterday acrescenta ainda que as suas canções são como pavios de velas… têm uma duração e, no fim, quando se extinguem, costumam significar que o álbum está terminado. Assim, faz sentido dizer que este álbum, para o Pedro, está encerrado assim como a fase da minha vida em que ele surgiu.

Na verdade, os dez temas de The Waiting exalam uma insondável sinceridade e impressionam não só na arquitetura melódica e instrumental em que se sustentam, mas também pela mensagem delicada e profunda que transmitem. A propósito, Pedro confessa que, para ele, a composição não nasce de tempos contados; respeita antes os ritmos do próprio corpo, com as suas pausas e acelerações, havendo músicas que levam anos a construir.

Ouvir The Waiting é um exercício muito agradável e reconfortante. Intrigante, melancólico, às vezes mesmo algo sombrio, mas, simultaneamente, optimista e alegre. Espero que aprecies a sugestão... 

yesterday

The Waiting

A Longing

Isolation

Destruction

I Am A Mountain

I Let Everything

The Uniter

The Beast

September

Lonely

Pelo que já soube, desde sempre tiveste a paixão pela música, mas só a partir de 2001 é que te dedicaste verdadeiramente a esta forma de arte. No teu caso concreto, como nasceu esse desejo? Terá já nascido contigo ou as tuas experiências da infância e o meio em que cresceste tiveram uma palavra a dizer?

- O surgimento da música na nossa vida, e da vontade de compor, é um movimento no qual, verdadeiramente, nunca podemos colocar um marco de início. Por isso, nasceu, de facto, da minha infância, ainda antes do tempo em que não sabia tocar nenhum instrumento, e apenas utilizamos a voz. Cresci sempre com as minhas avós a cantar, enquanto trabalhavam no campo, e isso marcou-me muito, e é a esses momentos e melodias, das quais não tenho qualquer recordação, que pareço retornar sempre que componho. Só depois, anos mais tarde, é que a nossa criatividade coloca em jogo as memórias e o som. Por isso, a composição nasce sempre de uma quebra, quando algo é já uma memória.

Pessoalmente, penso que The Waiting tem tudo o que é necessário para, finalmente, teres o reconhecimento público que mereces. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu novo fôlego no teu projeto a solo?

- Obrigado! Na verdade não posso ter grandes expectativas. Estas ficam sempre no domínio da composição – eu só posso esperar, enquanto estou a construir sons, que eu consiga traduzir o que ouço em mim, num som real. Portanto, só posso tentar ser o mais honesto possível. Depois do álbum lançado, eu não posso esperar que alguém o ouça: gosto quando isso acontece, mas não posso estar dependente disso – isso seria pensar que a música só estaria completa, ou só tivesse qualidade, se fosse ouvida por muita gente, quando isso é mais um esforço (sobretudo financeiro) de divulgação do que outra coisa.

Que importância teve para ti teres sido vencedor do prémio Termómetro Unplugged em 2006 e teres visto um tema teu a fazer parte do alinhamento do FNAC Novos Talentos de 2012? Isso alterou de algum modo aquilo que tu tinhas pensado para o conteúdo de The Waiting?

- A minha composição dos álbuns é completamente desligada de toda a indústria musical. O facto de concorrer a estas concursos foi, para mim, como um jogo. No termómetro, serviu para definir a minha posição em relação à divulgação da música que eu fazia (depois do festival estive vários anos sem conseguir compor e isolei-me um pouco); por altura dos Novos Talentos, eu decidi que poderia entrar no jogo outra vez, mas, agora, segundo as minhas regras.

De acordo com o press release, The Waiting fala da esperança, constantemente renovada, da espera e, às vezes, da sua negação. Está de tal forma intricado na própria vida que se torna numa espécie de feitiço: como se, ao dizer uma palavra, o anseio por algo que nunca virá, pudesse, de alguma maneira, ser quebrado. The Waiting é sobre ti?

 - Sim, os meus temas são sempre digestões da minha vida e por isso, marcam, talvez como nada mais do que eu crie, períodos, pensamentos, sentimentos que tenho comigo e que podem ser expressos em sons. Geralmente, são como pavios de velas… têm uma duração e, no fim, quando se extinguem, costumam significar que o álbum está terminado. Assim, faz sentido dizer que este álbum, para mim, está encerrado assim como a fase da minha vida em que ele surgiu.

A que se deve a decisão de disponibilizar o download gratuito do disco na plataforma Wordpress?

- Deve-se ao facto de que eu nunca poderia colocar um preço na minha música, ou, não o poderia fazer sem que houvesse a opção dela ser gratuita. Nunca entendi a música como um meio para chegar aos outros ou para comunicar coisas com alguém que, de outra forma não conseguiria. Eu entendo a minha música como algo terminado, fechado. A parte da divulgação é algo secundário – é tornar a música numa “coisa” – e a única maneira de contornar isso é não ter um preço.

The Waiting contou contigo na produção. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início por teres sido tu a escrever e a gravar o disco na íntegra?

- Esta opção nasce da minha paixão em compor e da necessidade de registar estes sons (embora ache igualmente fascinante poder criá-los e, em seguida, esquecê-los) e, por isso, nunca poderia estar dependente de um tempo contado por um orçamento, que me impedisse de ter o meu ritmo. A composição não nasce de tempos contados; respeita antes os ritmos do próprio corpo, com as suas pausas e acelerações: há músicas que levam anos a construir.

Ouvir The Waiting foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante, melancólico, às vezes mesmo algo sombrio mas, simultaneamente, optimista e alegre, foi aquilo que achei, do conteúdo geral do disco. As minhas sensações correspondem ao que pretendeste transmitir sonoramente?

O sentimento de esperar vive, precisamente, desses opostos: a espera pode dar-nos um sentimento de paz, de alegria e optimismo mas, no segundo seguinte, pode deitar-nos por terra e deixar-nos no desespero. Não procurei transmitir esses sentimentos, mas foram o que mais fortemente se expressaram.

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de The Waiting uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental. Consideras-te um músico rígido, no que concerne às opções que defines para cada trabalho teu ou, durante o processo, mostras-te aberto a ires modelando as tuas ideias à medida que o barro se vai moldando?

- Depende. A música surge em mim de duas formas: por vezes, como numa tela vazia, eu vou jogando com sons até chegar a algo que eu sinta como meu; ou então, mais frequentemente, é algo que se desenovela como um relâmpago, em todas as camadas possíveis e consigo, ao mesmo tempo, ouvir os ritmos, os sopros, as cordas, as vozes... O barro vai-se moldando depois no processo de tornar estes sons reais: por vezes, há um fosso entre o que escuto em mim e o que estou a gravar. Reduzir ao máximo este fosso é o meu objectivo e isso só é exequível, por vezes, remodelando as minhas ideias.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

- As minhas músicas são, sobretudo, digestões de sentimentos associados a paisagens, na maioria das vezes, ruinosas e desprovidas de presença humana.

Adoro a canção Isolation. O Pedro tem um tema preferido em The Waiting?

- Acho que na Lonely, uma música muito muito antiga que eu tinha, finalmente cheguei ao que eu sempre tinha querido com ela. Mas poderia dizer o mesmo da Uniter, September ou The Beast.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantares em inglês e a opção será para se manter?

- Já houve momentos em que cantei em português e concordo que posso ser mais rico na língua portuguesa do que noutra qualquer, porque é a minha língua mãe. No entanto, quando crio letras, elas surgem sempre, em primeiro lugar, como um conjunto indistinto de sons – ainda não propriamente palavras. Depois é a transposição desses sons que gera letras. Eu valorizo as letras, mas gosto sobretudo dos sons e da melodia de certas palavras – mais uma vez, não estou interessado em passar qualquer tipo de mensagem. Esta transposição, dos sons que se arrastam e se prolongam, e que são mais vogais, é mais fácil, no entanto, no inglês, do que no português e consigo, facilmente, cantar algo que não se percebe – e esses são os momentos que eu mais gosto no álbum.

O que te move é toda a amálgama de géneros e estilos que The Waiting plasma, ou pretendes um dia debruçar-te em particular sobre uma vertente sonora mais específica? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico do Pedro e do projeto Yesterday?

- Estes temas nasceram, agora, de novo ou são um renascer de temas mais antigos, que estavam guardados, à espera que fizessem sentido. O álbum é, por isso, uma mistura entre composições que surgiram de bases electrónicas, com outras que surgiram no piano ou na guitarra. Mas, de uma forma geral, surgem juntas no disco porque, para mim, embora podendo ser opostas, falam de uma mesma maneira – eu vejo uma união nestes géneros e, nesse sentido, cingir-me a apenas um, seria truncar, de alguma forma, o que se estava a querer expressar.

Descobri que tens vários discos anteriores prontos, mas ainda sem edição física prevista. Há planos para que tal aconteça?

Não necessariamente. Estou mais concentrado neste álbum e nos que virão. Como a fase da minha vida em que os outros álbuns foram criados já terminou há muito tempo, a minha forma de os disponibilizar é ir colocando temas desses mesmos álbuns online, mas de uma forma totalmente ocasional.

Quais são as três bandas atuais que mais admiras?

The White Birch; PJ Harvey; Radiohead

Obrigado pela entrevista e, principalmente, pela tua música!

Obrigado eu por escutar e pela entrevista interessante!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 19:07

Beverly - You Can't Get It Right

Sexta-feira, 02.05.14

Beverly

Frankie Rose fez parte dos projetos Vivian Girls, Crystal Stilts, and Dum Dum Girls e, no ano passado, editou um disco a solo. Agora, o seu passo mais recente, é a participação numa dupla chamada Beverly, onde se junta a Drew Citron para criar um indie rock com forte cariz lo fi. You Can Get It Right é um dos temas divulgados pelas Beverly e que antecipa Careers, o disco de estreia da dupla, que irá chegar às lojas a um de julho através da Kanine Records. Confere...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 12:41

Elbow - The Take Off and Landing of Everything

Quinta-feira, 01.05.14

Gravado nos Blueprint Studios, em Salford, moradas habitual dos britânicos Elbow, The Take Off And Landing Of Everything é o sexto álbum da carreira desta banda liderada por Guy Garvey, um trabalho que viu a luz do dia a dez de março através da Fiction e que, de acordo com o vocalista, fala dos normais eventos da vida dos músicos da banda; Alguns chegaram aos quarenta anos, houve quem tivesse tido filhos e houve separações e novos relacionamentos (Guy separou-se recentemente da escritora Emma Jane Unsworth e ele desabafa sobre isso logo no tema de abertura, This Blue World), ou seja, tudo aquilo que carateriza a passagem de qualquer comum mortal por este mundo e, acima de tudo, a celebração da vida como uma dádiva que, tantas vezes com uma linha ínfima a separar o gozo supremo da perca mais dolorosa, deve ser aproveitada ao máximo.

Donos de um som épico, eloquente e que exige dedicação, os Elbow chegam ao sexto disco a verbalizar sonoramente uma necessidade quase biológica de viverem a ressaca emocional que as partidas e as chegadas de várias pessoas ao núcleo da banda provocaram no equilíbrio emocional de cinco músicos que fazem questão de serem profundos e  poéticos na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir.

Verdadeiro tratado de indie pop sinfónica, com traços de um rock progressivo que não descura alguns detalhes eletrónicos, The Take Off And Landing Off Everything merce uma audição atenta, algo que certamente proporcionará momentos belos e tocantes a quem se predispôr a abrir os ouvidos e a mente a um disco tipicamente Elbow, ou seja, bonito e delicado e, desta vez, menos contido e hermético que trabalhos anteriores.

Num disco perfeito para ser escutado num dia sem compromissos e em que sentimos necessidade de pensar em nós mesmos e no que nos rodeia, Guy Garvey está cada vez mais seguro na sua prestação vocal e arrisca novos registos, mais expostos e enaltecidos. Como seria de esperar, há uma virtuosa complexidade no processo de composição das dez canções e nos arranjos que as sustentam, quer na percurssão que, mesmo minimalista em alguns temas, é sempre encantadora e aditiva, quer no uso das guitarras distorcidas, que em Fly Boy/Lunette atingem o seu momento mais grandioso do trabalho e um dos mais interessantes na carreira dos Elbow.  Já agora, as cordas de Charge e os metais de My Sad Captains são outros momentos altos deste álbum que, até nas canções mais contidas, como Real Life (Angel), acabam por mostrar algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços da canção a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pelas voz.

Mais maduros e a fazerem questão de manter a sonoridade elaborada que, obviamente, não agradará a todos, mas que certamente preenche aqueles que, como eu, apreciam o estilo, os Elbow acertaram novamente e criaram mais um disco bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os desabafos de Garvey em relação ao que mudou na sua vida e na dos seus colegas, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. The Take Off And Landing Of Everything é a banda sonora ideal para essa paragem momentânea que, para tantos, deveria ser obrigatória. Espero que aprecies a sugestão... 

Elbow - The Take Off And Landing Of Everything

01. This Blue World

02. Charge
03. Fly Boy Blue / Lunette
04. New York Morning
05. Real Life (Angel)
06. Honey Sun
07. My Sad Captains
08. Colour Fields
09. The Take Off And Landing Of Everything
10. The Blanket Of Night

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 22:10


Pág. 5/5






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon - Programa 423


Disco da semana 117#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Maio 2014

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.