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The Ropes - I Want It All, So I Can Have Nothing vs The Man Who Refused To Be Born

Sexta-feira, 23.05.14

Os The Ropes são uma dupla norte americana, de Nova Iorque, formada por Sharon Shy, na voz e Toppy nos instrumentos. A dupla tem lançado alguns EPs e singles desde 2008 e em 2013 chegou, finalmente, o primeiro longa duração. Post-entertainment foi lançado pela SINLO Records e está disponível gratuitamente no bandcamp da banda, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.

Agora, depois desse álbum, a dupla optou por lançar, com uma periodicidade de cerca de seis meses, um EP de três temas; O primeiro chegou em outubro último e chama-se The Man Who Refused To Be Born e agora, há poucos dias, foi a vez de I Want It All, So I Can Have Nothing. Os dois EPs estão disponiveis para download no mesmo bandcamp, nos mesmos moldes do longa duração.

A sonoridade dos The Ropes é algo abrangente, indo do indie pop lo fi ao rock e ao post punk. Localmente são comparados com grupos tão diversos como os The Cure, The Knife ou Interpol, não só pela questão sonora, mas também porque, liricamente, compôem músicas com letras negras e carregadas de mensagens para reflexão. Confere...

The Ropes - I Want It All, So I Can Have Nothing

01. I Want It All, So I Can Have Nothing
02. She’s So Armed
03. Fond Memories Of A Terrible Life

 

 

 

The Ropes - The Man Who Refused To Be Born

01. The Man Who Refused To Be Born
02. I Don’t Like To Get Dirty
03. Hell Can Do Right

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publicado por stipe07 às 16:19

Douga - The Silent Well

Quinta-feira, 22.05.14

Naturais de Manchester e liderados pelo multi-instrumentista Johnny Winbolt-Lewis, aos quais se junta John Waddington (baixo e teclas) e o violinista e guitarrista convidado DBH, os Douga são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia com alguns dos melhores detalhes do rock experimental contemporâneo. Editaram no passado dia dezanove de maio, através da Do Make Merge Records, The Silent Well, o disco de estreia do grupo, gravado nos estúdios BlueSCI, em Trafford, com a ajuda de Raúl Carreño. 

A peculiar e distinta receita de The Silent Well acaba por ser eficaz e quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras, desde o início. As nove canções polidas do álbum assentam nos riffs de guitarra viscerais de Johnny, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e em sintetizadores muito direcionados para o krautrock, mas também há cordas que convidam ao recolhimento e à reflexão profunda.

Kids Of Tomorrow, o single que está a lançar esta banda para a ribalta, tem uma atmosfera única e pode ser caraterizado como um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos. Esta canção está disponível para download gratuito e deixou-me a salivar de há dois meses para cá por este disco de estreia dos Douga, que não defraudou as expetativas. Logo a seguir, Still Waters aponta para caminhos ainda mais experimentais e simultaneamente etéreos, com a primazia das cordas  e da acústica a mostrar uns Douga fortemente ecléticos e inspirados na criação de melodias que se entranham com invulgar mestria nos nossos ouvidos, mesmo quando, um pouco à frente, a guitarra elétrica distorce-as dando-lhes um teor ainda mais grandioso e épico. Há um segredo muito bem guardado em Chains, uma canção que começa com o dedilhar de uma viola e que depois sobre, de degrau em degrau, até uma espécie de climax, enquanto recebe vários efeitos sintetizados e a bateria aumenta a batida.

Por falar em bateria, não é possível deixar passar em claro o som peculiar da bateria eletrónica que se escuta em Blue Is Nothing, uma das canções mais profundas de The Silent Well e onde nos podemos deitar numa nuvem de sons sintéticos que criam uma melodia hipnotica, porque é repetitiva, mas muito bonita, irresistivel e reconfortante. É delicioso escutar esta música e perceber, detalhadamente, o arsenal de efeitos e sons que vão sendo acrescentados ao longo de quase sete minutos que são uma verdadeira espiral sonora que nos prende até ao final.

Em The Silent Well é possível aceder a canções oriundas de uma outra dimensão musical, com uma assumida e inconfundível pompa sinfónica, típica das propostas indie de terras de Sua Majestade e sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Há uma beleza enigmática nas composições dos Douga feita com belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Durante a audição sente-se todo o esmero e a paciência dos Douga em acertar os mínimos detalhes de um disco onde, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração audível tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Douga projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop, psicadelia, rock progressivo e soul. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:49

The Acid - The Acid EP

Quinta-feira, 22.05.14

Lançado no passado dia catorze de abril e disponível para audição no soundcloud, The Acid é o Ep homónimo de um projeto que anuncia e antecipa desta forma o lançamento de um disco chamado Liminal, que vai chegar a sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há algo de místico nestes The Acid, formados por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴. Esta aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, mas antes numa espécie de penumbra, tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descobetrta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustreante a escassez de fontes disponíveis.

A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste EP nos suscita e que, tendo no tema Basic Instinct o destaque maior, deixa certamente água na boca em relação aquele que poderá ser um dos discos mais interessantes do próximo verão. Confere...

The Acid - The Acid

01. Animal
02. Basic Instinct
03. Fame
04. Tumbling Lights

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publicado por stipe07 às 18:15

Capitães da Areia - Arco das Portas do Mar

Quinta-feira, 22.05.14

Chegou a altura de começar a deixar derramar a continuação d'A Viagem dos Capitães da Areia a Bordo do Apolo 70, um disco que chegará lá para outubro, com o selo Amor Fúria - Companhia de Discos do Campo Grande e da autoria dos portugueses Capitães da Areia, do Capitão Pedro, Capitão Tiago, Capitão António e Capitão Vasco.

Desde as primeiras quatro canções, libertadas há já algum tempo, muita se alterou no grupo e agora terá chegado o momento certo de divulgar Arco das Portas do Mar, um tema novo do grupo, masterizado por João Ganho, n'O Ganho do Som. Com uma forte imagem retro que nos remete para a pop eletrónica de há três décadas atrás, Arco das Portas do Mar é alegre, grandioso e épico e todos os instrumentos, desde a bateria pulsante, até aos sintetizadores que debitam uma melodia que hipnotiza num ritmo que não sai do ouvido, são curiosamente conjugados de uma forma simples, mas eficaz. 

Os anos oitenta foram uma década marcante no mundo da música, assim como no mundo cinematográfico. Todos os adultos de hoje em dia cresceram naquele ambiente de euforia e recordam-no com saudades. Os Capitães da Areia não querem só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador ao mesmo tempo. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:53

Sequin - Penelope

Quarta-feira, 21.05.14

Editado no passado dia vinte e um de Abril com o selo da Lovers & Lollypops e gravado nos Discotexas Studios, Penelope é o novo registo de originais de Sequin, segundo a própria apenas uma parte daquilo que Ana faz na música, a Ana Miró habitual cúmplice do projeto JIBÒIA e dona de uma das vozes mais bonitas do universo musical português. Penelope foi produzido por Moullinex e contém dez canções que refrescam imenso o universo eletropop nacional e que plasmam a enorme capacidade e o imenso talento de Sequin para compôr e cantar.

O projeto Sequin nasceu em 2012 e, de acordo com Ana, surgiu num momento de intenso marasmo criativo, em que ela sentiu necessidade de abordar novos territórios sonoros. A propósito, na entrevista que Sequin concedeu a Man On The Moon, abaixo transcrita, a autora confessa que Penelope é um trabalho muito pessoal. e que marca uma fase da sua vida onde se dá uma passagem de um momento mais negro de estagnação criativa e emocional para um momento mais luminoso de libertação e concretização pessoal. No alinhamento do disco há, de acordo com Sequin, duas músicas que colocam em evidência essa ponte, com Heart To Feed a dar conta do período inicial conturbado e Peony o outro lado da margem, onde encontrou a luz e o caminho criativo que pelos vistos a conduziu ao conteúdo de Penelope. 

E no que concerne então às canções deste álbum extraordinário e refrescante, asseguro que é um exercício muito agradável e reconfortante conferir o alinhamento que vai da intriga e da melancolia ao otimismo e à festa com uma simplicidade quase desarmante, com todas as músicas a plasmarem esse espectro de sensações com que facilmente nos identificamos. Há uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgem nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Penelope uma sensação, quanto a mim, também deliberadamente experimental.

É impressionante a riqueza instrumental que se escuta no disco e o bom gosto que sustenta o cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito, inspirado nas vivências de Sequin, músicas que são um aglomerado de metáforas imagéticas e literárias.

O dominio da eletrónica é uma constatação óbvia em Penelope, assim como a primazia do sintético em relação ao orgânico mas isso não evita ou comprime a exalação de sentimentos profundos e a criação de uma atmosfera algo sensual e sedutora. Penelope é um inspirado catálogo pop, cheio de momentos que nos hipnotizam subtilmente, por causa de melodias que não largam a nossa mente e que nos levam por um caminho onde não falta o mistério e o apelo ao movimento, num clima fortemente etéreo e sonhador. Espero que aprecies a sugestão...

Quando e como nasceu o projeto Sequin e a que se deve a tua dedicação à música? Terá já nascido contigo ou as tuas experiências da infância e o meio em que cresceste tiveram uma palavra a dizer, ou aconteceu tudo mais tarde?

O projecto nasceu em 2012, numa altura em que estava num marasmo criativo, e foi como uma necessidade, uma solução para sair desse marasmo. A minha dedicação à música surgiu desde muito pequena, aprendi a tocar piano, tive algumas bandas na adolescência, e descobri que também gostava de cantar. Não sei se nasceu comigo, sempre tive uma predisposição para gostar de música e de fazer música, mas acho que foi um gosto que foi crescendo comigo.

 

Uma tradução direta de Sequin remete-nos para “lantejoulas”. Procuras, na tua música, abordar um lado eminentemente feminino e reluzente e, dessa forma, tentar chegar a um público alvo específico, algo cosmopolita e sofisticado?

Nunca pensei muito nisso. O nome em si não está no plural, é apenas uma lantejoula, não faz parte de um conjunto, mas não deixa de brilhar por si só. Acho que a minha intenção em usar esse nome foi mais uma questão de ilustrar um projecto no singular. Em termos de público alvo, não é uma coisa que eu pense, faço música por uma questão de gosto e é a minha forma de catarse.

 

Ana Miró e Sequin confundem-se ou há aqui um alter-ego bem definido?

Ana Miró é a autora, Sequin a intérprete, isto porque Sequin é apenas uma parte daquilo que a Ana faz dentro da música.

 

Pessoalmente, penso que Penelope tem tudo o que é necessário para teres o reconhecimento público que mereces. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu projeto a solo? Como está a ser recebido o disco?

O disco penso que está a ser bem recebido, quanto a expetativas tento não criá-las. Nunca pensei que tivesse tanto público e tão variado. A única coisa que quero é poder continuar a tocar e a criar.

 

De acordo com o press release, Penelope é um disco cosmopolita, no qual as barreiras tecnológicas se quebram para dar lugar ao movimento humano, à multiculturalidade, ao passo apressado do dia-a-dia e, sobretudo, ao abanar cinético para espantar demónios. Penelope é sobre ti? Faço também esta questão porque as letras deixam essa sensação, com particular relevo para Heart To Feed, Naive e Peony, entre outras.

O disco é sem duvida muito pessoal. Marca uma fase da minha vida, uma passagem de um momento mais negro de estagnação criativa e emocional para um momento mais luminoso de libertação e concretização pessoal. Heart to feed ilustra o primeiro momento, por exemplo e a Peony o segundo.

 

A que se deve a decisão de fazer de Beijing o single de avanço de Penelope, apesar de, na minha opinião, não ser a canção com um potencial de airplay mais elevado?A Beijing não foi o single de avanço do álbum. Quando a Beijing foi lançada, foi a música de apresentação do projecto, quando ainda não havia sequer planos para gravar e editar o que quer que fosse. Só está incluída no disco porque fazia sentido no conjunto de todas as musicas que o integram. (O single de avanço foi a Naive.)

 

Penelope contou com a produção de Moullinex e são evidentes as influências no resultado final. A que se deve esta opção? Acabou por surgir com naturalidade ou foi algo imposto?

Foi fruto do acaso. O Luis ouviu a Beijing e entrou em contacto comigo para experimentarmos gravar algumas musicas. Correu muito bem, e como eu tinha material suficiente para um disco, acabou por se tornar uma colaboração mais séria. Foi um trabalho muito natural e equilibrado, temos bastantes gostos em comum e foi fácil trabalhar com ele.

 

E já agora, como é pertencer à família da Lovers & Lollipops?

É óptimo! São uma editora pequena, mas muito trabalhadora e inovadora. Ca esta, é quase como que uma família e isso faz me sentir muito  à vontade.

 

Ouvir Penelope foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante, melancólico, às vezes mesmo algo sombrio mas, simultaneamente, optimista, festivo e alegre, foi aquilo que achei, do conteúdo geral do disco. As minhas sensações correspondem ao que pretendeste transmitir sonoramente?

Claro que sim. Esse é espectro de sensações que rodeiam todas as musicas. Acho que como todas as musicas são muito pessoais e emotivas é fácil cada pessoa identificar-se.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Penelope uma sensação, quanto a mim, também experimental. Consideras-te uma artista rígida que não dispensa os sintetizadores em nenhum momento, ou existe abertura para ires modelando as tuas ideias à medida que o barro se vai moldando?

Acho que tudo o que faço é bastante intuitivo, nada forçado, nada rígido. Gosto da simplicidade, e acho que é uma característica bem demarcada em todas as musicas.

 

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

Normalmente as melodias surgem de imagens que tenho, inspiradas nas minhas vivências. As minhas musicas são um aglomerado de metáforas imagéticas e literárias.

 

Adoro a canção Origami Boy. A Ana tem um tema preferido em Penelope?

Não consigo ter um tema favorito, há alturas em que gosto mais de uma música do que das outras. Mas não consigo escolher um tema como favorito.

 

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantares em inglês e a opção será para se manter?

Acho que a música que faço se expressa melhor em inglês. Penso que para escrever e cantar em português é preciso ser se muito bom a fazê-lo, e acho que não tenho essa capacidade, ou pelo menos não gosto tanto de cantar as coisas que escrevo em português como gosto das que escrevo em inglês. É uma opção para se manter, sem duvida.

 

O que te move é a amálgama de géneros e estilos que Penelope plasma, feita com uma sonoridade rica a nível da instrumentalização dominada pela eletrónica, com a primazia do sintético em relação ao orgânico, ou pretendes debruçar-te sobre uma vertente sonora diferente? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico de Sequin?

Não sei bem o que farei daqui para a frente. Já estou a compor musicas novas desde o início deste ano e posso dizer que continuam numa linha parecida, se bem que quero ter espaço para poder criar o que quiser, e daí o facto das musicas do Penelope serem pouco homogeneas em termos sonoros e estilísticos.

 

Quais são as três bandas atuais que mais admiras?

De momento estou muito apaixonada por 3 artistas individuais: Jessy Lanza, Kelela e Todd Terje. 

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publicado por stipe07 às 22:58

Balue - Charming Flow

Quarta-feira, 21.05.14
O verão está quase a chegar e apesar deste breve interregno, algo molhado, no bom tempo, apetece ouvir canções alegres e luminosas que criem o ambiente perfeito para o usufruto pleno dos dias quentes que certamente se aproximam. Natural do Novo México, o norte americano Eli Thomas é a mente criativa que dá vida ao projeto Balue, mais uma proposta da etiqueta Fleeting Youth Records e Charming Flow é o primeiro single divulgado de Quiet Dreamer, um álbum que verá a luz do dia a vinte e quatro de junho.
Com uma sonoridade tipicamente pop assente numa voz um pouco lo fi e shoegaze, com aquele encanto retro, relaxante e atmosférico e uma intrumentalização assente numa bateria eletrónica e em guitarras e sintetizadores com o tempero ideal, Charming Flow é um fantástico aperitivo para um disco que merecerá toda a atenção por cá daqui a algumas semanas. Charming Flow está disponível para dwonload gratuito. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:40

Coves – Soft Friday

Terça-feira, 20.05.14

Formados pela dupla Beck Wood, a vocalista e John Ridgard, o guitarrista, os britânicos Coves são uma das novas sensações do cenário indie de terras de Sua Majestade, devido a Soft Friday, o disco de estreia, editado no passado dia trinta e um de março por intermédio da Nettwerk Music Group.

No início dos ano noventa a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e os Coves parecem apostados em tentar uma simbiose sonora que tenha uma forte componente nostálgica e que agregue ruídos, tiques e melodias de várias décadas. Da música pop dos anos sessenta e oitenta e do rock lo fi da década de noventa, passando pelo experimentalismo pop da primeira década do novo século, tudo funciona como um grande pano de fundo do trabalho dos Coves.

Soft Friday está impecavelmente produzido e envolto numa aúrea de mistério muito sedutora, através da feliz mistura entre guitarras e sintetizadores, que têm na componente melódica, eminentemente romântica e introspetiva, uma correspondência clara com letras sombrias e pouco otimistas, com a própria voz de Beck a acentuar todo este cenário algo sofrido.

A dupla personalidade também é característica do projeto, inscrita num estado sentimental indeciso, ora leve, ora devastado e bastante evidente, nomeadamente quando misturam o som sessentista com a dream pop da atualidade e o som progressivo algo que, por exemplo, Beatings claramente demonstra ao congregar inicialmente uma vasta riqueza instrumental com a produção retro e alguns arranjos tipicamente folk e depois, na reta final, ao deixar a distorção das guitarras tomar conta da canção.

O reforço desta abordagem heterogénea também se sente em Wake Up, canção assente numa eletrónica de cariz eminentemente rock, muitas vezes misturada com detalhes caraterísticos da pop, ou seja, feita com sons sintetizados, ressuscitados muitas vezes nos anos oitenta ou no trip-hop da década seguinte, misturados com guitarras com um apreciável nível de distorção e batidas e elementos da percussão que dão um certo travo obscuro ao clima geral.

O ponto alto do álbum chega com Cast A Shadow, uma bela melodia, com arranjos que dão à canção uma densidade particularmente rica e detalhada e, no fim, ficamos com a sensação que escutámos uma banda que tem uma capacidade impar para nos afundar num colchão de sons que satirizam a eletrónica retro e, simultaneamente, mostrar-nos algumas pistas em relação ao futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...  

Coves - Soft Friday

01. Fall Out Of Love
02. Honeybee
03. Beatings
04. Last Desire
05. Let The Sun Go
06. No Ladder
07. Cast A Shadow
08. Fool For You
09. Bad Kick To The Heart
10. Wake Up

 

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publicado por stipe07 às 21:56

Woods – With Light And With Love

Segunda-feira, 19.05.14

Editado no passado dia quinze de abril através da Woodsist, etiqueta da própria banda, With Light And With Love é o sétimo tomo da carreira discográfica dos Woods, uma banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada por Jeremy Earl.

A carreira dos Woods impressiona pelas aparentes inflexões sonoras que vão propondo à medida que publicam um novo alinhamento de canções mas, na verdade, eles sempre se mantiveram fiéis a um fio condutor, mas do qual exploram, até à exaustão e com particular sentido criativo, todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e, na verdade, estando presentes com elevada qualidade em With Light And With Love, servem para comprovar que estes Woods são, talvez, uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual.

As dez canções de With Light And With Love juntam então as típicas cordas da folk com riffs de guitarra cheios de distorção e alguns arranjos sintéticos com uma forte componente lo fi e ruidosa, que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

Gravado em casa do líder da banda, este álbum terá certamente obrigado a algum investimento de material já que, quem conhece a discografia dos Woods, percebe que ao longo do tempo tem melhorado a qualidade do som do grupo, que soa cada vez mais limpo e atrativo, mas sem perder aquele charme noise que é tão caraterístico dos Woods.

O disco começa num clima ameno e relaxante com Shepherd e depois Shinning e, mais adiante, Leaves Like Glass serão as duas canções que mais facilmente chegarão às massas, exemplares sonoros com arranjos deliciosos, com um sugestivo pendor pop e que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido. No entanto, há outros momentos que merecem amplo destaque e um deles é, sem dúvida, o tema homónimo que, além de sobressair do alinhamento devido àc sua longa duração, contém solos de guitarra com riffs marcantes, num clima denso e sombrio, mas épico. Acaba por ser uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das tais referências noise, folk e psicadélicas. Também não pode ser ignorado o grande momento folk do disco encarnado por Twin Steps, Full Moon e Moving to The Left, o tema que, além do homónimo, nos remete para o universo dos The Flaming Lips, em especial no que diz respeito ao baixo e à secção rítmica.

Em suma, a receita de With Light And With Love é extremamente assertiva e eficaz. Entre cordas, um baixo vibrante, o tal falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Woods - With Light And With Love

01. Shepherd
02. Shining
03. With Light And With Love
04. Moving To The Left
05. New Light
06. Leaves Like Glass
07. Twin Steps
08. Full Moon
09. Only The Lonely
10. Feather Man

 

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publicado por stipe07 às 23:15

Parquet Courts - Instant Disassembly

Segunda-feira, 19.05.14

Parquet Courts

Os Parquet Courts são um quarteto norte americano que apresentei em 2012 por causa de Light Up Gold, um disco que incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica, que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

Dois anos depois os Parquet Courts vão regressar aos lançamentos discográficos com Sunbathing Animal, um álbum que será editado a três de junho por intermédio da What’s Your Rupture/Mom + Pop e depois de ter sido divulgado o single homónimo do álbum, uma canção assente num punk rock vigoroso e cheio de guitarras distorcidas, agora chegou a vez de Instant Disassembly, um tema que tem o detalhe curioso de usar a palavra mamacita e com caraterísticas pouco usuais nos Parquet Courts, que, apesar de possuir aquela toada blues que também os carateriza, não têm por hábito compôr temas tão longos e sonoramente expansivos. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 15:25

Saintseneca – Dark Arc

Sábado, 17.05.14

Lançado no passado dia um de abril pela ANTI-Dark Arc é o segundo álbum de estúdio dos norte americanos Saintseneca, uma banda natural de Columbus, no Ohio e formada por Zac Little, Maryn Jones, Steve Ciolek e Jon Maedor. Dark Arc era um dos discos mais aguardados da primeira metade do ano no cenário indie folk e as catorze canções do seu alinhamento não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A expetativa em redor de Dark Arc começou a fervilhar no universo indie quando foi divulgado o video de Happy Alone, o primeiro single retirado do álbum e disponível para download. As imagens deslumbrantes, feitas com uma linda e mágica paleta de cores, com uma edição inspirada e delicada, na qual a narrativa apresenta a cabeça do membro da banda Zac dentro de uma bolha gigante, enquanto deambula pelas tarefas diárias do quotidiano comum, deixaram logo a sensação que Dark Arc seria um marco na careeira discográfica dos Saintseneca.

De Violent Femmes aos Neutral Milk hotel, são vários os grupos que os Saintseneca parecem conter no seu cardápio de referências e, na verdade, a música que fazem tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico.

Com a participação especial de Maryn Jones dos All Dogs, Dark Arc impressiona pela produção impecável e Blood Path, o tema de abertura, levanta logo o véu sobre a temática lírica latente em todo o disco, que não tem qualquer segredo especial e que se relaciona com a solidão, os desgostos amorosos e a procura do verdadeiro sentido da vida. A própria estrutura desta canção encontra eco em muitas outras do alinhamento, feita com uma melodia lenta conduzida por cordas acústicas com forte cariz melancólico e pontuada pela voz nasalada de Little, comparada várias vezes ao conceituado cantor folk norte americano Conor Oberst; quando os restantes membros da banda se juntam ao vocalista, em coro, ampliam imenso o volume da canção e o seu cariz épico e expansivo, algo que se repete mais vezes ao longo de Dark Arc, nomeadamente em Only The Young Die Good. Os sintetizadores futuristas e a linha de baixo deste tema deixam-te com um breve nó na garganta, que o refrão ajuda ainda mais a apertar (If only the good ones die young, I pray your corruption comes).

Outra das canções que merece audição atenta é Falling Off, um tema que plasma esta enorme capacidade que os Saintseneca têm para escrever canões que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas (A laceration sufficiently deep/, My body still wears a scar in the knee, So when you live off every scrap of your self, Take solace in knowing as somebody else). Mas um dos temas mais curiosos de Dark Arc é Takmit, uma canção com uma energia diferente das restantes e que demonstra a versatilidade que os Saintseneca já demonstram possuir.

Há definitivamente algo de especial nestes Saintseneca e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de uma frescura que tem tanta vitalidade como o nevoeiro matinal criado pelo ar da montanha do Ohio que os inspira. Espero que aprecies a sugestão... 

Saintseneca - Dark Arc

01. Blood Bath
02. Daendors
03. Happy Alone
04. Fed Up With Hunger
05. ::
06. Falling Off
07. Only The Young Die Good
08. Takmit
09. So Longer
10. Uppercutter
11. :::
12. Visions
13. Dark Arc
14. We Are All Beads On The Same String

 

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publicado por stipe07 às 22:08







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