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Cervelet - Canções de Passagem

Quinta-feira, 08.05.14

Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet são Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade! Ou não... Canções de Passagem é o disco de estreia dos Cervelet, um trabalho disponivel para download gratuito na página oficial da banda.

Os Cervelet são, certamente, uma das bandas mais curiosas que conheci do nosso país irmão e essa impressão ficou patente não só no contato que mantive com o grupo e que está plasmado numa entrevista que podes conferir abaixo, mas também no próprio conteúdo de Canções de Passagem, que tem um dos alinhamentos mais originais que já vi; São doze canções batizadas com os doze meses do ano, uma espécie de jornada sentimental que este quarteto nos propôe, e que, de acordo com a banda, partindo da estética do rock, com forte influência de folk, a Cervelet carrega a síntese de falar sobre relacionamentos a partir de diferentes ouvidos: pode ser otimista e inocente em Março; densa e misteriosa em Junho; e venturosa, como se percebe em Agosto, mas sem ser um álbum conceptual. Portanto, esta jornada sentimental é assente em canções acústicas que têm como base o violão e que progridem de forma interessante, à medida que vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte.

Num disco gravado em casa e que busca uma amplitude no horizonte sem deixar de sentir o cheiro familiar da sua casa, a escrita das canções é bastante pessoal, algo que exige, naturalmente, os tais arranjos delicados e cuidados, com os quais a banda se identifique e, nessa demanda pela canção pop perfeita, há que enfatizar as paisagens sonoroas criadas em Fevereiro e Maio, duas canções que, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz se posiciona e se destaca.

Os Cervelet parecem ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende ora para a folk, ora para a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos, músicas que resultam do desenvolvimento de uma instrumentação radiante, havendo a possibilidade de constatar que todos os integrantes da banda têm um papel fulcral no processo de composição e interpretação vocal, numa banda que, durante a gravação de Canções de Passagem, lalcançou novos parâmetros e patamares de qualidade interpretativa vocal e instrumental.

Na verdade, Canções de Passagem é um compêndio de várias narrativas, feita por um coletivo de compositores, onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência dos Cervelet e a perceber sobre aquilo que meditam, as suas conclusões e as percepções pessoais daquilo que observam , regadas a cerveja, enquanto a vida de todos eles vai-se desenrolando e procuram não se perder demasiado na torrente de sonhos que guardam dentro de si e que nem sempre são atingíveis.

Neste disco que os Cervelet gostavam muito que nós, os portugueses, escutássemos no carro enquanto vamos para o Bairro Alto, ou quem sabe a caminho da casa da namorada descendo na estação de Carcavelos, é possível escutar um punhado de canções marcantes que podem levar estes quatro amigos mais além. Estou convencido que merecem elogios de um público maior do que aquele que o conhece e espero que alcancem a fama e o reconhecimento público que tanto reclamam em Canções de Passagem, porque bem o merecem.

Os Cervelet também disponibilizaram recentemente o vídeo de Maio, dirigido por Deivide Leme, da Sunrise Films, e estão quase a revelar o filme de Janeiro, dirigido pelo mesmo Deivide em parceria com Priscila Pina. Espero que aprecies a sugestão...

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

Os Cervelet são de Jaboticabal, no Estado de São Paulo, suponho. Há tantos portugueses que visitam o vosso país; O que podem descobrir em Jaboticabal, além da vossa música?

Jaboticabal é uma cidade muito boa para viver. Morei 10 anos na loucura de São Paulo, e hoje admiro a calma e o sossego. Aqui é um lugar para ir conhecendo aos poucos, seu charme está na sua rotina mais pacata. Na conversa na praça, no comerciante que te conhece pelo nome, numa caminhada ao fim da tarde. É uma cidade pequena mas com ares de cidade grande, afinal tem 5 universidades e apenas 70 mil habitantes, atraindo muitas pessoas de outras cidades e até estados para estudar aqui. Fundada por portugueses, com forte imigração japonesa, italiana, africana e indígena, é genuinamente brasileira. Portanto, se um português quisesse conhecer um pouco da mistura que é o Brasil, poderia descobrir isso em Jaboticabal, ou como gostamos de dizer, Jabuca.

O vosso soundcloud refere que misturam cerveja, com música, poesia e liberdade. Qual é a vossa história? Quem são os Cervelet?

Bom, meu nome é Guto Cornaccioni, tenho 31 anos e moro em Jaboticabal, onde também mora o Vitor Marini, guitarrista da banda e um dos compositores. Em julho de 2013 ele entrou no último semestre do curso de Administração de empresas na Unesp de Jaboticabal. E na sua turma da faculdade estavam Tiko Previato e Iuri Nogueira. Eu já conhecia o Vitor de sua banda anterior, a Zé Amais, e ele sabia que eu já havia lançado um disco independente, e que produzia algumas coisas minhas no meu home studio. Ele recomendou ao Tiko e ao Iuri que fossem gravar na minha casa algumas músicas que eles vinham pensando. Aí um dia eles foram lá.

Mostrei umas coisas que eu vinha fazendo também e pedi que eles me mostrassem uns sons deles. O Tiko disse que tinha umas 5 músicas em construção, pegou o violão e começou um dedilhado. Na hora aquele som me deu um tapa na cara, e não precisei ouvir nem 1/3 da música para dizer: "Para cara, nem precisa mostrar mais as outras. É essa aí que a gente vai gravar". Acho que eles perceberam isso também pois concordaram imediatamente. Gravamos em Maio, em mais ou menos três horas. Nunca haviamos tocado a música juntos. Na verdade nunca tinhamos sequer ensaiado. Foram quatro compositores que reservaram 3 horas de uma quarta feira a noite e disseram; "Vamos gravar. Gravar o que? A gente descobre gravando". Foi criação espontânea porém sem a banda estar tocando. Um exercício que nos demos de produção musical, usando o que adquirimos de experiência em palco e em estúdio. Basicamente a Cervelet é o resumo de todos os anos de vivência musical que tivemos até hoje, sem os quais não seríamos capazes de fazer o que fazemos. Ah, esqueci da falar da cerveja. É que sempre tem cerveja por perto quando a banda se reúne, então ela faz parte do processo.

Canções de Passagem é o vosso disco de estreia. Era um filho muito desejado?

Acho que mais do que o disco, estar numa banda como essa era algo muito desejado por todos nós. Não é possível falar do disco sem falar da banda pois foi dele que ela surgiu.

De acordo com o press release do lançamento, de janeiro a dezembro, estamos diante de uma jornada sentimental. O que vos inspirou e como surgiu a ideia de criar um alinhamento com os doze meses do ano?

Pode parecer piada, mas o que é mais previsível do que junho vir depois de maio? Demos risada, mas no fundo sabíamos que tinha sentido por trás da piada. É um disco sobre a vida, e a vida é sempre um contraste. Num mês estamos bem, no seguinte talvez algo aconteça e o clima mude ao meu redor. Um ano é uma medida de tempo e o tempo é apenas o ser humano se enganando achando que tem controle sobre algo. Enquanto íamos gravando, também íamos sentindo o clima da música. Era um processo esquisito de intuição coletiva que rolava e baseado nisso dizíamos: "Ah, essa tem cara de dezembro. Nem fazemos ideia do por que. Talvez Junho não seria melancólica se fosse composta em agosto.

Pessoalmente, penso que Canções de Passagem tem tudo o que é necessário para terem, deste lado do Atlântico, o reconhecimento público que merecem. Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para este disco? Há planos de uma edição física e posterior distribuição, interna e externa, apesar da disponibilização gratuita do disco, nomeadamente na vossa página oficial?

Acreditamos que este seja um disco capaz de agradar pessoas que gostem de música, independente de rótulos. É um disco para ouvidos dispostos, mas não exige muito sacrifício, é um som que te deixa a vontade para ouvir, ao mesmo tempo rico em arranjos e pensamentos musicais em toda sua produção. Esperamos que ele seja um dos nossos cartões de visita. O outro cartão de visitas é a banda no palco. Nossa expectativa é fazermos bem a nossa parte e defender o nosso trabalho. Espero, e torço muito, para que o público português coloque nosso som em seus fones de ouvido, ou no carro enquanto vai pro Bairro Alto, ou quem sabe a caminho da casa da namorada descendo na estação Carcavelos. Disco físico? Será necessário em um determinado momento, mas agora estamos concentrando nossos esforços na divulgação digital e nos shows.

E, já agora, que se deve a decisão de disponibilizar o download gratuito do disco?

Vivemos o momento mais interessante da história da música em todos os tempos e eu falo isso sem medo de errar. Nunca na história tanta música foi produzida. Nunca foi tão fácil ter uma banda mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil. Fácil, pois hoje com um mínimo de recursos você consegue produzir uma gravação de qualidade se tiver conhecimento para isso. Ao mesmo tempo, você tem um espaço onde depositar o que você produziu e apresentar para as pessoas, o papel de youtube, facebook, soundcloud e outros. Agora, enquanto eu respondo essa entrevista provavelmente milhares de pessoas estão publicando ou compartilhando suas novas produções nas redes sociais. O desafio para o músico de hoje não é apenas de produção mas sim de comunicação.

Com tanta música por circulando por aí, e com tantos estímulos roubando sua atenção, como eu faço para convencer você a parar o que estiver fazendo e prestar atenção em mim por 3 ou 4 minutos? É uma tarefa monstruosa se você pensar a respeito, pois estamos flutuando num oceano de estímulos e informação circulando sem parar. É como se a Cervelet estivesse tocando num pequeno palco de 5 por 7 metros com outras 14 bandas ao mesmo tempo e tivesse que fazer uma pessoa lá no fundo do público ouvir apenas ela. Esse é o desafio hoje. Então todo músico que tem como meta ser um autor e se tornar conhecido de um público, seja esse público pequeno, médio ou grande, tem que saber fazer o marketing de si mesmo. E não há pecado nisso. São ossos o ofício. Acredito que quem não disponibiliza sua música gratuitamente na internet em 2014 está pegando uma luta que já é difícil e a tornando algo impossível de ser vencido. Não julgo se é justo ou não, mas as coisas são assim. Em 10 meses a Cervelet cresceu muito, fomos ouvidos em vários países, e em praticamente todos os estados do Brasil. Não importa quanto, nem como. Se uma pessoa nos ouve no Rio Grande do Sul hoje, talvez amanhã eu consiga que mais 4 ouçam. Cabe a gente criar o nosso público e alimentar seu interesse.

Ouvir Canções de Passagem foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante e melancólico mas, simultaneamente, optimista e alegre, o conteúdo geral do disco reside nesta feliz ambivalência. As minhas sensações correspondem ao que pretenderam transmitir sonoramente?

Canções de Passagem é um disco sobre estar vivo. E justamente por falar sobre estar vivo, ele precisou ser vivido antes de existir. Intrigante, melancólico, otimista, alegre. Se você pensar em emoções como cores, a vida oferece uma paleta de emoções gigantesca.  Todos nós temos esses matizes de cores no nosso quotidiano e ao falar sobre a vida, falamos de um espectro amplo de emoções. Essa banda surgiu num momento de grande transição na vida das 5 pessoas que a formam. E se você catalizar algumas coisas que acontecem ao teu redor, observá-las, e traze-las para o mundo de uma forma diferente, você fez arte. Nós não sabíamos, a bem da verdade, exatamente o que estávamos fazendo. Começamos com Maio, uma canção que consegue ser feliz e melancólica ao mesmo tempo. Músicas assim não são planejadas, e a partir dela fomos construíndo não só o disco como a banda. As sensações que essas músicas transmitem não foram calculadas, foram criadas intuitivamente na produção dos arranjos. Quando terminávamos, ouvíamos o que tínhamos feito. Foi também um disco gravado em casa, portanto é algo que busca uma amplitude no horizonte sem deixar de sentir o cheiro familiar da sua casa.

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Canções de Passagem uma sensação, quanto a mim, também experimental, apesar do forte cariz pop folk e até radiofónico da vossa música. Consideram-se músicos rígidos, no que concerne às opções que definem para a vossa música ou, durante o processo criativo, estão abertos a irem modelando as vossas ideias à medida que o barro se vai moldando?

Todos trazemos uma bagagem musical. Eu sempre ouvi folk, blues, samba, rock progressivo, grunge, um pouco de jazz. Sempre gostei de artistas que ao vivo nunca terminam uma música duas vezes do mesmo jeito. Gosto da sensação do mergulho no improviso que acontece ao vivo se você está numa banda que sabe se conduzir nesse caminho. Nossa única regra durante a produção do disco era: vamos ouvir o que a música está pedindo e não os nossos egos. Pois na banda todos cantam, todos compõem, todos tocam muitos instrumentos, então se não houver um acordo entre todos de que estamos trabalhando em conjunto para atingir um objetivo único, uma hora ou outra os egos começam a agir.  Isso é normal e acontece em toda e qualquer relação humana. Na hora de produzir, se o Tiko criou uma linha de baixo mais interessante que a minha e se a música ficar melhor assim, excelente. O importante é a música e não a gente. Temos essa consciência e essa sinceridade uns com os outros a ponto de ficarmos felizes com as idéias de cada um pois sabemos que fazemos parte de uma unidade onde o sucesso de um é o sucesso de todos.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias?

Provavelmente as músicas que escutamos muitas vezes ao longo da vida deixaram sua marca na maneira em que criamos melodias. Além disso, com a prática cada um vai descobrindo e desenvolvendo sua melodia. Meu caminho melódico quando crio é um. O Tiko tem outro, assim como o Vitor e o Iuri. O desafio é encontrar uma voz única da banda, independente de quem cria ou canta. É fazer da banda uma pessoa, com personalidade própria. Uma melodia é uma forma de dizer sem palavras. E há muita coisa pra se dizer.

Adoro a canção Maio, curiosamente o mês atual e em que faço anos. Os Cervelet têm um tema preferido em Canções de Passagem?

Sou apaixonado por todas essas músicas, mas Maio tem um lugar especial, afinal foi onde tudo começou além de ter sido lançada no exato dia em que descobri que minha mulher estava grávida da nossa primeira filha.

Não sou um purista e acho que as bandas brasileiras valorizam-se imenso por cá por se expressarem em português, mas há também, desse lado do Atlântico, uma forte predisposição no cenário indie e alternativo para os grupos brasileiros cantarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em português e a opção será para se manter?

Simplesmente nos sentimos mais a vontade compondo na nossa lingua, apesar de também sabermos compor em inglês. Foi uma escolha natural, mas também pensamos ser mais fácil nos comunicar com o público assim, ou seja houve um certo raciocínio estratégico em algum momento. Se uma música é boa e me cativa, eu não me importo em que língua ela é cantada. Pode ser até em Klingon. Esse público é o que mais me interessa, que não só ouve, mas sente a música. Isso é comunicação.

O que podemos esperar do futuro discográfico dos Cervelet?

Para o curto prazo planeamos começar a produzir um novo disco provavelmente no fim do ano. Para o longo prazo, só Deus sabe quanto essa história vai durar, então seguiremos fazendo música enquanto houver música para ser feita.

Quais são as três bandas atuais que mais admiram?

Essa vou responder só por mim, pois não sei se algum outro integrante da banda descobriu um novo som nas profundezas da internet e está viciado nisso.

Atualmente tenho voltado a escutar muito blues, Freedie King, Albert King, Sonny Boy, Muddy Watters, Willie Dixon, essa turma toda das antigas. Sou amante do blues desde a adolescência e é a casa para onde volto. Mas acho que as três bandas ou artistas que até hoje mais admiro como compositores e interpretes ao vivo são Pearl Jam, Dave Matthews Band e John Mayer.

 

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publicado por stipe07 às 21:19

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Quinta-feira, 08.05.14

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