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Yesterday - The Waiting

Sexta-feira, 02.05.14

Disponível gratuitamente na página bandcamp do músico, The Waiting é o mais recente tomo de Yesterday, o projeto a solo de Pedro Augusto, um músico que já venceu o Festival Termómetro Unplugged, participou na compilação Novos Talentos FNAC 2012 e, nesse mesmo ano, venceu também o prémio Jovens Criadores. Editado no dia sete de Abril, este trabalho é já o sexto tomo da carreira de Yesterday e marca um período entre o Verão de 2012 e o início deste ano. O álbum tem em Destruction um dos destaques, um single já com direito a vídeo oficial.

                                                                              Fotografia de Ricardo Graça

The Waiting são dez canções que assentam num som leve e cativante e que não deixa de conter texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. 

Pedro confessa que quando compôe acaba por regressar às suas memórias de infância, a momentos e melodias que lhe ficaram gravados e que, anos depois, regressam à tona como uma espécie de feitiço. The Waiting é mais um episódio dessa saga pela busca de sons e melodias que suscitam prazer ao músico compôr e tocar, um disco que, de acordo com o press release do lançamento, fala da esperança constantemente renovada, da espera e, às vezes, da sua negação. Está de tal forma intricado na própria vida que se torna numa espécie de feitiço: como se, ao dizer uma palavra, o anseio por algo que nunca virá, pudesse, de alguma maneira, ser quebrado.

Portanto, e conforme Pedro me confidenciou na entrevista transcrita abaixo, The Waiting tem algo de autobiográfico, na medida em que são sempre digestões da sua vida e por isso, marcam, períodos, pensamentos e sentimentos que guarda dentro de si e que podem ser expressos em sons. Acerca disso Yesterday acrescenta ainda que as suas canções são como pavios de velas… têm uma duração e, no fim, quando se extinguem, costumam significar que o álbum está terminado. Assim, faz sentido dizer que este álbum, para o Pedro, está encerrado assim como a fase da minha vida em que ele surgiu.

Na verdade, os dez temas de The Waiting exalam uma insondável sinceridade e impressionam não só na arquitetura melódica e instrumental em que se sustentam, mas também pela mensagem delicada e profunda que transmitem. A propósito, Pedro confessa que, para ele, a composição não nasce de tempos contados; respeita antes os ritmos do próprio corpo, com as suas pausas e acelerações, havendo músicas que levam anos a construir.

Ouvir The Waiting é um exercício muito agradável e reconfortante. Intrigante, melancólico, às vezes mesmo algo sombrio, mas, simultaneamente, optimista e alegre. Espero que aprecies a sugestão... 

yesterday

The Waiting

A Longing

Isolation

Destruction

I Am A Mountain

I Let Everything

The Uniter

The Beast

September

Lonely

Pelo que já soube, desde sempre tiveste a paixão pela música, mas só a partir de 2001 é que te dedicaste verdadeiramente a esta forma de arte. No teu caso concreto, como nasceu esse desejo? Terá já nascido contigo ou as tuas experiências da infância e o meio em que cresceste tiveram uma palavra a dizer?

- O surgimento da música na nossa vida, e da vontade de compor, é um movimento no qual, verdadeiramente, nunca podemos colocar um marco de início. Por isso, nasceu, de facto, da minha infância, ainda antes do tempo em que não sabia tocar nenhum instrumento, e apenas utilizamos a voz. Cresci sempre com as minhas avós a cantar, enquanto trabalhavam no campo, e isso marcou-me muito, e é a esses momentos e melodias, das quais não tenho qualquer recordação, que pareço retornar sempre que componho. Só depois, anos mais tarde, é que a nossa criatividade coloca em jogo as memórias e o som. Por isso, a composição nasce sempre de uma quebra, quando algo é já uma memória.

Pessoalmente, penso que The Waiting tem tudo o que é necessário para, finalmente, teres o reconhecimento público que mereces. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu novo fôlego no teu projeto a solo?

- Obrigado! Na verdade não posso ter grandes expectativas. Estas ficam sempre no domínio da composição – eu só posso esperar, enquanto estou a construir sons, que eu consiga traduzir o que ouço em mim, num som real. Portanto, só posso tentar ser o mais honesto possível. Depois do álbum lançado, eu não posso esperar que alguém o ouça: gosto quando isso acontece, mas não posso estar dependente disso – isso seria pensar que a música só estaria completa, ou só tivesse qualidade, se fosse ouvida por muita gente, quando isso é mais um esforço (sobretudo financeiro) de divulgação do que outra coisa.

Que importância teve para ti teres sido vencedor do prémio Termómetro Unplugged em 2006 e teres visto um tema teu a fazer parte do alinhamento do FNAC Novos Talentos de 2012? Isso alterou de algum modo aquilo que tu tinhas pensado para o conteúdo de The Waiting?

- A minha composição dos álbuns é completamente desligada de toda a indústria musical. O facto de concorrer a estas concursos foi, para mim, como um jogo. No termómetro, serviu para definir a minha posição em relação à divulgação da música que eu fazia (depois do festival estive vários anos sem conseguir compor e isolei-me um pouco); por altura dos Novos Talentos, eu decidi que poderia entrar no jogo outra vez, mas, agora, segundo as minhas regras.

De acordo com o press release, The Waiting fala da esperança, constantemente renovada, da espera e, às vezes, da sua negação. Está de tal forma intricado na própria vida que se torna numa espécie de feitiço: como se, ao dizer uma palavra, o anseio por algo que nunca virá, pudesse, de alguma maneira, ser quebrado. The Waiting é sobre ti?

 - Sim, os meus temas são sempre digestões da minha vida e por isso, marcam, talvez como nada mais do que eu crie, períodos, pensamentos, sentimentos que tenho comigo e que podem ser expressos em sons. Geralmente, são como pavios de velas… têm uma duração e, no fim, quando se extinguem, costumam significar que o álbum está terminado. Assim, faz sentido dizer que este álbum, para mim, está encerrado assim como a fase da minha vida em que ele surgiu.

A que se deve a decisão de disponibilizar o download gratuito do disco na plataforma Wordpress?

- Deve-se ao facto de que eu nunca poderia colocar um preço na minha música, ou, não o poderia fazer sem que houvesse a opção dela ser gratuita. Nunca entendi a música como um meio para chegar aos outros ou para comunicar coisas com alguém que, de outra forma não conseguiria. Eu entendo a minha música como algo terminado, fechado. A parte da divulgação é algo secundário – é tornar a música numa “coisa” – e a única maneira de contornar isso é não ter um preço.

The Waiting contou contigo na produção. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início por teres sido tu a escrever e a gravar o disco na íntegra?

- Esta opção nasce da minha paixão em compor e da necessidade de registar estes sons (embora ache igualmente fascinante poder criá-los e, em seguida, esquecê-los) e, por isso, nunca poderia estar dependente de um tempo contado por um orçamento, que me impedisse de ter o meu ritmo. A composição não nasce de tempos contados; respeita antes os ritmos do próprio corpo, com as suas pausas e acelerações: há músicas que levam anos a construir.

Ouvir The Waiting foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante, melancólico, às vezes mesmo algo sombrio mas, simultaneamente, optimista e alegre, foi aquilo que achei, do conteúdo geral do disco. As minhas sensações correspondem ao que pretendeste transmitir sonoramente?

O sentimento de esperar vive, precisamente, desses opostos: a espera pode dar-nos um sentimento de paz, de alegria e optimismo mas, no segundo seguinte, pode deitar-nos por terra e deixar-nos no desespero. Não procurei transmitir esses sentimentos, mas foram o que mais fortemente se expressaram.

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de The Waiting uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental. Consideras-te um músico rígido, no que concerne às opções que defines para cada trabalho teu ou, durante o processo, mostras-te aberto a ires modelando as tuas ideias à medida que o barro se vai moldando?

- Depende. A música surge em mim de duas formas: por vezes, como numa tela vazia, eu vou jogando com sons até chegar a algo que eu sinta como meu; ou então, mais frequentemente, é algo que se desenovela como um relâmpago, em todas as camadas possíveis e consigo, ao mesmo tempo, ouvir os ritmos, os sopros, as cordas, as vozes... O barro vai-se moldando depois no processo de tornar estes sons reais: por vezes, há um fosso entre o que escuto em mim e o que estou a gravar. Reduzir ao máximo este fosso é o meu objectivo e isso só é exequível, por vezes, remodelando as minhas ideias.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

- As minhas músicas são, sobretudo, digestões de sentimentos associados a paisagens, na maioria das vezes, ruinosas e desprovidas de presença humana.

Adoro a canção Isolation. O Pedro tem um tema preferido em The Waiting?

- Acho que na Lonely, uma música muito muito antiga que eu tinha, finalmente cheguei ao que eu sempre tinha querido com ela. Mas poderia dizer o mesmo da Uniter, September ou The Beast.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantares em inglês e a opção será para se manter?

- Já houve momentos em que cantei em português e concordo que posso ser mais rico na língua portuguesa do que noutra qualquer, porque é a minha língua mãe. No entanto, quando crio letras, elas surgem sempre, em primeiro lugar, como um conjunto indistinto de sons – ainda não propriamente palavras. Depois é a transposição desses sons que gera letras. Eu valorizo as letras, mas gosto sobretudo dos sons e da melodia de certas palavras – mais uma vez, não estou interessado em passar qualquer tipo de mensagem. Esta transposição, dos sons que se arrastam e se prolongam, e que são mais vogais, é mais fácil, no entanto, no inglês, do que no português e consigo, facilmente, cantar algo que não se percebe – e esses são os momentos que eu mais gosto no álbum.

O que te move é toda a amálgama de géneros e estilos que The Waiting plasma, ou pretendes um dia debruçar-te em particular sobre uma vertente sonora mais específica? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico do Pedro e do projeto Yesterday?

- Estes temas nasceram, agora, de novo ou são um renascer de temas mais antigos, que estavam guardados, à espera que fizessem sentido. O álbum é, por isso, uma mistura entre composições que surgiram de bases electrónicas, com outras que surgiram no piano ou na guitarra. Mas, de uma forma geral, surgem juntas no disco porque, para mim, embora podendo ser opostas, falam de uma mesma maneira – eu vejo uma união nestes géneros e, nesse sentido, cingir-me a apenas um, seria truncar, de alguma forma, o que se estava a querer expressar.

Descobri que tens vários discos anteriores prontos, mas ainda sem edição física prevista. Há planos para que tal aconteça?

Não necessariamente. Estou mais concentrado neste álbum e nos que virão. Como a fase da minha vida em que os outros álbuns foram criados já terminou há muito tempo, a minha forma de os disponibilizar é ir colocando temas desses mesmos álbuns online, mas de uma forma totalmente ocasional.

Quais são as três bandas atuais que mais admiras?

The White Birch; PJ Harvey; Radiohead

Obrigado pela entrevista e, principalmente, pela tua música!

Obrigado eu por escutar e pela entrevista interessante!

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publicado por stipe07 às 19:07

Beverly - You Can't Get It Right

Sexta-feira, 02.05.14

Beverly

Frankie Rose fez parte dos projetos Vivian Girls, Crystal Stilts, and Dum Dum Girls e, no ano passado, editou um disco a solo. Agora, o seu passo mais recente, é a participação numa dupla chamada Beverly, onde se junta a Drew Citron para criar um indie rock com forte cariz lo fi. You Can Get It Right é um dos temas divulgados pelas Beverly e que antecipa Careers, o disco de estreia da dupla, que irá chegar às lojas a um de julho através da Kanine Records. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:41






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