Sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Pixies - Indie Cindy

No dia vinte e nove de abril chegou às lojas Indie Cindy, o novo disco dos Pixies de Black Francis e o primeiro longa duração da banda em vinte e três anos e, na verdade, uma súmula de dois EPs que o grupo editou em 2013 e que fui dando conta no blogue, aqui e aquiFormados em 1986, os Pixies são já, com toda a naturalidade, um dos nomes fundamentais do rock alternativo, um grupo que quando respira provoca imediatamente eco à escala global, apesar de ainda hoje passarem um pouco despercebidos em Boston, no Massachusetts, cidade que os viu nascer há quase trinta anos. Indie Cindy marca um regresso inesperado deste coletivo liderado por Black Francis aos discos, que nem sequer tinha tido direto a uma espécie de antecipação quando em junho levámos com Bagboy, uma canção que faz parte do alinhamento deste novo trabalho dos Pixies e que foi o tal respirar do grupo após um longo hiato de nove anos.

Partilho da opinião daqueles que consideram que este súbito ressurgimento dos Pixies está diretamente relacionado com o abandono da baixista Kim Deal do projeto, já este ano. Concordo que Black Francis, Joey Santiago e David Lovering sentiram necessidade de reagir a esse evento e provarem ao grande público e se calhar também a eles próprios que são capazes de prosseguir sem Kim e continuarem a ser relevantes para o universo musical em que se inserem.

Produzido por Gil Norton, o produtor responsável pelos discos dos Pixies que na fase inicial da carreira do grupo fizeram álbuns absolutamente fundamentais para o indie rock, nomeadamente Doolittle, Bossanova e Trompe Le Monde, Indie Cindy tem doze canções que, desde logo, denotam uma certa heterogeneidade, o que poderá indiciar que os Pixies procuram o melhor rumo para o futuro próximo. Assim, mais importante do que analisar qualitativamente estas canções, penso ser mais justo enquadrá-las em todas estas novas vicissitudes descritas e perceber que este trabalho não merece uma análise comparativa com a discografia anterior do grupo, visto significar, quase de certeza, a materialização de um novo recomeço para os Pixies, caso ainda haja futuro para este coletivo após a edição deste novo trabalho.

Este álbum não deixa de ter alguns destaques e convido à escuta atenta, logo a abrir, da vigorosa toada rock de What Goes Bloom e depois de Andro Queen, uma balada onde a voz de Francis tem toda a primazia, assim como do rock que se escuta nos primeiros acordes de Another Toe In The Ocean, tema onde o baixo também dá o ar da sua graça, tocado por Dingarcher, o substituto provisório de Kim. O ponto alto do disco chega com a homónima Indie Cindy, a canção que mais nos remete para o extraordinário e mágico universo sonoro dos Pixies, liderada pelas guitarras e onde é quase óbvia uma certa sonoridade surf rock, nada virgem neste grupo norte americano.

Indie Cindy pode ser uma materialização de uma evidente crise de meia idade de uma banda que insiste em esbracejar sem saber muito bem que rumo seguir e que duas décadas depois achou que poderia voltar a ser relevante já que, tendo em conta o estatuto que construiu, voltando a compôr não pode nunca aspirar a menos que isso. Há aqui um evidente desespero criativo que apenas acerta esporadicamente e, na generalidade das canções, quase uma paródia cómica do estilo do grupo que, no período aúreo, encantou milhares de fãs. Mas há que perceber que esta coletânea de canções chamada Indie Cindy deve ser, como já referi, analisada tendo em conta as circunstâncias difíceis que os Pixies têm atravessado e, por isso, a rodela deve ser exaltada por encarnar a coragem do grupo para prosseguir apesar de todo o historial recente. E alguns fogachos destas doze canções demonstram que é capaz de haver ainda uma pequena réstea cde esperança para os Pixies e que essa opção por continuar a respirar e a ecoar, se tiver sequência, poderá levá-los a ocupar novamente o trono do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Pixies - Indie Cindy

01. What Goes Boom
02. Greens And Blues
03. Indie Cindy
04. Bagboy
05. Magdalena 318
06. Silver Snail
07. Blue Eyed Hexe
08. Ring The Bell
09. Another Toe In The Ocean
10. Andro Queen
11. Snakes
12. Jaime Bravo


autor stipe07 às 21:12
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014

The Horrors - Luminous

Três anos depois do grandioso e extraordinário Skying, já ganhou vida Luminous, o novo disco dos The Horrors, de de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon, um trabalho que foi lançado às feras no último dia cinco de maio através da XL Recordings.

Já no quarto tomo de uma discografia, este quinteto de rapazes com o típico ar punk de há quaretna anos atrás têm mostrado que não pretendem apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta, mas indivíduos donos de uma sonoridade própria e de um som adulto e jovial. E, com efeito, disco após disco, eles têm-se revelado como uma das mais importantes do cenário indie britânico.

Faris, o vocalista, já confessou que este é um álbum que deu imenso gozo à banda compôr e que, de todos os discos lançados até hoje pelos The Horrors, Luminous é aquele em que coloca maiores expetativas, principalmente porque ampliaram o cardápio sonoro do grupo com mais sintetizadores e criaram um som mais amplo e elaborado.

Escuta-se o disco e percebe-se desde logo, que estão presentes os habituais ingredientes desta banda britânica, mas que existe, realmente, uma maior primazia da vertente sintética em relação à orgânica das guitarras, apesar de muita da orientação sonora do alinhamento encontrar o seu principal sustento nas guitarras de Joshua e na bateria de Joseph, instrumentos que se entrelaçam na construção de algumas das melhores canções de um disco que mostra uma faceta mais pop, mas criado por uma banda que faz questão de viver permanenetemente de braço dado com o experimentalismo em simbiose com a psicadelia.

Se Luminous é, como já referi, o disco dos The Horrors que contém uma toada mais pop, não defrauda, no entanto, quem está habituado a ouvir os álbuns deste grupo e a deparar-se com diferentes viagens a vários universos sonoros, tendo sempre o sintetizador como veículo privilegiado dessa demanda por distintos territórios auditivos. Do indie rock de Falling Star, ao delírio indie pop de First Day Of Spring ou ao rock sintético proposto pelo teclado de I See You, há sempre esse elemento comum, um instrumento que é inerente ao status dos The Horrors e com o qual exploram as meldias e as harmonias que nos conquistam e, quase sem darmos por ela, têm em nós um efeito normalmente aditivo e fortemente viciante.

Num disco que transborda coerência do nome à capa, passando pelo ideário festivo, positivo e de esperança das letras, Luminous acaba por ser um nome feliz para um disco que apesar de ter ainda muito presente a guitarra de Joshua  a dançar em altos e baixos divagantes que formam a tal química interessante com a secção rítmica, aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos que criam um álbum simultaneamente denso e dançável, um compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

The Horrors - Luminous

01. Chasing Shadows
02. First Day Of Spring
03. So Now You Know
04. In And Out Of Sight
05. Jealous Sun
06. Falling Star
07. I See You
08. Change Your Mind
09. Mine And Yours
10. Sleepwalk

 


autor stipe07 às 21:08
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The Austerity Program - Song 30 vs Song 36

A dupla nova iorquina The Austerity Program editou em 2007 Black Madonna, o seu último longa duração, ao qual se seguiu apenas o EP Backsliders and Apostates Will Burn em 2010. Estes dois lançamentos viram a luz do dia através da já defunta Hydra Head Records.

Depois do fim dessa etiqueta os The Austerity Program resolveram fundar a sua própria etiqueta e assim nasceu a Controlled Burn Records. Agora chegou a altura de darem a conhecer mais um álbum; O novo disco dos The Austerity Program chama-se Beyond Calculation, e será editado a dezassete de junho próximo.

Deste disco já são conhecidos os temas Song 30 e Song 36, duas canções disponíveis gratuitamente (o primeiro abaixo e o segundo via stereogum) e que usando a clássica fórmula do baixo, da guitarra e da bateria, debitam um post rock com a típica toada hardcore da dupla. A voz de Justin Foiley é outro atributo das canções, em especial em Song 36 quando relata um cenário assombroso de uma mulher e mãe inebriada, que deita fogo à sua própria casa (she knows that gasoline will settle what the bourbon never can). As duas canções têm uma elevada toada visceral e suja, mas mostram uma banda com pleno controle da sua ferocidade. Confere...

Austerity Program

Song 31
Song 30
Song 39
Song 33
Song 32
Song 35
Song 36
Song 37

 


autor stipe07 às 18:00
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

Secret Colours - Positive Distractions

Editado no passado dia vinte e nove de Abril, Positive Distractions é o novo disco dos Secret Colours, uma banda norte americana oriunda de Chicago, no estado do Illinois e formada atualmente por Tommy Evans, Justin Frederick, Eric Hehr e Mike Novak. Positive Distractions foi produzido por Dan Duszynski e editado pela própria banda em formato independente (Secret Colours Music LLC), sucedendo a Peaches, um trabalho que revelei há cerca de um ano.

O indie rock psicadélico de City Slicker é um bom cartão de visita para o conteúdo de Positive Distractions, um disco que foi antecipado por dois EPs que o separavam em duas partes, com os primeiros seis temas a apostarem no garage rock e no psicadelismo e a segunda parte do disco a ter uma toada mais acessível e pop. Mas importa analisar e sentir este disco como um todo e a verdade é que neste trabalho escuta-se uma hora de música magnífica, distribuída por doze canções que nos permitem aceder a uma dimensão musical com assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde convivem belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com distorções e arranjos mais agressivos.

Mas os sintetizadores também não faltam em Positive Distractions, com o groove de It Can't Be Simple a assentar numa linha sintética onde encaixam os restantes instrumentos, com especial destaque para um baixo, assim como na toada mais pop, fresca e hipnótica de Take It Slow, um tema com aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico. Mas uma das melhores surpresas do disco é Monster, uma típica canção rock, inicialmente bastante instrospetiva, melódica e harmoniosa e construida em redor de um lindíssimo dedilhar de uma viola, mas que depois recebe as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época, um caldeirão sonoro que lhe dá um cariz fortemente perfumado pelo passado, a navegar numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.

A maior parte destas doze canções, apesar de abraçarem o noise rock, o rock alternativo e a psicadelia etérea feita com guitarras barulhentas, são simples, concisas e diretas. Às vezes pressente-se que os Secret Colours não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar naquele rock alternativo típico das últimas duas a três décadas do século passado. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude deste quarteto, que acaba por espelhar com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário atual do indie rock de cariz mais alternativo e independente.

Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, teclados, efeitos e vozes, em Positive Distractions tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do do que escuta tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Secret Colours projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, todas assentes num som espacial, experimental, barulhento e melódico, num misto de rock progressivo, blues e psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Secret Colours - Positive Distractions

01. City Slicker
02. It Can’t Be Simple
03. Take It Slow
04. Monster
05. Get To The Sun
06. Rotten Summer
07. Into You
08. I Know What You Want
09. Mrs. Bell
10. Heavy And Steady
11. Quite Like You
12. Positive Distractions


autor stipe07 às 21:01
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Terça-feira, 27 de Maio de 2014

The Great Dictators – Liars

Editado no passado dia vinte e quatro de fevereiro, Liars é o disco de estreia dos The Great Dictators, um coletivo dinamarquês natural de Copenhaga, formado por Dragut Lugalzagosi, Rans Martin, Jakob Lundorff, Kasper Husted, Kristoffer Albris, Mikkel Balle e Peter Tveskov. Liars sucede a When I Waltz, HorrorscopesSomeday, Nothing Will Happen, três EPs que o grupo lançou em 2012 e que anteciparam o lançamento deste longa duração.

Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir e donos de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação, os The Great Dictators estream-se nos álbuns com um trabalho que tem as suas raízes no norte da Europa, um ponto do globo artisticamente muito criativo. Assentam a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock com  o punk e o post rock e sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, em canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, algo que o sintetizador e os efeitos de temas como Sleep ou Model In Freezerwrap claramente comprovam.

Walk Through The Walls, o tema de abertura de Liars e que encanta pelos belíssimos arranjos onde se incluem xilofone e um bandolim que aparece novamente em Many Ways To Burn, coloca de imediato a nú a zona de conforto sonora estabelecida e pregada pelos The Great Dictators e que reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, na qual se enredaram, lirica e sonoramente, tendo nomes como os The National e os Interpol como um farol do processo de criação. Com estas referências como pano de fundo é com naturalidade que se confere em Liars boas letras e belíssimos arranjos, assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do punk dos anos oitenta. 

Com o registo vocal de Dragut Lugalzagosi a soar a uma aproximação perfeita ao universo indie encorporado no registo grave de Matt Berninger, Liars carimba uma certa ideia de maturidade de um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrarando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo (Coming Back In Style) e verdadeiros hinos de estádio (Wine). 

Em Liars temos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e prezam pelo minimalismo da combinação entre eles, como é audível em Dive ou na já referida Model In Freezerwrap e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande, de forma mais rica e trabalhada, como na já citada Wine ou em World Of Dogs. De uma forma ou de outra, o processo de composição melódica produra sempre dar vida a um conjunto volumoso de versos sofridos e sons acinzentados, como se fosse a banda sonora de um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para o tal ambiente sombrio e nostálgico da banda.

Se para os mais distraídos Liars soar ao que de mais depressivo e angustiante ouviram nos últimos tempos, uma audição atenta e dedicada, onde se inclua a análise da lírica, desfaz tal ideário e mostra que as dez cançõess deste disco são uma espécie de exercício de redenção, onde o sofrimento é olhado como uma inevitabilidade, mas de uma outra perspetiva, mais madura, assertiva e positiva.

Liars é uma rodela que exige tempo, que se revela a pouco e pouco e que só será devidamente entendida após várias e repetidas mas dedicadas audições. É um álbum muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade, mas é sobretudo um exercício de audição individual das canções. Com ele os The Great Dictators firmam a sua posição na classe dos artistas que merecem logo na estreia um crédito imenso. Espero que aprecies a sugestão...

The Great Dictators - Liars

01. Walk Through The Walls
02. Wine
03. Coming Back In Style
04. Bombs In Heaven
05. World Of Dogs
06. Dive
07. Sleep
08. Model In Freezerwrap
09. Many Ways To Burn
10. Great Liars


autor stipe07 às 21:25
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Cervelet - Janeiro

Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet de Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, são uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade! Ou não... Canções de Passagem é o disco de estreia dos Cervelet, um trabalho disponivel para download gratuito na página oficial da banda e que divulguei por cá há algumas semanas.

Regresso aos Cervelet para divulgar que a banda acaba de lançar o video de Janeiro, um dos destaques de Canções de Passagem. Escrita por Tiko Previato, a canção dá vida a um poema lindíssimo e assenta numa instrumentação radiante que pende ora para a folk, ora para a indie pop adocicada e acessível.

O video de Janeiro foi dirigido por Deivide Leme em parceria com Priscila Pina e o tema está disponível para download no soundcloud dos Cervelet. Confere...

Quando o Sol bateu e trouxe, enfim
A luz que faltava pra ver
Todo caminho é uma canção
Livre e sublime como o ar
Estávamos presos em outra dimensão
Tínhamos vendas pra calar
Nossas verdades são nossas manhãs
Simples e calmas pra enxergar além


autor stipe07 às 12:44
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Coldplay - Ghost Stories

Os Coldplay de Chris Martin regressaram aos discos nos passado dia dezanove de maio e, como sempre, por intermédio da Parlophone. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica chama-se Ghost Stories e foi produzido por Tim Bergling, Paul Epworth, Daniel Green, Jon Hopkins, Rik Simpson, Avicii e os próprios Coldplay.


Ghost Stories é um título feliz para um disco que gira muito em redor da ideia de algo cuja presença já não é concreta e física e que com a partida, que não tem de ser necessariamente a morte, deixou um vazio em redor e um fator de perturbação que, neste caso concreto, pode muito bem ser o fim do casamento de dez anos de Chris Martin com Gwineth Paltrow. Mesmo tendo sido uma separação amigável, se tomarmos como verdadeira a suposição que Ghost Stories é um disco concetual sobre este evento pessoal na vida de Chris e que serve, de algum modo, para o exorcizar, parece-me que esse processo não será simples e que há uma cicatriz na alma do líder dos Coldplay difícil de curar. A letra de True LoveSo tell me you love me. And if you don’t then lie, lie to me, emocionalmente forte e cantada por gritos abafados, acompanhados por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor.

Mas esta transposição do conteúdo de Ghost Stories para a intimidade de quem o canta, também pode alargar o seu espetro para a própria realidade banda. A sonoridade das nove canções que compôem este alinhamento expôe alguns fantasmas estéticos que sempre acompanharam a carreira discográfica dos Coldplay, que tantas vezes procurou um equilíbrio nem sempre fácil entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes quatro músicos em experimentar novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Desta vez os quatro terão dado um forte e vigoroso murro na mesa e feito tudo para criarem libertos desses constrangimentos editoriais, deixando de lado os enfeites e os excessos estilísticos de Viva La Vida (2008) e Mylo Xyloto (2011), para apostarem na simplicidade e em camadas sonoras mais ricas em detalhes implícitos, algo que, em termos estratégicos, só encontra paralelo em Parachutes, o primeiro disco da banda e, para mim, ainda a obra prima do quarteto. Se nesse disco editado em 2000 o orgânico dedilhar acústico das cordas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema, agora chegou a vez de apostar em canções que também nos contam histórias na mesma medida, mas fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a riqueza instrumental não foi descurada e até talvez exista uma maior diversidade ao nível dos sons que se escutam, mas com a eletrónica a ser a força motriz que dá vida aos quarenta minutos que este disco dura.

A primeira audição de Ghost Stories poderá chocar os fãs mais puristas, mas os atentos e conscientes da realidade musical e identitária dos Coldplay, ao escutarem a discografia da banda cronologicamente, acabarão por perceber que este é, de certa forma, um passo lógico e que o próprio percurso anterior já tinha deixado algumas pistas sobre a vontade do grupo em apostar na primazia dos sintetizadores, consequência da tal demanda constante por novos e diferentes caminhos, que a escrita deste trabalho também comprova. Os Coldplay sempre provaram ser uma banda inquieta e que não repete a rigor a última rota que percorreu.

Com a narrativa do disco a viver muito da tal circuntância pessoal atual de Chris, o principal letrista da banda, estar atento às letras destas novas canções é tomar contacto com diferentes humores naturais de alguém que sofreu uma perda e agora lida com essa espécie de assombração na vida. Da introspecção (Always in my Head) à euforia (Sky Full of Stars), passando pela melancolia (Oceans), a alegria contagiante (Ink) e até o silêncio (Midnight), há aqui canções com poemas que servem de banda sonora para os diversos estados de alma que tantas vezes nos invadem, sempre cantados e expostos em composições ricas e simultaneamente acessíveis. Another’s Arm é  talvez, a par da já referida True Love, a canção do disco mais abrangente, que melhor exemplifica a excelência de processos e que chama a atenção pelas estrofes simples, mas sentidas e pensadas de forma a dar espaço à valorização das batidas eletrónicas, sem colocar de lado a habitual delicadez da guitarra de Johnny Buckland.

Em Ghost Stories não falta o o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay, mas como me confidenciou a fã Ana Lopes, é um álbum mais experimental, não como os outros em que as músicas continuam a tocar e  ter airplay até hoje. É um disco menos comercial e que dificilmente irá resultar em grandes palcos ao vivo, mas tem o enorme atributo de ter belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vidaPessoalmente concordo e confesso que o disco soa cada vez melhor a cada audição. Não é um trabalho nem melhor nem pior que os outros. É diferente e talvez se deva, antes de mais, aplaudir essa inflexão sonora e o desbravar de outras sonoridades.

Quando um dia a discografia dos Coldplay ficar completa, este disco será valorizado de uma outra forma porque, apesar de não ser um álbum feliz, é um álbum real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes. Conforme refere a Luísa Marques, outra admiradora profunda deste quarteto britânico, tendo em conta o que os Coldplay já fizeram, não preocupa muito que façam um álbum um pouco diferente e que custe mais a entrar no ouvido. Já provaram que são um grupo fenomenal com um talento invejável e eu completo a ideia dizendo que Ghost Stories serve para confirmar com enorme ênfase esta constatação clara, óbvia e inteiramente justa. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Ghost Stories

01. Always In My Head
02. Magic
03. Ink
04. True Love
05. Midnight
06. Another’s Arms
07. Oceans
08. A Sky Full of Stars
09. O
10. All Your Friends
11. Ghost Story
12. O (Part 2/Reprise)

 


autor stipe07 às 18:27
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Surveillance - Nightshade

Os Surveillance são Tiago Martins no baixo e Inês Lobo na bateria, uma dupla oriunda de Setúbal que depois de ter impressionado com um EP homónimo, prepara-se para editar o disco de estreia, um trabalho chamado Orionzebelt, produzido por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim dos PAUS. Orionzebelt será editado no próximo Outono, tendo sido incubado nos Black Sheep Studios, em Lisboa, casa de bandas como os If Lucy Fell, Riding Pânico ou Linda Martini.
Os Surveillance baseiam as suas composições no som do baixo e da bateria, mas não deixam de extrapolar para universos sonoros paralelos, cheios de poder e psicadelismo, com uma clara e feliz simbiose entre o sintético e o orgânico, cheia de groove.
Nightshade é o single de apresentação de Orionzebelt, um tema lançado em paralelo com o vídeo e disponível para audição nas plataformas bandcamp e soundcloud. Confere...

Facebook // Bandcamp // YouTube


autor stipe07 às 16:17
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Sábado, 24 de Maio de 2014

Birch House – The Thaw EP

Birch House é o  projeto musical de Greg Bothwell, um músico norte americano oriundo de Windsor, no Connecticut e The Thaw o seu mais recente trabalho, um EP com sete canções disponível no bandcamp de Birch House, gratuitamente, mas com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.

Influenciado por nomes tão distintos como Bon Iver ou os prórios The National, Birch House aposta  numa indie folk quase sempre com um cariz clássico, introspetivo e acústico, típica de uma América profunda. Mais do que outros músicos, bandas ou projetos, Greg parece ser influenciado pelas paisagens simultaneamente espetaculares e melancólicas de uma América cosmopolita, mas com locais onde ainda se vive séculos de isolamento e dificuldades e onde reside uma população, com traços peculiares de caráter, bem expressos na cândura orgânica e introspetiva das suas canções.

Nest, uma canção que evoca John Cale, Where Books Grow Old, ou o piano guiado pelo acorde minimal de guitarra de A Thousand Miles Into The Sea, são os três temas do EP que, com uma toada fortemente acústica, melhor retratam esta imagem pictórica que a música de Birch House nos sugere, mas há outros temas mais transparentes e cheios de cor.

O EP abre com o single I Retreat!, uma canção aberta e expansiva, assente em cordas alegres e luminosas e num sintetizador, que é detalhe único num EP eminentemente orgânico. Esta maior abertura mantém-se em Sleeping In Silk e aprimora-se ainda mais na já citada Nest.

A música de Birch House é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade de Greg para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que ele combina com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Espero que aprecies a sugestão...

Birch House - The Thaw

01. Retreat!
02. Sleeping In Silk
03. Past, Present, Future
04. Nest
05. Where Books Grow Old
06. A Thousand Miles Into The Sea
07. I Was Here


autor stipe07 às 21:44
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014

Oliver Wilde - Red Tide Opal In The Loose End Womb

Natural de Bristol e funcionário numa loja de discos, o cantor, produtor e compositor Oliver Wilde captou a atenção da imprensa musical especializada britânica quando lançou o ano passado A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, o seu disco de estreia, rotulado como um verdadeiro tratado de pop psicadélica e que lhe valeu comparações com nomes tão relevantes como Mark Linkous ou Bradford Cox. Cerca de um ano depois Oliver está de regresso com um novo disco intitulado Red Tide Opal In The Loose End Womb, um trabalho que viu a luz do dia a cinco de maio através da Howling Owl Records


A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, provocou um impacto intenso numa vasta legião de críticos musicais e ficou nas listas dos melhores de muitos deles, curiosamente como uma espécie de segredo bem guardado, que poucos quiseram revelar, o que fez com que Oliver Wilde se mantivesse internacionalmente na penumbra, como um tesouro escondido, mas que agora, com Red Tide Opal In The Loose End Womb, já não é possível mais ocultar.

As doze canções deste seu novo álbum mantêm a elevada bitola qualitativa do disco de estreia e estão cheias de melodias únicas, onde vagueiam e pairam letras sofisticadas, que criam imagens oníricas e sensíveis, às quais Oliver dá vida e reproduz impecavelmente com a sua voz única e sussurrada, mas que tem algo de profundo e celestial. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, servem-lhe como assunto e, sendo conceitos relacionados com a crueza da realidade, falam do universo de um jovem adulto, fazendo-o de forma a deixar-nos com um enorme sorriso nos lábios quando somos confrontados com a beleza melódica de que este artista se serve para atingir tal desiderato. 

On This Morning foi o primeiro avanço divulgado do disco e depois chegou a vez de Play & Be Saved. Destaques maiores do disco juntamente com a épica e animada Stomach Full Of Cats, são exemplos exuberantes, cheios de arranjos que, juntamente com a voz de Wilde, dão um cariz efervescente, melancólico e onírico a três temas cheios do brilho e da cor transversais a todo o alinhamento de Red Tide Opal In The Loose End Womb. Essa atmosfera única e vibrante é construída por Oliver tendo por base as cordas, às quais vai adicionando mantos de sons eletrónicos e samplers, de forma a que na sua música palpite uma evidente psicadelia pop que ressuscita com elevado charme com as típicas orquestrações do universo sonoro lo fi .

Ouvir a música de Wilde é passear por um universo feito de exaltações melancólicas, ao som de uma receita que recorta e sobrepõe uma sujidade sonora apenas aparente, para criar melodias únicas e coloridas, detalhes que oferecem ao estilo de Oliver wilde o tal cariz pop lo fi, fortemente emocional e, longe de óbvio, à medida que cruza a folk eletrónica com a pop lo fi, de forma particularmente sofisticada e emotiva. Red Tide Opal In The Loose End Womb é uma da melhores surpresas da primeira metade de 2014. Espero que aprecies a sugestão...


1. On This Morning
2. Stomach Full of Cats
3. St. Elmo's Fire
4. Say Yes To Ewans
5. Plume
6. Smiler
7. Play & Be Saved
8. Pull
9. Rest Less
10. Balance Out 
11. Night In Time Lapse (Somewhere Safe)
12. Vessel


autor stipe07 às 22:12
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The Ropes - I Want It All, So I Can Have Nothing vs The Man Who Refused To Be Born

Os The Ropes são uma dupla norte americana, de Nova Iorque, formada por Sharon Shy, na voz e Toppy nos instrumentos. A dupla tem lançado alguns EPs e singles desde 2008 e em 2013 chegou, finalmente, o primeiro longa duração. Post-entertainment foi lançado pela SINLO Records e está disponível gratuitamente no bandcamp da banda, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.

Agora, depois desse álbum, a dupla optou por lançar, com uma periodicidade de cerca de seis meses, um EP de três temas; O primeiro chegou em outubro último e chama-se The Man Who Refused To Be Born e agora, há poucos dias, foi a vez de I Want It All, So I Can Have Nothing. Os dois EPs estão disponiveis para download no mesmo bandcamp, nos mesmos moldes do longa duração.

A sonoridade dos The Ropes é algo abrangente, indo do indie pop lo fi ao rock e ao post punk. Localmente são comparados com grupos tão diversos como os The Cure, The Knife ou Interpol, não só pela questão sonora, mas também porque, liricamente, compôem músicas com letras negras e carregadas de mensagens para reflexão. Confere...

The Ropes - I Want It All, So I Can Have Nothing

01. I Want It All, So I Can Have Nothing
02. She’s So Armed
03. Fond Memories Of A Terrible Life

 

 

 

The Ropes - The Man Who Refused To Be Born

01. The Man Who Refused To Be Born
02. I Don’t Like To Get Dirty
03. Hell Can Do Right


autor stipe07 às 16:19
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014

Douga - The Silent Well

Naturais de Manchester e liderados pelo multi-instrumentista Johnny Winbolt-Lewis, aos quais se junta John Waddington (baixo e teclas) e o violinista e guitarrista convidado DBH, os Douga são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia com alguns dos melhores detalhes do rock experimental contemporâneo. Editaram no passado dia dezanove de maio, através da Do Make Merge Records, The Silent Well, o disco de estreia do grupo, gravado nos estúdios BlueSCI, em Trafford, com a ajuda de Raúl Carreño. 

A peculiar e distinta receita de The Silent Well acaba por ser eficaz e quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras, desde o início. As nove canções polidas do álbum assentam nos riffs de guitarra viscerais de Johnny, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e em sintetizadores muito direcionados para o krautrock, mas também há cordas que convidam ao recolhimento e à reflexão profunda.

Kids Of Tomorrow, o single que está a lançar esta banda para a ribalta, tem uma atmosfera única e pode ser caraterizado como um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos. Esta canção está disponível para download gratuito e deixou-me a salivar de há dois meses para cá por este disco de estreia dos Douga, que não defraudou as expetativas. Logo a seguir, Still Waters aponta para caminhos ainda mais experimentais e simultaneamente etéreos, com a primazia das cordas  e da acústica a mostrar uns Douga fortemente ecléticos e inspirados na criação de melodias que se entranham com invulgar mestria nos nossos ouvidos, mesmo quando, um pouco à frente, a guitarra elétrica distorce-as dando-lhes um teor ainda mais grandioso e épico. Há um segredo muito bem guardado em Chains, uma canção que começa com o dedilhar de uma viola e que depois sobre, de degrau em degrau, até uma espécie de climax, enquanto recebe vários efeitos sintetizados e a bateria aumenta a batida.

Por falar em bateria, não é possível deixar passar em claro o som peculiar da bateria eletrónica que se escuta em Blue Is Nothing, uma das canções mais profundas de The Silent Well e onde nos podemos deitar numa nuvem de sons sintéticos que criam uma melodia hipnotica, porque é repetitiva, mas muito bonita, irresistivel e reconfortante. É delicioso escutar esta música e perceber, detalhadamente, o arsenal de efeitos e sons que vão sendo acrescentados ao longo de quase sete minutos que são uma verdadeira espiral sonora que nos prende até ao final.

Em The Silent Well é possível aceder a canções oriundas de uma outra dimensão musical, com uma assumida e inconfundível pompa sinfónica, típica das propostas indie de terras de Sua Majestade e sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Há uma beleza enigmática nas composições dos Douga feita com belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Durante a audição sente-se todo o esmero e a paciência dos Douga em acertar os mínimos detalhes de um disco onde, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração audível tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Douga projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop, psicadelia, rock progressivo e soul. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:49
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The Acid - The Acid EP

Lançado no passado dia catorze de abril e disponível para audição no soundcloud, The Acid é o Ep homónimo de um projeto que anuncia e antecipa desta forma o lançamento de um disco chamado Liminal, que vai chegar a sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há algo de místico nestes The Acid, formados por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴. Esta aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, mas antes numa espécie de penumbra, tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descobetrta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustreante a escassez de fontes disponíveis.

A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste EP nos suscita e que, tendo no tema Basic Instinct o destaque maior, deixa certamente água na boca em relação aquele que poderá ser um dos discos mais interessantes do próximo verão. Confere...

The Acid - The Acid

01. Animal
02. Basic Instinct
03. Fame
04. Tumbling Lights


autor stipe07 às 18:15
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Capitães da Areia - Arco das Portas do Mar

Chegou a altura de começar a deixar derramar a continuação d'A Viagem dos Capitães da Areia a Bordo do Apolo 70, um disco que chegará lá para outubro, com o selo Amor Fúria - Companhia de Discos do Campo Grande e da autoria dos portugueses Capitães da Areia, do Capitão Pedro, Capitão Tiago, Capitão António e Capitão Vasco.

Desde as primeiras quatro canções, libertadas há já algum tempo, muita se alterou no grupo e agora terá chegado o momento certo de divulgar Arco das Portas do Mar, um tema novo do grupo, masterizado por João Ganho, n'O Ganho do Som. Com uma forte imagem retro que nos remete para a pop eletrónica de há três décadas atrás, Arco das Portas do Mar é alegre, grandioso e épico e todos os instrumentos, desde a bateria pulsante, até aos sintetizadores que debitam uma melodia que hipnotiza num ritmo que não sai do ouvido, são curiosamente conjugados de uma forma simples, mas eficaz. 

Os anos oitenta foram uma década marcante no mundo da música, assim como no mundo cinematográfico. Todos os adultos de hoje em dia cresceram naquele ambiente de euforia e recordam-no com saudades. Os Capitães da Areia não querem só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador ao mesmo tempo. Confere...


autor stipe07 às 12:53
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2014

Sequin - Penelope

Editado no passado dia vinte e um de Abril com o selo da Lovers & Lollypops e gravado nos Discotexas Studios, Penelope é o novo registo de originais de Sequin, segundo a própria apenas uma parte daquilo que Ana faz na música, a Ana Miró habitual cúmplice do projeto JIBÒIA e dona de uma das vozes mais bonitas do universo musical português. Penelope foi produzido por Moullinex e contém dez canções que refrescam imenso o universo eletropop nacional e que plasmam a enorme capacidade e o imenso talento de Sequin para compôr e cantar.

O projeto Sequin nasceu em 2012 e, de acordo com Ana, surgiu num momento de intenso marasmo criativo, em que ela sentiu necessidade de abordar novos territórios sonoros. A propósito, na entrevista que Sequin concedeu a Man On The Moon, abaixo transcrita, a autora confessa que Penelope é um trabalho muito pessoal. e que marca uma fase da sua vida onde se dá uma passagem de um momento mais negro de estagnação criativa e emocional para um momento mais luminoso de libertação e concretização pessoal. No alinhamento do disco há, de acordo com Sequin, duas músicas que colocam em evidência essa ponte, com Heart To Feed a dar conta do período inicial conturbado e Peony o outro lado da margem, onde encontrou a luz e o caminho criativo que pelos vistos a conduziu ao conteúdo de Penelope. 

E no que concerne então às canções deste álbum extraordinário e refrescante, asseguro que é um exercício muito agradável e reconfortante conferir o alinhamento que vai da intriga e da melancolia ao otimismo e à festa com uma simplicidade quase desarmante, com todas as músicas a plasmarem esse espectro de sensações com que facilmente nos identificamos. Há uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgem nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Penelope uma sensação, quanto a mim, também deliberadamente experimental.

É impressionante a riqueza instrumental que se escuta no disco e o bom gosto que sustenta o cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito, inspirado nas vivências de Sequin, músicas que são um aglomerado de metáforas imagéticas e literárias.

O dominio da eletrónica é uma constatação óbvia em Penelope, assim como a primazia do sintético em relação ao orgânico mas isso não evita ou comprime a exalação de sentimentos profundos e a criação de uma atmosfera algo sensual e sedutora. Penelope é um inspirado catálogo pop, cheio de momentos que nos hipnotizam subtilmente, por causa de melodias que não largam a nossa mente e que nos levam por um caminho onde não falta o mistério e o apelo ao movimento, num clima fortemente etéreo e sonhador. Espero que aprecies a sugestão...

Quando e como nasceu o projeto Sequin e a que se deve a tua dedicação à música? Terá já nascido contigo ou as tuas experiências da infância e o meio em que cresceste tiveram uma palavra a dizer, ou aconteceu tudo mais tarde?

O projecto nasceu em 2012, numa altura em que estava num marasmo criativo, e foi como uma necessidade, uma solução para sair desse marasmo. A minha dedicação à música surgiu desde muito pequena, aprendi a tocar piano, tive algumas bandas na adolescência, e descobri que também gostava de cantar. Não sei se nasceu comigo, sempre tive uma predisposição para gostar de música e de fazer música, mas acho que foi um gosto que foi crescendo comigo.

 

Uma tradução direta de Sequin remete-nos para “lantejoulas”. Procuras, na tua música, abordar um lado eminentemente feminino e reluzente e, dessa forma, tentar chegar a um público alvo específico, algo cosmopolita e sofisticado?

Nunca pensei muito nisso. O nome em si não está no plural, é apenas uma lantejoula, não faz parte de um conjunto, mas não deixa de brilhar por si só. Acho que a minha intenção em usar esse nome foi mais uma questão de ilustrar um projecto no singular. Em termos de público alvo, não é uma coisa que eu pense, faço música por uma questão de gosto e é a minha forma de catarse.

 

Ana Miró e Sequin confundem-se ou há aqui um alter-ego bem definido?

Ana Miró é a autora, Sequin a intérprete, isto porque Sequin é apenas uma parte daquilo que a Ana faz dentro da música.

 

Pessoalmente, penso que Penelope tem tudo o que é necessário para teres o reconhecimento público que mereces. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu projeto a solo? Como está a ser recebido o disco?

O disco penso que está a ser bem recebido, quanto a expetativas tento não criá-las. Nunca pensei que tivesse tanto público e tão variado. A única coisa que quero é poder continuar a tocar e a criar.

 

De acordo com o press release, Penelope é um disco cosmopolita, no qual as barreiras tecnológicas se quebram para dar lugar ao movimento humano, à multiculturalidade, ao passo apressado do dia-a-dia e, sobretudo, ao abanar cinético para espantar demónios. Penelope é sobre ti? Faço também esta questão porque as letras deixam essa sensação, com particular relevo para Heart To Feed, Naive e Peony, entre outras.

O disco é sem duvida muito pessoal. Marca uma fase da minha vida, uma passagem de um momento mais negro de estagnação criativa e emocional para um momento mais luminoso de libertação e concretização pessoal. Heart to feed ilustra o primeiro momento, por exemplo e a Peony o segundo.

 

A que se deve a decisão de fazer de Beijing o single de avanço de Penelope, apesar de, na minha opinião, não ser a canção com um potencial de airplay mais elevado?A Beijing não foi o single de avanço do álbum. Quando a Beijing foi lançada, foi a música de apresentação do projecto, quando ainda não havia sequer planos para gravar e editar o que quer que fosse. Só está incluída no disco porque fazia sentido no conjunto de todas as musicas que o integram. (O single de avanço foi a Naive.)

 

Penelope contou com a produção de Moullinex e são evidentes as influências no resultado final. A que se deve esta opção? Acabou por surgir com naturalidade ou foi algo imposto?

Foi fruto do acaso. O Luis ouviu a Beijing e entrou em contacto comigo para experimentarmos gravar algumas musicas. Correu muito bem, e como eu tinha material suficiente para um disco, acabou por se tornar uma colaboração mais séria. Foi um trabalho muito natural e equilibrado, temos bastantes gostos em comum e foi fácil trabalhar com ele.

 

E já agora, como é pertencer à família da Lovers & Lollipops?

É óptimo! São uma editora pequena, mas muito trabalhadora e inovadora. Ca esta, é quase como que uma família e isso faz me sentir muito  à vontade.

 

Ouvir Penelope foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante, melancólico, às vezes mesmo algo sombrio mas, simultaneamente, optimista, festivo e alegre, foi aquilo que achei, do conteúdo geral do disco. As minhas sensações correspondem ao que pretendeste transmitir sonoramente?

Claro que sim. Esse é espectro de sensações que rodeiam todas as musicas. Acho que como todas as musicas são muito pessoais e emotivas é fácil cada pessoa identificar-se.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Penelope uma sensação, quanto a mim, também experimental. Consideras-te uma artista rígida que não dispensa os sintetizadores em nenhum momento, ou existe abertura para ires modelando as tuas ideias à medida que o barro se vai moldando?

Acho que tudo o que faço é bastante intuitivo, nada forçado, nada rígido. Gosto da simplicidade, e acho que é uma característica bem demarcada em todas as musicas.

 

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

Normalmente as melodias surgem de imagens que tenho, inspiradas nas minhas vivências. As minhas musicas são um aglomerado de metáforas imagéticas e literárias.

 

Adoro a canção Origami Boy. A Ana tem um tema preferido em Penelope?

Não consigo ter um tema favorito, há alturas em que gosto mais de uma música do que das outras. Mas não consigo escolher um tema como favorito.

 

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantares em inglês e a opção será para se manter?

Acho que a música que faço se expressa melhor em inglês. Penso que para escrever e cantar em português é preciso ser se muito bom a fazê-lo, e acho que não tenho essa capacidade, ou pelo menos não gosto tanto de cantar as coisas que escrevo em português como gosto das que escrevo em inglês. É uma opção para se manter, sem duvida.

 

O que te move é a amálgama de géneros e estilos que Penelope plasma, feita com uma sonoridade rica a nível da instrumentalização dominada pela eletrónica, com a primazia do sintético em relação ao orgânico, ou pretendes debruçar-te sobre uma vertente sonora diferente? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico de Sequin?

Não sei bem o que farei daqui para a frente. Já estou a compor musicas novas desde o início deste ano e posso dizer que continuam numa linha parecida, se bem que quero ter espaço para poder criar o que quiser, e daí o facto das musicas do Penelope serem pouco homogeneas em termos sonoros e estilísticos.

 

Quais são as três bandas atuais que mais admiras?

De momento estou muito apaixonada por 3 artistas individuais: Jessy Lanza, Kelela e Todd Terje. 


autor stipe07 às 22:58
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Balue - Charming Flow

O verão está quase a chegar e apesar deste breve interregno, algo molhado, no bom tempo, apetece ouvir canções alegres e luminosas que criem o ambiente perfeito para o usufruto pleno dos dias quentes que certamente se aproximam. Natural do Novo México, o norte americano Eli Thomas é a mente criativa que dá vida ao projeto Balue, mais uma proposta da etiqueta Fleeting Youth Records e Charming Flow é o primeiro single divulgado de Quiet Dreamer, um álbum que verá a luz do dia a vinte e quatro de junho.
Com uma sonoridade tipicamente pop assente numa voz um pouco lo fi e shoegaze, com aquele encanto retro, relaxante e atmosférico e uma intrumentalização assente numa bateria eletrónica e em guitarras e sintetizadores com o tempero ideal, Charming Flow é um fantástico aperitivo para um disco que merecerá toda a atenção por cá daqui a algumas semanas. Charming Flow está disponível para dwonload gratuito. Confere...


autor stipe07 às 12:40
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Terça-feira, 20 de Maio de 2014

Coves – Soft Friday

Formados pela dupla Beck Wood, a vocalista e John Ridgard, o guitarrista, os britânicos Coves são uma das novas sensações do cenário indie de terras de Sua Majestade, devido a Soft Friday, o disco de estreia, editado no passado dia trinta e um de março por intermédio da Nettwerk Music Group.

No início dos ano noventa a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e os Coves parecem apostados em tentar uma simbiose sonora que tenha uma forte componente nostálgica e que agregue ruídos, tiques e melodias de várias décadas. Da música pop dos anos sessenta e oitenta e do rock lo fi da década de noventa, passando pelo experimentalismo pop da primeira década do novo século, tudo funciona como um grande pano de fundo do trabalho dos Coves.

Soft Friday está impecavelmente produzido e envolto numa aúrea de mistério muito sedutora, através da feliz mistura entre guitarras e sintetizadores, que têm na componente melódica, eminentemente romântica e introspetiva, uma correspondência clara com letras sombrias e pouco otimistas, com a própria voz de Beck a acentuar todo este cenário algo sofrido.

A dupla personalidade também é característica do projeto, inscrita num estado sentimental indeciso, ora leve, ora devastado e bastante evidente, nomeadamente quando misturam o som sessentista com a dream pop da atualidade e o som progressivo algo que, por exemplo, Beatings claramente demonstra ao congregar inicialmente uma vasta riqueza instrumental com a produção retro e alguns arranjos tipicamente folk e depois, na reta final, ao deixar a distorção das guitarras tomar conta da canção.

O reforço desta abordagem heterogénea também se sente em Wake Up, canção assente numa eletrónica de cariz eminentemente rock, muitas vezes misturada com detalhes caraterísticos da pop, ou seja, feita com sons sintetizados, ressuscitados muitas vezes nos anos oitenta ou no trip-hop da década seguinte, misturados com guitarras com um apreciável nível de distorção e batidas e elementos da percussão que dão um certo travo obscuro ao clima geral.

O ponto alto do álbum chega com Cast A Shadow, uma bela melodia, com arranjos que dão à canção uma densidade particularmente rica e detalhada e, no fim, ficamos com a sensação que escutámos uma banda que tem uma capacidade impar para nos afundar num colchão de sons que satirizam a eletrónica retro e, simultaneamente, mostrar-nos algumas pistas em relação ao futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...  

Coves - Soft Friday

01. Fall Out Of Love
02. Honeybee
03. Beatings
04. Last Desire
05. Let The Sun Go
06. No Ladder
07. Cast A Shadow
08. Fool For You
09. Bad Kick To The Heart
10. Wake Up

 


autor stipe07 às 21:56
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

Woods – With Light And With Love

Editado no passado dia quinze de abril através da Woodsist, etiqueta da própria banda, With Light And With Love é o sétimo tomo da carreira discográfica dos Woods, uma banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada por Jeremy Earl.

A carreira dos Woods impressiona pelas aparentes inflexões sonoras que vão propondo à medida que publicam um novo alinhamento de canções mas, na verdade, eles sempre se mantiveram fiéis a um fio condutor, mas do qual exploram, até à exaustão e com particular sentido criativo, todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e, na verdade, estando presentes com elevada qualidade em With Light And With Love, servem para comprovar que estes Woods são, talvez, uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual.

As dez canções de With Light And With Love juntam então as típicas cordas da folk com riffs de guitarra cheios de distorção e alguns arranjos sintéticos com uma forte componente lo fi e ruidosa, que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

Gravado em casa do líder da banda, este álbum terá certamente obrigado a algum investimento de material já que, quem conhece a discografia dos Woods, percebe que ao longo do tempo tem melhorado a qualidade do som do grupo, que soa cada vez mais limpo e atrativo, mas sem perder aquele charme noise que é tão caraterístico dos Woods.

O disco começa num clima ameno e relaxante com Shepherd e depois Shinning e, mais adiante, Leaves Like Glass serão as duas canções que mais facilmente chegarão às massas, exemplares sonoros com arranjos deliciosos, com um sugestivo pendor pop e que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido. No entanto, há outros momentos que merecem amplo destaque e um deles é, sem dúvida, o tema homónimo que, além de sobressair do alinhamento devido àc sua longa duração, contém solos de guitarra com riffs marcantes, num clima denso e sombrio, mas épico. Acaba por ser uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das tais referências noise, folk e psicadélicas. Também não pode ser ignorado o grande momento folk do disco encarnado por Twin Steps, Full Moon e Moving to The Left, o tema que, além do homónimo, nos remete para o universo dos The Flaming Lips, em especial no que diz respeito ao baixo e à secção rítmica.

Em suma, a receita de With Light And With Love é extremamente assertiva e eficaz. Entre cordas, um baixo vibrante, o tal falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Woods - With Light And With Love

01. Shepherd
02. Shining
03. With Light And With Love
04. Moving To The Left
05. New Light
06. Leaves Like Glass
07. Twin Steps
08. Full Moon
09. Only The Lonely
10. Feather Man

 


autor stipe07 às 23:15
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Parquet Courts - Instant Disassembly

Parquet Courts

Os Parquet Courts são um quarteto norte americano que apresentei em 2012 por causa de Light Up Gold, um disco que incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica, que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

Dois anos depois os Parquet Courts vão regressar aos lançamentos discográficos com Sunbathing Animal, um álbum que será editado a três de junho por intermédio da What’s Your Rupture/Mom + Pop e depois de ter sido divulgado o single homónimo do álbum, uma canção assente num punk rock vigoroso e cheio de guitarras distorcidas, agora chegou a vez de Instant Disassembly, um tema que tem o detalhe curioso de usar a palavra mamacita e com caraterísticas pouco usuais nos Parquet Courts, que, apesar de possuir aquela toada blues que também os carateriza, não têm por hábito compôr temas tão longos e sonoramente expansivos. Confere...

 


autor stipe07 às 15:25
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Sábado, 17 de Maio de 2014

Saintseneca – Dark Arc

Lançado no passado dia um de abril pela ANTI-Dark Arc é o segundo álbum de estúdio dos norte americanos Saintseneca, uma banda natural de Columbus, no Ohio e formada por Zac Little, Maryn Jones, Steve Ciolek e Jon Maedor. Dark Arc era um dos discos mais aguardados da primeira metade do ano no cenário indie folk e as catorze canções do seu alinhamento não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A expetativa em redor de Dark Arc começou a fervilhar no universo indie quando foi divulgado o video de Happy Alone, o primeiro single retirado do álbum e disponível para download. As imagens deslumbrantes, feitas com uma linda e mágica paleta de cores, com uma edição inspirada e delicada, na qual a narrativa apresenta a cabeça do membro da banda Zac dentro de uma bolha gigante, enquanto deambula pelas tarefas diárias do quotidiano comum, deixaram logo a sensação que Dark Arc seria um marco na careeira discográfica dos Saintseneca.

De Violent Femmes aos Neutral Milk hotel, são vários os grupos que os Saintseneca parecem conter no seu cardápio de referências e, na verdade, a música que fazem tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico.

Com a participação especial de Maryn Jones dos All Dogs, Dark Arc impressiona pela produção impecável e Blood Path, o tema de abertura, levanta logo o véu sobre a temática lírica latente em todo o disco, que não tem qualquer segredo especial e que se relaciona com a solidão, os desgostos amorosos e a procura do verdadeiro sentido da vida. A própria estrutura desta canção encontra eco em muitas outras do alinhamento, feita com uma melodia lenta conduzida por cordas acústicas com forte cariz melancólico e pontuada pela voz nasalada de Little, comparada várias vezes ao conceituado cantor folk norte americano Conor Oberst; quando os restantes membros da banda se juntam ao vocalista, em coro, ampliam imenso o volume da canção e o seu cariz épico e expansivo, algo que se repete mais vezes ao longo de Dark Arc, nomeadamente em Only The Young Die Good. Os sintetizadores futuristas e a linha de baixo deste tema deixam-te com um breve nó na garganta, que o refrão ajuda ainda mais a apertar (If only the good ones die young, I pray your corruption comes).

Outra das canções que merece audição atenta é Falling Off, um tema que plasma esta enorme capacidade que os Saintseneca têm para escrever canões que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas (A laceration sufficiently deep/, My body still wears a scar in the knee, So when you live off every scrap of your self, Take solace in knowing as somebody else). Mas um dos temas mais curiosos de Dark Arc é Takmit, uma canção com uma energia diferente das restantes e que demonstra a versatilidade que os Saintseneca já demonstram possuir.

Há definitivamente algo de especial nestes Saintseneca e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de uma frescura que tem tanta vitalidade como o nevoeiro matinal criado pelo ar da montanha do Ohio que os inspira. Espero que aprecies a sugestão... 

Saintseneca - Dark Arc

01. Blood Bath
02. Daendors
03. Happy Alone
04. Fed Up With Hunger
05. ::
06. Falling Off
07. Only The Young Die Good
08. Takmit
09. So Longer
10. Uppercutter
11. :::
12. Visions
13. Dark Arc
14. We Are All Beads On The Same String

 


autor stipe07 às 22:08
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