Sexta-feira, 21 de Março de 2014

Real Estate - Atlas

Editado a quatro de março por intermédio da Domino Records, Atlas é o terceiro álbum dos Real Estate, uma banda norte americana formada por Martin Courtney, Matt Mondanile, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman. Este trabalho sucede a Days, um dos álbuns mais aclamados em 2011 no universo sonoro indie e alternativo, ano em que foi editado.

Os Real Estate sempre se assumiram como uma banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, algo que ficou muito claro logo na estreia com Fake Blues. Em Days aprimorou-se a mistura com as guitarras e soou ainda melhor esta vontade dos Real Estate em serem exímios na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja. Assim, os Real Estate ficaram famosos pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo que agora, em Atlas, olha cada vez mais e com maior atenção, para o rock alternativo dos anos oitenta e, servindo-se de uma mais vincada vertente sintética, mostra neste novo disco um cariz mais urbano e atual.

Ouvimos cada uma das músicas deste trabalho e conseguimos, com uma certa clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que foram sendo adicionados e que esculpiram as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os tais arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Num disco que não deixa de ser variado quanto às temáticas que aborda, vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. E há que salientar que esse amor que é tão caro aos Real Estate, tem uma componente cada vez mais biográfica e canções como Crime ou Talking Backwards e até a instrumental April's Song, estão cobertas por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Atlas está imbuído de uma enorme beleza melódica, escuta-se com enorme fluidez, há um encadeamento claro entre os vários temas, uma noção de sequencialidade e uma relação clara entre os temas, mesmo aqueles que parecem opostos no conceito e na ideia que procuram aflorar.

Em Atlas os Real Estate avançam em passo acelerado em direção à maturidade, num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

Real Estate - Atlas01. Had To Hear

02. Past Lives
03. Talking Backwards
04. April’s Song
05. The Bend
06. Crime
07. Primitive
08. How Might I Live
09. Horizon
10. Navigator

 

 

 


autor stipe07 às 21:12
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Videos musicais Lego

Apesar de terem posto termo à sua carreira, os LCD Soundsystem continuam a ser recordados. Uma das formas de o fazer foi o vídeo feito pela Lego de All My Friends, a ganhar uma versão, não oficial, com bonecos de Lego. Vê e compara com o original e não percas o filme destas peças mágicas criadas no reino da Dinamarca!

  
 
Anteriormente, já tinha sido dada a conhecer uma versão de Transmission, dos Joy Division, nos mesmos moldes...
 
E existem outros vídeos do género, alguns de músicas bastante conhecidas...
Circle Circle Dot Dot - Jamie Kennedy and Stu Stone
 

 P.O.D. - Youth Of The Nation

 
Radiohead - Street Spirit
 
Black Eyed Peas - Pump It
 
Queen - We Will Rock You
 
The Offspring - Gone Away
 
The Orange Strips - Kissed A Girl (It Wasn't You)

autor stipe07 às 19:44
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Quinta-feira, 20 de Março de 2014

Fanfarlo – Let’s Go Extinct

Depois do bem sucedido Reservoir, o trabalho de estreia, editado em 2009 e do menos exuberante, mas igualmente competente, sucessor, Rooms Filed With Light (2012), já chegou às lojas o terceiro disco da banda londrina de pop folk Fanfarlo, liderada pelo carismático músico sueco Simon Balthazar, ao qual se juntam Valentina Magaletti (substituiu recentemente Amos Memon), Cathy Lucas (teclado e violino), Leon Beckenham (piano e trompete) e Justin Finch (baixo). O novo trabalho dos Fanfarlo chama-se Let´s Go Extinct, viu a luz do dia através da etiqueta Blue Horizon e foi produzido por David Wrench, habitual colaborador do grupo e pelos próprios Fanfarlo.

 

Tem sido uma experiência bastante interessante o acompanhamento do percurso sonoro evolutivo destes Fanfarlo que, na minha opinião, por muitos álbuns que ainda venham a editar, dificilmente conseguirão, alguma vez, superar o espetacular encanto frágil e inocente de Reservoir, o trabalho de estreia, um pouco à imagem do que os Coldplay fizeram em Parachutes ou os Arcade Fire com Funeral. O sucessor, Rooms Filled With Light, foi um passo em frente no processo de amadurecimento da banda e na busca de novoas propostas instrumentais e agora Let's Go Extinct representa, de algum modo, o epílogo de uma triologia, a confirmação da superação de algumas limitações e receios e do sucesso na obtenção de um som mais empolgante, maduro e ambicioso.

Portanto, quem, como eu, tiver a perceção clara do conteúdo dos dois discos anteriores, ao escutar Let's Go Extinct percebe imediatamente que Simon e os seus parceiros procuraram, desta vez, criar ambientes sonoros épicos e luminosos e um som mais aberto e expansivo. A Distance, o primeiro tema que foi divulgado deste álbum, mostrou logo uns Fanfarlo mais alegres e explosivos e percebeu-se que eles queriam apresentar algo mais dançante e bem menos introspectivo.

A materialização prática de todo este novo referencial sonoro dos Fanfarlo, audível em Let's Go Extinct, utiliza como receita uma maior primazia da vertente sintética e dos teclados relativamente às cordas e à secção de sopros, duas nuances importantes da banda para a obtenção da sua caraterística toada folk, que não desaparece, mas ganha contornos mais modernos e consentâneos com a indie pop atual. Temas como We’re The FutureThe Beginning And The End e Landlocked são exemplos claros da aposta nesta nova estratégia sonora, quase oposta ao conteúdo geral frágil e intimista das raízes de Reservoir.

Esta manutenção dos habituais tiques sonoros essencial dos Fanfarlo com novas abordagens é, realmente, o sustentáculo da sonoridade geral de Let's Go Extinct que, tematicamente, também procura dar um passo em frente no que liricamente o grupo costuma apresentar. Assim, desta vez procuram abordar temas cada vez mais abrangentes e arriscados que, conforme indica o título do álbum, abordam as principais dúvidas existenciais de uma humanidade que procura sobreviver neste planeta cada vez menos azul, fazendo-o a partir das nossas próprias origens, e ajudando o ouvinte a refletir sobre as mesmas, num clima feliz, animado e dançante.

Com uma maior aposta na mistura de uma orquestração pop com a eletrónica e numa mais diversificada amálgama sonora, em Let's Go Extinct os Fanfarlo anunciam que são uma banda que quer evoluir e ousa mudar, e assim, continuar a ser promissora. Espero que aprecies a sugestão..

Fanfarlo - Let's Go Extinct

01. Life In The Sky
02. Cell Song
03. Myth Of Myself (A Ruse To Exploit Our Weaknesses)
04. A Distance
05. We’re The Future
06. Landlocked
07. Painting With Life
08. The Grey And Gold
09. The Beginning And The End
10. Let’s Go Extinct

 


autor stipe07 às 20:57
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Lykke Li - No Rest For The Wicked

A cantora e compositora sueca Lykke Li vai regressar em breve aos discos a cinco de maio, por intermédio da Atlantic Records, com I Never Learn, um álbum produzido por Björn Yttling e Greg Kurstin e que encerra uma espécie de trilogia, iniciada com Youth Novels e Wounded Rhymes.

O primeiro single de I Never Learn chama-se No Rest For The Wicked e tem uma sonoridade muito introspetiva; É uma balada melancólica, composta essencialmente por um piano tocado brilhantemente ao som da lindíssima voz de Lykke. No refrão escuta-se uma percussão grandiosa, que enfatiza os versos delicados e expressivos da composição que conta a história de um amor perdido, talvez o da própria Lykke Li já que ela terminou recentemente uma relação. Confere...


autor stipe07 às 17:09
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Fucked Up - Paper The House

Depois de há três anos os Fucked Up terem editado David Comes To Life, uma espécie de ópera rock que se centrava na temática do amor, ou melhor, na falta dele, finalmente estão de regresso com Glass Boys, o quarto disco deste coletivo canadiano.

Paper The House é o primeiro avanço divulgado de Glass Boys, uma canção traçada com a típica crueza típica da banda e que prova que, no seu seio, o hardcore continua bem vivo e renovado nos gritos ásperos do vocalista Damian Abraham e nas melodias versáteis que comandam a estética sonora dos Fucked Up.

Glass Boys terá um alinhamento preenchido com dez canções e chega aos escaparates a três de junho por intermédio da Matador Records. Paper The House está disponível para download gratuito, via stereogum. Confere... 


autor stipe07 às 12:35
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Quarta-feira, 19 de Março de 2014

Yellow Ostrich - Cosmos

Após mais de um ano em estúdio, os norte americanos Yellow Ostrich, de Alex Schaaf, Michael Tapper, Jared van Fleet e Zachary Rose, regressaram aos discos com Cosmos, um trabalho que viu a luz do dia a vinte e cinco de fevereiro, por intermédio da Barsuk Records.


Depois de ter conseguido, finalmente, ver o primeiro episódio da nova série televisiva Cosmos, adaptada da famosa saga documental original da autoria de Carl Sagan, hoje Cosmos, o novo disco dos Yellow Ostrich, acabou por ser a escolha natural para nova audição, crítica e divulgação no blogue. De acordo com o press release deste disco, Cosmos embodies a sense of wonder and isolation e esta ideia é feliz para a descrição do ambiente sonoro criado pelo alinhamento deste álbum, inspirado não só pelo trabalho científico levado a cabo por Sagan e Frank Drake, já que Alex Schaaf, para se inspirar, acedeu ao trabalho destes dois cientistas, mas também por uma viagem que Michael, o baterista da banda, fez recentemente, de barco, entre o México e o Havai, onde terá passado pelo indispensável período de isolamento e solidão que lhe possibilitou longos períodos de introspeção.

Shades, o primeiro single divulgado de Cosmos, é uma espécie de big bang e, logo nesta amostra, ficamos com a certeza que estamos na presença de um dos grandes discos do início deste ano. Os Yellow Ostrich deixaram soltar as rédeas, aumentaram o volume e viraram agulhas para o rock psicadélico, com esta canção a situar-nos algures entre os Tame Impala e os Temples, mas também a deliciar-nos com arranjos e detalhes que nos transportam para o indie rock alternativo, típico de nomes como os Radiohead e os Caribou. Any Wonder é outra canção que segue esta bitola, feita de uma instrumentação rugosa, conduzida por duas guitarras cheias de loops graves, que dançam entre si e se misturam com uma percussão, ora eletrónica ora acústica. Esta interação instrumental amplia-se e atinge o seu máximo em Neon Fists, um tema que surpreende igualmente pelo clima simultaneamente tropical e nostálgico.

Há uma sensação de uma elevada grandeza e um implícito mas percetivel cariz épico neste disco, algo que a postura da voz de Schaaf, que ecoa num timbre forte e grave até ao nosso âmago, amplia, em contraponto com o teor depressivo e sombrio de alguns momentos da escrita de Cosmos (I can feel you, running much too fast, the race is long, you’ll never last).

Cosmos é um disco generoso, uma admirável peça de indie rock, um tratado sonoro coeso, intrigante e deliciosamente perturbador, que mistura uma vertente experimental com alguns dos mais excitantes ingredientes do indie rock atual. Espero que aprecies a sugestão...

bark143: Yellow Ostrich / Cosmos

01 – Terrors
02 – Neon Fists
03 – Shades
04 – My Moons
05 – You Are The Stars
06 – In The Dark
07 – Any Wonder
08 – How Do You Do It
09 – Things Are Fallin’
10 – Don’t Be Afraid


autor stipe07 às 18:54
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tUnE-yArDs - Water Fountain

Merrill Garbus e Nate Brenner, a dupla que sustenta o projeto tUnE-yArDs, está de regresso aos discos após um período de ausência moderadamente alargado, já que, Whokill, editado em 2011 através da etiqueta 4AD, foi o último disco a ser editado por esta dupla de Oakland, um trabalho que divulguei pouco tempo depois..

O novo trabalho dos tUnE-yArDs chama-se Nikki Nack, vai ver a luz do dia a cinco de maio próximo e Water Fountain é o primeiro single divulgado do álbum, uma canção alimentada por um verdadeiro caldeirão sonoro que vai da folk ao indie, com os habituais ritmos afrobeat, uma mescla que evidencia a enorme veia criativa deste projeto e que nos deixa a salivar pelo disco. Confere...


autor stipe07 às 12:25
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Terça-feira, 18 de Março de 2014

Brace/Choir - Turning On Your Double

Num tempo em que o mundo em que vivemos não roda à volta da sua estrela, mas, em vez disso, rodopia com particular frenesim e um ênfase tal que faz com que vivamos num mundo cheio de perigos e que parece, em determinados períodos da história contemporânea, ter um apetite voraz e incontrolado pela implosão, Turning On Your Double é, de acordo com o press release do lançamento, uma série de oito contos sombrios sobre doença mental, uma meditação sobre as lutas individuais e sociais com distúrbios compulsivos e esquizofrenia: quatro pessoas unidas por uma visão idealista de colaboração, na qual chegaram a pensar que eram uma só pessoa, e as fracturas que surgiram nas suas vidas e personalidades quando a música pára. Temas como a traição, ficção satânica, neuroses relacionadas com a tecnologia e a morte de Osama Bin Laden são revelados através duma combinação de improvisação arrebatadora e composição sublime.

Os Brace/Choir são Christoph Adrian, Max Gassmann, Alex Samuels e Dave Youssef, um quarteto que se formou em Berlim, na Alemanha, no já longínquo ano de 2006. Este disco, lançado por intermédio da Tapete Records no final de fevereiro, sucede a um EP homónimo de 2010 e embarca esta banda num espiral sombria, mas, nem por isso, menos empolgante e atrativa. Falo de um caldeirão sonoro assente num rock progressivo e psicadélico, que não vive só do baixo e da guitarra, mas também do teclado, um elemento essencial do processo de criação melódica de quase todas as canções de Turning On Your Double. Estes instrumentos constituem a tríade que a banda usa como canal privilegiado para comunicar conosco sobre temas como a morte e o renascer e as já clássicas temáticas do amor e de alguns distúrbios emocionais que o mesmo pode provocar, assim como alguns eventos marcantes da nossa história contemporânea. Por exemplo, Fallmen alude explicitamente à captura e morte de Osama Bin Laden.

Uma das particularidades dos Brace/Choir é serem, praticamente todos, multi-instrumentistas, o que lhes permite trocar de ferramenta sonora entre as músicas, quer ao vivo quer em estúdio, o que faz com que cada um dos instrumentos fale com uma diferente voz, cada vez que ganha vida e cor nas canções dos Brace/Choir. É curioso sabermos que este disco tem uma conceção sonora geral e bem balizada e depois percebermos, ao longo da audição, que os diferentes instrumentos têm uma diferente tonalidade e timbre, de mão para mão.

Nomes como os the Replacements ou os Faust são influências declaradas dos Brace/Choir, mas os Mogway ou, num plano oposto, os Jesus and Mary Chain, ou os Doors, são também projetos que certamente terão passado bastante pelos ouvidos deste grupo, que toca um rock que tanto pode ter cor devido às aproximações indisfarçáveis que faz à pop mais melódica e de cariz épico, como se escuta em Biond, ou ter aquela toada mais vintage, feita com um baixo pulsante, um teclado psicadélico, uma distorção hipnótica e uma percussão vincada, aspetos típicos de uma psicadelia que nos remete para ambientes mais sombrios, como fica patente em Five Fingered Leaf ou na longa peça sonora orquestral que é Enemy's Friend, duas canções que, por si só, já fazem com que Turning On Your Double mereça uma audição atenta e integral. Espero que aprecies a sugestão...

01. Biond
02. Five Fingered Leaf

03. Enemy’s Friend
04. Fallmen
05. Be Let Down
06. Coil
07. Satisfier
08. 1 Is 2 


autor stipe07 às 20:58
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The Horrors - So Now You Know

Depois de I See You, já é conhecido So Now You Know, mais um avanço para Luminous, o novo trabalho dos britânicos The Horrors, que verá a luz do dia a cinco de maio e sucederá ao excelente Skying (2011), 

Faris, o vocalista, já confessou que este é um álbum que deu imenso gozo à banda compôr e que, de todos os discos lançados até hoje pelos The Horrors, é aquele em que coloca maiores expetativas, principalmente porque ampliaram o cardápio sonoro do grupo com mais sintetizadores e criaram um som mais amplo e elaborado. So Now You Know é um tema mais acessível que I See You mas, tal como essa, além de ter é os habituais ingredientes desta banda britânica, percebe-se que há, realmente, uma maior primazia da vertente sintética em relação à orgânica das guitarras. Confere...


autor stipe07 às 18:39
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R.E.M. Unplugged 1991 2001 – The Complete Sessions

Em setembro de 2011, num dia que recordo perfeitamente, os R.E.M. colocavam um comunicado no seu site em que diziam: As R.E.M., and as lifelong friends and co-conspirators, we have decided to call it a day as a band. We walk away with a great sense of gratitude, of finality, and of astonishment at all we have accomplished. To anyone who ever felt touched by our music, our deepest thanks for listening. Nesse dia terminava a carreira de uma das bandas mais improtantes do rock alternativo das últimas três décadas, um nome fundamental e imprescindível para percebermos as principais caraterísticas que regem o indie rock da atualidade, uma banda marcante para a minha geração e que tantas vezes não teve o merecido reconhecimento.

Dois anos e meio depois do fim da carreira, os R.E.M. ainda têm surpresas para revelar; A dezanove de abril, no próximo Record Store Day, será editado R.E.M. Unplugged 1991 2001 – The Complete Sessions, uma caixa com quatro discos de vinil e que contém todas as músicas gravadas para as performances do grupo nos MTV Unplugged que a banda tocou em 1991 e 2001, incluindo onze temas que não foram para o ar. Já agora, os R.E.M. são, até hoje, a única banda a gravar dois MTV Unplugged.

Do alinhamento desta caixa, que terá edição no formato CD em maio, será possível encontrar os principais sucessos de toda a carreira do grupo, com músicas do álbum Murmur, de 1983, até ao álbum Reveal, de 2001, além de várias covers, com destaque para Love Is All Around, um original dos Troggs.

No Record Store Day, o baixista Mike Mills estará a autografar exemplares desta caixa no Bull Moose, uma loja de discos em Scarborough, no Maine. Espero que a mesma não demore muito a chegar a Portugal.

R.E.M.-Unplugged

1991 Unplugged

Side One

1."Half A World Away"
2."Disturbance at the Heron House"
3."Radio Song"
4."Low"

Side Two

1."Perfect Circle"
2."Fall on Me"
3."Belong"
4."Love Is All Around"

 Side Three

1."Its The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)"
2."Losing My Religion"
3."Pop Song 89"
4."Endgame" 

Side Four

1."Fretless"*
2."Swan Swan H"*
3."Rotary 11"*
4."Get Up"*
5."World Leader Pretend"*

 

2001 Unplugged

Side Five

1."All The Way To Reno (You're Gonna Be a Star)"
2."Electrolite"
3."At My Most Beautiful"
4."Daysleeper"

Side Six

1."So. Central Rain (I'm Sorry)"
2."Losing My Religion"
3."Country Feedback"
4."Cuyahoga"

Side Seven

1."Imitation of Life"
2."Find the River"
3."The One I Love"*
4."Disappear"*

Side Eight

1."Beat a Drum"*
2."I've Been High"*
3."I'll Take the Rain"*
4."Sad Professor"*

* (Not included in original television broadcast )


autor stipe07 às 12:26
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Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Cassettes On Tape - Murmuration EP

Os Cassettes On Tape são uma banda post punk de Chicago, formada por Joe Kozak (guitarras e voz), Greg Kozak (baixo e voz), Shyam Telikicherla (guitarras e voz) e Chris Jepson (bateria). Escrevi sobre eles no início de 2013 a propósito de Cathedrals, o primeiro registo discográfico da banda, um EP com sete canções e agora estão de regresso, no mesmo formato, com outro EP intitulado Murmuration, lançado no passado dia quinze de março e disponível para audição no bandcamp da banda e em formato figital nas habituais plataformas  iTunes, Spotify e Amazon.

Nunca o ressuscitar do post punk e do shoegaze estiveram tão em voga como nos últimos tempos e o vigor desta tendência percebe-se pelo acompanhamento atento deste blogue. Têm sido imensas as bandas a obter sucesso apostando no reviver de diversas sonoridades que despontaram mais intensamente nas décadas de setenta e oitenta. No entanto, essa aposta atual não se tem limitado ao replicar do que era feito nessa altura e em ambos os lados do oceano atlântico.

Os Cassettes On Tape são mais uma banda que aposta nessa simbiose de legados deixados por nomes como Ian Curtis ou os Led Zeppelin, há cerca de três décadas, não descurando a habitual cadência proporcionada pela tríade baixo, guitarra e bateria e uma outra tendência mais virada para a psicadelia. É nessas guitarras carregadas de reverb e distorção e na voz grave de Joe Kozak, cujo efeito em eco ouve-se e entranha-se com particular emoção, que assenta a base melódica das canções de Murmuration, os dois aspetos vitais do perfil identitário sonoro deste grupo de Chicago.

Murmuration é um excelente cartão de visita para quem não conhece os Cassettes On Tape e uma ótima sequência da estreia deste quarteto. Temas como I Was Wrong e She Said plasmam com particular ênfase a mestria com que este quarteto revive sonoridades antigas, com guitarras plenas de distorção e lhes dá uma roupagem pop, melodicamente épica e, também por isso, muito atual e inovadora, não havendo qualquer tipo de desculpas para que os apreciadores desta espécie de mescla não os possam conhecer e ouvir. Em Murmuration há um mérito e uma qualidade não deverão passar em claro. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:54
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Domingo, 16 de Março de 2014

Plumerai - Seattle

Os Plumerai juntaram-se em 2011 para fazer música e assim nasceu uma banda em Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras), James Newman (baixo) e Mickey Vershbow (bateria). Em novembro de 2012 a Darushka-4 lançou Mondegreen, um disco do grupo que divulguei na altura e, desde aí, nunca mais perdi contacto com Martin Newman, o lider do projeto, que também faz parte da dupla The New Schwansteins. Já agora, Mondegreen sucedeu ao EP Marco Polo, lançado em janeiro desse mesmo ano e tanto o EP como o disco estão disponíveis para audição no bandcamp e no soundcloud dos Plumerai.

Martin contactou-me há poucos dias para me informar que os Plumerai têm um novo single chamado Seattle e que poderá vir a fazer parte do alinhamento do próximo disco desta banda norte americana, que está, neste momento, a ser concebido. Envolvido por uma sonoridade indie e alternativa, que balança entre a dream pop e o shoegaze, Seattle assenta numa abordagem simples, dominada por uma percussão assertiva e por guitarras carregadas de distorção, um manto sonoro que se interliga, com particular encanto, com o sotaque francês de Eliza, um trunfo explorado positivamente até à exaustão neste tema e uma opção linguística nova nos Plumerai. Confere...


autor stipe07 às 10:49
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Sábado, 15 de Março de 2014

Posse – Soft Opening

Lançado no passado dia quatro deste mês, Soft Opening é o novo disco dos Posse, um grupo formado por Paul Wittmann-Todd, Sacha Maxim e Jon Salzman, que nasceu em 2010 quando Paul e Sacha se conheceram num bar lésbico de Seattle, tendo o baterista Jon juntado-se pouco depois à dupla. Soft Opening viu a luz do dia através da Beating A Dead Horse Records, sucede a um álbum de estreia homónimo, foi gravado integralmente no sotão de Sacha e foi misturado por José Diaz Rohena e masterizado por Mell Dettmer.

Se a simplicidade de processos e uma evidente quimica estiveram na génese da formação dos Posse, basta ouvir Soft Opening para perceber que esses conceitos também fazem parte da identidade sonora da banda. Não há grandes segredos neste disco e essa é uma das suas principais virtudes, já que todas as canções assentam em linhas de guitarra bastante melódicas, onde os arranjos dessas cordas são dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e também numa percurssão pouco variada mas marcante e aditiva. Esta receita instrumental, onde cada elemento tem o seu próprio espaço e existe um protagonismo equilibrado entre cordas e secção ritmíca, é simples, mas extremamente eficaz e perfeita para a voz algo discreta mas muito encantadora de Paul que, juntamente com Sacha, foram o núcleo duro dos Posse.

Delay pedals and 27 years of disappointmen é uma frase chamariz que os Posse utilizam para descrever a música que fazem e, na verdade, Soft Opening é um delicioso compêndio para os verdadeiros apreciadores de um indie rock feito com guitarras, que tanto é capaz de assumir uma toada épica e mais ampla, enriquecida por longos instrumentais, algo muito audível nas variações de intensidade de Shut Up, Talk e Zone, assim como aquele indie rock ligeiramente pop e implicitamente dançável, muito patente no início do disco, na convidativa sequência assegurada por Interesting Thing No. 2 e Afraid.

Estamos na presença de oito canções que contêm a produção algo psicadélica típica da década de oitenta e as transformações sonoras que o indie rock experimentou na década seguinte, para musicar letras que falam das típicas angústias de quem está a deixar para trás uma juventude que foi vivida num período de fortes duvidas existenciais e se prepara para abrir as portas da idade adulta e pede, como fica explícito em Zone, no fim do disco, que o deixem levar por diante esse processo evolutivo pessoal, sem intromissões e de acordo com os seus mais intímos desejos (Don't touch Me, I'm In My Zone). Espero que aprecies a sugestão...

Posse - Soft Opening

01. Interesting Thing No. 2
02. Afraid
03. Talk
04. Shut Up
05. Jon
06. 2U
07. Cassandra B.
08. Zone

 


autor stipe07 às 15:06
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Wild Beasts - Present Tense

Três anos após o excelente Smother, o quarteto britânico Wild Beasts está de regresso com Present Tense, um novo álbum lançado no passado dia vinte e quatro de fevereiro pela Domino Records. Depois de trabalharem com Richard Formby nos três primeiros álbuns, este novo trabalho foi gravado com Lexxx, um engenheiro de som parceiro de Mike Stent e que já trabalhou em álbuns de Björk, Madonna e Goldfrapp.


A carreira dos Wild Beasts tem sido marcada por um desenvolvimento progressivo e um aumento da bitola qualitativa da sonoridade apresentada de disco para disco, com o ponto alto a ser atingido com Smother, considerado unanimemente o ponto alto da carreira deste grupo. Assim, era com elevada pressão que se aguardava um novo trabalhos dos Wild Beasts e importa referir, sem mais delongas, que Present Tense não defrauda quem estava à espera de algo de nivel semelhante a Smother, com a nuance de haver ainda propostas sonoras mais ambiciosas e sofisticadas e um alargar do leque musical dos Wild Beasts, além de uma qualidade lírica acima de qualquer suspeita e que importa também analisar com algum detalhe.

Então, Present Tense reforça a sonoridade caraterística que os Wild Beasts já apresentam há cerca de uma década e aprimora a vertente experimental, na medida em que não a descura e mantém as canções acessíveis à maioria dos ouvidos, como comprova o já apreciável catálogo de singles retirados do disco (Wanderlust, Mecca, Sweet Spot e A Dog’s Life). A toada geral das canções é amena e a vertente instrumental centra-se mais no campo sintético, do que propriamente nas guitarras, valendo-se de um conjunto de referências que vão da música minimalista dos anos setenta, a alguns fragmentos da eletrónica atual, sem descurar uma forte presença da synthpop típica dos anos oitenta, de forma equlibrada e não demasiado vintage. Todos estes aspetos mergulham Present Tense num universo que abrange alguns elementos específicos das novas propostas que vão surgindo no campo da dream pop, algo que projetos como os Everything Everything e Alt-J têm apresentado, dois grupos também britânicos e que confessam admirar a discografia dos Wild Beasts.

Este clima sonoro que não deixa também de ter um certo charme, juntamente com o habitual falsete de Thorpe, ajuda à aproximação entre a banda e o ouvinte, ao mesmo tempo que confere a densidade correta às letras, ajudando a que o conjunto final de muitas canções tenha vida e um pulsar que não nos passa despercebido.

Da política, à estratificação social, passando, obviamente, pelo amor, Present Tense aborda a nossa realidade, permite que nos identifiquemos com o conteúdo e canções como o single Wanderlust (Don't confuse me with someone who gives a fuck), ou a abordagem da luxúria e da sedução em Sweet Spot, asim como algum exibicionismo e machismo patentes em Nature Boy, fazem-nos pensar nessas questões. Também é difícil não nos deixarmos levar pelo romantismo melancólico de Palace, mas o meu grande destaque deste disco é mesmo Sweet Spot, uma excelente música, com o clima contido de sempre e pontuado pela vocalização etérea de Thorpe e por sintetizadores que nos envolvem até ao final da canção

Present Tense é um disco que amarra várias pontas soltas que os Wild Beasts foram deixando ao longo do seu percurso e, com isso, amplia o cardápio de referências e a herança inspiradora que deixa para outras bandas que se possam servir de Present Tense como um válido e importante referencial. Ao longo da audição este vai crescendo de ofrma bela e sofisticada e aconselho vivamente um isolamento completo de eventuais distrações sonoras para que possam seer devidamente apreciados todos os detalhes que sustentam o alinhamento. Espero que aprecies a sugestão...

Wild Beasts - Present Tense

01. Wanderlust
02. Nature Boy
03. Mecca
04. Sweet Spot
05. Daughters
06. Pregnant Pause
07. A Simple Beautiful Truth
08. A Dog’s Life
09. Past Perfect
10. New Life
11. Palace

 


autor stipe07 às 21:21
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A Jigsaw - Postcards From Hell

Os A Jigsaw preparam-se para entrar em estúdio para gravar o seu quarto álbum que será o sucessor de Drunken Sailors & Happy Pirates. E em jeito de despedida deste anterior trabalho, acompanham esta entrada em estúdio com a edição de mais um B-Side deste. Trata-se da canção Postcards From Hell, estreada pela primeira vez ao vivo na Antena 3 e que teve direito a um vídeo de animação da realizadora Maria Inês Afonso.

Estarei atento ao lançamento deste disco, que certamente será objeto de crítica e divulgação neste espaço. Para já, confere Postcards From Hell e um texto da Maria Inês sobre o vídeo.

 

"The Strangest Friend" foi o primeiro tema que ouvi e logo nesse momento imaginei todos aqueles ritmos e sons distintos traduzidos em cores e texturas animadas. Pessoalmente, o nosso encontro foi nos estúdios da Antena 1, no programa do Jorge Afonso. Como é hábito, trazia comigo o bloco de desenho. Achei o instrumento do Jorri fascinante e num instante dei-lhe forma no papel. No final do programa, em conversa à roda dos desenhos, partilhei-lhes que imaginava a sua música através da animação e, umas frases mais tarde, convidaram-me a criar um vídeo original para um dos seus temas ainda por estrear. Disse imediatamente que sim.

Uns dias depois, numa troca de emails, o João Rui enviou-me o "Postcards from Hell" e explicou-me que era uma mensagem para aqueles que os acompanharam e que os transformaram na identidade que é hoje a Jigsaw.

A partir daí ofereceram-me liberdade total para criar uma animação, sem deadlines ou quaisquer premissas estéticas.

Creio que o melhor que podia fazer era oferecer a minha criatividade e tornar visual as sensações que Postcards me provoca. Ela fala do conhecimento e de como este nos move e constrói a nossa identidade. A forma que encontrei de tornar visual este conhecimento foi quase imediata: representá-lo sob a imagem de fluxo de tintas aguadas, como se fosse um rio, uma corrente ao longo da canção. Nessa corrente viajam as suas memórias, relações, desilusões e aprendizagens. A figura do lobo, personagem principal, pretende ser uma representação da identidade a Jigsaw que, ao longo de todo o vídeo, vai velejando espaços que partilha com outros. Por vezes perde o seu navio, o seu rumo, desvia-se um pouco, mas chega sempre ao fim consciente e em sintonia com a sua identidade.

Agradeço muito esta oportunidade porque são trabalhos como este que nos permitem conhecer mais um bocadinho daquilo que somos. Penso que o enorme prazer e privilégio que senti ao criar esta pequena animação se pode traduzir pelo carácter experimental, curioso e multifacetado da sua estética. Também não seria possível de outra forma, se não falássemos de excelentes fazedores de música.

Aos a Jigsaw, um enorme obrigado!


autor stipe07 às 12:37
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Quinta-feira, 13 de Março de 2014

Bear Hands - Distraction

Oriundos de Brooklyn, Nova iorque, os Bear Hands são Dylan Rau, Ted Feldman, Val Loper, TJ Orsche, uma banda norte americana que no passado dia dezoito de fevereiro editou o sempre difícil segundo disco. O álbum chama-se Distraction e viu a luz do dia por intermédio da Cantora Records, tendo sido produzido por Ted Feldman, o guitarrista da banda e misturado por James Brown (Foo Fighters, Nine Inch Nails).

Assim que comecei a escutar este disco achei logo que me soava a algo familiar e que seria um trabalho de fácil assimilação. Mas a verdade é que, poucos instantes depois, percebi que estava na presença de um trabalho influenciado não só pelas habituais camadas sonoras que compôem o rock alternativo, mas também cheio de tiques caraterísticos do pop punk, do eletropop e do rock clássico dos anos oitenta.

De facto, neste Distraction os Bear Hands demonstram uma interessante maturidade, quer como escritores de canções mas, principalmente, como criadores de melodias. Bone Digger destaca-se pela toada groove, pelo falsete de Rau, que depois se vai repetir na sombria Vile Iowa e pela forma como esta postura vocal se mistura com um sintetizador que parece ter sido ressuscitado após trinta anos de hibernação. Sleeping On The Floor contém os melhores ingredientes do chamado garage rock, uma canção que assenta numa densa parede melódica criada por excelentes loops de guitarra e também não posso deixar de falar da intrigante Bad Friend, um tema que cruza algumas das melhores caraterísticas do chamado alt-country com o rock mais progressivo.

Mas o meu grande destaque do álbum vai para Giants, o tema que me fez perceber que os Bear Hands têm algo de distinto, já que é uma canção que começa por apostar num certo hipnotismo algo sombrio, feito com sons sintéticos, para saltar logo para um rock algures entre MGMT e Public Enemy (confuso?) e que depois se estende num refrão épico e clássico e tipicamente pop. Esta canção acaba por ser uma excelente demonstração da abrangência sonora dos Bear Hands, num disco coeso, assente em texturas sonoras intrincadas e inteligentes, diferentes puzzles que dão substância às canções, com um ritmo variado que sabe aquela urgência do rock dos anos oitenta e que dá vida a letras que narram acontecimentos comuns, de forma inteligente

Hoje em dia, com a multiplicidade de propostas que diariamente chegam aos nossos ouvidos, frequentemente instala-se a confusão e são ténues as fronteiras entre aquilo que é indie ou pop, independentemente da fórmula ser eminentemente orgânica ou sintética. O foco acaba por se direcionar, no meu caso concreto, para a qualidade e para a capacidade que, independentemente do balizamento ou da rotulagem que esteja tentado a fazer, algns discos têm de transmitir sensações, sejam elas rudes, sinceras, emotivas, simples ou intrincadas. Os Bear Hands são de difícil catalogação, talvez ainda estejam à procura do rumo certo mas, quanto a mim, são bons e serão grandes se optarem sempre por esta miscelânia e heterogeneidade sonora que carateriza Distraction. Espero que aprecies a sugestão... 

Bear Hands - Distraction

01. Moment Of Silence
02. Giants
03. Agora
04. Bone Digger
05. Vile Iowa
06. Bad Friend
07. The Bug
08. Peacekeeper
09. Sleeping On The Floor
10. Party Hats
11. Thought Wrong

 


autor stipe07 às 22:24
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Oliver Wilde - On This Morning vs Play & Be Saved

Natural de Bristol, o cantor, produtor e compositor Oliver Wilde captou a atenção da imprensa musical especializada britânica quando lançou o ano passado A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, o seu disco de estreia, rotulado como um verdadeiro tratado de pop psicadélica e que lhe valeu comparações com nomes tão relevanters como Mark Linkous ou Bradford Cox.

Cerca de um ano depois Oliver está de regresso com um novo disco intitulado Red Tide Opal In The Loose End Womb, um trabalho que verá a luz do dia a cinco de maio através da Howling Owl Records. On This Morning foi o primeiro avanço divulgado do disco e agora chegou a vez de Play & Be Saved. Falo de duas exuberantes canções, cheias de arranjos que, juntamente com a voz arrastada de Wilde, dão um cariz efervescente, melancólico e onírico a dois temas cheios de brilho e cor.

Por estas duas amostras, parece-me que Red Tide Opal In The Loose End Womb será uma das obras discográficas mais relevantes de 2014. Confere...


autor stipe07 às 10:57
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Quarta-feira, 12 de Março de 2014

Phantogram - Voices

Editado no passado dia dezoito de fevereiro pela Republic Records, Voices é o segundo disco da dupla norte americana Phantogram, natural de Greenwich, em Nova iorque e formada por Josh Carter (voz, guitarras) e Sarah Barthel (voz, teclas). Voices sucede a Nightlife, o disco de estreia da dupla, lançado em 2011.

Vivemos um período em que no universo sonoro indie e alternativo abundam os projetos que apostam em ambientes sonoros assentes numa eletrónica de cariz eminentemente pop, muitas vezes misturada com detalhes caraterísticos do rock, ou seja, feita com sons sintetizados, ressuscitados muitas vezes nos anos oitenta ou no trip-hop da década seguinte, misturados com guitarras com um apreciável nível de distorção e batidas e elementos da percussão que dão um certo travo R&B e algo obscuro ao clima geral.

Ao segundo disco os Phantogram apontam para estas bases sonoras, uma espécie de synthpop moderno, com um forte cariz urbano, num disco que aplica com apreciável mestria sintetizdores que vão-se enfiando por vários caminhos, alguns deles bem patentes, por exemplo, em Fall In Love e guitarras que melodicamente procuram territórios algo sombrios que em Nothing But Trouble, o interessante tema de abertura, remetem, por exemplo, para as propostas mais recentes de uma certa banda britânica, oriunda de Oxford e liderada por Thom Yorke. Escuta-se um clima envolvnete e sensual, que abre o apetite para o que vem a seguir, a melhor sequência do álbum, constituida por Black Out Days e na tal Fall in Love, duas canções com refrões marcantes, a voz de Sarah empilhada em várias camadas e uma improvável colagem de samples, que dá um tempero especial, particularmente na segunda canção.

Voices está impecavelmente produzido e envolto numa aúrea de mistério muito sedutora. E isso acentua-se quando se percebe que uma importante aposta neste disco parece ser a opção por canções com uma toada algo lenta e contemplativa; Temas como Bad Dreams, que incorpora uma peculiar bateria acústica e The Day You Died, canção que mistura muito bem guitarras e sintetizadores, têm na componente melódica, eminentemente romântica e introspetiva, uma correspondência clara com letras sombrias e pouco otimistas, com a própria voz de Sarah a acentuar todo este cenário algo sofrido.

O resto do disco tem alguns momentos igualmente expressivos, com temas como Never Going Home e I Don't Blame You a procurarem envolver o ouvinte num clima fortemente emocional, compatível com a lentidão de Bill Murray, algo quebrado por Howl At The Moon e Celebrating Nothing, duas canções que se aproximam da toada incial de Voices.

O fim do álbum chega com My Only Friend, uma bela melodia, com arranjos que dão à canção uma densidade particularmente rica e detalhada e ficamos com a sensação que escutámos uma banda que tem uma capacidade impar para nos afundar num colchão de sons eletrónicos que satirizam a eletrónica retro e, simultaneamente, mostrar-nos algumas pistas em relação ao futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão... 

01 Nothing But Trouble
02 Black Out Days
03 Fall in Love
04 Never Going Home
05 The Day You Died
06 Howling at the Moon
07 Bad Dreams
08 Bill Murray
09 I Don't Blame You
10 Celebrating Nothing
11 My Only Friend


autor stipe07 às 20:37
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Teen Daze - Tokyo Winter

Teen Daze

O canadiano Teen Daze lançou a um de outubro de 2013 Glacier, o seu terceiro registo de originais, por intermédio da Lefse Records, um disco cheio de ambientes etéreos e texturas sonoras minimalistas, com um cariz um pouco gélido, uma espécie de álbum conceptual que pretendia ser a banda sonora de uma viagem a alguns dos locais mais inóspitos e selvagens do nosso planeta. Agora ele está de regresso com mais novidades, neste caso um novo EP intitulado Paradiso.

Tokyo Winter, o tema que encerra o EP, é o primeiro avanço de Paradiso, um instrumental psicadélico e hipnótico, feito com sintetizadores carregados de reverb e loopings, uma guitarra a tocar fora de tempo, vários samples de vozes e de sons orgânicos e uma bateria eletrónica irregular, na senda do conteúdo sonoro de Glacier. Os oito minutos de Tokyo Winter estão disponiveis por poucos dias para download gratuito no site de Teen Daze e Paradiso ficará disponivel do mesmo modo, nesse local, a partir de vinte e cinco de março. Apressa-te e confere...


autor stipe07 às 12:40
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Terça-feira, 11 de Março de 2014

Maxïmo Park – Too Much Information

Lançado no passado dia dois de fevereiro por intermédio da V2 Records, Too Much Information é o quinto álbum dos ingleses Maxïmo Park, de Paul Smith, um dos nomes mais interessantes do cenário indie atual e líder de uma banda que quando surgiu foi considerada um novo fenómeno fundamental para o ressurgimento da herança post punk da década de oitenta e que, de disco, para disco, vem demonstrando um crescendo de maturidade e uma capacidade inata para apresentar novas propostas diversificadas sem se afastar do ADN que a carateriza.

Too Much Information são pouco mais de trinta minutos de um indie rock que usa as guitarras mas que, desta vez, dão a mão ao sintetizador no processo de criação melódica, uma unidade poucas vezes vista no grupo e que prova o tal processo mutante e que, no caso dos Maxïmo Park, parece natural e intrínseco à banda. Brain Cells, é a canção do disco que melhor esclarece esta nova nuance na carreira deste grupo inglês, um tema cheio de camadas de sons sintetizados, batidas e uma letra que fala da adição ao universo psicotrópico (I wanna try different this time).

Paul Smith é um caso à parte na capacidade de escrita e na sua capacidade lírica e poética, um compositor que parece possuir uma capacidade inteletual incomum e que quase sempre, se embrenha no lado mais obscuro do amor e a banda está disposta a acompanhá-lo na ousadia e na vontade de, disco após disco, incorporar novas ideias, estilos e sentimentos.

Com um vocalista cada vez mais a fazer juz ao ditado que fala da idade do vinho do porto e um toque sintético distinto, Too Much Information fala-nos ao coração e convida-nos à apropriação e à identificação com o conteúdo. A voz embriagada de Paul em Drinking Martinis poderia ser a de qualquer um de nós, numa noite em que demos asas a alguns dos nossos desejos mais mundanos e a balada Leave This Island, com o crescendo que a inflama e as questões que Paul coloca, com uma acidez sincera que o remete para Morrissey, e nos obrigam a refletir sobre algumas das nossas decisões e dúvidas, cabia bem no forte desejo de conforto que nos assalta quando algo amargo invade o nosso coração e ele clama por aconchego (Have you ever been compelled under a spell from a protagonist who knows you far too well? Are you going to tell me why there’s a backpack by the bedroom window? It’s a pack of lies).

As cordas não foram completamente postas de lado e em Give, Get, Take temos o momento mais orgânico de Too Much Information que ao abrir o disco ilude um pouco, algo que de algum modo se repete em Midnight On the Hill, uma outra balada qu tem no típico timbre amargurado de Paul e na sua interpretação emotiva os seus maiores trunfos (What happens next? I would like to know, funny how things come and go).

Até ao final do disco há que destacar a lúdica I Recognise the Light e o brilhantismo de Lydia, The Ink Will Never Dry, uma canção que apela fortemente à herança dos Smiths, no meio de riffs viajantes e da poesia em movimento escrita por Paul. Não há dúvida que ele é o típico frontman que se declara através do microfone e somente através do mesmo (Lydia, tell me how hard can it be? I don’t know about you but it feels good to me).

Menos intensos e ruidosos mas melodicamente mais maduros e assertivos e naturalmente bastante competentes, os Maxïmo Park mantêm em Too Much Information intata a capacidade de serem relevantes e de construirem, em conjunto, belas canções com uma forte tendência poética e com impacto musical e instrumental. Espero que aprecies a sugestão...

Maxïmo Park - Too Much Information

01. Give, Get, Take
02. Brain Cells
03. Leave This Island
04. Lydia, The Ink Will Never Dry
05. My Bloody Mind
06. Is It True
07. Drinking Martinis
08. I Recognise The Light
09. Midnight On The Hill
10. Her Name Was Audre
11. Where We’re Going 


autor stipe07 às 21:01
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