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Wild Beasts - Present Tense

Sexta-feira, 14.03.14

Três anos após o excelente Smother, o quarteto britânico Wild Beasts está de regresso com Present Tense, um novo álbum lançado no passado dia vinte e quatro de fevereiro pela Domino Records. Depois de trabalharem com Richard Formby nos três primeiros álbuns, este novo trabalho foi gravado com Lexxx, um engenheiro de som parceiro de Mike Stent e que já trabalhou em álbuns de Björk, Madonna e Goldfrapp.


A carreira dos Wild Beasts tem sido marcada por um desenvolvimento progressivo e um aumento da bitola qualitativa da sonoridade apresentada de disco para disco, com o ponto alto a ser atingido com Smother, considerado unanimemente o ponto alto da carreira deste grupo. Assim, era com elevada pressão que se aguardava um novo trabalhos dos Wild Beasts e importa referir, sem mais delongas, que Present Tense não defrauda quem estava à espera de algo de nivel semelhante a Smother, com a nuance de haver ainda propostas sonoras mais ambiciosas e sofisticadas e um alargar do leque musical dos Wild Beasts, além de uma qualidade lírica acima de qualquer suspeita e que importa também analisar com algum detalhe.

Então, Present Tense reforça a sonoridade caraterística que os Wild Beasts já apresentam há cerca de uma década e aprimora a vertente experimental, na medida em que não a descura e mantém as canções acessíveis à maioria dos ouvidos, como comprova o já apreciável catálogo de singles retirados do disco (Wanderlust, Mecca, Sweet Spot e A Dog’s Life). A toada geral das canções é amena e a vertente instrumental centra-se mais no campo sintético, do que propriamente nas guitarras, valendo-se de um conjunto de referências que vão da música minimalista dos anos setenta, a alguns fragmentos da eletrónica atual, sem descurar uma forte presença da synthpop típica dos anos oitenta, de forma equlibrada e não demasiado vintage. Todos estes aspetos mergulham Present Tense num universo que abrange alguns elementos específicos das novas propostas que vão surgindo no campo da dream pop, algo que projetos como os Everything Everything e Alt-J têm apresentado, dois grupos também britânicos e que confessam admirar a discografia dos Wild Beasts.

Este clima sonoro que não deixa também de ter um certo charme, juntamente com o habitual falsete de Thorpe, ajuda à aproximação entre a banda e o ouvinte, ao mesmo tempo que confere a densidade correta às letras, ajudando a que o conjunto final de muitas canções tenha vida e um pulsar que não nos passa despercebido.

Da política, à estratificação social, passando, obviamente, pelo amor, Present Tense aborda a nossa realidade, permite que nos identifiquemos com o conteúdo e canções como o single Wanderlust (Don't confuse me with someone who gives a fuck), ou a abordagem da luxúria e da sedução em Sweet Spot, asim como algum exibicionismo e machismo patentes em Nature Boy, fazem-nos pensar nessas questões. Também é difícil não nos deixarmos levar pelo romantismo melancólico de Palace, mas o meu grande destaque deste disco é mesmo Sweet Spot, uma excelente música, com o clima contido de sempre e pontuado pela vocalização etérea de Thorpe e por sintetizadores que nos envolvem até ao final da canção

Present Tense é um disco que amarra várias pontas soltas que os Wild Beasts foram deixando ao longo do seu percurso e, com isso, amplia o cardápio de referências e a herança inspiradora que deixa para outras bandas que se possam servir de Present Tense como um válido e importante referencial. Ao longo da audição este vai crescendo de ofrma bela e sofisticada e aconselho vivamente um isolamento completo de eventuais distrações sonoras para que possam seer devidamente apreciados todos os detalhes que sustentam o alinhamento. Espero que aprecies a sugestão...

Wild Beasts - Present Tense

01. Wanderlust
02. Nature Boy
03. Mecca
04. Sweet Spot
05. Daughters
06. Pregnant Pause
07. A Simple Beautiful Truth
08. A Dog’s Life
09. Past Perfect
10. New Life
11. Palace

 

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publicado por stipe07 às 21:21

A Jigsaw - Postcards From Hell

Sexta-feira, 14.03.14

Os A Jigsaw preparam-se para entrar em estúdio para gravar o seu quarto álbum que será o sucessor de Drunken Sailors & Happy Pirates. E em jeito de despedida deste anterior trabalho, acompanham esta entrada em estúdio com a edição de mais um B-Side deste. Trata-se da canção Postcards From Hell, estreada pela primeira vez ao vivo na Antena 3 e que teve direito a um vídeo de animação da realizadora Maria Inês Afonso.

Estarei atento ao lançamento deste disco, que certamente será objeto de crítica e divulgação neste espaço. Para já, confere Postcards From Hell e um texto da Maria Inês sobre o vídeo.

 

"The Strangest Friend" foi o primeiro tema que ouvi e logo nesse momento imaginei todos aqueles ritmos e sons distintos traduzidos em cores e texturas animadas. Pessoalmente, o nosso encontro foi nos estúdios da Antena 1, no programa do Jorge Afonso. Como é hábito, trazia comigo o bloco de desenho. Achei o instrumento do Jorri fascinante e num instante dei-lhe forma no papel. No final do programa, em conversa à roda dos desenhos, partilhei-lhes que imaginava a sua música através da animação e, umas frases mais tarde, convidaram-me a criar um vídeo original para um dos seus temas ainda por estrear. Disse imediatamente que sim.

Uns dias depois, numa troca de emails, o João Rui enviou-me o "Postcards from Hell" e explicou-me que era uma mensagem para aqueles que os acompanharam e que os transformaram na identidade que é hoje a Jigsaw.

A partir daí ofereceram-me liberdade total para criar uma animação, sem deadlines ou quaisquer premissas estéticas.

Creio que o melhor que podia fazer era oferecer a minha criatividade e tornar visual as sensações que Postcards me provoca. Ela fala do conhecimento e de como este nos move e constrói a nossa identidade. A forma que encontrei de tornar visual este conhecimento foi quase imediata: representá-lo sob a imagem de fluxo de tintas aguadas, como se fosse um rio, uma corrente ao longo da canção. Nessa corrente viajam as suas memórias, relações, desilusões e aprendizagens. A figura do lobo, personagem principal, pretende ser uma representação da identidade a Jigsaw que, ao longo de todo o vídeo, vai velejando espaços que partilha com outros. Por vezes perde o seu navio, o seu rumo, desvia-se um pouco, mas chega sempre ao fim consciente e em sintonia com a sua identidade.

Agradeço muito esta oportunidade porque são trabalhos como este que nos permitem conhecer mais um bocadinho daquilo que somos. Penso que o enorme prazer e privilégio que senti ao criar esta pequena animação se pode traduzir pelo carácter experimental, curioso e multifacetado da sua estética. Também não seria possível de outra forma, se não falássemos de excelentes fazedores de música.

Aos a Jigsaw, um enorme obrigado!

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publicado por stipe07 às 12:37






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